Same Old Love (HIATUS)
5 Eu também sempre te quis
Notas iniciais
Kurt e Blaine permaneciam se beijando em plena chuva. Não se importavam com as gotas geladas que caíam sobre eles com tamanha força, não se importavam com os carros em suas voltas, não se preocupavam com nada além da intensidade do beijo que partilhavam. Só o que importava para ambos era o beijo que ali acontecia, nada além.
Quando finalmente criaram coragem para separar seus lábios, encararam-se e começaram a rir. Não sabiam do que exatamente estavam rindo, apenas sentiram vontade de rir e assim o fizeram. Kurt não se aguentou e abraçou Blaine, com os dois ainda sob a chuva. Poderiam até pegar um resfriado, mas não conseguiam se importar nem um pouco.
— Melhor sairmos da chuva, não? – Sugeriu Blaine, vendo Kurt assentir e assim os dois entraram no carro de Blaine. – Vou levar você para casa.
— Obrigado. – Agradeceu o castanho, sentindo-se corar. – Olha, eu não queria falar nada, mas... esquece.
— Agora eu quero saber. – Blaine disse, já dirigindo em direção à casa de Kurt. – Ia falar sobre o beijo?
— Sim. – Confirmou o Hummel. – Você deixou bem claro que não era para se repetir, mas me beijou sem se importar. Eu não entendi.
— Nem eu entendi. – Blaine encarou Kurt rapidamente e voltou a dirigir. – Só sei que senti vontade de te beijar e beijei. Fiz errado? Digo, você preferia que eu não tivesse beijado?
— Não... não tem problema. Quer dizer, eu gostei. – Kurt sorriu, mesmo que Blaine não pudesse ver. – Na segunda-feira eu vou precisar ficar até tarde na empresa e vou estar sozinho, pode ir lá me ver se você quiser.
— É um convite muito difícil de se recusar. – Blaine estacionou na frente da casa de Kurt, virando-se para ele para se despedir. – Vou ver se consigo ir, qualquer coisa eu te aviso.
Kurt apenas concordou, agradecendo pela carona e dando um rápido selinho em Blaine antes de se afastar e sair do carro, indo para sua casa em seguida. Os meninos não sabiam, mas duas meninas gêmeas observaram tal cena e viram o beijo deles, inclusive queriam ter visto ainda mais.
— Oi, papai. – Natalie cumprimentou seu pai, vendo que ele estava encharcado. – Você estava na chuva, é?
— Ah, isso? – Kurt apontou para si mesmo, vendo sua roupa extremamente molhada. – Foi só um pequeno acidente. Não é como se eu estivesse fazendo algo na chuva. – Kurt corou fortemente e as filhas o olharam sugestivamente. – Eu vou tomar um banho para tirar essa roupa molhada. O pai de vocês já chegou?
— Já, mas ele saiu de novo. – Informou Melanie, vendo seu pai assentir. – Nós pedimos pizza, já que ele tinha saído e você não estava. Tem problema?
— Claro que não, meus anjos. Eu amo vocês.
— Também te amo. – As gêmeas disseram juntas, observando seu pai sorrir e ir em direção as escadas.
— Nós precisamos fazer algo, Mel. – Começou Natalie. – Nossos pais não se amam mais como amavam, nós sabemos o que está acontecendo, precisamos fazer alguma coisa para ajudá-los.
— Eu sei, Nat, mas eles não vão se divorciar tão cedo. Você sabe como o pai Seb é, ele está traindo o papai, mas ao mesmo tempo não é capaz de largar ele. Pai Kurt é a mesma coisa, embora ele sempre falasse do Tio Blaine com carinho, antes mesmo de vermos ele. Eles não se viam há vinte anos, mas o amor que o papai sentia por ele nunca mudou. Eles precisam ficar juntos, Nat, mas não vamos conseguir fazer nossos pais se separarem e seguir suas vidas um sem o outro.
— Eles fazem isso por causa nossa. Não vão se separar até que fiquemos ainda mais velhas. – Natalie argumentou. – Precisamos mostrar a eles que estaremos felizes desde que eles também estejam. Tio Elli é um idiota por ter feito o que fez com o papai, afinal eles sempre foram melhores amigos, mas o pai Seb é ainda pior, já que pensa que somos burras. Ele acha que eu não sei com quem ele saiu?
— Não podemos julgar. – Melanie se alterou um pouco. – Nosso pai saiu do carro do tio Blaine agora pouco, os dois estão errados, mas nenhum deles vai admitir. Aliás, os quatro estão errados. Nossos pais por estarem traindo um ao outro, tio Elli por estar traindo o melhor amigo e o tio Blaine por estar traindo a esposa. São quatro traidores e...
— Mesmo assim os amamos e queremos os ver felizes. Teremos que unir o útil ao agradável.
— Por isso que nós somos gêmeas. Nascemos para planejar juntas. – Melanie deu um sorriso cúmplice, juntando sua mão com a de Natalie e em um cumprimento único delas.
Elas ajudariam seus pais a se libertar daquilo no qual estavam presos, ainda que eles não quisessem a ajuda delas.
[...]
Durante o dia seguinte ao encontro de Kurt e Blaine, os dois começaram uma conversa por mensagens, rindo do outro lado da tela apenas por estarem falando um com o outro.
