Sanctuary

16 New Step


Rhoda acordou lentamente, antes de aperceber que estava deitada sobre um manto de vegetação de uma floresta que não era a de Flostam, mas já tinha estado nela há muitos anos atrás. Levantou-se olhando em volta, onde reparou num trilho à sua frente reconhecendo a onde a levaria. Seguiu o trilho com passo regular um pouco nervoso, quando chegou ao fim dele os seus olhos não queriam acreditar no que viam, a sua antiga casa.

Demorou algum tempo a realizar que o Joshua cortava lenha de tronco num enquanto o filho dela brincava com pequenas pedrinhas de várias cores. Era como se tivesse regressado de mais um dia de trabalho a casa. Aproximou-se lentamente o que chamou a atenção dos dois.

O filho dela levantou-se aproximando-se dela com largo sorriso, comprimentando-a, enquanto Joshua pousa o machado e aproxima-se.

Rhoda: – Joshua… – Com as lágrimas a quererem sair dos olhos.

Joshua: – Olá Rhoda. – Com uma voz ternurenta.

Rhoda avançou para ele mas algo impedia de chegar a ele.

Rhoda: – Desculpa-me…. Eu não consegui proteger-vos… – Abaixando o olhar.

Joshua: – A culpa não foi tua.

Rhoda: – Eu devia ter tido mais atenção, ao meu redor… – Levantando de novo o olhar. – Sinto a vossa falta.

Joshua: – Eu sei que sim.

Filho: – Mamã?

Rhoda: – Ei pequeno. – Ficando de cócoras. – Continuas lindo como me lembro.

Filho: – Anda mamã, quero dar-te um abraço. – Com os braços esticados para ela.

Rhoda: – Filho, eu não consigo. Existe alguma parede que me impede de chegar a ti. – Levantando-se.

Joshua: – Filho. – Chamando a atenção com uma voz calma. Vai brincar com as tuas pedrinhas que eu e a mamã temos que falar.

Filho: – Ok, pai. – Afastando-se alegremente.

Rhoda: – Por um lado fico feliz de ele não ter perdido aquela felicidade.

Joshua: – Sim, mas Rhoda, sabes que lugar a este?

Rhoda: – Um sonho talvez.

Joshua: – Lembras-te do que aconteceu antes de chegares aqui?

Rhoda: – Vagamente, mas … – Começando a juntar as peças. – sim, lembro-me da batalha que tive com Ilthuryn, de Iorveth levar-me o mais depressa para o acampamento e depois mais nada. – Fazendo uma pausa. – Mas se isto não é um sonho, que lugar é este?

Joshua: – Este lugar tem muitos nomes, vários cenários diferentes, para quem chega. Normalmente para quem chega costuma ver o que sente mais falta.

Rhoda: – Então quer dizer que tu não és real? És apenas uma memória minha?

Joshua: – Se formos ver por esse prisma, sim.

Rhoda por mais uma vez tentou aproximar-se de Joshua mas a parede invisível não a deixou.

Rhoda: – Porque não consigo aproximar-me de ti?

Joshua: – Porque ainda não chegou a tua altura.

Rhoda: – Mas….

Joshua: – Não tenhas pressa, Rhoda. Eu estarei aqui à tua espera quando for altura certa, onde teremos todo o tempo do mundo para falar. – Com um sorriso. – Aliás tens uma nova vida ainda para desfrutar, novas memórias ainda para fazer e pessoas que aguardam o teu regresso ansiosas.

Rhoda: – E se eu esquecer de ti e do nosso filho com o passar dos anos? – Preocupada.

Joshua: – Isso nunca irá acontecer porque somos parte de ti, enquanto fores viva.

Rhoda mostrou um sorriso de felicidade a Joshua.

Joshua: – O teu sorriso continua o mais lindo de todos. – Rhoda corou um pouco. – Vai agora.

Rhoda acenou com a cabeça, onde viu Joshua a retomar ao trabalho de cortar lenha. Gradualmente afastou-se da casa, seguindo o trilho até ao local onde acordou, onde à frente dela outro trilho tinha se formado. Percorreu a passo regular até começar a ter dificuldade em ver o que estava à frente dela por causa da intensa claridade, até ficar novamente escuro.

De novo abriu lentamente os olhos reconhecendo o local onde estava. Na mão direita sentiu calor, virou ligeiramente a cabeça e Iorveth dormia ao lado dela.

Rhoda: – Iorveth? – Chamando-o num tom baixo, esperando alguma resposta que não veio.

Apertou ligeiramente a mão dele e viu que acordava lentamente.

Rhoda: – Iorveth….

Iorveth: – Rhoda? – Levantando-se ainda não acreditando no que estava acontecer. – Vou chamar a Selina. – Saindo ao pé dela com passo apressado.

Em poucos minutos Selina e Iorveth entram no quarto onde uma pequena multidão ficou à porta a ver Rhoda. Selina examinou Rhoda com cuidado antes de lhe mostrar um largo sorriso.

Selina: – Bem vinda. Vejo que o teu longo descanso ajudou-te a curar algumas das tuas feridas mais graves.

Rhoda: – Descanso longo? Como assim?

