Notas iniciais
Desculpem a demora, gente!
Beijos!

Do alto da sacada, debruçada olhando a balbúrdia abaixo de si, Tsunade suspirou exasperada. Aquela era a terceira farra na mesma semana, e parecia que ninguém além dela percebia o perigo. De guerreiros atiradores, passavam, dia após dia, para bêbados armados. Era uma situação delicada de resolver, pois ainda que sua voz fosse alta o suficiente para chamar atenção de um batalhão de homens, ela temia no meio deles. Tsunade sabia que era autoritória e impaciente; diferente de Sakura que era prestativa e se comportava como uma líder.


–Não pensei que fosse tão difícil governar um bando de patifes!


Disse Tsunade, quase gritando para a glomeração. Nesse momento Naruto, acompanhado de Hinata e Ino, entrou carregando uma arma que, aparentemente, parecia pesadíssima.


–Ora, vovó!Já está cansada do governo?


–Não brinque comigo, seu loiro! -ela rolou os olhos irritada e suspirou mais uma vez. -O que é isso, hein?


–É a mais nova belezinha que Shikamaru criou -respondeu Naruto. -Seu sistema sensível pode perceber o inimigo a distância, principalmente se houver vestígio de sangue nele. Sua energia pode paralisar três homens ao mesmo tempo. Seu lazer venenoso pode queimar qualquer corpo humano. Se um vampiro for atingido, provavelmente ele morrerá devido a substância incompatível com sua pele e queimará até se transformar em cinzas.


–Hum. Interessante essa criança, mas deve haver algum tipo de contratempo nela -deduziu.


–Sim, Tsunade -afirmou Ino. -É uma arma que consome muita energia e descarrega muito rápido.


–Em um combate, ela duraria cerca de vinte minutos -acrescentou Hinata.


–Pouco tempo de utilidade, mas capaz de destruir diversos inimigos. Eu gostei dela -segurou a arma e acariciou-a. -Ino, Hinata, preparem a sala de treinamento, quero todos reunidos lá.


–Sim, senhora!


–E acabem com a farra desses desocupados, digam que são ordens minhas.


E as garotas se retiraram.


–O que você está tramando, Naruto?


Perguntou Tsunade, percebendo o jeito inquieto do loiro.


–Tsunade, quero conversar com você seriamente.


–Se é sobre o resgate de Sakura, peço que você não insista nisso agora. Aquele vampiro tornou-se o cão de guarda dela, e tirá-la de lá seria o mesmo que tirar o osso dele. Além disso, eu preciso reforçar a confiança dessa gente em mim. É minha maior prioridade nesse momento.


–Mas a minha não é! -gritou ele, assustando a mulher. -Eu disse que resgatarei Sakura daquela coisa, e não vou descansar enquanto não vê-la aqui.


–Você diz como se as coisas fossem fáceis! -gritou também. -Eu não quero causar uma guerra, e mesmo se pudéssemos eu recuaria. Você, Naruto, é apressado e às vezes irracional. Eu prefiro agir com cautela, estudando o território ao lado.


–Quando você terminar sua pesquisa de como agir, será tarde demais.


–Naruto...


–Tsunade, eu quero que você me dê seu lugar de governante.


–C-como é?


–Você tem medo de agir, e eu sei como fazer isso -disse ele determinado. -Se continuarmos assim perderemos nossos homens. Eles obedeciam Sakura por ela ter o sangue nobre, mas você não é como ela e não se preocupa devidamente como deve ser -Tsunade não discordou, pois sabia que ele lhe dizia a verdade. -Eu só preciso disso para acabar com o reinado do Uchiha.


–Mas... eu não sei, Sakura tem muita confiança em mim.


–Eu sou amigo dela, e ela também confia em mim.


Mesmo justificando cada palavra que dizia, Tsunade ainda exitava.


–Sakura ainda não fugiu por não ter ódio suficiente dentro dela, mas isso é uma questão de tempo. Alguém me disse que Madara pretende presentar o sobrinho mais novo com um anel muito valioso do clã. Na verdade, não passa de um ritual praticado pelo clã Uchiha.


–E o que isso tem haver?


–Eu sei que sua senhora foi estrupada...


