Sanctuary
13 The Painful Truth

Os dois dias para o festival passaram rapidamente, onde Rhoda passava a maioria parte do tempo na tenda de Iorveth, observando como ele trabalhava e interagia com os esquilos, ajudando de vez em quando dando uma sugestão construtiva na organização de um plano.
Em algumas ocasiões participou em conjunto com Iorveth em pequenas missões, onde os dois trabalhavam como um só, contando também com ajuda dos outros esquilos que faziam parte do grupo para o sucesso da missão. Anhaern também ocasionalmente participava nas missões com Iorveth onde olhava para Rhoda com cara de poucos amigos, já algo a que estava habituada.
Contudo nesses dias também foi debatido as melhores táticas vendo os prós e os contras mais a pormenor, uma vez que o grande dia da missão para salvar os esquilos dos mercadores é daqui algumas semanas.
Iorveth: – Ok, por hoje é tudo, estão dispensados. – Em voz alta, onde um grupo de esquilos, Anhaern e o grupo dela saem da tenda deixando Rhoda e Iorveth sozinhos.
Rhoda: – Estamos cada vez mais perto do grande dia. – Olhando para a mesa, observando o mapa e algumas notas.
Iorveth: – Temos que ser organizados e seguir à risca o plano se quisermos ter sucesso. – Fazendo uma pausa. – É verdade não sei se estás a par, mas hoje vai realizar-se o festival das luzes.
Rhoda: – Sim, estou a par, Selina contou-me, mas não sei…. – Levantando o olhar.
Iorveth: – Então já somos dois. Acho que este ano também não irei ao evento. Para dizer a verdade, já nem me lembro qual foi a última vez que fui ao evento e de como é. – Com pequeno sorriso.
Rhoda: – Segundo as palavras de Selina é um espetáculo fantástico de luzes….
Iorveth: – Agora que mencionas, estou a lembrar-me vagamente.
Rhoda: – … e bonito de se ver. Confesso que tenho curiosidade em ver esse espetáculo.
Iorveth: – Hum… talvez devesses participar no evento já que se tens curiosidade.
Rhoda: – Talvez, mas ir sozinha… – Pensativa. – Não me agrada a ideia, aliás é minha primeira vez no evento, não sei bem o que fazer e como a Selina vai estar com Cedric… – Encolhendo os ombros. – Não sei… mas pelo que dizes não irás mesmo participar no evento?
Iorveth: – Não sei, logo vejo.
Rhoda: – Ok, se no caso de participares, – Um pouco hesitante. – achas que poderíamos ir os dois juntos? – Vendo alguma surpresa no olhar de Iorveth. – Para além que podias juntar o útil ao agradável e fazias uma breve pausa nos teus deveres, durante algumas horas. – Iorveth permaneceu em silêncio algum tempo pensativo.
Iorveth: – Hum… achas terei que iluminar 32 candeeiros de papel, para o evento?
Rhoda: – Iorveth, tu sabes bem como eu que os candeeiros de papel nem vão chegar a metade do caminho, certo?
Iorveth: – Eu sei que não, apenas queria ouvir a tua resposta.
Rhoda: – Eu acho que um candeeiro de papel deve chegar, não achas?
Iorveth: – Sim chega, eu não teria muita paciência em escrever 32 mensagens para cada candeeiro de papel.
Rhoda: – Então encontramo-nos aqui na tenda?
Iorveth: – Sim, eu ainda tenho que acabar algumas coisas aqui antes do festival.
Rhoda sai da tenda a passo rápido até a tenda dela, onde por sorte encontrou Selina a sair da mesma.
Rhoda: – Selina!!! Ainda bem que te apanho.
Selina: – Hum, o que se passa?
Rhoda: – Tu na noite passada, chegaste a fazer alguns candeeiros extras, talvez dois?
Selina: – Sim fiz. – Rindo-se. – Eles estão em cima da mesa e lá tens o papel e a tinta para escrever a mensagem.
Rhoda: – Obrigada Selina. – Vendo ela a partir.
Na tenda viu os dois candeeiros de papel e o papel em branco ao lado no qual ficou pensativa no que iria escrever. Tinha de ser algo breve e objectivo não podia ser um testamento. Sentou-se à mesa ainda pensativa. A mente dela começou a pensar em tudo o que aconteceu desde de que chegou ao acampamento, como se estivesse a ver um filme.
Após uma hora e meia as palavras começaram a formar-se na mente dela e subitamente começou a escrever a frase. “De um fim, existe sempre um novo começo”. Dobrou o papel a meio e pôs num dos candeeiros.
Rhoda sabia que ainda era cedo para o evento, por isso deitou-se na cama fechando os olhos gradualmente, a mente dela sem motivo aparentemente leva de novo à caverna onde ela e Gonder levaram Iorveth.
Os momentos que ela e Iorveth tiveram sozinhos naquela caverna fez com que o coração dela começasse a acelerar, o que a despertou sentando-se na beira da cama, um pouco confusa. De novo ela fechou os olhos por um momento, para acalmar-se, para pensar em Joshua, mas a mente dela mostrava-lhe sempre as feições de Iorveth.
Rhoda: – O que é isto? O que quer dizer isto? – Levantando-se confusa, com a mão na boca pensativa, andando de um lado para o outro.
Lá fora ouviu passos de alguém e vozes. Na tenda entraram Selina e Cedric que estavam bastante animados. Os dois olharam para Rhoda um pouco preocupados.
Selina: – Rhoda estás bem? – Aproximando-se dela.
Cedric: – Eu ficarei lá fora à tua espera. – Saindo da tenda.
Rhoda: – O que fazes aqui tão cedo?
Selina: – Por causa do evento todos nós fomos dispensados do trabalho, mais cedo. – Olhando para a mesa. – Então sempre vais participar no evento.
Rhoda: – Sim vou. Iorveth, vai acompanhar-me, para não ir sozinha.
Selina: – Isso é fixe. Ele no ano passado ficou na tenda a trabalhar.