Selina: – Tiveste a dormir durante um mês.

Rhoda mostrou alguma surpresa, na resposta de Selina, porque para ela tinham só passado alguns minutos. Selina pediu ajuda a Iorveth para sentar Rhoda na cama e viu que ela já não sentia muitas dores quando mexia nela.

Selina: – Mas qualquer uma das formas tens de ficar em repouso, sem grandes aventuras. – Ajeitando as almofadas. – Vá entrem. – Dando sinal aos esquilos à porta com sorriso.

Gradualmente um a um foram entrando onde o ambiente era caloroso, muitas caras conhecidas de Rhoda estavam presentes, onde no fundo do quarto viu Anhaern misturada com a multidão em que estava prestes a sair.

Rhoda: – Anhaern?

Todos os presentes ficaram em silêncio a olhar para ela.

Rhoda: – Por favor, aproxima-te. – Num tom calmo.

Anhaern aproximou-se até ao fundo da cama com cabeça baixa à espera, onde viu Rhoda toda ligada mas com uma expressão serena.

Rhoda: – Estás bem? – Anhaern mostrou alguma surpresa.

Anhaern: – Porque queres saber? – Olhando para baixo novamente. – Eu quase que…

Rhoda: – Anhaern, eu sei que não somos as melhores amigas ou algo do gênero, mas eu preocupo-me, seja contigo ou com qualquer um. – Anhaern olhou novamente surpreendida. – A batalha que tivemos, não foi fácil e…. perdemos muitos bons guerreiros, contudo eu gostava de saber como estás tu. – Com um pequeno sorriso nos lábios.

Naquele momento os olhos de Anhaern começam a verter lágrimas pelo rosto abaixo, abaixando a cabeça.

Anhaern: – Eu estou bem. – Com uma voz trêmula, limpando as lágrimas dos olhos.

Iorveth cruzou os braços olhando para Rhoda pensativo onde mesmo estando às portas da morte, Rhoda iria sempre preocupar-se com os outros.

Anhaern: – Quero que fiques com isto. – Retirando um fio do pescoço, com uma forma de dente, dando a ela.

Rhoda: – Obrigada.

Anhaern: – Nós iremos partir daqui a dois dias.

Rhoda ficou surpreendida com a notícia, mas não fez perguntas.

Rhoda: – Boa sorte para tua jornada. Espero que um dia os nossos caminhos voltem a cruzar-se novamente.

Anhaern antes de sair do quarto dá um sorriso a Rhoda, onde os outros esquilos também começam a sair gradualmente, ficando no quarto Selina, Cedric e Iorveth.

Selina: – Bem parece que acabaste de fazer uma amiga improvável.

Rhoda: – Eu sei que eu e ela não começámos bem, mas eu sempre preocupei-me com ela, apesar do que aconteceu.

Selina: – É mesmo típico de ti. – Rindo-se. – Eu gostava de ficar a falar mais tempo mas o trabalho chama-me. De certeza que vocês os dois devem ter muita coisa para falar. – Olhando para Iorveth e Rhoda. – Se precisarem de alguma coisa estejam à vontade. – Saindo do quarto na companhia de Cedric.

Iorveth sentou no banco ao lado de Rhoda onde permaneceu em silêncio durante alguns minutos, pensativo.

Iorveth: – Preocupas-me bastante.

Rhoda: – Não necessitavas de preocupar-te, eu tinha tudo controlado.

Iorveth levanta-se bruscamente onde caminhou para o fundo da cama.

Iorveth: – Tu não deves estar a perceber a gravidade da situação. – Num tom sério, onde Rhoda ficou atenta a ele. – O que achas que iria acontecer se não tivesses aqueles bonecos contigo? – Rhoda abaixou o olhar. – Eu sei muito bem em que estado graves estavas, naquela altura. – Cruzando os braços.

Rhoda permaneceu em silêncio ficando pensativa olhando para as mãos. Iorveth suspirou e aproximou-se dela pegando com cuidado a mão.

Iorveth: – Tu és muito importante para mim. Eu não quero perder-te. – Num tom calmo.

Rhoda: – Desculpa. – Olhando agora para ele.

Iorveth beijou a testa de Rhoda sentando-se de novo no banco.

Rhoda: – Selina disse que tive um mês a dormir… – Pensativa. – Isso quer dizer que tiveste sempre aqui ao pé de mim?

Iorveth: – Sim, a maior parte dos dias quando o trabalho deixava. A Selina é quem cuidava de ti e outros assuntos mais relacionados de médico.

Rhoda: – Estou a ver. – Suspirando. – Estou desejosa de voltar ao activo.

Iorveth: – Eu sei que sim, mas uma coisa ao seu tempo.

Na entrada do quarto um esquilo pediu licença para entrar onde foi ter com Iorveth que suspirou.

Iorveth: – Tenho que ir. – Levantando-se. – Espero conseguir vir ver-te no final do dia.

Rhoda: – Cá estarei à espera.

Com a partida de Iorveth, Rhoda é mergulhada no silêncio, mas por pouco tempo.

Selina: – Está na hora de cuidar de ti. – Entrando no quarto.

