Sanctuary

12 Savior Memories


Rhoda quando acordou, ela sentiu a cabeça ligeiramente pesada e a face vermelha. Olhou em volta e viu que Selina já não se encontrava na tenda. Levantou-se com alguma dificuldade onde molhou a cara e vestiu-se de seguida, equipando-se . Na entrada da tenda de Iorveth viu Anhaern de braços cruzados com alguma impaciência, Selina e outro elfo com ar de médico a falar com ela.

Selina: – Chegaste mesmo a tempo, Iorveth atrasou-se um pouco.

Rhoda assinalou com a cabeça, o que não é costume ela fazer, despertando alguma surpresa em Selina. Passado alguns minutos, da tenda saem alguns esquilos e Iorveth faz sinal para entrarem. Todos os presentes entraram, ficando à espera que Iorveth começasse a falar.

Iorveth: – Penso que não necessito de explicar, o porquê de vocês as duas estarem aqui hoje. – Olhando para Anhaern e Rhoda de braços cruzados. – Mas antes de avançarmos, para o castigo quero ouvir as vossas versões do que aconteceu no lago.

Anhaern: – Como eu ontem disse, – Iniciando num tom sério. – eu encontrei Rhoda sentada no lago e quis picá-la um pouco. Quando me dei conta ela já estava em cima de mim. – Olhando para Rhoda.

Rhoda: – Não estás a esquecer de referir que me tiraste a minha aliança, onde pedi para me devolveres e acabaste por atirá-la para o fundo do lago? – Olhando séria para Anhaern.

Anhaern: – Eu achei que esse detalhe não fosse importante. – Bufando um pouco.

Rhoda: – Achas-te que não era importante? – Surpreendida. – Bem, a tua percepção para este tipo de coisas surpreende-me. Mas ok.

Anhaern: – Ao menos não ando aí atacar pessoas. – De braços cruzados.

Rhoda: – Em relação a isso, eu peço desculpa. – Fazendo uma pausa onde Iorveth observava atentamente. – Eu não devia ter deixado as minhas emoções levarem o melhor de mim.

Anhaern: – Desculpas, não resolvem nada, se tivesse acontecido algo mais grave. – Num tom sério.

Rhoda: – O que não foi caso. – Respondendo logo de seguida, dando uma breve pausa. – Eu já pedi desculpa.

Anhaern: – Devias ser banida deste acampamento, permanentemente.

Iorveth: – Já chega Anhaern!!! – Intervindo num tom sério.

Anhaern: – Tu estás no lado desta humana?! – Surpreendida com ele.

Iorveth: – Eu não estou no lado de ninguém, Anhaern. – Franzindo o sobrolho. – Tu e eu sabemos muito bem que tu também não és nenhuma santa, verdade? – Anhaern bufou um pouco. – Tu sempre tiveste a mania de meter-te com as pessoas que achas inferior a ti, só para o teu divertimento.

Anhaern: – Ok e daí?

Iorveth: – Devias ter mais cuidado, com quem escolhes fazer isso. Talvez um dia a tua sorte acabe. – Sério para a Anhaern que olhou para o lado bufando novamente. – Suponho que com isto encerramos este assunto de fez, certo?

Rhoda: – Sim.

Anhaern: – Sim.

Iorveth: – Muito bem. O vosso castigo consiste em assistir Selina e Orlubor, nas rotinas que eles fazem durante o dia no acampamento.

Anhaern: – A sério, Iorveth? – Desapontada. – A sério que não existe outro castigo mais desafiador?

Iorveth: – Anhaern, se tens tempo para refilar, suponho que também tenhas tempo para acabar este castigo o mais rápido possível para despachaste, não?

Anhaern: – Como queiras… – Bufando, ligeiramente.

Selina reparou que Rhoda parecia um pouco a leste, enquanto Iorveth falava para eles.

Iorveth: – Rhoda e Selina fazem um par. Tu e Orlubor fazem outro par. – Olhando para Anhaern.

Anhaern: – Ok vamos a isto. – Caminhando para saída da tenda onde Orlubor seguia atrás.

Na tenda Selina examinava Rhoda com algum cuidado, o que chamou a atenção de Iorveth.

Selina: – Estás com febre. – Num tom baixo.

Rhoda: – Não te preocupes com isso. – Olhando para Selina.

Iorveth: – Existe algum problema?

Rhoda: – Não, Iorveth. – Respondendo por cima de Selina, que olhou preocupada para Rhoda.

Iorveth: – Sendo assim eu tenho aqui algo para vocês, – Aproximando-se da mesa. – quero que vão à Flotsam e entreguem esta carta a Margaret, no sítio que está indicado aí. – Dando a carta a Selina. – Ela saberá o que é. Contudo quero que fiquem atentas a possíveis informações úteis. Podem ajudar na vila de modo a cobrir a vossa real intenção lá. – Olhando mais para Selina. – Enquanto tu Rhoda serás o guarda costas dela. – Olhando agora para Rhoda. – Têm alguma dúvida?

Rhoda: – Não.

Iorveth: – Estão dispensadas. – Voltando a focar-se no trabalho que tinha na mesa.

Cá fora Selina quis levar Rhoda até à tenda, onde preparou um medicamento para ajudar na febre mas também para pegar a mala de médico.

