Notas iniciais
Capítulo postado, povo! Beijos!

Ouvindo o som da porta se abrindo, Lain se levantou sobressaltada, com o peito oscilando tamanha era ansiedade.

–O Lorde deseja vê-la. – anunciou Yoko, mantendo o mau humor que a perseguia desde o momento que o vampiro encarregou-a daquela missão.

–Ele deseja... – disse avaliando cada palavra. –Por quê?

–Isso não é assunto meu. – exasperada Yoko segurou Lain pelo braço e a tirou do quarto. –Não tente nenhuma gracinha. Esses corredores estão cheios de olhos e ouvidos.

Desdenhosa, Lain observou Yoko de cima abaixo e riu ironicamente.

–Por que eu tentaria contrariar Sasuke? – sem ser respondida, ela acabou sorrindo ainda mais. –Se ele deseja me vê, é por que sou agradável, certo? – Yoko crispou os lábios e manteve o olhar firme no caminho a sua frente. –Fiquei sabendo que minha irmã protetora está aqui. É verdade?

–Não fui encarregada de responder suas perguntas.

–Blá, blá, blá! Eu sei que ela está na mansão, foi capturada como um rato, assim como os outros. – disse mantendo o sorriso. –Agora que ela é inútil e traidora, Sasuke não enxerga nenhum aproveitamento nela. Como é irônica essa vida.

–Você parece feliz com a queda de sua irmã.

–Feliz não, apenas me sinto... vitoriosa. – confessou aumentando os passos. –Finalmente consegui provar que sou melhor que Sakura.

Yoko conteve-se diante de tanto desdém e uma satisfação fora do comum. Lain não mudara em nada como uma vez insinuara, diante de tantas testemunhas. A menina invejosa e dissimulada ainda estava bem viva, esperando o momento certo para atacar, e aquele poderia ser a hora certa do seu triunfo. Ela só podia torcer para que o Lorde não se deixasse influenciar por aquela que realmente era uma traidora.

–Senhor? – chamou parando a certa distância do trono. –Trouxe a menina.

–Saia. – disse permanecendo de costas.

Lain sorriu ao ouvir a ordem exasperada de Sasuke para com a empregada e acenou para Yoko vendo-a sair. Ansiosa a Haruno aguardou o desenrolar de sua visita ali.

–Por acaso, você sabe o que está acontecendo aqui? – perguntou Sasuke.

–Algumas coisas.

–Uh. – murmurou pensativo. –Você deve está sabendo que Itachi está aqui como meu prisioneiro. – viu-a balançar a cabeça. –Você também deve está sabendo que travei uma batalha com meu tio Madara, mas ele agilmente escapou das minhas mãos. – confessou virando-se para a jovem. –Sabe por que todo esse desentendimento começou?

–Dizem que Sakura traiu sua confiança e foi atrás de Itachi. Isso é o motivo?

Sasuke voou lentamente até Lain, e, quando parou, manteve distância entre ambos.

–Há diversos motivos no meio disso tudo. – admitiu com desagrado, embora estivesse tranquilo. –Acho que a traição daqueles que confiei me atingiu mais que qualquer outra coisa. Karin, Suigetsu, e Sakura. Eu confiei cegamente em todos eles... E o que eles fizeram por mim? Conspiraram contra mim. Tramaram nas minhas costas. – delicadamente ele acariciou as bochechas rosadas da garota. –Diga-me, Lain: Você é fiel a mim?

Lain sorriu abertamente e retribuindo o gesto carinhoso, ela se permitiu acariciar o rosto pálido do vampiro.

–Eu sempre serei fiel a você.

Sasuke se agradou ao ouvi-la. Pensativo ele se afastou da jovem e encarou seu trono vazio.

–Por que eu continuo fazendo essa pergunta estúpida? – virou-se bruscamente. –Evidentemente as pessoas não se importam.

–Eu me importo. – disse dando um passo na direção dele. –Você pode confiar em mim, Sasuke. – e tocou a mão dele com suavidade. –Você podia ter acreditado mais em mim, entretanto, você escolheu a mulher errada para fazer isso. – delicadamente ela beijou o dorso da mão direita do vampiro. –Mas eu estou aqui agora e não Sakura.

Sasuke observou sua mão ser abraçada pela mão quente da Haruno. Pensativo, ele encarou Lain fixamente.

–O que você veio fazer aqui, Lain?

–Você sabe dos meus planos. – respondeu confiante. –Eu queria ter minha dignidade de novo.

–E eu lhe disse que, se você estivesse mentindo, eu a mataria.

Lain engoliu a seco, os olhos suicidas dele brilharam naquele dia.

–Eu aceitaria minha morte se minhas palavras não fossem verdadeiras.

Sasuke deu meio sorriso, parecia se agradar cada vez mais com as coisas que Lain, confiantemente, lhe dizia.

–Enquanto eu lutava com meu tio, ele debochava de mim com um sorriso sádico. – olhava-a fixamente. –Ele disse que, mesmo diante da máscara caída, eu sempre serei incapaz de vê a verdade. Eu me recusei a admitir que ele estava certo e ele gargalhou como um louco. – calmamente ele segurou uma mexa do cabelo de Lain entre os dedos. –Então, novamente meu tio fez questão de mostrar até onde a influência dele havia corrompido as pessoas, e você foi citada como uma delas.

–N-não! – gaguejou em sua própria defesa. –Eu nunca...

–Ele a procurou, quando você ainda estava nas mãos de Itachi, e você se uniu a ele.

–Não! – amedrontada Lain recuou os passos para trás. –Eu confesso que ele tentou me persuadir, mas...

–Isso não me interessa mais.

–Como você pode acreditar em um homem que se tornou seu maior inimigo? – perguntou continuando os passos para trás.

