Sangue, Amor e Poder
8 Fuga!
Notas iniciais
Ela espera pacientemente por Itachi Uchiha...
Homens e mais homens olhavam aquela garota com admiração e intriga. Como uma frágil mulher se atrevia a ir procurar seu senhor?Se perguntavam a cada volta que davam em torno dela. O cheiro do seu sangue era bom, puro e inocente. Mas seu espírito estava sombrio, parecia carregar uma profunda mágua.
Lain não se importava com os olhares indiscretos daquelas pessoas, jamais sairia dali sem falar com Itachi; mesmo que sua ousadia fosse sinônimo de morte.
–Então, você é uma das herdeiras do trono Haruno?
O homem que descia os degraus da escada chamou atenção de todos. Lain sentiu o fôlego parar, pois ver o causador de tanto ódio no coração de Sasuke lhe trouxe à realidade fria.
Sua aparência física era interessante; a primeira coisa que ela notara nele. Mas não conseguia ler seus sentimentos, algo como sentir a raiva, normalmente exposta no rosto de Sasuke, transmitida no rosto dele. Ele parecia um poço de calmaria, quase sendo impossível dizer se ele alguma vez na vida sentiu o gosto arrepiante da dor.
–Sou Lain Haruno. Vejo que o senhor está bem informado sobre minha pessoa.
–Muito -parou de frente para ela e a encarou nos olhos. -O que faz aqui a amante do meu irmão?
–Retiro o que eu disse sobre o senhor está bem informado sobre mim. Eu não sou a amante do seu irmão. O senhor está julgando a mulher errada.
–Soube que você traiu sua irmã antes de ela se tornar escrava de Sasuke. O que tem a dizer sobre isso?
–Não foi traição, apenas me deixei levar por coisas insignificantes.
–Como o quê?
–As promessas do seu irmão. Apesar de pouco tempo ter se passado desde o dia que conheci Sasuke, garanto-lhe que na época eu era somente uma garotinha ingênua.
–E o que te faz pensar que hoje você não continua sendo a mesma garotinha daquela época?Você disse ingênua, não é mesmo?
–Sim. Como bem sabe, vivemos presos em reinos distantes. Conheci Sasuke por acaso, quando passeava entre as fronteiras, mesmo sendo proibido. Ele me fez companhia em um fim de tarde e não paramos de nos encontrar mais. Eu escondi isso da minha irmã e comecei a me aprofundar no mundo dele. Minha irmã mais velha odeia todo tipo de vampiro e daria sua vida em troca para impedir que um humano se relacionasse com um vampiro. Foi o que eu pensei, mas... De repente Sasuke estava envolvido com ela e...
–Foi uma troca, não foi?Ele lhe entregou em liberdade e escravizou sua irmã à ele.
–Certamente.
–Foi justo.
–Não creio que seja dessa forma.
–Por que pensa assim?
–É tolice dizer isso, mas eu tinha muita importância para ele, sendo a única que poderia descobrir o poder que minha irmã guarda.
–Aquela velha história?
–Parece que sim. Bem, acredito que Sasuke a tem por esse único motivo, mas eu não acredito que minha irmã tenha se sacrificado por mim.
–O que está pensando?
–Acho que ela pretende matá-lo cedo ou tarde.
Lain não entendeu a súbita mudança de humor, mas o homem parecia sombrio.
–Matar meu irmão?
–E, quem sabe até, exterminar sua geração.
–Nunca!
Ele berrou alto, assustando-a visivelmente.
–Aquele meu irmão tolo tem se tornado minha maior preocupação desde a morte dos meus pais. Isso graças a Madara, que o incentiva diariamente a me destruir. Agora tem essa paixão esquisita por sua irmã, que o levará até o caminho da morte.
–Não é paixão -disse Lain, despertando Itachi. -Ele quer o poder que ela esconde e matará por ela, viverá por ela até que o tenha.
–Não posso acreditar que meu irmão está dependendo de uma humana? — ele riu.
–Parece engraçado, mas há outra história por trás disso -Itachi parou de sorrir e lhe dedicou total atenção. -Se ele dominar essa lenda, ninguém jamais o vencerá.
–Você está falando a verdade?
–Escute. Sakura é a única que sabe onde essa pedra está. Sasuke quer se tornar invencível...
–E meu tio está manipulando-o!Agora entendo tanto interesse em Sasuke!
–E para proteger a vida dos seus, minha irmã passará por cima de qualquer um.
–E tentará acabar com Sasuke.
–Sim. A única maneira de exterminar essa história, é acabando com a causadora dela: minha irmã.
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–Idiota!
Ela esmurrava o travesseiro com toda a sua força. Quando cansou, foi até a janela e deu um grito muito forte, tanto que afastou vários corvos.
