Sanctuary

8 Step Forward


Rhoda acordou lentamente com o clarear da manhã acompanhado com o chilrear dos pássaros, mas por algum motivo sentiu que o chilrear dos pássaros estavam a fazer eco na cabeça dela o que a fazia sentir um pouco incomodada.

Selina: – Toma isto. Isto vai ajudar-te aliviar a dor de cabeça. – Aproximando-se dela já preparado o medicamento num copo.

Rhoda: – Obrigada. – Pegando no copo, para ingeri-lo.

Selina: – Tens alguma lembrança do que aconteceu ontem?

Rhoda: – Muito vagamente, nada em concreto. Devo preocupar-me? – Dando o copo.

Selina: – Penso que não. – Levando o copo para a mesa. – Não te esqueças que hoje começas a tua primeira missão.

Rhoda: – O quê?! Oh não!!! Que horas são? – Em pânico. – Esqueci por completo.

Selina: – Não te preocupes, ainda tens uma hora para preparares. O que é tempo suficiente para o medicamento começar a fazer efeito.

Rhoda: – Obrigada, por tudo, se não fosses tu, não sei.

Selina: – Não tens que agradecer, tu és como uma irmã para mim. – Sentando-se na beira da cama ao lado de Rhoda com um sorriso. – Qualquer das formas eu vou ter que ir para o posto e não poderei acompanhar-te.

Rhoda: – Sem problemas.

Selina: – Desejo-te um bom dia na tua missão. – Levantando-se da cama em direção à saída da tenda.

Na tenda, Rhoda ficou a olhar o vazio durante um bocado, onde viu que o medicamento começava a fazer efeito. Levantou-se da cama em direcção ao pequeno lavatório que existia, onde molhou a cara para preparar-se para sair da tenda equipada com as suas espadas.

A caminho da tenda de Iorveth, Rhoda vê outros esquilos à porta da tenda a falarem entre si, reconhecendo uma das caras.

Rhoda: – Cedric!!!

Cedric: – Hey, Rhoda. – Aproximando-se dela.

Rhoda: – O que fazes aqui?

Cedric: – É verdade, com a euforia de ontem até esqueci de dizer-te estaríamos no mesmo grupo. – Esfregando a cabeça um pouco embaraçado.

Assim que Cedric acaba de falar com Rhoda, a porta da tenda de Iorveth abre-se e de lá dentro sai um elfo no qual Rhoda não reconhecia, onde os chamam para entrarem. Lá dentro Rhoda observou melhor esse elfo e reparou que aparenta ser já um esquilo já com alguma experiência. Iorveth observava com alguma atenção alguns papéis em cima da mesa antes de olhar para eles.

Iorveth: – Penso que sabem o porquê de estarem aqui hoje. – Afastando-se da mesa, cruzando os braços. – A partir de hoje todos vocês começaram a trabalhar como um só em grupos, quer gostem quer não gostem. Vocês foram escolhidos para formarem este grupo pelas vossas habilidades. – Com olhar sério para todos os presentes. – Edarr, – O esquilo experiente, avança para junto de Iorveth. – será o vosso capitão, será ele quem ditará as ordens e como devem proceder na vossa missão. Portanto, a vossa missão é a seguinte – Aproximando de novo da mesa, indicando a todos os presentes para aproximarem-se. – tem havido alguns relatos de actividade nesta zona que supostamente deveria estar abandonada. Mas segundo as minhas fontes essa actividade tem tido alguma regularidade, quero que investiguem isso. Quero saber o que os humanos estão a esconder nessa casa. Alguma dúvida? – Olhando para os presentes á espera das perguntas, no qual ninguém pronunciou-se. – Sendo assim estão dispensados. – Posando de novo o olhar nos papéis em cima da mesa.

Rhoda antes de sair da tenda olhou para Iorveth durantes uns breves segundos antes de desviar o olhar quando saiu da tenda. Cá fora Edarr levou o grupo até à tenda dele para discutirem melhor de como iriam proceder.

