Sanctuary
11 A Litter Tension

Rhoda acordou lentamente com estilhaçar da madeira onde reparou que estava envolvida num cobertor. À frente dela, Iorveth estava a olhar para a fogueira quando olhou pelo ombro e viu que Rhoda tinha acordado.
Rhoda: – Que horas é que são? – Pondo a mão na cabeça.
Iorveth: – Quase meio dia.
Rhoda: – Bolas!!! – Removendo o cobertor de cima dela. – Não lembro de ter adormecido ou do que disse. – Levantando-se devagar. – Espero não ter dito nada de estúpido ontem. – Preocupada.
Iorveth: – Nem por isso. Come isto, o mais breve possível porque temos de sair daqui o mais tardar.
Rhoda: – Ok. – Indo para o pé dele, para comer.
Iorveth pacientemente esperou que Rhoda acabasse de comer, assim que ela indicou que estava pronta, os dois saíram com cautela mas passo rápido, com mantimentos às costas. Onde chegaram ao muro mais próximo.
Rhoda: – Sobe tu primeiro. – Juntando as mãos para receber o pé de Iorveth. Que sobe sem grandes dificuldades, onde Rhoda passou os mantimentos com rapidez.
Iorveth: – Anda. – Mostrando-lhe a mão.
No momento em que ia pegar a mão de Iorveth, Rhoda sentiu perigo atrás dela, onde desviou-se no último segundo para sua esquerda. O monstro que guardava a entrada da caverna tinha voltado da sua caça e não tinha intenções de desistir de Rhoda facilmente.
Iorveth: – Tem cuidado com o veneno dele, é bastante tóxico. – Advertindo Rhoda em voz alta. – Eu vou tentar distraí-lo.
Rhoda: – OK – Respondendo em voz alta.
Rhoda em comparação ao monstro era muito mais rápida e ágil. Apesar do esforço que Iorveth tentava em distrair o monstro, não estava a ter muito êxito, mas o que o preocupou mais foi o facto de o monstro ter encurralado Rhoda sem que ela tivesse apercebido.
Neste ponto Rhoda ficou sem escolha, a não ser defrontar o monstro, tendo o cuidado com o veneno dele. No momento em que ela ia sacar da espada, uma flecha é disparada ao de longe ficando entre ela e o monstro provocando uma explosão de poeira no ar atordoando o monstro. Rhoda aproveitou esta vantagem para escapar.
Iorveth ficou à espera que Rhoda alcançasse a mão dele, que a impulsionou para cima tirando do cerco.
Rhoda: – Bela maneira de começar o dia. – Pegando nos mantimentos com um sorriso, reparando que Iorveth olhava na direção de onde tinha vindo a flecha. – Passa-se alguma coisa?
Iorveth: – Aquela flecha…. Já vi em algum lado. – Pensativo.
Nesse instante Rhoda e Iorveth ouvem vários passos aproximando-se a alta velocidade deles.
Anhaern: – Iorveth!!!! – Chamando atenção dele, para olhar para cima das árvores.
Iorveth: – Anhaern?!
Assim que Anhaern pousou os pés em terra sem rodeios abraçou Iorveth com força. O que deixou Rhoda um pouco incomodada, por algum motivo.
Anhaern: – À quanto tempo sem nós vermos. – Encostando o rosto dela ao peito dele.
Iorveth: – Ok, Anhaern, já chega. – Dando um suspiro, afastando-a dele.
Anhaern assim que acalmou olhou pelo ombro mostrando um olhar frio a Rhoda.
Anhaern: – O que faz aqui uma dh’oine contigo?
Iorveth: – Nós estamos de volta ao acampamento. – Num tom firme, pegando nos restod dos mantimentos. – E ela…
Anhaern: – …foi apanhada pelo monstro por ser lenta? – Interrompendo Iorveth com uma gargalhada.
Iorveth: – Não. O erro foi meu. Calculei mal o tempo que tínhamos para sair da caverna. Mas graças a ti, – Pondo a mão no ombro dela. – salvaste ela, o que agradeço. Tens sempre o tempo certo para aparecer em cena.
Rhoda viu o olhar de irritação que Anhaern fazia a ela.
Anhaern: – Tu é que sabes. Mas sabes qual é a minha opinião em relação a dh’oine.
Rhoda dá um breve suspiro, porque sabia que a Anhaern iria ser o início de problemas novamente relacionados com mulheres.
