Sanctuary
15 The Long Wait

Rhoda acordou mais cedo do que o habitual, vestindo a nova muda de roupa e preparando-se para sair da tenda tendo o cuidado de não acordar Selina. Cá fora o céu ainda estava pintado de azul escuro, onde o acampamento estava mergulhado num profundo silêncio e praticamente desértico, vendo-se apenas os esquilos que estavam a trabalhar no turno da noite que estava quase acabar.
Rhoda caminhou pelo acampamento passando pela tenda de Iorveth vendo que ele ainda estava a dormir. Foi até ao lago sentando-se à beira da margem olhando para o horizonte à espera do nascer do sol. Passado alguns minutos alguém aproxima-se dela.
Rhoda: – Iorveth?! – Olhando para trás surpreendida.
Iorveth: – O que fazes acordada tão cedo? – Ficando ao lado dela com os braços cruzados.
Rhoda: – A fazer tempo para entrar ao serviço e a ver o nascer do sol. – Olhando de novo para o horizonte.
Iorveth: – Eu sei de um lugar onde poderias ver muito melhor o nascer do sol. Aliás tu já lá tiveste uma vez. Vamos?
Rhoda: – Sim. – Levantando-se do chão.
Os dois foram até ao lugar onde Iorveth gostava de relaxar. No topo da árvore, Rhoda conseguia ver um lindo panorama do azul escuro que começava a desaparecer gradualmente tornado-se num azul alaranjado. Iorveth observou o fascínio no olhar de Rhoda que o fez sorrir.
Rhoda: – Tens razão, Iorveth aqui é o lugar perfeito para assistir ao nascer do sol. – Sem tirar os olhos do fenômeno que já começava.
Iorveth aproxima-se por detrás dela envolvendo-a nos braços dele puxando-a contra o peito, onde Rhoda no pescoço dela sentia o respirar calmo de Iorveth. Rhoda não conseguiu esconder o pequeno sorriso, pousando a mão no braço dele. Os dois em silêncio observaram o nascer do sol durante algum tempo, sabendo que mais cedo ou mais tarde tinham de regressar ao mundo real.
Iorveth: – Temos de ir, Rhoda. – Dando um beijo no cabelo dela antes de a soltar.
Rhoda: – Eu sei.
Iorveth ajudou Rhoda a descer a árvore, onde foram os dois até à tenda onde no caminho o acampamento gradualmente começava a ganhar vida. Cá fora não havia ninguém à porta, por isso entraram onde Rhoda foi até a mesa de operações observando o mapa enquanto Iorveth foi buscar algo ao quarto dele.
Rhoda: – Já falta pouco tempo para o grande dia. – Cruzando os braços.
Iorveth: – Sim, é verdade. – Saindo do quarto aproximando-se de Rhoda. – Toma.
Rhoda olhou para Iorveth surpreendida onde estendia a espada que ela tinha devolvido.
Iorveth: – É tua.
Rhoda ainda ficou alguns minutos a processar o que estava a acontecer antes de aceitar a espada e agradecer. Os dois para matar tempo começaram a falar da missão onde gradualmente começaram aparecer os outros esquilos incluindo Anhaern onde Rhoda notou que o olhar dela já não tinha a mesma agressividade que dantes tinha. Como de costume, Iorveth pediu a todos para se aproximarem-se da mesa de operações onde referiu que o grande dia estava a aproximar-se e que iriam rever todos os passos novamente para não haver espaço para erros na execução. Organizou os vários grupos onde Rhoda ficou noutro grupo e a Anhaern no grupo dele. Anhaern estava à espera de algum protesto da Rhoda, mas não houve o que a surpreendeu.
Uma das coisas que Rhoda e Iorveth sabiam fazer era separar o seu relacionamento pessoal do trabalho.
Deslocaram-se até ao local, onde o treino foi um sucesso porque todos estavam focados no objetivo, onde ajudaram-se mutuamente sempre que necessário. No regresso, Ahern observou que Rhoda caminhava atrás de Iorveth onde não interagiam um com outro, achando um pouco estranho. Na tenda, Iorveth deu os parabéns a todos pelo bom trabalho dispensando-os até ao dia da missão. Mais uma vez Anhaern viu Rhoda a sair da tenda com os outros esquilos, intrigando-a novamente.
Cá fora os esquilos queriam comemorar e pediram a Rhoda para acompanhá-los, no qual aceitou. Todos foram para o local onde se realizou o festival das luzes, lá acenderam uma fogueira onde cada um deles sentaram-se da maneira que quis, enchendo os copos à vez.
Rhoda bebeu lentamente o conteúdo do copo para prolongar a bebida pois sabia que em poucos copos ficaria bêbada. Todos felicitaram e beberam em conjunto. No meio da animação um esquilo já sobre a influência do álcool virou-se para Rhoda.
Esquilo 01: – Como te sentes em ser a mulher do Iorveth?
Rhoda: – O quê? – Engasgando-se. – Mulher? Como assim?
Esquilo: – Rhoda, não precisas de esconder. – Rindo-se. – Aqui as notícias espalham-se depressa.
Rhoda: – Bem, já vi que sim. – Suspirando.
Esquilo: – E então, como te sentes em ser a mulher do Iorveth? – Dando um golo.
Rhoda: – Hum…. – Pensando. – Sinto-me normal. – Sorrindo-se.
