Sangue, Amor e Poder
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Notas iniciais
Está postado. Beijos!
Depois de passar duas horas na fronteira, tentando achar um caminho seguro para passar, Sakura pôde se aproximar do muro que protegia a grande casa. Aparentemente ela não era tão diferente das outras fortalezas, embora tivesse cores em destaque que deixava o lugar ligeiramente alegre. Também lhe chamava a atenção os poucos homens vigiando a área; parecia que eles não tinham tantos inimigos para temer a segurança.
Poucos minutos passaram até que ela decidiu pular da árvore e avançar os passos. Rapidamente ela deu uma boa ajustada no capuz e pulou para baixo, sem fazer alarmes. Atenta, ela caminhou ao redor do muro, e escalou a árvore mais alta grudada nele. Sakura teve uma boa visão da casa e a quantidade de pessoas que circulavam nela. Não tinha animais transitando a residência, apenas um ou dois homens vigiando a área térrea.
Decidida a pular e invadir o lugar, ela sacou a arma, e respirou fundo antes de pular. Novamente seus pés tocaram o chão com certa leveza e, antes de avançar um passo, ela olhou para todos os lados, e começou a caminhar. Ao chegar à parte mais escura, já dentro da casa, Sakura deparou-se com dois homens conversando. Devagar e calma, ela recuou para trás e, ao virar-se, deu de cara com um homem. A arma foi apontada para a cabeça dele, em questão de segundos, e a expressão de Sakura dava a atender que, um único movimento, iria obrigá-la a disparar contra a cabeça do desconhecido.
–Uma arma como essa nunca me matará. – zombou ele.
–Percebe-se que você não entende nada sobre armas. – Sakura retribuiu o sarcasmo.
Intrigado, o homem ficou observando-a, pois o cabelo quase escondido embaixo do capuz lhe era muito familiar.
–Lain? – perguntou quase certo de que era ela.
Sakura não sabia o que dizer, nem como reagiria. O rapaz à sua frente a confundiu com sua irmã, deixando claro que ele tivera algum tipo de ligação com ela.
–Não sou Lain. – o capuz caiu para trás e ela abaixou a arma. –Sou Sakura Haruno. Primeira filha da última linhagem do meu clã. Eu vim falar com seu mestre. – disse quase autoritária, encarando fixamente o homem de cabelo vermelho.
Sasori abriu um sorriso generoso ao ouvi-la, tentando entender o porquê daquela garota tão valiosa cair assim em suas mãos, sem que ele ou Madara fizesse esforço. Não, ele não podia crer que a irmã de Lain estava ali, perante ele, e decidida a falar com Itachi, maior inimigo do homem a quem ela pertencia. Quanto valeria sua informação a Madara? E o que ele poderia ter em mãos se conseguisse desvendar o mistério que ela guardava?
–Estou muito surpreso com sua visita. – ele se ajoelhou perante Sakura, reverenciando-a. –É uma honra inestimável conhecê-la.
Os olhos dele brilharam, deixando Sakura muito intrigada. Ele não parecia ser um vampiro do bem, apesar da recepção amistosa, e seus olhos só expressavam sua sede por sangue.
–Leve-me a seu mestre. – ordenou Sakura, sem mais prolongar o diálogo.
Olhava tudo atentamente naquele escritório e chegava a ser um tanto engraçado como aquele lugar não a assustava. Sasori, assim o homem tinha se identificado enquanto a levava para ali, disse que Itachi não demoraria a ir ao encontro dela. Porém, Sakura já estava começando a duvidar daquelas palavras. Já fazia um bom tempo que ela o esperava e ninguém tinha aparecido para lhe dá alguma explicação sobre a demora. Na verdade, Sakura temia que Itachi não fosse recebê-la.
–Peço-lhe desculpa pelo atraso, senhorita.
Sakura escutou a voz do homem que não tinha usado a porta para entrar, mas não se virou para vê-lo.
–Itachi Uchiha? – perguntou ela, ainda de costas.
–Sim. – ele respondeu, observando as costas dela. –Deixe-me conhecê-la, Haruno.
X*X*X*X*X
–Infernos!
Karin estava nervosa, como nunca estivera antes, e ela não sabia mais como esperar por notícias. Inquieta, ela desceu correndo os lances da escada até o solão principal, e apenas encontrou algumas mulheres cuidando da limpeza. As serviçais chegaram a lhe lançar olhares intrigados, percebendo que não era do seu feitio está inquieta, porém logo se esqueceram dela ali, e voltaram à faxina.
E, como se ela não soubesse voar, Karin subiu os lances da escada a toda pressa, ignorando alguns vampiros que vigiavam a casa por dentro. Pensativa, ela chegou a entrar no quarto de Sakura, a fim de encontra-la lá dentro, mas constatou que a rosada tinha cumprido sua promessa.
Novamente ela voltou para o seu quarto e, ao abrir a porta, encontrou Suigetsu caído na sua cama, todo ensanguentado.
–Suigetsu!
Em um piscar de olhos ela estava ao lado dele, com as mãos trêmulas.
–O que aconteceu?
