Sangue, Amor e Poder
19 Frente a frente
Notas iniciais
Beijocas!
As nuvens escuras encobriam o céu rapidamente, trazendo a promessa de uma grande tempestade. Os trovões assombravam os pássaros negros, que mais pareciam assistir o grande exército de vampiros de frente à mansão. Os relâmpagos estremeciam as grandes paredes cinza, clareando rostos impacientes, e asas gigantescas.
Sasuke surgiu de frente a eles, sério como nunca estivera antes. Seus passos avançaram contra os vampiros que, à medida que o Lorde se aproximava, eles abriam caminho se curvando. Quando cruzara a multidão, todos se levantaram, e suas asas negras se abriram. Ele voou alto, fazendo que os outros o seguisse.
–Céus!
Yoko saiu correndo da janela, onde observou a multidão de vampiros se dissiparem. Ao chegar ao grande salão, encontrou todas as serviçais humanas olhando o corpo de Karin. Estavam agarrada uma a outra, amedrontadas.
–O que fazem aqui?
–Ela está morta! – disse uma mulher jovem, na faixa de vinte anos.
–Oh! – Yoko se agachou timidamente. –Por que elas trairiam o Lorde? – perguntou-se.
–Dizem que a senhorita Karin decidiu ajudar à senhora Sakura por que sempre odiou o Lorde. Ele nunca a amou. – disparou a jovem.
–Ouvi dizer que a senhora Sakura veio como aliada de Itachi e inimiga do Lorde. Sempre foi um plano a rendição dela. – disse outra mulher.
–Também comentam – cochichou outra. –, que Lain é uma pessoa boa e Sakura é ruim. Ela trouxe mortes, ambição por poder, e a guerra que todos queriam evitar!
–Ela é uma bruxa! – gritou outra jovem, sem medo. –Nenhuma humana nunca foi capaz de agradar o Lorde tanto, por mais bela que fosse, mas ela conseguiu essa façanha! Ela o enfeitiçou!
–Ora! – disse Yoko, contendo-as. –São apenas boatos de pessoas que não a conhecem! – irritou-se. –Vocês estavam aqui quando ela veio atrás de Lain. Ela se sacrificou pela irmã! Também se sacrificou por nós e por nossos familiares, que ainda estão lá, vendendo suas filhas virgens!
Todas ficaram boquiabertas, pois Yoko dizia, em voz alta, palavras que desonravam os vampiros. Fazer tratos com humano era algo vergonhoso e ia contra as regras tradicionais.
–Ela disse que ia nos tirar daqui e fazer justiça! – seus olhos embargaram ao se lembrar da promessa. –Aconteça o que acontecer, ela é, e sempre será minha líder! Eu nunca vou lhe dar as costas.
As mulheres se entreolharam, pensativas. Ignorando-as, Yoko se agachou novamente, tirando do rosto de Karin seu cabelo ruivo. Surpreendentemente seu braço foi segurado e todas elas gritaram horrorizadas, ao perceber que Karin ainda estava viva.
–Senhorita!
Yoko afastou o cabelo do rosto dela, deixando à mostra a expressão sofrida.
–Sa... Sakura... – o desespero em sua voz era grande, mas o fôlego estava quase se acabando. –Sakura....
–Shiii! – Yoko a impediu de falar. –Preciso de um estilhaço pontudo. – as mulheres observavam-na confusas. –Rápido!
Sem entendê-la, uma das mulheres atendeu ao pedido. Assim que Yoko segurou o pedaço pontiagudo do vidro, forçou-o contra seu braço, deixando o sangue escorrer.
–Ajudem-na a beber o sangue! – ordenou aos gritos, encorajando as mulheres.
–Ela está quase morta! – observou uma delas. –Não vai resistir.
–Ela é forte. – falou Yoko, esperançosa. –Resista, senhorita. O Lorde precisa saber que a senhora Sakura é inocente.
*x*x*x*x*x*
–E foi assim que tudo começou.
Sakura uniu as mãos, pensativa, e lançou um olhar intrigado à Itachi.
–Sasuke já me contou a mesma história, mas... Todos estavam em uma batalha e você lutou para salvar seus pais, então... Como Sasuke pode culpá-lo tanto?
