Same Old Love (HIATUS)
3 Me perdoa pelo que eu vou fazer?
Notas iniciais
— Desculpa, mas eu não consigo me lembrar... – Kurt dizia olhando naqueles olhos castanhos que não lhe eram estranhos e, ao mesmo tempo, continuava a mexer no pingente de seu colar. – Espera aí! Blaine?
— Pensei que nunca iria me reconhecer. – Blaine disse, agora sorrindo para o castanho. – Quanto tempo.
— Vinte anos! – Kurt tinha ficado feliz e nervoso com a presença de Blaine. Mais feliz do nervoso, então estava tudo bem. – E o que tem feito? Eu senti tanto a sua falta!
— Eu também senti sua falta, Kurt. – Blaine observou que Kurt continuava a mexer em seu colar. – Você ainda usa o colar.
— Mas é claro que sim. Você não? – Blaine tirou o seu de dentro da roupa e mostrou para o castanho, que sorriu para ele. – Esse colar nunca permitiu que eu esquecesse de você e, não sei, mas me parece que eu sempre fiquei esperando te reencontrar, eu só talvez não acreditasse de verdade que isso iria mesmo acontecer.
— Eu te vi ontem aqui. Te reconheci por conta do seu colar... e dos seus olhos... – Confessou mais baixo, corando. – Mas fiquei tão nervoso que simplesmente me virei e fui embora para o trabalho. Quase cheguei atrasado ainda por cima.
— E no que você trabalha? – Kurt tomou mais um pouco de seu café.
Ele havia amado reencontrar Blaine. Era como reencontrar a luz do sol. Estava feliz por ver o moreno depois de tantos anos, tendo em mente uma ilusão de que o encontraria, ainda que imaginasse que nunca o veria novamente. Era bom estar errado, como nunca pensou que realmente seria.
— Sou professor de música na NYU. – Falou o moreno, orgulhoso daquilo que fazia. – E você?
— Bom... eu trabalhava em uma revista de moda, mas meu chefe roubou minhas ideias e disse que eram ideias dele, então eu me demiti e construí minha própria revista, com direito à nossa própria linha de roupas e modelos. – Kurt também sentia orgulho de seu trabalho. – Meu melhor amigo e meu marido me ajudaram muito, porque não foi nada fácil. Meu marido é o fotógrafo e meu melhor amigo faz de tudo um pouco, assim como eu.
— Wow, casado, então? – Blaine queria fingir que aquilo não tinha o atingido, mas tinha. – Também sou casado, há nove anos, mais ou menos. E tenho três filhos.
— Três?! Ganhou de mim. Tenho dois… ou melhor, duas. – Kurt pegou seu cellular e mostrou uma foto para Blaine. – Esse comigo é Sebastian, meu marido, e essas duas lindas são nossas filhas, que vão fazer quinze anos. Elas se chamam Melanie e Natalie.
— Deixe-me te mostrar uma foto também. – Blaine também pegou o seu celular. – Essa é minha esposa, Marie. E esses são meus três meninos. O maior é o Robert, o do meio é o Vincent e esse pequenino é o Alexander.
— Eles são lindos. Os três são muito parecidos com você. – Kurt disse e, só depois de alguns segundos, percebeu que tinha elogiado Blaine, então acabou corando.
Blaine queria ter ficado pelo resto do dia ali conversando com Kurt, mas precisava trabalhar, então se despediu do castanho – após ambos trocarem seus números – e se dirigiu para a universidade. Seu sorriso ia de orelha a orelha enquanto ele dava sua aula e os alunos acharam adorável a feição do professor.
Na volta para casa, Blaine cantava animadamente todas as músicas que tocavam no rádio. Estava se divertindo como se estivesse na mais animada festa, o que de longe estava.
Chegou em casa e foi logo cumprimentar os filhos, dando um beijo na testa de cada, como sempre fazia. Cumprimentou a esposa também, sentando na sala em seguida para assistir aos desenhos que os filhos assistiam. Ele sempre fazia isso ao chegar em casa, coisa que irritava Marie. Ela definitivamente não tinha paciência com os filhos, mal tinha paciência com Blaine também.
Blaine sentiu seu celular vibrar e o tirou do bolso, sorrindo ao ver que a mensagem era de Kurt.
“Você não faz ideia do quão feliz eu fiquei de te reencontrar. Queria saber se você e sua família não querem vir almoçar aqui em casa no sábado. Tenho certeza que minhas meninas iriam amar conhecer seus filhos.” – Kurt.
O Anderson saiu da sala e andou até a cozinha, encontrando Marie lendo uma revista.
— Reencontrei meu amigo de infância hoje. – Blaine falou sorrindo. – Ele nos convidou para almoçarmos na casa dele no sábado... o que acha?
— Pode ser. – Disse sem vontade alguma.