Ele respirava com muita dificuldade, as feridas pelo corpo eram grandes, e seu pescoço estava com várias marcas de mordida.
–Escute com calma. – pediu ele, quase desmaiando nos braços dela. –Sakura... Deve está com... Itachi agora. Eu lutei com um dos nossos, mas... fui surpreendido... por mais dois vampiros... que vigiavam essas redondezas.
–Não fale mais. – pediu ela, tentando acalmá-lo.
Karin cravou a unha no próprio pulso, deixando o sangue escorrer, e rapidamente deu seu sangue a Suigetsu.
–Beba! – ordenou ela, percebendo que ele rejeitava. –Seu estúpido! Beba logo isso! – gritou ela, sem conseguir frear as lágrimas.
–Você precisa... fugir. – Suigetsu fazia esforço para manter-se acordado. –Sasuke vai... matá-la se... te encontrar aqui.
–Que se dane a fúria dele! Eu não vou deixar você morrer aqui sozinho! – no ato do desespero sua mão acabou tocando o peito de Suigetsu, foi então que ela percebeu que o coração dele foi gravemente ferido. –Seu idiota! Como você foi se descuidar tanto?
Ele sorriu.
–Você que é uma idiota. Está chorando agora. – ele tocou o rosto dela. –É a... primeira vez que... te vejo chorar.
–Por sua culpa, seu...
Karin baixou a cabeça, até sentir a respiração fraca de Suigetsu.
–Eu vou sentir falta das nossas brigas.
Ela sorriu e, antes que ele fechasse os olhos de vez, ela o beijou demoradamente.
Em silêncio Karin ficou observando o rosto pálido abaixo dela, podendo compreender o quão doloroso era perder alguém querido. Sem ter mais o que fazer ali, ela se levantou, se afastando, e pegou a arma presa à sua cintura. Dolorosamente ela apontou o objeto mortal para o corpo falecido e atirou uma vez contra ele. As lágrimas voltaram a cair ao vê o corpo dele queimar rapidamente, até virar pó.
Karin não chorava mais quando saiu do quarto, determinada a fugir daquele lugar. Não por que ela estava com medo de morrer, mas por que seu estilo de vida não fazia mais sentido. Abraçada a angústia, ela decidiu procurar Sakura, e unir forças. Talvez, se ela pudesse lutar para fazer o bem, os esforços de Suigetsu não seriam em vão.
–Traidora!
Assustada, Karin levantou a cabeça, e deparou-se com vários homens a observando. Ela não se atreveu a dar mais um passo sequer, pois temia ser atacada, mesmo que isso fosse inevitável.
–Sakura, precisa de ajuda! – gritou ela. –Vocês não entendem o que está acontecendo aqui!
–Poupe seu fôlego a querer nos persuadir! – gritou um deles. –Você está condenada!
–Vocês não entendem! – gritou novamente, mas a tentativa tinha feito que eles mostrassem suas presas e batessem suas asas. –Eu tinha que ir contra as regras! – seus dentes cresceram e suas asas se abriram, fazendo-a se erguer. –Sakura vai mudar nossas vidas e...
As portas de aço do salão foram jogadas longe, fazendo um grande estardalhaço. Não dava para vê nada por causa da poeira e, assustados, todos os vampiros recuaram para trás, alvoroçados.
–Onde ela está?
Sasuke surgiu do nada, com o fôlego oscilante, e o olhar de quem mataria o primeiro que visse pela frente.
X*X*X*X*X
Sakura rodou pelos calcanhares, pouco a pouco, até se virar totalmente para o homem que exigia vê seu rosto. Por ordem de Sasori, ela tinha coberto a cabeça com o capuz, agora era obrigada a tirá-lo novamente.
Surpreso e, ao mesmo tempo, intrigado, Itachi aguardou a mulher à sua frente revelar o rosto e, consequentemente, sua ida a ele. Foi então que os dedos pálidos dela arrastaram o tecido negro, revelando um semblante confuso mesclado à certeza de seus objetivos.
Ele jurava já ter visto, ao longo de sua vida, mulheres de beleza única; um rosto digno de ser estampado em um quadro valioso. Ela não era uma garota típica, como já tinha imaginado algumas vezes, mas especial em atitude e coragem.
–Você já deve imaginar o porquê de eu ter vindo procurá-lo.
Itachi nada respondeu, embora desse a entender que já presumia tal assunto.
–Sente-se, por favor. – pediu indicando a cadeira.
–Obrigada. – meio desconfiada, ela se sentou.
–O que você quer saber? – perguntou ele, inclinando-se na cadeira, sem tirar os olhos dela.
–Você sabe que Lain foi me procurar e encontra-se instalada na fortaleza do seu irmão. – ao se referir a Sasuke, ela freou um pouco a palavra. –Eu a aceitei, mas, de fato, não estou acreditando na mudança dela.
–Eu não tenho as respostas que você precisa, por que eu também estou duvidoso quanto a isso. – Sakura respirou fundo. –Lain é muito ambiciosa e, pessoas como ela, estão sempre sujeitas a fazer de tudo para alcançar seus objetivos. – Sakura concordou. –No entanto, eu não acho que ela seja tão imatura para se infiltrar nos domínios do meu irmão a fim de traí-lo. Porém, se esse for o caso ela não está agindo sozinha.