Edarr: – O local fica a alguns metros do acampamento. – Apontando no mapa que tinha em cima da mesa. – Iremos formar dois grupos de três elementos. Cedric, Rhoda e tu, serão um grupo, e os restantes virão comigo. – Olhando para cada um de nós. – O vosso grupo irá para norte e o nosso para sul, de modo a formar-nos um cerco, sem perder de vista de cada grupo para o caso de ocorrer algum problema. Alguma dúvida? – Ninguém disse nada. – Muito bem, vamos.

O grupo saiu em passo moderado, no qual não era a primeira vez que Rhoda saía do acampamento sem aventurar-se muito pela floresta, mas reparou que o membro mais jovem do grupo era a primeira vez que saía do acampamento. Ao chegarem a um trilho os dois grupos dispersaram-se para cada seu lado.

Por onde o grupo de Rhoda passava, Rhoda tomava atenção, que podia dar jeito mais tarde em caso de fuga. Um dos locais que chamou atenção dela foi um que apresentava uma estátua de um homem e de uma mulher apaixonados.

Cedric: – Cáelmewedd. – Aproximando-se de Rhoda, olhando para o monumento. – Este é o nosso ponto de encontro, quando eu e Selina queremos passar algum tempo sozinhos. Na altura era uma bonita e gloriosa Aen Seidhe, agora é apenas ruínas.

Rhoda: – Mas mesmo assim não deixa de ser uma linda estátua. Estas flores também são lindas.

Cedric: – Dizem se alguém der esta flor a alguém que ama, ambos viverão para sempre. – Cedric olhou para Rhoda que esboçava um sorriso. – Vamos continuar?

Ao chegarem ao local viram um corpo de um elfo enforcado que aparentava ter alguns dias, onde aproximaram-se lentamente abaixados entre os arbustos onde conseguiram ver o grupo de Edarr no outro lado. Todos aguardaram atentamente por algum movimento na casa abandonada.

Passou entre 10 a 30 minutos, até que viram dois homens numa carroça aproximarem-se da casa, de lá dentro saíram dois homens que começaram a falar com os dois homens da carroça onde inspecionaram a mercadoria. Os grupos conseguiram ver o material transportado.

Rhoda: – Armamento? Porque querem tanto armamento? – Olhando para os dois membros do grupo surpreendida.

Um dos homens da casa dá sinal positivo ao seu colega, que oferece uma bolsa de moedas aos homens da carroça, onde cada parte sai de cena.

Os dois grupos reúnem-se longe do local da casa abandonada para voltarem juntos ao acampamento. Edarr juntamente com o resto do grupo reporta a Iorveth o que viram, o que deixou Iorveth pensativo.

Edarr: – Esta pode ser a oportunidade que estávamos à espera, Iorveth. Nós precisamos daquele novo armamento, como tu sabes. – À espera de uma resposta por parte dele, mas nada veio uma vez que ainda estava pensativo. – Eu posso mandar Cedric e Adamar, para investigarem melhor o terreno para atacar-mos de surpresa.

Iorveth: – Sim, – Cruzando os braços. – dá continuidade à missão e informa-me se ouver novos desenvolvimentos.

Edarr: – Com certeza.

Iorveth: – Estão dispensados.

Cá fora reuniram-se todos ao pé da tenda do Edarr, em que ele indicou a Rhoda e mais outro membro para acompanhar Cedric e Adamar para os proteger se ocorrer algum imprevisto, determinando o ponto de encontro na ruína onde estava a estátua. Rhoda forma equipa com Adamar e outro membro com Cedric, enquanto os restantes ficam com Edarr para organizar o plano de ataque.

Os dois grupos dispersaram-se para cada lado quando chegaram ao trilho. No terreno Adamar explorava com cuidado a área enquanto Rhoda mantinha-se em alerta permanente.

Adamar: – Gosto deste tipo de trabalho. – Chamando a atenção de Rhoda. – Apesar de ser a primeira vez que piso o terreno. É engraçado como o desenho que vi é um pouco diferente do que estudei em termos de espaço.

Rhoda: – Existe sempre uma primeira vez para tudo. – Sem perder a vigilância da área.

Adamar dá um pequeno sorriso a Rhoda, onde avançam um pouco mais na área.