Selina: – Toma, bebe isto. – Entregando o copo com olhar séria a Rhoda.

Rhoda: – Eu sei, eu sei… – Pegando no copo para beber. – Desculpa, mas eu queria fazer este castigo o quanto antes para ficar livre para a missão que vamos ter daqui algumas semanas.

Selina nada disse, apenas suspirou. Cá fora Cedric esperava por Selina, Rhoda indicou que ficaria à espera dela na entrada, onde pelo canto do olho viu os dois abraçarem fortemente como se nunca mais se fossem ver.

Na entrada Rhoda olhou para as árvores com folhagem verde e de seguida para o céu que apresentava algumas nuvens, o som do vento nas folhas das árvores captou o ouvido de Rhoda, a maneira como as folhas dançavam ao sabor do vento parecia hipnotizante aos olhos dela.

Selina: – O que vês com tanta atenção nas árvores? – Chamando atenção de Rhoda.

Rhoda: – Oh.. – Olhando para o lado dela vendo Selina com sorriso. – Não dei conta de teres chegado. – Com sorriso. – Não vejo nada de especial, apenas gosto de ouvir o som do vento nas folhas das árvores. Vamos?

Selina: – Sim.

As duas caminharam lado a lado conversando por diversas vezes até Flotsam, até serem abordadas pelo guarda que perguntou qual seria o assunto na vila. Selina com um caloroso sorriso indica ao guarda que era médica e precisava de comprar alguns mantimentos para a viagem que iria fazer.

O guarda ficou surpreendido pela calorosa abordagem de Seliana dando passagem à vila, onde acrescentou que o posto médico da vila, necessitava de uma mãozinha se ela estivesse interessada em ajudar.

As duas entraram na vila, e Rhoda notou logo que a vila estava consideravelmente pior de quando entrou pela primeira vez na vila. Ela pensou que apesar do ataque de Lierin ter sido indirecto à vila, sem dúvida que afectou a vila. Os humanos que ela utilizou para ter poder extra e os que Rhoda teve de matar para salvar Iorveth, tiveram grande impacto nos humanos.

Selina: – Acho que é aqui. – Um pouco confusa.

O local que Iorveth que deu era num bordel. As duas entraram, viram que o ambiente do bordel era caloroso onde viram várias mulheres vestidas sensualmente com homens onde outras dançavam em várias zonas.

Uma das mulheres com um vestido vermelho com um decote provocador, de chapéu vermelho com uma longa pena branca veio cumprimentá-las.

Phinda: – Olá, minhas jovens. Em que posso ajudar-vos? – Com largo sorriso.

Selina: – Sabe a onde podemos encontrar, a senhora Margaret? – Mostrando a carta, após tirar da mala dela.

Phinda: – Estou a ver. – Olhando para a carta. – Sigam-me por favor.

As duas seguiram a mulher com passo moderado subindo o segundo andar do prédio, onde chegaram à entrada do quarto com ar de um escritório, onde uma outra mulher mais velha estava na estante à procura de um livro. As três entraram no escritório e Rhoda olha à volta e compara com o escritório do Gonder, onde este está muito mais organizado.

Phinda: – Senhora Margaret! – Chamando atenção dela, que volta-se para elas deixando o que estava a fazer. – Tem visitas.

Margaret: – Obrigada Phinda. – Sentando-se atrás da mesa, vendo Phinda a sair de cena. – Em que posso ajudar-vos?

Selina: – Pediram-nos para entregar esta carta a si. – Pondo a carta em cima da mesa.

Margaret: – Não te preocupes minha querida, – Pegando a carta abrindo-a. – eu e Iorveth já nos conhecemo-nos há alguns anos. – Abaixando o olhar para carta começando a ler.

Selina: – Peço desculpa se fui mal educada da maneira como entreguei a carta, não era a minha intenção.

Margaret: – Sem problemas, minha querida, compreendo perfeitamente. – Levantando-se de novo à estante. – A maioria dos humanos que vive aqui odeiam a Scoia’tael. – Utilizando o indicador para orientar-se. – Aqui está. – Removendo o livro de capa vermelha da estante. – Guarda este livro com a tua vida. – Entregando a Selina, sentando-se novamente na cadeira atrás da mesa. – Nunca pensei que Iorveth pedisse a duas humanas para trabalhar com ele.

Selina: – Admito que não foi fácil ganhar a confiança dele, se estamos aqui hoje é porque ele confia em nós. – Sem entrar muitos pormenores, vendo Margaret pensativa.

Margaret: – Pelo que estou a ver és médica, verdade?

Selina: – Sim, sou. – Não percebendo muito bem, onde queria Margaret chegar.

Margaret: – Achas que podias ajudar-me num problema delicado? – Levantando-se da cadeira.

Selina: – Eu penso que sim, mas qual é o problema?

Margaret: – Óptimo, contudo o problema não é comigo, mas sim com uma das minhas meninas. Ela recentemente ficou grávida pelo rapaz que ela apaixonou-se que também é cliente aqui. – Fazendo uma pausa. – Ela deu a notícia a ele e como já esperava a reação não foi a das melhores. – Aproximando-se de Selina com cabeça baixa. – Contudo este rapaz não é a primeira vez que a engravida, onde ela da primeira vez fez um aborto, apedido dele. Eu vi como o corpo dela ficou mais debilitado após tê-lo feito, temo que desta vez se ela o fazer o corpo dela não aguente. – Olhando séria para Selina. – Peço que metam algum juizo na cabeça dela.