Rhoda olhou para Selina um pouco hesitante em fazer-lhe uma pergunta que nunca veio uma vez que desistiu da ideia.
Selina: – Já tens as coisas preparadas?
Rhoda: – Sim tenho, falta só Iorveth escrever a mensagem.
Selina: – Rhoda.. – Fazendo uma pausa sentando-se à beira da cama. – Posso fazer-te uma pergunta?
Rhoda: – Sim, claro.
Selina: – O que farias se Iorveth tivesse sentimentos por ti?
Rhoda: – Huh? – Sentindo o coração dela acelerar. – Porque perguntas isso?
Selina: – Por nada em particular, eu apenas vejo que ele trata-te de maneira diferente das outras esquilas.
Rhoda: – Maneira diferente? Não estou a ver como. Eu simplesmente faço as coisas como é suposto sem cometer muitos erros ao contrário delas.
Selina: – Cedric comentou comigo desde que entramos neste acampamento e tudo o que aconteceu, ele tem notado que Iorveth anda diferente…
Rhoda: – Diferente? Em que aspecto?
Selina: – Mais feliz.
Rhoda: – Selina… – Suspirando. – Eu acho que estás a ver coisas onde elas não existem. É normal que eu e ele gostamos da companhia um do outro porque somos amigos, tal como nós.
Selina: – Então deixa-me fazer uma pergunta, – Levantando-se da cama. – imagina que tens tempo livre e queres passar tempo com alguém, entre mim e o Iorveth quem escolherias para passar o tempo?
Rhoda permaneceu em silêncio durante um pouco, até que a mente dela num flash mostra-lhe as feições de Iorveth novamente.
Rhoda: – Porquê que a minha mente mostra-me de novo as feições de Iorveth? Eu não estou aperceber. – Confusa.
Selina: – Porque sem te aperceberes começaste a desenvolver gradualmente sentimentos por ele. – Rhoda mostrou algum desconforto com a novidade. – Não precisas de ter medo do teu coração.
Rhoda: – Mesmo o que tu digas sobre o Iorveth seja verdade, por que haveria ele “perder tempo” comigo se existem melhores candidatas para o lugar? – Ficando na defensiva, num tom pouco sério. – A Anhaern parece estar bastante interessada nele, porque havia me meter entre eles?
Selina: – Rhoda… – Envolvendo as mãos dela com cuidado. – eu sei que o teu maior medo é ficar de novo sozinha, mas não és a única. – Com sorriso. – Eu também tenho esse receio, cada vez que tu, Cedric ou os outros esquilos que conheço vão em missões. Mas eu ao contrário de ti eu escolhi viver o presente e aproveitar ao máximo o que ele me oferece. – Rhoda abaixou o olhar pensativa. – Eu acho que tu devias fazer o mesmo, mas tu é que sabes.
Rhoda: – Eu não posso negar o que tu dizes é verdade. – Suspirando. – Desde que fechei o meu coração sempre quis viver de modo a não envolver sentimentos com outras as pessoas. – Rindo-se. – Mas aparentemente parece que fiz um péssimo trabalho. – Fazendo uma pausa. – Mas… – Olhando para Selina. – se o que tu dizes é verdade como posso tirar as minhas dúvidas, só para saber se alimento ou não este sentimento.
Selina: – Porque não experimentas no festival agarrar a mão dele e vês que tipo de reação ele têm?
Rhoda: – Mas à frente de toda a gente? – Um pouco insegura.
Selina: – Não te preocupes, todos os presentes terão, mais atentos ao espetáculos do que a ver o que estás a fazer. – Soltando a mão de Rhoda, rindo-se. – O mínimo que pode acontecer é ele rejeitar a tua mão e aí ficarás a saber o que tu queres. – Encolhendo os ombros.
Rhoda: – Ok. – Suspirando com algum nervosismo.
Selina: – Rhoda, então? Não necessitas de estar nervosa. – Rindo-se.
Rhoda: – Bem desculpa por estar, já faz algum tempo. – Bufando um pouco.
O sorriso de Selina contagia Rhoda onde as duas riram-se por algum tempo, antes de Cedric entrar na tenda a informar que já estava quase na hora. Selina pega num dos dois candeeiros que estavam na mesa com cuidado, antes de sair da tenda, despedindo-se de Rhoda desejando-lhe boa sorte.
Rhoda também pega nos dois restantes candeeiros e vai até à tenda de Iorveth, onde o vê com as mãos pousadas na mesa de operações olhando o mapa atentamente, sem dar conta de Rhoda ter entrado.
Rhoda: – Ei.
Iorveth: – Rhoda. – Levantando o olhar para ela mostrando-lhe um pequeno sorriso.
Rhoda: – Já pensaste na mensagem que vais escrever? – Pousando os candeeiros na mesa.
Iorveth: – Para dizer a verdade, não. Mas para ser sincero acho que também não é importante.
Rhoda: – Não digas isso, assim estás a estragar o espírito do evento. Já sei, imagina que sou Thissa, o que dirias a ela em poucas palavras? – Vendo alguma surpresa no rosto de Iorveth.
Iorveth: – Hum, acho que já sei. – Pegando na caneta e tinta, onde escreveu com cuidado, dobrando o papel em dois, pondo no candeeiro.
Rhoda: – Estás a ver não foi assim tão difícil. – Pegando nos candeeiros. – Vamos?
Ela e Iorveth saíram da tenda com passo moderado, onde Iorveth pelo caminho tomou a frente e Rhoda seguiu até ao local. Era um pouco rochoso e com uma pequena elevação formando uma pequena montanha. Já se encontravam muitos esquilos no local onde o barulho ambiente era preenchido pelas vozes deles.
Alguns esquilos não conseguiram esconder alguma surpresa com a presença de Iorveth no evento. Rhoda viu ao longe que Anhaern e o grupo dela também estava presente para o evento, sempre com a cara de poucos amigos.
Selina: – Rhoda!!!! Aqui!!! – Chamando a atenção de Rhoda abanando o braço, onde ela foi ter com Selina. – Guardei este lugar para vocês.
