Sangue Frio
16 Capítulo 15
Notas iniciais
Renesmee esticou suas pernas por debaixo da mesa, o sol esquentava seu cabelo, porém não atrapalhava em nada. Ela suspirou, olhando ao redor, estava em uma cafeteria que tinha um grande jardim rodeado por flores e gramas, além de várias mesas brancas estilo vintage. Ela sorri ao ver Claire se aproximando com uma barriga já notável.
– Pesa tanto. – foi a primeira coisa que Claire disse e Renesmee não pôde deixar de rir.
– Olá para você também Clair. – diz Renesmee.
– Ah... Só agora minha melhor amiga e madrinha do meu filho conversa comigo? – pergunta.
– Sabe que estava muito ocupada... – se desculpa.
– Fiquei sabendo.
– Nahuel te contou? – Renesmee força as palavras a saírem de sua boca.
– Nahuel? O que ele tem a ver com is... – Claire compreende rapidamente – Então você o procurou como psicólogo? – pergunta.
Renesmee bufa – Não exatamente, alguém cujo nome não quero dizer pagou a consulta e desabafei sem querer – ela dá de ombros.
– Ou será que foi subconsciente lhe dizendo que ele é a pessoa apropriada a escutá-la? – Claire pergunta e uma garçonete chega.
– O que vão querer senhoras? – pergunta.
– Vou querer um café gelado com barra de chocolate meio amargo e cobertura de chantilly. Ah, duplo. – Claire diz lambendo os lábios – E você Nessie? – Renesmee aponta o café dela ainda de boca aberta com a amiga.
– E-então você acha que Nahuel é a pessoa certa? – pergunta ela ainda se recuperando do choque de ver a amiga comer tanto. Claire comia que nem formiga, bem pouco.
– Por um tempo, sim. E você e Jacob? – Claire levanta a sobrancelha ao ver a amiga se mexer inquieta na cadeira – O que houve?
– Nos terminamos.
– Como? – pergunta perplexa.
– Isso, eu basicamente estava colocando-nos em risco e me metendo no caso até demais. – ela pega o copo e sorve um pouco da cafeína – E durante esses dias estou meio que fugindo do trabalho por causa dele e também quero colocar todos os meus pensamentos em ordem. – suspira – Nahuel me ajudou bastante no primeiro dia, ele me buscou assim que aconteceu já que eu estava e estou sem carro e meu motorista sumiu... Foi uma discussão dramática e pelo que entendi se voltarmos será só quando o caso estiver fechado.
– Ele deve ter tomado essa medida drástica, pois deve ter sido necessária, não foi? – pergunta.
– Sim, eu praticamente disse ao Volturi que eu sabia que era ele, na verdade ele deixou transparecer bem que ele era e a mulher dele também.
– A mulher dele sabe? – Claire disse com um tom horrorizado.
– Sim, mas não posso contar mais que isso. É confidencial. – Claire assente em concordância. – Vamos parar de falar sobre isso ok? E qual é o sexo?
Claire começa a rir.
– Esse ou essa danada não quer mostrar de jeito nenhum!
– Sério? Pois acho que é uma princesinha, geralmente são tímidas e garotas respeitosas. – Renesmee comenta e Claire ri.
– Ou pode ser um menino bem tímido. – dá de ombros.
– Bom, meninos geralmente querem mostrar pra Deus e o mundo seu sexo, mostrar que é homem. Sabe como eles são, então acho que não seja um.
– Vamos ver. – Claire massageia a barriga – Sinta! – grita entusiasmada. Renesmee ri e coloca a mão sentindo o pezinho do bebê em sua mão, seus olhos lacrimejam – O bebê gostou de você. – sussurra para Renesmee. – Mas como não iria gostar de uma madrinha tão linda como essa não é bebê?
– Me desculpe ser uma madrinha tão louca. – sussurra Renesmee para o bebê e ele se mexe colocando a mãozinha. Nessie se afasta – Bebê não me fará chorar. – ri segurando as lágrimas.
O celular toca e Renesmee verifica sabendo que é Leah.
– Alguma coisa para mim Leah?
“Dá para você ir ao hospital escutar uma vítima?” pergunta.
– Estou na hora do meu almoço ainda. – reclama – Mas assim que acabar, vou.
“Tudo bem, depois te ligo e passo as informações.” – ela desliga.
– Está fazendo trabalho em campo agora? – questiona Claire.
– Sim, por um tempo já que minha sala é a mesma que a de Jacob.
– Sabe que não poderá fugir para sempre... Vocês terão que ter uma conversa amiga que será decisiva, você sabe.
Renesmee assente – Por isso mesmo estou prolongando minha estadia com trabalho em campo. – comprimi os lábios.
