Sanctuary
7 Some Revelations

Assim que os primeiros raios de sol iluminaram o céu dando as boas vindas de um novo dia, Rhoda acordou ansiosa. Hoje é o primeiro dia de treinos dela. Acompanhada por Selina até à área de treinos, as duas vêem vários alunos a falarem entre si à espera de Cedric. Assim que se aproximaram o suficiente deles todos olharam para as duas e entre alguns murmuravam alguma coisa. Mas rapidamente acabaram com isso assim que Cedric apareceu.
Rhoda viu o trocar de sorrisos entre Selina e ele quando passou por ela.
Selina: – Rhoda vou ter que ir. Boa sorte.
Rhoda: – Obrigada. – Vendo Selina afastar-se da área de treinos.
Cedric: – Ora bem. – Parando diante dos seus alunos. – Como já devem ter reparado, que temos uma nova colega. Rhoda a partir de hoje fará parte do nosso grupo. – Fazendo uma breve pausa. – Muito bem! Preparem-se.
Rhoda viu os seus colegas a ficarem de tronco nu e ela fez o mesmo mostrando o seu porte atlético onde os seios dela estavam envolvidos com uma ligadura. Ela reparou que os colegas bem como Cedric ficaram surpreendidos com a enorme cicatriz que tinha, vindo do ombro até à cintura.
Rhoda: – Um erro que cometi no passado que quase custou-me a vida. É por isso que estou aqui hoje.
Colega: – Vamos a ver se consegues acompanhar-nos dh’oine. – Falando um dos alunos num tom de gozo, onde Rhoda apenas olhou séria não dando resposta à provocação dele.
Cedric: – Ei!!! – Chamando atenção dos dois. – Formem grupos de dois e ponham-se em posição.
Durante a formação dos grupos Rhoda foi excluída pelos colegas ficando com jovem elfo um pouco tímido. Ela foi buscar à mesa de madeira as almofadas e luvas que lá se encontravam, ficando à espera como faziam os restantes colegas.
Cedric: – Muito bem. – Calçando as luvas. – Primeiro tomem uma postura firme e depois golpeiam as almofadas. – Demonstrando como se fazia. – Façam três séries e depois troquem.
Rhoda voltou-se para o colega dizendo que ela calçava primeiro as almofadas e ele as luvas. No decorrer do exercício, Rhoda no ver dela estava a sair-se bem, já que empenhava-se a 100% sem dar importância aos outros colegas.
Dos punhos, agora era a vez de utilizar as pernas. Cedric disse-lhes que o exercício consistia em dar pontapés acima da cabeça, cintura e nas canelas utilizando as almofadas como indicador. Assim que a série acabou, Rhoda e o colega trocaram de posições repetindo a mesma série. Onde alguns olhares curiosos de colegas que viam como ela executava os golpes quase na perfeição.
Após acabar a sessão Cedric mostrou-lhes como utilizar um contra-ataque.
Cedric: – Como sabem, no combate a força não é tudo e por vezes temos de utilizar outra estratégia. Como podem ver eu amparei o punho dele e mobilizei-o para minha vantagem, de maneira a poder investir o meu punho nele livremente. – Cedric viu como Rhoda ficou surpreendida com a habilidade dele. – Cada grupo pode tomar as posições para começarem a sessão de maneira eu poder corrigir-vos.
Durante vários minutos cada grupo aplicou da melhor maneira o contra-ataque, tendo algumas orientações de Cedric mostrando-lhes como fazer as coisas bem. Assim que achou que já era o suficiente, Cedric assobiou para chamar atenção dos grupos dizendo-lhes para fazer uma breve pausa para depois porem em prática o que aprenderam.
Rhoda foi beber água bem como o resto dos colegas, onde depois com calma foram até à arena.
Cedric: – Ok, vamos tirar à vez. Primeiro vocês, a seguir vocês, depois vocês – Apontando para o grupo da Rhoda. – e por último vocês.
Cedric deu lugar na arena ao primeiro grupo onde os restantes ficaram de fora a ver bem como Rhoda. Assim que Cedric deu começo à ronda, Rhoda viu atentamente como aplicavam as técnicas de uma forma natura,l era como se soubessem o que utilizar naquele momento, mas em poucos minutos a ronda acabou. O segundo grupo entra na arena para dar início a mais uma ronda e mais uma vez sabiam o que aplicar em cada situação que deixou Rhoda mais uma vez impressionada.
Como aconteceu no primeiro grupo, a ronda não durou muito tempo e era a vez do grupo dela, muitos olharam para ela com uma ligeira malícia, onde ela não deu muita importância.
Cedric dá início há ronda, onde o jovem elfo começa por investir um golpe de punho e pontapés alternadamente, Rhoda recua defendendo-se dos ataques dando alguma manobra ao jovem. No momento em que ela ia investir um pontapé ao jovem, este agarra no pé dela anulando o ataque, contra-atacando com o punho no rosto dela fazendo-a cair no chão com corte ligeiro na face. Mas rapidamente levanta-se tomando de novo uma postura defensiva, e desta vez Cedric reparou que no rosto dela havia alguma confusão de não saber bem o que fazer naquele momento, o que levou-a à derrota e à humilhação por parte dos colegas por ter sido derrotada pelo aluno mais fraco da turma.
Cedric: – JÁ CHEGA!!! – Chamandos atenção num tom sério que os deixou intimidados.
Os restantes combates decorreram sem grandes agitações, onde Rhoda estava sentada num banco mais reservado pensativa. Após Cedric dispensar a turma foi ter com ela sentando-se ao lado.