O lugar tinha uma pequena elevação não muito alta, mas dava para ver todos os esquilos que se encontravam na parte de baixo.
Rhoda: – Quando é que o evento começa? – Pousando os candeeiros no chão já preparados.
Selina: – Assim que o pôr-do-sol for embora.
Rhoda sentou-se no chão onde o cabelo dela dançava com o vento, apreciando o tom alaranjado do céu começando a dar lugar ao azul escuro gradualmente.
Selina: – Rhoda prepara-te. Toma isto. – Passando dois pauzinhos encadeados a Rhoda e Iorveth.
Num subtil movimento todos os presentes iluminaram os seus candeeiros e gradualmente todos começaram a deslocar-se lentamente para o céu. Quando Rhoda viu os vários pontos no céu ficou sem palavras.
O ambiente que dantes era agitado há minutos atrás agora era de silêncio, viu muitos rostos com alguma tristeza e outros com alguma nostalgia, que olhavam para o céu.
Rhoda viu Selina com a cabeça encostada ao ombro de Cedric também um pouco triste, reparou também que Iorveth mostrava alguma nostalgia no olhar dele, a luz alaranjada no rosto dele tornava-o de certo modo atraente, o que fez acelerar o coração dela. Olhou para a mão esquerda dele durante algum tempo pensando no que Selina tinha sugerido.
Rhoda volta de novo a olhar o para o céu aproximando-se ligeiramente do Iorveth onde num movimento sutil agarrou a mão dele. Pelo canto do olho viu que Iorveth não tirou o olhar do céu e ficou à espera da reação negativa dele, mas para surpresa a mão dela foi envolvida com cuidado.
Rhoda voltou-se para Iorveth encontrando o olhar dele que mostrava alguma profundidade. Rhoda nada disse, apenas mostrou-lhe um pequeno sorriso. Selina ao ver o que tinha acontecido não podia estar mais do que feliz por Rhoda, o que chamou atenção de Cedric.
Cedric: – O que se passa?
Selina: – Não é nada. – Beijando, os lábios de Cedric apaixonadamente.
Iorveth e Rhoda voltaram de novo a observar o céu em silêncio de mãos dadas até ao fim do espectáculo, onde o calor da mão de Iorveth na dela transmitia conforto. Quando acabou os dois soltaram as mãos, onde Rhoda viu Selina a chamá-la.
Selina: – Hum…. – Um pouco corada. – Será que podias voltar à tenda daqui algumas horas? – Num tom baixo.
Rhoda: – Huh? – Um pouco confusa com o pedido de Selina. – Porquê?
Selina: – Eu e o Cedric queremos ficar sozinhos e ….
Rhoda: – Oh… – Fazendo um mais um. – Não necessitas de dizer mais nada, já percebi. Demora o tempo que quiseres. – Com sorriso.
Selina: – Obrigada.
Viu Selina e Cedric a afastarem-se do local, mas também viu muitos esquilos a trazerem álcool para a festa para comemorar.
Iorveth: – Amanhã quero ver como vão trabalhar sobre o efeito da ressaca. – Suspirando.
Rhoda: – Deixa-os, eles são jovens, querem apenas aproveitar o momento, nada mais.
Iorveth: – Então que seja. – Começando a caminhar, até à tenda
Rhoda: – Eu faço-te companhia até à tenda. – Acompanhando-o ficando lado a lado com ele.
Os dois quando chegaram à tenda permaneceram calados durante algum tempo. Rhoda aproximou-se da mesa de operações, onde Iorveth observava alguns papéis.
Rhoda: – Acho que deveríamos ir mais vezes a eventos.
Iorveth: – Desde que seja na tua companhia, – Machucando um dos papéis que observava, atirando para a fogueira ficando de costas para Rhoda. – eu vou.
Rhoda: – Combinado. Hum….
Iorveth: – O que vai na tua mente? – Voltando-se de frente para ela.
Rhoda: – Eu ainda tenho algumas horas de sobra, antes de voltar para a minha tenda. – Pensativa. – Se calhar iria juntar-me aos esquilos… talvez… não sei.
Iorveth: – Acho que isso não é uma boa ideia. – Num tom sério. – Tu sabes o que acontece quando bebes demasiado.
Rhoda: – Sim tens razão, é melhor não ir. Se calhar vou até ao lago para passar o tempo.
Rhoda notou que Iorveth queria dizer alguma coisa mas nunca chegou a dizer, apenas despediu-se dela. No lago Rhoda sentia que a brisa da noite era agradável, por isso deitou-se ao comprido no chão apoiando a nuca com as mãos, fechando os olhos passando pelas brasas ligeiramente, perdendo a noção do tempo. A mente dela quis mostrar-lhe como um filme os vários momentos com Iorveth que a deixou feliz. Onde foi despertada com um ligeiro abanão.
Selina: – Rhoda!!! – Um pouco envergonhada.
Rhoda: – Selina?! – Esfregando os olhos. – Então como correu?
Selina: – Bem… ele foi gentil comigo. – Num tom baixo.
Rhoda: – Eu sabia que ia. Ele ama-te de verdade, Selina.
Selina: – Eu vi que Iorveth não rejeitou a tua mão na dele. Talvez esteja na altura de falares com ele acerca dos teus sentimentos.
Rhoda: – Achas? – Ainda um pouco indecisa. – Eu percebo o que estás a dizer, mas será que ele na altura do evento não foi por impulso em não ter rejeitado a minha mão porque sentia de alguma maneira triste e queria conforto?
Selina: – É possível, mas senão falares com ele abertamente, nunca irás saber. O mínimo que pode acontecer é levares uma nega, mas continuariam a ser amigos.
Rhoda:– Bem nisso tens razão. Acho que não custa nada falar, certo? – Levantando-se do chão.
Selina: – Sim, não custa nada.
Rhoda: – Amanhã quando tiver oportunidade irei falar com ele. Vamos regressar à tenda, já é um pouco tarde e amanhã é dia de trabalho.