Selina estendeu uma cortina branca para dar alguma privacidade às duas, onde esteve a examinar pacientemente as feridas de Rhoda, tendo algumas feridas já curadas não necessitando de atenção. De seguida ajeita Rhoda de maneira a poder limpar as costas com uma esponja húmida, passando para frente, percorrendo as pernas até aos pés terminando nos braços e mãos.

Rhoda: – Selina, sabes mais ou menos quando posso voltar ao activo?

Selina: – Hum… não sei, Rhoda. – Arrumando os acessórios de higiene.

Rhoda: – Achas que poderias-me ajudar a pôr em pé só para ver se me aguento.

Selina: – Rhoda vais desculpar-me, mas isso está fora de questão. Se fizesse isso irias cair directamente no chão. – Num tom sério. – Não te esqueças que o teu corpo foi muito mal tratado.

Rhoda: – Compreendo. – Suspirando.

Selina: – Eu já tinha agendado para semana o início da tua reabilitação, mas se quiseres eu posso mudar o início para amanhã, apenas tenho que falar com os meus colegas da alteração de modo a assistirem-me.

Rhoda: – Se poder ser.

Selina: – Sem problemas. Vou buscar o teu almoço.

Selina após sair do quarto, demorou apenas alguns minutos para voltar, onde deixou Rhoda a comer com calma na companhia do silêncio. Após terminar a refeição, Rhoda ainda esteve a pensar durante algum tempo mas sentiu pela primeira vez estar bastante aborrecida, uma vez que não tinha nenhuma actividade para fazer. Das vezes que olhava pela janela o sol continuava na mesma posição sem mexer-se um milímetro. Ainda passou-lhe pela cabeça sair da cama, mas não o fez para não chatear Selina.

Rhoda sem receios destapou as pernas e ficou a olhar. Mentalmente ela comandava as pernas a mexerem-se mas sem resultado.

Rhoda: – Ok, isto ao que parece que vai ser o jogo da paciência, contudo não à crise porque tenho todo o tempo do mundo.

Desde da hora de almoço até ao final da tarde teve a jogar o jogo da paciência mas sem grandes resultados, onde na última tentativa viu a perna direita a mexer-se subitamente.

Rhoda: – Oh!!!! – Surpreendida. – SIM!!!!!!!!! – Gritando alto.

De súbito Selina entra no quarto a ver o que se passava onde viu as pernas de Rhoda destapadas.

Selina: – Rhoda!!!! O que estás a fazer? – Aproximando-se.

Rhoda: – Selina, olha. – Apontando para ela ver a perna direita.

Selina: – Oh!!! – Surpreendida. – Mas como…?

Rhoda: – Estava aborrecida…

Selina: – Rhoda!!! Isto é fantástico. Tu tens a noção que com este resultado em menos de nada poderás estar de novo no activo, mas por favor não abuses.

Rhoda: – Eu sei…. – Um pouco ofegante. – E agora sinto-me um pouco cansada. – Rindo-se.

Selina: – Pois, isso é normal. Deixa-me arranjar-te. – Tapando as pernas de Rhoda e ajeitando as almofadas onde ela deitou a cabeça. – Descansa porque amanhã vais precisar das tuas forças. – Mexendo suavemente no cabelo de Rhoda.

Rhoda não necessitou de muito tempo para adormecer levando-a a um sono profundo. Selina, ao sair do quarto, vê Iorveth a entrar no posto.

Selina: – Iorveth. – Chamando atenção dele, aproximando-se.

Iorveth: – Selina, aconteceu alguma coisa?

Selina: – Não, nada de mau, apenas de bom. – Com sorriso na face.

Iorveth: – O que queres dizer?

Selina: – Ao que parece esta tarde Rhoda, por estar aborrecida, começou a trabalhar sozinha na mobilidade dela na cama. Onde vi a perna direita dela a mexer ligeiramente.

Iorveth: – Isso são óptimas notícias.

Selina: – Nem sabes o quanto. Amanhã eu e outros colegas vamos começar a trabalhar na mobilidade dela. Contudo, posso acrescentar que o que vi hoje, ela estará no activo sem demoras.

Iorveth não conseguiu esconder a felicidade que sentia com estas notícias.

Iorveth: – Achas que posso vê-la?

Selina: – Claro que sim, mas ela disse que estava cansada, por causa do esforço que fez hoje, onde provavelmente agora deve estar a dormir. Mas estás à vontade em ir ao quarto para vê-la.

Iorveth: – Hum…. Sendo assim, acho que vou deixá-la descansar. Obrigada por estas notícias Selina. – Saindo do posto.

Na manhã seguinte Rhoda acordou com chilrear dos pássaros, onde notou que era ainda um pouco cedo. Observou o tecto pensativa, porque hoje era o primeiro dia da sua reabilitação, lá fora ouviu passos aproximarem-se do quarto.

Selina: – Bom dia Rhoda. – Entrando no quarto com um largo sorriso. – Vamos ver como estás hoje?

Rhoda pôs-se a jeito da melhor maneira que podia, para Selina examiná-la.

Selina: – Pelo que estou a ver aqui algumas das ligaduras já podem ser removidas. – Indo para o outro lado da cama, para ver as restantes feridas.