–Se ele continuar com essa grosseiria acabará me matando!
Sakura acariciou o pescoço que ainda doía e sentiu vontade de fazer o mesmo com o Lorde.
–Como ele quer que eu seja insensível com minha irmã?Que culpa tenho se ele vivi em guerra com seu irmão?
Deitou-se na cama e encarou o teto, pensativa.
`Eu juro Sakura que se você ter mais um desabafo desse eu me tornarei um monstro´
–Estou ansiosa para vê-lo sem sua máscara, Sasuke. Só assim saberei quem realmente é você.
–Não esteja tão ansiosa para isso.
Karin a pegou de surpresa.
–Por que você não avisa antes que vai entrar?
–Porque eu odeio portas. E quer saber?Adoro te pegar desprevenida -Sakura suspirou emburrada, Karin sorriu. -Eu ouvi bem, você quer mesmo provocar Sasuke?
–Provocar?
–Se eu fosse você tomava cuidado com certas palavras. Lembre-se que ele está sendo paciente com você.
–Deixar o pescoço de uma pessoa avermelhado não é sinal de paciência.
–Hum. Bem, vim avisar que Sasuke está te esperando no portão da mansão. Pegue tudo o que precisar e esteja pronta em dez minutos.
–Dez minutos?E para onde iremos?
–Se apresse.
Sakura resmungou algo enquanto Karin se retirava. Ela mal notou os minutos passar e quando percebeu, o curto prazo já estava se esgotando. Correu até o closet e pegou algumas roupas, depois sapatos e acessórios.
Ela correu até o carro prata esportivo estacionado. Os cabelos róseos balançavam contra o vento e o balançar dos quadris aumentava a cada passo de desespero. Pouco se importava se faria Sasuke esperar, mas em vez de irritá-lo com a demora, procurou se apressar o mais rápido possível.
Sasuke a observava de dentro do carro. Ela andava até ele com muita pressa, quase atropelando os próprios passos e toda aquela urgência o agradou. Sua Deusa rebelde, como ele a apelidou, corria contra o vento que parecia realçar ainda mais sua beleza.
–Dez minutos, é? -perguntou ela entrando no carro.
–Eu sabia que você chegaria a tempo -o carro saiu em disparada assim que o portão foi aberto.
–Pensei que não iríamos à Tókyo -Sasuke nada disse, então Sakura prosseguiu: -Eu não esperava esse tipo de gentileza da sua parte. Confesso que eu já estava me preparando para passar essa noite no calabouço.
–Então você deve saber também que dessa vez você foi longe demais, não é?
Sakura disfarçou o constrangimento, mas jamais retiraria o que lhe dissera.
–Lain é minha irmã. Crescemos juntas e nos tornamos amigas diante de tantas dificuldades. É fácil para você não se importar com sentimentos, mas comigo não é assim que funciona.
–Sentimentos é sinal de fraqueza. Por mais que você tente provar o contrário, sua insistência me faz crer nisso cada vez mais. Seu sentimento egoísta acabará te desafiando um dia. O que fará se Lain te enfrentar?Duvido que você faça muita coisa para pará-la, pois seu coração não permitirá.
–Você entende disso muito bem, parece compreender cada palavra que eu digo.
Ela esperou o comentário dele, mas Sasuke concentrou-se apenas na estrada. Ela deixou de observá-lo e concentrou-se na floresta escura. Sakura fechou os olhos e encostou a cabeça no vidro, e quando os abriu, um rosto sinistro, do lado de fora, a observava.
Ela desencostou do vidro e foi para trás, tocando o braço de Sasuke bruscamente. O coração disparou e um pressentimento ruim a incomodava.
–Você está bem?
–Sim.
Sasuke olhou para o lugar que ela também olhava, mas nada viu. Despreocupado, o moreno voltou a se concentrar no volante. Sakura virou para trás e tocou sua bolsa; com certeza devia ter algum doce ali para disfarçar sua tensão. Depois de revirar a bolsa e nada encontrar, ela a deixou no mesmo lugar. Quando levantou a cabeça, três rostos a olhava.
–S-sasuke...
Inconscientemente ela apertou o braço dele, amedrontada. O Lorde encostou o carro e parou. Sakura agradeceu mentalmente a atenção dele, mas logo descobriu que o ato não foi exclusivamente para seu bem-estar.
–Não se mexa -pediu ele, aparentemente calmo.
–O que está acontecendo? -perguntou em um sussurro.
–Estão nos seguindo.
–Quem e quantos são?
–Não sei, mas provavelmente estavam nos vigiando há muito tempo.
–O que faremos?
–Me escute -sussurrava. -Eu vou sair do carro e você ficará aqui, com certeza irão me atacar no primeiro momento que eu surgir. Não saia do carro.