–Não repita isso! -gritou ela com as mãos trêmulas. -Como soube disso?


–Isso não vem ao caso. Esse homem foi Madara Uchiha, ela soube identificá-lo por causa do anel Uchiha.


–Onde quer chegar?


–Como Sakura reagiria se soubesse disso?E qual seria sua reação se soubesse que esse homem foi Sasuke?


–Mas não é verdade.


–Ela não precisa saber que não foi ele. A partir do momento que você abrir a boca e contar tudo o que sabe, Sakura acreditará em você.


–Vou acusar alguém injustamente.


–Eu também não gosto disso, acredite. Mas, Tsunade, Sakura foi levada como se fosse um objeto, e aquele desgraçado não se importou com os sentimentos dela. Por que devemos ter sensibilidade com alguém que não é capaz de amar e respeitar os outros?


Ela pensava enquanto andava de um lado a outro.


–Você tem razão -Naruto suspirou aliviado ao ouvi-la. -Precisamos tirá-la de lá o quanto antes.


–Então, me dará poder para isso?


–Infelizmente, não Naruto. Sou fiel com minhas palavras e pretendo não decepcioná-la. Mas vá em frente com seus planos, terá todo o meu apoio.


–Obrigado.


Ela sorriu para ele e ele devolveu o sorriso. A promessa estava lançada novamente.


Alguém, do lado de fora, se afastou da porta e saiu apressada antes que eles a vissem espionando-os.



X*X*X*X*X*X*X*X



Sakura observava, sem muita importância, Karin selecionar joias valiosas por cor e preço; da menos cara até as mais caras. A Haruno não sabia dizer quantas tinham na caixa de cerâmica, mas eram muitas.


–A família Uchiha sempre foi vaidosa com joias. A favorita é o rubi; tão vermelha e intensa quanto o símbolo do clã -Sakura a observou. -Imagino que sua família sempre gostou de esmeraldas.


–Engano seu. Minha mãe era uma mulher delicada, como uma pérola. Ela sempre dizia que o branco da pérola tem ar de pureza. Talvez tenha, pois vive muito bem guardada no fundo do oceano.


–Oh, faz sentido. Mas duvido que sua irmã Lain tenha o mesmo gosto pra joia como sua mãe -Karin sorriu. -Aquela lá tem cara de gostar de pedras vermelhas também, mas por essas parecerem com a cor do inferno.


–Karin! -repreendeu Sakura e a ruiva sorriu ainda mais. -Até você a odeia?


–Eu sempre detestei sua irmãzinha. Entenda, eu queria o homem que eu sempre admirei e, de repente, me deparo com uma rival acima de mim. No fim eu acabei me deparando com você e no fundo me sentir vitoriosa por sua irmã ser massacrada.


–Não pense dessa forma, pois eu nunca serei rival de mulher nenhuma por homem algum. Sasuke é um homem livre, se depender de mim ele sempre será.


–Sua confiança é divertida.


–Você não acredita em mim?


–Eu acredito no que você pensa, mas não acredito em toda essa confiança. Quando você perceber, estará apaixonada por ele. E quando menos esperar, estará perdendo-o.


Sakura pouco entendeu o que Karin estava tentando lhe dizer, e não se esforçou para isso. Ela avistou, debaixo de outras pedras preciosas, um colar exuberante de safira. Sakura segurou o colar e o deixou no pescoço, sem prendê-lo a ela. Ela ficou admirando o brilho rosado da pedra preciosa e se perdeu nele algum tempo.


–Esse colar foi o primeiro que minha mãe usou -disse Sasuke atrás dela. Sakura se assustou ao ouvi-lo e arrepiou-se quando as mãos pálidas dele tocaram seu pescoço gentilmente. -Ficou muito bem em você -Sakura via o calor mexer em seu pescoço, mas as mãos de Sasuke havia sumido do reflexo.


–Me desculpe, eu não deveria...


–Não se desculpe, pois ele é seu. Aliás, todas elas são suas de agora em diante.


Observava a expressão dela através do espelho.


–Você deveria guardá-las ou dar para alguém especial.


–Você é especial, Sakura.