Selina: – Estou a perceber.

Margaret: – Eu falei com ela e disse que não havia nenhum problema em ter a criança, mas a mente dela parece que ficou envenenada pelas promessas daquele rapaz. – Suspirando. – Eu gosto muito dela. Ela não é má rapariga mas vive numa ilusão, que pode ser fatal para ela.

Selina: – Eu irei falar com ela. A onde posso encontrá-la?

Margaret guiou-as pelo corredor, onde existiam vários quartos com portas fechadas, onde de vez em quando ouviam-se gemidos de prazer por trás das portas deixando Selina um pouco corada. Ao chegarem ao quarto Margaret bateu à porta mas ninguém respondeu, onde abriu lentamente a porta e viram a rapariga já com uma pequena barriguinha visível deitada na cama, que abriu lentamente os olhos levantando-se da cama lentamente.

Margaret: – Isabell, tenho alguém que quer falar contigo. – A rapariga nada disse. – Bem deixo-vos à vontade. – Fechando a porta do quarto antes sair de cena.

Isabell por algum tempo observou Rhoda e Selina sem dizer nada, mas reconheceu a pasta que Selina trazia com ela.

Isabell: – Tu és médica? – Aproximando-se dela com alguma pressa.

Selina: – Sim sou.

Isabell: – Óptimo. Isso quer dizer que vais tirar isto dentro de mim? Verdade? – Impaciente.

Selina: – Primeiro vou examinar-te e logo se vê.

Isabell: – Ok óptimo. – Deitando-se de novo na cama. – Assim que tiver isto tirado de mim, Lulke voltará a vir ter comigo como o sempre fez. – Selina pousou a mala na cama e retirou os utensílios que necessitava para examinar Isabell. – Ele prometeu-me que depois deste imprevisto irá levar-me com ele a viajar pelo mundo.

Rhoda, pela conversa que ouvia de Isabell, sabia perfeitamente que esse tal Lulke tinha manipulado Isabell de tal maneira que ela não via as coisas como elas são na realidade.

Selina: – Margaret contou-me que ficaste grávida algum tempo atrás, pelo Lulke. – Levando o seu tempo a examinar.

Isabell: – Sim fiquei, mas abortei na altura a pedido dele. Infelizmente houve um imprevisto e não deu para saírmos daqui, como ele tinha prometido.

Selina: – E que imprevistos foram esses? Se poder saber.

Isabell: – Não sei, ele não deu muitos detalhes, mas ….

Rhoda: – Deixa-me adivinhar, – Interrompendo Isabell que ficou olhar para ela surpreendida. – ele prometeu que desta vez seria a sério o que ele tinha prometido anteriormente.

Isabell: – Sim isso mesmo.

Rhoda: – És mais tapada do que aquilo que pensava. – Abanando a cabeça em negação. – E tu acreditas cegamente nele?

Isabell: – Sim, porque ele disse que desta vez iria ser muito diferente da última vez. – Olhando séria para Rhoda.

Rhoda: – E porque pensas que desta vez irá ser diferente? – Num tom sério. – Pelos teus olhos? Pelo teu corpo? Porque ele disse que te amava? – À espera da resposta de Isabell que nunca veio. – O príncipe encantado que vem num cavalo branco só existe no conto de fadas, Isabell. Lulke nunca irá levar-te com ele, as falsas promessas que ele contou-te deixa-me doente.

Isabell: – Tu não o conheces!!!

Rhoda: – Não preciso. – Num tom firme. – Diz-me, se ele ama-te mesmo então porque põe a tua vida em risco pela segunda vez? – Isabell permaneceu pensativa.

Selina: – Podes levantar-te, Isabell. – Arrumando os utensílios na mala.

Isabell: – E então? Vais tiraram-me isto? – Ficando em pé com alguma impaciência.

Selina: – Desta vez não irás poder fazer o aborto. – Num tom sério. – Se o fizeres ficarás com mazelas graves para o resto da tua vida.

Isabell: – Não!!! NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – Fechando os punhos com raiva. – Tu vais tirar-me isto agora mesmo!!!!

Selina: – Tu não acabaste de ouvir o que disse.

Isabell: – Sim ouvi, mas quero tomar o risco.

Rhoda nesse momento dá uma chapada a Isabell não com muita força que a apanhou de surpresa, ficando com a mão na bochecha agora um pouco rosada, olhando para Rhoda.

Rhoda: – Porque deitas a tua vida assim fora, por causa de um tipo que não quer saber de ti? – Isabell começa a chorar levemente, onde Rhoda aproximou-se dela. – Tipos como Lulke vêm e vão, mas o pequeno, – Pondo a mão na barriga de Isabell. – fica para sempre ligado a ti. – Isabell olhou surpreendida. – Não vai ser fácil criar um filho, mas sabes o que é mais recompensador no final de tudo?

Isabell: – Não. – Num tom baixo.

Rhoda: – Ver a felicidade no rosto do teu filho. Aquele trabalho árduo que tiveste ser recompensado dessa maneira, não existe melhor sensação de todas. – Retirando a mão da barriga de Isabell.

Isabell abaixou o olhar ficando pensativa onde pousou as mãos dela na barriga e de seguida olhou para Selina.