Rhoda: – E as feridas desse lado, como estão?

Selina: – Aqui também pode-se remover algumas das ligaduras.

Rhoda: – Isso é optimo.

Selina: – Sim. Contudo tens novas cicatriz para juntar à tua coleção. – Rindo-se.

Rhoda: – Já esperava isso. E o meu olho?

Selina: – Deixa-me ver. – Removendo a ligadura com cuidado. – Ainda precisa de alguns dias. – Fazendo um novo curativo. – Mas… Como fizeste isto? – Curiosa.

Rhoda: – Aconteceu quando protegia Anhaern da adega de Lierin.

Selina: – Estou a ver. – Pensativa. – Nós tentamos salvar o olho, mas estava demasiado danificado.

Rhoda: – Não te sintas mal por causa disso, tu fizeste o teu melhor e isso é que importa. – Com pequeno sorriso.

Selina: – Não te esqueças que depois do pequeno almoço vamos começar a trabalhar na tua mobilidade. – Arrumando as ligaduras e desinfectantes.

Rhoda: – Ok, aqui espero-te. – Vendo Selina a sair do quarto.

Na espera da distribuição do pequeno-almoço, a mente dela mostrou-lhe as feições de Iorveth, que soltou um suspiro dela. Passado uma hora Selina trás a refeição a Rhoda, onde ela comeu devagar e a saborear a comida.

Após terminar, Selina levantou o tabuleiro onde teve de esperar mais uma hora antes de iniciar a reabilitação.

Selina: – Pronta para a tua primeira sessão? – Entrando no quarto na companhia dos seus colegas.

Rhoda: – Sim.

Selina removeu o cobertor das pernas de Rhoda, onde pegou nelas, de maneira Rhoda ficar sentada à beira da cama. Dois dos colegas de Selina pegaram em cada lado dos braços puxando-a para cima levantando-a. Rhoda viu que senão tivesse eles como apoio cairia no chão sem dúvida.

Selina: – Ok, Rhoda, tenta dar alguns passos para a frente, sem pressa.

Selina reparou na determinação que o olhar de Rhoda mostrava, indicando que não iria desistir facilmente. Vinte minutos passaram-se até que uma das pernas de Rhoda dá o primeiro passo ligeiramente e mais vinte minutos para a outra fazer o mesmo.

Com o passar do tempo Selina notou que o tempo de resposta das pernas diminuía a olhos vistos, vendo que Rhoda já ganhava alguma força nas pernas.

Selina: – Ok, deixem ver se ela consegue ficar em pé por ela mesma, mas não se afastem muito.

Os colegas de Selina soltam Rhoda gradualmente, onde viram que ela ficou de pé.

Selina: – Incrível. – Surpreendida, bem como os colegas dela. – Nunca vi tal resultado assim tão cedo.

Na entrada do quarto ouviram alguém aproximar-se.

Rhoda: – Iorveth!

Iorveth: – Rhoda!!! – Sem conseguir esconder a sua surpresa, avançando para ela, o que fez com que Rhoda avançasse também mas desequilibrando-se. – Tem calma. – Amparando-a.

Rhoda: – Desculpa, esqueci que ainda estou no meu primeiro dia da minha reabilitação. – Rindo-se.

Selina: – Eu nunca vi ninguém no primeiro dia a ter este resultado bastante positivo. Eu daria talvez três semanas para completar a reabilitação e depois daria-te alta.

Rhoda: – Parece-me bem.

Selina: – Talvez hoje terminaremos por aqui a sessão. Se precisarem de alguma coisa digam. – Saindo do quarto na companhia dos seus colegas.

Iorveth ajuda Rhoda, onde ela com pequenos passos, chega até à cama sentando-se na beira. Iorveth ajudou a ajeitar-se na cama tapando as pernas, sentando-se no banco, ao lado dela.

O tempo que passaram juntos Iorveth mostrava com alguma frequência o seu sorriso e Rhoda apreciava. Falaram vários temas onde Rhoda ouvia Iorveth atentamente, onde ela também de vez em quando intervia. Quando deram conta as cores do anoitecer já pintavam o céu.

Rhoda: – Já é de noite? – Surpreendida.

Iorveth: – Assim parece. – Levantando-se. – Eu vou ter que regressar à tenda.

Rhoda: – Sem problemas. Adorei passar o dia contigo.

Iorveth: – Eu também. Já faz algum tempo que não tinha um dia como este. – Aproximando-se dela, tocando no rosto.

Rhoda não esconde o quando aprecia o calor da mão de Iorveth no rosto dela, adorava poder parar o tempo naquele momento só para prolongar mais o tempo na companhia dele.

Iorveth: – Rhoda… – Beijando o cabelo, suavemente. – É provável que amanhã não consiga ver-te.

Rhoda: – Não faz mal. Eu compreendo.

Rhoda aconchegou-se às almofadas antes de Iorveth sair do quarto dando-lhe as boas noite. No silêncio do quarto ela adormeceu onde sonhou com Iorveth, num cenário onde o tempo e espaço eram diferentes, onde ainda não se conheciam. Os caminhos deles cruzaram-se quando tiveram de fazer equipa para sobreviver a uma emboscada. Após limparem os inimigos, apresentaram-se e desde o momento que decidiram viajar juntos, a grande aventura deles acabou agora mesmo de começar, nem que seja só por algumas horas.

