Notas iniciais
Ok pessoal, preparem seus corações e suas mentes que esse vai ser um pouco complicado.

Acordei com uma gritaria dos infernos. Quando vi, Pain, Konan, Shikamaru e Temari estavam semi nus, com alguns cortes e Kin estava com um machado enorme e, para variar, sangue.

– Que porra é essa?! – Falei surpreso.

– Sua amiga fantasma quer nos matar! – Berrou Temari.

– Quantas vezes eu tenho que dizer, NADA DE PUTARIA NO MEU QUARTO!

Todos foram para um canto e se encolheram. Eu meio que já estava acostumado com o temperamento dela. Levantei da cama para ficar frente a frente com ela, mas confesso que o tamanho do machado me assustava.

– Larga isso, Kin.

– Me obrigue.

– Sai, vem para cá antes que ela te faça em pedaços! – Gritou Ino.

– Fazê-lo em pedaços?! Esses dois praticamente namoram! – Disse Pain.

Eu só vi o machado voar na direção de Pain e, por pouco, não acertá-lo. Só cortou uma parte do cabelo dele.

– Precisamos conversar, mas não aqui. Tem gente demais.

– Onde você sugere?

– Me encontre no pátio.

Depois disso, ela atravessou a parede com o machado e se foi. Eu me encaminhei para a porta, mas fui impedido pelos gritos de Ino.

– O que ela tem que eu não tenho?!

– Você acha mesmo que nós temos alguma coisa?

– É difícil dizer, vocês estão sempre juntos!

– Não é verdade.

– Ela só fala com você e te ajuda!

– Não dessa vez. Eu tive que fazer tudo praticamente sozinho e ainda levei bronca.

– E agora você vai atrás dela.

– Mas é claro. Dessa vez a saída não é tão simples assim.

– Se você sair por essa porta, não volte a olhar na minha cara. Nunca mais!

Pensei um pouco e saí. Sério, aquele ambiente de intrigas e desconfiança estava me irritando. Cães e enfermeiras apareciam e eu dava um jeito naquelas pragas. Fui até o pátio e encontrei Kin, sem nenhuma gota de sangue e sem o machado.

– Demorou.

– Tive alguns problemas. Achei que quem tivesse más intenções não poderia entrar naquele quarto, pelo que eu vi em uma lembrança do sanatório.

– Não queria matar ninguém, só assustar para que parassem de sacanagem no meu quarto.

– E conseguiu. Traumatizou um grupo, acabou com o cabelo de um cara e fez todo mundo se voltar contra você.

– É melhor assim.

– Então aquela garotinha que persegui era a Alessa.

– Não era a Alessa, era uma projeção que a própria Alessa criou se imaginando como ela seria se não estivesse em seu estado atual. E você não a perseguiu, ela que te guiou.

– E por quê?

– Alessa acredita que você pode acabar com a maldição.

– Por que eu? – Por que justamente eu?!

– Bem, você matou algumas pessoas de seu antigo grupo e ainda não enlouqueceu, sem falar que ela acha que somos...

– Próximos? – Por que todo mundo pensa que somos próximos?! – É, o pessoal ainda vivo também acha isso. Por que não há informações sobre Alessa neste lugar?

– Alessa não é daqui. Ela veio do Alchemilla Hospital em Silent Hill. Ela estava fugindo de um destino terrível e...

– Você resolveu ajudá-la. Por quê?

– Éramos isoladas dos outros pacientes por motivos parecidos. Não foi difícil aceitarmos uma a outra.

– Motivos parecidos?

– Quando eu era criança, eu descobri que podia ver o que aconteceria no futuro, mas tinha um grande problema: minhas visões só mostravam tragédia e morte. Eu via tudo de ruim que iria acontecer e isso apavorava as pessoas ao meu redor. Quando eu fiz 5 anos, meus pais me jogaram neste lugar. Era mais fácil assim do que conviver com uma filha... Diferente.

– Por isso seu caderno de desenhos está cheio de tragédia. – Disse me recordando de quando vi o caderno de desenhos dela pela primeira vez, há 4 anos atrás.

– Sim. Desenhar foi a única forma que encontrei de me isolar do mundo e amenizar o que eu sentia. – Sua voz soava melancólica. – Um dia, quando eu tinha 13, eu voltava para o meu quarto depois de uma sessão de choque quando vi a chegada de um paciente que foi transferido do Alchemilla Hospital. Junto com ele, veio uma garota carbonizada, mas viva. Os médicos salvaram aquela garota.

