Sangue, Amor e Poder
15 Irmãs
Notas iniciais
Beijos!
Ela traçou seu caminho de volta, mas com o coração impregnado de veneno.
Tudo o que ela ouvira minutos atrás lhe fazia todo o sentido, mesmo sendo Madara o responsável por enfiar tantas ideias malévolas na sua inocente cabecinha.
Inocente... Talvez, bem lá no fundo de seu coração, ainda existisse um pouco de ingenuidade nela, e não era tão ridículo pensar que, num futuro muito distante, ela voltasse a ser a mesma garota ambiciosa; dona de artimanhas emocionais capaz de conquistar qualquer um que a ouvisse. Sim. Ela iria adorar correr para os braços da irmã e exibir seu sorriso falso, interesseiro. Seria muito divertido vê Sakura acreditando nela novamente. Mas, aquilo era um jogo do passado, quando ela ainda gostava de lamber a ferida da filha favorita somente para agradar os pais e toda aquela gente imunda!
Tudo era diferente agora. Esse novo jogo tinha cheiro de lágrimas, dor, ódio, e ela apreciava isso. Ela desejava vê a reação de Sakura ao vê-la chegar pela porta da frente, e ansiava pelo grande triunfo; o feliz momento de punir, com toda a severidade em seu ser, todos aqueles que a ignoraram.
Ela chegou a seu quarto, e trancou a porta.
Com muita agilidade Lain esvaziou o closet, pegando todos os seus pertences, e não demorou muito para ela arrumar a mala. Depois de certo tempo ela estava pronta para partir, mas antes, desejava falar, nem que fosse por dois minutos, com Itachi.
Lain desceu a escada carregando sua mala, consideravelmente grande, e quando chegou embaixo, deparou-se com Itachi, no centro do grupo de homens que lhe faziam reclamações. Receosa, esperou até ele perceber sua presença, que não tardou a acontecer.
–Mantenham a calma e me esperem, pacientemente, eu não demoro. – disse ele sem tirar os olhos de Lain, que percebendo seu olhar, levantou a mão acenando.
Assim que ficaram sozinhos Lain deixou a mala e foi até ele. –Problemas?
–O mesmo de sempre. – disse ele olhando a mala. –Está indo para algum lugar?
Lain respirou fundo, sem desviar o olhar. –Sim.
–E eu posso saber para onde você vai? – perguntou com naturalidade, o que a deixou pensativa.
–Eu pensei bem, e... E decidi acabar de uma vez por toda com essas intrigas entre minha irmã e eu. – esperou que ele fizesse um comentário, mas sua única reação foi coçar o queixo. –Sakura não tem culpa se nossos pais lhe deram preferência, nem se aquelas pessoas resolveram reverenciá-la.
–Então você vai voltar para sua casa?
–Não. – uniu as mãos, percebendo que cada vez mais ela ficava nervosa. –Acho que é melhor passar um tempo com Sakura. Não sei. Talvez eu esteja ansiosa demais e estrague tudo aparecendo assim... Mas eu gostaria de tentar, Itachi, nem que seja a última tentativa.
–Lain... – calmamente Itachi segurou os ombros dela, e os acariciou rapidamente. –, você sabe o que está prestes a fazer? – ela abriu a boca para responder a pergunta, mas ele prosseguiu: — Você não sabe o que está fazendo, não é? Eu não sei o que aconteceu para você tomar essa decisão, mas seja qual for o motivo, você não está pronta para dar esse passo.
–Agora você resolveu baixar minha autoestima! – ela tirou as mãos dele de seus ombros, e afastou-se mantendo o olhar. –Qual é seu problema?Você está com ciúmes por que Sasuke estará por perto?
Itachi balançou a cabeça, não acreditando que ela era tão imatura para chegar a pensar que ele tentava convencê-la por meros motivos.
–Eu não vou te prender aqui, então se você quer ir mesmo, vá em frente. – disse ele dando passagem para ela prosseguir. –Boa sorte.