Nas três semanas seguintes, Rhoda trabalhou arduamente na reabilitação dela com o objetivo de não prolongar. A cada dia Selina via uma grande melhoria no andar de Rhoda. Infelizmente Iorveth não pode visitá-la o que a deixou um pouco triste, mas compreendia o porquê.

Selina: – Bem, parece que posso dar-te alta.

Rhoda: – Tens a certeza?

Selina: – Absoluta. Contudo vou dar-te duas canadianas para apenas ajudar-te, mas sem exageros ok?

Rhoda: – Ok.

Selina sai do quarto para ir buscar as canadianas, onde Iorveth entra no quarto surpreendendo Rhoda.

Rhoda: – Iorveth!!!

Iorveth: – Então como estás? – Aproximando-se.

Rhoda: – A Selina vai dar-me alta hoje.

Iorveth: – Desculpa por ter tido tempo para te visitar.

Rhoda: – Não faz, mal. Ser líder tem o seu peso nas costas, verdade?

Iorveth sorriu-se para Rhoda, onde Selina entra no quarto ficando surpreendida com a presença de Iorveth.

Selina: – Vejo que arranjas-te companhia. – Pousando as canadianas ao fundo da cama. – Rhoda. – Chamando a atenção dela. – O plano é o seguinte, tens de ficar cem por cento apta na tua mobilidade e só depois veremos se estas apta para voltares ao activo, ok?

Rhoda: – Ok.

Selina: – Vou dar-te alta depois do almoço. – Indo para a entrada do quarto. – É verdade, não te esqueças de vir aqui ao posto para ver as tuas feridas.

Rhoda: – Ok.

No quarto, Iorveth e Rhoda ficaram sozinhos onde Rhoda não conseguiu, esconder a felicidade de estar a alguns passos de voltar ao activo.

Rhoda: – Nem consigo acreditar, que mais um pouco e estarei de novo no activo.

Iorveth: – Sim… – Pensativo.

Rhoda: – O que se passa?

Iorveth: – Não sei…. – Afastando-se de Rhoda de braços cruzados ainda pensativo.

Rhoda: – Estás preocupado com alguma coisa? Sabe que podes falar comigo.

Iorveth: – Depois de saíres daqui quem vai tomar conta de ti? – Mostrando alguma preocupação.

Rhoda: – Como assim? – Um pouco confusa com a pergunta. – Iorveth, eu não sou nenhuma criança que precise de uma ama. – Rindo-se.

Iorveth: – Não é nesse sentido, que quis dizer. – Suspirando. – Diz-me se houver alguma situação em que precises de ajuda, quem irá socorrer-te? – Com olhar sério.

Rhoda: – Hum… – Pensando um pouco. – Provavelmente ninguém. Selina durante o dia e por vezes à noite trabalha, onde também tem a sua vida com Cedric….

Iorveth: – Rhoda eu… – Suspirando. – estive a pensar e talvez seria melhor mudares para minha tenda até estares totalmente recuperada. Eu como passo a maior parte do tempo na tenda será mais fácil assistir se for o caso. – Rhoda olhou surpreendida corando um pouco. – Mas isto é apenas uma sugestão.

Rhoda: – Eu não sei o que dizer, não estava á espera. – Olhando para as mãos, que agarravam o cobertor com alguma força. – Mas tens razão no que dizes. – Levantando o olhar. – Seria melhor mudar-me para tua tenda até recuperar cem por cento. – Iorveth mostrou-lhe um ligeiro sorriso que tinha formado nos lábios.

Selina passado um pouco trouxe o almoço, onde foi a deixa para Iorveth despedir-se das duas para voltar de novo ao trabalho.

Selina: – Aconteceu alguma coisa, quando estive ausente? – Notando algo diferente em Rhoda, quando pousava o tabuleiro à frente.

Rhoda: – Sim, aconteceu.

Selina: – E então?

Rhoda: – Iorveth propôs a mim que muda-se para a tenda dele para não ficar sozinha até ficar cem por cento recuperada.

Selina: – É verdade!!! Não me tinha lembrado nesse pormenor. – Pondo a mão na cabeça. – Eu infelizmente não irei estar muito presente para te auxiliar. Espero que tenhas aceitado.

Rhoda: – Sim, eu aceitei. Acho que é o melhor a fazer.

Selina: – Já viste Rhoda, vocês iram viver como um casal. – Rindo-se.

Rhoda ao pensar no que Selina disse, não consegui esconder alguma surpresa. Uma vez que foi só com Joshua que partilhava o dia a dia com ele.

Rhoda: – O mesmo poderia dizer de ti e do Cedric já que não vou estar lá na tenda.

Selina: – Agora que falas nisso, poderíamos experimentar. – Pensativa. – Obrigada pela sugestão. Qualquer das formas depois de almoçarem venho aqui entregar as tuas canadianas.

Rhoda: – Ok até já.

Selina saiu do quarto onde deixou Rhoda a comer sozinha, saboreando a comida que tinha à frente dela. Onde esperou pacientemente pelo regresso da Selina.