Renesmee avista o quarto 301 e bate levemente não querendo assustar quem ali estava, um senhor abre a porta e Renesmee adentra com uma prancheta.
– Você não parece ser uma médica. – uma garota diz. Seus cabelos eram loiros, seus olhos azuis e seu rosto branco corado, porém com vários hematomas pela extensão de seus olhos e boca.
– Sou a delegada Renesmee Cullen. – sorri para a garota que faz uma careta – Sei que é difícil querida, mas é para seu bem e quem sabe depois seguir em frente. – ela tenta dar um sorriso, mas ele sai como uma careta.
– Seguir em frente? Ele me... – ela começa a chorar.
– Por favor senhora saia, minha filha não pode passar por sentimentos fortes. – o pai diz desesperado.
– Não papai, ela tem razão, apesar de tudo. – intervém a menina – Ficarei bem. – o pai se aproxima e a garota apalpa a mão do mesmo.
– Podemos começar? – pergunta Nessie incerta, sua mente não estava tão conectada o quanto devia, mas mesmo assim devia atenção aquela menina. Renesmee havia analisado a garota antes em uma das fichas, mas soube que ela não teve condições de dizer no primeiro dia sobre os abusos que sofrera, mas na ficha dizia fraturas e lesões graves, além de violação íntima, o que era o pior para Renesmee.
A garota assente e o pai senta ao lado na cama pegando na mão da filha que aperta mais forte.
– Então senhorita quando estava voltando para casa estava sozinha?
– Sim.
– E onde foi exatamente o local? Aqui diz que é... Brooklyn? – Renesmee arfa.
– Sim, no corredor entre a primeira e segunda avenida, muitas pessoas passam por lá como atalho. – Renesmee começa a tremer e então lembra da terapia de contar de 10 a 1 até se acalmar, uma vez calma recomeça.
– Lembra das características do violentador? – pergunta.
– Eu não saberia descrever... – diz comprimindo os lábios querendo chorar.
– Tudo bem, tudo bem... – Renesmee acalma-a — Temos um homem que ataca por essas redondezas, ele, hum, já foi identificado, porém...
– Porém? – o pai da garota pergunta.
– Porém há dois dele, ele tem um irmão gêmeo, já deixou resquícios em algumas vítimas, mas não podemos prender dois de uma vez, precisamos de digitais...
– E ele nunca deixa porque usa luvas. – a garota completa lembrando das luvas geladas de coro em sua pele.
– Se eu lhe mostrasse uma foto, você poderia me dizer se é ele?
– Não acho boa ideia ela sequer vê-lo por uma foto! Você já não tem certeza que seja ele? Hã? – brada o pai com raiva.
– Não apropriadamente, ele não é tão agressivo. – Renesmee responde calmamente para o pai – E quer ou não quer que esse monstro seja preso?
O pai suspira, cai na cadeira e coloca a mão sobre o rosto – Só quero que esse pesadelo passe logo. – murmura.
A menina assente confirmando para a delegada, Nessie retira da bolsa a foto dele e vira para a menina.
– É ele. – ela diz tremula e vira o rosto.
– Não entendo... – diz Renesmee em voz alta sem perceber, lembrando da noite que fora violentada e do depoimento da outra garota.
– Não entende o que? – pergunta a garota.
– Ele não bate nas vítimas, ele as violenta e larga... Mas eu li sua ficha e aqui diz que você esteve em coma por algumas semanas, correto?
– Eu o mordi, eu lutei e gritei com ele enquanto ele me violentava. – a garotava chorava agora – Eu to com tanto nojo! Tanto ódio, eu o queria matar, e-eu quero-o morto! – a garota gritava histérica e se sacudia toda.
O pai apertou o interruptor e logo enfermeiras chegaram com seringas – Já basta! Saia! – disse ele.
Renesmee andou até a porta e olhou uma última vez a menina que agora tinha sido imobilizado e colocavam algo para ela dormir, a garota olhou para a delegada, lágrimas descendo pelo seu rosto, uma onda de dor atingiu a ruiva, aquela menina que ela via era seu espelho... Ela fechou a porta antes que não aguentasse, só percebeu onde estava quando já estava no carro e o motorista lhe perguntou onde iria, ela não respondeu, fitou a janela e arfante sentiu todo seu corpo estremecer revivendo a bizarra noite de terror. Quantas meninas teriam que sofrer até ele ser preso? Mas ele se fosse morto que nem a garota disse que queria? Afinal, ela queria isso também? Não, não... Ela não era assassina. Ele não merecia somente um tiro e muito menos ela o mutilaria e o violentaria como o seu eu mais negro havia imaginado...
