Same Old Games
22 Oh, kiss me like you mean it...
PDV Marleine
O bom da semana de provas, é que ela passa muito rápido porque nós somos liberados logo após o término da prova. Então, depois de mais duas semanas, eu estava sentada no sofá da minha casa, com Liam ao meu lado e um boletim horrível na mão.
- Tô. Ferrada. – eu disse e me joguei deitada no sofá.
- Calma, você consegue recuperar. – Liam disse, sentado ao meu lado.
- Eu preciso recuperar 4 matérias, não vou conseguir. Sem falar que eu odeio ficar na escola depois da aula. É um inferno.
- Mar, esquece isso. Escuta, todos nós vamos sair hoje pra comemorar o final das provas, como você já sabe que é costume, e eu quero você lá, se divertindo com todo mundo.
Eu me levantei.
- Liam, eu realmente agradeço o convite, mas vou ter que ficar em casa e estudar se quiser recuperar.
- Na sexta? Não pode fazer isso amanhã?
- Esqueceu que o teste de recuperação de geografia é sempre no sábado após o resultado do boletim?
- Ah... é. Tem certeza que não vem com a gente? Você volta mais cedo pra casa e estuda.
Eu apertei suas bochechas.
- Você é muito fofo quando quer alguma coisa, sabia?
Ele afastou minhas mãos e sorriu.
- Mas, é sério, Liam. Eu realmente preciso recuperar a nota. Esqueceu que eu ainda quero ir pra Harvard?
- Com esse boletim? Acho difícil. – Gabi disse descendo as escadas.
- Essa é a Gabriela que eu conheço, sempre sendo positiva. – eu disse me virando para olhá-la.
Ela riu.
- Apenas sou realista. Mas, relaxa, eu só tô brincando. Você é inteligente, Mar. Vai recuperar as notas. São só 4 matérias, você tira de letra. Se fosse no último bimestre você tinha repetido, mas agora é só frequentar as aulas de recuperação.
- Nossa, valeu pela força.
- Você podia mentir um pouquinho pra deixar ela feliz, né amor? – Liam disse se levantando e dando um beijo na bochecha dela.
- E criar falsas esperanças? Nem pensar. Concordo que ela precise estudar, mas tem certeza de que você não vem, Mar? Eu quero você lá tanto quanto o Liam.
- Nossa, então você realmente me quer lá. – nós rimos – Aonde vocês vão mesmo?
- Boliche agora a tarde e balada a noite. – ela respondeu.
- Fiquei até com inveja. – eu disse pensando na montanha de livros que me esperava.
- Veeeem, Mar. – eles disseram juntos, fazendo uma cara emburrada.
- É sério, vocês precisam ver esse problema de sincronização. Mas, enfim – eu me levantei — vou começar a estudar antes que eu me arrependa. Divirtam-se por mim.
Abracei Gabi e Liam e subi as escadas.
- Vou te trazer uma garrafa de vodka, assim você bebe por mim. – Liam gritou
- Duvido que eu precise de mais alguma. – eu sussurrei pra que ninguém ouvisse.
Liam não pode beber, ele não tem um rim. Quando ele nos contou a história eu fiquei muito mal, mas me senti orgulhosa por ter aquele garoto na minha frente, forte e saudável, depois de uma infância terrível.
Tranquei a porta do quarto e me joguei na cama. Virei a cabeça pra esquerda involuntariamente e vi o lugar onde eu guardava as garrafas de vodka que eram de Louis. Tentei não pensar nele, mas era impossível.
Ele estava bem melhor agora. Já tinha se passado 1 mês desde a morte da mãe dele e nós ficamos bem mais próximos nesse meio-tempo. Graças a Deus, ele já tinha superado e voltado a ser o Louis Tomlinson de sempre.
Me forcei a parar de pensar nele e comecei a estudar. Quem precisa de boliche e balada quando tem um livro inteiro de geografia pra decorar?
...
Acordei assustada e olhei no relógio. Eram 17hrs e os últimos raios alaranjados do por-do-sol entravam pela porta de vidro às minhas costas.
Olhei para o livro e o caderno abertos em uma página qualquer. Eu tinha dormido enquanto tentava decorar alguma coisa sobre os conflitos no Oriente Médio.