Esquilo 02: – Eu arrependo-me não ter avançado quando tive oportunidade. – Falando outro esquilo, um pouco já mais afetado com álcool. – Agora fico a ver navios.
Rhoda: – Não desesperes. Há aí muitas boas candidatas solteiras no acampamento, apenas tens que ir à procura. – Dando mais um golo. – Aliás eu já sou demasiado velha para ti, apesar da minha aparência. – Rindo-se.
Esquilo 01: – Então como é que vocês gerem o trabalho e a vida pessoal? – Perguntando o primeiro esquilo. – Como deves saber o Iorveth é bastante ocupado, por causa das responsabilidades que tem.
Rhoda: – Sim, eu tenho a noção que ele é ocupado. Mas sabes uma coisa, o melhor de tudo é não misturar as coisas. Deves saber meter um separador entre o trabalho e a tua vida pessoal e em princípio não haverá problemas.
Esquilo 01: – E não sentes um pouco eufórica com este novo passo na tua vida?
Rhoda: – Claro que sim. – Sorrindo-se.
Esquilo 01: – A sério? – Estranhando. – Não me leves a mal, mas não demonstras lá muito.
Rhoda: – Isso é normal. – Sorrindo-se. – Eu já tive outro relacionamento no passado. É normal que vocês sintam isso, uma vez que nunca experienciaram.
Esquilo 01: – Agora que falas nisso, acho que tens razão.
No meio do convívio a Anhaern aparece para juntar-se que chama atenção de todos os presentes, mas ao ver Rhoda desiste da ideia voltando para trás com olhar triste.
Esquilo 01: – Da última conversa que o Iorveth teve com ela, ela ficou muito mais mansa.
Rhoda: – Eu sei o que ela está a sentir. – Suspirando. – Espero que ela reflita no que fez.
Esquilo 01: – E eu só espero que ela não faça nenhuma idiotice.
Rhoda: – Assim o espero também. – Dando um golo, olhando para a chama da fogueira atentamente.
O grupo ainda ficou a falar de vários temas onde o ambiente continuou a ser de boa disposição e de gargalhadas, quando deram conta das horas já estava a entardecer e cada um deles foi à sua vida. Rhoda a caminho da tenda dela, parou a olhar indecisa para a tenda de Iorveth se devia ou não ir ter com ele uma vez que ainda não tinha acabado o dia de trabalho para dele. Mas no final decidiu ir ter com ele.
Quando entrou, Iorveth estava sentado numa cadeira de estofo vermelha onde no ar sentia-se um aroma de ervas queimadas, olhando para a chama da lareira pensativo, o que não deu conta de Rhoda a entrar.
Rhoda: – Ei. – Aproximando-se.
Iorveth: – Rhoda?! – Levantando-se, de modo a olhar para ela retirando o cachimbo da boca.
Rhoda: – Espero não estar a interromper nada. Eu posso voltar mais tarde, se for o caso.
Iorveth: – Não, nem por isso. Estava apenas a pensar, só isso. Hoje apenas foi mais um daqueles dias estressantes. – Pousando o cachimbo.
Rhoda: – Stressante? Hum…. – Pensativa. – Tu não me pareces stressado.
Iorveth: – Isso é porque não mostro para fora o que sinto. – Com pequeno sorriso.
Rhoda num movimento subtil, aproxima-se abraçando-o, apanhado Iorveth de surpresa.
Rhoda: – Relaxa. – Num tom baixo. – Eu estou aqui. – Mostrando-lhe um sorriso.
Iorveth: – Ainda bem que sim. – Abraçando-a também. – A tua presença sempre me relaxou por algum motivo.
Rhoda: – Hoje Anhaern não quis juntar-se a nós, para comemorar. – Fazendo uma pausa. – Dá-me um pouco de pena, porque ela faz parte da equipa.
Iorveth: – Não devias preocupar-te com ela. – Num tom mais sério. – Se ela está onde está é por culpa dela. Ela apenas está a acolher o que semeou. – Desabraçando Rhoda ficando de costas a caminho da lareira, olhando fixamente a chama por algum tempo. – Hum… desculpa-me, Rhoda, por ter falado num tom brusco. – Suspirando.
Rhoda: – Não faz mal, eu compreendo que estejas magoado com ela. Afinal vocês são amigos de longa data. – Aproximando-se dele. – Eu também vim aqui só para falar um pouco contigo e dar-te as boas noites.
Iorveth: – Rhoda… – Voltando-se para ela. – Achas…. – Pensativo. – Achas que podias passar aqui todas as noites antes de ires dormir? – Rhoda mostrou alguma surpresa. – Eu quero dar-te as boas noites, pelo menos.
Rhoda: – Claro que passo, com tudo o gosto.
Iorveth aproxima-se dela, afastando o cabelo dos olhos de modo a apreciá-los.
Iorveth: – És linda. – Num tom baixo, mas ternurento.
Rhoda corou um pouco, mas não desviou o olhar. Lentamente os lábios de Iorveth aproximam-se dos dela selando-os com beijo profundo e demorado, antes de darem as boas noites um ao outro. No regresso à tenda, Rhoda viu que Selina a preparar-se para ir dormir, onde deram as boas noites.
Na cama, Rhoda deitou-se ao comprido observando o tecto pensativa, esperando que o sono viesse. A mente dela não pensava em nada em concreto, o que começou a dar lugar ao sonho que veio gradualmente.