–Como eu disse, meu tio Madara é dono de uma mente astuta. – inclinou-se na cadeira, batendo os dedos contra a mesa. –O objetivo dele é um só, mas que gira em torno de todos nós. Com Sasuke e eu mortos, ele será o último membro vivo do clã Uchiha, e não haverá ninguém capaz de detê-lo. – Sakura concordou. –Seja sincera comigo, Haruno. Onde está a pedra que seus ancestrais aprisionaram o poder da vida eterna?
Sakura respirou emburrada, pois aquele assunto a incomodava como nenhum outro.
–Eu não sei onde está a droga dessa pedra! E que poder é esse?
Itachi a olhava um tanto incrédulo.
–Você é a mediadora do seu clã. Como pode carregar tanta responsabilidade e não sabe quase nada sobre o que lhe foi confiado?
–Você quer dizer que sou ignorante.
–Perdão. Eu não quis ofendê-la. – Sakura murmurou algo. –O sonho do meu tio é ter esse poder em mãos.
–Seu tio é um vampiro! – disse como se quisesse enfiar tais palavras na cabeça dele. –Por que um vampiro ia querer uma luz que o torna eterno, se ele não morre nunca?
–Somos cem vezes mais fortes que os humanos, sendo que nossa resistência física é incomparável com a de vocês, mas também morremos.
Sakura se sentiu patética, pois não estava seguindo o raciocínio lógico de Itachi, como ela gostaria.
–Então, se Madara ter em mãos esse poder...
–O mundo estará arruinado. – disse interrompendo-a. –Pode imaginar milhões de pessoas nascendo e sendo transformado em vampiros? Pode imaginar um líder com uma mente diabólica como Madara Uchiha? – Sakura balançou a cabeça, pensativa. –Agora me diga, Haruno. Onde está a pedra?
–Eu não sei! – se levantou mexendo com agonia o cabelo. –Mas Tsunade sabe.
–Não vão nos deixar entrar nos domínios Haruno.
–Vou entrar lá de qualquer jeito, nem que eu tenha que derrubar aquele portão de aço. – Itachi exibiu um sorriso. –Precisamos chegar lá o mais rápido possível. Podem descobrir que eu fugir.
*x*x*x*x*x*x*
Olhava a grande muralha que cercava a mansão e o novo portão de aço. Tudo parecia muito diferente do que era. Sakura mal conseguia se lembrar de que havia várias árvores de cerejeira ao redor do muro e que poucos homens transitavam com suas armas, vigiando o local. Agora, o cenário era de matos e concretos, com uma boa quantidade de homens fortemente armados, apontando seus lasers para a sua cabeça.
–O que significa isso?
Ela levantou a cabeça, fechando os olhos por causa da luz do sol, e os abriu pouco a pouco, com a ajuda da sombra de sua mão.
–Tsunade, tenho assuntos sérios para tratar com vocês.
–E trouxe um vampiro junto? – perguntou Naruto. –Não mais confiamos em você.
–Não é uma questão de confiança! A vida de muitas pessoas está em perigo e...
–Você nos renegou, Sakura. – Tsunade encarou sua ex-líder com mágoa. –Você jogou fora todo nosso respeito, nossa amizade, e nossa confiança.
–Escutem o que ela tem a dizer! – interferiu Itachi e, no mesmo instante, centenas de armas foram apontadas para o seu corpo. –Vocês a renegam como líder, mas ela está tentando protegê-los, assim como um líder faz!
Todos eles se entreolharam e, decidida, Tsunade autorizou a entrada deles.
–Meia hora. – disse ela, começando há contar os minutos.
O portão foi aberto e, atentos ao movimento em volta, eles adentraram o lugar. Sakura se deparou com uma grande quantidade de gente, olhando-a assustados, curiosos, e outros enraivecidos. A cena era perturbadora, fazia-a se sentir excluída, e culpada.
Ela preferiu baixar a cabeça e seguir em frente, sabendo que, nada do que dissesse a eles seria compreendido. Doía-lhe na alma ter os deixado para trás, quando todos, principalmente seus pais, confiaram-lhe anos de história e tradição. E tudo pelo quê? Por um amor dividido por uma linha tênue, entre o ódio e a razão; tão incerto quanto seu destino.
–Fechem a porta. – pediu Tsunade a dois homens. –Bem, estamos ouvindo.