Joguei a caneta, que ainda estava na minha mão, em cima da mesa e cocei os olhos. Minha cabeça parecia a ponto de explodir com o esforço que eu tinha feito pra tentar aprender aquilo. Decidi ir comer alguma coisa.
Desci as escadas e fui em direção à cozinha, mas a campainha tocou quando eu estava na metade do caminho.
Quem estaria tocando a campainha em plena sexta-feira a tarde? Fui atender e...
- Louis? O que você está fazendo aqui? Pensei que tivesse saído com os outros.
- Ah, eu não estava com muita vontade de sair com eles. Ainda mais quando eu sei que vou ficar de vela lá, sem uma amiga por perto. – ele disse entrando.
- Hm, ta... e por que você está vestido como se fosse pra praia? – eu perguntei, fechando a porta.
- Calor, fim de tarde, piscina. Sua casa ainda tem piscina, certo?
- Certo, mas...
- Ah, chega de “mas” e vai buscar um biquini. – ele disse puxando minha mão e subindo as escadas comigo.
- Lou, eu preciso estud...
- Estudar, eu sei. Mas, não acha que já estudou o bastante? Ou dormiu o bastante, julgando o aspecto disso aqui. – ele disse quando entrou no quarto e viu os livros bagunçados na escrivaninha.
Eu me soltei da mão dele e cruzei os braços.
- Você vem na minha casa pra usar a minha piscina?
- Não exatamente. Eu vim te tirar de uma noite totalmente entediante enquanto seus amigos devem estar indo para a melhor balada da cidade. Sem contar que sua piscina é muito boa.
Eu tive que rir.
- Vamos Mar, esquece isso um pouco. Você vai se sair bem no teste. Ninguém é reprovado em Harvard por uma nota vermelha.
- Quatro.
- Que seja, você vai recuperá-las. Agora anda, porque já vai escurecer.
Eu descruzei os braços e fui andando até o guarda-roupa.
- Você não existe, Lou.
- Eu sei que não. – ele disse sorrindo e se jogando na cama.
Peguei um biquini preto e um shorts e fui para o banheiro me trocar. Fiz um coque de qualquer jeito e voltei pro quarto.
Louis estava lendo um dos meus livros e ergueu a cabeça assim que eu entrei. Ele ficou me olhando com a expressão estática, esqueceu até que estava com um livro nas mãos.
- Já pode fechar a boca, Louis. – eu disse jogando minha camiseta nele.
Ele pareceu perceber que estava olhando muito e se levantou de um pulo.
- Então, vamos começar a festa.
Ele saiu correndo e gritando feito um louco pela casa e quando chegou na piscina, tirou a camiseta branca, jogou no chão e pulou na água.
Eu ri e balancei a cabeça, enquanto me aproximava calmamente.
- Você parece uma criança feliz que nunca viu uma piscina na vida. – eu disse enquanto ele voltava a superfície, afastando os cabelos do rosto.
- E você parece uma daquelas meninas chatas e ranzinzas que só pensam em estudar, coisa que você não é. Vem, eu te ajudo a descer. – ele estendeu a mão.
Eu fui andando e segurei em sua mão.
Eu percebi que estava sendo ingênua uma fração de segundo atrasada. Louis Tomlinson me oferecendo a mão pra me ajudar a entrar em uma piscina? Ah, tá.
Ele me puxou e eu caí com tudo na água. Quando voltei pra cima, encontrei Louis rindo.
- Ah, é assim que vai ser? Tudo bem, então.
Eu nadei até ele e afundei sua cabeça na água. É claro que Louis era mais forte do que eu, então ele segurou minha cintura e me derrubou.
Ficamos nadando e batendo um no outro por um bom tempo. Decidimos sair da piscina quando as estrelas já começavam a aparecer.
Nos sentamos nas espreguiçadeiras e ficamos olhando para o céu.
- Acredita naquela história que ouvimos quando somos pequenos, de que as pessoas que morrem viram estrelas no céu? – ele me perguntou, sem tirar os olhos das estrelas.
- Faz certo sentido. Existe um número suficiente de estrelas no céu para cada uma delas.
- Acha que minha mãe pode estar lá?
Virei o rosto para encará-lo.
- Acho que, onde quer que ela esteja, ela está orgulhosa de você. Você é uma ótima pessoa, Louis.
Ele se virou para me olhar.
- Obrigado, Mar.
Eu assenti e voltei a encarar o céu.