Nos dois dias seguintes em que o grupo dela estava dispensado Rhoda ficou na tenda, sentando-se na beira da cama observando a espada que Iorveth tinha oferecido com mais atenção, reparou que era mais leve do que as espadas que estava habituada, viu que o desenho no cabo da espada era bastante detalhado o que a surpreendeu-a. Deitou-se na cama a pensar um pouco triste porque ainda não tinha oferecido nada a Iorveth. Olhou em volta na tenda mas nada preenchia o requisito de “especial”.
Rhoda: – Espera!!! – Levantando-se da cama até a cómoda, lembrando-se de algo.
Abriu a gaveta e de lá tirou um fio em ouro tendo como imagem uma pequena folha verde, ficou a observar durante algum tempo o fio, uma vez que era para ter sido oferecido a Joshua no dia em que morreu, o que nunca o fez. Contudo não sabia se deveria oferecer o fio, já que era para outra pessoa, que já não existe.
Rhoda: – Não custa nada tentar. – Arrumando o fio, um pouco nervosa.
Esperou pelo final do dia onde dormiu uma sesta, antes de ir à tenda de Iorveth.
Rhoda: – Ei. – Entrando na tenda. – Como foi o teu dia, hoje? – Aproximando-se com sorriso.
Iorveth: – Menos stressante que ontem, sem dúvida.
Rhoda: – Ainda bem. – Mexendo nos bolsos. – Isto é para ti. – Mostrando um pequeno papel.
Iorveth pega no pequeno papel desembrulhando vendo o fio de ouro.
Rhoda: – Eu tinha comprado na altura quando o Joshua ainda era vivo. – Fazendo uma pausa. – Era para ter oferecido a ele, mas ele morreu nesse dia. – Num tom um pouco triste. – Senão o gostares não há problema. Eu posso arranjar outra coisa- Sorrindo-se.
Iorveth: – Não. – Pegando no fio, para pô-lo no pescoço. – Tudo o que vem de ti é sempre especial para mim.
Rhoda ficou sem palavras para com que Iorveth disse-lhe, onde aproveitou o momento para abraçá-la.
Rhoda: – Amanhã é o grande dia.
Iorveth: – Sim. E vai ser um longo dia.
Rhoda: – Não achas que devias deitar-te um pouco mais cedo, por causa disso? Eu só estou a dizer isto porque nos últimos dias tens deitado tarde.
Iorveth: – Eu sei. – Pensativo.
Rhoda: – Há alguma coisa que esteja a incomodar-te para teres insónias?
Iorveth desviou o olhar, o que chamou Rhoda atenção porque ele nunca tinha feito isso anteriormente, o que a preocupou.
Rhoda: – Iorveth? – Pegando no rosto dele com cuidado, voltando para ela. – Sabes que podes falar comigo.
Iorveth: – Rhoda eu…. – Fazendo uma pausa. – Sinto a tua falta. – Num tom baixo.
Rhoda olhou surpreendida, para Iorveth ficando sem palavras.
Iorveth: – O pouco tempo que passamos juntos, não me chega…. e… – Fazendo uma pausa. – Desculpa, esquece o que disse. – Afastando-se dela, ficando de costas.
Rhoda aproxima-se dele ficando à frente, tocando novamente no rosto dele, com um largo sorriso.
Rhoda: – O sentimento é mútuo, Iorveth. Eu também sinto a tua falta. Mas como poderíamos resolver o problema? – Pensativa.
Iorveth: – Podias dormir de vez em quando aqui.
Rhoda: – Tens a certeza? – Um pouco preocupada. – Eu não quero que os esquilos vejam isto com maus olhos. Tu és um símbolo para eles.
Iorveth: – E não vão ver isto com maus olhos, uma vez que preciso de ti para falar de trabalho, que vai ser prolongado por algumas horas.
Rhoda sorri e Iorveth a leva até ao quarto. Foi a primeira vez que Rhoda viu o quarto dele, existia algumas cabeças de animais como troféu, mas o resto da mobília era simples. Viu Iorveth a deitar-se na cama de casal pousando as mãos atrás da nuca. Rhoda aproximou-se do outro lado da cama ficando sentada virada para ele, observando o rosto dele.
Iorveth: – O que se passa? – Olhando para ela.
Rhoda: – Não é nada. Eu apenas estava a precisar o teu rosto que é lindo.
Iorveth: – Mas tu é que és linda. – Dando um pequeno riso, retirando uma das mãos na nuca tocando no rosto de Rhoda.
Rhoda apreciou o toque de Iorveth antes de se enroscar ao peito dele, pousando a cabeça dela, abraçando-o.
Rhoda: – Amo-te, Iorveth. – Num tom baixo.
Iorveth ao ouvir Rhoda levanta-se, ficando apoiado com o cotovelo direito na cama a olhar surpreendido.
Iorveth: – O que disseste?
Rhoda: – Amo-te, Iorveth. – Agora num tom normal.
Pela primeira vez Rhoda presenciou Iorveth a ficar sem palavras, mas também viu as leves lágrimas que lhe escorriam pelo rosto onde tentou esconder, mas Rhoda abraça-o para reconforta-lo, onde Iorveth aproveita esse momento para a beijar intensamente.
Iorveth: – Sinto-me feliz ao teu lado. Tu completas-me.
Rhoda: – E tu a mim. – Olhando para ele.
