Sangue, Amor e Poder
6 Confusa intimidade
Notas iniciais
Beijos!
–NÃO!NÃO!EU NÃO ACEITO!
–Segurem ela!
Ordenou Tsunade, já que Lain não conseguia se controlar. Amarraram-na de forma que ela não conseguisse escapar. A única reação da garota era mexer a cabeça e gritar de raiva, isso Tsunade deixou que ela fizesse.
–Por que está me prendendo?
–Porque você não consegue se controlar!
–Como vou me controlar, sua velha rameira?
–Cuidado com o que você fala Lain, eu posso ser muito má devido os seus modos.
–Vá para o inferno!Bruxa maldita!Eu já deveria saber que todos estão contra mim!
–Depois de tudo o que fizemos por você?E saiba sua pirralha mimada, que Sakura está se doando por causa de seu capricho!-Lain espumou de raiva ao ouvir o nome da irmã. -Para te proteger, Sakura ficou no seu lugar. Aquele homem ia te matar cedo ou tarde, era só questão de tempo.
–Mentira!Mentira!Ele me ama!
–Ele não te ama e nunca será capaz de amar alguém!
–Me ama sim!-depois do berro, que quase tirou o pingo de paciência de Tsunade, Lain refletia. -Inveja... sim, Sakura sentiu inveja de mim.
–Como você é ingênua, menina. Se eu sentisse inveja de você, seria por ter uma irmã que sacrifica sua alma para te salvar. Sakura é tão jovem, tão forte, tão espirituosa, tão bela... Sabe Deus o que está passando nas mãos daquele 'ser' -ela andou até a janela e respirou pesadamente. -Será que aquela crueldade irá se repetir novamente? -perguntou-se, esquecendo-se de Lain que a observava. -Sua mãe era tão feliz, mas... Se pelo menos eu... -ela suspirou pesadamente, depois se virou para a garota e disse: -Você deveria ter respeito por seu clã.
–Sakura está me traindo e abertamente. E não, Sasuke nunca me mataria. Se fosse verdade, Sakura não ia até ele.
–Eu odeio admitir isso Lain, mas o homem que você tenta de todas as formas conquistar, se interessou por sua irmã na noite do baile. Você foi atrás dele como um animal faminto e sua fome de concupiscência fez o homem que você tanto admira armar a rede para pegar Sakura -Lain deixou as lágrimas rolar pelo rosto e não se atreveu a olhar para Tsunade. -Enquanto planejávamos seu resgate, ele planejava o resgate de Sakura; sabendo que ela faria qualquer coisa por você, lançou a oferta de te devolver e ficar com sua irmã em troca.
–Claro que ela aceitou, não é?Era seu plano... -Tsunade balançou a cabeça negativamente, era inútil tentar fazê-la entender o que aconteceu naquela noite. -Isso não vai ficar assim. Eu juro que vou tirá-la de lá, mas não é por sentimentos bobos e tolos de solidariedade; será, unicamente, para destruí-la!
–Se você tem esse tipo de plano em mente não é bem-vinda aqui, Lain. Isso equivale a traição e você deve saber que o castigo é a morte ou o banimento.
–Ninguém vai me expulsar da minha casa!
–Vai sim. Você escolhe: Se ficar, terá que ser obediente -dizendo isso, Tsunade se retirou.
Lain se controlou, mesmo sentindo o sangue em suas veias correr em grande fluxo. Estava sozinha ali e sabia que todos já desconfiava da traição dela. Para a fortaleza de Sasuke não podia ir, pois Sakura estava lá e, além disso, ele não suportaria um escândalo entre elas. Tudo estava muito caótico para ela e já havia decidido que não ficaria no reino Haruno. Mas então, pensava, para onde irei?