Blaine saiu praticamente pulando feito uma criança, pegando novamente seu celular, já sorrindo loucamente.
“Só mandar o endereço. Estaremos aí!” – Blaine.
[...]
No sábado Blaine acordou cedo, levantou e logo se arrumou. Estava ansioso. Acordou os três filhos e encaminhou eles para seus banhos e separou até uma roupa para cada. Percebeu que Marie estava com uma má vontade tremenda, então esperou ela calmamente na cozinha enquanto preparava o café da manhã de todos.
Quando os cinco já estavam prontos, foram para a casa de Kurt. Blaine queria fingir que não estava nervoso, mas seu coração não permitia que ele mentisse, batia tão aceleradamente que era assustador.
Chegaram umas onze horas na casa de Kurt, desceram e foram até a porta. Foram atendidos por uma jovem menina, que convidou todos para entrar com um sorriso enorme no rosto.
— Eu sou a Melanie. – Disse ela, falando de maneira simpática. – Aquela preguiçosa no sofá é a Natalie.
— Você é o Blaine, certo? – Um castanho alto e de olhos claros apareceu, cumprimentando primeiramente Blaine. Kurt logo se juntou a eles na sala. – Eu sou o Sebastian.
— Sim, sou o Blaine. – O moreno cumprimentou Kurt e as meninas, também cumprimentou Sebastian. – Essa é Marie, minha esposa. E esses são os meus meninos: Vincent, Robert e Alexander.
— Que crianças mais lindas. – Elogiou Melanie, fazendo as crianças ficarem tímidas. – Puxaram a você. – Ela disse baixo para apenas o moreno ouvir.
Kurt estava estranho, Blaine percebeu aquilo e não estava satisfeito com a feição do castanho. Resolveu não perguntar o que tinha acontecido naquele momento, pois ele poderia não querer dizer.
Depois que todos se cumprimentaram, dirigiram-se a sala e uma conversa agradável preencheu o local. Kurt foi para a cozinha e Blaine foi atrás. Perguntou repetidas vezes o que tinha acontecido, mas o castanho apenas disse que estava tudo bem.
O almoço aconteceu tranquilamente, com uma conversa agradável sendo colocada em prática. Kurt possuía um olhar perdido na mesa, aparentava tamanho cansaço. Sebastian mexia o tempo inteiro em seu celular e foi repreendido por suas filhas, que eram as que mais conversavam.
Perguntavam animadamente para Blaine como era ser professor de música e como era ter estudado música e tudo o mais. Ele as respondia também animado, amava o que fazia. Kurt abriu um sorriso triste de ver Blaine cuidando dos filhos e conversando com as meninas. Será que se não tivessem se separado no orfanato, teriam permanecido juntos? Ele queria ter tido a chance de descobrir.
— Tio Bee... – Melanie o apelidou assim. – Você provavelmente canta, certo?
— Mais ou menos... Os meninos gostam que eu cante para eles dormirem. – O moreno havia ficado meio tímido. – Por que a pergunta?
— Porque nossa festa de quinze anos está chegando. Seria muito legal ter alguém como você cantando para nós. – Melanie disse com os olhos brilhando e Natalie também o pediu, também com seus olhos brilhando. – Você e o papai são amigos desde criança, você podia nos dar esse presente, não acha?
— Meu marido é um homem muito ocupado, meninas. – Marie se intrometeu no assunto, coisa que irritou Kurt.
— Mas aposto que ele tem um tempo para nós. Por favor, tio Bee. – Elas praticamente imploravam.
— Posso pensar no caso de vocês. – Riu ele. – E o que quiseram dizer com um homem como eu? Eu sou tão comum. – Disse ainda rindo.
— Você é o maior gato, tio. Sua voz já é linda assim conversando, cantando deve ser ainda melhor. E falo isso com todo respeito, viu?
— Mas onde já se viu uma coisa dessas? – Marie levantou-se irritada. – Isso não é uma atitude de respeito.
— Marie, acalme-se. – Pediu Blaine, vendo ela sentar irritada e emburrada. – As meninas não falaram por mal.
— Foi uma brincadeira. – Melanie parecia arrependida. – Desculpa.
Sebastian mais uma vez pegou seu celular e dessa vez quem se irritou foi Kurt, que quase deu um grito com o marido. Ele levantou e saiu da sala de jantar, deixando todos confusos. Sebastian pediu licença e também saiu. Logo uma discussão foi escutada e Blaine percebeu que as meninas ficaram tensas, perguntando assim a elas se elas não queriam jogar algum jogo ou qualquer coisa do gênero. Sugeriram de todos jogarem Just Dance, guiando Blaine e a família para a sala. Até o pequeno Alexander ficou saracoteando na volta deles, mas não chegou a jogar.
Kurt foi para a sala e viu Blaine dançando Lady Gaga com Natalie e os dois riam sem parar. Os outros estavam sentados nos sofás, vendo os dois que jogavam e rindo loucamente.
