Notas iniciais
Capítulo postado, amores!
Grande beijo!

Dias Depois...



A noite começava a cair em Tókio, acompanhada da chuva fraca que atormentava desde cedo.

O quarto estava em completo silêncio nem mesmo a presença de Sakura perturbava a grande paz que havia ali. Ela estava sentada de frente ao espelho, fazendo os últimos reparos para aquela noite. Usava um vestido preto de saia até o tornozelo, com uma pequena abertura na coxa direita. O decote era simples, talvez um dos mais simples que ela já usara ao lado de Sasuke. As pequenas alças destacavam-se nos ombros brancos e sedosos, dando elegância e leveza no colar de ouro branco com um pequeno destaque do pigente de safira no formato de flor. Seu cabelo estava solto, apenas duas mexas de cabelo preso no topo da cabeça impedindo-as de cairem para os lados. A maquiagem aumentara seus traços delicados, de forma que esses vieram a ficar maduros e ainda mais belos.

Ela levantou-se da cadeira e passou a mão na saia do vestido prevendo ter o amassado. Pegara sua pequena bolsa e saíra do quarto. Passara pelo amplo corredor em passos lentos e parou de frente à escada quando ouviu a voz furiosa de Sasuke. Sakura voltou para trás e escondeu-se. Ela não pensara que poderia ser descoberta espionando, mas duvidava que chegaria a ouvir assuntos que fossem de seu interesse.


–E como eles chegaram até aqui?


–Não sabemos...


–Vocês são pagos para saber tudo o que acontece nessa casa!


Karin abriu a boca para argumentar, mas de nada adiantaria. Sakura chegou um pouco mais para a frente e tomou todo o cuidado para não ser percebida.


–Quero mais homens no portão e se alguém se aproximar sem ser meu convidado, mate-o.


Sakura se sentiu nervosa, mais incomodada do que devia ao ouvir as duras palavras de Sasuke.


–E... -um dos seguranças entregou um papel amassado a Sasuke, que já havia passado em suas mãos, e o olhou confuso. -O que devemos fazer com isso, senhor?


Sasuke apertou o punho com muita força, deixando o papel destruído.


–Ninguém deve se aproximar dela e bilhetes como este tão pouco.


–Falam de mim?


Sakura desceu e chamou a atenção de todos. Em nenhum momento ela tirou os olhos de Sasuke. Quando chegou na metade da escada, parou e observou a todos.


–O que está acontecendo? -perguntou ela novamente.


–Assuntos meus, nada mais -respondeu Sasuke quase sendo grosseiro.


–Tudo que é de seu interesse é do meu interesse -ela voltou a andar -, seus problemas também me diz respeito -Sasuke a olhou com cara de poucos amigos, mas Sakura não se intimidou. -Até onde eu sei e você gritou para que todos ouvissem, me tornei rainha de sua fortaleza, não é?


Ela o encurralou e tornou o momento divertido. Karin retirou-se e levou os seguranças com ela. Sasuke andou até a janela e observou o cair da noite, tentando de todas as formas ignorar o que Sakura achava engraçado para ela. Mas a rosada logo percebeu que ele estava exasperado e controlou-se.


–Desejo saber o que está acontecendo, Sasuke.


–Não me perturbe, apenas ande ao meu lado e fale quando fôr necessário.


Ela emburrou-se com ele novamente e, quando percebeu que o papel amassado estava a alguns centímetros de si, andou e tentou pegá-lo.


–Sua gente veio me aborrecer.


Ela parou imediatamente. Sentido-a imóvel, ele prosseguiu:


–Tentaram entrar para vê-la, mas como não foi possível deixaram um bilhete -ele virou-se para ela e, como um truque de mágica, o papel queimou rapidamente. -Não se preocupe com o que estava escrito nele, pois não é novidade você saber que desejam vê-la.


–E você se calou enquanto eu deveria ter os recebido?


–Em primeiro lugar, você concordou a unir-se a mim e esquecer aquela gente. Em segundo lugar, eu nunca permitiria que você os vissem.


–Só que você não é meu dono!


–Você ainda pensa dessa forma?


–Vou morrer pensando assim e ainda vou te provar isso.


Quando ela tentou se retirar Sasuke segurou seu braço sem muita paciência. Ônix e esmeraldas se cruzaram numa batalha silenciosa.


–Não serei capaz de aturá-la sempre que você tiver uma recaída.


–Você chama de recaída está preocupada com sua família?


–É só olhar para si mesma e refleti sobre seu estado nesse momento. Você se torna insegura ao falar deles, ao lembrar deles...


Ao perceber que ele mesmo já estava alterando a voz Sasuke a soltou. A chuva voltara a cair e o silêncio assombrou a pequena distância que havia entre eles.