Sim, ela havia-o imaginado amarrado e pelado com a parte íntima exposta, ela arrancava aqueles dedos asquerosos um por um enquanto ele gritava de dor e pedia perdão, e quando chegava quando ela queria ele urrava de dor e ia morrendo aos poucos. Porém do que adiantaria tudo isso? Ela se comportaria da mesma forma que ele ou até pior...
A ruiva olhou para o envelope onde continha o arquivo da garota, sua mão roçou o envelope pardo áspero e ela ficou novamente em um impasse, era o caso de Jacob, uma parte vital, mostrando que Aro estava tornando-se mais agressivo, mas também porque logo aquele caso foi direcionado a ela? Será que era um sinal para ela não abandonasse o caso?
– Senhorita Renesmee... – o motorista disse timidamente.
– Para a delegacia.
–♥-
Jacob analisava as provas a sua frente, o café estava morno quase frio e intocado, deixando um aroma na pequena sala aconchegante e familiar.
“Porque não o prende logo com essas provas Black?” – um detetive perguntava por telefone.
– Wischester, ele merece ser preso por tudo que ele fez, não seja impaciente.
“Contrabando Black! Pior, de drogas, ele ficaria toda a vida preso.”
– Eu sei o que estou fazendo, Wischester, só continue. – Jake disse e desligou.
Jacob olhou para a foto mais nova de Renesmee ali aberta, fazia dias que ele não a via e só tinha informações que ela estava bem por causa de Leah. Ele escutou duas batidas tímidas na porta e suspirou achando que era Leah.
– Entre. – ele disse com uma voz normal, porém desanimada, mas assim que viu a cabeleira ruiva e os olhos lhe olharam afeiçoados para ele, seu coração perdeu um compasso.
– Oi... – Renesmee disse timidamente – Pensei que estivesse na nossa sala, mas Leah disse que você se mudou para o antigo armazém de arquivos, não precisava aqui é apertado e abafado.
– Era necessário, você sabe. – ele disse sem desgrudar seus olhos do dela.
A ruiva olhou para baixo e viu os arquivos e franziu a testa, Jacob fechou a pasta e pigarreou.
– Então... – ele disse, a atenção de Renesmee foi desviada, ela tinha uma pequena luta dentro de si, entregar aquela pasta ou investigar por si própria.
– Você tinha razão sobre tudo que falou naquela briga. – ela admitiu, mas ainda segurava o envelope fortemente – Realmente não estou no meu estado normal para lidar com esse caso em especial. Você tem razão, me desculpe.
Jacob assentiu e levantou da cadeira e rodeou a mesa ficando frente a frente com ela.
– Também errei, não deveria ter falado aquilo tudo com cabeça cheia, fui agressivo e não compreensível como deveria ter sido. Perdi completamente o juízo e eu também lhe devo desculpas.
Renesmee assentiu, o resultado do duelo para que entregasse aquele envelope duelando dentro de si acabava a cada palavra pronunciada pelos dois.
– Também vi lhe entregar isso, faz parte desse caso também, ironicamente fui eu que peguei esse caso e a garota reconheceu o retrato falado dele. – ela diz e entrega o arquivo – Ele a agrediu com socos e chutes.
Jacob olhou-a confuso.
– Não é do feitio dele fazer isso, ele não agredi, não desta forma. Tem certeza? – Jacob deliberou.
– Tenho, eu mostrei a ela o retrato falado após ela falar do corredor de Blookyn. – ela fecha os olhos – Pelo menos tem um local, ele está atacando nessa área.
– Porque?
– Subúrbio, acredito que ele ache que com isso é mais difícil puni-lo. – diz pensativa.
– Obrigada por entregar, é importante, você sabe.
– Sim, confio em você. – diz e anda até a porta, ela sente as mãos de Jacob tocarem-na na mão suavemente.
– Renesmee... – ele a chamou com a voz rouca. Ela se virou e seu coração perdeu um compasso quando viu os olhos olhando-a intensamente.
– Sim? – perguntou em um sussurro, se virando e ficando frente a frente com ele novamente.
Ele deslizou suas mãos até o rosto dela lhe fazendo carinho enquanto a outra afagava os cabelos macios dela, ela fechou os olhos sentindo o toque o carinho, incapaz de se mexer e não se entregar aos sentimentos que sentia. Sentiu os lábios macios tocarem-na na testa e ela suspirou, decepcionada, porém compreensiva.
Eles não podiam ficar juntos, não agora, não naquele momento e não enquanto o pesadelo não acabasse. Ela olhou para cima e encontrou os olhos dele tão tristes como o dela.
– Eu te amo. – sua voz não saiu, mas ele atendeu e assentiu.
– Assim como eu te amo. – ele também fez o mesmo e ela saiu de repente sentindo a salinha ficar apertada e claustrofóbica demais para os dois juntos.