– Mas como?! Como alguém que estava...?!

– Aquela garota se chamava Alessa Gillespie. Durante seu tratamento contra queimaduras, médicos e mais médicos surtaram. Foi então que eu invadi o quarto em que ela estava e vi. Tudo naquele quarto estava levitando e rodando, foi então que percebi que Alessa tinha poderes psíquicos.

– E você não ficou assustada? – Sério, se fosse comigo, eu já teria cagado nas calças.

– Pelo contrario, fiquei feliz de não ser a única estranha naquele sanatório. Eu a visitava sempre até o dia em que ela se recuperou parcialmente. Alessa era mais que uma amiga, ela era minha irmã.

– Entendo. Eu também tive alguém que considerava meu irmão.

– Mesmo?

– Sim. Diferente de você, eu nunca conheci meus pais. Vivi a minha vida toda em um orfanato, mas eu era introvertido, tímido e a única coisa que eu fazia era ficar desenhando em um canto. Foi então que uma única pessoa se aproximou de mim e começou a falar comigo. No começo me assustei, mas com o passar dos dias, nós ficamos próximos. Éramos como irmãos.

– E como era o seu irmão? – Me surpreendi um pouco, mas repondi.

– Shin era extrovertido, animado, impaciente e impulsivo. Ele era o oposto de mim. – Por incrível que pareça, não estava triste por falar de Shin.

– O que aconteceu com ele?

– Teve um incêndio no orfanato. – Desviei o olhar para o chão. – O prédio estava desabando e nós dois tentávamos escapar. Shin me jogou pela janela antes que a estrutura desabasse sobre nós. Eu consegui escapar, mas perdi o meu irmão. Desde esse dia, eu parei de sorrir.

– Eu sinto muito.

– Eu também. – Ficamos em silêncio por alguns minutos. – Pode continuar.

– Ok. Um dia, médicos estranhos chegaram ao sanatório. Esses médicos se diziam responsáveis por Alessa e o diretor os deixou encarregados dela.

– Esse diretor era louco?!

– Um grande idiota, se quer saber. Ele permitiu que eles transferissem Alessa para um quarto no porão do sanatório.

– Realmente, um grande idiota.

– Depois disso, minhas visões praticamente dobraram. Todas elas traziam um dos médicos estranhos fazendo alguma coisa muito ruim com Alessa, mas eu sempre dava um jeito de que elas não se realizassem. Geralmente eu a escondia no meu quarto. Foi então que Alessa me contou sua história. Em Silent Hill há um culto chamado A Ordem e a mãe dela era a líder desse culto. Eles queriam que o deus deles, Samael viesse ao mundo, mas para isso, uma mulher o portaria e o alimentaria com ódio. Alessa foi escolhida voluntariamente para isso.

– Como é que é?!

– Isso mesmo que acabou de ouvir, no entanto, Alessa virou uma ameaça por causa de seus poderes, poderes que ela nem sequer entendia. Foi então que a mãe dela decidiu sacrificá-la para que Samael se alimentasse de seu sofrimento e nascesse. Só que isso não deu certo e Alessa se rebelou contra A Ordem e não queria que o demônio nascesse.

Eu fiquei estático. Não podia acreditar no que estava ouvindo. Isso batia qualquer escala de crueldade.

– Foi então que eu descobri que aqueles médicos eram da Ordem e que estavam lá para terminarem o que A Ordem começou. Quando eu tive uma visão com o Phoenix Down, tive que tomar maiores precauções, pois sabia que eles não iam desistir tão fácil. Por 7 anos, eu consegui enganá-los e livrar Alessa de qualquer tortura, às vezes ela ficava dias no meu quarto, mas chegou um dia que tive uma visão que mudaria tudo. – Sete anos?! Ou esse médicos eram burros pra caralho ou Kin era esperta pra caralho.

– Que visão?

– A do Sanatório em chamas. No começo era apenas um quadro, mas depois foi se intensificando. Depois a visão mudou para um homem em meio às chamas, mas elas não o queimavam. Um dia tive a visão do incêndio de novo, mas dessa vez apareceu uma data. Quando contei à Alessa, ela ficou apavorada e queria saber quem era o tal homem.

– E quem era?