–Você não pode me proibir de vê-los. Não pode achar que seus sentimentos são parecidos com os meus e, acima de tudo -ela respirou e deixou transparecer a raiva -,não diga não por mim.


E ele estreitou os olhos sem perdê-la de foco. Sakura continuou parada no mesmo lugar, como se tivesse esperando toda a fúria que havia dentro dele. Em vez disso, o vampiro esboçou um sorriso que Sakura achou debochado e refletiu por algum tempo.


–Tudo bem, você poderá falar com um deles, mas apenas um deles -Sakura ficou nitidamente surpresa. -Vou conceber esse desejo a você, pois você tem sido paciente nos últimos dias. Além do mais, essa será a última vez que você saberá sobre eles e eu quero estar presente para deixar o visitante muito bem informado.


–Tsunade virá ao meu chamado, imagino que não haja problema ficar a sós com uma mulher.


–Vou estar presente, pois quero garantir que você não...


–Karin irá revistá-la e você pode fazer isso comigo assim que eu estiver sozinha.


Ele pensou sem muita demora, sendo convencido pela firmesa de sua voz, e maneou a cabeça positivamente.


–Você terá meia hora para falar com ela.


–Não é muito, mas agradeço sua compreensão.


Sakura segurou a bolsa firmemente e saiu da sala, mas voltou no caminho.


–Onde iremos? -perguntou ela sem se achar no direito de fazer perguntas. Não queria que Sasuke mudasse de decisão e certamente seria um grande desafio aceitá-la.


–A uma festa de inauguração -disse entediado. -Vou apresentá-la como minha namorada.


–E não é estranho mostrar essa face por aí?


Sasuke percebeu que ela queria mudar de assunto e decidiu esquecer a parte que ela seria sua namorada.


–Eu gosto de me esconder de todos, mas eu ficaria louco se minha vida fosse apenas uma -Sakura balançou a cabeça como se o entendesse. -Eu me diverto com àquelas pessoas, principalmente quando finjo entendê-las.


–Você não se culpa por isso?Digo, enganá-los o tempo todo?


Sasuke deu um pequeno sorriso cansativo e desviou seu olhar.


–É o que todos fazem.


Ele procurou algo no bolso do paletó, e quando parecia ter encontrado olhou com desagrado a chave do carro. Karin entrou na sala segurando um relógio e aproximou-se de Sasuke puxando sua mão gentilmente. Enquanto a ruiva ajudava o vampiro, Sakura sentiu-se incomodada ao observá-los. Ela chegou a desviar o rosto para não vê-los, mas voltou sua atenção para ambos.


–Acabei esquecendo o relógio -justificou-se Karin terminando de ajeitar o relógio no pulso de Sasuke.


–Odeio usar relógio.


–Mas tem muito bom gosto para escolha.


Karin sorriu quando terminou e se atreveu a dar uma pequena ajustada na gravata do moreno.


–Você ainda é descuidado para essas coisas.


–Não exagere -mesmo falando de forma emburrada, ele concordou.


Sakura esperava todos aqueles cuidados acabarem, mas jurava não ter tanta paciência para isso. Ela pigarreou baixinho e percebendo que ninguém a escutou tossiu alto. Quando Sasuke e Karin a olhou ela disse sem importância:


–Vou esperar lá fora -avisou já se retirando e exitou a cumprir o que dissera. -Não quero ser chata, mas uma gravata cinza ficaria bem melhor, suponho.


Depois de dar seu sábio conselho, levando em conta os anos que ouvira seu pai dizer como é fácil escolher a gravata certa, ela saiu da sala e ficou esperando Sasuke do lado de fora.


–Estou enganada ou sua princesa teve um pequeno ataque de ciúmes?


–Não seja boba.


–Talvez não seja bobagem o que eu disse -ela o libertou e saiu catando a chave de seu carro e a bolsa. -Você deveria aproveitar e provocá-la?


–Com você? -perguntou interessado.


–Com outra pessoa. Talvez as mulheres casadas que vivem te assediando descaradamente ou Alicia Tanaka, a filha de um dos homens mais rico do país. Ela é bonita, fútil, sexy e safada. Ah, e ela está louca por você já faz um bom tempo!


–Ela tem um cheiro esquisito.


–Posso levar algodão e entupir suas narinas ou você pode dizer a ela que não quer ficar bêbado aspirando seu hálito alcoólatra.


Sakura olhou para trás quando ouviu a gargalhada de Karin. Suspirou emburrada pela demora do ''casal feliz'' e teve vontade de voltar e tirá-los da casa. Karin foi a primeira a sair, Sasuke veio logo atrás.


–Boa festa para vocês.


Desejou a ruiva para Sakura.


–Você não vai com a gente?


