Notas iniciais
Capítulo dedicado à klotus!
Obrigada pela recomendação, linda!
Beijos!

Uma Semana depois...



Lain estava pronta.

Levava apenas uma mochila e a esperança de poder mudar sua vida. Não sabia o que podia acontecer com ela no caminho, mas não podia ser tão ruim quanto a ferida aberta que corroe seu coração. Tsunade não a impediu, tão pouco exigiu explicação. Ela sentia que havia uma dor ali, alojada nos sentimentos da moça. O peso da traição carregava os passos e o objetivo de Lain; ela realmente pensava que a irmã fora traçoeira com ela. Estava enganada, iludida como uma criança e suas próprias decisões precipitadas a levariam até a realidade.

Ela observou a casa dos pais pela última vez e quando seus dedos tocaram o aço frio do portão, Tsunade a impediu.


–O que faz aqui?


–Eu disse que não ia te impedir Lain e não farei, mas posso e vou te aconselhar pela última vez.


–É inútil vir até aqui se lamuriar. Por Deus!Será que você não tem um pingo de descência nessa cara?Quem quer enganar? -disparou Lain com desprezo. -Não precisa fingir que se importar comigo.


–Falar com você é o mesmo que tentar convencer um burro que ele não é burro!Você nunca entende!


–Eu tenho mais o que fazer -deu as costas para ele, mas parou e virou-se para olhá-la. -Ah!Eu voltarei para cá mais cedo do que você pensa.


–Então morrerá nas fronteiras, tenha isso em mente.


–Mesmo, é?Se eu fosse você não pensaria assim.


Lain sorriu alto, gozando em pensamentos da felicidade que sentia. Sem mais olhar para trás, ela partiu. Tsunade deu um longo suspiro antes de fechar o portão. Ela se perguntava como Sakura reagiria a essa notícia e se um dia ela saberia.



*x*x*x*x*x*x*x*x*



Aquele fora mais um dia inútil para ela. Sua vida se resumia no quarto e nada além disso. Foi pensando dessa forma que ela descobriu que Sasuke era seu único entretenimento. O moreno a visitava todos os dias e, com sua habitual expressão, explorava os lábios dela. Parecia que ela não reagia mais aquele contato físico, de repente rececebê-lo e ser beijada passou a ser a coisa mais real naquele lugar e ela não reclamava disso. Gostava da maneira de ser abordada por ele, era como se ele quisesse muito o contato com ela, mas não havia desespero naquela exigência corporal. Compreendiam que havia uma grande barreira entre eles, mas isso mudava quando estavam perto um do outro.

Sakura desceu até o salão e surpreendeu-se ao encontrar Sasuke no trono. Ela queria mesmo procurá-lo, mas não achava que seria fácil encontrá-lo. No entanto ele estava ali e parecia preocupado.


–Estou atrapalhando?


–Não se você não demorar muito aqui.


Respondeu exasperado, surpreendendo Sakura.


–É melhor eu sair daqui, você já está desagradável antes mesmo de conversarmos.


–Diga o que você quer -exigiu, encarando-a.


–Quero sair do quarto. Me sinto sufocada lá e...


–Você tem explorado a mansão, não é?


–É a mesma coisa!Quero sair e ver a luz do dia!Quero agir como uma pessoa normal e ...


–Isso está fora de cogitação.


–Mas não é justo! -gritou Sakura. -Eu não sou como vocês!Além do mais você tem me visitado todos os dias e eu me comportei.


–Sua doçura é interesseira, Sakura.


–Como pode dizer isso?


–Sei que você corresponde os meus beijos por obrigação e imagina que eu amolecerei meu coração frio com seus agrados.


–Você não entende nada, não é?


–O que?Vai me dizer que agora eu passei a ser um homem atraente para você?


–Não se faça de bobo, a pergunta não é essa. Você é um homem atraente, não tem por que eu menti. Mas os beijos...


–Começaram a te excitar, não foi?