Cedric: – O que se passou Rhoda? – Num tom calmo olhando para ela. – Tu nos treinos foste quem executou todos os movimentos melhor que ninguém.
Rhoda: – Não sei bem. – Olhando para baixo um pouco desanimada.
Cedric: – Não fiques assim. – Pondo a mão no ombro dela. – Amanhã correrá melhor. – Com sorriso nos lábios levantando-se do banco.
Rhoda: – Obrigada. – Com ligeiro sorriso.
A tarde já caminhava para o fim quando Rhoda deu-se conta. Antes de sair da área de treinos vestiu a camisa e o casaco, deixando Cedric sozinho. Na tenda Selina já lá se encontrava, cuidou do ferimento facial de Rhoda que estava pensativa.
Selina: – Hoje o dia não correu muito bem, pois não?
Rhoda: – Nota-se assim tanto?
Selina: – Sim.
Cedric: – Para dizer-te a verdade eu própria também não sei o que aconteceu. – suspirando. – Cedric disse que fui uma das melhores a treinar os movimentos, mas depois na arena parece que não sabia nada.
Selina: – Yeh!!! – Sentando-se ao lado de Rhoda pegando as mãos. – Não te preocupes, amanhã será melhor. – Com sorriso que contagiou também Rhoda.
Passaram-se várias semanas sempre com o mesmo resultado na arena, mas Rhoda não ia desistir por nada. Até que um dia Cedric chamou ela depois dos outros colegas irem-se embora.
Cedric: – Quero fazer um teste contigo. Vem comigo. – Levando-a a um local onde havia bonecos de treino. – Podes pôr-te em posição assim que entrares. Os bonecos irão mover-se aleatoriamente e o teu objectivo é defender e atacar os bonecos, ok?
Rhoda: – Ok.
Na arena, Rhoda pôs-se em posição. Cedric fez contagem decrescente dando início ao teste, Rhoda estava atenta e defendia os golpes dos bonecos sem grande dificuldade, mas assim que ela começou a pensar numa maneira de como iria atacar os bonecos foi a derrota dela.
Cedric pára os bonecos vendo no chão Rhoda irritada. Aproxima-se dela dando a mão para ajudá-la a levantar-se.
Rhoda: – Bolas!!! Até com bonecos de treino…. – Suspirando desapontado com ela mesma.
Cedric: – Já algum tempo que andava desconfiado e hoje veio-se confirmar aquilo que suspeitava.
Rhoda: – O que queres dizer?
Cedric: – Chego à conclusão que a tua mente fica demasiado cheia com pensamentos. – Olhando para ela. – Aqui não existe espaço para pensamentos mas instinto. Se ocupas demasiado a tua mente acabas por agir tardiamente e isso pode custar-te a tua vida.
Rhoda: – Percebo. – Pensativa. – Tens alguma sugestão de como posso esvaziar a minha mente?
Cedric: – Hum… – Pensativo com a mão no queixo. – A tua mente fica cheia porque os teus olhos vêem demasiado pormenores inúteis no combate.
Rhoda: – Compreendo.
Os dois reparam que Selina tinha entrado na área de treino e aproxima-se deles com um passo calmo.
Selina: – O que se passa? Porque essas caras?
Rhoda: – Cedric descobriu o porquê de não conseguir ter sucesso nos combates corpo a corpo. A minha mente fica demasiado cheia com pensamentos e pormenores inúteis durante os combates.
Selina: – Hum… – Pensativa. – Se o problema é a tua visão que influencia a tua mente, por que não tapas os teus olhos durante o combate? – Reparando que os dois ficaram a olhar para ela um pouco surpreendidos.
Cedric: – Acho que a tua sugestão pode vir a funcionar. – Com pequeno sorriso.
Rhoda: – Por acaso não tens nada aí contigo que possa utilizar como venda?
Selina: – Por acaso até tenho. – Pondo a mão no bolso. – Toma. – Mostrando a mãocom uma ligadura.
Rhoda: – Obrigada. – Pegando na ligadura. – Cedric, achas que posso ficar aqui a treinar mais um bocado?
Cedric: – Claro que sim, estás à vontade. – Fazendo uma breve pausa. – Gostaria de estar mais há conversa com vocês mas tenho coisas para fazer. Rhoda, quero ver esses treinamentos extras em prática na arena, ok?
Rhoda: – E verás, dá-me tempo.
Cedric: – Então, adeus. – Afastando-se das duas calmamente.
Rhoda entrou no local sobre o olhar atento de Selina onde tapou os olhos com a ligadura, respirando fundo de maneira a apurar os outros sentidos antes de começar a treinar, é claro que nas primeira tentativas não teve sucesso.
Selina: – Rhoda vou ter que ir. A hora da minha pausa está quase a terminar. Boa sorte.
Rhoda: – Obrigada.
Pelo ouvido ouviu os passos de Selina a afastarem-se calmamente antes de ficar sozinha na companhia do som do vento, onde arranjou tempo para reflectir no que estava a fazer mal antes de iniciar de novo o treino. Nas tentativas seguintes já começava a notar alguma diferença, mas ainda assim saia derrotada e de novo refletia no que tinha feito de errado. Até que numa das tentativas ela ouviu o boneco a mexer-se e num movimento rápido defendeu-se do ataque dele, contra-atacando de seguida derrubando-o.
Rhoda levanta a ligadura deixando um dos olhos à mostra, ao qual ainda não acreditava no que tinha acabado de acontecer.