Ela desistiu de convencê-lo. Karin balançou a cabeça e sorriu um pouco constrangida, depois saiu do quarto sem nada dizer. Sakura afastou-se dele e retirou o colar, deixando-os junto com os outros.


–Já que você está aqui, eu quero...


–Esqueça essa história.


–Eu já tentei, mas acho que esquecê-la não será o suficiente.


–Se é por causa da acusação contra você...


–Eu não me importo com isso, você sabe que eu sou inocente -Sasuke mudou sua expressão de tensa para feliz. -Mas eu quero que você saiba que eu não tentei prejudicá-lo.


Sasuke aproximou-se dela. O moreno acariciou o rosto da jovem e inclinou-se para beijá-la. Sakura deixou seus lábios entreabertos, como se tivesse dúvidas em respondê-lo, mas deixou a paixão consumi-la. Ela abraçou o pescoço dele docemente e se deixou ser guiada pelas emoções do momento.


–Senhora?


Sakura assustou-se com o chamado da intrusa e rompeu o beijo. Sasuke olhou para a mulher, de pé na porta, e quase não resistiu a vontade de esganá-la.


–M-me desculpem. Eu vou voltar depois.


–Se já foi entrando como uma louca, não fará sentido voltar -disse Sasuke exasperado. -Diga por que veio.


–Seu tio está aqui, senhor, quer vê-lo.


–Há essa hora do dia?


–Eu também estranhei, normalmente ele vem durante a noite.


–Hum. Vá e diga que eu não demoro.


–Com licença.


–Argh!


Sakura sorriu sem deixar ser percebida. Sasuke olhou-a a tempo de ver o sorriso escondido dela e esqueceu-se completamente do tio que estava à sua espera. Quando os olhos dela alcançaram os seus, ele sentiu algo diferente reagir dentro de si; algo parecido como batidas fortes numa velha porta de madeira. A sensação era ótima, quase inexplicável, percebeu.


–Use o colar de safira.


E saiu. Sakura, ao ficar sozinha, respirou profundamente e dedicou seus minutos silenciosos a recente lembrança daquele beijo.



–Fiquei surpreso com sua visita, tio.


–Não pude deixar de vir. Fiquei sabendo sobre o ataque na noite passada.


–Essa história é passado.


–E parece que sua sede de justiça também. O Sasuke que eu conheço moveria céu e terra para achar o responsável.


–Não será preciso dessa vez. É tão óbvio que chega a ser ridículo as surpresas do meu irmão.


–Certamente. Mas, não vim aqui ter como foco essa conversa.


–Então?


–Se você me permitir, quero conhecer sua escrava.


Madara pediu exibindo um sorriso falso. Sasuke analisou a postura descontraida do tio e achou que não era hora de expôr Sakura à sua insanidade por poder.


–Não será possível no momento.


–Está disposto a esconder essa menina de mim por quanto tempo mais?


–Até onde eu quiser -respondeu rispidamente.


–Não torne essa ambição desenfreada, Sasuke.


–Você está muito enganado se pensa que estou com ela por poder.


–E pelo que, então? -indagou irritado.


–Eu gosto da companhia dela -Madara o olhou com horror. -Ela me enfrenta como um animal indomável, e não se importa com sua diferença de força e posição. Ela é a mesma de sempre, desde o dia que eu a conheci, e pouco se importa se eu aprovo ou não seu comportamento.


–Está me dizendo tolices!


–Achei que você diria isso. Sendo assim, retire-se.


–Não tão rápido, seu ingrato.


Madara tirou a luva de sua mão direita e mostrou o anel do cã para Sasuke. Imediatamente o Uchiha animou-se ao ver o objeto. Desde pequeno ele pedira a herança simbólica para o pai, portador do anel na época, mas nunca fora ouvido. Itachi era seu primeiro filho e merecedor de tal honra. Sasuke cresceu ouvindo seu pai falar que Itachi o herdaria, e isso o incomodava de alguma forma.


–O anel do clã...


–Meu pai também não me escolheu, mas o tempo se encarregou de trazê-lo para mim -dizendo isso, ele retirou o objeto precioso de seu dedo, e o depositou nas mãos do sobrinho. -Quero deixá-lo para você.


–Por quê?