–Vão me matar!
–Faça o que eu mandei!
Sakura não o viu mais, somente vultos entre as árvores. Ela escutava impáctos de golpes e gemidos em seguida. Um vampiro pulou na frente do carro e quando tentou tirar Sakura de dentro, sua cabeça separou-se do corpo. O desespero a adominou e o cheiro de sangue junto com um odor jamais sentido começou a tomar seu fôlego. Sakura ligou o carro e saiu em disparada. Ela olhava para trás temendo está sendo seguida e imaginando o momento que alguém pularia sobre ela. Mas a estrada estava escura e solitária, somente os pneus de seu carro se fazia presente.
Depois de vinte minutos de viajem ela parou o carro. Bateu a porta e seguiu pela floresta. Não sabia onde chegaria, mas sentia que poderia fugir.
–Eu preciso fugir! -corria desesperada pela floresta escura, o medo congelando seus ossos.
Uma forte tempestade se aproximava e não demorou muito para as primeiras gotas d'água caírem. O barro a impedia de correr sem que ela caísse. A mulher elegante que caminhava contra o vento já não existia mais, apenas uma garota suja e perdida numa floresta escura.
Sakura parou para respirar e quando achou que poderia continuar correndo, seus cabelos foram segurados com força. Ela gritou de dor e medo.
–Eu disse para você fazer o que eu mandei!
Era ele, o homem que ela deixou para trás sem se importar. Ela não podia ver o rosto dele, mas sabia que ele estava uma fera. Sakura se sentiu segura ao vê-lo, mas não deixou de sentir raiva.
–POR QUE NÃO ME DEIXA EM PAZ?
Ela caiu com o impácto da bofetada. Sasuke a levantou bruscamente e arrastou-a de volta até a estrada. Quando finalmente chegaram até o carro, ele a jogou dentro do veículo e bateu a porta fortemente. Sakura virou o rosto para não encará-lo. O carro partiu novamente e sua única esperança ficara para trás.
Sakura levantou a cabeça devagar, pronta para incomodá-lo como só ela sabia. Mas seu coração guerreiro derreteu-se como larva. Seu vampiro grosseiro estava ferido e a imagem não lhe agradou. A jaqueta preta estava ensanguentada e a pele salpicada de sangue.
–Por que você tem sempre que me rejeitar?
Sakura gelou com a pergunta dele e sentiu que o coração frio daquele ser não parava de acelerar.
–Eu deveria matá-la em vez de salvá-la, mas... -ele apertou o volante com muita força. -Você se tornou um problema e eu não consigo resolvê-lo.
Sakura sentiu uma profunda mágoa esquentar os sentimentos dele e percebeu que Sasuke também possuía um lado inferior a sua raiva e força. Pela primeira vez ela sentia de verdade que estava magoando alguém e esse alguém era justamente o ser que ela julgava não ter coração.
O carro parou em frente a um portão preto e rapidamente dois homens gigantescos apareceram ao lado do carro, como mágica. Sasuke baixou o vidro, mas não olhou o rosto do homem que se inclinou para ouvi-lo.
–Ficamos sabendo do ataque.
–Reuna todos no mesmo lugar de sempre.
–Sim, senhor.
O carro acelerou e só parou para contornar o grande chafaris de frente a enorme residência. Sakura saiu do carro e seguiu Sasuke. A casa era o dobro da outra e o exagero nas mobílias estava presente.
–Bem-vindo, senhor. O quarto da jovem Haruno está pronto.
–Não é mais preciso. Ela ficará em meu quarto.
–Nesse caso, vou agora mesmo...
–Só prepare o banho dela e nada mais.
–Entendido, senhor. Então só vou pedir a comida e...
–Deixe o número do restaurante aí, ela mesma pedirá sua refeição. Reuna os outros para a reunião, mas antes leve essa garota para o quarto e a tranque, depois me traga a chave.
–Sim, senhor. Venha comigo.
Sakura seguiu a mulher sem ter opção. Olhou para trás tentando trocar um único olhar com Sasuke, mas ele havia sumido. A gentil mulher abriu a porta do quarto e deixou que Sakura entrasse e se acomodasse.
–Venha comigo, vou ajudá-la no banho.
–Não é preciso.
–Você está cheia de lama e despenteada.
Depois do banho, Sakura recebeu uma camisola branca acima dos joelhos. A langerie era branca também e lhe caiu muito bem.
–Deixe-me adivinhar: Karin veio aqui e comprou essas coisas para mim, não foi?
–Não senhora, foi o Lorde -a resposta da mulher mortificou Sakura. Jamais pensaria que Sasuke faria uma coisa dessa. -Ele estava muito entusiasmado com sua chegada aqui. Pediu para deixar a casa mais iluminada e reforçar a segurança. Mas...