Rhoda: – SIM!!!!!!!!!!!!!!! – Dando um grito de alegria com os braços levantados, ficando a olhar para o céu já anoitecido, onde conseguia ver pequenos pontos luminosos por não existir nuvens.
De repente ela olhou para um conjunto de árvores, ao qual viu um vulto a desaparecer na escuridão agilmente. Rhoda ficou pensativa, mas descartou logo de imediato a hipótese de ser Ilthuryn, porque a arena de treinos ficava localizada mais ou menos ao centro do acampamento onde existiam vários esquilos a guardá-lo. Seria uma estupidez arriscar assim tanto, para além de que não faz muito o estilo dele. Então quem poderia ser?
Em seguida ouviu os passos de Selina aproximarem-se dela dando-lhe os parabéns pelo sucesso dela. As duas pelo caminho até à tenda, Selina ouvia com gosto o que Rhoda dizia.
Rhoda: – Eu estou a pensar a partir de amanhã começar a fazer treino extra de manhã e depois do treino com Cedric. – Parando em frente da entrada da tenda.
Selina: – Ok.. mas não será que estás a exagerar um pouco? – Com alguma preocupação.
Rhoda: – Nem por isso, não te preocupes. – Com sorriso nos lábios. – Eu não irei fazer nada irresponsável.
Selina: – Ok, se tu o dizes. – Agora um pouco mais descontraída entrando na tenda.
Na tenda as duas ainda ficaram a falar por mais umas horas antes de irem dormir. Na manhã seguinte Rhoda levantou-se cedo para dar início ao treino matinal dela. Pelo caminho até à área de treino o silêncio acompanhava Rhoda.
Ao chegar ao local o chilrear dos pássaros capturou a atenção dela onde preparava-se sem pressa para dar início ao treino, onde ficou de tronco nu e tapou os olhos com a ligadura. Desde esse momento o treino da manhã terminava antes da aula com Cedric onde depois iniciava novamente o treino até á hora de ir dormir.
Numa das pausas que fez num dia reparou que alguém estava deitado sobre um tronco de uma árvore, aproximou-se lentamente. Rhoda reconheceu as feições de Iorveth, viu que tinha os olhos fechados com as mãos apoiadas na nuca. O respirar dele era calmo, onde de vez em quando a brisa da tarde brincava com o cabelo dele levemente.
Num rápido movimento um pequeno esquilo com uma bolota na boca capta a atenção de Rhoda, a curiosidade dele faz com que ele aproxime-se da cabeça de Iorveth, tocando, o que faz com que ele abane a cabeça ligeiramente.
Rhoda inconscientemente mostra um pequeno sorriso, porque faz-lhe lembrar de algo que ocorreu num passado distante, que guarda com muita estima. O que ela não contou é que Iorveth observa-se ela, não com olhar sério mas com um de curiosidade.
Os olhares deles cruzaram-se, ficando a olhar um para o outro durante alguns minutos, até que Rhoda desviou o olhar voltando ao treino.
Esta rotina prolongou-se a um mês e meio onde Cedric começou a notar uma grande melhoria na técnica de combate de Rhoda, elevando-a para o patamar de melhor aluna o que fez alguma inveja ao melhor aluno da turma, Vriran que ficou mais atento a ela.
Cedric: – OK!!! Podem parar! – Elevando o braço com a mão fecha. – Arrumem as coisas e depois venham aqui.
Todos os alunos fizeram a sua parte em arrumar e reuniram-se ao pé de Cedric formando um círculo, ficando atentos a ele.
Cedric: – Como já devem ter notado, estamos a chegar aquela fase em que não tenho mais nada para vos ensinar, o conhecimento e as ferramentas que ensinei-vos, são agora vossas. – Olhando para cada um de deles, com orgulho. – Eu sei que houve altos e baixos ao longo destes meses, mas todos vocês chegaram aonde eu queria.
Aluno: – Então quer dizer que podemos ir embora, agora? – Um dos alunos num tom brincalhão, onde alguns alunos deram uma pequena gargalhada.
Cedric: – Não tão depressa. Ainda falta o derradeiro e último teste.
Aluno: – Teste? Que tipo de teste? – Com alguma curiosidade.
Cedric: – O teste consiste em saber qual de vocês é o melhor. – Olhando para todos os alunos. – Com o objetivo de dar-vos a oportunidade de um papel mais importante aqui no acampamento.
Aluno: – Isso quer dizer que podemos formar o nosso próprio grupo, para as missões?
Cedric: – Sim, tipo isso.
Rhoda viu que os seus colegas ficaram bastante mais motivados em realizar o teste, não percebendo bem o porquê disso.
Aluno: – E quando vamos fazer o teste?
Cedric: – Daqui alguns minutos, mas primeiro vamos fazer uma pausa, para recuperar um pouco as energias.
Rhoda, bem como os outros alunos foram descontrair um pouco, onde ela sentou-se num dos bancos ao pé da arena e viu Cedric aproximar-se.
Cedric: – Estás pronta para o teste final? – Sentando-se ao lado dela.
Rhoda: – Sim. Vamos a ver se o treino extra que fiz se dá o seu fruto.
Cedric: – Eu tenho 100% de certeza que irá fazer.
Rhoda: – Cedric posso fazer uma pergunta?
Cedric: – Claro que sim.
Rhoda: – Reparei que alguns dos meus colegas, perguntaram sobre terem os seus próprios grupos para missões, e não percebi bem o porquê de ser tão importante isso para eles. – Olhando para ele, um pouco intrigada.