Isabell: – Eu irei cuidar desta criança dentro das minhas possibilidades. – O olhar atento de Rhoda em Isabell era sereno. – Será que poderiam deixar-me descansar um pouco?

Selina: – Sim, claro. – Deslocando-se para a porta do quarto onde Rhoda também a acompanhou. – Desejo-te muita sorte a ti e ao teu filho. – Fechando a porta do quarto deixando Isabell à vontade.

Pelo caminho as duas foram até ao escritório onde Margaret lia alguns papéis com alguma atenção antes de dar atenção às duas que entravam na divisão.

Margaret: – E então como correu?

Selina: – Isabell, desistiu da ideia em fazer o aborto, Rhoda fez-lhe ver o quanto ela estava a ser precipitada na decição dela.

Margaret: – Não sei que tipo de abordagem fizeste com ela, mas resultou, o que agradeço bastante. – Olhando para Rhoda um pouco surpreendida.

Rhoda: – Abordagem? – Um pouco confusa.

Margaret: – Sim, não utilizas-te algum trocadilho de palavras para convencer?

Rhoda: – Não. Tudo o que disse a ela foi da experiência que tive e senti com o meu filho quando ainda era vivo.

Margaret: – Oh!!! – Tapando a boca com a mão. – Peço desculpa, Rhoda. Como pareces nova pensei que…

Rhoda: – Sem problemas, Margaret. – Com sorriso. – Irá necessitar mais alguma coisa de nós?

Margaret: – Não, obrigada e lamento muito pelo teu filho.

Rhoda: – Não tem, problema, apenas as lembranças e memórias é que ficam, no mundo dos vivos.

Margaret: – Deixa-me acompanhar-vos até à porta de saída.

Margaret caminhava em frente enquanto Rhoda e Selina caminhavam atrás dela, desceram as escadas para primeiro o piso, onde Margaret olhou para a sala movimentada, reconhecendo um grupo de homens.

Margaret: – Aquele é o Lulke e o seu grupo. – Informando Rhoda e Selina sem dar muito nas vistas, continuando a caminhar para a saída do bordel.

Rhoda olhou por alguns segundos para a mesa de Lulke, e viu um nobre com algum poder, o que para ela foi sinal de alerta.

Margaret: – Mais uma vez agradeço a vossa ajuda. E mandem cumprimentos meus a Iorveth. – Num tom baixo.

Rhoda e Selina despedem-se de Margaret, e pelo caminho Rhoda advertiu a Selina que poderia existir uma probabilidade de haver problemas no regresso ao acampamento, uma vez que Lulke viria a saber o que aconteceu no bordel com Isabell.

Rhoda: – Selina já que estamos aqui, gostavas de conhecer o negro?

Selina: – Claro que sim.

Rhoda guiou Selina até ao estábulo, onde no interior chamou por Gonder, que demorou um pouco para aparecer.

Gonder: – Rhoda!!!! – Surpreendido. – Por momentos pensei que os meus ouvidos estavam a pregar-me alguma partida. – Com largo sorriso. – E quem será esta amável jovem? – Olhando para Selina.

Rhoda: – Esta é a Selina. Eu acho que falei-te dela, não?

Gonder: – Sim, eu recordo-me. É a tua amiga que te ensinou alguma medicina, não?

Rhoda: – Sim, é ela.

Gonder: – E o que vos trás por cá?

Rhoda: – Selina queria conhecer o Negro, senão for muito incomudo.

Gonder: – Ora essa, tu sabes bem que não. Por favor sigam-me. – Caminhando para os estábulos.

Nos estábulos viram duas caras novas, um jovem rapaz que limpava os locais dos cavalos e uma jovem rapariga que treinava os cavalos na área de treino com a exceção do Negro. O jovem rapaz olhou com alguma curiosidade Rhoda e Selina que se aproximava-se do Negro.

Rhoda: – Ei rapaz!!! – Tocando no focinho do Negro, que começou a relinchar de felicidade.

Selina aproximou-se devagar ficando deslumbrada com a beleza do cavalo. O Negro olhou para Selina e ficou observala durante algum tempo, até abaixcar a cabeça para que ela podes-se dar uma festa. O toque delicado de Selina no focinho dele, fez com que ele fechasse por alguns segundos os olhos para aproveitar o momento.

Selina: – Ele é lindo. Não é preciso ser um veterinário para ver o quando é bem tratado. – Dando mais festas por mais algum tempo. – Aonde ficou o potro? – Olhando para Rhoda.

Rhoda: – Ele foi enterrado ao lado da arena de treino. – Num tom baixo.

Selina: – Achas que poderia ir vê-lo?

Rhoda: – Sim claro. Segue-me.

Rhoda levou Selina até ao local onde tinha um pequeno crucifixo de madeira com o nome dele, reparando que a jovem que estava a treinar os cavalos trazia agora eles para os seus lugares para descansarem. Selina abaixou-se, tocando com a mão na terra que cobria o corpo do potro.

Selina: – Obrigada, por teres feito parte da vida de Rhoda. – Num tom sereno. – Infelizmente o destino não quis cruzar os nossos caminhos para podemos conhecemo-nos e de modo a agradecer-te pessoalmente. – Fazendo uma breve pausa. – Descansa em paz e obrigada.