Rhoda: – Aparentas ser bastante jovem. O que aconteceu aos teus pais?

Adamar: – Eles morreram por doença quando era mais novo. – Continuando a trabalhar. – Eu cresci e aprendi a sobreviver nas ruas. Todos os dias era torturado pelos humanos e houve alturas em que queria desistir de tudo, mas Iorveth viu o talento que tinha para desenhar mapas e acolheu-me, onde deu-me um lugar em que posso chamar de casa.

Rhoda: – Estou a ver.

Adamar: – Falta só mais aquela zona e depois podemos ir ao ponto de encontro.

Os dois deslocaram-se até ao local onde o grupo de Cedric já lá estava à espera, regressaram à tenda de Edarr, onde Cedric e Adamar sugeriram em utilizar o terreno em sua vantagem mas também o elemento de distração.

Edarr: – Muito bem, esta missão poderá levar alguns dias até ser executada. Quero que estejam atentos a todos os movimentos daquela casa e arredores. – Com olhar sério. – Iremos fazer rotações de grupo de dois, de manhã e de noite. Estou a contar com o vosso sucesso.

Desde esse dia, vários dias se seguiram e cada grupo fez o seu trabalho seja durante o dia ou noite, onde proporcionou a cada um deles conhecerem-se ainda melhor, até ao grande dia.

Edarr: – Iorveth estamos finalmente prontos para avançar com a missão. Avançaremos ao cair da noite.

Iorveth: – Muito bem.

Cada grupo que inicialmente foi formado por Edarr, avançaram para as suas posições pacientemente. Nessa noite não existia luar, o era uma grande vantagem para o grupo de Edarr. Viram de novo a carroça, onde o Rhoda, Cedric e Adamar esperavam pelo sinal de Edarr para avançar. Mas algo aos olhos de Rhoda não estava bem.

Da porta da casa abandonada sai de lá um homem com uma mulher que tinha um capuz a tapar as feições dela, agarrando o braço dela com alguma agressividade. Sem demorar muito o homem começou a agredir a mulher com alguma violência. Rhoda notou alguma tensão em Adamar.

Adamar: – Do que estamos à espera para ir ajudá-la? – Não obtendo resposta do grupo. – Se não quiserem ajudar, eu irei ajudá-la. – Avançando rapidamente para a mulher, saindo do seu esconderijo.

Rhoda: – Adamar!!! Não!!! – Tentando pará-lo sem muito sucesso. – Cedric vai ter com Edarr rapidamente.

Nesse momento Rhoda houve uma alta gargalhada vinda da mulher que olhava para Adamar.

Mulher: – Caíste que nem um pato. – Rindo-se. – Obrigada por revelares a tua posição. Será uma questão de tempo em encontrar os outros.

Sem demora a mulher saca da adega e fere ligeiramente Adamar, que solta um grito de agonia. Rhoda por instinto sai rapidamente do esconderijo ao encontro de Adamar onde saca a espada e bloqueia o segundo ataque da mulher que olha-a zangada.

Rhoda: – Se queres lutar, luta comigo. – Tomando uma posição defensiva.

Mulher: – Mas é claro. – Revelando a entidade dela.

Rhoda: – Tu…. – Não acreditando no que os olhos mostravam. – Lierin!!!!

Lierin: – Ainda temos alguns assuntos a resolver, tu e eu.

Cedric rapidamente sai do esconderijo a comando de Edarr ao encontro de Adamar para o ajudar, que aparentava estar um pouco confuso do que estava a acontecer ao seu redor. Da casa saíram cinco homens, mas Rhoda notou que estavam hipnotizados apresentando vergões negros nos rostos, reconhecendo logo o que era.

Rhoda: – Aonde ele está? – Num tom sério para Lierin.

Lierin: – Quem? – Fazendo de desentendida.

Rhoda: – Não te faças de parva. Aonde está Ilthuryn?

Lierin: – Oh!!!! Pois não sei, ele costuma estar ali ou acolá, quando menos se espera.