Cedric: – Hum… – Um pouco pensativo. – Eu percebo a tua pergunta e não à mal em perguntar. – Sorrindo-se. – Sabes, alguns destes jovens, os mais jovens principalmente, chegam aqui desamparados e confusos sem saber o que fazer. – Fazendo uma pausa. – Cabe a nós os mais velhos tomar conta deles, claro que não é regra, mas a maior parte cria um elo com eles.
Rhoda: – Já estou a perceber o que estás a dizer. – Olhando para os colegas dela. – Os grupos são como uma família.
Cedric: – Isso mesmo. É por isso que muitos esquilos querem fazer estas ações. Não só para melhorar as habilidades deles, mas também para terem a oportunidade de formar a sua “família”, apesar de nós todos sermos todos uma família num todo.
Rhoda: – Obrigada pela explicação e pelo teu tempo.
Cedric: – Sem problema. – Levantando-se do banco. – Está na hora.
Rhoda e os seus colegas aproximaram-se de Cedric onde explicou como o teste final iria proceder. Existiria dois grupos A e B onde quem saísse vitorioso iria avançar gradualmente até ao derradeiro último encontro.
Vriran: – Agora é que iremos ver quem é o melhor, dh’oine. – Vriran com um tom sério com alguma agressividade para Rhoda, onde ela apenas olhou séria para ele sem dar resposta a ele.
Assim que Cedric formou quem iria estar nos dois grupos por via aleatória, os dois primeiros alunos entraram na arena, onde toda a gente ficou atenta ao combate.
Com o avançar do dia os combates foram realizando-se, alguns deles foram emocionantes e outros reunidos. Os combates que Rhoda que realizava utilizava a ligadura de modo a tapar os olhos e avançava gradualmente no grupo dela, bem como o Vriran, até que os dois chegaram ao último encontro. Rhoda viu a felicidade no rosto dele quando viu quem seria o seu adversário.
Cedric: – Ok, vamos fazer um intervalo, antes da última ronda.
Rhoda como da outra vez anteriormente sentou-se no banco ao lado da arena, mas o céu começava a tomar a cor alaranjada. Cedric vai ter com ela.
Cedric: – Pronta, para o último combate?
Rhoda: – Sim, mas… – Pensativa. – Ele é sempre assim tão simpático, para os outros colegas? – Olhando para ele.
Cedric: – Sim e não.
Rhoda: – Estou a ver, então devo ter saído na rifa dele.
Cedric: – Eu percebo o porquê de ele ser assim, mas acho que o método dele não é o mais correto. – Olhando para ele. – Ele quando chegou aqui nenhum dos esquilos mais velhos quis tomar conta dele, uma vez que ele é meio-elfo. – Fazendo uma pausa. – Tudo o que ele sabe aprendeu às custas dele, e mais recentemente apareceram jovens esquilos meio-elfos aqui no campo e ele é quem toma conta deles agora.
Rhoda: – Estou a começar a perceber. – Pensativa. – Mas Cedric, eu não irei recuar por causa disso.
Cedric: – Nem espero outra coisa.
Quando a pausa terminou, todos os alunos aproximaram-se da arena, onde Vriran estava prontíssimo para começar o combate. Rhoda como anteriormente pegou na ligadura para tapar os olhos, mas o rival dela não achou muita piada a isso.
Vriran: – A utilização de uma ligadura para tapar os olhos vai contra as regras. – Num tom sério. – Que eu saiba não estás em necessidade de utilizar uma. – Olhando para Cedric. – Quem me diz a mim que essa ligadura não está enfeitiçada de modo ajudar-te. – Rhoda não conseguiu esconder um riso.
Rhoda: – Estás assim tão desesperado para vencer ao ponto de inventares tolices? – Num tom de gozo, onde Vriran nada disse. – Mas ok, vamos jogar pelas tuas regras. – Pousando a ligadura na mesa que existia na entrada da arena.
Os dois entraram na arena onde ambos puseram-se em posição, o que o Vriran não contou é que Rhoda fechasse os olhos de modo a tapar os olhos. Cedric dá início ao combate.
Vriran optou pela estratégia de ser paciente e estudar o terreno onde investiu pequenos golpes de punho, mas Rhoda defendia sem muita dificuldade. Depois passou a investir em pontapés alternados que por sua vez Rhoda não sentiu muita dificuldade em defender.
Gradualmente o Vriran começou a ser mais agressivo na utilização de punhos e pontapés, no qual notou que Rhoda ficava sem muita manobra de contra-atacar o que fez com que ele continuasse com a mesma tática durante algum tempo. O que ele não esperava é que Rhoda contra ataque-se depois de ter bloqueado o pé dele, puxando-o com alguma agressividade para si desequilibrando-o onde finalizou com um pontapé baixo de modo a fazer uma rasteira onde ele caiu de costas no chão.
Rhoda: – Achas que és o único a estudar o terreno?
Vriran sem dar conta começou a perder o foco e clareza de pensar com lógica o próximo movimento o que deu uma vasta vantagem a Rhoda. Das vezes que ele tentava algum movimento, Rhoda derrubava-o sem dificuldade. O combate termina com Vriran no chão com o punho de Rhoda parado na frente dele quase a tocar-lhe no rosto. Cedric aproxima-se dos dois alunos.
Cedric: – Vencedora do último combate, Rhoda!!! – Levantando o braço dela. – Parabéns. – Abaixando o braço dela.
