Quanto mais eu corria atrás da garota, mais eu adentrava na parte do antigo sanatório. Às vezes encontrava cães e às vezes enfermeiras, mas nada que uns tiros não resolvam. Quando eu achava que tinha perdido a garota, eu tinha um leve deslumbre de seu vestido e continuava minha busca. Eu tive a ligeira impressão de que estava sendo guiado.

Parei em uma esquina e olhei para os dois lados. Um deles era um beco sem saída e o outro levava a um corredor. Andei pelo corredor, mas dessa vez não tive nenhum vislumbre da garota que perseguia. O corredor era longo e por incrível que pareça, eu não fui atacado por nenhuma criatura. Vi uma porta no final do corredor e Kin estava diante dela. Diminuí o passo e percebi que ela falava alguma coisa para quem quer que estivesse do outro lado da porta.

– Parece que as coisas vão acabar em fogo de novo. É sempre a mesma coisa quando alguém sai daqui. Se ao menos pudéssemos dar um fim a tudo isso... Alessa, eu nunca me envolvi tanto desde que esse pesadelo começou, mas há um rapaz que me intriga e eu não sei o que fazer.

Alessa? Então era ela que estava atrás daquela porta? Minha curiosidade aumentou, tinha tantas perguntas em mente e uma vontade imensa de abrir aquela porta, mas Kin me notou, o sangue começou a brotar de seu peito, sujando sua camisola branca, e dos cantos de seus olhos e de sua boca.

– O que você faz aqui?! – Sua voz aumentou de maneira sobrenatural que me fez saltar para trás de medo. – Já não bastava ter voltado a este lugar e você vem até aqui?!

– C-Calma... – Tentei dizer.

– CALMA?! Você tem noção de onde está?! – Ela pegou o eu braço com força e eu soltei um gemido de dor. – O que aconteceu com seus braços?!

– Kin, me deixe explicar...

– Nada disso!

Ela me arrastou pelo braço por aonde eu vim. Como um fantasma que atravessa paredes está segurando meu braço e me arrastando, eu não sei. A única coisa que me importo de saber agora é da onde ela tirou tamanha força que estava quase esmagando meu braço e me arrastando por corredores e escadas sem que eu pudesse dar um passo. Quando dei por mim, ela tinha largado meu braço e estávamos na recepção do hotel.

– Você poderia ter sido mais gentil. – Resmunguei massageando o braço dolorido.

– Você poderia ter sido menos idiota! O que te deu para ir até lá embaixo?!

– Desculpa por não saber quem é Alessa e o que está acontecendo!

– Seu idiota! Isso só vai complicar a sua situação!

– Olhem só, briga de casal. – Eram Tayuya, Kimimaro, Sakon e Ukon que seguravam suas cabeças. Kin pegou minha arma e os matou com tiros certeiros.

– Você é louca?!

– Louca para retornar a este local e não conseguir matar meus amigos, ah sim, sou muito louca!

– Dá para parar de gritar comigo e me ajudar dessa vez?!

– Eu estou fazendo de tudo para te ajudar! Você não entende?! Dessa vez não é através de um círculo em chamas que vocês poderão sair, há outros meios! Quanto mais você avança para descobrir o que aconteceu aqui, mais difícil será a sua saída e a dos outros!

– Viemos procurar Hinata e não vamos sair sem ela.

– Esqueça-a! Se eu te contar o que aconteceu com ela, aí é que você nunca mais sairá daqui!

– Por que está tão ansiosa para me ver longe daqui?

– Porque eu não aguento mais ver isso! É sempre a mesma coisa! Um bando de idiotas entra e morre em agonia, mas se um grupo sobreviver, um integrante some e o grupo volta para cá para encontrar a morte. É uma maldição que não acaba mais!

Enquanto ela falava, notei que o sangue que saía dos olhos dela começava a molhar o chão. Só então eu percebi. Aquilo que escorria dos olhos dela não era sangue, eram lágrimas e a camisola de hospital dela estava ensopada de sangue, mas eu não sabia por que, talvez tenha sido da maneira como ela morreu. Só então eu percebi que ainda não sabia como ela tinha morrido. Eu a abracei e para a minha surpresa, o fantasma retribuiu o abraço e enterrou o rosto na minha camisa.

– Sinto muito por te dar trabalho. – Eu disse.

– Tudo bem.

– Só poderia me explicar algumas coisas?

– Se não for nada relacionado à Alessa, posso sim.

Nos separamos e eu sentei no sofa. Contei para ela sobre as visões que eu tive, a Phoenix Down que encontrei junto com o estranho líquido vermelho, como meus machucados foram tratados e sobre a garotinha que persegui.

– PORRA ALESSA! – Ela esbravejou e meus olhos se arregalaram.

– Eu disse alguma coisa que não devia?

– Não, você fez muito bem em me dizer. Vou resolver algumas coisas e volto para te ver, mas por enquanto só posso te dizer duas coisas: primeira; as visões que você teve são lembranças do sanatório, coisas que aconteceram nele e que você tem acesso.

– Mas por que eu?

– Porque o sanatório mostra suas lembranças às pessoas sacrificadas naquele ritual que vocês fizeram pra saírem daqui. Como você sobreviveu ao sacrifício, as lembranças são suas por direito. – Ótimo, só me faltava essa! Estou sendo perseguido por lembranças de um sanatório amaldiçoado.

– E a segunda coisa?

– Alguém ressuscitava seu amigo para acabar com o estoque de Phoenix Down.

– Mas por que alguém iria querer acabar com o estoque?

