Notas iniciais
Capítulo dedicado à Maah Lais que fez uma linda recomendação! ;D

Adorei, flor!

Capítulo postado e, talvez, eu não poste tão cedo agora, vai
depender do meu tempo. =/

Beijos, beijos!

Todos os olhares estavam voltados para Tsunade. Não tinha como ela continuar guardando aquele segredo, visto que Sakura já sabia, praticamente, de toda a verdade, e, além do que, a Haruno seria alvo direto, constantemente.

-Tudo bem. Acho que chegou a hora de dividir isso com vocês, mas... – seus olhos castanhos pousaram sobre Itachi, intrigados. –, ele vai ter que ir embora.

Nada fora dito, nem mesmo por Itachi, que não se abalou em ser excluído. A decisão estava nas mãos de Sakura e, pela expressão satisfatória de seus amigos, ela pensou em suas reações contraditórias em ter que desagradá-los.

-Itachi fica.

Até mesmo Tsunade pegou-se surpresa com a decisão. Era muito arriscado deixa-lo ali, Sakura sabia disso, sendo que o próprio poderia traí-la, entregá-la, ou destruí-la por inteira.

-Tem certeza disso? – perguntou Tsunade, sem muito esconder tamanha insatisfação. –Você sabe que é um risco muito grande confiar em um vampiro.

-Eu digo o mesmo sobre vocês. – rebateu Itachi, sem medo. –Ora! Sejamos sinceros. Todos aqui correm o risco de ser traído. – ele sabia o quanto sua presença afetava o mau humor daquelas pessoas, mas a verdade precisava ser dita. –Vocês não precisam confiar em mim, por que, mesmo se confiassem, seus olhares continuariam tortos; da mesma forma que olham Sakura agora.

-Seu desgraçado!

Seu disparate resultou em um ataque de Naruto que, com um chute certeiro, golpeou Itachi que recebeu a pancada em cheio no peito, mas com um movimento brusco deixou o loiro imobilizado no chão. Todos apontaram suas armas para o corpo de Itachi, com a promessa de que atirariam caso ele atacasse novamente.

-Deixe-o, Itachi.

Sakura interferiu, fazendo Itachi retomar o controle.

-Eu vim em paz. – suas presas recuaram e, encarando o rosto enfurecido de Naruto, Itachi tomou postura ao lado de Sakura.

Enraivecido pela derrota, Naruto deixou o lugar em passos fundos, sendo seguido por Hinata.

-É aconselhável que o senhor evite provocações aqui dentro.

-Com todo respeito senhora Tsunade; não sou feito de ferro.

Sakura sorriu de canto, observando de esguelha a cara amarrada da loira. Para a primeira experiência frente a frente com um vampiro, sem que estivesse em um combate, Tsunade não estava indo tão mau; considerando que ela não conseguia disfarçar a forma positiva de Itachi bloquear suas ofensas.

-Tsunade, estamos nos desviando do assunto em questão. – disse Sakura chamando a atenção da mulher.

-Claro. – respirou fundo, se recompondo. –Bem, todos sabem que os Haruno sempre foram melhores com magia, o que despertava muita inveja de outros clãs, por que se sentiam ameaçados. Para se defenderem, por que se achavam desprotegidos, vários clãs se desempenharam, arduamente, em estudos de manipulação de poder. Alguns conseguiram bons resultados, outros morreram tentando. – fez uma rápida pausa, como se tentasse lembrar os fatos com exatidão. –Com o passar dos anos eles entraram em conflito. Guerrilharam entre si como bruxos, mataram e foram mortos. Somente o clã Haruno sobreviveu à guerra de magia e, como eram pessoas boas, recolheram todos os órfãos e os menos talentosos. Em alguns anos, eles haviam construído um grande império, e chamado à atenção de grandes vampiros, que até então tinha se mantido à distância dos humanos. – rapidamente ela direcionou um olhar curioso à Itachi. –Além da força bruta, capacidade de voar, rapidez, sumir e desaparecer, os vampiros também carregam em seu DNA pequenas habilidades sobrenaturais, ou poderes. Mas sempre souberam que eram incapazes de usar força bruta contra magia, sabendo que seriam aniquilados em um piscar de olhos. Então eles vieram a se interessar por magia, poderes ocultos, ou bruxarias. O império Haruno fora esquecido nesse período, eles estavam focados em suas novas habilidades, e como se tornariam mais forte.

-Com base em quê? – indagou Itachi, pensativo. –Se eles não sabiam quase nada sobre magia... Onde iriam saber e se aperfeiçoarem?

-Nos impérios destruídos. – todos olharam Sakura. –Os livros confidenciais falam um pouco sobre isso.

-Exatamente. – Tsunade voltou a chamar suas atenções. –Todos os livros de magia foram roubados, inclusive pelo clã Haruno, pois sabiam a importância de conteúdos tão raros. – a loira suspirou, inclinando-se na cadeira. –Anos depois os vampiros começaram uma grande guerra entre si; apenas os mais fortes sobreviveram. Nosso mundo tinha voltado à paz depois de todas aquelas mortes, até que... a notícia de uma magia imortal tinha provocado a cobiça de todos. – olhou Sakura, em especial. –Não se sabe ao certo quem a criou, com que propósito, mas todos sabiam que ela era especial. Aquele poder não poderia cair em mãos erradas, então outra magia tinha sido criada, para proteger ou disfarçar o poder da vida eterna.

-Disfarçar? – indagou Itachi.