Rhoda: – Obrigada. – Abrindo os olhos.
Cedric: – Vá, levanta-te. – Dando a mão ao Vriran, para o ajudar.
Vriran: – Bolas…. – Ainda a cair na realidade. – Bom combate. – Olhando para ela com o braço a envolver a barriga.
Rhoda: – O que irá acontecer agora, Cedric?
Cedric: – Irás receber um papel de comprovação que foste a melhor da turma e poderás formar o teu grupo.
Rhoda: -Hum… – Ficando pensativa. – E se eu não quiser o papel e formar um grupo? – Rhoda notou alguma surpresa nos rostos dos seus colegas.
Cedric: – Bem, nesse caso passará para Vriran.
Rhoda: – Por mim, podes dar-lhe o papel e o direito de formar um grupo a Vriran. – Rhoda olha para Vriran com o olhar surpreendido.
Vriran: – Rhoda… Porquê? – Com um tom sério. – Tu ganhaste, é teu por direito.
Rhoda: – Eu não quero saber de títulos, o meu objetivo aqui era apenas melhorar a minha habilidade de combate corpo a corpo e foi o que consegui. – Fazendo uma pausa. – Eu sei o quanto vocês trabalham para adquirir o poder de formar um grupo. – Pondo a mão no ombro de Vriran. – Não desperdices esta oportunidade. – Num tom calmo.
Todos os colegas e até Cedric ficaram bastante surpreendidos com o gesto de Rhoda. Vriran olha para o chão pensativo durante alguns segundos antes de olhar para ela novamente a agradecer.
Cedric: – Antes de darmos por terminada, esta última aula. Há algo que tenho de anunciar e isto é mais para ti, Rhoda. – Olhando para ela. – Uma vez que foste a vencedora deste último teste, terás de enfrentar Iorveth.
Rhoda: – O quê?! – Surpreendida. – Eu não sei se sabes, mas eu ao pé dele sou ainda uma amadora.
Cedric: – Serás se o deixares, não? – Com um sorriso nos lábios. – Estão dispensados e espero o melhor para todos vocês.
Alunos: – Obrigada por tudo, Cedric. – Disseram todos os alunos em coro, onde começaram a dispersar.
Cedric: – Rhoda mais uma coisa. – Chamando a atenção dela.
Rhoda: – O que se passa? – Um pouco surpreendida.
Cedric: – Em relação ao combate contra o Iorveth, existe um senão. – Com tom sério fazendo uma pausa breve. – Caso percas com ele, tu e a Selina terão de abandonar o acampamento.
Rhoda: – O quê? Como assim? – Sem saber muito bem como processar o que Cedric acabará de dizer. – E porque não me disseste logo isto? – Num tom sério.
Cedric: – Eu não queria que perdesses a concentração durante o teste final. Aliás tu já não és a mesma Rhoda que entrou á uns meses atrás que não sabia nada sobre luta corpo a corpo. A Rhoda que hoje tenho à minha frente já tem as ferramentas que preciso para ser ainda melhor. – Cedric viu alguma surpresa no olhar de Rhoda. – Por isso acho que não devias preocupar-te tanto. – Pondo a mão no ombro dela.
Rhoda: – Ok. – Respirando fundo. – E quando é que o combate irá realizar-se?
Cedric: – Iorveth, estará disponível amanhã ao meio da tarde. Por isso se quiseres utilizar o recinto para treinar estás à vontade.
Rhoda: – Obrigada.
Ao longe Selina aproxima-se a passo rápido, onde felicitou a vitória de Rhoda, mas algo em Rhoda vez a ficar um pouco preocupada.
Selina: – Rhoda o que se passa? Pareces um pouco triste. Aconteceu alguma coisa que eu não saiba?
Rhoda: – Amanhã irei defrontar o Iorveth e caso não ganhe teremos de abandonar o acampamento.
Selina: – Estou a perceber… – Olhando para o Cedric um pouco desconfiada, uma vez que ele não tinha dito nada sobre esse facto. – Hum… – Cedric nesse momento pisca o olho a ela a indicar para entrar no “jogo”. – Rhoda, – Pegando nas mãos dela. – tem confiança em ti mesma e verás que alcançarás tudo.
Rhoda: – Obrigada Selina. – Dando um pequeno riso. – Eu irei treinar hoje e amanhã de manhã. Perder aqui não é opção. – Determinada a fazer tudo por tudo.
Selina e Cedric despediram-se de Rhoda onde a relação dos dois estava cada vez mais evoluída a olhos vistos, o que fez Rhoda lembrar na altura quando tinha a idade de Selina, onde ela e Joshua já estavam num patamar mais do que amigos.
O treino terminou quando o acampamento, ficou banhado pelo silêncio, no caminho para a tenda Rhoda houve pequenos murmúrios vindo da zona onde ficava a tenda de Iorveth, ela pára e vê um esquilo e Iorveth a falarem, no entanto não consegue perceber o que falavam uma vez que falavam num tom baixo. Por breves segundos o olhar de Iorveth vai ao encontro do dela, mas ela nada diz e inicia de novo a caminhada até à tenda. Selina já estava a dormir e ela fez o mesmo, sem grande custo, uma vez que sentia-se cansada.
Na manhã seguinte bem cedo, ela prosseguiu para treino extra, até à hora do encontro onde fez uma hora de pausa dentro dos balneários até á hora. Não precisou de virem chamá-la uma vez que gradualmente começava a ouvir vozes dos esquilos entusiasmados.