Anhaern: – Tenho estado à tua espera do teu regresso da missão que estavas a fazer. Já estou no acampamento há alguns dias.
Iorveth: – Hum… E quem te informou acerca disso?
Anhaern: – Cedric. Ele tem estado a dar o seu melhor a coordenar as coisas no acampamento na tua ausência com ajuda de outros esquilos, mas claro que nada se compara à tua liderança.
Rhoda percebeu-se desde que Iorveth foi capturado pela Lierin, ao que parece Cedric tomou as rédeas, encobrindo a ausência dele onde só alguns sabem o que realmente aconteceu. Por um lado ainda bem que o plano de Cedric resultou.
Iorveth: – Vamos retomar o caminho. – Olhando para Anhaern e depois para Rhoda.
Quando Rhoda ia aproximar-se de Iorveth para ficar lado a lado com ele, Anhaern mete-se entre os dois e envolve o braço de Iorveth encostando a cabeça ao ombro dele. Onde por breves segundos olha para Rhoda com malícia.
Iorveth: – Nunca irás mudar, pois não? – Dando um suspiro.
Anhaern: – Não. – Com uma voz a criançada.
Rhoda caminhou atrás juntamente com os esquilos de Anhaern. Observou atentamente os dois e na opinião dela ambos pareciam um jovem casal, que a fez lembrar dela e de Joshua quando costumavam fazer passeios sem destino nos dias mais quentes. Sem aperceber-se é invadida pela saudade e tristeza.
No caminho Anhaern solta o braço de Iorveth e começou a falar em elfo, Rhoda não sabe se de propósito ou não, mas pareciam estar a ter uma conversa agradável. Ao chegarem ao acampamento, Iorveth aproximou-se de Rhoda, e pediu a ela para ir ao posto médico para ver se estava tudo bem com ela, indicando no final para vir até à tenda dele assim que acabasse de ser examinada.
Rhoda no posto procurou de Selina mas parecia que não estava de momento, suspirando um pouco desapontada. Onde uma das macas reparou que Cedric estava deitado e aproximou-se.
Cedric: – Vejo que já conheceste Anhaern.
Rhoda: – Parece que sim. – Num tom baixo. – Mas o que te aconteceu? – Vendo o peito dele ligado.
Cedric: – Não te preocupes. – Sentando-se à beira da cama. – É apenas um arranhão, nada mais. A Selina teve de ir ao outro lado do acampamento e deve demorar.
Rhoda: – Oh, ok.
Cedric: – Mas olha Rhoda, – Olhando para ela sério. – não deixes ir-te abaixo por causa dela. Ela é assim para todos, em que acha que são inúteis. É verdade que o ódio que ela tem pelos humanos não facilita as coisas para teu lado. Mesmo que sejas boa em alguma coisa ela irá sempre apontar defeitos.
Rhoda: – Sim, já tinha dado conta.
Cedric: – Mas lembra-te que quem tem a última palavra é Iorveth. Independentemente o que ela diga.
Rhoda: – Obrigada Cedric. – Ficando um pouco mais animada.
Cedric: – Bem, vou ter que ir. – Levantando-se da maca. – E bem-vinda de volta. – Com largo sorriso.
Rhoda: – É bom estar de volta.
O médico que examinou Rhoda após ela explicar o que aconteceu, ele diz a ela que não tem que se preocupar com nada segundo os exames que fez a ela. Rhoda agradece e caminha até à tenda de Iorveth.
Dentro da tenda, Anhaern olhou para Rhoda com algum desprezo de braços cruzados.
Anhaern: – Já que estamos todos presentes, vou começar. – Olhando para Iorveth. – Segundo as minhas fontes, nas próximas semanas virá um grupo de mercadores, acompanhados com os melhores homens, até à vila de Flotsam. A mercadoria que trazem são elfos que iram ser vendidos como escravos ou enforcados. – Fazendo uma pausa. – Mas esses elfos antes de serem capturados pertenciam a outro grupo da Scoia’tael.
Iorveth cruzou os braços ficando pensativo.
Anhaern: – Eu não tenho homens suficientes para fazer o resgate. É por isso que preciso da tua ajuda para salvar os nossos irmãos.
Iorveth: – E sabes de onde vêm? – Fazendo sinal a Rhoda e aos esquilos de Anhaern para se aproximarem da mesa.