–Porque eu sei que você cuidará muito bem dele.


Sasuke concordou com um aceno sutil. Ele encarou o círculo de rubi vermelho e diamante branco, as cores de seu clã, e abraçou seu dedo com ele. Madara contentou-se ao vê-lo satisfeito. Ele tinha planos para Sasuke, caso ele estragasse seus planos, e aquele anel amaldiçoado seria útil.



X*X*X*X*X*X*X



–Não queira andar por aí sem companhia, senhorita -advertiu um dos seguranças.


–Quem é você?


–Sasori.


–Você é um dos cães de guarda de Itachi ou um guerreiro inexperiente?


–Sou pago para obedecer, a senhorita só precisa saber disso.


Ele rosnou para ela e lhe deu as costas.


–Não vire um cão para tentar me assustar, pois eu não tenho medo de nada. E, quando você termina de falar com uma dama, despida-se educamente.


–Sinto muito, mas eu não conheço manual de etiqueta.


Lain sorriu e se aproximou do rapaz. Sasori deu um passo para trás e Lain não avançou mais.


–Você é a primeira pessoa que simpatizo nesse lugar.


–Afaste-se de mim ou o senhor Itachi me punirá.


–Pelo quê? -perguntou ela divertida. -Itachi não é meu dono.


–Engana-se.


–Eu tenho certeza disso -encostou-se na pedra mais próxima e soltou o cabelo contra o vento. -Eu vim por vontade própria e não fui mordida. Isso me da o direito de ser livre, não?


–Não entendo sobre essas coisas.


–Entende sim, mas não quer concordar comigo.


Lain sorriu novamente, exibindo um olhar fingido de indignação. Quando Sasori começou a flertar com ela, Itachi surgiu. Ele ficou em posição de soldado e sua expressão tornou-se séria. A Haruno não mexeu um só músculo, achou que não valia a pena mostrar tanta dedicação ao Uchiha. Ele era diferente de Sasuke; o contrário também dela. Itachi era gentil e tomava decisões calculadas. Ela precisava de alguém impaciente a seu lado, alguém capaz de agir conforme as emoções do momento.

O moreno passou por ela e nem mesmo a olhou. Lain sentiu-se ultrajada, mas não deixou-se levar. Ela tinha culpa por não seduzi-lo ainda, e pensou que já estava mais que na hora de encantar o Uchiha mais velho. Talvez fosse sua última tentativa antes de encontrar um verdadeiro aliado.

A Haruno adentrou a mansão e deu de cara com Itachi. Ele segurava uma seringa e seu pescoço sangrava um pouco. Lain não escondeu a curiosidade e se aproximou.


–O que está fazendo?


–Matando a vontade de me alimentar com sangue.


–É o mesmo que tirar um bebê do peito da mãe.


–Eu tenho que tentar -ela começou a mexer nos produtos espalhados pela mesa, e Itachi a impediu. -Não mexa em nada, você pode estragar minha experiência.


–Ok -concordou emburrada, como uma criança levada. -Você ainda não me disse o que fará com minha irmã.


–No momento, nada.


–Nada?


–Eu não posso acusar sua irmã em base de suas palavras. Eu preciso ser cauteloso, afinal estou disposto a mexer com o brinquedo favorito do meu irmão.


Lain sorriu.


–Essa situação não me agrada, mas concordarei com você -Itachi nada disse, parecia concentrado demais nas seringas. -Eu tenho muita pressa e insatisfação quando o assunto é minha irmã.


–Está tão insegura assim? -indagou sem olhá-la.


–Eu vivo um momento instável. Nunca me senti segura com Sasuke, e tão pouco com você -ele observou-a. -Infelizmente minha felicidade depende dos outros. Pessoas que ao menos se importam com o que eu falo.


E saiu sem olhar para trás. Itachi observou-a sumir nos corredores e sentiu curiosidade de conhecer Lain verdadeiramente. Ele conhecia aquele olhar distante. Palavras que pareciam ser jogadas ao vento sem nenhuma importância, mas que escondiam dores profundas. Ele presenciou toda aquela solidão em Sasuke quando jovem. Uma vontade sincera de ser percebido, de si sentir amado. E com Lain não era diferente.