Rhoda levantou-se, respirou fundo e lentamente começou a caminhar até à arena. Uma pequena multidão já rodeava o recinto, onde Cedric e Iorveth falavam. Ao aproximar-se dos dois, Iorveth cruzou os braços olhando para ela, onde viu no olhar dela a determinação para vencer o combate de hoje.
Cedric: – Ora bem, os nossos dois combatentes, já estão aqui presentes. – Falando para o público. – Combatentes podem prepararem-se. – Falando agora para Rhoda e Iorveth.
Os dois ficaram de tronco nu e de calças vestidas, trocando um olhar em silêncio. Rhoda não pode deixar de notar que o corpo de Iorveth era bastante atlético do que aparentava ser, o que queria dizer que o combate não ia ser fácil. Como Rhoda, Iorveth observou com alguma curiosidade a cicatriz dela que vinha desde o ombro até à cintura.
Cedric: – Combatentes, preparem-se. – Rhoda e Iorveth entram na arena tomando as suas posições esperando pelo sinal de início. – COMECEM!!!!! – Em voz alta.
Rhoda desta vez optou por prosseguir o combate com os olhos abertos, confiante na sua decisão. A multidão não conseguia esconder o entusiasmo deste grande evento. Rhoda como Iorveth circulavam num círculo à espera de quem iria começar.
Rhoda iniciou com pequenos golpes de punho onde Iorveth defendeu-se sem grandes problemas, deixando alguma manobra de vantagem para ele. Sem esperar muito tempo Iorveth inicia um ataque feroz com os punhos ao qual Rhoda teve alguma dificuldade em defender-se, encurralando-a a um canto onde não deixou-se intimidar e com alguma rapidez Rhoda esquiva-se para o lado esquerdo com punho cerrado acertando na barriga de Iorveth, o que o surpreendeu mas não por muito tempo porque ele sabia exatamente o que Rhoda ia fazer de seguida, e bloqueou o outro punho dela.
Rhoda sentiu a grande força dele quando se defendeu do ataque dele e tentou utilizar o outro punho mas de novo foi bloqueado possibilitando a Iorveth prendê-la num abraço onde ele utilizou a alguma da sua força para mobiliza-la. Rhoda nas suas costas sentiu o peito de Iorveth e o respirar no seu pescoço, onde tentou de tudo para se soltar mas Iorveth não deixava manobra para ela escapar, até que se apercebeu que as pernas dele estavam entreabertas e viu aí uma oportunidade para escapar.
Rhoda deslizou por entre os braços dele como uma enguia assim que teve oportunidade e passou por baixo das pernas de Iorveth, ficando de costas para ela. Rhoda tenta desequilibrar Iorveth mas sem muito êxito, por isso investe com um punho rápido na cintura dele onde para surpresa dela, Iorveth bloqueia o ataque e puxa para sua frente.
De novo, Iorveth envolve a cintura de Rhoda num abraço apertado fazendo alguma pressão. Rhoda apoia as suas mãos nos ombros de Iorveth na tentativa de conseguir libertar-se. O olhar determinado de Rhoda encontra o olhar dele, desistir não era uma opção, mas quando Iorveth utilizou mais um pouco da sua força na cintura de Rhoda, ela pousou o queixo no ombro dele, a pensar no que iria fazer a seguir, mas nada surgiu na mente dela uma vez que as dores começaram a ser insuportáveis, onde por fim ela bate no ombro de Iorveth dando o sinal da desistência.
Com isto Cedric dá como terminado o encontro com Iorveth vitorioso. No chão Rhoda fica pensativa.
Iorveth: – Estás num bom caminho. – Aproximando-se dela. – mas ainda precisas de treinar um pouco mais.
Rhoda: – Eu sei, mas…. – Olhando para Iorveth seria. – uma vez que fui derrotada eu e a Selina teremos de abandonar o acampamento.
Iorveth: – Hum… Aonde foste tirar essa ideia? – Olhando um pouco confuso para Rhoda. – Não te esqueças que ainda tens uma dívida para comigo.
Nesse momento, Rhoda olha para Cedric que estava a falar com alguns esquilos e sem demorar muito fez um mais um.
Rhoda: – Oh meu deus…. – Pondo a mão na cara, ainda a não acreditar que caiu que nem uma pata na história de Cedric. – Nem sei como fui acreditar na história dele. – Sorrindo agora.
Iorveth dá a mão a Rhoda para ajudá-la a levantar-se, que aceitou sem problemas, a força dele era incrível, levantou ela como se fosse uma pena.
Rhoda: – Obrigada. – Soltando a mão dela de Iorveth.
Cedric: – Vens à festa? – Aproximando-se de Rhoda e Iorveth.
Iorveth: – Não. – Respondendo diretamente. – Tenho alguns assuntos a tratar e não posso perder tempo em festas. – Pegando nas suas roupas. – Aproveitem bem o dia de hoje porque amanhã temos trabalho a fazer. – Afastando-se lentamente da arena a caminho da tenda dele.
Cedric: – Ele é sempre assim…. – Um pouco desapontado com a resposta dele. – Já nem sei qual foi a última vez que ele descontraiu.
Rhoda: – Se calhar é por isso mesmo que ele não vem às festas.
Cedric: – Não estou a seguir o que queres dizer. – Um pouco confuso com a observação de Rhoda.
Rhoda: – Às vezes para não pensar muito, no que quer que seja, há que ocupar a mente com qualquer coisa, nem que seja com trabalho. É claro que isto não se aplica a toda a gente.
Cedric: – Acho que estou a perceber o que queres dizer.