As duas regressaram à tenda, onde a Selina aterrou na cama num sono pesado, enquanto Rhoda não conseguia de modo algum ter sono por estar ansiosa por amanhã, mas gradualmente o sono veio mas com algum custo. Na manhã seguinte Rhoda é acordada pela voz de Cedric que a chamava fora da tenda, foi nesse momento que deu conta que tinha adormecido, arranjou-se o mais rápido que podesse, cá fora Cedric esperava de braços cruzados.
Rhoda: – Desculpa-me Cedric, adormeci.
Cedric: – Sem problema, Selina contou-me que tentou-te acordar mas dormias que nem uma pedra. – Com sorriso.
Rhoda: – Bolas… – Tapando a cara com algum embaraço.
Cedric: – Já estás pronta, certo?
Rhoda: – Sim estou, vamos.
Rhoda ao entrar na tenda todos os presentes, incluindo a Anhaern e o grupo dela olharam para ela um pouco sérios.
Anhaern: – Até que enfim que apareces. Já estávamos a ganhar raízes de tanto esperar. A bebedeira ontem foi assim tanta? – Rindo-se.
Rhoda: – Se achas que é a verdade, força, fica com essa ideia. Não me aquece ou me arrefece aquilo que pensas. – Aproximando-se da mesa de operações.
Iorveth: – Muito bem, – Começando a reunião. – os meus scouts conseguiram localizar a caverna de Lourenço. Mas como já era de esperar o sítio está bem guardado. – Fazendo uma pausa. – No entanto, a área não é isolada por muros o que é uma vantagem para nós. Contudo existem pequenos postos de sentinelas distribuídos pela zona. A caverna está localizada aqui. – Apontando no mapa a localização.
Anhaern: – Podíamos utilizar as copas das árvores para uma aproximação silenciosa e atacar em simultâneo. – Sugerindo.
Iorveth: – Sim, esse é o plano que tenho em mente, mas primeiro é necessário derrubar as sentinelas sem soar o alarme.
Rhoda: – Eu posso encarregar-me das sentinelas. – Todos na tenda até mesmo Iorveth olharam surpreendidos para ela.
Anhaern: – Tu tens a noção se cometeres um erro a missão vai toda por água abaixo, certo?
Rhoda: – Sim eu sei, mas eu prefiro ter os meus pés bem assentes na terra, onde estou mais habituada.
Anhaern: – Oh!!!! – Rindo-se. – Tu tens medo de alturas? – Num tom de gozo.
Rhoda: – Eu não tenho medo, apenas tenho vertigens. Aliás vocês farão melhor trabalho do que eu em cima das árvores. Por isso tenho que me sujeitar.
Iorveth: – Muito bem, então está decidido. Formaremos grupos de três…
Anhaern: – Eu fico no teu grupo, Iorveth. – Com uma voz a criançada agarrando o braço dele interrompendo-o.
Iorveth: – Como estava a dizer, formaremos grupos de três onde iremos observar e ajudar Rhoda silenciosamente se for o caso. – Olhando para todos os presentes sério. – Partiremos daqui a uma hora por isso estejam preparados. Estão dispensados menos tu Rhoda, preciso de falar contigo.
Todos saíram da tenda, onde Rhoda já sabia que ia ser repreendida por ter chegado tarde.
Iorveth: – Quero que me acompanhes, a um sítio. – Vendo alguma surpresa no rosto de Rhoda.
Rhoda: – Não vais castigar-me por ter chegado atrasada?
Iorveth: – Talvez sim, talvez não, logo vejo. – Rhoda engoliu em seco. – Mas agora acompanha-me.
Os dois saíram do acampamento indo pela floresta, onde Iorveth guiava Rhoda até ao local, parando diante de uma árvore alta, sem qualquer dificuldade sobe a árvore com bastante agilidade.
Iorveth: – Vá anda. – Estendendo a mão a ela para ajudar.
Iorveth ao agarrar a mão de Rhoda, puxa-a até ele com a mesma força que utilizou para ajudá-la quando teve de o defrontar, após concluir as aulas de corpo a corpo. Assim que solta a mão, Rhoda começa a subir, mas ao mesmo tempo começa a perder o equilíbrio, Iorveth com firmeza agarra-a de novo a mão dela puxando-a até ele de modo a não a deixar cair. Rhoda apoia as mãos no peito dele, desviando o olhar para o lado.
Iorveth: – Estamos quase lá.
Os dois continuaram a subir, onde Rhoda fazia de tudo para não olhar para baixo para não perder de novo o equilíbrio.
Iorveth: – Chegamos. – Ajudando Rhoda uma última vez a subir.
No topo da árvore os troncos faziam uma espécie de chão onde dava para sentar, dormir entre outras actividades, mas o que chamou a atenção de Rhoda foi o enorme mar de árvores que se mexiam ao sabor do vento parecendo ondas, onde dava para ver o que um pouco o que acontecia dentro da vila e arredores.
Rhoda: – Este lugar é incrível!!! Dá para ver praticamente tudo.
Iorveth: – Eu às vezes utilizo este lugar para observar, mas também para passar o tempo. – Sentando-se junto ao tronco encostando as costas para trás com a nuca apoiada com as mãos. – E como ainda temos algum tempo. – Fechando os olhos.
Rhoda sentou-se ao lado dele, apreciando a brisa do vento que brincava com o cabelo dela, mas também com o cabelo de Iorveth suavemente. O respirar dele era regular, onde Rhoda naquele momento queria sentir de novo o calor da mão dele como aconteceu no festival.
Uma pequena folha caiu na testa de Iorveth, sem o acordar, Rhoda com cuidado retira a folha mas Iorveth abre os olhos.
Rhoda: – Oh!!! Desculpa, não queria ter acordado.
Iorveth: – Não há problema. Eu não estava a dormir propriamente.