Todos os seus amigos mais próximos estavam ali, encarando-a como uma ameaça. Eles aguardavam suas palavras, sem ter ideia do quão importante elas eram, mas Sakura calou-se pensativa. Itachi olhou-a de esguelha, esperado que Sakura começasse a falar.
–Perder a coragem não faz parte da sua personalidade.
Sakura virou o rosto para vê-lo e se sentiu melhor por que ele, apesar de não ter sua total confiança, estava ao seu lado.
–Estou aqui por vários motivos, mas tenho um em especial, e não posso ir embora sem respostas. – disse ela. –Todos falam de um poder especial, aprisionado em uma pedra mitológica por meus ancestrais e, desde que eu era uma criança, ouço comentários de que esse poder está comigo. – fez uma rápida pausa, olhando Tsunade em particular. –Onde está essa pedra?
–Você nunca se interessou por esse assunto, na verdade, nunca acreditou nisso. Por que está tão interessada agora? – perguntou Tsunade. –Quando souber onde está essa pedra, vai dar à Sasuke ou à Itachi?
Sakura se sentiu ofendida com a pergunta irônica de Tsunade, porém se manteve calma. Ela já sabia que seria difícil estabelecer um diálogo objetivo com eles.
–Por que você nunca me falou da importância desse poder? – Tsunade uniu as mãos na altura do queixo.
–Não era para ninguém ficar sabendo disso, tampouco nossos inimigos. – lançou um olhar negativo à Itachi. –Se estão achando que vou revelar esse segredo a vocês, podem dar a volta e ir embora!
–Você está tentando puni-la por razões pessoais, mas sabe muito bem, que uma pessoa, na sua posição, não deveria misturar seus sentimentos.
–O que você entende de sentimentos, seu merda! – gritou Naruto à Itachi. –Seu coração é frio como um floco de neve. Você mal sabe se decidir entre o poder e uma bela taça de sangue!
–Você está muito enganado! – Sakura chamou a atenção do loiro. –Se eu continuasse aqui, presa nesse mundinho quase perfeito de proteção, ainda seria ignorante como vocês!
–Então volte para o seu mundo real e continue sendo feliz nele! – disse Naruto, visivelmente irritado e magoado com a mulher que ele passou a vida inteira amando. –Você tem o cheiro deles. Seu olhar é igual à deles. Você não tem mais nada o que fazer aqui.
Sakura sorriu, como se fosse fazer uma grande travessura. Ela tirou da coxa um pequeno canivete e, extremamente decidida, fez um pequeno corte no braço. Itachi se afastou dela em abrupto, oscilando, sentido o cheiro do seu sangue, aguçar seus instintos. Quando o sangue de Sakura pingou naquela sala, o chão respondeu tremendo, e uma espécie de barreira magnética circuncidou seu corpo. Todos, inclusive Tsunade, olhavam-na surpresos.
–Meu pai disse que, enquanto esse chão responder ao toque do meu sangue, eu ainda sou digna do nome Haruno.
Naruto, Neji, Tenten, Hinata, Shikamaru e Ino, olharam Tsunade sem saber o que fariam e, para suas surpresas, Tsunade baixou a cabeça, em reverência. O orgulho era muito forte para fazer tal coisa, mas ela era superior a todos eles, carregava em seu sangue a chama dos velhos ancestrais. Ignorando sentimentos pessoais, eles curvaram a cabeça perante ela, em sinal de respeito.
–Faço isso para que vocês entendam que muitas coisas estão em jogo agora. – olhava-os tomar postura. –Eu desonrei todos vocês e assumo as consequências disso. Mas não estou aqui para lhes pedir perdão ou por que quero ser aceita. Estou aqui por que quero ter a chance de fazer algo por todos vocês, nem que minha vida seja dada em troca.
–Está fazendo isso por causa deles? – disse Tsunade apontando para Itachi.
–Também Tsunade, mas você não vai compreender isso se continuar pensando dessa forma. – eles se entreolharam. –Eu só quero saber a verdade e os deixarei em paz.
–E você acha que seu Lorde vai aceita-la de volta, depois de tudo o que você fez? – perguntou Ino.
–Não. – todos ficaram surpresos, pois sabiam que ela estava condenada. –Por que estão surpresos? – perguntou exibindo um sorriso triste. –Está no meu sangue se sacrificar pelos outros, não é?
Fale com o autor