Iorveth voltou-se a deitar e Rhoda de novo enroscou-se ao peito dele, onde ainda tiveram um pouco à conversa, antes de o silêncio invadir o quarto. O leve respirar que Iorveth tinha indicou a Rhoda que ele tinha adormecido já há algum tempo. Gradualmente o sono começava a chegar a Rhoda que não deu conta de adormecer mas notou que se sentia em paz.
Na manhã seguinte Rhoda reparou que Iorveth já não se encontrava no quarto. Viu que tinha por cima dela um cobertor. Preparou-se e foi até a mesa de operações, onde viu ele com olhar sério para uns papéis.
Rhoda: – Ei!!! – Chamando atenção.
Iorveth: – Rhoda… – Suavizando o olhar para ela. – Dormiste bem?
Rhoda: – Sim e tu?
Iorveth: – Também, já não sei há quanto tempo que não dormia assim tão bem.
Com o avançar da manhã o grupo começou a entrar na tenda gradualmente, até todos estarem presentes.
Iorveth: – Hoje é o grande dia. Vamos a isto. – Levantando o braço para elevar moral do grupo.
Rhoda bem como o resto dos esquilos levantaram o braço. Ao saírem da tenda vários olhares curiosos observaram a partida do grupo. Percorreram o trilho até ao local pelas sombras onde preparam-se indo cada um dos grupos para os locais que praticaram nos treinos.
Anhaern estava em posição onde viu ao longe os guardas e os mercadores. Ela olhou para Rhoda dando o sinal para avançar até à área onde estava o monstro de carapaça, apesar de ser difícil a olho nu ver o monstro Rhoda numa fração de segundo conseguiu ver que o monstro estava na entrada da caverna.
Rhoda deu sinal a Iorveth que se encontrava nas proximidades indicando que estava pronta. Ele voltou para junto de Anhaern há espera.
A caravana vinha a passo regular onde estavam guardas à frente e à retaguarda, onde atrás vinham os elfos.
Guarda: – A sério que tínhamos que vir pela floresta. – Reclama um dos ajudantes ao mercador. – Eu gosto de ter os pés bem assentes na terra e não nesta floresta húmida e pantanosa. Espero que a sua teimosia não nos condene.
Mercador: – Achas meu jovem? Porquê achas que contratei os melhores guardas para esta viagem?
Guarda: – É como queira…. – Abanando a cabeça com desaprovação.
Rhoda esperava paciente pelo momento certo para avançar. Assim que a carroça se aproximou, ela avança agilmente até ao monstro despertando-o a atenção. Na entrada Anhaern lança uma flecha de poeira de maneira que os guardas da frente não conseguem ver, o que não deixaram de ouvir o grito estridente do monstro, o que fez parar a carroça. Rhoda conseguiu conduzir o monstro até ao local onde estava os guardas.
Assim que os guardas da frente viram o monstro ficaram, aterrados, onde os guardas da retaguarda avançaram em auxílio, deixando a parte de trás da carroça onde estão as jaulas vulneráveis.
Nesse momento Iorveth, Anhaern e outros esquilos avançam para atacar. Mas Rhoda pelo canto do olho viu um vulto a avançar para eles. Onde alguns esquilos morreram instantaneamente, o que fez com que Iorveth e Anhaern ficarem atentos.
Rhoda apercebeu-se que o vulto ia para Iorveth e Anhaern, contudo teve que utilizar o poder dela para interceptar o ataque a tempo, onde conheceu quem era.
Rhoda: – Lierin!!!! – Empurrando-a com a foice para atrás. Onde Iorveth e Anhaern olharam para a elfa surpreendidos.
Lierin: – Ora, ora. Voltamo-nos a encontrar. – Rindo-se.
Rhoda: – Desta vez não irás escapar. – Agarrando firme a foice nas mãos com um olhar sério.
Esquilo: – O que está acontecer com eles? – Pergunta um dos esquilos confusos ao pé das jaulas, vendo uma das elfos a gemer.
Rhoda olhou para o local e viu que os mercadores e elfos “pertenciam” agora a Lierin.
Rhoda: – Afasta-te da jaula!!!! – Advertindo o esquilo mas foi tarde demais. – Têm de sair daqui o mais rápido. – Voltando-se para Iorveth e Anhaern que a olhavam um pouco surpreendidos, apercebeu-se que era a primeira vez que a viam com esta forma. – Vocês não irão conseguir vencer esta batalha.
Anhaern: – Mesmo que queiramos fugir acho que não será possível. – Dando um passo atrás.
Eles estavam cercados por vários seres zumbificados na maior parte humanos que se aproximavam deles lentamente.
Rhoda: – Bolas!!! – Franzindo o sobrolho.
Iorveth: – Alguma ideia?
Rhoda: – Eu sozinha não consigo proteger a todos….
Iorveth: – RHODA!!!! – Chamando atenção dela. – Nós não somos nenhuns amadores no campo de batalha. Somos guerreiros como tu. Não precisas de ter todo o peso nos teus ombros. – Olhando para ela.
Rhoda: – Ok. Digam-me se conseguem ver o fio negro a sai da nuca de cada um zumbis?
Iorveth: – Não, mas se acertamos nessa área vai ajudar, certo?
Rhoda: – Sim. Vai fazer com que Lierin perca força, mas tenham em mente que se deixarem que eles vos encurralem vocês morrerem.
Iorveth: – Não te preocupes, que nós fazemos o nosso trabalho e tu foca-te na Lierin.
Rhoda: – Ok.