Anhaern: – Sim. Eles vêm daqui. – Apontando para o mapa. – A melhor maneira de fazer isto seria com o elemento surpresa. Tenho a certeza que os guardas têm ordem para matar a carga se algo correr mal. – Olhando para Iorveth, que analisava o mapa pensativo.
Rhoda observou o mapa com a máxima atenção e viu pelo que Anhaern assinalou que os mercadores passariam pela cerca onde estava o monstro da carapaça.
Rhoda: – Porque não utilizamos o monstro da carapaça para nossa vantagem? – Anhaern e Iorveth olharam para ela intrigados. – O caminho que descreves eles iram passar na entrada do cerco. – Aproximando-se do mapa, desenhando com indicador.
Anhaern: – E porque iríamos utilizar esse monstro, quanto podemos atacar directamente, o sítio? – Num tom irritado.
Rhoda: – Tu própria disseste que os guardas iriam matar a carga caso existisse algum imprevisto. – Num tom sério cruzando os braços. – A utilidade do monstro aqui seria apenas como distração de modo a ganharmos tempo, para aproximar-mos da carga. Os guardas não poderam estar ao mesmo tempo em cima de nós e do monstro. – Fazendo uma pausa. – Uma vez que será o monstro a entrar em cena em primeiro, ficamos com vantagem. – Reparando que Anhaern ainda ficou mais irritada.
Anhaern: – E se o monstro preferir a nós do que os guardas? – De braços cruzados. – Suponho que saibas que a toxina dele é letal. Aliás eu não quero morrer inutilmente só porque uma dh’oine acha que é melhor utilizar algo que é imprevisível.
Rhoda: – OK, JÁ CHEGA!!! – Batendo com a mão na mesa que surpreendeu Anhaern, os guerreiros dela e Iorveth que ficou olhar atentamente para ela. – Eu sei que não me suportas por ser uma humana e adivinha eu também não, mas temos um trabalho a fazer, quer gostes quer não gostes. – Num tom e olhar sério para Anhaern. – Não estou aqui para te agradar, por isso pára de ser uma adolescente mimada e começa a utilizar a cabeça. Se tomares atenção e vires com lógica irás perceber que a minha sugestão é boa para a missão. – Vendo alguma surpresa no rosto de Anhaern. – O que me preocupa neste momento aqui é se tu vais fazer a tua parte do teu trabalho. – Fazendo uma pausa. – Se calhar é melhor ficares aqui no acampamento para não atrapalhares.
Anhaern bufou para Rhoda sem dizer nada, desviando o olhar para o mapa que estava em cima da mesa. Rhoda reparou que Iorveth mostrava um pequeno sorriso.
Iorveth: – A tua sugestão, parece-me consistente. – Falando para Rhoda, num tom calmo. – Tu disseste que eles vinham nas próximas semanas. – Falando agora com Anhaern. – Mas mais em concreto?
Anhaern: – Daqui a três ou quatro semanas. – Continuando a olhar para a mesa, fazendo uma pausa. – A demora tem a ver com burocracias.
Iorveth: – Muito bem. Amanhã reuniremos de novo para falarmos mais em concreto de como vamos proceder na missão. Estão dispensados.
Anhaern e os seus esquilos saem da tenda, ficando apenas Rhoda que ainda analisava o mapa, ao qual não ouviu o dispersar de Iorveth.
Rhoda: – Sim… se a carroça passar por aqui… e se…. o mosntro….. – Pensativa durante algum tempo, quando reparou que Iorveth estava arrumar o arco dele. – Estou um pouco nervosa se isto irá resultar…. Em teoria na minha cabeça funciona, mas… – Suspirando, olhando de novo para o mapa. – Preciso de algum tempo para pensar em planos de backup se o principal correr mal.
Iorveth assim que acabou de arrumar o arco, foi ter com Rhoda encostando-se na mesa de braços cruzados a olhar para ela, o que chamou atenção dela.
Rhoda: – O que se passa? – Não percebendo bem o que Iorveth queria, uma vez que a expressão neutra dele dificultava a leitura facial, até que fez um mais um. – Iorveth, – Tomando uma posição mais direita. – eu sei que Anhaern é tua amiga e peço desculpa por ter falado daquela maneira, mas ela estava a ser parva. A maneira como ela estava a misturar as emoções dela com o trabalho foi surreal e isso nunca dá bom resultado.
Iorveth: – Sem problemas. Eu também sou da mesma opinião que tu, misturar emoções com trabalho nunca é bom.