Ao longe, Rhoda notou que o grupo de Edarr estava pronto para disparar flechas, que viram sem demora transpassando o corpo de Lierin, onde ela olhou sem grande interesse.

Lierin: – É só isto que conseguem fazer de melhor? – Olhando para Rhoda com algum desprezo, removendo as flechas como se nada se fosse.

Rhoda: – Tu és um deles. – Com olhar sério.

Lierin começou a sorrir-se onde nesse momento o grupo Edarr é forçado a sair do esconderijo e a juntar-se a Rhoda por estarem a ser atacados por mais homens.

Edarr: – Lierin! – Reconhecendo a mulher. – Porque estás a fazer isto? – Ela olhou para ele indiferente.

Rhoda: – Não vale a pena falar com ela, Edarr. Ela já fez a escolha dela.

Lierin: – Devias dar ouvidos a essa dh’oine. – Sorrindo com malícia. – Irei começar por vocês, depois com os esquilos e por último com Iorveth. – Com ódio na voz dela.

Nesse momento manda avançar os homens em conjunto com ela atacando com agressividade o grupo. Rhoda esquiva-se sem dificuldades ao golpes dos humanos que dava-lhe manobra para ver como o grupo estava a sair-se e estavam a sair-se bem, Cedric continuava a cuidar de Adamar onde fez um curativo básico.

Lierin começou a perder terreno, e para o feito ela utilizou o poder que tinha para derrubar dois dos membros do grupo de Edarr sem grande dificuldade deixando cara a cara com Edarr.

Lierin: – Tu farás de exemplo, para passar a mensagem aos esquilos e ao Iorveth.

Num rápido movimento Lierin com a adega fere a barriga de Edarr com alguma gravidade derrubando. Rhoda nesse momento soube logo que o grupo não iria sobreviver a menos que ela jogasse o mesmo jogo que Lierin em utilizar o poder dela. Os jovens esquilos olhavam aterrados para Lierin, ficando paralisados.

Rhoda sem modos avança contra Lierin com o objetivo de afastar dos seus colegas o que resultou. Lierin ficou à espera pacientemente. Rhoda aproxima-se de Edarr que gemia um pouco onde infelizmente o cenário não parece, lá muito bom, o que ela podia fazer naquele momento era um curativo temporário só para estancar o sangue.

O terror que os jovens esquilos apresentavam nos rostos fez a ver que eles ainda tinham que amadurecer mais.

Rhoda: – Hey!!! – Chamando a atenção deles. – Preciso que vocês tomem conta de Edarr, mas principalmente que não o deixem adormecer. Nós vamos sair daqui custe o que custar. – Nenhum deles deu resposta. – Hey – Pondo a mão no ombro num deles. – Nós vamos sair daqui, confiem em mim. – Com olhar determinado num tom calmo.

Esquilo 1: – Ok.

Rhoda: – Não deixem Edarr adormecer. – Olhando agora para Cedric que acena a cabeça positivamente em relação a Adamar. – Agora nós. – Olhando para Lierin seria aproximando-se lentamente mas mantendo uma distância considerável entre o grupo dela e a ela.

Lierin: – Já podemos finalmente começar?

Rhoda: – Mas é claro. – Fechado os olhos lentamente, para a seguir abri-los mostrando uma tonalidade verde brilhante. – Quando quiseres.

Lierin avança para Rhoda rapidamente com a adega na mão, onde das mãos da Rhoda forma-se uma foice de cabo negro com lâmina verde brilhante que utiliza para defender-se de Lierin empurrando-a para trás alguns metros. Cedric como o resto do grupo que assistia ficaram impressionados.

Rhoda sem modos avança a toda velocidade ao encontro de Lierin investindo um ataque de frente no qual Lierin esquiva-se saltando para trás, para a seguir Rhoda atacar o lado esquerdo de Lierin ferindo o braço.

Lierin: – Ataquem ela, depressa. – Dando a ordem aos homens, afastando-se de Rhoda com a mão no braço.

Da casa saíram vários homens juntando-se mais aos que já estavam presentes fazendo uma muralha entre ela e Lierin. Eles pegavam em vários objectos para ser utilizados como arma. Rhoda não deixou-se intimidar, pelos homens que avançaram para ela, mas em segundos a primeira fila é aniquilada.