–Sim, ainda tem esperança! -sorriu, apertando os punhos com você. -O irmão de Sasuke... Ele o odeia e parece-me que Itachi ainda nutri algum tipo de respeito pelo irmão mais novo. Pense Lain! -seu corpo suava de excitação, pelo simples fato de acabar com aquele presente. -E se eu for até Itachi e... dizer coisas horríveis a respeito de Sakura?Eu posso dizer que é um plano para acabar com Sasuke. Claro, imediatamente Itachi passaria a odiá-la, quem sabe até tentará matá-la. Mas Sasuke está persuadido, no momento minha irmãzinha está conseguindo fisgá-lo. É óbvio que ele irá travar uma batalha com Itachi e eu não posso estar entre eles, mas do lado de Sasuke. Eu preciso descobrir um ponto fraco em cada um deles e, acima de qualquer decisão, preciso ter um aliado. Mas quem?Quem me ajudará?
*x*x*xx*x*x*x*x*
–Soube que a garota está aqui. Isso é verdade?
–Sim, tio.
Sasuke odiava ser interrogado pelo tio e ele sabia desse grande detalhe. Até podia entender o interesse do tio nele, mas isso fora há tempos atrás. Agora ele não tinha cabeça para pensar em poder ou dar atenção às exigências de Madara; seu maior objetivo no momento era Sakura.
–Já sabe onde ela guarda a pedra?
Sasuke nada ouviu. Seus pensamentos estavam voltados para o calabouço e, sentimentos que nunca se despertaram nele, ficaram presos com ela naquela cela. Não podia deixar de pensar que sua Deusa rebelde estava presa num lugar frio e fedido, quando poderia estar desfrutando do quarto que ele já considerava dela.
–Sasuke?
–Sim?
–Estou falando com você.
–Desculpe. O que você perguntou?
–Se...
E o corpo sedoso e macio em seus braços?Como conseguira carregá-la nos braços e manter sua máscara de frieza?Se existia um Deus no céu, ele fora testumanha de que seu coração batia atiçado de desejo. Parecia que um vulcão interno crescia dentro dele e, toda vez que estava perto dela, ele queria explodir em chamas faíscantes.
–Você me escutou, Sasuke?
Perguntou Madara já exasperado. Parecia um bobo ali, conversando com alguém que mal notava sua presença.
–Sim, tio.
–E então, sabe onde está a pedra?
–Não.
–Mas como se...
E aquela coragem anormal?Será que ela não percebia que ele seria capaz de arrebentá-la somente com um pouco de força?Sim, ela percebia, mas fazia de propósito. Agora se dava conta que Sakura não fora atrás dele por vaidade, por menor que fosse sua inclinação para conhecer os atributos de um vampiro; estava ali como uma líder, dando seu sangue em troca de uma alma. Ela era uma garota estranhamente admirável que, apesar de não ser o tipo de mulher que lhe agradava, admitia que estava encantado com toda aquela bravura primordial.
–Você concorda com isso?
–Sim, concordo.
–Mesmo, é?Porque acabei de perguntar se você está se apaixonando por ela.
Sasuke arregalou os olhos rapidamente, não teve como disfarçar o embaraço. Parecia um idiota, pensou. Ele suspirou e tomou postura.
–Estou desatento, desculpa. O que quer saber?
–Quero vê-la e interrogá-la. E se ela não me for útil, vou matá-la em seguida.
–Nunca mais, repita uma besteira dessa.
Sasuke levantou-se do seu trono e, com longos passos, caminhou até o tio.
–Não admito que ninguém a trate com intimidade além de mim. Quem é você para dizer que vai matá-la? -Sasuke se descontrolava, e mal percebia seu disparate. -Você acha que eu a atrair até aqui unicamente por seus interesses?Não. Eu vou fazer o que eu achar melhor e pouco me importa no momento se ela têm as respostas para todas as nossas perguntas.
–Você...
–Esse, é meu reino!Sakura é minha súdita e eu não a obriguei a vir até mim. Eu tenho direitos sobre ela, assim como o senhor têm direitos sobre seu povo. Quando eu achar que é hora de desvendar esse enígma, exigirei que ela me conte o que sabe. Por enquanto, não quero ser perturbado.
Madara desejou cair sobre a garganta de Sasuke e deixar seu sangue escorrer até a última gota. Ele não podia admitir aquilo, era um insulto!Mas não podia enfrentá-lo de frente, sabia, esse era o motivo para querer tanto esse poder misterioso. Sendo invensível, ninguém poderia detê-lo.