Iorveth juntamente com Anhaern coordenaram os esquilos o que tinham de fazer, enquanto Rhoda esperava o momento certo para atacar Lierin.
Lierin: – Achas mesmo que tu e os outros vão conseguir derrotar-me só porque perco algumas marionetas?
Rhoda: – Bem, podes contar com isso, Lierin. Assim que te derrotar irei libertar todas essas almas que estão a pressionadas nesses bonecos de trapos que tens à cintura.
Rhoda avançou para ela com alguma agressividade, onde Lierin começou a ter alguma dificuldade em defender-se recuando para trás, o que quer dizer que o grupo Rhoda estava a fazer um bom trabalho. Nesse momento Lierin consome uma alma dos bonecos dando-lhe um pequeno bost ficando ligeiramente mais forte. Sem hesitar ela num rápido movimento, aproximou-se por detrás de Rhoda, ferindo as costas com alguma gravidade, o que não deixou Rhoda de contra atacar de seguida, apanhando o braço esquerdo cortando-o.
No chão Rhoda viu um boneco de trapos onde Lierin de novo iria consumir, mas ela fez o por ela.
Rhoda: – Já tinha saudades deste sabor. – Fechando os olhos, onde sentiu a ferida das costas a curar-se gradualmente.
Rhoda por não consumir uma alma já algum tempo fez com que o poder dela escalasse um pouco acima do normal na sua forma de demônio onde teve de se controlar de modo a não ver tudo como comida.
Rhoda: – Bem a onde nós íamos? – Abrindo lentamente os olhos, para Lierin com frieza. – Oh sim. Acabar contigo.
As duas lançaram-se uma contra a outra, onde mesmo Lierin não tendo um braço ela defendia e atacava sem muitos problemas. Rhoda por duas vezes desferiu três golpes nas duas pernas acima dos joelhos e um no braço direito na Lierin.
Lierin com algum pânico pegou de novo em mais um boneco consumindo mais outra alma, mas desta vez focou-se no grupo do Iorveth onde os seres zumbificados estavam mais agressivos, o que preocupou Rhoda distraindo-se por segundos.
Lierin aproveitou essa distração para avançar até ao grupo onde aleatoriamente atacou alguns esquilos, que não conseguiam acompanhar a velocidade dela.
Rhoda era a única que conseguia acompanhar os movimentos de Lierin, onde viu que um dos ataques dela avançar para Anhaern que não estava ciente do que ia acontecer. Numa rápida corrida Rhoda vai até ao local, empurrando Anhaern para o lado tirando-a da trajectória das adegas, onde consegue interceptar a adega diminuindo apenas a velocidade apanhando o olho direito dela.
Rhoda põe a mão no olho onde sente o sangue a verter pelos dedos, onde verifica se Anhaern estava bem, contudo Iorveth a olhou preocupado e quis se aproximar, mas Rhoda impediu de o fazer mostrando um sinal com a mão. Removeu a mão que cobria o olho direito, onde fechou os olhos concentrando-se nos movimentos de Lierin, para localizá-la de modo a apanhá-la de vez. Em questões de segundos Rhoda avança contra Lierin, apanhando-a de surpresa, onde no último segundo desvia-se do ataque de Rhoda deixando as costas vulneráveis. Num único corte todas as ligações que Lierin tinha desfizeram-se, facilitando o trabalho do grupo dela.
Lierin cai no chão como um animal indefeso onde se arrastava para longe de Rhoda, mas sem muito sucesso.
Rhoda: – Fim do caminho, Lierin. – Pondo a foice junto ao pescoço dela, onde a olhou nos olhos- Últimas palavras?
Lierin: – Últimas palavras? – Começando-se a rir. – Tu perdeste, Rhoda.
Num limpo movimento, Rhoda decapita Lierin onde o corpo dela torna-se em cinza, deixando vários bonecos de trapos no chão, onde apanhou alguns guardados aqueles que já não tinham corpo para onde ir e libertando os outros retornando aos corpos. Rhoda voltou para junto do grupo voltando à forma normal dela e viu que nem todos os esquilos regressaram.
No silêncio da floresta no cimo de uma árvore, Rhoda houve um bater de palmas que a põe em alerta. O olhar dela é captado pela presença de Ilthuryn que encontrava-se sentado num dos troncos das árvores com sorriso. Ao longe o monstro tinha despachado os guardas mas não aproximou-se da área onde estavam, voltando para a entrada da caverna. Rhoda viu que de novo o medo controlava os esquilos.
Ilthuryn: – Um óptimo espectáculo, Rhoda. Eu sabia que não ia me arrepender em assistir. – Levantando-se.
Rhoda: – Deixa-os ir, Ilthuryn. Isto é entre nós.
Ilthuryn: – Deixá-los ir? Porque eu iria fazer isso, se eles são as personagens principais desta peça.
Rhoda olhou um pouco confusa para Ilthuryn por não saber o que ele queria dizer. Num piscar de olhos Ilthuryn desaparece e aparece à frente de um dos esquilos transpassando a mão no corpo dele retirando a alma, tornando-a em cinza.
Rhoda: – Não!!! Deixa-os em paz!!! – Avançado para ele com a espada na mão para ataca-lo, em que desaparece novamente retornando ao ponto inicial.
Ilthuryn: – Talvez os deixe, mas isso irá depender de ti.
Rhoda olhou para Iorveth, Anhaern e os esquilos pensativa, tomando a decisão de abaixar a espada.