Ela passou pelos corredores sem perceber o que acontecia ao redor e entrou em sua sala de repente vazia sem Jacob, mas com Leah na antiga mesa que ele ocupava, Renesmee tirou o terno que usava sentindo-se nauseada.
– Tem trabalho? – Renesmee de repente perguntou e Leah sorriu compreendendo que a amiga queria se enfiar no trabalho para esquecer os problemas pessoais.
– Uma papelada deles. – disse Leah e deu alguns papeis para a chefe – Pode começando com esses.
A ruiva assentiu e começou a trabalhar com o folego renovado.
–-
Jacob analisou os papeis depois de ter se acalmado e ter se passado alguma horas e viu que tinha pouca informação, mas compreendeu que Renesmee não tinha aprofundado em sua pesquisa já que decifrou que o caso era dele, ele sorriu com isso, ela estava indo bem. Wischester começou a ligar novamente.
“Ele mudou a rotina.” – diz.
– Como? – Jacob pergunta – Você deixou que ele te visse?
“Ele está em Brooklyn, foi a um corredor pouco iluminado e parecia que procurava algo...”
– E achou? – Jacob perguntou.
“Aparentemente não, ele não pegou nada, mas procurava algo”
– E quanto ao contrabando?
“Chegou carga nova e caixas novas também, ele estava falando com outro cara, talvez você tenha razão, há mais gente por trás disso.”
– Eu sempre tenho razão detetive, continue cavando. – Jacob disse e desligou.
–-
– Devo dizer que novas cargas chegaram senhor C. vamos lucrar muito com isso. – Aro diz divertido enquanto fuma um charuto e Sulpícia lhe faz massagem nas costas.
“Acredito que sim, senhor Volturi, afinal estou ficando cada vez mais rico... E quanto as investigações contra o senhor?” – C. pergunta.
– Você tem mais gente lá dentro e mais gente ainda mais próxima nessa investigação. – resmunga Volturi.
“Você me deu sua palavra que não estava envolvida nessa porcaria, espero que não esteja mentindo, isso me dá asco.”
Aro revira os olhos e tira as mãos de Sulpícia com brutalidade.
– Porque eu mentiria para o senhor? Aliás, porque eu iria fazer isso contra criancinhas? – delibera Aro com uma voz de vítima, mas com um sorriso de escarnio. Ele escuta “C” suspirar e ele sabia que havia mais uma vez havia despistado seu sócio das suspeitas.
“Tudo bem, tenho que ir, o trabalho me chama” – e desliga.
– Como foi? – Sulpícia pergunta e Aro sorri se deitando novamente para que ela continuasse sua massagem.
–-
Renesmee estava na sala de espera de um consultório psicológico, ela batia os pés nervosamente contra o assoalho de madeira, suas mãos suavam apreensivas. Depois de muito pensar, resolveu ligar para Nahuel para saber onde ficava o escritório dele para que eles pudessem conversar, sua surpresa maior foi quando ele negou que faria o tratamento dela explicando que ela tinha que se libertar com um estranho, foi quando ele passou o número e o endereço do Doutor Finnigan e ela foi lá, mas a cada minuto pensava em desistir.
– Senhorita Cullen. – a assistente chamou, azeda e fria.
Renesmee se levantou e seguiu a assistente até uma porta onde estava um homem de mais ou menos trinta anos com um sorriso encantador e simpático. Ele estendeu a mão em cumprimento e Renesmee tratou de fazer o mesmo gesto.
– Por favor, entre e sinta-se à vontade. – disse Finnigan pedindo com a mão para que ela entrasse e sentasse no divã.
Como se isso fosse possível, pensou Renesmee.
– Sei que a primeira consulta é assustadora, mas espero que tornemos típicos amigos e que possa confidenciar tudo o que desejar. – disse ele e se sentou em uma poltrona – Como profissional é uma promessa que nada sairá da minha boca.
– Sei que sim, Nahuel não teria me mandado para cá se não soubesse que o senhor é justo. – disse.
– Sim, embora tenhamos estudado juntos. – sorri Finnigan e a Nessie se lembra do sorriso de Jacob, sincero e que ilumina tudo e todos ao redor – E por favor, me chame de Denis.
Renesmee sorri sentindo-se mais relaxada.
– Então me chame de Renesmee. – sorrio – Ou Nessie que é mais fácil. – disse ao perceber a careta dele.
– Nessie é bem melhor. – sorriu Denis – O que quer conversar? – pergunta ele.
– Posso conversar sobre tudo? – Renesmee disse levanto a sobrancelha.
– Porque não? E quando quiser podemos chegar ao ponto que te levou aqui. – ela sorri compreendendo o método que ele utiliza.
– Acho que vou acabar achando que você é um amigo e me esquecendo que te pago. – brinca a ruiva.
– Essa é a proposta. – sorri Denis.
Fale com o autor