–Eu vou precisar mesmo. – e, sem ter mais o que dizer, ela se apressou para sair, embora quisesse ficar só mais um pouco.
X*X*X*X*X
Chegaram aos domínios Uchiha debaixo de um forte temporal.
Sakura ficou mais aliviada ao enxergar o grande portão metálico da casa, pois estava se sentindo esquisita desde o momento que a viagem começou. Embora o carro fosse altamente confortável, seu corpo todo começava a ficar dolorido, ela chegava a sentir um pouco de náusea, e a cabeça não parava de latejar.
O portão foi aberto, e o carro seguiu caminho até a vistosa e sombria residência. Prontamente vieram várias de suas servas, ajudá-la por causa da chuva, e outras se ocuparam com a bagagem.
Ao se inclinar para sair do veículo, ela sentiu vertigem, e rapidamente se apoiou em uma das mulheres.
–O que você está sentindo, Sakura? – perguntou Sasuke do outro lado do carro, e ao perceber que ela não estava nada bem, ele atravessou o automóvel, e quando chegou perto a segurou pelo braço, trazendo-a de encontro ao seu corpo.
–Estou um pouco tensa por causa da viagem. – disse ela sorrindo para ele, no intuito de não preocupá-lo, e se afastou tomando postura para chegar ao seu quarto.
Por um momento de distração ela olhou o céu, coberto por inúmeras nuvens cinzentas e escuras, depois baixou os olhos para a casa. Havia homens e mulheres sobrevoando a casa Uchiha como morcegos, escalando as paredes frias como lagartixas e, sutilmente, lançando-lhe olhares como se ela fosse um cardápio raro. Sakura esfregou os braços ao perceber que ela também era analisada, e ao sair dali esqueceu-se de sua antipatia pelo lugar.
–Sua irmã... – cochichou uma das mulheres, segurando o guarda-chuva que protegia Sakura.
–Yoko...
–Lain está na mansão. – a interrompeu sem muito pensar, mal se incomodou com o fato de Sasuke está há poucos metros dela.
–O que você disse? – perguntou Sakura chamando a atenção de Sasuke.
–Algum problema? – perguntou ele parando para observá-la, já na entrada da casa, mas Sakura balançou a cabeça, e vendo que não era nada Sasuke andou.
–Eu disse... – cochichou Yoko novamente enquanto paravam em frente à porta, que logo foi aberta, e sua única distração foi o centro do salão, muito bem iluminado no momento, e a cabeleira rosa que surgiu dos cantos escuros.
Sakura olhou na direção que todos olhavam e, desvencilhando da pequena aglomeração que se formou na porta, ela chegou até Sasuke, que já havia trocado a expressão pacífica por uma irritadíssima.
–Sakura... – disse Lain assim que a irmã apareceu, ciente de que Sakura correria para abraçá-la depois de lhe dedicar um sorriso. –, eu estava ansiosa para vê-la. – deu alguns passos na direção da porta, sem quebrar o olhar.
–O que você faz aqui? – perguntou Sasuke olhando bem o rosto da Haruno, e a resposta foi mais um passo na direção dele. –Responda minha pergunta.
–Não precisa pedir, pois terei todo o tempo do mundo para lhe responder, mas agora me deixe abraçar minha irmã.
–Responda a pergunta dele, Lain. – para a surpresa de todos, principalmente da própria Lain, Sakura impediu-a de se aproximar.
–Sakura... Eu não entendo o porquê de você está exigindo algo tão bobo. – mantinha o sorriso, mas estava fervendo tanto de ódio como de vergonha por dentro. –Você não precisa me tratar como uma inimiga. Você me conhece.
–Eu te conhecia, Lain, mas isso já faz muito tempo. Então diga logo de uma vez por que você está aqui. – deixando Sasuke para trás, Sakura foi até a irmã.
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