Sangue, Amor e Poder
22 Dias incontáveis
Notas iniciais
–Todos estão presos no calabouço?
Perguntou um homem forte, com a roupa empapada de sangue.
–Sim, mas não sabemos onde deixar a mulher preciosa do Lorde.
–Parece que ela não é mais tão preciosa assim. – zombou um deles, arrancando risos dos outros. –Deixem-na em uma cela separada.
–No calabouço? – indagou o homem que arrastou Sakura de dentro do carro.
–Sim.
Obedecendo as ordens do seu superior, o guerreiro levou Sakura ao calabouço; lugar que ela conhecia bem.
–Eu preciso falar com Sasuke. – disse ela sendo levada sem delicadeza. –Enquanto seu Lorde não decidir o que fará comigo, eu ainda tenho...
–Cala a boca ou perderei o controle e beberei até a última gota do seu sangue maravilhoso. – ameaçou o vampiro jogando-a na prisão. –Não pense que sua nobreza ainda serve nesse lugar. – zombou ele. –É só uma questão de tempo até você ser morta pelo Lorde. Ah! Você é imortal, talvez ele a transforme em um de nós.
–E isso te agrada, não é? – indagou segurando os ferros protetores de sua cela. –Quantos de vocês devem me odiar?
Sarcástico, ele lançou um olhar a ela. –Muitos de nós.
Sakura sorriu com a resposta. –Não estou surpresa. – confessou tão zombeteira quanto ele. –Mas me receberam como uma rainha. Ganham para reverenciar pessoas que odeiam ou são tão fiéis a Sasuke que não se importam com seus próprios sentimentos? – o olhar dele era intrigante sobre ela. –Com certeza não são nada fiéis, pelo menos os que forem iguais a você, apenas obedecem às regras, e temem a morte caso venham contrariar o Lorde!
–Cale-se! – ordenou vociferando e na raiva que sentiu ameaçou-a com a imagem de suas presas afiadas. –Não aceitamos humanos aqui. Vocês apenas nos servem como alimentos e isso é tudo.
Terminando de pôr o cadeado na corrente grossa de aço, o vampiro sumiu dali; causando um vento forte.
Cansada, Sakura se sentou no chão úmido, e mal cheiroso. Pensativa, ela encarou as paredes sujas do cúbico lugar, e deixou as emoções aflorarem.
Estava presa naquele lugar esquecido, sendo tratada como uma traidora, quando ela ainda tinha esperança de lutar por sua inocência. Seus amigos e aliados estavam trancafiados como ela, à espera do último veredito. Sasuke a odiava e era insano pensar que ela também começava a odiá-lo. Será que realmente fora ele o responsável por destruir parte da vida de sua mãe?
–Precisamos de remédios!
Sakura assustou-se com a voz que soara muito perto de onde ela estava.
–Tsunade? – perguntou-se se levantando a toda pressa. –Tsunade!
–Estou aqui, Sakura! – respondeu há dez metros da prisão da líder.
–Quantos estão com você?
–Só Naruto e Hinata, mas os outros devem está por aqui, calados enquanto suportam a dor.
Sakura segurou as grades com força e fechou os olhos num momento de reflexão.
–Eu vou tirar todos daqui. Eu prometo.
–Esqueça, Sakura, não chegaremos mais a lugar algum, esse nosso limite. – disse Naruto.
–Eu sei que posso. – insistiu Sakura, controlando as lágrimas a qualquer custo. –Tsunade, antes de eu dar qualquer outro passo, quero que você me responda uma coisa. – quase murmurou. –Foi Sasuke que fez minha mãe infeliz?
O silêncio persistiu por incontáveis minutos. Na outra cela, dois prisioneiros se entreolhavam com intriga.
–Por que disse isso a ela? – cochichou Tsunade.
–Por que é a única maneira dela se livrar desse vampiro. – respondeu Naruto, em voz baixa. –Do que importa se foi outro? Todos eles são iguais.
–Mas... Não se pode encontrar a verdade com mentiras.
–Você mentiu para ela todo esse tempo, por que acreditava que era o melhor a fazer. Entenda minha iniciativa como uma boa causa.
–Naruto... – murmurou Hinata, reprovando as palavras do amado.
–É a única maneira de nos desprendermos dele, para sempre. – insistiu Naruto à espera de uma decisão de Tsunade.
–Tsunade? – Sakura novamente a chamou. –Responda! – exigiu mesmo temendo a resposta.
–Desculpe, Sakura, mas não posso te confirmar isso. – respondeu olhando Naruto de esguelha.
–Como você não pode? A história é verdadeira, não é?
–Sim, a história é verdadeira, mas não sei quem fez mal a sua mãe.
–Argh! – transtornada Sakura bateu as mãos diversas vezes contra os ferros, gritando como se tivesse perdido toda a sanidade. –Estou cansada desses malditos segredos! Estou cansada disso tudo!
Quando terminara de descarregar sua euforia nas grades, ela olhou as mãos machucadas, o sangue escorria, mas a dor era completamente contida.
*x*x*x*x*
Três dias depois...
–Comida!
Sakura levantou a cabeça fracamente, encarando o homem que, sempre nos mesmos horários, trazia a refeição para os prisioneiros.
–Hoje o cardápio está um pouco melhor. – riu o homem, empurrando o prato.
Sakura observou o prato que escorregou até ela. Estava faminta, embora nauseada como se sucedeu nos últimos dias, mas recusava-se a ingerir a mesma comida degradante.