Rhoda: – Tens de fazer melhor que isso. – Aniquilando a segunda fila reduzindo a distância dela com Lierin que notou o pânico no olhar dela.

Rhoda sem grandes dificuldades aniquila a última fila, aproximando-se lentamente de Lierin. Onde Lierin num movimento rápido tira da bolsa que tem à cintura uma pitade de pó negro brilhante e assopra para a vista de Rhoda. Rhoda deixa cair a foice para limpar os olhos no qual vê Lierin a sorrir com alguma malícia.

Lierin: – Estou curiosa para saber o desfecho.

Nesse momento, Rhoda vê o cenário a mudar à sua volta, reconhecendo o local onde se encontrava agora. Ao longe reconheceu as duas vozes que a chamavam.

Rhoda: – Impossível. Isto não pode ser real. – Não acreditando no que os olhos dela mostravam. – Joshua…., meu filho…..

O pequeno rapaz vai até junto dela e agarra a mão dela, levando até ao seu marido que arranjava o telhado da casa antes de descer. O toque que sentia parecia-lhe real. Joshua aproxima-se dela um pouco confuso com a expressão dela.

Joshua: – O que se passa? – Tocando na face dela. Rhoda conhecia bem aquele calor vindo da mão dele. – Parece que viste algum fantasma.

As lágrimas começaram a cair do rosto de Rhoda sem esconder o quanto ela tem saudades deles.

Rhoda: – Por mais que eu queira que isto seja a realidade. – Com alguma amargura na voz. – Tu não és real, és apenas uma ilusão.

Joshua: – O que estás a dizer, Rhoda? Se eu não fosse real achas que podia fazer isto. – Abraçando Rhoda com ternura.

Rhoda fechou os olhos de modo a aproveitar o momento, mas tinha que voltar à realidade.

Rhoda: – Eu nunca tive a oportunidade de te dizer que, foste a melhor coisa que me aconteceu, mas infelizmente não passas de uma ilusão criada pela Lierin. O verdadeiro Joshua morreu há muito tempo atrás, onde não o consegui proteger.

Joshua olha para ela surpreendido olhando nos olhos dela, sem hesitar transpassa a meio o corpo dele e em seguida do seu filho com a foice, ajoelhando-se em lágrimas novamente, fechando os olhos durante alguns segundos para abri-los novamente, regressando de novo ao local da casa abandonada.

Assim que levanta-se olha para Lierin, determinada em acabar com a existência dela.

Rhoda: – Eu não vou perdoar-te por teres utilizado a minha família na tua ilusão amadora. – Num tom frio, aproximando-se gradualmente de Lierin com a foice na mão.

Lierin não teve tempo de reação uma vez que Rhoda já se encontrava ao pé dela, quando aparecebeu-se o que estava acontecer as duas pernas dela tinham sido cortadas, no qual veio o grito de agonia.

Rhoda: – Sabes o que sabe melhor numa alma? O medo, o pavor, entre outros aperitivos. Já faz algum tempo que não como uma alma viva.

Lierin: – Por favor…. – Com uma voz suplicante, arrastando-se lentamente de Rhoda deixando um rasto de sangue fresco no chão.

Rhoda sem rodeios corta o braço esquerdo dela onde de novo um grito de agonia veio. A indiferença no olhar de Rhoda fez com que o medo de Lierin fica-se mais intenso.

Lierin: – Por favor… Deixa-me ir….. – Ficando estendida no chão a olhar para o céu.

Rhoda: – Deixar-te ir? Neste momento em que estou a divertir-me? Não me parece. – Com sorriso malicioso. – Não te preocupes, isto irá acabar brevemente. – Aproximando a mão lentamente até ao rosto de Lierin.

Até que de súbito Rhoda dá um salto para trás longe de Lierin e vê um vulto aproximar-se onde começa a ter fisionomia masculina que ela bem reconhece sem problemas.

Rhoda: – Ilthuryn!!!

O homem aproxima-se de Rhoda com passo lento, olhando para ela com um sorriso.