No exato momento um carro prata fez curva no jardim e parou de frente para elas. Suigetsu pulou do carro com pose de conquistador, vestindo um elegante terno prata.


–Infelizmente eu acabei aceitando o convite dessa pessoa para jantarmos.


–Não foi bem assim, Sakura, ela não pensou muito tempo para me dar um sim.


–Cale a boca!


Gritou Karin arrastando Suigetsu até o carro. Sakura abriu um pequeno sorriso e não sentiu Sasuke se aproximar dela.


–Eles são como água e óleo -disse Sasuke -, mas se misturam de vez em quando.


–E você não sente ciúmes disso?


–E por que eu sentiria?


Ela virou-se para ele e o encarou com rigidez.


–Não sei, mas vocês não parecem estar tão distante um do outro como homem e mulher.


–Karin é uma garota livre e eu sou livre por rejeição, estamos livres de culpa se voltarmos a nos envolvermos.


–E ainda fala isso com essa cara deslavada?


Sasuke prendeu-a a si antes que ela fugisse dele. Ele abraçou-a pela cintura e contemplou a violência que surgia naqueles lindos olhos verdes.


–Não há nada entre Karin e eu.


–Vocês estavam rindo juntos agora a pouco.


–Porque ela me deu ideias descabidas, só isso.


–Que tipo de ideia? -perguntou curiosa e Sasuke gostou.


–Ela queria que eu te fizesse ciúmes essa noite.


–Como se eu fosse me importar.


–E se você se importasse?


Ela ficou muda com a pergunta dele e virou o rosto para não olhá-lo. Sasuke sorriu secretamente e desejou que o flerte entre eles não acabasse tão cedo.


–Não, eu não me importaria -ela voltou a olhá-lo e foi surpreendida pelos lábios dele indo de encontro aos seus. -Eu não disse que você podia me beijar.


–Tudo bem, eu me conformo com nosso flerte.


–Eu não estou flertando com você.


–Está sim.


Ele riu e abriu a porta do carro para que ela entrasse, no entanto, Sakura deu a volta e se acomodou no banco do motorista.


–O que você está fazendo?


Ele abaixou a cabeça e inclinou o corpo para vê-la.


–Deixe eu dirigir.


–Eu sou imortal, você não.


–Então deixe que eu me preocupo com isso -ela pediu a chave e ele resistiu. -Você descobrirá que eu sou uma ótima motorista.


–Ok -ele entrou no carro e entregou a chave a ela. -Continua flertando.


–Eu já disse que eu não estou!


Sasuke deu uma gostosa gargalhada e ela foi obrigada a rir com ele.



X*X*X*X*X*X*X*X*



–Fiquei sabendo que recebemos autorização para ir vê Sakura.


Naruto entrou correndo no quarto de Tsunade e a encontrou sorridente.


–Sim, mas... ela pediu que eu fosse, e não duvido que tenha sido exigências do Uchiha.


–Deixe-me ir em seu lugar, Tsunade, saberei me comportar.


–Eu sei, Naruto, mas a mensagem é exigente. Se não fôr eu não será mais ninguém.


Ele não queria pensar naquelas exigências, no modo prazeroso que deve ter sido para o vampiro bastardo tomar aquela decisão. Aceitaria tal provocação e sorreria quando tudo estivesse acabado.


–Eu queria está lá para ver a cara daquele desgraçado quando Sakura fugir dele.


–Não sei se é certo o que vamos fazer, eu ainda estou insegura e vou me sentir culpada.


–Você ficará bem quando vê Sakura entrando pela porta principal e sorrindo para todos nós.


–Não acho que ela entrará sorrindo -Naruto ficou incomodado com os argumentos de Tsunade e não disfarçou o embaraço. -Tomara que ela possa entender nossa decisão um dia.


–Ela vai entender.


–Você não pensa na possibilidade de Sakura ter nutrido... algum sentimento pelo Uchiha?


Naruto inclinou a cabeça para trás e gargalhou.


–Não há possibilidades disso acontecer, não mesmo! -ele andou pelo quarto e agarrou-se a um porta-retratos. Sakura estava sorridente na fotografia, abraçada à Tsunade e os outros. -Ela vai voltar e eu a pedirei em casamento.


–Tão rápido assim?


–Eu quero apoiá-la de todas as formas possíveis.


Não seria uma má ideia vê Sakura casada com Naruto, pensou ela. Ninguém sabia como andava a vida da Haruno fora de sua realidade e se ela sofria dia após dia na dependência de um monstro. Sua volta seria abraçada por todos, principalmente por aqueles que ela considerava seus amigos. Naruto saberia como ajudá-la a se habituar em sua casa novamente e acabaria afastando os fantamas de uma época difícil. Sem dúvida ele era a pessoa mais indicado para fazê-la feliz, e não duvidaria disso.