–Até mais, meu sobrinho querido.
Sasuke viu o tio desaparecer e suspirou angustiado. O que seria de Sakura agora em diante?E o que seria dele ao lado dela?Muitos inimigos iriam aparecer, já podia prever isso. Com Sakura ali, seria o mesmo que ele ganhar a guerra oculta há anos. Todos pensariam no poder legendário e que ele provavelmente tem agora. Tinha que tomar cuidado, muito cuidado, principalmente com seu tio.
Ele sentia uma enorme vontade e obrigação de proteger Sakura; era como se sentisse que algo de ruim estar para acontecer com ela. E foi pensando nessas ameaças que sumiu dali.
Sasuke apareceu dentro do calabouço de muros altíssimos e, andando em passos devagar e sobrecarregados, ouvia muitos prisioneiros soltarem gemidos guturais. O frio era cortante, poucos sobreviviam a seus merecidos castigos. Ele parou de frente a cela onde estava Sakura, rápido e objetivo atravessou as grades de aço. Ela ainda estava encolhida no chão, com os joelhos abraçados com seus braços. Sakura levantou a cabeça, devagar, e o encarou rapidamente. Sasuke percebeu que ela tremia desesperadamente e mal conseguia raciocinar. Ele tirou sua longa e pesada capa preta e levantou-a para lhe cobrir o corpo pálido. Ela deixou-se ser dominada, pois firmesa alguma sentia nas pernas; seu corpo parecia está congelado. Sakura inconscientemente abraçou o pescoço dele com seus braços e colou seu rosto ao dele, deixando seus lábios frios tocarem a pele de aço do Lorde.
Sasuke fechou os olhos devido o êxtase da sensação do corpo frio dela tocando o seu. O corpo dela estava frio como o dele; tão macio, tão perfumado e vunerável. De repente, estavam no quarto e Sakura sentiu a sensação calorosa do aconchego. Sasuke a deitou na cama e tinha intenção de deixá-la descansar, mas para sua surpresa Sakura não o largou. Ela mantinha os braços presos ao pescoço dele, dificultando qualquer tipo de raciocínio sóbrio no Lorde. Ele deixou-se dominar e, perdidamente embriagado, deitou seu corpo sobre o dela e distribuíu diversos beijos nela. Sakura não correspondia, estava absurdamente cansada e artúdida. Quando as mãos dele começaram a deslizar pelo pescoço dela, ele parou com as carícias. Se começasse a tocá-la daquela forma tão íntima, jamais poderia parar e não queria invadí-la daquela maneira.
Ele saiu do quarto e ordenou que as criadas dessem um banho quente nela e a vestissem em seguida. Ele esperou pelas criadas do lado de fora do quarto, nos seus aposentos, e quando elas apareceram começaram a dizer que a 'senhora' estava de banho tomado, muito bem vestida e já estava dormindo profundamente. Sasuke dispensou-as, mas antes, ordenou que, assim que Sakura acordasse, levassem para ela um café da manhã reforçado. Ele nada entendia o que significava um café da manhã reforçado, mas elas eram humanas e saberiam seguir suas ordens.
*x*x*x*x*x*x*x*x*x*
Sakura abriu os olhos com as badaladas do relógio. O quarto estava escuro, como toda a mansão. Ela ligou a abajur e deduziu que o sol ainda estava para nascer. Doce engano, pois o relógio marcava duas horas da tarde, o que a assustou. Como pôde dormir tanto e como fora parar ali?Sim, ainda podia lembrar dele, segurando-a firmemente antes de sumir com ela nos braços. Também lembrava das criadas lavando seu corpo e vestindo-a em seguida.
Ela foi até a janela e abriu a persiana. A claridade do dia a cegou por alguns instantes. De repente duas mulheres adentraram o quarto trazendo uma bandeja, repleta de coisas nutritivas.
–Seu café, senhora.
–Meu café?E o que tem aí? -perguntou, desconfiada.