–Ei! – levantou correndo, chamando a atenção do segundo homem. –Preciso falar com Sasuke!
–Vamos leva-la ao Lorde... Somente quando ele nos ordenar.
Sakura crispou os lábios, convencida de que aquele dia não chegaria tão cedo.
–O que está acontecendo lá fora? – perguntou ouvindo um grande tumulto de vozes.
–Muita coisa está acontecendo lá fora. – respondeu o homem, em um tom de voz que somente Sakura escutasse.
–Por favor, diga-me o que está havendo. – pediu gentilmente. –Você não tem cara de quem também me odeia.
Intrigado, o homem olhou de um lado a outro, temendo ser ouvido, ou pego no mesmo lugar.
–Não se sabe se Madara Uchiha realmente está morto.
–Como assim?
–Comentam que ele conseguiu escapar, e está refugiado nas montanhas, esperando o momento certo para atacar. – novamente o homem olhou os lados. –O Lorde voltou muito ferido da batalha com o tio e está se recuperando.
–E Itachi Uchiha? O que aconteceu com ele?
–Está preso na mansão, muito debilitado, talvez não sobreviva. – disse chegando mais perto das grades. –Nem todos aqui querem sua morte, senhora.
O homem rapidamente fez um gesto de reverência.
–Obrigada. – tristemente ela sorriu, sentindo suas forças se renovarem. –Vá, por favor.
Em passos curtos Sakura se afastou das grades, pensando em cada palavra que acabara de ouvir daquele homem; qual lhe parecia ser sincero. O caos estava consumindo a todos, até mesmo os mais fortes.
*x*x*x*x*
Dois dias depois...
–Droga!
Pela quarta vez, naquela manhã chuvosa, Sakura correu para os fundos da cela. Lá, um vaso sanitário em estado deplorável, estava a sua espera. Sem se importar com o mau cheiro, tão pouco a visão decadente daquele ‘banheiro’, ela se agachou, e vomitou como uma louca.
–Sakura? Você está bem?
Era Hinata, visivelmente preocupada com as idas de Sakura ao banheiro.
–Estou bem. – respondeu respirando fundo. –É só... um mau estar. – disse cambaleante.
Firmando-se na parede áspera e fria, Sakura voltou às grades da cela, onde passara a ficar horas a fio, parada.
–Você não está nada bem, Sakura. – reparou Tsunade. –Você não foi mordida, não é?
–Estou bem. – respondeu fracamente. –Mas, Tsunade, se você pudesse me examinar agora, diria que estou grávida. – ao dizer ela sorriu como uma criança sendo induzida ao sono.
–Ela está delirando. – falou Naruto. –Provavelmente não está comendo nada.
Passos apressados soaram no corredor longo e sombrio.
–Quando eu sair daqui, arrancarei sua cabeça!
–Cale essa boca, seu porco! – o homem prazerosamente chicoteou as costas daquele que ousou afrontá-lo. –Antes de você arrancar minha cabeça, arrancarei a sua e de muitos iguais a você.
–Jogue ele aí! – ordenou outro, cessando o confronto entre aliado e prisioneiro.
–Neji! – Hinata gritou assim que reconheceu o primo. –Você está bem?
–Estou cansado e tenho cheiro de morcego. Como posso está bem? – indagou estirando-se ao chão. –Logo vão trazer os outros.
–Por que não trouxeram antes?
Neji olhou mais a frente e viu a silhueta de Tsunade na penumbra do lugar.
–Mantiveram os mais feridos na prisão da mansão. – respondeu tossindo alto. –Curaram a gente para que possamos trabalhar duro, como escravos.
–Eu prefiro a morte! – indignou-se Naruto. –Ei! Malditos miseráveis! Eu prefiro morrer a me curvar a vocês!
–Naruto! – repreensiva Sakura tentou detê-lo. –Controle-se! Não vamos chegar a lugar algum dessa forma.
–Não fale, Sakura. Você está muito fraca. – aconselhou Tsunade. –Ei! Venham aqui! – gritou atraindo alguns homens de guarda. –Venham aqui!
–Não grite como uma louca! – ordenou o vampiro batendo contra as grades da cela. –O que você quer, loira?
–Eu não quero nada de você, mas a garota daquela cela está muito doente. – explicou apontando mais a frente. –Ela precisa de cuidados.
Ignorando a explicação da mulher, o homem olhou na direção que Tsunade apontara, e deu de ombros sabendo quem era a pessoa trancafiada ali.
–Só agimos conforme a decisão do Lorde, além do mais, aquela garota é imortal, por isso...
–Então, vá até seu Lorde, e diga a ele que a mulher que ele teve como senhora está muito doente.
–Não...
–Também diga a seu Lorde, que essa mesma mulher está esperando o herdeiro dele. – Tsunade encarou o homem demoradamente, atenta às suas reações. –Não será pior deixa-la aqui? Sua cabeça pode ser decapitada por causa disso. Estou errada?
Sem ter como contradizer a loira, o homem murmurou algo, e lhe deu as costas.
–O que houve?
–Temos que avisar o Lorde que a líder dos humanos está muito doente.
–Uh. – murmurou em tom de desprezo. –Deixe-a morrer e estará tudo acabado.
–Não podemos, ela não morre facilmente. Parece que ela está grávida do Lorde.
–Você acredita nisso?
–Talvez. Em todo caso, vamos consultar nosso líder.
Fale com o autor