Da árvore, Rhoda vê um esquilo a descer a árvore até Iorveth ficando no ombro dele, onde recebe uma bolota. O olhar ternurento que Iorveth mostrava ao esquilo fez com que Rhoda o observasse durante algum tempo.
Rhoda: – Eu lembro-me de ti. – Olhando para com um sorriso. – Eu vi-te num dos treinos que fiz para aula de corpo a corpo. – O pequeno esquilo olhou para ela com alguma curiosidade.
O esquilo sem receio salta para o ombro de Rhoda, ao qual pede festas na cabeça, antes de desaparecer pelas folhas das árvores.
Rhoda: – Obrigada por partilhares este lugar comigo. – Iorveth mostrou-lhe um pequeno sorriso antes de fechar novamente os olhos.
Durante algum tempo os dois apreciam o som do vento nas folhas das árvores onde Rhoda olhou pensativa para o chão.
Rhoda: – Iorveth…. – Chamando atenção dele. – Há uma coisa que gostava de falar contigo. – Um pouco hesitante, onde viu que Iorveth olhava para ela atento à espera que ela prosseguisse.
No momento em que Rhoda ia falar, Iorveth levanta-se rapidamente do local aproximando-se do limite da árvore com olhar sério para a floresta.
Iorveth: – Finalmente. Era isto que queria confirmar. Estás a ver aquela carroça? – Apontando para uma área no meio das árvores que parecia estar num buraco, onde Rhoda a levanta-se para ver melhor. – É ali onde está a entrada da caverna. Os meus scouts informaram que hoje poderia haver uma probabilidade de a carroça aparecer.
Rhoda: – Então foi por isso que deste esta hora.
Iorveth: – Sim queria confirmar, isto. Está na hora de irmos. – Caminhando para afrente de Rhoda parando de seguida, voltando-se para ela. – O que querias dizer-me, afinal Rhoda?
Rhoda: – Não é nada de importante, que não possa esperar depois da missão. – Com um sorriso curto.
Na descida, Iorveth não teve qualquer dificuldade em descer ou até mesmo saltar de galho para galho, ao contrário de Rhoda que demorou mais tempo por ter um extra cuidado onde ponha os pés para não cair. Na última parte da descida era necessário dar um salto um pouco grande para o outro lado do galho antes de chegar ao chão, o que deixou Rhoda um pouco stressada.
Iorveth: – Salta, que eu agarro-te.
Rhoda: – Tens a certeza? Olha que não sou propriamente uma pluma. – Procurando uma alternativa sem muito sucesso.
Iorveth: – Vá anda. – Já preparado para agarrá-la.
Rhoda: – Espera, acho que consegui uma alternativa para descer.
No momento em que Rhoda começou a descer, o pé dela deslizou, o que a fez desequilibrar para trás, começando a cair em queda livre, onde cá embaixo encontrou os braços de Iorveth.
Iorveth: – Pensei que pesasses mais. Isto para mim não é nada. – Pondo de pé Rhoda que saiu dos braços dele um pouco corada.
Na entrada do acampamento estavam todos preparados para iniciar a missão. Como abordado os três grupos subiram às árvores com bastante agilidade deixando Rhoda sozinha, que aproximou-se do local da caverna até onde a vegetação permitia esconder-se.
Observou os vários postos das sentinelas, vendo com paciência a rota que faziam, de modo a ver a melhor maneira a abordar os guardas. No lado direito viu três guardas a falar à volta da fogueira que estava isolada. Um dos guardas afastou-se do grupo entrando na floresta para urinar, dando uma hipótese a Rhoda de aproximar-se. Por detrás dele tapa a boca apertando o pescoço o suficiente para pô-lo a dormir.
Aproximou-se com cautela entre a vegetação até à fogueira, chamando a atenção de um dos guardas com sussurro, esperou que ele avançasse mais para dentro da floresta para pô-lo a dormir, fazendo o mesmo ao último guarda.
Percorreu o trilho até chegar ao primeiro posto, lá observou ao redor dela e ia ser um bocado difícil alcançar o guarda do posto uma vez que existia alguns guardas voltados para ela, ao que pareciam estar bastantes animados com a conversa que estavam a ter. Rhoda pega numa pequena pedra e tira para o meio deles o que chamou atenção deles de modo a desviar olhar do posto.
Rhoda rapidamente soube o posto e põe o guarda a dormir. Sem se expor-se muito vê que o posto mais próximo estava mais protegido, olhou em à volta é uma das maneiras mais rápidas e seguras de passar os vários guardas seria trepar a árvore que tinha uma longa corda que ia por dentro da floresta até ao posto.
Rhoda: – E eu pensava que ia livrar-me de trepar árvores. – Dando um suspiro.
Rhoda saiu do posto e foi por dentro da floresta ao encontro da árvore e antes de trepá-la deu um suspirou. Cá em cima voltou ver onde a corda até onde dava.
Rhoda: -Tu consegue, desde que não olhes para baixo. – Ganham coragem.
Num rápido passo ela percorre a corda sempre olhando em frente até à outra árvore. Mas no último passo ela desequilibra-se para trás batendo em alguns ramos com folhas e para infelicidade havia guardas a virem pelo trilho onde estava, ela rapidamente utiliza as pernas para não cair e com as mãos apanha o maior número de folhas que consegue para não chamar a atenção dos guardas. Manteve-se suspensa imovel até que os guardas passassem.
Largou as folhas que tinha nas mãos e subiu de novo para a corda chegando finalmente há outra árvore. Pacientemente observou mais dois guardas, reparando que tinha de ser rápida e precisa no timing do ataque. Assim que este dois guardas passaram Rhoda salta para dentro do posto com pés de lã, quando o guarda deu conta o que se estava a passar nas suas costa foi tarde mais.
Nesse momento Iorveth deu sinal para atacar, Anhaern dispara uma flecha de poeira para junto da entrada da caverna onde os guardas ficam um pouco confusos, onde são apanhados de surpresa pelo grupo do Cedric que entra em ação. Rhoda viu um pequeno grupo de guardas aproximaram-se, ela intercepta ficando frente a frente com eles o que ela não contava é que mais dois grupo de guarda aproximavam-se.