–Nada demais. Apenas dois pedaços de bolo, torradas, geléia e chá -a mulher sorriu, Sakura nada disse. -Estou muito feliz por voltar a cozinhar. Aqui só fazíamos reserva de sangue e...
–Por favor, não fale essas coisas pela manhã -pediu gentilmente.
–Venha, sente-se -pediu a outra escrava. -Vou avisar o patrão que a senhora acordou -dizendo isso, saiu.
Sakura estava morta de fome e o que via à sua espera alegremente lhe atraiu. Ela se serviu com um pouco de chá e um pedaço de bolo. Comia com muita paciência, parecia que a comida não lhe fazia falta.
–Está sem fome?
–Não, estou faminta. Só me sinto um pouco desanimada -ela reparou melhor na mulher e recordou-se dela. -Seu nome é Yoko, não é?Você era esposa do caçador. O que faz aqui?
–Eu...
–Desculpe, não precisa me dizer nada. Sei muito bem que nosso povo é capturado como se fossem animais. Infelizmente seu marido sumiu, dias depois do seu rápto.
–Mas quem disse que eu fui capturada?
Sakura esqueceu os alimentos para lhe dedicar atenção.
–Como disse?
–Cheguei aqui desesperada e pedir ao Lorde que tivesse piedade do meu marido, pois ele ia morrer com meu sumiço. Então eu... eu vi meu marido entrar, voando sem tocar um só dedo no chão. Ele pagou sua transformação com minha escravidão -Sakura deixou a xícara cair e se quebrar. -Eu sofri muito no começo, fui dada como escrava a... vários...
–Não... -as lágrimas caíram sem que ela pudesse controlar. -Como ele pode se aproveitar de pessoas indefesas?
–Senhora, eu não tenho motivos para defender o Uchiha, mas ele nunca tocou um só dedo em mim. Ele atrae presas de seu interesse, mas garanto que todas que passaram aqui jamais foram forçadas a ficar ou ser...
–A ficar?Elas ficam por aqui?
–Sim. A maioria são mordidas e mortas ou transformadas, mas poucas sobrevivem. Outras, como é meu caso, sou encarregada de fazer limpeza e... estar disponível sexualmente.
Ela não se envergonhou ao fazer tal revelação, os anos ali haviam endurecido seus sentimentos.
–Estou perplexa.
–E isso não é tudo. Senhora, há muita gente falsa entre vocês. Homens que vendem suas filhas virgens em troca de poder e fortunas, entregando-as às trevas. E outras que...
–Por favor, pare.
Ela não conseguiu ouvir mais nada, as coisas pareciam desconexa à sua realidade.
–Sabe como eu saio daqui?
–Sinceramente, isso é impossível -Sakura deixou a tristeza lhe dominar. -E se conseguir, sofreremos as consequências. Eu acredito que só a senhora poderá nos libertar.
–Como farei isso?
A mulher exitou, mas precisava seguir com o diálogo.
–Sendo o tipo de mulher que ele deseja -Sakura ficou ereta, parecia indignada. -Ele nunca tratou alguém assim, todos estão comentando isso, e a senhora pode tirar proveito dessa atenção.
–Não, não vou fazer isso, por mais triste que seja essa situação.Eu o detesto, sinto vontade de destruir esse lugar com ele dentro. Jamais serei sua amante, isso está fora de questão.
–Ele acabará perdendo a paciência com a senhora. Não será melhor fazer o que ele pede do que sofrer certas violências?
–Se isso acontecer, eu me mato.
–Senhora...
A porta fora aberta e Sasuke entrou. A escrava retirou-se do quarto, sentia as pernas trêmulas toda vez que o via. Sakura baixou a cabeça e voltou a se alimentar. Ela apertava a xícara com muita força, tentando agir tranquilamente. O chá já estava frio e a apetite havia sumido.
–Dormiu bem?
Sakura assustou-se com a pergunta dele, mas deu de ombros.
–Como uma pedra.
Sasuke aproximou-se dela, sem desviar o olhar. Mas Sakura parecia ter nojo dele e esse sentimento lhe tirou a paz. Incomodado com a luz do dia, ele fechou a persiana e somente a luz fraca da abajur reinou no quarto fechado.