Ilthuryn: – Eu sabia que ias tomar a decisão acertada.
Rhoda começou avançar até Ilthuryn, onde ele recebeu-a de braços abertos, acabando por abraçá-la.
Rhoda: – Aqui me tens, deixa-os ir. – Num tom calmo e baixo.
Ilthuryn virá Rhoda para Iorveth, Anhaern e para os esquilos, ficando de costas para ele, onde a puxou para ele dando um beijo no cabelo dela, olhando para Iorveth, vendo-o a fechar o punho com raiva.
Ilthuryn: – Como tornar-te mole e ingénua.
Rhoda: – O quê?!
Nesse momento todos os presentes são amarrados por fios negros que saem da terra onde Rhoda também sentiu-se presa quando tentou voltar-se para Ilthuryn.
Ilthuryn: – Tu és minha Rhoda.
Rhoda: – Não!!!!
Ilthuryn aproximou-se de Rhoda ficando à frente dela rasgando a roupa da parte superior deixando-o os seios envoltos com ligaduras, a tatuagem e a cicatriz à mostra. Ele tocou na cicatriz dela com alguma apreciação, onde subiu até a face dela onde a olhou com olhar profundo.
Ilthuryn: – Vem comigo…. e os teus amigos podem ir. – Vendo alguma surpresa nela. – Apesar destes anos que passaram, continuas linda.
Rhoda: – Ilthuryn?!
Ilthuryn: – Bastas dizeres.
Iorveth tentava soltar-se para ajudar Rhoda mas sem grande êxito. Rhoda abaixou a cabeça pensativa, no que iria responder. Ela queria salvar o grupo, mas ao mesmo tempo não queria ir com Ilthuryn, teria ela a ser egoista?
Ilthuryn: – O que se passa?
Rhoda: – Eu…. – Levantando o olhar para Ilthuryn. – Eu não posso.
Ilthuryn: – Porquê, Rhoda? – Removendo a mão da face dela. – Por quanto tempo tens de sofrer nas mão deles? – Com olhar sério. – Por quantas vezes tens de passar por isso? – Fazendo uma pausa. – Tu e eu não fazemos parte do mundo deles. Não consegues ver isso?
Rhoda permaneceu em silêncio, o que irritou Ilthuryn ligeiramente. Reparou na tatuagem que ela tinha o que fez ao aumentar ainda mais a irritabilidade dele, fechando o punho.
Ilthuryn: – Já olhas-te à tua volta, Rhoda? Estes mortais irão morrer primeiro do que tu, onde no final acabarás sozinha novamente. Onde recomecerás o ciclo de novo, de ser perseguida por aqueles que te temem. – Fazendo uma pausa. – Tu podes acabar com esse ciclo, num estalar de dedos, basta tu quiseres.
Rhoda: – Ilthuryn, – Abanando a cabeça. – eu nunca quis saber do meu poder ou em ser superior aos outros. Eu apenas quero passar um dia de cada vez com aqueles que me aceitam como sou, mesmo que venham a morrer primeiro. – Lembrando-se de todos os rostos em que fez amizade com. – Foi por causa disso que quis prosseguir o meu caminho, separado de ti. Como disse anteriormente o caminho que segues eu nunca poderei seguir contigo. – Sorrindo-se amargamente. – Eu não irei esquecer do que fizeste, por mim, naquela altura, mas infelizmente tu nunca irás compreender a minha decisão, porque não faz parte da tua natureza.
Ilthuryn não conseguiu esconder o quanto desapontado estava novamente com a resposta de Rhoda.
Ilthuryn: – Por mais que tente mostra-te as coisas, vejo que não vale a pena perder mais tempo contigo. – Voltando-se de costas para ela. – A tua alma será a última a ser consumida. – Olhando para o grupo dela com sorriso malicioso.
Rhoda: – Ilthuryn, não!!!! – Tentando soltar-se, mas sem grande sucesso, onde sentiu várias pontas afiadas a pressionarem nas costas.
Ilthuryn: – É inútil tentares libertar-te à força. Se o fizeres o teu corpo irá receber múltiplos cortes de uma só vez se o tentares.
Ilthuryn foi ter com Anhaern, olhando-a com olhar neutro, agarrando o queixo dela onde ela mostrou algum desagrado.
Anhaern: – Não foi isto que acordamos.
Todos do grupo olharam para ela surpreendidos mas também confusos ao mesmo tempo.
Ilthuryn: – Tem de agradecer a Anhaern por ter-me digo o que hoje iria acontecer neste local.
Anhaern: – Tu já tens ela como tu querias. Deixa-nos ir!!!! – Num tom sério.
Ilthuryn: – Os planos mudaram Anhaern. – Soltando o queixo dela. – Tenho que ter o meu prémio de consolação.
Anhaern sentiu o medo a invadir o olhar dela, o que fez Ilthuryn sorrir-se. Rhoda começou a pensar em alternativas para se soltar e salvar o grupo, mas todas iriam pôr em risco a sua vida. Suspirou tomando consciência do desfecho que iria acontecer com ela.
Rhoda reparou que Ilthuryn agora tinha a atenção voltada para Iorveth, que o olhava com ar sério. Ilthuryn observou-o durante algum tempo quando viu o fio de ouro ao pescoço, pegando nele.
