Sangue, Amor e Poder
23 Sobras do que um dia fora perfeito
Notas iniciais
Sentara no chão úmido demoradamente. Os enjoos eram frequentes, a dor pelo corpo também, e a ansiedade de vê a luz do dia perturbava-a segundo a segundo.
–Sakura? – Tsunade a chamou. –Como está se sentindo?
–Não se preocupe comigo, Tsunade, mas com você. – esforçou-se para levantar e quando conseguiu foi até as grades. –Nunca me sentir tão fraca.
–Provavelmente esse feto na sua barriga está sugando todas as suas energias.
Sakura fechou os olhos e baixou a cabeça, pensativa. Estava começando a pensar seriamente numa possível gravidez. Ela nunca estivera tão fraca, incapacitada, e terrivelmente nauseada.
–Por que isso está acontecendo comigo? – perguntou-se. –Não posso ter um filho do homem que devo odiar. Isso irá contra meu sangue. Contra minha lealdade. Contra a honra do meu povo.
*
Ossos
Debaixo do céu noturno
Eu deito, esperando
Orando para quem quer que me ouça
Eu criei a minha própria cruz
Fui preso pelo seu peso
Não há mensagem mais dura
Do que lama no seu rosto
*
–Não adianta chorar por causa do leite derramado. – disse Naruto. –Temos que sobreviver a tudo isso, principalmente você, Sakura. Ainda há pessoas que te respeitam como líder, mas com certeza não irão aceitar um filho seu com nosso maior inimigo.
Ao ouvir cada palavra certeira, Sakura motivou-se a levantar a cabeça.
–Se você ainda quer salvar o pouco de honra que nos resta... Destrua o que está dentro de você.
Fora como se uma ventania passasse por ela e a assustou. Relutante, Sakura pôs a mão no ventre, profundamente mergulhada em pensamentos, mas ao ter que encarar sua frustrante realidade, rapidamente ela afastou de si as emoções conflitantes.
–Destruir? – indagou atônita.
*
Já vi o fim do caminho
Agora lido com uma história diferente, oh
Eu nunca desistirei novamente
*
–É uma ideia repugnante, mas não deixa de ser aceitável na sua posição. – comentou Tsunade. –Mas é tarde demais para fazer isso. A essa altura, o Lorde já deve está sabendo que você espera um filho dele.
O barulho de passos firmes despertou a atenção dos prisioneiros. Sakura se afastou das grades quando dois homens pararam de frente a ela, e destrancaram sua cela.
–Temos ordem de leva-la à mansão. – comunicou o mais antipático deles.
–Ordem de quem? – perguntou assim que fora levada pelo braço. –Sasuke ordenou que vocês me levassem?
–Silêncio. – exigiu o outro homem, fazendo-a se calar.
*x*x*x*x*
Sakura andava atenta pela mansão. Era imensamente confuso para ela sentir tanta ansiedade. Desejava encarar Sasuke cara a cara, fazer-lhe perguntas, ter respostas, e resolver assuntos extremamente delicados, e pendentes entre eles. Mas, ao mesmo tempo, toda aquela ansiedade se reprimia, como o fogo em combate com a água.
–Onde estão me levando?
Perguntou confusa, já que achara que encontraria Sasuke no grande salão; lugar onde ele costumava intimidar as pessoas.
–Até a visita do Lorde, você permanecerá no seu antigo quarto. – explicou o homem, levando-a pela escada.
–O que pensou? Que chegaria aqui e logo iria vê-lo? – debochou o vampiro com um risinho satisfatório. –O Lorde odeia mulheres sujas.
*
Somos todos arquitetos do nosso inferno particular
Ninguém pode nos ferir como nós nos ferimos
*
Ambos riram com gosto, e sem cuidados escancararam a porta de um dos quartos, onde uma mulher, de cabeça baixa, parecia aguardar a chegada de Sakura.
–Ela é toda sua, Yoko. – disse jogando Sakura nos braços da mulher. –Ela fede como uma traidora.
Gargalhando com estardalhaço, os homens mal encarados bateram a porta do quarto com muita foça.
–Senhora!
Yoko apressou-se a carregar Sakura até a cama.
–Desculpe esforça-la tanto, Yoko, estou muito fraca.
–Não fale nada, senhora. – calmamente ela passou a despir Sakura. –A senhora é tão bela... Que estado a trouxeram!
–Eu só preciso comer e recuperar minhas forças.
–Já providenciei um verdadeiro banquete para a senhora. – sorriu deixando-a somente de peças íntimas. –Consegue andar até o banheiro?
–Sim.
Cambaleante, Sakura fora levada por Yoko.
–Vou despi-la por inteira.
–Tudo bem. – concordou encarando o por do sol. –Onde está, Sasuke?
–Não o vi mais depois que ele disse que eu ficaria encarregada de ajuda-la. – respondeu ajudando a rosada entrar na banheira. –Ultimamente evito cruzar o caminho do Lorde. Ele está impaciente com todos, desconfia até mesmo da própria sombra, e está visivelmente atordoado com a presença do irmão aqui.
–Itachi! Como ele está?