Selina: – Ei! – Entrando no quarto, onde nas mãos tinha as canadianas e a roupa dela. – Para quando quiseres mudar-te. – Pousando a roupa no fundo da cama e as cidadanias à parede.

Rhoda: – Por mim pode ser já.

Selina: – Ok, mas primeiro deixa-me remover o tabuleiro do almoço. – Pousando na mesa mais próxima que existia no quarto.

Fechou as cortinas que existiam ao pé da cama de Rhoda para dar mais privacidade, onde Selina ajudou Rhoda a envolver o peito dela em ligaduras e a vesti-la.

Selina: – Pronta a sair. – Com sorriso. – Toma. – Passando as canadianas a Rhoda.

Rhoda ainda teve algum tempo a habituar-se a elas mas lá começou a dar os primeiros passos devagar autonomamente. Selina desarrumou a cortina para o lado e viu Rhoda a saiu do quarto. No corredor as pessoas viram Rhoda onde falavam uma com as outras, parando o que estavam a fazer para observar Rhoda admiradas, porque sabiam que ela a um mês atrás estava às portas da morte.

O olhar determinado de Rhoda para chegar à saída do posto não era passado despercebido para os esquilos que observavam com admiração.

Cá fora os esquilos tiveram a mesma reacção que os de dentro, ao longe na entrada do acampamento viu a Anhaern a preparar-se para ir embora.

Rhoda: – Ei!!!! Anhaern. – Aproximando-se do local.

Anhaern: – Rhoda!!! – Voltando-se surpreendida. – O que fazes aqui fora? Não devias estar ainda no posto?

Rhoda: – Não. Eu tive alta hoje.

Anhaern: – Alta? Mas assim tão cedo?

Rhoda: – Sim, sabes como é, eu aborreço-me muito sem estar a fazer nada.

Anhaern: – Estou a ver. – Com pequeno sorriso.

Rhoda: – Vais hoje embora?

Anhaern: – Sim eu e os meus guerreiros já estamos cem por cento recuperados.

Rhoda: – E vocês vão para onde?

Anhaern: – Vamos para norte. – Montando o cavalo.

Rhoda: – Faz uma boa viagem e segura.

Anhaern: – Obrigada e as melhoras Rhoda.

Rhoda vê Anhaern e o grupo dela a partir desaparecendo entre as árvores, onde ela continua de novo o caminho até à tenda de Iorveth. Dentro da tenda, Iorveth estava concentrado a ler uns papéis em cima da mesa de operações ao qual não deu conta da presença de Rhoda a entrar.

Rhoda: – Está tudo em ordem? – Aproximando-se da mesa lentamente.

Iorveth: – Rhoda!!! – Olhando surpreendido com a presença dela.

Rhoda: – Não precisas de ficar assim. – Rindo-se ligeiramente. – Achas que posso sentar-me um pouco? Caminhar do posto, onde pelo caminho despedi-me de Anhaern e vir para aqui, para mim foi um bom esticam.

Iorveth ajeitou uma das cadeiras para Rhoda sentar-se, pondo as canadianas no chão de maneira a não estorvar e encostou-se para trás dando um suspiro.

Rhoda: – Obrigada.

Iorveth aproximou-se dela observando o lado esquerdo onde tinha o olho ligado, passando ao de leve a mão com olhar sério.

Iorveth: – Eu não consegui proteger-te. – Num tom triste.

Rhoda: – Não digas isso. Porque isso não é verdade. – Agarrando a mão quente dele pousando-a no rosto dela. – Aquele combate não era para um mortal.

Iorveth: – Mesmo assim, acho que poderia ter feito mais. – Sentando-se ao lado dela num dos banco de madeira que existia na tenda.

Rhoda: – Iorveth não te preocupes mais com isso. Eu estou aqui agora e isso é o que importa.

Iorveth: – Tens razão. – Sorrindo-se.

Rhoda: – E como estão as tuas feridas?

Iorveth: – Nada de mais, foram apenas arranhões. – Levantando-se do banco. – Mas sabes.. – olhando por cima do ombro para ela. – eu pensei muitas vezes que não voltarias acordar depois de ver-te naquele estado. – Fazendo uma pausa. – O mês em que tiveste a dormir, foi um dos mais difíceis para mim. – Olhando para chão.

Rhoda: – Iorveth… – Levantando-se da cadeira ficando imovel no mesmo sitio. – Abraça-me.

Iorveth voltou-se para ela tomando-a nos braços com cuidado, beijando o cabelo dela.

Rhoda: – Já tinha saudades de sentir o teu calor. – Com um sorriso, onde Iorveth nada disse apenas apreciou o momento.

Rhoda senta-se de novo na cadeira com um olhar cansado, onde Iorveth apercebeu-se e foi buscar uma manta para cobrir Rhodaque tinha já adormecido. Observou com um olhar semicerrado acabando por beijar a testa dela ao de leve. Nada acordou Rhoda durante algumas horas a não ser o cheiro de ervas queimadas. Lentamente olhou em volta na tenda onde viu que Iorveth tinha um cachimbo na boca e olhava sério para a chama da fogueira.