Ilthuryn: – Eu lembro deste fio. Foi quando falamos a primeira vez, Rhoda. – Voltado-se para ela, onde mostrou alguma confusão. – No mercado… na tenda de acessórios…
Rhoda nesse instante teve um clique na mente dela onde a levou a esse dia. Foi numa manhã onde ia a caminho do trabalho, onde por acaso passou pelo mercado e o vendedor chamou a atenção dela.
Rhoda: – Eras tu?
Ilthuryn: – Desde que chegaste aquela vila eu tenho observado-te por vários anos. – Fazendo uma pausa. – Tu também tens sangue de demônio, mesmo que não queiras admitir. Sabes o quanto é difícil arranjar uma fêmea demônio nos dias de hoje? – Fazendo de novo uma pausa. – Desde da primeira que te vi, eu soube que eras diferente, foi por isso que tive a estudar ele durante vários anos para compreender melhor como abordar-te.
Rhoda: – Tiveste a observar Joshua? Para me abordar?
Ilthuryn: – No dia que compraste este fio, foi o dia que decidi abordar-te.
Rhoda naquele momento começou a juntar todas as peças de como as pessoas tiveram conhecimento do que ela era e o que levou ao desfecho da família dela. Os vários sentimentos que ela estava a sentir naquele momento eram vários.
Rhoda: – Tudo, o que me tiras-te naquele dia, o luto que tive de passar, todas aquelas pessoas que matei…. Foi só porque querias…… – Começando-se a rir. – Afinal sempre tive razão, não passas de um demônio. Aquilo que chamas de sentimentos na realidade é apenas uma imitação, que fazer sem sentires realmente o que são.
Rhoda abaixou a cabeça ainda a processar o que Ilthuryn tinha-lhe revelado.
Ilthuryn: – Contudo, – Soltando o fio. – quando te encontrei com esta forma, pensei que não iria encontrar mais obstáculos, mas parece que enganei-me. – Voltando-se novamente para Iorveth. – Esse olhar não me intimida, mortal.
Dando-lhe um soco na face, acompanhado com pontapé na barriga, onde Iorveth gemeu ligeiramente, preocupando o grupo. Ilthuryn pegou na adega de Iorveth que tinha à cintura e desferiu o golpe no braço direito, seguindo para a perna esquerda.
Anhaern: – PÁRA!!!! Por favor!!!! Não o magoes mais!!!! – Num tom suplicador.
Ilthuryn avança com a adega acabando por ferir com alguma gravidade a face de Iorveth. Rhoda ao ver aquilo, começa a sentir ódio a crescer dentro dela onde a fome começou a querer sair do quarto a onde a tinha trancado. Ela nesse momento decidiu libertar a fome do quarto, onde os olhos tornaram-se esverdeados brilhantes.
Ilthuryn atrás de si, sentiu uma forte presença, no qual voltou-se para Rhoda, ficando um pouco intimidado. Rhoda tinha ganho uma aura mais escura à volta dela.
Rhoda: – Desta vez não irei cometer o mesmo erro que fiz no passado. – Num tom sério.
Ilthuryn: – Tens a certeza disso, Rhoda? – Não levando muito a sério. – Tu antes de chegares a mim, tu morres pelo caminho. E mesmo que consigas chegar a mim eu ganho no final.
Ilthuryn volta de novo para Iorveth pronto para retirar a alma dele, no momento que levanta mão sente alguma coisa a transpassá-lo, olhou para baixo e viu a mão de Rhoda com a alma dele na mão.
Rhoda: – Game over, Ilthuryn.
Ilthuryn: – Acabaste de te condenar. – Olhando para Rhoda pelo ombro rindo-se.
Rhoda: – Não, tu é que estás acabado. – Mostrando os bonecos de trapo. – Adeus Ilthuryn.
Nesse momento, Rhoda destrói a alma de Ilthuryn, onde converte-se em cinza libertando o grupo. Rhoda olha para Iorveth voltando ao normal com um sorriso, onde de seguida o corpo dela começa a expelir sangue das várias feridas que começam abrir caindo no chão de barriga para cima. Iorveth vai ter com ela, onde vê que os ferimentos dela que eram bastante graves.
Rhoda: – Iorveth…… passa-me….. esses bonecos…. que…. estão no chão….. – Tossindo algum sangue da boca.
Iorveth faz o que ela pediu, onde Rhoda com as poucas forças que tinha conseguiu consumir as várias almas dos bonecos de trapos.
Rhoda: – Não…. te….. preocupes. – respirando com alguma dificuldade. – Os ferimentos internos iram curar-se…..gradualmente, graças aos bonecos.
Iorveth pediu aos esquilos para trazerem algumas ligaduras para envolver as partes do corpo dela que tinham ferimentos mais graves.
Cedric: – Iorveth, tens que levá-la o mais rápido ao acampamento.
Iorveth: – Sim eu sei.
A palidez que Rhoda apresentava indicava que tinha perdido bastante sangue.
Iorveth: – Não te preocupes Rhoda eu irei levar-te às cavalitas o mais rápido que conseguir até ao acampamento.
Os esquilos ajudaram a levantar Rhoda com cuidado apesar das dores que sentiu quando mexeram nela.
Rhoda: – Iorveth…. Não me deixes adormecer… pelo caminho. – Um pouco ofegante.
Cedric: – Iorveth, não te preocupes que eu coordeno o resto do grupo para regressamos ao acampamento, sem problemas.
Iorveth: – Ok.