Rhoda: – Bem eu…
Iorveth: – Se quiseres podes ficar, mais um pouco. – Deslocando-se para a outra ponta da mesa, pegando em alguns papéis, analisando-os atentamente.
Rhoda: – Agradeço, mas acho que tenho que espalhecer um pouco. Vou ver se encontro a Selina. – Fazendo uma pausa. – Então até amanhã.
Iorveth levantou o olhar para Rhoda dando um pequeno sinal com a cabeça de modo a despedir-se dela. O primeiro lugar que procurou pela Selina foi na tenda delas, mas infelizmente ela não se encontrava lá. Rhoda tirou as armas e olhou em volta, pensando o quanto era bom estar de volta. Ao longe os ouvidos dela captaram passos apressados, sabendo quem era.
Selina: – RHODA!!!!!
Rhoda: – Ei Selina. – Virando-se para ela com largo sorriso, onde Selina abraça ela com força.
Selina: – Bem-vinda a casa!!!!
Rhoda: – Obrigada. – Levando Selina a sentar-se à beira da cama, ficando por breves minutos em silêncio.
Selina: – Afinal sempre veio-se a verificar a informação que os esquilos disseram acerca da Lierin.
Rhoda: – Infelizmente sim.
Selina: – Eu vi logo o que tinha acontecido, no dia em que Cedric pegou na liderança do acampamento.
Rhoda: – Ele fez um ótimo trabalho em cobrir a ausência de Iorveth. – Selina corou um pouco com elogio. – E como tens andado?
Selina: – Bem eu tenho continuado a aprender magia, já consigo dominar mais ou menos feitiços mais complicados. – Fazendo uma breve pausa. – Quando eu e Cedric temos tempo saímos os dois juntos. – Movendo o pescoço o que capta atenção de Rhoda.
Rhoda: – O que é isso que tens no teu pescoço? – Afastando a gola do pescoço. – Tu tens uma tatuagem? – Surpreendida. – Foi o Cedric que fez?
Selina: – Bem… Sim.
Rhoda: – Então quer dizer que vocês…
Selina: – NÃO!!!! Ainda não. – Precipitando-se a responder, toda corada.
Rhoda: – Selina eu ia perguntar se vocês já são namorados. – Rindo-se. – Eu não quero saber pormenores que não me dizem respeito.
Selina: – Oh, desculpa… – Um pouco embaraçada. – Sim, nós já somos. Ele é compreensivo e muito paciente comigo.
Rhoda: – Ainda bem. – Levando-se da cama para tirar o casaco deixando o pescoço dela à mostra.
Selina: – OH!!! – Metendo a mão na boca, surpreendida. – Tu também tens uma tatuagem!!! Quem te a fez?
Rhoda: – Iorveth. – Num tom descontraído, com os braços cruzados.
Selina: – Isso quer dizer que tu e ele… – Com a cara matreira.
Rhoda: – Que tu e ele nada, Selina. – Dando um suspiro. – Somos apenas amigos como tu e eu, o que é o normal de acontecer quando se convive com outras pessoas. – Fazendo uma pausa. – Aliás não sei se reparaste, mas Anhaern e Iorveth, já tem alguma história.
Selina: – E tu como te sentes em relação a isso?
Rhoda: – Como me sinto? Não estou a perceber… – Pensando um pouco, até fazer um clique na mente dela. – Ah …. outra vez essa conversa. – Suspirando.
Selina: – Desculpa ter perguntado, mas como tu e Iorveth, já têm uma relação melhor, pensei que…
Rhoda: – Eu também tenho uma boa relação contigo e não tenho sentimento por ti para além da amizade, verdade?
Selina: – Sim eu sei, mas sinto-me triste por não teres ninguém, se me faço entender.
Rhoda: – Selina, não te preocupes com isso. Ok. – Com um tom moderado.
Selina: – Se tu o dizes. – Olhando para Rhoda ficando em silêncio por breves segundos. – Rhoda eu gostava de estar mais tempo aqui a conviver contigo, mas eu e o Cedric combinamos hoje encontramo-nos. – Um pouco hesitante.
Rhoda: – Então força nisso. Não deixes de fazer aquilo que queres por causa de mim. Nós temos tempo para pôr a conversa em dia. – Com sorriso.
Selina: – Ok, – Levantando-se da cama. – sendo assim vou andando, até logo. – Saindo da tenda.