Rhoda: – Mas mudando de assunto. Afinal, que festa é essa? – Com alguma curiosidade.
Cedric: – A festa é em tua honra. Uma vez que foste a melhor da turma.
Rhoda: – Ok. Acho que divertir-me um pouco não vai ser mau. – Ainda a ponderar. – A Selina também vai estar lá?
Cedric: – Infelizmente não, porque ela ficou com o turno da noite mas deve depois aparecer, assim que acabar.
Rhoda: – Percebo.
Cedric: – Vamos?
Cedric guiou Rhoda até ao local onde já tinha começado o evento. Na grande fogueira estavam alguns esquilos convivendo uns com os outros onde estavam a ter um fantástico momento. Assim que viram Rhoda, todos os presentes saudaram-na, Cedric encheu dois copos de vinho, um para si e outro para ela.
No decorrer da euforia Rhoda bebeu o primeiro, segundo, terceiro, quarto copo para entrar no espírito festivo. Um dos esquilos chamou a atenção de Cedric que o informou que a Selina estava a dirigir-se para o evento. Sem demoras, Ceric ausenta-se do local para ir ao encontro dela.
Selina: – Como está a festa? – Com algum entusiasmo.
Cedric: – Está a correr muito bem. O ambiente é bom, a música é fantástica e a bebida nem se fala e… – Olhando confuso para expressão de preocupada de Selina.
Selina: – Bebidas?!? OH NÃO!!!! – Em pânico.
Cedric: – Há algum problema?
Selina: – Sim, há. – Olhando para Cedric séria. – Rhoda não sabe controlar-se no que toca ao álcool e quando ela fica bêbada começa a falar demais e não diz coisa com coisa. Tenho que a encontrar, ajudas-me?
Cedric: – Sim, claro.
Rhoda já não se encontrava na grande fogueira mas sim a caminho do lago na companhia de uma garrafa de vinho onde o dia caminhava para o final de tarde. Pelo caminho ouve uma melodia de uma flauta que vinha pelo mesmo caminho que estava a percorrer, ao aproximar-se a melodia pára, não viu ninguém no local, mas no canto do olho dela viu um vulto a descer da árvore, onde lentamente aproximou-se de Rhoda que teve alguma dificuldade em reconhecer as feições de Iorveth.
Rhoda: – Não devias estar a trabalhar. *Hic* – Olhando para ele surpresa.
Iorveth: – Estás bêbada. – Parando junto dela com os braços cruzados com olhar sério.
Rhoda: – Sim…. Acho que sim. – Não tendo muito a certeza. – Depois de ter bebido… – A pensar um pouco. – dois ou três copos. – Sorrindo-se. – Mas sim, acho que estou bêbada. *Hic*
Iorveth nada disse, apenas deu um suspiro ligeiro.
Rhoda: – Queres um pouco? – Mostrando a garrafa de vinho, onde nada disse Iorveth. – Ok, fica para a próxima. – Dando mais dois golos. – O combate desta tarde foi incrível. – Fazendo uma pausa. – Eu sabia que iria ser um combate difícil, mas olha que a tua estatura engana bem, não sabia que tinhas tanta força. *Hic*- Com sorriso na cara olhando para Iorveth. – Na arena pensava que irias partir-me em dois.
Iorveth: – O que te leva a pensar que eu iria fazer isso. – Num tom neutro.
Rhoda: – Sei lá, hoje vive-se, amanhã morre-se e… – Nesse momento Rhoda fica hipnotizada pelo pôr-do-sol que já pintava o horizonte. – …. e esquecemos de aproveitar os pequenos momentos que a vida nos oferece. *Hic* – Com olhar entristecido.
Iorveth observou atentamente a expressão de Rhoda.
Rhoda: – Tantas vezes que vim aqui e só agora é que reparei o quanto o pôr-do-sol é lindo. – Ficando em silêncio durante algum tempo. – Desde que perdi a minha família.. – Quebrando o silêncio. – … tento ao máximo manter a minha mente ocupada. Porque se não o fizer a minha mente leva-me a pensar o que poderia ter feito para mudar o desfecho. *Hic*.
Iorveth: – E que coisas terias mudado?
Rhoda: – Nunca teria confiado em humanos. – Olhando para Iorveth. – Para eles é fácil culpar o outro do que eles admitirem que erraram, e sabes quem sai sempre na rifa? Os não-humano. – Observando as insígnias que tinha ao peito dele. – Acho que depois destes anos todos, acho que nunca iram mudar, a única coisa que sabem fazer é matar e mesmo às vezes cometem erros. – Dando uma pequena gargalhada na companhia de dois golos de vinho. – Seja por interesse, dinheiro ou por outro motivo estúpido que tenham. *Hic*. – Fazendo uma breve pausa. – Enquanto existir malícia irá haver sempre guerras e a morrer pessoas inocentes. Mas enquanto for viva irei proteger quem poder, sejas tu, a Selina, o Cedric ou os esquilos. Desta vez vai ser diferente. – Num tom determinado.
Rhoda não conseguiu perceber bem mas pareceu-lhe notar um pequeno sorriso no rosto de Iorveth.
Rhoda: – Mas sabes uma coisa, eu gosto de estar aqui. *Hic*- Suavizando o olhar dela com pequeno sorriso.
Iorveth: – Ai sim e porquê? Suponho que saibas que existem outros sítios muito melhores que este.