Sempre que Iorveth ponha aquele olhar, Rhoda achava-o irresistível onde era capaz de admirá-lo por várias horas, onde não deu conta de que ele olhava agora para ela com um sorriso.

Iorveth: – Vejo que encontraste algo interessante para observar. – Pousando o cachimbo na mesa.

Rhoda: – Huh? Oh!!! – Dando conta que tinha sido apanhada. – Bem a… eu…- Tentando dar uma explicação um pouco embaraçada. – Bem eu, gosto de observar o teu rosto, quando ficas mais sério ou pensativo.

Iorveth: – Estou a ver. – Com um pequeno sorriso.

Rhoda ainda embaçada viu que o dia já ganhava tons alaranjados.

Rhoda: – Dormi assim tanto? – Admirada.

Iorveth: – Sim e profundamente.

Rhoda: – Hum…. – Dando um suspiro desapontada com ela mesma. – Acho que vou aproveitar o resto do dia para andar um pouco. – Levantando-se da cadeira, pegando nas canadianas.

Iorveth: – Ok, mas tem cuidado.

Rhoda saiu da tenda e foi até ao local de treinos, onde em tempos utilizou o espaço para treinar. Lá viu esquilo a treinar tiro ao alvo mas não estava a sair-se muito bem. Ela aproximou-se observando ele atentamente.

Rhoda: – Não estás concentrado o suficiente quando disparas a flecha.

O esquilo voltou-se para Rhoda, surpreendido abaixando o arco.

Elis: – Ou então não tenho mesmo jeito para esta arte. – Suspirando.

Rhoda: – Isso de ter ou não ter jeito é muito relativo.

Elis: – Como assim?

Rhoda: – Eu no meu caso nunca fui muito boa em combate corpo a corpo mas isso não me fez desistir de alcançar os meus objectivos. É claro que tive de treinar mais do que os outros, mas lá cheguei. – Fazendo uma pausa. – Porque nada é impossível, não achas?

Elis: – Acho que tens razão. – Com pequeno sorriso.

Rhoda: – Hum…. A tua cara é nova aqui no campo, não é?

Elis: – Sim sou. Já estou aqui há alguns meses aqui no acampamento.

Rhoda: – Estou a ver. Como te chamas e qual é a tua história? Se quiseres partilhar.

Elis: – Eu sou o Elis e a minha história não deve ser muito diferente do que já tenhas ouvido por outros membros. – Rindo-se.- Mas eu juntei-me a Scoia’tael, não foi só porque quero uma vida melhor para os não humanos mas porque também admiro o trabalho de Iorveth, o que faz-me de não desistir de lutar por um futuro melhor. Eu sei que muita gente não gosta dele mas isso é porque não o conhecem.

Rhoda: – O amigo que ninguém gosta ou o idiota com um coração de ouro. – Sorrindo.

Elis: – Sim, isso mesmo. – Onde os dois riram-se em conjunto durante algum tempo. – Então como posso melhorar a minha técnica de tiro ao alvo?

Rhoda: – Primeiro de tudo tens de saber ter paciência e ser paciente. Segundo tens que focar-te no teu alvo e não distrais-te com o que rodeia e terceiro ser firme no disparo da flecha.

Elis: – Ok… mas com tanta coisa para mentalizar não sei se consigo pôr tudo em prática. – Um pouco preocupado.

Rhoda caminhou para junto de Elis, onde pegou num dos arcos e uma flecha, pondo-se em posição. Respirou fundo e olhou o alvo firmemente com calma esperando um pouco. A flecha que saiu do arco acertou no meio do alvo.

Elis: – OH!!!!! – Surpreendido.

Rhoda: – Agora tu. – Dando-lhe espaço.

O Elis de novo pôs-se em posição mas falhou novamente o alvo.

Rhoda: – De novo.

Elis obedece a Rhoda onde pegou noutra fecha mas desta vez Rhoda corrigiu a postura dele relembrando que tinha de ser paciente, saber fixar o alvo e ser firme no disparo. Assim que ele interiorizou as palavras de Rhoda, o segundo disparo que fez acertou o alvo apesar de não ter sido no centro.

Elis: – Eu… Eu… Eu… Consegui!!! – Ainda não acreditando. – Viste? – Voltando-se para Rhoda felicíssimo.

Rhoda: – Claro que vi. Parabéns, Elis. – Com um sorriso.

Elis: – Sim!!!!! Sim!!!! – Levantando os braços para o céu.

Rhoda: – Isto apenas foi o início do que podes vir a melhorar. Agora já tens a base do que fazer.

Atrás deles ouviram passos de alguém aproximar-se, onde dois voltaram-se para trás para ver quem era.

Elis: – Iorveth. – Ficando em sentido.

Iorveth: – Eu ouvi falar de ti, Elis. Um dos capitães disse-me que não tinhas muito jeito para ser arqueiro. – Olhando para o alvo. – Mas parece que afinal ele estava enganado. – Olhando novamente para o ele.

Rhoda: – Ele apenas precisava de algumas orientações, nada mais.

Iorveth: – Continua com o bom trabalho. – Pondo a mão no ombro dele. – Talvez um dia possas vir a pertencer ao meu grupo.