-Todos pensam que esse poder foi criado para o mundo se ajoelhar diante de um único governante, eternamente, mas não é verdade. Essa pessoa queria que o clã Haruno nunca morresse, por que eram bons para os outros, e semelhavam paz entre si; mas a magia não tinha sido criada para todos. Apenas uma pessoa poderia carregá-la e parece que o grande mago não queria essa responsabilidade.

-Por que ele veria todos envelhecerem e morrerem, mas ele continuaria o mesmo, sem sofrer alterações. – falou Sakura.

-Sim. – Tsunade sorriu ao ouvir os complementos de Sakura, sabendo que, lendo ou não os livros sagrados, ela já sabia daquela história melhor que ninguém, mesmo não tendo muita consciência disso. –Então, o mago, que era reverenciado como um soberano aprisionou sua magia esplêndida em sua esposa que, a partir daquele dia, seria imortal. – entreolharam-se confusos. –Ao dar a luz a seu primeiro filho, ela perdeu o poder, e para a sua criança ele fora transportado. – Tsunade manteve os olhos em Sakura. –Isso vem acontecendo há centenas de anos. Mesmo que todas as pessoas na face da terra morram, o descendente daquele mago continuará vivendo.

-Uh... – murmurou Ino confusa. –Sakura vai perder esse poder assim que ela ter um filho?

-Sim. – respondeu Tsunade. –E o filho de Sakura perderá esse poder quando seu filho nascer e assim para todo o sempre.

-Então, essa história de pedra mitológica...

-Não existe. – disse Tsunade, interrompendo Neji. –Sakura é o poder. Essa magia está nela. Ninguém pode matá-la, não importa quantas vezes tente.

Desnorteada, a rosada desabou sobre a cadeira.

-Eu sou imortal e só agora sei disso? – indagou indignada. –Sabe quantas coisas eu teria evitado se soubesse desse pequeno detalhe? – perguntou furiosa.

-Eu jurei a seus pais nunca revelar esse segredo.

-Mas... – Sakura se levantou, com os dedos finos entre as mexas longas do cabelo. –As guerras que tiveram... A ambição entre si... Quebra de acordos... Perseguição... Destruição... Tudo isso por causa de uma droga de poder que não existe em canto nenhum!

-Sakura...

-Eu gostaria de ter nascido mortal! – magoada, ela interrompeu Tsunade. –Meu único consolo é que eu ainda posso lutar por injustiça, sem ter medo de morrer. – ela ironizou as últimas palavras, deixando a sala.

-Sakura! – Itachi a chamou, seguindo-a.

-O que vai acontecer quando seu tio souber que foi um idiota todo esse tempo? – continuou andando, sendo seguida por Itachi. –Não só ele, mas todos que acreditaram na eternidade, e poderes extraordinários. – ao vê-la passar, alguns dos homens leais se curvaram. –Anos e anos buscando uma coisa que não existe! – sem dá tempo para Itachi falar, ela subiu apressada a grande escada que dava acesso ao topo da mansão; um lugar feito especialmente para observar lugares distantes. –Quando souberem que estou com esse poder inútil, farão de tudo para me atacar. – mesmo eufórica, ela ainda tinha fôlego, observou Itachi. –Se ao menos essa magia me desse poder!

-Ser imortal é um poder magnífico.

-Não para mim.

-Você só está se culpando.

-Pelo quê?

Chegaram ao topo daquele lugar, onde o vento batia contra seus rostos com força, e o horizonte parecia uma dimensão sem fim.

-Você não tem culpa de carregar isso dentro de você. – pararam de frente ao outro, encarando o mesmo olhar de intriga. –E se todos querem um poder que não existe, também não é culpa sua. Por que está se sentindo tão ameaçada agora?

-Por que eu cheguei aqui sabendo o que eu ia fazer, mas agora... nem sei ao certo quem sou e o que estou fazendo! – ela se afastou dele, olhando aquele lugar fasto, e respirou fundo, pensativa. –O que faço agora? Fico aqui ou volto para Sasuke?

Itachi apareceu ao lado dela, mas não a olhou. –Essa decisão é somente sua.

Uma decisão crucial para ser tomada, diante de tantos assuntos para serem resolvidos, e que pareciam aumentar de tamanho a cada minuto. Logo ela que sempre fora decidida, diante até mesmo das questões irrelevantes, sentia-se estagnada.

-Senhora Sakura. – um homem apareceu às pressas, logo em seguida uma grande explosão atormentaram seus ouvidos. –Estão atacando!

Tanto Sakura quanto Itachi olharam, surpresos, a grande quantidade de fumaça preta que se espalhava no ar. As explosões começavam a ser frequentes.

-Eu tenho que ir.

-Itachi. – Sakura o parou. –Eu vou com você.

-Nós vamos também.

Tsunade e centenas de pessoas, carregando todo o tipo de arma, se espremeram para chegar até eles.

-Vamos unir forças e enfrentá-los, mas... – disse Itachi. –, tentaremos chegar a um acordo ou entendimento primeiro. – vozes e mais vozes ecoaram discordante. –Eu sei que não será fácil, mas não é uma missão impossível.

A multidão se dissipou, indo ao encontro dos carros ligados.

-Itachi. – ele parou, virando-se para Sakura. –Obrigada por ter me ajudado até aqui.

-Agradeça-me quando essa guerra acabar.

-Vou me lembrar disso. – ela sorriu para ele, sendo deixada sozinha. Antes de seguir os outros, voltou os olhos para o lugar que estava sendo atacado, e murmurou algo em sôfrego.