Rhoda: – Sim sei, mas no período em que era nómada andei por vários sítios e vi um pouco de tudo a acontecer como espectadora, e uma coisa que vejo aqui que nos outros sítio não via com muita frequência, é a confiança. – Fazendo uma pausa. – A forte confiança que os esquilos têm em ti é incrível. Sem essa confiança é o início do fim. – Olhando agora para o pôr-do-sol. – Mas o mais estranho de tudo, é que essa confiança que deixas passar para fora, por algum motivo tranquiliza-me. – Mostrando um pequeno sorrindo. – Essa sensação eu também tinha quando o Joshua era vivo. Nunca pensei que passado este tempo todo poderia voltar a sentir essa paz interior novamente, já me tinha esquecido o quanto é agradável. *Hic*. – Voltando para Iorveth com um sorriso.
O som da água que vinha e ia do lago juntamente na companhia da brisa que dançava nas folhas das árvores preencheu o silêncio que formava-se entre Rhoda e Iorveth de uma forma agradável. Nesse momento os dois apreciaram o pôr-do-sol.
Rhoda: – Mas ainda tenho que resolver um problema. – Quebrando o silêncio. – Tenho que ainda perceber o porquê de ser sempre o alvo a abater para as mulheres em geral. – Olhando para Iorveth pensativa. – Nunca percebi isso, todas elas são lindas de morrer, podem ter todos os homens aos seus pés, mas quando entro em cena, eu Rhoda que nem humana é, onde tenho um corpo cheio de cicatrizes feias, elas ficam com ciúmes de mim. Sinceramente não percebo. – Encolhendo os ombros. – Será por ter espadas? Ou será por não ser uma donzela indefesa como elas? – Pensativa novamente. – Enfim, acho que nunca irei perceber, mas passando à frente. A Selina também gosta de estar aqui o que me faz feliz, mas agora a atenção dela tem andado mais focada no Cedric. Ela faz-me lembrar de mim quando tinha a idade dela, aquele nervoso miudinho na barriga quando se está ao pé da pessoa que se gosta. *Hic*. – Com sorriso. – Engraçado que ela chegou a perguntar-me se eu tinha alguém em vista. – Dando uma gargalhada. – Não sei onde ela foi buscar essa ideia. – Fazendo uma pausa. – Espero que não esteja a ser muito chata.
No momento em que Iorveth ia responder, Rhoda intervém novamente.
Rhoda: – É verdade, já ia esquecendo-me, algumas das esquilas do acampamento, elas disseram… Como é que foi? – A pensar nas palavras. – Há já sei, elas disseram que tu mesmo sem um olho contínuas o homem mais sexy do acampamento. – Abanando a cabeça para cima e para baixo. – Mas sabes o que me chamou mais atenção em ti e aos restantes esquilos, as pinturas que têm. – Apontando para o pescoço dela a indicar. – Acho interessante os vários desenhos que cada um tem, suponho que cada pintura tenha um significado. – Fazendo uma pausa breve. – Bem e com isto acho que a festa para mim acabou de chegar ao fim. *Hic*.
Rhoda ao dar o primeiro passo ela deixa cair a garrafa no chão e começa a ver tudo turvo desequilibrando-se. Iorveth por instinto, segura nela parando-a de cair.
Rhoda: – Oh bolas!!! Por esta é que não contava. Este vinho é daqueles traiçoeiros. Obrigada. – Sorrindo-se. – Meu deus, estou a ver dois Iorveth.
Ao iniciar de novo o andar, Rhoda tropeça nos seus pés e vai ao encontro do peito de Iorveth, o olhar dela vai ao encontro do olhar semicerrado dele.
Rhoda: – Desculpa, pensei que isto não tivesse assim tão mau. – Com algum embaraço.
Iorveth: – Sem problemas.
Rhoda: – Dá-me alguns segundos para me compor. – Fechando os olhos durante alguns segundos. – Posso perguntar-te algo?
Iorveth: – Sim.
Rhoda: – Eu sei o quanto desprezas os humanos e na altura não sabias as nossas origens, mas porquê que salvaste a mim e à Selina quando entramos na floresta? – Olhando para Iorveth esperando uma resposta.
O olhar dos dois fixaram-se durante algum tempo, em silêncio, Rhoda sentiu alguma hesitação em Iorveth. No momento que ele ia responder, Selina e Cedric aparecem de surpresa.
Selina: – Finalmente encontrei-te! Olha só o teu estado! – Aproximando-se de Rhoda.
Rhoda: – Selina tem cuidado com esse vinho, ele é traiçoeiro. – Apontando para a garrafa que estava no chão.
Selina: – Oh meu deus. – Suspirando um pouco chateada. – Vá anda lá. – Pondo um dos braços de Rhoda à volta do pescoço dela, agarrando a cintura dela para não cair. – Peço desculpa por ela, mas ela quando bebe demais, começa a falar demasiado onde por vezes chega a falar coisas sem sentido. – Voltando-se para Iorveth.
Iorveth nada disse, apenas voltou-se de costas para Selina e Cedric, onde Rhoda começou a falar novamente, onde lentamente saíram de cena deixando Iorveth sozinho. No lago ele olhava para o horizonte já com uma tonalidade escura pensativo durante alguns minutos, olhando para o seu lado esquerdo e vê a garrafa de vinho que Rhoda deixou cair e pegou nela observando-a.
Iorveth: – Devemos aproveitar os pequenos momentos que a vida nos dá? Hum…- Com um pequeno sorriso, dando dois golos.
Com passo lento regressa à tenda acompanhado com a garrafa semi cheia para comemorar.
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