Pelo caminho Rhoda fazia de tudo para manter-se acordada, mas a tarefa estava a ser difícil.
Iorveth: – A Selina contou-me que conseguiste ser amiga de um cavalo que tinha medo de humanos.
Rhoda: – Sim, consegui….. Foi uma experiência que gostei de ter. – Fazendo uma pausa. – Um pouco de paciência e comida há mistura, ajudou bastante no percurso. Foi ele que depois da morte do potro pôs-me um sorriso na cara e… – Tossindo com alguma violência.
Iorveth: – Rhoda!!!
Rhoda: – Iorveth…. – Num tom baixo. – Amo-te.
Iorveth: – Rhoda? – Esperando uma resposta, que nunca veio. – Rhoda? RHODA!!! Bolas. – Acelerando ainda mais o passo, até ao acampamento.
Na entrada do acampamento, Iorveth pede a uns esquilos para chamarem a equipa médica, quando se deslocava para o posto. Selina aproxima-se dos dois juntamente com mais dois colegas que tinham trazido uma maca onde Iorveth pousou Rhoda com cuidado com ajuda dos médicos.
Selina: – Depressa levem-na para o bloco. – Ordenando aos colegas para moverem-se, onde ela olhou para Iorveth, preocupada. – Iorveth, – pondo a mão no ombro dele. – por favor, vai tratar das tuas feridas.
Iorveth: – Sim eu vou…. – Olhando para maca de Rhoda, num tom baixo.
Cedric entretanto entra no posto, onde Anhaern e mais alguns esquilos foram visto pelos médicos. Selina chamou atenção de Cedric para levar Iorveth a um colega dela uma vez que não se movia do mesmo sítio.
Cedric: – Anda, Iorveth. – Chamando-lhe a atenção.
Iorveth: – Selina, -Fazendo uma pausa. – por favor salva-a.
Selina: – Deixa nós fazer o nosso trabalho. – Indo para o bloco operatório.
Naquele momento a mente Iorveth começou a pensar em vários desfechos possíveis. O tempo naquele local pareceu-lhe ter ficado mais lento do que o normal, as coisas à sua volta pareciam mais lentas.
O médico que examinou Iorveth de certo modo ficou surpreendido, por ele não reclamar de dor com as feridas que apresentava. A dor que ele sentia por dentro naquele momento era muito maior que a dor física que tinha. A mente dele continua cheia de incertezas. Observou as mãos dele onde tinham vestígios de sangue.
Ao longe viu Anhaern a ser tratada num dos braços. Entretanto, o médico que o estava a tratar dele disse que já estava despachado onde aproximou-se dela.
Iorveth: – Temos de falar. – Num tom sério. – Assim que puderes. – Nada disse Anhaern apenas acenou a cabeça positivamente.
Na saída do posto Cedric encontrava-se encostado a uma parede indo ter Iorveth.
Iorveth: – Bom trabalho Cedric. – Olhando para ele. – Pede à Selina para vir ter comigo quando acabar, eu terei na tenda.
Na tenda, Iorveth olhou para o vazio da chama da lareira que dançava lentamente. Anhaern passado um bocado entra na tenda sozinha em silêncio.
Iorveth: – Tu e os teus guerreiros podem ficar no acampamento até recuperarem a cem percento, mas depois disso quero que partem do acampamento.
Anhaern: – Iorveth, – Iniciando num tom baixo. – eu posso explicar.
Iorveth: – Anhaern, – Voltando-se para ela. – não há nada para explicar. – Num olhar sério. – A Anhaern que conheci há anos atrás ela já não existe mais. A pessoa que tenho agora à minha frente não sei quem é. – Fazendo uma pausa. – A única coisa que sei é que esta pessoa à minha frente é uma pessoa cega pela inveja e que quase nos matou a todos por causa disso, onde agora Rhoda está a lutar entre a vida e a morte.
Iorveth: – Iorveth….
Anhaern: – NÃO Anhaern!!! – Levantando a voz. – Eu não quero ouvir mais nada. Podes ir. – Voltando-se para lareira.
Anhaern sai sem silêncio da tenda onde continuou a templar a chama, um pouco impaciente à espera de notícias da Selina. No ver dele o tempo parecia não querer avançar, até que alguém entra na tenda.
Selina: – Iorveth? – Chamando-o, onde ele volta-se para ela. – Rhoda está fora de perigo, por agora. – Vendo um pequeno sorriso na face de Iorveth. – Não foi fácil a operação devido aos vários cortes que ela apresentava no corpo. Não sei como é que ela não ficou com hemorragias internas.
Iorveth: – Ela consumiu algumas almas.
Selina: – Oh!!! Isso explica muito.
Iorveth: – Achas que posso vê-la?
Selina: – Sim, claro que sim.
Os dois foram até ao posto onde Selina indicou-lhe a cama de Rhoda. Iorveth ao entrar viu Rhoda a dormir coberta de ligaduras, o que o fez sentir impotente de ajudá-la.
Iorveth: – Ela irá acordar? – Olhando para Selina.
Selina: – A isso não sei responder. Nós fizemos tudo o que podemos. Agora é com ela.
Iorveth: – Obrigada Selina, pelo teu bom trabalho.
Selina despede-se de Iorveth deixando-o sozinho com Rhoda, onde ele pega com cuidado a mão dela beijando-a. Nada disse, simplesmente puxou um banco sentando-se à espera que ela acordasse pacientemente.
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