X*X*X*X*X*X*X*X



Duas da madrugada



Assim que o carro parou de frente à mansão, Sakura abriu a porta e correu até o jardim. Sasuke segui-a logo atrás e surpreendeu-se ao vê-la deitada na grama, descalça e com o braço tapando os olhos. Ele riu e deitou-se ao lado dela.


–Você é uma contradição, Sakura Haruno.


–E por quê, hein?


Ela tirou o braço do rosto e contemplou o vasto céu com suas poucas estrelas. Não chovia mais e as nuvens se dissiparam com o vento. Sakura suspirou emocionada, sentindo-se fisgada pelo cenário noturno e sorriu.


–É tão bom está assim.


–Por que as pessoas se contentam ao ver o céu?


Sakura torceu o pescoço para vê-lo, mas o encontrou distraido observando as estrelas.


–Você ainda não respondeu minha pergunta.


–Esqueça.


–Não mesmo, fiquei curiosa agora.


Ela voltou a olhar o céu e sua expressão mudou assim como a dele. Permaneceram calados por um bom tempo, apreciando a quietude da noite, o céu com suas estrelas e o barulho dos grilos pelo jardim.


–Quando eu a vi pela primeira vez -começou ele pensativo -, eu pensei que você fosse uma garota difícil.


–Mas eu sou, você mesmo me disse isso.


–Sim, mas minha conclusão mudou depois que eu te conheci melhor.


–Sério?


–É. Não vou dizer que você é uma garota cheia de mimos, porque você não é, mas tem seu lado doce.


Se ele virasse para ela teria visto seu rosto constrangido e a forma carinhosa que seus olhos o observou.


–Por que você não se emociona ao olhar o céu?


–Porque eu não acho significado para isso. O céu é azul, a lua é pequena e cheia todo o ano, as estrelas brilham sempre no mesmo lugar e a chuva cai quando as nuvens estão carregadas de gotículas.


–Credo!Você parece um cientista falando! -ela sentou-se, e continuou observando o céu. -Tem que ser mais leve essa descrição.


–Então me ensine.


Ela se agradou com o pedido dele e uniu as mãos para começar a descrever o que ele dissera de maneira fria.


–Há várias maneiras de observarmos o céu. A verdade é que a maioria das pessoas não se cansam de fazer isso e na maioria das vezes buscam refúgio espiritual através dessa observação.


–Está falando sério?


–Sim. Eu acho que todo mundo gostaria de se refugiar no céu quando as coisas não vão bem aqui.


–Eu faço isso quando estou voando.


–Exatamente -ela sorriu e abriu os braços. -O céu respira paz e todos nós buscamos isso. As estrelas brilham em pequenos pontos, a lua se exibe majestosamente, como se fosse capaz de nos cegar com sua beleza, e a chuva cai deixando um cheiro bom de terra molhada, nos convidando para um banho inusitado -Sasuke olhou-a. -É um cenário de vida.


Ela fechou os olhos enquanto apreciava o vento balançar seus cabelos.


–Sakura, você quer voar?


Ela abriu os olhos imediatamente e se sentiu boba ao sorrir para ele.


–Como se estivéssemos fugindo de todos?


–Exatamente.


Ele a pegou pela cintura e voou com ela nos braços. Tókyo parecia pequena dali de cima, pensou ela encantada com a vista.


–Você está sentindo frio?


–Não, estou bem.


Ela o olhou meio desajeitada, incomodada e fielmente atraida pela forma gentil que ele a tratava.


–Você é sempre gentil comigo -sussurrou ela.


–Mas não sou digno de sua atenção.


–Claro que você é, mas... -ela exitou abaixando a cabeça, porém Sasuke a ergueu pelo queixo -, você quer o que eu não posso te dar.


–Nem eu sabia que alguém como eu precisava ser amado, Sakura, mas você entrou na minha vida e acabou com meus anos de ignorância. Mas eu não vou culpá-la por isso, tão pouco vou desistir de você. Eu disse que vou te conquistar nem que eu tenha que lutar contra você mesma.


Ela o abraçou fortemente e seu coração apertou. Havia muitas dúvidas, coisas demais para serem resolvidas e decisões para serem tomadas. Mas o que ela sentia palpitar dentro de si tinha apenas um significado; nascido da fragilidade entre eles, das discussões bobas, e dos beijos roubados e forçados que ele explorou. Ela amava seu jeito grosseiro logo após sua ternura, sua cara emburrada e seu sorriso apaixonado, sua teimosia e confiança. Ela o amava e gostaria de gritar para ele que seus esforços lhe deram bons resultados, e que algum dia eles poderiam encontrar a paz juntos.



Continua...