–Eu sabia que você nunca teve interesse em pedir perdão a Sakura, mas te deixei ficar por causa dela. – confessou se aproximando.

–Eu seria incapaz de me juntar a Madara! – gritou aumentando os passos e na urgência de fugir da emboscada, ela correu desesperada até a porta, que fora trancada de supetão. –Deixe-me sair!

Bateu os punhos contra a porta, em desespero, e soluçou como uma criança. Ninguém iria ao seu resgate, mesmo que todas aquelas almas tivessem compaixão dela.

–Sasuke! – no auto da escada Sakura deteve a aproximação perigosa do Lorde. –Deixe-a em paz!

Surpreso com a aparição da amada, que no momento ele preferia odiar, sem se dá conta ele interveio os próprios passos. Seus olhares permaneceram fixos por muito tempo, e suas expressões, frias como um cubo de gelo.

–Deixe-a em paz. – repetiu descendo a escada, mas mantendo o olhar fixo no vampiro.

–Sakura! – Lain correu até a irmã, deixando um rastro de urina no chão. Cambaleante ela abraçou Sakura assim que a alcançou. –Eu não quero morrer! Por favor, me ajude!

Sasuke contraiu a mandíbula, recuperando a postura rígida, que evaporou ao sentir o impacto da presença de Sakura.

–Vá para o quarto, Lain, e me espere lá.

–Fique! – ordenou Sasuke, com um olhar triunfante. –Você mal pode se defender, como vai defendê-la?

–É a mim que você quer! Deixe-a fora disso!

–O que há com você, Haruno? Está com medo de ver sua irmãzinha ambiciosa morrer na sua frente? – indagou com toda a seriedade que havia em si. –Você mesma queria mata-la, agora pode fazer isso se era motivo que lhe faltava. – disse erguendo-se do chão. –Ela ia mata-la na primeira oportunidade que tivesse, senão ia te jogar contra mim, afinal ela estava comungada com Madara.

Sakura desviou o olhar e encarou a irmã caçula. Lain se encolheu ao ter os olhos verdes da irmã sobre si.

–Eu sabia que você estava planejando algo, mas eu nunca pensei que você pudesse se aliar a Madara. – disse Sakura visivelmente decepcionada.

–Eu estava cega pelo ódio.

Sakura fechou os olhos e respirou com pesar.

–Agora você sabe que tenho motivos para mata-la. – falou Sasuke observando Lain, com sede de justiça.

–Você não vai mata-la! Eu não vou permitir! – desafiou Sakura. –Você a trouxe para essa ambição! O que prometeu a ela? Fortuna, um trono, vida eterna, e seu companheirismo, para todo o sempre! Você a manipulou desde o primeiro momento que a viu!

–Ela foi uma das muitas pessoas que se deixou hipnotizar por minhas palavras. O coração dela me correspondeu.

–Não tente se justificar!

–É a verdade e você sabe disso. – ele voou para perto de Sakura e ela não recuou. –Eu decido o que faço com ela, com seu povo, e com você.

Sakura deu um passo à frente, desafiando o humor negro do homem que, perturbado por suas palavras e olhar, encarava-a como um predador.

–Liberte Itachi e meu povo.

–E o que vou ganhar em troca? – perguntou ponderando a própria pergunta.

–Lhe darei seu filho quando ele nascer. – propôs tornando a troca interessante e um tanto reveladora. –E quando eu me tornar mortal, você poderá me matar.

–Sakura, não! – gritou Lain segurando a irmã pelo braço. –Ele vai mata-la antes mesmo de cumprir a palavra!

–Lain, não interfira! – pediu Sakura afastando-se da irmã. –Se você morrer na próxima batalha contra Madara, ele vai reinar sobre esse lugar, e seus planos finalmente ganharão vida. Não mais existirão líderes, mais um líder. – viu-o analisar seu ponto de vista.

–E o que vai acontecer com seu povo e com os poucos seguidores de Itachi?

Sakura respirou pesadamente e encarou o chão com demora.

–Eu tenho certeza que Itachi se manterá longe disso. Quanto ao meu povo... – voltou os olhos para Sasuke. –Eles serão pessoas normais. Viverão longe daqui e irão refazer suas vidas em outros lugares.

Sasuke coçou o queixo, desviando o rosto. Impaciente ele deu as costas.

–É uma proposta tentadora, embora também seja desvantajosa. Seria o mesmo que bancar o bonzinho e deixar todos em liberdade, quando eu deveria puni-los.

–Por que puniria a todos? – indagou chamando a atenção do vampiro. –Você sabe que Itachi nunca foi seu inimigo. Também conhece os motivos que me levaram até seu irmão. Você sabe que não deve punir inocentes por seus sentimentos pessoais.

–Cala a boca! – disse ameaçadoramente. –Se você não tivesse...

–Quebrado sua confiança, ainda estaríamos cegos. – interrompeu-o como se realmente quisesse ameaça-lo. –Todo esse tempo que passei aqui... foi um grande erro. Não fomos destinados a viver juntos, mesmo assim afrontamos milhares de barreiras. – seus olhos lacrimejados observaram o anel, com o símbolo do clã Uchiha, no dedo de Sasuke. –Meu Deus.

Murmurou transtornada. Por um curto período ela tinha esquecido o verdadeiro motivo pelo qual decidira odiar Sasuke.

–Você já tem minha palavra. – anunciou Sakura apressando-se para voltar ao quarto.

–Espere! – ordenou fazendo-a parar no meio da escada. –E se eu não aceitar?

Sakura se virou para trás e encarou o rosto conturbado do Lorde.

–Você deve aceitar. É o que seus antepassados fariam.

Por que aquilo estava longe de ser uma questão pessoal.