– Um piromaníaco. As visões revelaram que o incêndio que ele ia causar era um ritual para que sacrificasse Alessa de vez e Samael nascesse, mas para isso, todos no sanatório teriam que morrer no incêndio, inclusive ele próprio. Estávamos determinadas para que isso não acontecesse, por isso Alessa dividiu sua alma em duas partes, dividindo assim o demônio, e a escondeu. Assim, seria preciso juntar as duas para o demônio nascer.

– Dividiu a alma?! Mas como isso é possível?! – Sério, como alguém divide a própria alma?! E como se faz isso?!

– Ela já estava com 14 anos e há essa altura, seus poderes tinham desenvolvido.

– E onde está a outra parte da Alma de Alessa?

– Em um lugar seguro.

– No quarto 301?

– Não, em outro lugar seguro. – Tem mais de um lugar seguro nessa porra?!

– Continue. – Preciso de um doril.

– Era de madrugada quando o piromaníaco veio e realizou o ritual. Alessa estava no quarto dela e quando acordei, o sanatório já estava em chamas. Eu decidi que não ia morrer dessa maneira, não para prejudicar minha irmã. Eu corri para o pátio, subi na mureta e pulei. Com isso o ritual não se realizou, mas minha alma retornou a este lugar. Todos viraram criaturas asquerosas menos Alessa e eu, que quebrei o ritual e dei início à maldição deste lugar.

Eu realmente não sabia o que dizer. A maldição se iniciou por causa do impedimento de um sacrifício que faria um demônio nascer e acabar com o mundo. O meu passado tinha muitas coisas em comum com o passado dela (se não percebeu, nós éramos estranhos e antissociais até aparecer alguém que nos fizesse mudar, teve um incêndio e nossos irmãos morreram queimados, ou não, já que eu não sei qual o estado atual de Alessa). E a forma como ela morreu explicava o sangue que aparecia nela e sumia depois.

– Antes que eu me esqueça. Era Alessa quem cuidava de seus ferimentos. Ela acredita que você possa matar o piromaníaco, acabar com essa maldição e libertar as almas que aqui vivem, mas não creio que vá libertar a de Alessa ou a dos cachorros, insetos e das enfermeiras.

– E por que não?

– Eles são representações dos medos de Alessa e ela não pode morrer até que o demônio seja extraído de seu corpo.

– E o Phoenix Down? Até agora não entendi por que alguém estava revivendo Kiba com ele.

– Depois que eu morri, passei décadas procurando pelo Phoenix Down. Assim eu e Alessa poderíamos reviver, sair daqui, arrumar aglaophotis, extrair o demônio da Alessa e matá-lo. Há quatro anos, eu surpreendi o piromaníaco, que estava usando todo o Phoenix Down para reviver seu amigo e escondia o Phoenix para que nenhuma de nós o encontrasse.

– Aglaophotis?

– É uma mistura de ervas. Tem a cor vermelha e extrai qualquer entidade maligna do corpo de uma pessoa assim que toca na pele.

– Tipo, isso aqui? – Peguei a estranha substância que encontrei e mostrei a ela. Os olhos de Kin se arregalaram.

– É isso mesmo! Mas como...?!

– Achei por aí.

– Você vai precisar disso para enfrentar o piromaníaco.

– E tem isso. – Peguei o Phoenix Down e os olhos de Kin radiaram de alegria.

– O Phoenix Down! Você o tem! Isso é ótimo, mas você só tem um. – Seu semblante se tornou triste. – Me prometa uma coisa?

– O que?

– Que usará o Phoenix Down em Alessa e acabará com isso de uma vez. O Aglaophotis é fácil de fazer e de conseguir lá fora.

– Mas e a outra metade da alma dela?

– Não se preocupe com isso. Só me prometa que fará isso.

– Mas e você? – Senti um aperto no coração ao dizer isso. Eu me acostumei em tê-la por perto, apesar de ela quase ter arrancado meu braço e gritado comigo.

– Não se preocupe comigo. Só faça isso por mim. Para usar o Phoenix Down, você precisa de um cadáver e o meu está a vários metros abaixo de nós.

Depois dessa conversa, ela fez algo que eu jamais sonharia. Ela me abraçou, me beijou, se separou de mim, subiu na mureta e pulou para o penhasco. E eu? Fiquei lá parado olhando para o penhasco com cara de palerma.

Notas finais
Será que Sai vai cumprir a sua promessa? Será que eles vão sair vivos? E o que aconteceu com a Hinata? Descubra no próximo capítulo de Sanatory: Revelations.