Ilthuryn: – Há quanto tempo sem nós vermos, Rhoda. – Parando ao pé Lierin que quase estava inconsciente. – Levem ela daqui. – Ordenando aos homens, que a tirem de cena.

Rhoda: – Ilthuryn!!! Nem penses que vais levá-la daqui. – Mostrando a foice indicando que estava pronta a combater com ele se fosse o caso.

Ilthuryn: – Eu acho que não estás em posição de exigir nada, Rhoda.

Rhoda olha para trás e vê o seu grupo encurralado por um grupo de homens, sem pensar duas vezes vai ao encontro deles, aniquilando a maior parte dos homens, mantendo uma posição defensiva.

Ao longe um dos homens aproxima-se de Ilthuryn indicando que já estavam preparados para ir embora. Num estalar de dedos os vários homens que rodeavam o grupo de Rhoda dispersam.

Ilthuryn: – Não te preocupes, Rhoda. Nós iremos voltar a encontrar-nos, quando o momento e o tempo forem mais apropriados. – Voltando de costas para ela, desaparecendo no horizonte.

Rhoda fechou o punho com raiva. Ao longe Cedric chama a atenção dela que olhou pelo ombro intimidando um pouco ele.

Cedric: – Rhoda!!!

Rhoda: – Não te preocupes, Cedric. – Voltando ao estado normal. – Como está o, Edarr? – Aproximando do grupo.

Cedric: – Consciente, mas é necessário regressar ao acampamento o quanto antes.

Rhoda sem hesitar pegou em Edarr da melhor forma para não o magoar e um outro membro pegou em Adamar.

Rhoda: – Cedric indicamos o caminho mais rápido, para o acampamento.

O grupo segue Cedric, onde ele ao chegar ao acampamento foi chamar os médicos, que vieram em seguida onde a Selina esteve a examinar Edarr e Adamar antes de serem levados para o posto rapidamente.

Cedric, Rhoda e o resto do grupo, seguiram atrás, sentando-se nas várias macas disponíveis para serem examinados.

Selina e mais alguns médicos examinaram o grupo. Rhoda olhava para o chão pensativa enquanto Selina a examinava, ela queria perguntar o que se tinha passado, mas nesse momento um esquilo entra na clínica e aproxima-se do grupo.

Esquilo 2: – Iorveth, exige a vossa presença na tenda dele.

Rhoda olha para Adamar que ainda estava inconsciente, pensativa.

Rhoda: – Assim que os médicos terminarem de nos examinar, iremos ter com Iorveth. – Olhando para esquilo.

Não demoraram muito tempo na clínica, a caminho da tenda de Iorveth, Rhoda reparou que os outros esquilos do acampamento olhavam para eles, onde alguns cochichavam entre si, muito provavelmente curiosos para saberem o que terá acontecido na missão.

O grupo quando entrou na tenda, Iorveth olhava para a lareira. Olhou-os por cima do ombro com cara de poucos amigos. Rhoda e o resto do grupo ficaram à espera que ele começasse a conversa. O ambiente na tenda estava pesado.

Iorveth: – O que raio aconteceu? – Voltando-se para o grupo de braços cruzados, num tom sério e moderado.

Cedric: – Nós encontramos Lierin e…. – A iniciar a explicação.

Iorveth: – Ela já não faz parte do nosso grupo. – Interrompendo Cedric. – Contudo ainda não me responderam à minha pergunta. Era uma simples missão. Esperar, atacar e voltar ao acampamento com os mantimentos. Em qual das ocasiões é que correu mal?

Rhoda viu a hesitação nos seus colegas uma vez que não queriam “vender” Adamar porque sabiam o que isso significaria.

Rhoda: – A culpa foi minha. – Dando uma resposta firme a Iorveth que apanhou todos os seus colegas desprevenidos que olharam para ela, surpreendidos. – Eu assumi que Lierin pudesse estar arrependida do que fez. E eu expôs a missão. – Iorveth franziu o sobrolho. – Quando dei-me conta do meu erro já era tarde demais, por isso tentei emendar o erro, da melhor maneira que pude.