Ao longe o Negro chamou atenção de Rhoda batendo com o casco na porta. Rhoda foi até ele, para ir buscá-lo para a área de treino, para treiná-lo. Selina, os dois jovens colaboradores e Gonder assistiram ao treino que Rhoda fazia atentamente ao cavalo que anteriormente tinha medo de humanos. No final do treino, Rhoda encostou a testa dela no focinho dele ficando alguns segundos apreciando o momento, antes de dar-lhe um pedaço de fruta a ele como recompensa e levá-lo para o local dele para descansar.

Gonder: – Ele enquanto for vivo nunca irá esquecer-se de ti. – Ficando de braços cruzados, com sorriso na boca.

Rhoda: – Eu sei que sim. – Fechando a porta. – Fico feliz por saber que o negócio vai bem.

Gonder: – Surpreendentemente vai, apesar de a vila estar a passar por um mau momento, presentemente.

Rhoda: – Eu reparei nisso quando entrei na vila. – Olhando para ele. – Gostava de poder estar mais tempo a falar contigo mas temos de ir. Gostei de te ver Gonder.

Gonder: – Eu também, Rhoda. Aparece mais vezes por aqui quando der-te jeito.

Rhoda: – Assim o farei. Fica bem Gonder.

Gonder: – Fica também bem Rhoda. Gostei de conhecer-te Selina.

Selina: – Igualmente, Gonder.

As duas saíram do estábulo, onde Rhoda tinha no rosto um largo sorriso no rosto, as boas memórias que fez com Gonder, ficaram guardadas para sempre com ela. Selina sugeriu irem até ao posto médico para ver que tipo de situação estava o posto, neste momento.

O cenário era lamentável, como Selina já estava a prever, existiam demasiados doentes só para dois médicos. Um dos médicos aproximou-se delas dizendo amavelmente que não poderiam atendê-las uma vez que já estavam lotados. Selina com sorriso caloroso informa a ela que é médica e quer ajudar no que puder. O médico não recusou a oferta da Selina e levou-a aos doentes com ferimentos mais ligeiros a mais graves.

Selina sem demoras mete as mãos ao trabalho, onde começou a despachar rapidamente os doentes. Rhoda olhou admirada com a calma que Selina tratava e falava com os doentes. As duas não deram pelo tempo a passar só quando olharam para fora é que viram o tom alaranjado do entardecer. O médico que falou com elas anteriormente foi ter com Selina que arrumava com calma os utensílios na mala.

Médico: – Não sei como agradecer-te. Tu apareceste no momento certo.

Selina: – Ora essa não foi nada de mais. É o meu dever, ajudar no que puder. – Com um sorriso.

Médico: – Desde que o Lourenço meteu na cabeça que tinha que guardar os bens dele numa caverna nos arredores da vila. – Abanando a cabeça em negação – Praticamente todos os dias novos doentes têm aparecido aqui no posto. Ele não se importa com ninguém, seja humano ou não-humano, desde que protejam os bens dele é o que conta. – Suspirando. – Enfim, desculpa estar a amassar-te com isto.

Selina: – Não tem problema, é bom desabafar de vez em quando.

Médico: – Sim tens, razão, mas aqui tem de se ter cuidado com o que se diz. Qualquer das formas obrigada, pela a tua ajuda.

As duas saíram da clínica em direcção à floresta para regressar ao acampamento, onde pelo caminho Rhoda comentou que seria bom averiguar essa caverna que o médico comentou. A noite já começava a pintar o céu, o que fez com que Rhoda e Selina apressem o passo. Ao chegar ao pé das ruínas, Rhoda detém a Selina de avançar e toma uma expressão mais séria, desembainhado a espada.

Rhoda: – Sai do teu esconderijo, eu sei que estás aí.

Das sombras vários homens saem do esconderijo formando um cerco fechado há volta de ambas onde alguns homens tinham tochas para iluminar o local. Rhoda tomou uma posição mais defensiva, onde Selina aproximou-se de Rhoda um pouco assustada apesar de não expressar na face dela.

Homem: – Para uma mulher tens bom ouvido. – Aproximando-se das duas.

Rhoda reconheceu as feições do homem que se aproximava com o passo lento.

Rhoda: – Lulke!

Lulke: – Vejo que sou famoso, sem eu saber. – Rindo-se.

Rhoda: – Hum… Para alguém com um estatuto importante como o teu tens muito tempo livre, para vires passear até à floresta, não? – Com algum desprezo na voz, no qual fez Lulke franzir o sobrolho. – Mas afinal porque estás a desperdiçar o teu tempo com duas mulheres que não te interessam?

Lulke: – Aí é que enganas. Desde do momento que meteram coisas na cabeça de Isabell, tenho todo interesse em conhecer-vos.

Rhoda: – Estás a falar da rapariga que manipulaste com as tuas mentiras, pondo de novo em risco a vida dela? – Num tom sério, fixando o olhar nele, intimidando-o um pouco. – Quantas mais mataste com a tua falsidade, pergunto eu?

Lulke: – Tu não sabes nada, vaca. – Num tom alto. – ATAQUEM!!!! – Escondendo-se atrás dos homens que avançavam para elas.

Rhoda sem tirar os olhos dos alvos indicou a Selina que não se afastasse dela e que seguisse ela. O primeiro homem que avançou Rhoda defendeu-se, dando um pontapé na barriga dele caindo para o chão abrindo caminho para elas.