— Tem que dançar melhor, tio Bee. Eu vou ganhar. – Garantiu Natalie, despertando em Blaine seu lado competitivo.
— Isso é o que vamos ver. – Ele disse sério, começando a dançar melhor.
A brincadeira estava tão divertida, que até Marie estava rindo. Kurt logo se juntou a eles, dançando uma música com Melanie. Os meninos de Blaine, tirando Alexander, também dançaram. Vincent contra Marie e Robert contra Blaine. Por último fizeram Kurt e Blaine dançarem uma música juntos. Colocaram a música Crazy In Love para tocar, fizeram propositalmente justamente para verem Kurt rindo. As meninas sabiam o que estava acontecendo, descobriram antes mesmo de Kurt, mas não queriam ver seu pai mal.
Kurt acabou indo melhor que Blaine, mas a diversão toda que tiveram foi o que mais contou para eles.
Estava anoitecendo, mas as crianças não queriam se largar. Kurt saiu da sala e Blaine foi atrás dele. O moreno encontrou o amigo em cima do telhado, observando o sol quase que completamente desaparecido. Sentou-se ao lado dele e viu lágrimas formadas em seus olhos.
— Quando éramos crianças adorávamos ver o pôr-do-sol, fugíamos de nossos quartos com cinco ou seis anos e ficávamos no gramado vendo o sol desaparecer. – Começou Kurt, fazendo Blaine sorrir pela lembrança. – Eu nunca soube o que exatamente era o amor, mas por algum motivo eu tinha a certeza de que eu te amava.
Um silêncio pairou entre eles. Blaine também não sabia bem o que era o amor quando era criança, já que ninguém nunca o demonstrou tal sentimento, mas também sentia que amava Kurt.
— Reencontrando você eu sinto que isso não mudou. – Kurt virou seu rosto para o moreno. – Sei que você é casado com uma mulher e que isso vai soar meio estranho, mas você foi o meu primeiro amor. Eu cresci e nunca parei de pensar em você. Na minha adolescência eu ignorava os outros garotos porque era você quem eu queria e eu montava em minha mente como seria uma vida ao seu lado. Me dói saber que nunca vou poder descobrir.
— Pensei que fosse feliz com o seu casamento. – O moreno disse calmamente. As palavras de Kurt haviam o surpreendido.
Kurt começou a chorar sem parar, então Blaine o puxou para um abraço apertado, afagando seus cabelos e sussurrando palavras carinhosas em uma tentativa de acalmá-lo.
— O que houve? Me conta, por favor. Eu quero te ajudar, K. – Kurt o encarou, sorrindo pelo apelido. Certas coisas nem o tempo muda, amor e amizade são as mais puras provas disso.
— Ontem à noite eu cheguei mais cedo do trabalho e vi ele conversando com alguém no computador, estavam conversando pela câmera. Eu não quis acreditar quando eu vi aquilo... Ele... Ele está me traindo. – Kurt passou a chorar ainda mais. – E o pior... Com o meu melhor amigo.
— Ai, meu Deus, eu sinto muito. Eu não fazia ideia, Kurt. – Blaine novamente puxou o castanho, parecendo sentir a dor que o mesmo estava sentindo. – E por que você não termina com ele? Não é melhor?
— Eu não sei, B. Eu não sei o que eu faço. Parece que todo o amor que senti por ele nos últimos anos simplesmente se foi embora nas últimas vinte e quatro horas. Eles estavam falando sobre mim, falando que eu nunca vou suspeitar dessa traição. Elliot ainda perguntou se Sebastian não se sente culpado e ele disse que não. Eu quis morrer naquele momento. Conheço Elliot desde que fui tirado daquele orfanato, ele sabia sobre você e sabia que eu queria te reencontrar, mas nunca conseguimos te achar em lugar algum. – Kurt foi explicando enquanto Blaine secava as lágrimas dele. – E você? Percebi que sua esposa não é muito paciente...
— Eu só casei com ela porque a engravidei. – Confessou o moreno. – Algumas vezes acho que ela sabe disso, por isso age desse jeito. Era para termos parado na primeira gravidez, mas acabamos tendo mais dois filhos e permanecemos juntos.
— Blaine... Você me perdoa? – Perguntou Kurt, deixando Blaine confuso.
— Pelo que?
— Pelo que eu vou fazer.
Kurt nem terminou de falar e se aproximou mais de Blaine, beijando seus lábios da maneira que sempre quis fazer. Poderia dizer que fogos de artifício queimavam em suas voltas e até mesmo dentro de si.
Queria que aquele fosse o seu primeiro beijo, mas, mesmo que não fosse o primeiro, era o que mais havia desejado em sua vida.
O mais incrível, é que Blaine sentia exatamente o mesmo.
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