Elis: – Obrigada, Iorveth.

Iorveth: – Vamos? – Olhando para Rhoda.

Elis: – Hum, só uma coisa, posso saber qual é o teu nome? – Num tom tímido para Rhoda.

Rhoda: – Claro que sim. Eu sou a Rhoda.

Naquele momento os olhos do Elis abriram de tal forma surpreendido que deixaram passar o brilho que tinham.

Elis: – Não acredito!!!!! És a Rhoda que salvou um dos meus amigos quando estava no grupo de Edarr?

Rhoda: – Sim sou eu.

Elis: – Muito obrigada. – Fazendo uma vénia.

Rhoda: – Não precisas de agradecer. Apenas estava a fazer o meu trabalho.

Elis: – Qualquer das formas ficarei eternamente agradecido.

Rhoda: – Continua com o treino, ok?

Elis: – Claro que sim. Nem acredito que isto esteja a acontecer. Comecei o dia horrivelmente para acabar da melhor maneira.

Rhoda sorri, onde acaba por sair da zona de treinos na companhia de Iorveth regressando à tenda, onde senta-se na cadeira para descansar um pouco.

Rhoda: – Os esquilos realmente admiram-te e confiam em ti. Para eles és o modelo a seguir.

Iorveth: – Como sabes eu tive de trabalhar muito para chegar aonde cheguei, reconheço que cometi muitos erros ao longo do caminho mas aprendi com eles. – Fazendo uma pausa. – Muitos acham que nós somos bandidos, mas na realidade nós não somos. Nós não fazemos mal só porque sim, nós temos sempre um motivo por detrás para tal. O meu maior desejo é um dia um não humano entrar numa taberna sem ter que se submeter às regras dos humanos, onde somos todos iguais.

Rhoda compreendia perfeitamente as palavras de Iorveth, uma vez que ela própria já provou da indiferença dos humanos para com ela. Levantou-se lentamente da cadeira onde em pequenos passos sem ajuda das canadianas aproximou-se de Iorveth tocando no rosto dele com delicadeza.

Rhoda: – Não estás sozinho.

Iorveth: – Eu sei. – Agarrando a mão dela beijando-a. – És tudo para mim. – Envolvendo-a nos seus braços, onde tocou com dedos nos lábios dela, vendo uma leve tristeza no rosto dela. – O que se passa?

Rhoda: – Ainda achas que sou bonita? – Baixando ligeiramente o olhar.

Iorveth: – Porque perguntas isso?

Rhoda: – Por causa disto. – Apontando para olho ligado.

Iorveth com delicadeza segura o rosto de Rhoda, beijando a ligadura que envolvia o olho. Rhoda nada disse mas a felicidade que sentia era grande e Iorveth notou isso.

Iorveth: – Espero que isto tenha respondido à tua pergunta.

Rhoda: – Sim. – Com um sorriso. – É verdade eu queria ter perguntado se aconteceu alguma coisas durante a minha ausência de um mês?

Iorveth levou Rhoda até à cadeira onde ela sentou-se e ele ao lado dela.

Iorveth: – Segundo os meus scouts, Flotsam tem estado calma, mas segundo eles viram vestígios de algum ser que nunca viram antes.

Rhoda: – Hum. – Pensativa.

Iorveth: – Um deles informou-me que viu alguém perto do lago a deitar algo na água.

Rhoda: – Não conseguiu ver quem era?

Iorveth: – Infelizmente não, por estar escuro mas também por estar tudo encapuzado. O que para mim levanta alguma desconfiança. Contudo ainda estou a averiguar mas sem muito sucesso. – Suspirando.

Rhoda: – Assim que estiver apta quero fazer parte dessa missão.

Iorveth: – Eu sei que sim, contudo tenho que voltar ao trabalho. – Levantando-se.

Rhoda: – Achas que posso ajudar-te em alguma coisa? Aborreço-me se não estiver a fazer nada.

Iorveth: – Eu acho que sim. Eu normalmente no final antes de ir para a cama ainda tenho que organizar uma montanha de papéis e…

Rhoda: – Isso está ótimo, para mim.

Os dois sentaram-se à mesa onde Iorveth indicou o monte de papéis que queria que Rhoda organizasse para ele depois ler mais tarde quando tivesse oportunidade. O tempo na tenda passou gradualmente onde a noite já ia a metade quando Iorveth reparou que Rhoda tinha adormecido na mesa, vendo que ela tinha acabado a tarefa com sucesso. Observou-a durante algum tempo as suaves feições dela que dormia tranquilamente com um sorriso.

Pegou nela ao colo com cuidado, levando-a para o quarto estendendo-a na cama, aproveitando a oportunidade para sentar-se ao lado dela para a observar ainda mais um pouco o rosto dela, no qual afastou o cabelo do olho dela com um sutil movimento.

Sem perceber-se começou a sentir um forte desejo por ela uma vez que já passou algum tempo que estavam juntos, queria sentir de novo o corpo nu dela no seu, mas tinha de ser paciente por agora, por isso levantou-se e regressou de novo ao trabalho para afugentar esse desejo por agora.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.