No pouco tempo que teve na tenda, apeteceu-lhe ir até ao lago. Notou que o lago não tinha mudado em nada durante a ausência dela. Lá sentou-se no chão a completar o horizonte do entardecer, mas também o som relaxante do barulho da água a vir e a ir.
Do bolso das calças tira de lá a aliança de casamento. Já não se lembrava qual tinha sido a última vez que tinha mexido nela. Observou que o tempo que já tinha passado não alterou em nada a constituição da aliança.
A memória do dia do casamento dela veio à mente. Recorda-se que nesse dia as pessoas que eram mais chegadas a ambos é quem foram convidadas. Vestia um simples vestido branco e Joshua um simples fato preto. Contudo Rhoda deparou-se que já não se recordava bem de certos pormenores que tinha ocorrido no dia do casamento e foi aí que ela caiu na realidade que com o avançar dos anos muito provavelmente irá começar a esquecer as feições de Joshua e do seu filho bem como as memórias que fez com eles. O que a encheu de tristeza.
Anhaern: – Ora, ora, ora quem temos aqui. – Aproximando-se de Rhoda gradualmente.
Rhoda: – Agora, – Levantando-se do chão. – não estou com paciência para falar contigo. – Passando pela Anhaern, com uma expressão de indiferença.
Anhaern: – Então porquê? – Pondo-se na frente de Rhoda, impedindo-a de avançar com um sorriso.
Rhoda: – Porque não tenho nada a dizer-te. – Num tom sério. – Portanto se me fizeres um favor, sai da minha frente.
Anhaern mostrou alguma irritação no olhar dela, mas o que chamou à atenção foi algo brilhante na mão de Rhoda, onde com rápido movimento retira a aliança da mão dela.
Rhoda: – Devolve-me a aliança. – Num tom sério.
Anhaern: – Bonita aliança. – Afastando-se de Rhoda onde observava atentamente para onde ia Anhaern. – A onde a arranjaste? – Olhando agora para Rhoda.
Rhoda: – Isso não é da tua conta. – Aproximando-se dela. – Devolve-me a aliança, já!!!
Anhaern: – Hum… – Pensativa. – Afinal a onde está a tua família? – Num tom de gozo. – Será que foi morta? Ou será que foste deixada pelo teu marido, que é o que normalmente acontece a dh’oine como tu.
Rhoda: – É a última vez que te aviso, devolve-me a aliança.
Anhaern: – Ou o quê? Vais bater-me? Ou Matar-me? – Desafiando Rhoda.
Rhoda: – Para uma elfa que odeia humanos, estás a ter um comportamento de humano. – Rhoda viu em segundos a expressão de ódio em Anhaern a tomar forma na face dela.
Anhaern: – Vamos a ver quem… – Voltando-se para o lago onde atira a aliança para água. – … é aqui o humano.
Anhaern no momento em que voltou para Rhoda ficou um pouco intimidada com a frieza no olhar dela.
Anhaern: – Tu não me metes medo.
Rhoda: – Tens a certeza? – Rindo-se com alguma malícia. – Pela tua expressão facial eu diria outra coisa. – Com uma voz fria. – Sabes que não és a primeira a dizer-me isso.
Anhaern viu que a Rhoda que agora apresentava-se à frente dela neste momento não era a mesma que tinha conhecido algumas horas atrás. Por precaução fez sinal com a cabeça a um dos seus guerreiros, para partir do local, com objetivo de informar Iorveth do que estava a acontecer.
Anhaern: – Eu já derrotei muitos humanos como tu. – Sacando da espada, ficando à defensiva à espera que Rhoda ataquesse.
Rhoda nada disse, apenas sorriu-se. O silêncio entre elas era incomodativo. Do lago, um peixe salta para fora da água voltando a seguir para dentro, distraído Anhaern com splash dele. Rhoda vê isso como uma vantagem.
Anhaern no momento que olha de novo para o local onde Rhoda estava, ela tinha desaparecido e sentiu no pescoço dela um forte aperto onde levitou. Onde olhou para baixo dela e viu Rhoda.
Rhoda: – Anhaern? O que se passa? O gato comeu-te a língua?
Anhaern desesperadamente tentava soltar-se da mão de Rhoda mas nada parecia ser eficaz. O grupo dela avançou para Rhoda, onde ela sem rodeios atira Anhaern para longe directamente para o chão, avançando para o grupo rapidamente esquivando-se dos golpes deles sem dificuldades, deixando-os inconscientes.