Rhoda: – Vai o mais rápido para acampamento que eu trato deles.

Selina sem argumentar faz o que Rhoda pediu-lhe desaparecendo no horizonte. Há frente de Rhoda havia vários homens para derrubar o que meteu um leve sorriso nos lábios dela, como já tinha saudades de ter um pouco de acção. Por rondas cada um dos homens que atacava Rhoda, ela defendia-se sem problemas. Os golpes dela não eram críticos, apenas o suficiente para deixá-los inconscientes.

Ao longe os ouvidos de Rhoda captam um grito, o que faz ela olhar para trás e ficar preocupada. Sem pensar muito ela corre ao encontro do grito deixando os homens para trás. No local à primeira vista, não vê nada, mas depois vê Lulke aparecer juntamente com um dos seus homens que prendia Selina com uma navalha ao pescoço dela.

Lulke: – Parece que o jogo mudou. – Com sorriso. – Se fosse a ti não faria nada estúpido. – Aproximando-se de Rhoda que atira a espada para chão. – Tu disseste à Isabell que eu tinha dado falsas promessas? – Esperando alguma resposta de Rhoda que nunca veio. – Mas com que direito dá para interferires na minha vida?

Rhoda:– Se a Isabell fizesse o aborto não iria sobreviver e sobrevive-see iria ter mazelas graves para o resto da vida. – Num tom serío. – Como é que alguém que diz que ama outra pessoa deixa pôr em risco a vida da mesma? – Olhando para ele. – Eu sei que tipo de homem és tu, contudo não sei se devo tratar-te como um homem ou como uma criança? Porque até agora as tuas atitudes parecem ser mais de uma criança aborrecida do que outra coisa. – Lulke mostra a raiva no olhar dele a Rhoda, que ria-se.

Nesse instante Lulke investe um soco forte de lado, apanhando o lado esquerdo da barriga de Rhoda, pondo-a de joelhos, investido de seguida outro soco na cara dela. Selina tentou avançar para ela mas o homem que a prendia não deixou.

Rhoda: – É só assim que sabes proceder? – Levando-se com a mão na boca limpando o sangue que tinha. – Utilizando reféns para atingir os teus objectivos?

Lulke: – Não. Normalmente costumo ir logo direto ao assunto, mas como são mulheres e meteram o nariz onde não são chamadas tenho que castigá-las. Não são as primeiras a receber o meu tratamento. – Tirando uma navalha do bolso dele, pondo-se à frente de Rhoda elevando o queixo dela com a navalha. – Depois de acabar contigo, a tua amiga irá ser a substituta da Isabell, mas primeiro tenho que a experimentar. – Olhando com Selina de uma forma perversa. – Onde queres que te corte primeiro? – Voltando-se para Rhoda novamente, que não deu resposta à pergunta dele. – Como quieras.

No momento em que Lulke ia investir o primeiro golpe em Rhoda, os dois são surpreendidos pelo grito do homem que tinha Selina presa, viram que ela tinha espetado uma adega na barriga dele, soltando ela caindo para trás. Rhoda aproveitou o momento levantando-se rapidamente investindo um soco forte na barriga de Lulke, no qual ajoelhou-se com a navalha na mão, onde Selina correu para Rhoda ficando atrás dela em modo defensivo. Rhoda olhou para a espada dela que estava a alguns metros dela.

Lulke: – Se achas que ganhas-te estás muito enganada. – Levantando-se em posição de ataque.

Lulke dançava com a navalha tentando acertar em Rhoda que esquiva-se em todas as ocasiões sem problemas longe de Selina, deixando ainda mais irritado Lulke.

Rhoda: – Acabemos com isto. – Num tom sério.

No momento que Lulke ia investir, Rhoda pára a navalha com a mão dela , pressionando a lâmina na palma dela ao ponto de começar a sangrar. Rhoda sem se queixar num rápido movimento puxa a navalha para si, obrigando Lulke a vir atrás dela, onde deu uma forte cabeçada a ele, soltando a navalha caindo de rabo no chão a queixar-se do nariz ensanguentado.

Rhoda atira a navalha para o lado onde foi buscar a espada dela, seguindo para Lulke com passo lento onde viu no rosto dele o medo em que fugia de gatas, mas Rhoda pegou pelo colarinho atirando-o para onde estava Selina ficando no meio delas.

Lulke: – Por favor!!!! Eu faço tudo o que quiserem, mas não me matem. – Implorando.

Rhoda: – Diz-me porque deveria querer algo de ti? – Olhando com alguma frieza.

Lulke: – Ok, ok, admito. Eu gosto de brincar com os sentimentos das mulheres, dá-me gosto de ver o desgosto nas caras delas. Eu não consigo evitar faz parte da minha natureza. – Olhou Rhoda pensativa.

Rhoda: – Mas isso não te dá o direito de brincar com a vida das pessoas, ao ponto de ser mortal, verdade? – Abaixando-se até ele num tom sério, pondo a mão na cabeça dele o que fez Selina ficar um pouco preocupada. – Não te preocupes, eu não irei fazer nada. – Olhando para ela, a tranquilizando-a. – Dá próxima que vier à vila e sabes que continuas a fazer o mesmo, garanto-te que não verás o nascer do sol do amanhã. – Voltando-se para ele com tom novamente sério.