–Por que não me agradece em vez de me olhar com essa cara de nojo?
Perguntou ele, extremamente incomodado com o olhar de desdém da garota.
–E eu vou te agradecer por quê? -provocou.
–Por eu ter sentido pena de você e olha que eu nunca tive esse tipo de sentimento.
–Não vou agradecer por nada. Você fez mais que sua obrigação. E ainda me deve desculpas!
–E por quê?
–Por ter me violentado daquela forma!
–Vejo que pouco conhece sobre esse ato, não é?
–Estou falando da minha nudez involuntária, da agressão mental que você me provocou!
–Duvido muito que você sofra de alguma agressão mental.
–E seus atos não contam? -falou ela, ficando de pé para enfrentá-lo. -Desde que eu cheguei aqui tenho sido insultada. E ontem quase morri naquele lugar frio e sujo.
–Eu não a deixei lá para ser tratada como uma rainha -corrigiu.
–Sim, foi um castigo. Um ato desesperado de dominar meu ser. Acha mesmo que eu vou cair aos seus pés?
–Eu não quero que você seja bajuladora e pegajosa, eu quero que você entenda que seu futuro está em minhas mãos. É minha escrava, me pertence agora e...
–Nunca!
–É, e você sabe disso! -gritou ele, perdendo o controle. -Não tenho que me sentir culpado por nada!Você não é mais uma pessoa livre e obedecerá como todos aqui!E ponha de uma vez por toda em sua cabeça que eu não vou descansar enquanto não vê-la vulnerável. E se eu não a toquei ainda não é por consideração, pois você não tem nenhuma comigo, é por capricho. Você será minha sim, mas não vou obrigá-la a nada, virá até mim dócil e disponível!
Sakura ficou tão furiosa que lhe custou raciocinar. Mas assim que conseguiu achar um pouco de sanidade, falou:
–Capricho... O Lorde gosta de brincar com as mulheres, não é? -Sakura sorriu. -Pois saiba que você está fazendo papel de bobo. E se procura pureza em mim certamente achará, pois eu nunca me deitei com vampiro algum nessa vida. Entretanto, amei desesperadamente um homem que possui um bom coração e me tornei sua amante.
Sakura sorriu vitoriosa, achando que Sasuke sofreria uma grande decepção. Mas ele inclinou a cabeça para trás e começou a rir. Sakura nada entendeu e perdeu seu sorriso sem que percebesse.
–É uma tola.
Sasuke se aproximou dela. Sakura não reagiu a aproximação, mas não pôde conter um fraco gemido quando o nariz dele tocou a pele sensível de seu pescoço. Ele cheirava a pele dela com uma excitação excruciante. Sakura fechou os olhos e começou a se entregar, parecia adivinhar que um beijo viria. Sasuke passou a mão pela nuca e mergulhou os dedos nos cabelos dela. Seus lábios cobriram os dela e ambos se tornaram prisioneiros do mesmo desejo. Quando o beijo terminou, Sasuke exibiu um sorriso arrogante e disse:
–Sim Sakura, você tem um amante... -ela afastou-se dele, dando-lhe as costas para não encará-lo. -Eu sinto o cheiro do seu corpo, do seu sangue e ambos falam comigo -aproximou-se dela e disse: -Eles sabem que só haverá um homem em sua vida e ele sou eu.
Sakura suspirou exasperada. Pelo jeito mentiras não funcionavam com ele. Na verdade aquele homem parecia ser inatigível, mas só parecia, porque ela sabia e sentia que ele perdia o controle toda vez que estavam íntimos. Então ela pensou na conversa que tivera com a escrava e compreendeu o verdadeiro alerta dela. Mas será que conseguiria ser uma vadia?Não, não seria possível. Ele podia roubar tudo dela, menos a sua dignidade.
–Vai permitir que eu morra, não é?
–Você não vai se matar, porque não terá motivos para isso. Mesmo que não me ame, Sakura, saberá gostar de mim um dia.
Ela virou-se para ele, desejando interrogar seus objetivos.
–E você, saberá gostar de mim também?