Rhoda ouviu algo que vinha de cima, olhou e uma chuva de flechas caiu sobre um dos grupos, matando instantaneamente. Viu Iorveth em queda livre equipado com o arco na mão disparando sobre um dos guardas antes de tocar com os pés no chão. Trocou o arco pela espada e juntou-se a Rhoda. Os dois agilmente derrubaram um a um os guardas, a Anhaern e o seu grupo davam suporte aos grupos do Cedric e Iorveth disparando flechas ao longe aos guardas que aproximavam-se, alterando entre flechas normais e de poeira.
Iorveth: – Protejam a entrada, em quando vamos lá dentro. – Falando para Cedric.
Dentro da caverna Iorveth e Rhoda aproximam-se com cautela, mais ao fundo da caverna veem mais guardas, os dois observam a verem qual o momento mais oportuno para atacar. Rhoda olha para Iorveth que faz sinal com a cabeça para avançar no qual derrubam os guardas sem grandes dificuldades. Caminham até à ala seguinte e Rhoda fica sem palavras para o que vê.
Rhoda: – O que é isto?
Existiam várias jaulas onde encontravam-se várias jovens elfas muito mal tratadas, ao fundo da divisão Rhoda viu ao que parecia uma cama, não necessitou muito de pensar para o que era utilizado.
Eloimaya: – RHODA!!!!! – Chamando uma das elfas atenção.
Rhoda voltou-se em direcção da voz e reconheceu a elfa.
Rhoda: – Eloimaya!!! – Aproximando-se dela, reparando que apresentava vários hematomas e alguns cortes nos braços e no rosto. – O que fazes aqui?
Eloimaya: – Eles conseguiram apanhar-me quando tentava fugir da vila, para ter uma vida melhor. – Abaixando o olhar.
Rhoda: – Temos que as salvar. – Olhando para Iorveth. – Isto não é vida para ninguém.
Iorveth olhou em volta com mais atenção e apenas quatro das jaulas tinham alguém.
Iorveth: – Vamos a isso.
Rhoda: – Sabes a onde estão as chaves? – Olhando para Eloimaya.
Eloimaya: – Elas estão na outra ala no lado direito. Mas tem cuidado, por favor.
Rhoda tomou a lida avançando com cautela até a ala direita da caverna seguindo atrás dela Iorveth. O guarda que guardava as chaves era maior e mais robusto que os outros em que estava de costa. Rhoda aproximou-se dele em passos de lã enquanto Iorveth ficou observar.
Num rápido movimento agarra-o por trás, mas sem muito êxito. Ele agarrou-a pelo lado, atirando-a para frente.
Guarda: – Ora, ora, ora o que temos aqui? – Sacando a espada, pronto a atacar.
Rhoda não se deixa intimidar e também saca a espada, investindo o primeiro ataque contra o guarda, mas ele defende sem grandes problemas, contra atacando com um pontapé que desequilibra Rhoda, vendo uma oportunidade para atacar. Rhoda compõe-se rapidamente para defender-se do ataque, que consegue com alguma dificuldade, o que não contou é que a lâmina da espada parti-se em dois. Ela esquivou-se do ataque seguinte a escassos segundos do impacto.
Iorveth: – Rhoda!!!! – Chamando atenção dela, atirando uma espada a ela, que agarra tomando uma posição defensiva.
O guarda é distraído por segundos por Iorveth, mas volta a focar-se novamente em Rhoda, pronto para atacar de novo. Iorveth aproveita essa oportunidade e vai por trás do guarda agilmente com uma adega na mão. Rhoda aproveita para provocar o guarda o que cai que nem um pato, no momento que ele ia atacar Rhoda, Iorveth salta para cima das costas dele espetando a adega multiplas vezes, Rhoda num rápido movimento faz um corte na barriga do guarda que cai no chão em agonia, aproxima-se dele com movimento limpo corta a garganta dele, acabando com sofrimento de vez dele.
Rhoad observa a espada que tinha na mão com mais cuidado admirando por alguns segundos, o design em si é de mestre, cada desenho que apresenta tem um detalhe rigoroso. Sem ela reparar, Iorveth foi buscar as chaves para abrir as jaulas e observou como Rhoda analisava a espada dele com cuidado antes de se aproximar dela, acabando com a análise. Rhoda devolveu a espada a ele agradecendo.
Regressam à ala onde estavam as elfas em jaulas, uma a uma as jaulas foram abertas.
Iorveth: – Sabes a onde eles guardam os mantimentos? – Olhando para Eloimaya.
Eloimaya: – Sim, sigam-me.
Rhoda e Iorveth seguiram Eloimaya, ao que parece conhecer bem a área. O local onde guardavam os mantimentos estava muito bem abastecido. Cedric vai ao nosso encontro a reportar que o local está seguro por agora, era uma questão de tempo até vir mais guardas. Iorveth pede a ele para arranjar um carroça para levar os mantimentos. Assim que trouxe a carroça as elfas, Eloimaya, Rhoda e Iorveth começaram a encher a carroça, até o local ficar totalmente vazio. A carroça foi trazida para fora da caverna, pronta a partir para o acampamento.
Iorveth: – Quero que venham connosco. – Olhando para as elfas e Eloimaya, ainda um pouco assustadas. – No acampamento terão tudo o que necessitam. – Todas elas mostram gratidão.
Rhoda não podia estar mais de acordo com as palavras de Iorveth.
Eloimaya: – Rhoda… – Aproximando-se dela. – Obrigada, por nos salvar. – Agarrando a mãos dela.
Rhoda: – Não tens que agradecer, eu se poder ajudar eu ajudo, qualquer pessoa. – Com pequeno sorriso.
Iorveth: – Rhoda. – Chamando atenção dela, que se afastou de Eloimaya.
Rhoda: – Sim?
Iorveth: – Quero que fiques com isto. – Pegando na espada que tinha à cintura.