Iorveth: – E deitas tudo a perder, pondo o teu grupo em risco só porque tiveste um pensamento emotivo? – Rhoda nada disse. – Eu sempre pensei que fosses mais lógica, mas parece que me enganei.

Rhoda: – Pelo menos tive o cuidado de trazê-los a todos para o acampamento, sem abandoná-los.

Iorveth: – Bonitas palavras, – Com algum desprezo. – mas numa batalha ou mesmo na guerra um erro seja qual for pode ser fatal.

Rhoda: – Que não foi o caso, até ver. – Notando alguma irritação em Iorveth.

Iorveth: – Aliás tu foste contra as ordens do teu superior que agora está internado entre a vida e morte, por causa do teu estúpido erro.

Rhoda: – Tu sabes muito bem como eu que estes esquilos ainda não amadureceram o suficiente, e sabes muito bem a grande diferença entre a teoria e a prática no campo.

Iorveth: – É por isso que os grupos são formados com essa mistura, para que os mais inexperientes aprendam com os mais experientes.

Rhoda: – Mesmo assim, chegará uma altura em que os mais experientes não irão conseguir ajudar os inexperientes e eles terão de se defender sozinhos, pelas vidas deles.

Iorveth: – E que seja!!! Isso irá colocá-los à prova como um teste final. – Rhoda nada disse. – A tua atitude deixa-me com o pé atrás, bem como a confiança que tinha em ti, e eu não gosto disso. – Com olhar frio.

O grupo de Rhoda sabia o quanto Iorveth estava a ser duro com ela, mas ela não quebrou a sua postura firme, durante as palavras duras dele.

Iorveth: – Partir de hoje terminas as tuas funções aqui no acampamento. Estás banida!!! – Cedric e o resto do grupo olhou para Iorveth surpreendidos. – Hoje podes ficar a noite mas amanhã de manhã já não te quero ver por aqui, compreendido?

Rhoda: – Mas é claro. – Com uma voz firme, o que deixou ligeiramente Iorveth surpreendido. – E em relação à Selina?

Iorveth: – Ela continuará o trabalho dela aqui no campo.

Rhoda: – Ok, – Fazendo uma pausa. – não te preocupes que amanhã não verás mais a minha pessoa.

Iorveth: – Estão dispensados. – Voltando-se de novo para a fogueira.

Cá fora, Rhoda liderava o caminho a passo lento. Ela sabia que os seus colegas deviam estar a pensar no que tinha acabado de acontecer.

Cedric: – Rhoda, espera. – Ponda mão no ombro dela para pará-la. – Porque o fizeste? Acabaste de perder tudo. – Num tom preocupado.

Rhoda: – Cedric, – Voltando-se para ele e para o resto do grupo. – dos vários anos em que fui nómada eu sei o quanto é difícil chamar um sítio de casa. – Cedric olha para chão pensativo.

Cedric: – Tu já sabias o que iria acontecer a Adamar e é por isso que o encobriste.

Rhoda: – Não te preocupes, Cedric. – Pondo a mão no ombro dele para animá-lo. – Vocês são ainda jovens têm um longo caminho ainda a percorrer, onde verão que este mundo ainda tem muito para vos oferecer.

Cedric: – Rhoda… – Sem saber bem o que dizer. – Desde com o evento com Vriran, vi que eras diferente dos humanos que já interagi.

Rhoda: – Sabes Cedric, quando chegamos a uma certa idade começamos a ver pequenas coisas que não vemos quando somos mais jovens o que é normal.

Cedric: – És assim tão velha? – Com alguma surpresa, o que fez Rhoda sorrir.

Rhoda: – Prometes-me que tomarás conta da Selina?

Cedric: – Claro que sim, não te preocupes.

Rhoda: – Obrigada. – Rhoda notou que os dois colegas dela estavam de cabeça baixa. – Não fiquem assim. – Pondo as duas mãos nos ombros de cada um deles, que olharam para ela. – A vida é mesmo assim, cada escolha tem a sua consequência e eu já estava à espera deste desfecho. – Um pequeno sorriso invadiu os rostos dos seus colegas. – Assim está melhor. Eu irei para a minha tenda para preparar as minhas coisas.