Partindo novamente em segundos para Anhaern ficando por cima dela imobilizando as pernas dela com força, agarrando de novo o pescoço dela olhando-a nos olhos sem um pingo de emoção. Mais uma vez Anhaern tentava soltar-se da mão dela mas sem êxito, sentido cada vez mais o apertar forte no pescoço.
Ao longe alguém aproximava-se delas, mas Rhoda não deu a mínima importância. No braço dela sentiu alguém a agarrá-la mas num rápido movimento mandou a pessoa para trás caindo no chão com alguma violência.
Selina: – RHODA!!!!! PÁRA!!!! Assim vais matá-la!!!! – Em voz alta.
Nesse momento a mente de Rhoda faz um clique à voz familiar, começando a ter noção do que estava acontecendo à sua volta. O olhar frio que dantes tomava conta dela agora tornou-se mais sereno. Iorveth também apareceu junto do lago com os outros esquilos, com alguma surpresa observando o Rhoda.
Rhoda olhou para baixo e viu a mão dela no pescoço de Anhaern que de imediato afasta-se dela, dando-lhe espaço, tossindo com alguma violência, ficando a olhar surpreendida para Rhoda. Atrás de si viu a Selina no chão onde Cedric ajudava a pôr-se de pé.
Inconscientemente as mãos de Rhoda começaram tremiam, onde ela olhou-as tomando consciência do que poderia ter acontecido hoje se Selina não tivesse aparecido naquele momento. Sem dizer nada, Rhoda sai do local correndo o mais rápido possível. Iorveth nesse momento indica a um grupo de esquilos para irem atrás dela.
Selina: – Iorveth!!! Deixa-a ir. – Chamando a atenção dele. – Ela voltou a si. – Vendo Iorveth a cancelar o pedido de imediato. – Ela precisa de tempo.
Anhaern: – De tempo? Aquela idiota ia quase me matando. – Num tom indignado. – Ela deve ser banida para sempre deste acampamento. – Já de pé.
Selina: – Ela nunca atacaria alguém com esta violência, a não ser que tivesse sido provocada gravemente. – Com tom sério.
Anhaern: – É verdade que a encontrei aqui por acaso e quis picá-la um pouco. – Olhando agora para Iorveth. – No momento a seguir ela saltou para cima de mim como uma louca.
Selina: – A tua versão, falta qualquer coisa aí. Ela não ia atacar-te daquela maneira só porque a picás-te um pouco.
Anhaern: – Hum… E tu como tens tanta certeza disso?
Selina: – Porque eu já vi isso acontecer no passado. Ela começa por dar avisos, mas quando as pessoas ignoram normalmente acabam por morrer. – Fazendo uma pausa. – Tu ao que parece conseguiste escapar, por um fio. – Vendo Anhaern a engolir em seco. – É impressão minha ou ficaste nervosa? – Esperando uma resposta dela que nunca veio.
Iorveth: – Cedric! Leva a Anhaern e Selina ao posto, para serem analisadas.
Anhaern: – Eu não preciso de ti para ir ao posto, eu sei ir por mim mesma. – Dispensando a ajuda de Cedric. – Espero que a punes bem por causa disto. – Num tom sério para Iorveth, antes de sair de cena.
Selina: – Há qualquer coisa na versão dela que não bate certo. Eu ponho as minhas mãos no fogo que Rhoda foi provocada. – Olhando de novo para Iorveth agora pensativo. – Ela neste momento deve está a remoer-se por dentro pelo que fez. – Suspirando. – Ela sabe que terá consequência sobre as ações dela, mas Iorveth – Um pouco hesitante. – por favor não sejas muito duro com ela.
Iorveth nada disse, apenas viu a Selina a sair de cena com Cedric. Onde as primeiras gotas de chuva começaram a cair no rosto dele onde foi à procura de Rhoda, apesar de ter uma pequena ideia onde ela poderia estar agora neste momento.
Nas ruínas, Rhoda estava sentada no chão onde era abraçada pela chuva, escondendo o rosto entre as pernas até decidir olhar para o céu fechando os olhos lentamente a pensar. Naquele momento por algum motivo não se importava de estar debaixo da chuva. Ela tinha a sensação de que o tempo tinha parado, mas ela sabia que isso não era verdade. O som da chuva começava a embalá-la onde encostou-se à estátua.