Anhaern: – Tens a certeza?
Iorveth: – Sim.
No momento em que Rhoda ia pegar na espada uma flecha passa pelo meio dos dois atingindo um dos guarda que estava a uns bons metros de distância.
Anhaern: – Desculpem ter interrompido o vosso momento mas tive o fazer. – Descendo a árvore, aproximando-se de Iorveth e de Rhoda que pega na espada dele, reparando que Anhaern não gostou muito. – Iorveth achas que podemos falar? – Ficando á espera que Anhaern começa-se a falar. – Em privado, senão for pedir muito.
Rhoda:– Eu vou ver se Cedric precisa de ajuda na carroça. – Afastando-se deles, indo ao encontro da carroça onde vê Eloimaya com alguma dificuldade em prender a corda à volta dos mantimentos. – Deixa-me ajudar-te Eloimaya. – Ficando lado a lado ela.
Eloimaya: – Rhoda, devias ter cuidado com ela. – Num tom baixo.
Rhoda: – Porque dizes isso?
Eloimaya: – Ela é o tipo de mulher que é capaz de fazer tudo para atingir os objectos dela, mesmo que seja magoar os que estão à volta dela, para esse fim. – Rhoda ficou pensativa. – Isto é o que o meu instinto me diz mas posso estar errada, o que é quase nunca, mas pode haver excepções.
Rhoda: – Eu terei cuidado, não te preocupes.
Assim que todos ficaram prontos, partiram de regresso ao acampamento, Rhoda olhou para céu e viu que o dia já estava a ganhar um tom alaranjado, lembrando-a que ainda não tinha falado com Iorveth. Ao chegarem, Iorveth pede a Rhoda para ajudar Cedric a descarregar a carruagem, pede a outro esquilo para levar as elfas ao posto médico para serem examinadas e dispensa os restantes.
Rhoda vê que Anhaern acompanha Iorveth até à tenda, ela não demorou muito tempo em descarregar as coisas uma vez que eram duas pessoas a trabalhar.
Cedric: – Não me importava de chamar-te cada vez que tenho que fazer isto sozinho. – Rindo-se. – E com este é o último.
Rhoda: – E que vai acontecer a este rapaz? – Tocando no focinho do cavalo.
Cedric: – Bem como temos falta de cavalos para ajudar-nos a puxar carroças, é provável que fiquemos com ele.
Rhoda: – Ao menos será bem tratado.
Cedric: – Nisso não tenhas dúvidas. – Rindo-se. – Se quiseres podes ir eu trato do resto.
Rhoda despede-se de Cedric, ficando pensativa, onde caminha a passo lento até à tenda. Ela olhou durante alguns minutos, sentindo o coração acelerar. Respirou fundo e deu o primeiro passo até à entrada da tenda. Dentro da tenda ouve a voz de Anhaern.
Anhaern: – Já tinha saudade de estarmos assim só nós os dois sozinhos. – Fazendo uma pausa. – Iorveth…. eu amo-te.
As palavras de Anhaern fez Rhoda sentir-se desconfortável e ter um aperto no coração.
Anhaern: – Eu sei que tu lá no fundo também me amas mais do que tudo. Nós podemos ser um só.
No momento em que Rhoda ia entrar na tenda vê Iorveth de costas para a entrada onde Anhaern beija-o agarrando pelo pescoço. Anhaern vê Rhoda na entrada e aprofunda ainda mais o beijo. Rhoda não queria acreditar no que os olhos dela mostravam.
Rhoda: – Será que entendi mal o que aconteceu no festival? Terá apenas sido algo do momento? – Falando com ela mesma em pensamento onde sentia-se confusa e triste ao mesmo tempo.
A única coisa que ela queria naquele momento era sair o mais rápido do local para longe possível. Deu alguns passos para trás antes de começar a correr o mais depressa que pôde, com as lágrimas a caírem pelo rosto abaixo.
Nas ruínas ela sentou-se no chão tapado o rosto com as pernas ficando durante algum tempo assim antes de reconhecer a presença que se aproximava dela. Num rápido movimento, ela levanta-se deixando cair a espada que Iorveth deu-lhe e começa a correr o mais longe até onde o folego dela deixou porque não queria falar com ninguém.
Ela ficou parada durante algum tempo no mesmo sítio a olhar para o vazio do chão, onde as lágrimas continuavam a cair. Sem ela aperceber-se é envolvida por de trás conhecendo bem aqueles braços.
Ilthuryn: – Rhoda… – Aconchegando-a ao peito dele com cuidado.
Rhoda: – Ilthuryn…
Ilthuryn: – Lembras-te da primeira vez que nós conhecemo-nos? – Num tom calmo.
Rhoda: – Sim. – Tocando no braço dele.
Ilthuryn: – Foi numa noite como esta. Estavas a fugir, com lágrimas nos teus olhos. – Fazendo uma pausa. – Nessa noite, eras para ter sido a minha presa, mas algo em mim deteve-me de o fazer. Ao aproximar-me de ti vi que estavas ferida e cansada, estendi a minha mão até ao teu rosto tocando ligeiramente, no qual não recusaste, mas levantas-te e afastar-te de mim confusa, porque sabias o que era.
Rhoda nada disse apenas escutava, a voz calma de Ilthuryn, que por algum motivo fazia sentir-se segura.
Ilthuryn: – Nessa noite, ainda tentas-te atacar-me mas acabaste por desmaiar, onde apanhei-te nos meus braços, levando-te até ao esconderijo, onde cuidei de ti, todos os dias mesmo depois de recuperares a cem por cento. – Fazendo de novo outra pausa. – Este sentimento que desenvolvi por ti é real, Rhoda.
Rhoda: – Ilthuryn, – Num tom baixo. – como podes ter tanta certeza de tal sentimento? Tu és um demônio, não é suposto sentires sentimentos.
Ilthuryn: – E o que tem de eu ser um demônio? Deveria ser julgado só porque sou diferente? No dia em que nos defrontamos, eu podia ter-te vencido sem problemas, mas eu não o fiz porque não queria magoar-te. – Apertando ligeiramente Rhoda. – Tudo o que tivemos, eu não quero esquecer.