Cedric: – Ok, eu e os rapazes vamos ao posto ver como estão Adamar e Edarr.

Rhoda: – Se Selina perguntar o que se passou, conta-lhe sem problemas.

Rhoda despede-se do grupo desejando a eles todos uma boa sorte para o futuro, sobre um olhar atento vê-os afastarem-se gradualmente. Na tenda o silêncio convidava Rhoda a entrar lentamente, o que tinha para arrumar era pouco por isso foi rápido.

Sentou-se à beira da cama apoiando os cotovelos nas pernas de modo a tapar a boca com as mãos ficando à espera pensativa. Ao longe ouviu passos de alguém que se aproximava da tenda a grande velocidade, de lá fora Selina entra ao encontro de Rhoda sentando-se ao lado dela um pouco preocupada.

Rhoda: – Como estão Adamar e Edarr?

Selina: – Adamar, está a ter boas melhorias, daqui alguns dias terá alta. Em relação Edarr ainda está sob vigia 24 horas, mas penso que poderá apresentar melhorias daqui alguns dias.

Rhoda: – Isso são óptimas notícias.

Selina: – Cedric contou-me o que aconteceu e compreendo o porquê de o teres feito.

Rhoda: – Eu não tive escolha, Adamar não iria sobreviver lá fora.

Selina: – É verdade que encontras-te Ilthuryn?

Rhoda:– Sim, é verdade. O que me deixa um pouco preocupada.

Selina: – O que queres dizer?

Rhoda: – Desta vez foi só para me dizer um olá. – Fazendo uma pausa. – Espero que Ilthuryn não saia de novo das sombras assim tão cedo. Pelo menos não faz muito o estilo dele.

Selina: – Vamos esperar que sim. E tu como estás? Cedric disse que Iorveth foi bastante duro contigo.

Rhoda: – É o trabalho dele. É suposto ele ser duro. – Dando um pequeno sorriso. – Respondendo à tua pergunta, não sei bem como me sinto, mas eu já sabia qual seria o desfecho da minha escolha, no qual não me arrependo.

Selina: – Pões sempre os outros em primeiro. – Agarrando as mãos de Rhoda.

Rhoda: – Se calhar estou a ficar demasiado velha.

Selina: – É verdade que és a pessoa mais velha aqui do acampamento, mas acho que isso não tem nada a ver. Tu apenas não demonstras a tua real pessoa, para com os outros, mas sim em ações para com os outros. O que eu quero dizer é que és bondosa por natureza. – Olhando agora para o chão entristecida. – Vou ter saudades tuas.

Rhoda: – Não fiques assim, eu não vou viajar para o outro lado do mundo. Flotsam é já aqui ao lado. – Rindo-se. – Aliás nós podemos encontrar-nos nas ruínas que existem perto daqui para falarmos.

Selina: – Bem nisso tens razão. – Mostrando um sorriso.

Rhoda: – Além disso não estarás sozinha, tens Cedric que tomará conta de ti na minha ausência. – Rhoda notou que Selina ficou ligeiramente corada. – Tu fazes lembrar-me quando tinha a tua idade. As borboletas no estômago, o nervoso miudinho, a falta de ar….

Selina: – Rhoda pára com isso. – Dando uma pequena palmada no ombro dela.

Rhoda: – Como anteriormente já tinha dito, não tenhas pressa, deixa as coisas fluírem a seu tempo e logo verás.

Selina: – Assim o farei. – Acenando a cabeça positivamente. – Contudo vou ter que voltar ao trabalho, ficas por aqui?

Rhoda: – Sim, não tenho propriamente um lugar para ir agora.

Selina: – Então até logo. – Saindo da tenda.

Rhoda deitou-se na cama apoiando a nuca com as mãos olhando para o tecto pensativa, e foi nesse momento que apercebeu-se o quanto estava cansada. Com o avançar do tempo começou a sentir as pálpebras pesadas, onde cedeu ao pedido entrando num sonho profundo, apagando-se do mundo real durante algumas horas.