Não foi um sono profundo, uma vez que estava em alerta ao seu redor. Por breves momentos sonhou vários fragmentos do seu passado, onde muitos deles já não se lembrava de como tiveram início ou mesmo fim.
Ao longe ouviu a voz de Joshua a chamá-la, parecendo-lhe um murmuro, mas com o tempo tornava-se mais nítida, por um lado ela ficou contente por ainda não se ter esquecido da voz dele.
Na face sentiu algo quente, sabia-lhe bem, parecia-lhe autêntico, onde lentamente começou a abrir os olhos, e a figura que parecia à frente dos seus olhos, ela não queria acreditar.
Rhoda: – Joshua? – Num tom baixo, mas também confusa.
A imagem de Joshua gradualmente começou a desvanecer-se dando lugar às feições de Iorveth. Rhoda viu que ele estava agachado ao lado dela com olhar sereno, onde ficaram a olhar-se por breves minutos.
Ao aperceber Rhoda levanta-se rapidamente, afastando-se dele, por precaução, onde a chuva continuava a fazer parte do cenário.
Rhoda: – Como está Anhaern? – Começando com olhar baixo.
Iorveth: – Ela vai ficar bem. – Fazendo uma pausa. – Vais explicar-me o que aconteceu no lago. – Num tom sério.
Rhoda: – Bem… – Levantando o olhar dela para Iorveth. – depois de ter falado com a Selina eu fui até ao lago para descontrair e…. – Fazendo uma pausa. – peguei na minha aliança de casamento, que é umas poucas coisas material que tenho do meu passado. – Mostrando alguma tristeza no olhar. – E foi nessa altura que comecei a dar conta que já não consigo lembrar-me de pequenos pormenores do meu casamento bem como de outras memórias, o que deixou-me um pouco abatida. – Suspirando. – Nisso Anhaern aparece no lago onde ela tira-me a aliança onde pedi a ela para devolver-me, mas invés disso ela atirou a aliança para o fundo do lago. – Franzindo o sobrolho. – E sem perceber-me eu deixei que as minhas emoções tomassem controlo de mim. – Fechando o punho. – Eu tenho a perfeita consciência do que podia ter acontecido hoje. – Ficando em silêncio por alguns minutos. – Qualquer das formas eu estou pronta para enfrentar o meu castigo.
Iorveth: – Tu sabes que não és a única culpada desta situação, verdade?
Rhoda: – Eu percebo o que estás a dizer, mas, eu devia ter controlado-me. – Fazendo uma pausa. – Eu não sou propriamente uma humana….
Iorveth: – … mas também não és nenhum monstro, Rhoda, se é isso que estás a pensar, neste momento. – Vendo alguma surpresa no olhar de Rhoda.
Rhoda: – Eu sei, mas eu desiludi toda a gente. – Fazendo uma pausa, começando as lágrimas caírem da face. – Talvez…. seja melhor eu ir-me embora depois de comprir o meu castigo, mas – Olhando para Iorveth, com as lágrimas a caírem da face. – ao mesmo tempo eu não quero ir. Esta é a minha casa. – Tapando a face com as mãos.
Iorveth agarra a cabeça de Rhoda puxando-a até ao peito dele num movimento gentil, para confortá-la onde começou a soluçar ainda mais. Nada disse, apenas aguardou que ela acalmasse pacientemente.
Iorveth: – Tu não vais a lado nenhum Rhoda, tu agora fazes parte do meu grupo.
Rhoda: – Mas… Iorveth, tu não tens medo de mim? – Olhando para ele, num tom baixo.
Iorveth: – Não. – Num tom firme, onde mais uma vez viu alguma surpresa no olhar de Rhoda. – Quero que amanhã de manhã te presentes na minha tenda para saberes o teu castigo. – Afastando-se de Rhoda.
Rhoda: – Assim o farei.
Iorveth: – Eu irei também informar Anhaern, assim que regressar.
Rhoda ficou a olhar para Iorveth durante algum tempo, onde não parecia estar incomodado com a chuva em cima dele.
Iorveth: – Existe mais alguma coisa que queiras dizer-me? – Olhando para ela atentamente.
Rhoda: – Não, apenas gostava de regressar ao acampamento na tua companhia, só isso. – Baixando o olhar.
Iorveth: – E porque não deveríamos regressar juntos?
Rhoda: – Bem, Anhaern é tua amiga e…
Iorveth: – E pensas que eu não quero a tua companhia, por causa disso?
Rhoda: – Sim. – Num tom firme.