Sakura corou visivelmente. Ela não sabia o que dizer, mas Sasuke sabia como sorrir e provocá-la.


–Como você é grosso!


Ela preparou-se para sair, mas ele a impediu segurando sua cintura.


–Vejamos... Há outras maneiras de estarmos excitados, não necessariamente na concupiscência -ele voou com ela nos braços e para a surpresa de Sakura, Sasuke ficou de pé na parede, servindo de cama para Sakura que se inclinou no corpo dele. -O modo de tê-la em meus braços me excita profundamente. Agora sou seu único apoio, você precisa de mim para continuar em segurança aqui em cima. Diga-me, não é excitante pensar assim?


–Você quer meu ponto de vista ou apenas que eu concorde com você?


Ele deu meio sorriso, exibindo seus dentes brancos e perfeitos.


–Onde aprendeu a ser tão irritante assim?


–Sou mesmo irritante?


–Isso não foi uma pergunta sábia -ainda assim Sakura esperava uma resposta. -Quer mesmo que eu responda?


–Não é preciso, afinal você deve conhecer essa palavra tão bem quanto eu.


–Me acha irritante?


–Quer mesmo que eu responda?


Ele sorriu e Sakura foi obrigada a se render. Um clima agradável se instalava entre eles e ambos perceberam que está tão próximos não era ruim.


–Sasuke... -ele surpreendeu-se ao ouvir seu nome ser pronunciado daquela forma tão doce e segura. -Escute, esse lugar não me agrada nenhum pouco e se eu pudesse ir embora agora eu não pensaria duas vezes. Mas não sei por quanto tempo viverei aqui, e agora entendo que posso suportar isso de alguma forma. Então, eu lhe peço que não torne essa experiência em um tormento e me deixe viver como uma pessoa normal. Não preciso estar trancada, pois todo esse lugar tranformou-se em um calabouço.


Sasuke nada disse, mas ela esperou, corajosamente, a palavra dele.


–É a única maneira que eu tenho para confiar em você.


–Não, está errado.


–Não Sakura, eu não estou -ele respirou e passou a olhá-la nos olhos. -Você acabou de dizer que se pudesse sairia daqui e eu não duvido que você faria isso.


–Mas... não é um desejo normal para um prisioneiro?


–Você não é um presioneiro.


–Sou, você sabe disso. Estou apenas numa cela de conforto, essa é a diferença.


Ambos calaram-se por longos segundos, até ele falar:


–Esteja pronta até às sete da noite. Vamos visitar Tókyo.


–Está brincando comigo?


Perguntou enquanto seus pés tocavam o chão.


–Eu nunca brinco com as pessoas –Sakura nada disse, apenas correu para se aprontar, mas ele segurou a mão dela gentilmente, impedindo-a de sair. -Não me desaponte.


Ele a soltou e ela mal deu importância as palavras dele, que mais soaram como um alerta. Sasuke ficou pensativo, imaginando se era certo confiar tanto nela. Mas não havia com o que se preocupar, dentro de sua fortaleza ou fora dela Sakura não poderia fugir.


Sakura não sabia o que levar e o tempo que passariam em Tókyo, então resolveu que levaria apenas uma mochila e algumas roupas. Toda aquela confusão a excitava, parecia que a adrenalina estava prestes a pegá-la. Suas idas à Tókyo eram sempre discretas, em sociedade... mas indo com Sasuke as coisas pareciam ser mais agitadas, empolgantes e, quem sabe até, inesquecível.


–Ora, você está mesmo empolgada, não é?


Perguntou Karin.


–Por que você nunca se pronuncia antes de entrar? -continuou arrumando as roupas.


–Pelo menos eu entro pela porta e não pelas paredes. Está muito tranquila ultimamente. Soube que você está mais mansa.


–Talvez essa não seja a palavra certa para mim. Digamos que estou mais... discreta.


–Suponho que você não está se esforçando para está assim, mas está aprendendo a conviver com ele.