Lulke: – Eu prometo, eu prometo!!!! Eu irei agora agir bem. – Ainda com algum receio.

Rhoda afasta-se da frente dele, dando-lhe passagem para fugir, onde o vê a correr rapidamente do local desaparecendo pela vegetação.

Rhoda: – Onde arranjaste a adega?

Selina: – Foi Cedric que me ensinou a utilizá-la.

Rhoda: – Nada mau, confesso. – Rindo-se, guardando a espada.

Selina: – Posso ver a tua mão?

Rhoda: – Huh?

Selina: – A tua mão. – Apontando para a mão ferida.

Rhoda: – Oh… a mão!!! – Olhando para a mão. – Já nem me lembrava disso.

Selina desinfecta a ferida da mão de Rhoda pondo uma ligadura à volta para a proteger, onde retomaram o caminho até ao acampamento. Ao chegarem viram algum stress no ar apanhando-as de surpresa. Cedric ao vê-las correu até elas onde abraçou com força Selina.

Selina: – O que se passa Cedric? – Confusa.

Cedric: – Um dos meus scouts informou-me que vocês corriam perigo e estávamos a preparar para ir agora ao vosso encontro. – Afastando-se de Selina.

Rhoda: – Bem tarde demais, eu resolvi o problema. – Com sorriso.

Cedric: – Sim já vi que sim. – Vendo a cara marcada e a mão de Rhoda aleijada.

Um dos esquilos aproximou-se delas informando que Iorveth queria vê-las o mais rápido possível. Rhoda sabia perfeitamente o que iria acontecer assim que entrasse na tenda. Com passo moderado foram até à tenda, onde viram Iorveth atento ao mapa que estava em cima da mesa, antes de olhar para elas sério.

Selina: – Tenho aqui o livro que Margaret deu-me. – Retirando da mala, pondo em cima da mesa, onde Iorveth pegou nele folheando ao de leve algumas páginas. – Durante a nossa estadia na vila um dos médicos comentou connosco que Lourenço tinha mantimentos escondidos numa caverna nos arredores da vila.

Iorveth: – Bom trabalho. – Abanando a cabeça positivamente arrumando o livro na estante. – Contudo foi informado que tiveram problemas no regresso ao acampamento. – Encostando-se à mesa com os braços cruzados.

Selina: – Sim é verdade, isso aconteceu porque Margaret pediu-nos, para falar com uma das raparigas que estava a pôr em risco a sua vida porque queria fazer um aborto. Contudo, Rhoda falou com ela e a rapariga no final acabou por ver a razão. Mas ao que parece o rapaz que se envolveu com a rapariga não gostou muito de termos falado com ela.

Iorveth: – Foi arriscado o que fizeram. – Fazendo uma pausa. – Poderiam ter evitado esse problema se tivessem ignorado o pedido de Margaret.

Rhoda: – Eu acho que estás a ser um pouco injusto, Iorveth. – Intervindo num tom sério. – Tu sabes que isso vai contra ao que a Selina faz como médica, certo? Tu sabes que ela, se tiver oportunidade para ajudar ela ajuda, independente do que venha no final. – Iorveth permaneceu em silêncio, durante algum tempo, onde ouvia atentamente Rhoda. – Aliás, nós completamos a missão com sucesso.

Iorveth: – Sim é verdade, mas devias ter mais cuidado com o que dizes, nem todas as pessoas gostam de ouvir o que tens para dizer, no qual o resultado pode ser fatal.

Rhoda: – Oh… Já estou a ver onde queres chegar. – Surpreendida. – Mas sabes uma coisa, eu fiz o meu trabalho nas alturas devidas e cá estamos. Por isso não estou a perceber o que fiz ou fizemos de errado. – Fazendo uma pausa. – Aliás eu tinha a perfeita consciência que a Selina não é nenhum soldado, logo ela era a minha prioridade de a pôr a salvo no caso de perigo.

Iorveth: – Será que tinhas? – Franzindo o sobrolho. – Hoje foi um soco na cara e um corte na mão, e amanhã o que será? Algo pior, como a morte? – Aproximando-se de Rhoda. – O que achas que iria acontecer se tu tivesses ficado gravemente ferida ou se a Selina tivesse morrido em batalha?

Rhoda: – Tu sabes perfeitamente como é entrar em batalha com alguém que não é experiente em combate, do que alguém que é, certo? – Franzindo o sobrolho. – A tua prioridade e neste caso é garantir que a outra pessoa saia da batalha com vida, que foi o caso. Mas por vezes existe imprevisto, como este soco na cara e este corte na mão.

Na tenda Selina sentiu que o ambiente tinha ficado um pouco pesado. Observou que Iorveth nada disse, apenas continuou a olhar para Rhoda seriamente. Ela sabia que tinha que aliviar um pouco o ambiente na tenda o quanto antes.

Selina: – Hum… – Começando para chamar a atenção de ambos. – Porque não temos um pouco de calma? – Num tom baixo.

Rhoda: – Eu estou calma Selina, eu apenas ainda não percebi o porquê disto tudo. – Fazendo uma breve pausa, sem desviar o olhar de Iorveth. – Mas sabes que mais, esta conversa para mim acabou aqui, isto na minha opinião é uma perda de tempo. Eu vou até ao posto médico agora mesmo. – Deslocando para a saída da tenda, deixando Iorveth e Selina sozinhos.