– Já te respondo, mas agora te aconselho a descansar. Você está horrível.

Ela sumiu. Enquanto isso, eu fui para o único lugar em que poderia descansar sem correr o risco de ser atacado e morto: o quarto 301. Quando eu chego lá, o que vejo? Todo mundo intacto esparramado pelo lugar enquanto eu estou parecendo que saí da guerra.

– Sai! Você está vivo! – Ino correu e me abraçou. – Você está horrível!

– Vocês ainda estão inteiros?! – Disse surpreso. – Onde está Hinata?

– Não pudemos procurá-la. – O QUE?! E ainda tem a cara de pau cheia de brincos de me dizer isso, Pain?!

– Tivemos que vir para cá porque era o único lugar seguro. – Não diga, Deidara!

– Nossos amigos viraram monstros. Não tivemos coragem para machucá-los. – Disse Temari.

– Sai, você está bem? – Perguntou Ino.

– Se eu estou bem?! Eu fui atacado por alguns dos nossos amigos, enfermeiras desfiguradas e cães, quase perdi meus braços, quase morri duas vezes, estou todo fudido, fui arrastado por um fantasma, briguei com ele e chego aqui e vejo todo mundo intacto porque ninguém quis atirar nos monstros e se esconderam aqui e ainda pergunta se eu estou bem?!

As caras deles foram ao chão. Eu não era muito de demonstrar sentimentos e muito menos dar um ataque como o que eu acabei de dar, mas PORRA! Eu PRECISAVA desabafar! Me joguei na cama para ver se conseguia descansar um pouco enquanto Kin não voltava. Estava tão cansado que apaguei.

Acordei alguns minutos depois. O quarto 301 estava diferente, ao invés de um quarto de hotel abandonado e assombrado, ele parecia mais um quarto de sanatório e não tinha aquela aura de antes. Ouvi o baque da porta se fechando.

– Essa foi por pouco.

– Se eles descobrirem que estou aqui, você está ferrada.

– Alessa, eu já disse que não vou deixar com que ninguém mais te faça mal.

Rapidamente eu olhei em direção a porta. Eu vi Kin, que parecia ter uns 13 anos, e a garota com quem ela estava. Eu gelei. A garota era a mesma que eu persegui na parte antiga do sanatório, mas ela não devia ter mais de 7 anos e estava com queimaduras pelo corpo. Então essa era Alessa?! Mas por que ela estava com essas queimaduras de 3º grau? Como ela chegou até aqui com queimaduras como essas?!

– Você vai ter problemas.

– Veremos. Rápido!

Kin botou Alessa, com os movimentos totalmente debilitados devido às queimaduras, debaixo da cama de modo que ficasse totalmente escondida. Um médico entrou no quarto. Ele vasculhou o banheiro.

– Perdeu alguma coisa, doutor? – Disse Kin fingindo inocência.

– Nada que te interesse. Por um acaso, você viu uma criança andando por aqui?

– Claro que eu vejo crianças passarem por aqui, afinal, elas passam por este corredor para chegar à ala infantil.

O médico refletiu por um instante e pareceu considerar a resposta. Ele saiu apressado do quarto. Depois que Kin se certificou de que estava tudo bem, ela fechou a porta, se ajoelhou debaixo da cama e levantou o lençol.

– Como é fácil enganar esses médicos.

– Também com uma visão dessas. – Eu não entendi o que Alessa quis dizer com isso.

– Eu preciso dela para sobreviver, afinal, nunca se sabe se um deles vai te arrastar no meio da noite ou te matar enquanto dorme.

– Isso sempre acontece?

– Sempre.

– Não vou deixar que isso aconteça com você.

– Eu já estou acostumada. E depois, Alessa, o que você pode fazer?

– Posso usar meus poderes. Me ajude a fazer o selo de Metatron debaixo da cama, depois eu aplicarei meus poderes nele para não deixar que ninguém com intenções ruins entre aqui.

– Selo de Metatron?

– Sim. Isso vai impedir que o demônio que carrego tenha influência aqui, que espíritos malignos entrem e, com ajuda dos meus poderes, pessoas que tenham más intenções entrem nesse quarto. Só peço que me ajude.

– Esse demônio está cada vez mais forte, não é mesmo?

– Não graças a você. Eu prefiro morrer a deixá-lo nascer.

– Tudo bem. Vamos fazer este selo.

A cama começou a levitar, então eu saltei para o chão sem entender nada. Elas fizeram uma espécie de selo um tanto quanto estranho: http://4.bp.blogspot.com/_bhQIcvy1hbU/S6owfK4Xw5I/AAAAAAAAAWM/rX9TcYeuozI/s1600/Metraton.jpg

Foi então que tudo, ou quase tudo, se encaixou! Alessa disse que portava um demônio. Pela conversa que eu ouvi no flashback anterior, esse demônio se chamava Samael e para ele nascer, era preciso com que ele se alimentasse do sofrimento de Alessa. Quanto mais ela sofresse, mais forte ele ficaria. O Phoenix Down era para o caso de Alessa morresse. Ele seria usado para revivê-la só para que os médicos lhe infligissem mais sofrimento. Alessa preferia morrer a deixar Samael nascer. Kin era amiga dela. E o quarto 301 era o único lugar seguro porque o selo de Metatron estava debaixo da cama!

Apesar disso, ainda tinha perguntas pendentes em minha mente e tenho certeza de que Kin sabe as respostas.

Notas finais
Mistério envolvendo a segurança do quarto 301 resolvido. Preparem seus corações e suas mentes porque vamos entrar em uma parte conturbada.