Sakura parou o que fazia, mas nada respondeu. Karin sorriu e balançou a cabeça dizendo:


–Eu sabia. Era só questão de tempo para você se apaixonar por Sasuke.


–Claro que não!Meus sentimentos por ele não mudaram e não mudarão. Admito que ele está se esforçando para ser gentil e eu me esforçando para ser dócil; é recíproco. Mas não passa disso, que fique bem claro.


–Você sempre foi assim?


–Assim como?


–Desse tipo de garota que se preocupa demais, que vivi pensando no que pode ou não acontecer?


–Eu não entendo você, Karin. Que tipo de mulher ajuda a outra a conquistar o homem que ela mesma ama?


–Você não entende -Karin foi até a janela e observou o pôr-do-sol. -Sasuke carrega um fardo dentro dele, acho que todos os vampiros carregam ao passar dos anos. Chegamos a um ponto em nossa vida que nada parece fazer sentido. Quando eu finalmente percebi isso, quis dar um novo sentido a minha vida e a vida de Sasuke. Mas nada dá certo quando há pouco interesse, então eu percebi que somente eu era a única interessada a adotar outro estilo de vida.


–Eu não o amo, então...


–Ainda assim ele tem mudado por sua causa. Você está dando sentido a vida dele.


–Mas...


–Estou definitivamente saindo do seu caminho -confessou ela salientando sua segurança. Sakura só conseguiu abrir a boca e esperar que ela continuasse. -Acho que eu nunca estive entre vocês, mas não quero que reste dúvidas sobre isso.


A ruiva saiu sem dizer mais nada, parecia que um grande peso havia saido de suas costas. Sakura ficou por instantes pensando nas palavras de Karin, mas decidiu esquecê–las, não fazia sentido refleti-las.


–Senhora?


–Entre, Yoko.


–O patrão pediu para apressá-la.


–Sim, já comecei a organizar minhas coisas.


Yoko não disfarçava sua perturbação, algo a incomodava. Sakura notara que ela estava angustiada e resolveu abordá-la.


–Você parece está preocupada.


–Desculpe, não é nada demais.


–Como não? -olhou a saia do vestido ser amassado pelas mãos da mulher e não teve dúvida, ela estava realmente aflita. -O que houve?


–Ai, senhora!Eu não devo preocupá-la agora, justamente quando o patrão está de bom humor.


–Yoko, não sairá daqui enquanto não...


–Sua irmã fugiu da mansão!


Disse Yoko sem mais rodeios.


–Fugiu?Ela está vindo para cá?


–Não, antes fosse, pois pelo menos a senhora está aqui. Dizem que ela foi procurar Itachi Uchiha.


Sakura caiu sentada sobre a cama. Não imaginava ter notícias ruins de Lain, pois jurava que a irmã estava protegida. Mas o que pensar agora?O que faria para tirar a irmã da casa de Itachi, irmão e inimigo de Sasuke?


–Meus Deus!O que eu vou fazer?Minha irmã está em perigo!


–Se eu fosse a senhora deixava as coisas como estão.


–Eu não posso fazer isso. Ela é minha irmã mais nova, é meu dever protegê-la!


–Foi pensando assim que a senhora veio parar aqui. E dessa vez, que acordo haverá?Sasuke jamais permitirá que a senhora entre em contato com o irmão. Ele o odeia e esse ódio é capaz de transformá-lo num monstro.


–Eu não posso me preocupar com Sasuke agora, mas com Lain.


–Ah, meu Deus!Eu não deveria ter dito isso a senhora. Se o Lorde descobrir me matará.


–Yoko, não se preocupe, ele não vai saber que foi você. Agora saia daqui depressa, não quero que ninguém a veja.


Yoko saiu em disparada para fora do quarto, quase cambaleando. Sua atitude de alertar sua senhora foi fiel, mas negligente. Ela tinha medo do que Sakura poderia fazer e como Sasuke reagiria.