Sakura olhou-o surpresa.
–Quem poderia ajudá-la?
–A palavra certa é persuadi-la. – Itachi estava convicto daquilo. –E não existe outra pessoa nesse mundo, além do meu tio Madara, com maiores interesses em destruir meu irmão.
–Madara? – indagou surpresa. –Parece que Sasuke e ele ainda mantém um nível aceitável de convivência, embora os dois sejam completamente desconfiados. – Itachi balançou a cabeça, concordante. –Eu vou ser sincera com você, Itachi. – ela engoliu em seco e voltou o olhar para ele. –Estou aqui sem que Sasuke saiba. Sei que existem rivalidades entre vocês, mas, pelo que ouvi falar, você é um homem justo e confiável. Somente você pode me ajudar.
Itachi coçou os olhos.
–Você fez muito mal em ter vindo aqui escondida. – parecia preocupado e cansado. –Eu não acredito que meu irmão não vá saber que você esteve aqui. Agora é questão de tempo para uma guerra começar.
–Não! – Sakura se preocupou. –Eu não quero brigas, batalhas e mortes. Eu quero destruir as coisas erradas que há nesse mundo e resgatar laços que estão se rompendo. Lain e eu. Sasuke e você. É brigando até a morte que queremos mudar nossa história?
Itachi apoiou os cotovelos na mesa e uniu as mãos, na altura do queixo. Ele parecia analisar cada palavra que ouvira de Sakura ou, cuidadosamente, pensava como agir.
–O que você e eu, podemos fazer? – perguntou ele, visivelmente interessado.
–Para começar, eu gostaria de saber como o clã Uchiha se transformou em três pilares desiguais, e quem começou essa guerra por poder.
–Vejo que não está preocupada em ser descoberta aqui.
–Na verdade, eu estou muito preocupada, mas vim decidida a unir minhas forças com você.
Itachi esboçou um sorriso de canto, sem esconder o quão fantástico era aquela atitude de líder que tinha nela.
X*X*X*X*X
Os vampiros se espalharam para os lados, deixando uma passagem no meio da divisão. Com passos pesados, presas à mostra, e asas armadas, Sasuke andou até chegar ao meio do salão.
–Desça. – disse ele a Karin, pois a vampira ainda flutuava.
A ruiva hesitou, sabendo que ele iria questioná-la, e matá-la em seguida.
–Antes de você me matar, escute o que eu tenho a dizer.
–Desça! – gritou Sasuke, em um tom de voz capaz de arrepiar o mais forte dos homens.
Karin fez o que ele pediu e, quando seus pés tocaram o chão, ela se viu obrigada a olhar para o rosto enraivecido dele.
–Eu só vou perguntar uma vez. Cadê ela?
A ruiva engoliu em seco, sentindo-se completamente acuada. Sua vontade era de relatar os planos de Sakura, para que ele entendesse, mas temia sua vida.
–Não é o que parece...
Sasuke atingiu-a com um tapa que a fez cair longe dali, fazendo que Karin batesse contra a parede e fizesse parte dela ir chão abaixo. A ruiva abriu os olhos e, no mesmo instante, foi pega pelo pescoço, e erguida até o braço do Lorde não se esticar mais.
–Traidoras!
Impiedoso, ele apertou o pescoço avermelhado, deixando-a respirar com dificuldade.
–Você... não... entende. – murmurou Karin, quase fôlego.
–Eu confiei em todos vocês!
Ela foi jogada brutalmente e seu corpo escorregou pelo chão, levando todo o tipo de objeto pelo caminho. Sasuke se virou para aqueles que assistiam à cena, deixando-os um tanto apreensivos.
–Eu não perdoo aquele que resolve me trair. – todos entenderam aquelas palavras como um recado ameaçador. –Reúnam as tropas! Vamos fazer uma visita de cortesia a meu irmão!
Gritos ensurdecedores ecoaram de todos os lados. Ainda no chão, imóvel, Karin observou à ira do Lorde.
–O que vamos fazer com ela?
Sasuke olhou para Karin, com o semblante pensativo, depois se virou para os vampiros.
–Façam o que quiserem com ela. E quando eu voltar, não quero vê-la mais aqui.
A decisão dele tinha sido tomada e ele não ia voltar atrás. A questão que o perturbava era Sakura e o fato de Karin e Suigetsu ter a acobertado todo aquele tempo.
–Sasuke! – Karin gritou, com suas últimas forças. –Ela fez isso por você! – e ele lhe deu as costas, ignorando-a. –Sasuke!
Os gritos de Karin assombraram toda a mansão, que se tornou mais tenebrosa à medida que ela era atacada de diversas maneiras. Uma serviçal, que entrara no salão carregando uma bacia de ferro, deixou o objeto pesado cair ao vê à cena. Assustada, ela se encostou à parede, e fez o sinal da cruz, antes de traçar de volta o mesmo caminho.
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