- Talvez não tão ótima assim, já que eu não estudei direito pra prova de amanhã.
- Nossa, eu venho aqui pra te tirar do tédio e é assim que você me agradece? Tudo bem, então. Vamos ver quem é uma ótima pessoa aqui. – ele se levantou.
- Louis, o que vai fazer?
Ele me pegou no colo.
- Louis, NÃO.
Eu tentei me debater, mas não adiantou. Ele pulou comigo dentro da piscina.
Quando nós voltamos pra cima, Louis estava tendo mais um acesso de riso. Eu não gritei, não fiquei brava, não disse nada. Apenas fiquei o encarando séria, até que ele ficasse sem graça.
Funcionou, porque Louis parou de rir e olhou pra mim sério. Ele se aproximou e disse:
- Ok, prometo que não vou mais fazer isso.
Ele abriu os braços e eu o abracei.
- Desculpa.
- Fica tranquilo.
Segurei em seus cabelos e fingi fazer carinho, então abaixei sua cabeça embaixo d’água de novo.
Soltei Louis e me afastei, dando risada. Ele voltou pra cima, com uma expressão de ódio mortal.
- Ok, desculpa. – eu continuei rindo enquanto ele se aproximava – Desculpa, eu não vou fazer isso de novo.
- Ah, é? Agora você vai ver.
Eu gritei e nadei pra longe dele. Fiquei fugindo de Louis, mas ele é muito mais rápido que eu, claro. Louis me alcançou e me prendeu na beira da piscina.
- Agora você é minha prisioneira. – ele disse abrindo um meio sorriso.
- Sim senhor, senhor capitão.
Louis me olhou confuso e começou a rir.
- Capitão? Não tinha palavra melhor?
- Um capitão pode manter pessoas presas, não pode?
- Sim, mas não as mulheres. Os piratas dizem que mulheres a bordo do navio dão azar.
- Ah, é? E por que?
- Bom, eles diziam que, na maioria das vezes, o capitão se apaixonava por ela. E esquecia das tarefas como capitão, então a tripulação ficava perdida e mais sujeita a naufrágios.
- E por que ele se esquecia das tarefas?
- Porque ele só conseguia pensar nela e em mais nada.
Louis passou um braço em volta da minha cintura e prendeu uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
Ele chegou mais perto e me beijou.
Considerando o fato de que a noite estava quente, eu senti mais arrepios do que nunca.
Algumas gotas de água escorriam direto de seus cabelos e passavam pelo meu rosto, e eu não podia ignorar o fato de que nossos corpos estavam molhados e grudados.
Nós nos separamos e eu olhei em seus olhos verdes, me sentindo mais hipnotizada por eles do que nunca.
- Acho que isso vai te dar azar, então. – eu disse sorrindo
- Quem se importa?
Ele me beijou de novo e eu senti como se mais nada importasse. Não queria nem saber de prova de geografia, se eu iria passar em Harvard ou se ia repetir de ano. O que importava era que eu estava beijando Louis Tomlinson e estava sendo melhor do que eu esperava.
Ele mordeu meu lábio devagar antes de se separar definitivamente e grudar sua testa na minha.
- Lou?
- Hm? – ele murmurou com os olhos fixos na minha boca.
- Daqui a pouco as meninas vão chegar. Acho melhor nós sairmos daqui.
- Concordo plenamente.
Dessa vez ele realmente me ajudou a sair da piscina. Louis pegou uma toalha, enrolou nas minhas costas e me abraçou por trás. Fomos andando até chegarmos na sala novamente, enquanto eu recebia beijos ocasionais no pescoço.
- A Victória vai me matar por ter molhado a casa toda.
- Depois a gente explica pra ela. – ele disse beijando o meu rosto.
Nós subimos para o quarto. Minha intenção era pegar uma roupa pra trocar, mas me Louis me derrubou na cama.
- Ah, não, Louis. Agora eu vou dormir em uma cama toda molhada.
- Pensa pelo lado bom, você vai lembrar do que aconteceu nessa cama.
Eu arregalei os olhos e ele riu.
- Calma, bobinha. Não foi nem sentido, sua maliciosa.
- Ah, bom. Que susto. – eu comecei a rir também.
- Vem cá.
Ele me puxou pra mais perto e me beijou de novo. Tudo tinha acontecido tão de repente. Em um dia eu nem suportava olhar pra cara dele, e agora nós estávamos nos beijando como se realmente fôssemos um casal. Eu me afastei dele.