Iorveth dá um suspiro voltando de novo para a mesa de operações, focando de novo a atenção dele no que estava em cima da mesa.

Selina: – Tu realmente, preocupas-te com ela, não é verdade? – Aproximando-se da mesa, onde Iorveth levanta o olhar para dela. – Ela sem aperceber-se mudou algo em ti, não foi? – Nada disse, Iorveth. – Isso é bom, não me interpretes mal, mas tem um pouco de paciência com ela, eu tenho a certeza que ela com o tempo irá chegar lá. – Iorveth volta a baixar o olhar mostrando um ligeiro sorriso. – Bem eu vou regressar ao posto médico, fica bem. – Saindo da tenda.

No posto médico Rhoda já estava praticamente despachada, agradece ao médico que a tratou e foi até ao lago sentando-se na vegetação que lá existia observando o horizonte que já estava escurecer apreciando a leve briza que fazia, pensado no que aconteceu na tenda, durante algum tempo, até sentir alguém atrás dela.

Rhoda: – Existe mais alguma coisa que queiras dizer-me? – Levantando-se sem se voltar.

Iorveth: – Quero pedir desculpas pelo meu comportamento, que tive na tenda. – Rhoda voltou-se surpreendida, onde ele avançou até ela ficando lado a lado, observando o horizonte. – Acho que o medo falou mais alto. – Olhando agora para o chão. – Quando vi os teus ferimentos, muitos “ses” começaram a formar-se na minha cabeça. Eu não quero voltar a sentir a dor de perder alguém. – Olhando agora para Rhoda com olhar sereno.

Rhoda: – E não vais. – Com um sorriso. – Para além de sermos amigos somos também soldados experientes e sabemos o que fazer no campo de batalha, verdade? Contudo acho que é a primeira vez que te vejo bastante preocupado comigo, só ainda não percebi o porquê de tanta preocupação? Eu não estou a pensar em ir-me embora mais cedo se me faço entender.

Iorveth continuou a olhar para Rhoda agora com os olhos semicerrados aproximando-se ligeiramente dela, a luz do luar por algum motivo fazia sobressair a cor dos olhos de Rhoda tornando-os mais brilhantes que o habitual.

Rhoda: – Iorveth? – Um pouco confusa.

No momento em que ele ia falar um dos esquilos aparece interrompendo o momento.

Iorveth: – O que se passa? – Olhando pelo ombro para o esquilo.

Esquilo: – Temos um problema. – Num tom sério.

Rhoda pelo suspiro que Iorveth dá, vê que a situação é consideravelmente grave.

Iorveth: – Vou ter que ir. – Olhando para ela. – Vê-mos amanhã. Tem uma boa noite, Rhoda. – Desaparecendo entre a vegetação com um passo moderado.

Rhoda ao regressa à tenda e para surpresa dela Selina encontra-se sentada à mesa atarefada, o que despertou a curiosidade dela.

Rhoda: – O que estás a fazer? – Chamando a atenção de Selina.

Selina: – Estou a preparar este candeeiro de papel para o festival das luzes.

Rhoda: – Festival das luzes? – Um pouco confusa.

Selina: – Oh!!!! É verdade!!! Esqueci-me que no ano passado não estavas cá. Desculpa. – Com um sorriso. – Bem o festival das luzes é basicamente iluminares um ou vários candeeiros de papel, como este, que representam os teus entes queridos que já partiram, deixando uma mensagem escrita de modo a chegar a eles. É um belo e fantástico espectáculo de luzes.

Rhoda: – Hum… tu sabes que isso de receberem as nossas mensagens é um pouco improvável de acontecer, certo?

Selina: – Eu sei que sim, mas, – Sorrindo ligeiramente. – eu gosto de pensar que a minha mãe e o meu pai saibam que eu estou bem.

Rhoda: – E quando é esse evento? Talvez participe.

Selina: – Daqui dois dias.

Rhoda: – Ok… – Fazendo uma pausa. – Iorveth veio falar comigo depois de sair do posto médico no lago.

Selina: – E o que foi o que ele disse?

Rhoda: – Ele pediu-me desculpas e explicou-me que ficou com receio de me perder.

Selina: – Medo de te perder? Hum…

Rhoda: – Sim. Eu considero-me uma guerreira habilidosa com bastante destreza, logo não vejo o porquê de ele ter-se preocupado daquela maneira.

Selina: – Isso é normal, tu és uma boa amiga para ele se fores a ver.

Rhoda: – Sim eu sei.

Selina: – Contudo olha que não sei….

Rhoda: – Selina. – Suspirando. – Não vais começar outra vez com aquela conversa, pois não? – Caminhando para a cama dela.

Selina: – Não, mas também não estou a ver qual é o mal…

Rhoda: – Boa noite Selina. – Deitando-se ao comprido na cama voltada de costas para Selina, que bufou um pouco, voltando de novo para a mesa continuando a trabalhar.

Rhoda adormeceu lentamente a pensar no que Iorveth iria dizer no lago a ela. Mas rapidamente a mente dela deu-lhe um sonho onde ela tinha à sua frente um grupo de mil homens para derrotar, onde entreteu ela durante umas boas horas até acordar.