Sangue, Amor e Poder
21 Batalha crucial
Notas iniciais
À medida que os carros chegavam àquelas terras de confrontos, o caos tornava-se mais nítido.
Itachi não acreditava que pudesse encontrar sua gente viva. Seu povo era fraco, como seu tio Madara dizia, pertencia à classe mais suja de vampiros. Com o passar dos anos, o próprio Itachi empenhou-se nas experiências contra o seu próprio DNA, e fora inevitável não atrair outros iguais a ele.
–Está nervoso?
Perguntou Sakura vendo o Uchiha tão calado.
–Como não está?
–É verdade. – entristecida com o que começava a vê, Sakura sentiu os olhos umedecerem. –É a primeira vez na vida que eu sinto muito medo. – confessou em meio às fraquezas. –Tenho de encontrar Sasuke e olhar bem o rosto dele, mas não sei se ele ainda é o homem por quem me apaixonei.
Por mais triste que estivesse suas emoções nunca deveriam se salientar, e ela, sem pudor algum, deixava-as transbordarem. A dor era contida. O ódio aumentava gradualmente. Sakura chegara ao ponto de se culpar. Culpa por pensar que era a responsável por aquela guerra. Culpa por amar um homem acima do seu povo. Culpa por deixa-lo insano. Culpa por não mais saber o que era certo e errado naquele mundo de caos.
–Vamos ficar bem.
A mão fria de Itachi segurou a dela firmemente. Sakura sorriu com o ato e pensou que eles poderiam ser grandes amigos um dia.
–Se meu destino seguir outro rumo, diga a Sasuke que eu fiz o possível para ajuda-lo.
–Você vai dizer isso a ele, eu tenho certeza.
Um barulho estrondoso fora ouvido, algo como uma grande colisão. Dois carros explodiram de imediato, bloqueando a passagem dos outros.
–O que está acontecendo?
–Estão nos cercando. – respondeu Itachi a Sakura. –Eu vou te dá cobertura.
–Encontre Sasuke, eu ficarei bem.
Itachi não queria deixa-la sozinha, mas havia outros homens com ela, devidamente armados. Seu tempo era curto e se reduziria a zero caso seu tio Madara estivesse ali.
Sakura viu o Uchiha desaparecer. Não levou muito tempo para aquele lugar virar um verdadeiro campo de batalha.
–Estão prontos? – perguntou preparando-se para descer, juntos aos outros, mas seu carro fora levantando, e arremessado contra outro.
O impacto fora brutal. Desnorteada Sakura abriu os olhos, sentindo um trio de sangue escorrer na testa. Seus ferimentos não eram muitos, mas havia aqueles que necessitavam de cuidados urgentes.
–Pessoal?
Chamou por eles e tudo o que ouviu foram gemidos. Sakura forçou a porta do carro para fora, até que conseguiu abri-la. Temendo uma explosão ela retirou a toda pressa os dois homens que estavam nos bancos da frente.
–Sakura! – Naruto atirou contra dois vampiros que tentaram surpreender à rosada.
–Naruto! Eles precisam de cuidados.
–Não temos tempos para cuidar dos feridos agora. – ele estava eufórico, observou Sakura. –Nunca enfrentamos tantos vampiros ao mesmo tempo. Acho que os subestimamos.
Ela via medo nele, como jamais vira em outros tempos. Naruto estava certo. Eles não aguentariam por muito tempo, àquelas armas não poderiam conter vampiros ensandecidos.
–Onde estão os outros?
–Estão tentando dar cobertura ao povo de Itachi. Temos que tê-los como aliados ou não vamos aguentar por muito tempo. – atirou em outro vampiro que fora cair bem próximo de onde eles estavam.
–É Madara que está fazendo isso? – perguntou esperançosa.
Naruto sorriu para ela, cheio de sarcasmo. –É seu vampiro favorito que está detonando esse lugar com todo mundo dentro. – viu-a engolir a seco. –Ele é um monstro, Sakura, assim como todos os outros.
A expressão dela era dura e determinada.
–Vou tentar chegar até ele. Talvez...
–E o que fará depois? Vai voltar para a cama dele e ser mais uma vadia pelo resto da vida?
–Você me odeia, não é? – perguntou enfurecida. –Responde! – ela bateu contra o peitoral dele. –Aprendeu a me odiar por que eu fui à procura de Sasuke.
–Usando a fraqueza do seu povo como justificativa! A verdade é que você estava cansada de todos nós!
–Como pode dizer isso?
–É o que penso e é a verdade!
Sakura lhe deu um tapa. –A verdade é que você não aceita que eu tenha me apaixonado por outro homem.
Tomado pela raiva, ele observou a antiga líder, e amiga lhe dá as costas.
–Volte para os braços dele! – gritou fazendo-a parar. –Volte e seja tratada como uma imbecil. Deve ser divertido para ele tê-la como um cachorrinho domesticado. Ele tentou fazer o mesmo com sua mãe e como não conseguiu, decidiu tê-la à força.