Ambos se encaravam, pareciam expôr sentimentos que não sabiam ter. Sasuke estava destreinado de momentos como aquele, então resolveu sumir e deixá-la sozinha.
Sakura voltou a deitar e abraçou o travesseiro. Sentia uma grande confusão brotar nela, como se estivesse satisfeita. O que havia de anormal naquele homem?Por que ele conseguia acalmá-la com gestos simples, com palavras ternas?
Sakura sorriu ao lembrar da forma áspera dele ao lhe cobrar agradecimentos e ela tinha se recusado a admitir isso. Devia sim agradecê-lo, afinal ele fora buscá-la em curto prazo de castigo. Ela compreendia a posição dele como governante e a dela como escrava. Não era injusto da parte dele lhe cobrar tantas coisas, ela o aceitou como dono e devia ter isso sempre em mente. Se quisesse já a teria forçado a ceder seus caprichos, mas não fazia. Estava tentando conquistá-la e realmente achava que conseguiria fazer isso. Aquilo a atraía, sua postura dígna de macho, mas ela não se deixava levar tanto assim, pois seu coração nunca seria dele... nunca.
–Vejo que está feliz hoje, não é?
Disse Karin, com o rosto enojado por causa das flores que trazia.
–Flores?
–É para o seu banho. A criada disse que você gosta de pétalas de rosas no banho.
Sakura concordou, mas não lembrava de ter pedido nenhuma rosa.
–Tive que me comportar e comprar essas flores. Elas têm um cheiro péssimo, bem parecido com remédio. Bem, pra mim flores e mato são as mesmas coisas.
Sakura sorriu sem ser percebida, estava começando a gostar do mal humor de Karin.
–Rápido, Karin!
Gritou uma voz do lado de fora do quarto.
–Não grite, Suigetsu!
–É seu amigo? -perguntou Sakura.
–É uma cruz que carrego há muito tempo e que não tem vergonha na cara de incomodar tanto.
Assim que Karin saiu, Sakura trocou de roupa e saiu do quarto. Ela andava num corredor escuro, tendo apenas a luz do dia invadir as janelas de vidro. Sakura desceu a escada e chegou num salão gigantesco. Lembrava-se dele, fora ali que ela se tornou súdita dele. Ela andou até a cedeira de ouro e metal e visualizou o amplo salão.
Ouviu rosnados guturais se aproximar dela e duas criaturas enormes saíram da escuridão. Eram cachorros, enormes por sinal e exibiam ameaças em seus olhos. Sakura não se mexeu, sabia se defender caso fosse atacada. Um deles avançou sobre ela, mas Sakura saltou e afastou-se dele, deixando o inimigo bater com tudo contra a parede. Assim que ela apoiou os pés no chão, o outro avançou. Sakura saltou novamente e caiu de pé nas costas do cão feroz. Ele reduziu a velocidade, tentando farejá-la, de repente o animal desabou no chão, devido o golpe no pescoço que levou da rosada.
Ela levou as mãos ao rosto quando as luzes se acenderam e várias pessoas surgiram, entre elas estava Sasuke.
–Eu disse que nossos animais não estão preparados -resmungou uma loira.
–Você é insuportável, Temari.
–Concorde comigo, Sasuke, e desanime Gaara de vez.
–Vamos fazer mais um experimento -disse Sasuke, observando Sakura que o observava também. -Levem os cães.
Sakura não precisou esperar que todos saíssem para sair dali também. Sem olhar para trás ela voltou para o quarto, mas parou subitamente ao deparar-se com Sasuke.
–Tempos atrás eu era a mulher que você quer conquistar, agora sou a mulher perfeita para descobrir os pontos fracos dos seus montros?
–Você é a melhor pessoa para fazer isso.
–Claro, assim irão apefeiçoar as habilidades deles e irão jogá-los em cima do meu povo, não é?
–Assim evitaremos que alguém tente entrar aqui. E a propósito, você fica linda quando está lutando.
–Argh!
Ela resmungou alto e entrou no quarto. Sasuke balançou a cabeça e sorriu.
Continua...
Fale com o autor