Rhoda olhou em frente e nesse momento a mente dela levou-a ao passado, aos anos que ela e Ilthuryn eram companheiros. Lembrando-se que foi ele quem cuidou dela quando ela precisou, foi ele quem deu um ombro quando precisou de chorar, foi ele quem a protegeu quando necessitou.
Rhoda: – Tu sempre tiveste lá para mim…. sempre. – Apertando o braço, abaixando a cabeça. – Ilthuryn…
Ilthuryn: – Eu sei que recentemente desenvolves-te sentimentos, – Pondo-se de frente para Rhoda, em que vê alguma surpresa no olhar dela. – mas tu como eu sabemos que infelizmente não existe um lugar para nós neste mundo, ao lado deles. – Vê Rhoda a desviar o olhar. – Rhoda olha para mim.
Rhoda ainda demorou algum tempo a olhar de novo nos olhos semicerrados de Ilthuryn. Ela não podia negar que ele tinha razão no que dizia em certa parte.
Ilthuryn: – Ainda podemos voltar ao que éramos.
Rhoda: – Não sei Ilthuryn…. Eu sinto-me tão confusa. – Afastando-se dele.
Ilthuryn: – Rhoda, – Pegando num dos braços gentilmente. – fica comigo. Já chega de sofreres.
Rhoda: – Ilthuryn eu… por favor solta-me… – Fazendo alguma força para soltar-se.
Ilthuryn na altura que ia soltá-la, puxa-a para ele encontrado os lábios dela, surpreendendo-a. Rhoda ainda deu alguma resistência, mas por pouco tempo. Ela naquele momento sentiu conforto naquele beijo gentil e prolongado. Olhou corada para Ilthuryn onde a abraçou com cuidado. O calor que sentia era reconfortante, era o que necessitava naquele momento. A mente dela começou a questioná-la o que ela realmente queria daqui para frente.
Ilthuryn: – Quero que penses no que disse, não necessitas de ter pressa. Eu aguardo o tempo que for preciso. – Continuando abraçá-la, falando no ouvido dela.
Rhoda afasta-se dele olhando para ele sem dizer nada. Ilthuryn antes de desaparecer na noite passa ligeiramente a mão na face dela, analisando o olhar dela, onde fecha os olhos para apreciar o toque dele. Ao abrir de novo os olhos ela encontrava-se sozinha, ainda olhou em volta à procura mas não viu ninguém.
Regressou às ruínas pensativa, onde atrás de si ouviu um barulho vindo da vegetação onde pelo passo, Rhoda reconheceu quem era.
Rhoda: – O que queres, Anhaern? – Olhando pelo ombro.
Anhaern: – Eu reparei que na tenda nos viste a beijar-nos.
Rhoda: – E? – Voltando-se para ela.
Anhaern: – Bem aproveito, para dar novidade. – Rhoda cruza os braços à espera que ela fala-se. – Eu e Iorveth estamos noivos. – Com sorriso nos lábios, mostrando o anel de noivado.
Nesse momento, Rhoda sente de novo um aperto no peito e tristeza, apesar de não mostrar para fora. A mente dela sem pensar muito relembra-a da conversa com Ilthuryn.
Rhoda: – A onde queres chegares?
Anhaern: – Quero que te afastes de Iorveth!!! – Num tom sério.
Rhoda: – Sabes que isso é impossível devido que estou na mesma equipa que ele.
Anhaern: – Eu não estou a falar a nível profissional, mas sim pessoal. Eu tenho olhos na cara, Rhoda.
Rhoda: – Se passamos tempos os dois sozinhos foi porque Iorveth quis.
Anhaern: – Ultimamente têm passado muito tempo sozinhos….
Rhoda: – Eu não sei onde tiraste essa ideia. – Rindo-se. – Para além de que Iorveth não mencionou nada acerca disso.
Anhaern: – Isso é costume dele. Ele pensa que toda a gente consegue ler as entrelinhas, sabes? – Á espera que Rhoda responde-se mas nunca aconteceu. – Bem, qualquer das formas, eu achei por bem avisar-te, antes que tentes alguma coisa.
Rhoda: – Não te preocupes, porque haveria de tentar algo? Somos apenas colegas de trabalho, nada mais.
Anhaern: – Ainda bem que percebes. – Sorrindo-se.
Rhoda: – Parabéns pelo vosso noivado.
Anhaern: – Obrigada. Bem, vou andando e vemo-nos amanhã, Rhoda. – Sorrindo-se.
Rhoda vê Anhaern a desaparecer entre a vegetação da floresta. Pegou na espada que Iorveth tinha oferecido olhando pensativa com olhar triste suspirando.
Rhoda: – Tenho que pensar seriamente no que quero…. – Pondo a espada à cintura.
Ao chegar ao acampamento, Rhoda decidiu devolver a espada a Iorveth. Na tenda viu Iorveth a fumar um cachimbo, no qual reparou no olhar distante e triste de Rhoda, o que estranhou.
Rhoda: – Venho devolver-te a espada que me deste. – Tirando da cintura. – Eu não consigo manuseá-la como deve ser.
Iorveth: – Não foi o que me pareceu quando a utilizas-te contra o guarda. – Pousando o cachimbo na mesa.
Rhoda: – Isso foi coisa do momento. – Pousando a espada na mesa. – Tem uma boa noite. – Voltando-se de costa para ele.
Iorveth: – Ainda não me disseste o que querias falar comigo.
Rhoda: – Já não tem importância. – Falando pelo ombro. – Deixou de ter importância.
Iorveth nada disse apenas viu Rhoda a sair da tenda, abaixou o olhar até à espada pensativo. Na tenda Selina viu Rhoda a entrar, no momento em que ia falar com ela reparou que o olhar de Rhoda era distante e por isso optou por não dizer nada, apenas viu-a a deitar-se na cama de costa para ela.
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