Sakura se virou calmamente para Naruto. Os olhos verdes estavam arregalados. Sua incredulidade havia tirado suas forças.
–O que disse?
–Não contaram isso a você, não é? – indagou vantajoso. –Fora há muito tempo. Um Uchiha se apaixonou por sua bela mãe e queria tê-la para si. Mas ela tinha nojo dele, claro, e não contente o homem a estuprou.
–Eu não acredito em você.
–Mas você sabe dessa história, certo?
Ela ouvira uma vez aquele maldito boato, mas nunca tivera coragem de interrogar Tsunade, em busca de verdade. Diziam que um vampiro invadira sua casa, quando ela ainda era muito pequena, e esse mesmo homem violentara sua mãe. A história de um anel, que ninguém sabia a origem, persistiu como a única pista durante muito tempo.
–Não é verdade. – disse sentindo os olhos embargarem.
–O culpado está com esse anel agora. O símbolo do clã Uchiha está nele.
Naruto deixou-a sozinha. Sakura respirou com sôfrego. Não sabia o que pensar, nem em quem acreditar. Seu único consolo era por nunca ter visto um anel semelhante nas mãos de Sasuke. Mas tinha que admitir que ela se tornara uma pessoa muito distraída, principalmente quando estava presa naquelas mansões sombrias. Talvez esse anel estivesse mesmo com Sasuke ou com qualquer outro Uchiha.
–Sakura!
Atônita Sakura se virou para trás, deparando-se com Ino.
–O que está fazendo aí parada? Por que ninguém está te dando cobertura? – olhou em volta.
–Cadê Tsunade?
–Eu não sei. Não conseguimos ficar reunidos no mesmo lugar, por isso nos afastamos. – Ino estava trêmula. –Se perdermos essa batalha... Seremos mortos ou escravizados. Eu prefiro morrer a passar minha vida inteira dentro de um porão.
Sakura não pôde confortá-la.
–Parece que Itachi já encontrou Sasuke. – disse temendo a reação de Sakura. –Dizem que Madara está com eles.
*X*X*X*X*X*
Olhavam-se como se fossem atacar um ao outro. Estudavam-se prevendo um ataque traiçoeiro.
–Quem diria que o clã Uchiha estaria reunido de novo e pela causa mais irônica do mundo; pela mesma mulher. – disse Madara.
Sasuke contraiu a mandíbula com ódio. Por mais raiva que tivesse do tio, seu ódio por Itachi era bem mais intenso. Fora ele que Sakura procurou na sua ausência. Talvez fosse pelo irmão que Sakura estava com ele. Ambos comungados em razão do mesmo plano. Um plano que poderia lhe custar à vida.
–Não dê ouvidos a ele, Sasuke. – falou Itachi encarando o tio. –É isso que ele quer. Está tentando nos jogar um contra o outro.
–Você estava com ela?
Itachi voltou a olhar o irmão, sabendo a quem ele se referia.
–Sim. – respondeu ouvindo um ranger de dentes. –Ela me procurou porque queria ajuda.
–Ajuda? – indagou Sasuke. –Para se defender de mim?
–De você não. Dele. – apontou para o tio. –Ela acredita que nosso tio é o centro de todo esse ódio.
–Desde quando as mulheres são sábias? – zombou aproximando-se deles. –Ora, Sasuke! Eu estou aqui, do seu lado. Onde está essa garotinha agora? Do lado do Itachi ou do seu?
–De qualquer lado, menos do seu, miserável!
Uma enxurrada de bala fora ao encontro de Madara. Ágil, ele se escondeu atrás de uma parede, ainda assim Sakura não sessou fogo. Seus aliados entraram atirando. Sasuke e Itachi desapareceram e surgiram logo atrás dos seus oponentes.
–Não atirem! – pediu Itachi.
–Matem eles! – ordenou Naruto.
–Parem de atirar! – gritou Sakura sendo ignorada.
Sasuke golpeou três homens de vez e atacou outros fatalmente. O barulho de uma porta se quebrando chamou atenção de Sakura, que horrorizada viu dezenas de vampiros invadirem a casa.
–Naruto!
Hinata soltara um grito estridente. Pelos pés ela foi arrastada.
–Droga! – Naruto tentou acertar a mulher que arrastava Hinata, mas essa se embrenhou entre os outros. –Hinata! – gritou sem mais conseguir vê-la. –Ela vai ser mordida!
Olhava a multidão com desespero e a surpresa não fora outra senão enxergar um tufo de cabelo róseo em meio à aglomeração de vampiros. Sakura era ágil, apesar de não ter uma força sobre-humana.
–Hinata!
Correu ao encontro dela. Sakura acomodou Hinata em um canto e esperou por Naruto.
–A perna dela está machucada. – disse Sakura assim que Naruto apareceu ao seu lado.