- O que foi? – ele perguntou
- Por que tudo isso agora? Tipo, do nada?
- Porque eu cheguei a conclusão de que eu realmente gosto muito de você e...
- E?
- E eu nunca fiquei acordado pensando em uma garota no número de vezes que eu fiquei pensando em você.
Ok, isso me pegou totalmente de surpresa.
- C-como assim?
- Ah, Mar, eu não sei explicar. – ele disse passando a mão pelo braço, carinhosamente – Simplesmente aconteceu. Sabe, você foi se tornando uma grande amiga depois de tudo o que aconteceu, e eu só conseguia pensar em como tinha sorte de ter te encontrado. Desculpa, eu posso estar confundindo as coisas, posso ter me precipitado, mas eu precisava fazer isso, eu... Eu precisava saber o que eu sentiria quando te beijasse.
- E o que você sentiu?
- Não acredito que alguém ainda tenha inventado as palavras certas para eu me expressar.
Eu fiquei tão emocionada que só consegui sorrir.
Louis colocou a mão na base da minha coluna e me beijou de novo, me causando mais arrepios. Eu podia ficar ali a minha vida inteira, sentindo seus lábios nos meus e fazendo carinho em sua nuca. Como eu não tinha pensado nisso antes? Sabe, eu nunca tinha nem sequer considerado a possibilidade de ficar com Louis. Pra mim, ele sempre foi um ótimo amigo, e até mesmo naquele momento eu não conseguia vê-lo como algo a mais. Ele era... um amigo que beijava muito bem.
- Lou, você vai ficar chateado se eu te falar uma coisa? – eu disse fazendo carinho no rosto dele.
- O que?
- Eu... não consigo nos ver como um casal, sabe? Algo como a Vick e o Niall ou a Gabi e o Liam. Foi tudo muito... rápido.
- Fica tranquila, Mar. Eu também não pensei nisso. Eu só quero que, pelo menos por essa noite, realmente dure.
Ele passou a mão delicadamente por toda a extensão das minhas costas, me dando um arrepio violento. Depois seus olhos focalizaram a pequena geladeira ao meu lado.
- É ali que estão? As garrafas de vodka? – ele perguntou
- Sim. Quer saber? Está na hora de jogar isso fora. Vai acabar vencendo sem que ninguém tome.
- É assim que se fala, garota.
Eu me levantei e peguei as três garrafas de água, que continham vodka. Nós fomos até a cozinha e jogamos duas delas na pia.
- Não podemos ficar com uma só? – Louis perguntou – Sabe, eles foram pra balada, por que nós não podemos nos divertir um pouco?
Peguei a garrafa de sua mão e tomei um único gole, depois ofereci a ele, que tomou um gole também. Eu despejei o restante na pia.
- Só um pouquinho, pra não te deixar com vontade. Eu não gosto de beber, e muito menos de te ver bebendo.
- Tudo bem, me desculpa. – ele disse me roubando um selinho. – Acho que eu vou pra casa, então.
- Sério? Já? Fica aí, nós podemos assistir um filme, porque eu já desisti de estudar.
- Não, linda, eu vou indo mesmo. Daqui a pouco as meninas vão chegar e se nos virem aqui, vão fazer um monte de perguntas. E você precisa dormir pra prova de amanhã. Eu passo aqui pra te pegar, vou esperar você terminar.
- Não precisa, Lou.
- Shh... – ele me deu mais um selinho – Eu quero fazer isso.
Ele entrelaçou seus dedos nos meus e eu o levei até a porta.
- Boa noite, então. – ele disse
- Boa noite.
Ele me beijou novamente, passando os dois braços pela minha cintura e me puxando pra mais perto dele. Vale ressaltar que eu ainda estava de biquini e ele sem camisa.
Finalizamos com pequenos selinhos, até que ele beijou minha mão e virou as costas. Quando ele já estava do outro lado, eu gritei.
- Lou, aquilo era verdade? Sobre eu ser linda?
Ele sorriu.
- Mais do que qualquer outra garota que eu já conheci.
Foi minha vez de sorrir. Entrei em casa e subi direto pro quarto. Me joguei na cama e percebi que Louis tinha razão. Eu iria me lembrar dele durante toda aquela noite.
Notas finais
Malikisses xx
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