–Mas o quê?
–Soubemos do ataque e de sua fuga -Sakura envergonhou-se.
–Que reunião é essa? -a mulher exitou a falar algo. Sakura segurou suas mãos dela e sorriu. -Você pode confiar em mim, afinal somos as únicas humanas aqui, acho.
–Sim, somos. Não fale isso para ninguém.
–Tem minha palavra.
–Suspeitam da senhora.
–De mim, mas por quê?
–Foi muita coincidência. O Lorde foi atacado e a senhora fugiu...
–Mas eu agir por impulso!
–Ainda assim, ninguém além de mim e a senhora pensará dessa forma. E parece que sua irmã está com o inimigo do Lorde, o irmão dele, estão achando que ele começou a atacar por meio da senhora e sua irmã.
–Isso é injusto!
–Esse mundo obscuro é imensamente injusto, a senhora não tem ideia do quanto.
–O que Sasuke pensará de mim?
–Ele costuma perder a razão quando o assunto em questão está relacionado ao irmão. Nesse caso, procure ignorar as perguntas dele por hoje e somente amanhã, quando ele estiver um pouco mais calmo, tente conversar.
–Eu preciso esclarecer muitas coisas e...
–Senhora, me escute. Não é hora para vocês conversarem. Agora preciso ir. Me desculpe, mas terei que trancar a porta.
–Sim, vá e tranque a porta, mas entregue a chave nas mãos de Sasuke — ela andou até a janela e observou a chuva cair. -Não sei o porquê, mas... eu desejo muito a atenção dele.
A mulher sorriu e preparou-se para sair, mas lembrou-se de algo então falou:
–Meu nome é Aihara.
O relógio dava doze badaladas. Sakura sentia o corpo pesar de cansaço, mas não conseguiria dormir sem antes falar com Sasuke. De repente a porta foi aberta e ele entrou sem olhá-la. Sasuke entrou no banheiro e fechou a porta, deixando o cheiro de sangue que manchava seu corpo e suas roupas.
–Que ele me estrangule hoje, mas não vou dormir sem antes falar com ele! -ela estava pálida e as mãos trêmulas. -Ah, mas o que deu em mim?Por que eu fugir se podia confiar nele? -ela foi até a janela e passou a encarar o céu nublado. -Ora!Por que tenho que me sentir culpada se sou sua prisioneira?Mas... que tipo de prisão é essa que eu não sou obrigada a fazer nada que eu não queira?
Sakura assustou-se com a presença de Sasuke, que parecia ter chegado sorrateiramente. Ele usava um roupão branco e os cabelos, úmidos, deslizavam por sua testa. O cheiro que se instalou no quarto era muito bom e Sakura fez força para tornar a tensão entre eles menos visível.
–Eu estava lhe esperando...
–Vá dormir.
Sakura não esperava tanta frieza da parte dele, mas já imaginava que ele se comportaria daquela forma.
–Eu agir por impulso. Fiquei com medo do que poderia acontecer e...
–Pára! -pediu ele, grosseiramente. -Você queria fugir de mim e a oprtunidade surgiu quando eu menos esperava, não é?Não se importou com o que poderia acontecer comigo, mas somente com sua fuga!
–S-sasuke...
–Você traiu minha confiança quando eu tentei confiar em você. Eu já deveria saber que pessoas da sua categoria não é confiável.
–Eu disse que quero salvar minha irmã!
–E esse desejo ridículo está por trás de toda essa coincidência?
–Claro que não!
–Não me diga com tanta certeza, pois você é a última pessoa que devo confiar.
–Será que eu posso me defender agora?
–Estou cansado de você e...
Antes que ele pudesse continuar, Sakura o abraçou fortemente. Sasuke não reagiu ao abraço, mas ficou surpreso.
–Eu me senti confusa. Você estava lutando para me defender e eu a um passo de fugir e resolver meus problemas. Mas depois eu me senti culpada, porque meu coração dizia que eu não fiz a coisa certa -ela levantou a cabeça e o encarou. -Me desculpe.
Sasuke sorriu e depois afastou-a de si.
–Estamos só nós dois aqui Sakura, você não precisa fingir.
–Sasuke...
–Saiba que eu prefiro matá-la do que vê-la livre -e saiu.
Sakura estava abalada com a frieza dele e com suas palavras. Pela primeira vez ele a rejeitou e a culpava injustamente. Sakura se sentia acuada, sem ter para onde correr e sinceramente não queria. Ela desejava travar uma batalha com ele, mas de gentileza. Gostaria que ele a escutasse e que fosse gentil e até mesmo sedutor, mas não aguentaria toda aquela indiferença, percebeu.
Continua...
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