–Isso está ficando fora de limites. – atordoado, Naruto viu seus companheiros já exaustos.
–Isso tem que acabar ou...
Dois corpos em grande velocidade colidiram contra a parede. Toda a estrutura foi chão abaixo.
–Itachi... – murmurou ao vê que ele e Madara duelavam até a morte. –Sasuke! Sasuke! – olhava para todos os lados, tentando encontrar ele em algum lugar. –Itachi precisa de você!
Foi então que ela o avistou. Seus olhos contemplavam a luta do irmão e o tio. A expressão era vazia, não havia um único gesto que denunciasse suas emoções. Parecia não ter vida.
–Cuide dela, Naruto. – disse indo ao encontro de Sasuke.
Sakura atravessara o salão como uma esfera em chama. Seu alvo era somente um. Seu campo de visão pertencia a uma única pessoa. E ela o amava, mas não conseguia enxergar um pouco daquele homem por quem se apaixonou. Aquele Sasuke tinha um olhar perigoso. O brilho nele transparecia a maldade. O ar que ele expirava era de ódio.
O amor que ela sentia por ele estava começando a se transfigurar. Não era mais puro, não dava mais para identifica-lo em meio a tantos sentimentos de dor.
–Sakura! – Tsunade segurou-a pelo braço. –O que está fazendo? Ele vai...
–Preciso acabar com isso!
–Esse confronto vai muito além da nossa capacidade! – disse tirando-a de lá. –Vamos recuar. Todos estão feridos!
–Mas Itachi...
–Não acredito que ele esteja vivo. – a incerteza nela causou grande impacto em Sakura. –Ele estava muito fraco, com certeza não ia conseguir lutar com alguém mais forte.
–Tsunade...
A loira fora segurada pela cabeça e jogada para trás. Sakura deu um passo atrás ao sentir o olhar sanguinário de Sasuke sobre ela.
–Levem-nos para a minha fortaleza. – a ordem dele movimentou a todos.
–Não se esqueça desse prisioneiro valioso. – Madara jogou Itachi no chão. Não havia sinal de vida nele. –Agora, Sasuke, temos assunto a tratar com essa vagabunda.
O homem se aproximou de Sakura, sem intervenção de Sasuke. Sakura endureceu a postura ao ter que olhar Madara nos olhos. Ela não sentia medo; sentia nojo, e cólera.
–Você deve está louco para pô as mãos em certo poder, não é? – perguntou com um sorriso zombeteiro. –Você deveria ter escutado a verdadeira história desse poder fabuloso. E antes que você diga que estou com ele, já lhe adianto que ele não existe. Não da maneira que você acredita.
–O que você sabe sobre isso? Nada.
–Eu sei de muita coisa. Muita coisa que você não sabe.
Uma plateia de curiosos se formou à espera do espetáculo.
–Eu vou mata-la assim que essa pedra...
–Não existe pedra! – interrompeu-o. –Na verdade, um mago muito antigo saiu misturando magia ali e pegando um pouco de bruxaria aqui. E sabe o que deu essa mistura? O poder da vida eterna.
–Não é verdade.
–Sei que você está com cara de bobo agora, do mesmo jeito que fiquei, mas é a verdade. É um poder que se perpetua nos descentes do clã Haruno. O mago teve um filho ou uma filha e esse poder foi transportado para a criança, ao nascer. Como sendo o primeiro filho da minha mãe, esse poder veio parar em minhas mãos, como num passe de mágica. – zombou ela. –Parece que sou imortal como você, Madara. E quer saber como me sinto? Completamente inútil.
–Desgraçada! – Madara a levantou pelo pescoço. –Vamos vê se você é imortal se eu arrancar sua pequena cabeça!
O vampiro gritou de dor ao ter as costas perfuradas por unhas afiadas. A dor o obrigou a soltar Sakura que caiu no chão tossindo.
–Não toque nela. – ameaçou Sasuke.
–Seu imbecil! – Madara riu alto, enfurecendo Sasuke. –Quer mata-la, mas não consegue porque a ama. – Sakura observou Sasuke. –Você é um inútil, como ela! O aturei todo esse tempo para nada!
Sasuke atacou o tio numa velocidade incrível. Podiam-se contar quantas paredes foram perfuradas pela força de seus corpos.
–Levem-nos a fortaleza do Lorde!
–Deixe-os em paz! – gritou Sakura apontando duas armas para os homens que carregavam seus amigos.
–Somos muitos, você está sozinha. – disse um deles. –Seja uma boa líder e jogue suas armas no chão.
–Vá se ferrar! – estava decidida a mata-los.
–Sakura... – Tsunade murmurou fracamente. –Por favor.
Ela estava sozinha. Nenhum aliado tinha força para ajuda-la. Sabia que não podia resistir; tão pouco bancar a durona. Sasuke não estava ali para protegê-la e sequer tinha estômago para encará-la como antes. Tinha que ceder e aceitar que aquela batalha não era sua.
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