–Não sei ao certo, mas parece que está muito mal. – Yoko fizera questão de baixar mais ainda o tom de voz. –Esse lugar virou um verdadeiro caos. Todos estão com medo do que pode acontecer.
Sakura respirou fundo, comprovando o que já imaginava.
–Baixe a cabeça, por favor. Vou ensaboar seus cabelos.
Sakura fizera o que Yoko pediu. A água morna começava relaxar seu corpo e tranquilizar seus nervos.
–Senhora, a senhorita Karin está viva!
–Como disse? – involuntariamente Sakura se virou para Yoko, estupefata com a notícia. –Como? Eu pensei que Sasuke...
–Ele deixou que outros vampiros a matassem. – disse tirando o sorriso do rosto da jovem. –A escondemos em um quarto de tralhas, onde ninguém, a não serem as mulheres da limpeza, vai.
–Como ela está?
–Mal. Eu e outras mulheres estamos tentando mantê-la viva por meio de nosso sangue, mas não podemos mais alimentá-la. Ela precisa de uma boa quantidade de sangue, além disso, suas feridas não se regeneram.
–Meu Deus! – murmurou pensativa. –Eu preciso vê-la.
–Creio que isso não será possível.
–Vou dar um jeito.
*
Já vi o fim do caminho
Agora lido com uma história diferente, oh
Eu nunca desistirei novamente
*
–É melhor a senhora permanecer nesse quarto e obedecer às ordens do Lorde. – aconselhou banhando-a. –Ele não é mais o mesmo homem que a trouxe para cá.
Sakura sentiu um frio gélido entrelaçar a espinha, no entanto, ela preferiu camuflar o medo. Precisava ser forte e encarar Sasuke de uma vez por toda.
–Venha. – gentilmente Yoko guiou Sakura de novo ao quarto. –Escolhi essa camisola, mas se a senhora quiser...
–Está ótima. – disse impedindo a mulher de vasculhar o closet. –Como está Lain?
Yoko olhou-a de esguelha.
–Ela está bem, mas sempre resmungona, e mimada. – respondeu querendo se livrar de vez da pergunta. –Eu vou trazer sua refeição. A senhora vai comer e descansar em seguida.
–Obrigada, Yoko. – agradeceu soltando o cabelo úmido e enfiou-se debaixo do cobertor.
*x*x*x*x*
Chegara ao quarto bem iluminado em passos vagarosos. Parou somente quando ficara perto o suficiente do homem debilitado deitado numa cama. O corpo ainda carregava as feridas do recente duelo que fizera com o irmão.
–Como ele está, Temari?
–A verdade, Sasuke? – indagou olhando o homem a quem lhe fora confiado. –O corpo dele não quer se regenerar e o que é pior, ele se recusa a se alimentar de sangue.
–Então, ele acordou?
–Pouquíssimas vezes. – respondeu olhando as horas. –Quer mesmo mantê-lo aqui?
Sasuke ligeiramente desviou o olhar. Ele realmente abominava a presença de Itachi, mas se quisesse mesmo puni-lo por algo, mantê-lo preso seria a única solução.
–Foram a casa dele como mandei? – Temari balançou a cabeça em afirmação. –O que acharam lá?
–Um belo laboratório subterrâneo. Tudo indica que Itachi estava trabalhando em algo muito arriscado.
–Seja mais clara. – exigiu olhando-a de relance.
–Parece que Itachi acredita que, nosso instinto natural por sangue, pode ser diminuído, ou até mesmo extinto de nós. – explicou com certa ironia. –Ele desenvolveu vacinas que controlam nosso DNA. Um dia, segundo ele acredita, nossa espécie poderá se alimentar como os humanos.
–Isso é ridículo.
–E não é tudo. – disse intrigando Sasuke. –Os efeitos colaterais são suficientemente capazes de matar um vampiro que vier a tomar esse ‘antídoto’. Naturalmente nosso organismo vai enfraquecer e perderemos nossas habilidades. Sintomas mais comuns: Perda de força e retardação na regeneração do corpo.
–Isso explica... – murmurou observando as feridas no corpo de Itachi. Não fora preciso usar um terço de sua força para derrota-lo. –Peça a Gaara que volte à casa de Itachi e traga tudo o que estiver no laboratório de lá.
–Sim.
–Onde estão os vampiros capturados no laboratório?
–Na prisão dois.
–Assim que Gaara voltar providencie um quarto, leve os capturados responsáveis pelas pesquisas para lá, e exija que eles façam uma vacina que reverta à situação de Itachi.
–Mas...
–Faça o que eu disse. – ordenou retirando-se do lugar.
Longe das vistas de Temari, o vampiro parou no corredor mal iluminado, e coçou as têmporas demoradamente.
–Senhor... – cautelosa Yoko se aproximou, evitando olhá-lo nos olhos. –, a Haruno está no quarto como o senhor ordenou. – disse com formalidades, afinal Sakura não era mais sua senhora. –Está limpa e alimentada, mas dorme agora.
Sasuke crispou os lábios e petrificou a expressão que antes era de cansaço.
–Vá ao quarto de Lain, acompanhada, e a tire de lá. Traga-a imediatamente para mim.
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