–Vou conversar com ele seriamente e pensar na melhor maneira de tirar Lain de lá.


Sakura resolveu ficar no quarto e esperar por Sasuke. Quando o relógio badalou sete vezes, Sasuke apareceu no quarto.


–Está pronta?


–Ainda não.


Respondeu calmamente, mas somente ela percebia o quanto estava nervosa.


–Sasuke... precisamos conversar seriamente.


–Algum problema?


Sakura exitou, mas decidiu continuar, então falou:


–Minha irmã fugiu de casa e... Lain foi procurar seu irmão.


–Que?


–Não me pergunte como, mas fiquei sabendo...


–Isso não é da nossa conta -respondeu ele para o desespero de Sakura. -Esqueça essa gente, já lhe pedir isso antes.


–Ela é minha irmã.


–É só um laço familiar bobo, que Lain não está interessada a ter. Agora vamos, já perdemos tempo demais.


–Eu não vou.


Sasuke parou e Sakura não mexeu um só músculo. O Lorde virou-se para observá-la e encontrou Sakura rígida, como se estivesse preparada para uma batalha.


–Pegue suas coisas.


–Eu não vou.


Ela repetiu novamente, com mais determinação que antes. Sasuke enfiou as mãos nos bolsos e andou em círculo em volta de Sakura.


–Você quer mesmo testar meus limites, não é?


–Isso não é um teste. Não posso me acovardar na sua presença, agora mais que nunca. Lain precisa de mim e eu tenho que socorrê-la.


–Esqueça essa sua irmã egoísta e desmiolada!Se ela escolheu viver com Itachi ninguém deve contrariá-la.


–Você é a última pessoa que pode acusar outra de ser egoísta.


–Pare! -berrou Sasuke, já exasperado. -Não permito que você toque mais nesse assunto, entendeu?


–Diga o que quiser Sasuke, mas eu quebrarei suas regras. Vou salvar Lain nem que isso custe minha vida!


Foi muito de repente, involuntário; Sasuke já a segurava pelo pescoço. Sakura se debatia, mas parecia está deixando o Lord furioso.


'Ele se transforma em um monstro...'



Sakura pensava nisso, mas não se intimidava. Sasuke rapidamente a soltou, deixando-a cair como se fosse uma fruta podre.

–Ora, Lorde!Você não gosta desse tipo de brincadeira? -provocou. -Qual é o problema?Tem medo do seu irmão exigir que eu me torne sua escrava?


–Não pense que você é tão valiosa assim, Sakura.


–Cada um tem seu valor Lorde, embora você não entenda isso. Lain tem valor para mim.


–É inútil discutir sobre isso, pois não há nada que me interesse nessa história. Sua irmãzinha não passa de uma garotinha mimada e interesseira. Certamente Itachi gostará dela, pois é atiçada e presunçosa. Mas o que irá acontecer quando ela se cansar dessa brincadeira de poder?Não creio que ela seja inteligente o bastante para fugir, no mínimo entrará em desespero e tentará matá-lo. Um fim dígno de uma sonhadora, não é?

A resposta foi uma bofetada que, sem dúvida alguma, ele mal sentiu. Sasuke contraiu a mandíbula severamente e jurou que se encostasse um só dedo nela seria capaz de matá-la.


–Antes eu queria fugir por odiar você, agora quero fugir para encontrar minha irmã!Você não vai me impedir, tenha isso em mente!


–Eu juro Sakura, que se mais um desabafo desse acontecer eu me torno num monstro insensível -ele segurou o queixo dela, depois o apertou. -Acho que você entendeu.


E seus olhos vermelhos brilharam para ela, logo depois que suas presas surgiram. As asas bateram fortemente e objetos leves caíram e se quebraram ao chão. Ele a jogou para trás e Sakura se deparou com a cama, onde caiu sentada. O Lorde sumiu na escuridão do quarto, mas não deixou de ver o rosto dela atordoado, como se seus sentidos estivessem longe dali.



Continua...