“Se eu contar ninguém acredita, mas um resfriado me atingiu com sucesso.” – Blaine.
“Nem me fala nisso, não consigo parar de espirrar. A vontade que dá é dormir o dia inteiro, mas ainda preciso trabalhar.” – Kurt.
“Também preciso, mas tem um certo homem de olhos azuis que está tirando meu foco por completo.” – Blaine.
“Acredite, tem um de cabelos morenos que também está nos meus pensamentos.” – Kurt.
“Quem dera eu pudesse te beijar agora.”— Blaine.
“Pode matar sua vontade segunda-feira quando for me ver.” – Kurt.
“Vou ter que esperar até segunda para te ver? Não vou aguentar tanto tempo.”— Blaine.
“Aguentei por vinte anos, B, podemos aguentar até segunda, tudo bem? Prometo fazer valer a pena.” – Kurt.
“Vou cobrar, viu?” – Blaine.
“Pode cobrar até juros desses dias em que ficaremos sem nos ver.” – Kurt.
Kurt e Blaine riam sozinhos com as mensagens trocadas. Era incrível a maneira que conseguiram conectar-se um ao outro, como se o tempo nunca tivesse passado e eles permanecessem sendo aquelas crianças que amavam a companhia uma da outra.
[...]
A segunda-feira chegou, trazendo com ela uma alegria incomum, tanto para Kurt quanto para Blaine. Ambos levantaram e se arrumaram para o trabalho muito animados. Todo mundo em suas famílias percebeu a mudança repentina de humor, mas eles não ligaram, apenas disseram que era a alegria de uma nova semana começando.
Claro que não era isso, a alegria tomou conta por ser o dia em que eles novamente se veriam.
O dia se passou tranquilamente e agitado ao mesmo tempo, ambos tinham muitas coisas para se fazer em seus respectivos trabalhos e não pararam direito nem para o almoço ou seus intervalos. Blaine só parou mesmo quando passou a dirigir para a empresa de Kurt. Foi até lá após uma reunião que tivera à noite, então já estava bem tarde, era quase meia-noite agora.
Subiu pelo elevador e chegou ao andar de Kurt, que era o último. Nenhuma sequer pessoa estava ainda ali, o lugar até parecia abandonado. Bateu na porta da sala de Kurt e foi recebido por um grande e sincero sorriso, seguido de um beijo carinhoso que fora trocado entre eles.
— Chegou tarde. – Comentou Kurt, voltando para sua mesa e terminando de assinar os papéis que haviam lhe sido entregues na tarde de hoje. – Mas para sua sorte eu ainda estou aqui.
— Para minha sorte mesmo, porque eu não aguentava mais esperar para te ver. – O moreno escorou-se na mesa de Kurt, colocando suas mãos nos bolsos da calça, estava de terno. – Sua empresa é muito bonita. Meus parabéns.
— Obrigado. – Kurt agradeceu e continuou a assinar seus papéis. – E eu já vou dar atenção a você, só faltam algumas folhas para eu assinar e aí eu finalmente vou ter terminado tudo.
— Tudo bem, não precisa se apressar.
Blaine passou a observar cada canto daquela enorme sala, sorrindo ao ver uma foto de Kurt com Natalie e Melanie, onde os três faziam careta. O moreno percebeu que Kurt estava cansado, notou isso ao ver o quão tenso ele estava. Aproximou-se então do castanho, indo para trás dele e colocando suas mãos nos ombros dele, iniciando assim uma massagem para relaxar o castanho.
— Acabei. – Kurt disse e, nesse momento, Blaine parou a massagem. – Por que parou? Estava tão bom.
— Nesse caso, eu continuo. – Riu o Anderson, voltando a massagear os ombros de Kurt, que quase se derretia com os toques que recebia.
Kurt levantou-se de sua cadeira e entrelaçou suas mãos em torno do pescoço de Blaine, aproximando-se mais dele e o beijando. Blaine levou suas mãos até a cintura do castanho e o puxou para ainda mais perto de si. O beijo, que se iniciara tão calmo, se tornou um beijo avassalador, com direito a mãos bobas passeando pelo corpo um do outro.
Kurt sentou-se sobre sua mesa e puxou Blaine para ainda mais perto de si, fazendo-o ficar entre suas pernas. O beijo tomou ainda mais intensidade, ambos já sabiam que aquilo não iria prestar, tinham certeza absoluta de que deveriam parar por ali, mas não conseguiam separar seus lábios por muito tempo, era difícil.
— Eu sempre te quis, B. Sempre. Sempre te amei. – Confessou Kurt, sentindo Blaine beijar seu pescoço em seguida.
— Eu também sempre te quis, Kurt, sempre quis. Eu nunca quis admitir para eu mesmo que estava apaixonado por um garoto que viveu comigo durante a infância, por isso me relacionei com uma mulher. Pensei que assim eu te esqueceria, além de que se fosse para ficar com qualquer outro cara que não fosse você, eu não queria. Eu queria você. Aliás, eu não só queria você... eu ainda quero. Quero você mais do que qualquer outra coisa.
— Fico feliz porque... eu também quero você, B, quero muito.
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