Iorveth: – Da última vez mostraste-me que neste tipo de situações um líder deve ser neutro e deve ouvir as duas partes sem tirar conclusões precipitadas. – Aproximando-se dela. – Por isso não vou cometer o mesmo erro.
Rhoda: – Obrigada, Iorveth. – Sorrindo-se ligeiramente.
Iorveth observou o rosto molhado de Rhoda, onde viu que o cabelo molhado dela a tapava um dos olhos. Num gentil movimento ele afasta o cabelo dela pondo-o à vista novamente. Rhoda nada disse, apenas olhou para Iorveth com os olhos semicerrados, sentido o calor dos dedos dele no cabelo.
Iorveth: – Houve uma ocasião em que me perguntaste o porquê de ter salvo naquele dia que nós conhecemo-nos, na floresta. – Tirando a mão do cabelo dela.
Rhoda: – Sim, lembro-me vagamente.
Iorveth: – Foi o teu olhar. Esse teu olhar sempre determinado, a não desistir mesmo contra as probabilidades, como aconteceu naquele dia, foi o que me levou a salvar-te.
Rhoda de certa forma ficou admirada, mas nada disse a Iorveth. A chuva começou a parar gradualmente. Os dois regressaram ao acampamento indo ao posto, onde encontraram Cedric que informou que Anhaern já tinha tido alta e a Selina tinha regressado à tenda, sem problemas. Rhoda sem mais demoras saiu do posto a passo rápido até à tenda.
Ao entrar viu Selina deitada na cama e aproximou-se devagar até a berma da cama sentando-se, acordando Selina.
Selina: – Rhoda!! – Dando um abraço forte a ela. – Como estás?
Rhoda: – Desculpa-me Selina. – Num tom triste. – Eu magoei-te…. Desculpa-me.
Selina: – Está tudo bem, agora, não fiques assim.
Rhoda: – Só de pensar que podia ter-te matado….
Selina: – Ei… Ei… – Agarrando o rosto de Rhoda. – Eu estou aqui, nada aconteceu. A culpa não foi tua. – Rhoda deu um pequeno sorriso. – Assim gosto mais. A tua cara fica melhor com um sorriso. – Soltando o rosto de Rhoda.
Rhoda contou o que se tinha passado no lago e as suspeitas que Selina tinha acerca da versão da Anhaern confirmavam-se.
Selina: – E agora como vais recuperar a aliança?
Rhoda: – É provável que não vá. Mas acho que é melhor assim. – Num tom triste.
Selina: – O que queres dizer?
Rhoda: – Esta tarde no lago apercebi-me que estou a começar a não conseguir recordar-me bem das várias memórias que fiz com o Joshua e o meu filho.
Selina: – Lamento ouvir isso. – Agarrando as mãos de Rhoda. – Talvez, não sei… esteja agora na altura de começares a pensar em fazer novas memórias. – Rhoda ficou pensativa. – Eu não estou a dizer para esqueceres as memórias do teu marido e do teu filho, mas talvez fecharem de vez esse capítulo da tua vida que ainda tens aberto. Já passaram quantos anos? Mais de 150 anos? – Fazendo uma pausa. – Não achas que já faz tempo de fechar esse capítulo?
Rhoda: – Hum….
Selina: – Qualquer das formas não quero pressionar-te em nada, já que é algo que só tu podes decidir. Mas lembra-te o que aconteceu no passado, por mais que desejasses que tivesse outro desfecho, não irá mudar o que realmente aconteceu nessa altura.
Um breve silêncio meteu-se entre as duas, durante um bocado.
Selina: – Uma coisa que aprendi em relação a sentimentos é que podes enganar toda a gente, menos o teu próprio coração. – Rhoda riu levemente. – O que foi?
Rhoda: – Não é nada, apenas não és a primeira pessoa a dizer algo parecido.
Selina: – E o que disse Iorveth, a ti?
Rhoda: – Amanhã tenho que apresentar-me na tenda dele para saber o meu castigo. Bem como Anhaern.
Selina: – Fico contente por ele não ter sido muito duro contigo. Talvez seja melhor ires descansar, hoje foi um dia longo. Não te esqueças só de trocar de roupa molhada para uma seca.
Rhoda trocou de roupa e deitou-se na cama ao comprido, não necessitou de muito tempo para adormecer. Se a Selina fez algum barulho mais forte quando estave na tenda, Rhoda não deu conta.
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