Same Mistake
11 You're Getting Close
Notas iniciais
Nova York não era uma cidade que recebia.
Era uma cidade que testava.
E Isabella Higginbotham sabia disso no instante em que seus olhos cruzaram a linha do horizonte recortado por arranha-céus, luzes e movimento incessante. Do alto, antes mesmo do avião tocar o solo, ela observava aquela imensidão viva como quem encara um campo de batalha já conhecido, ainda que nunca tenha pisado nele antes. Não havia encantamento em seu olhar. Não havia deslumbre. Havia cálculo.
— Está nervosa? — perguntou Alice, sentada ao lado, com a voz suave, mas carregada de atenção.
— Não. — Isabella não desviou o olhar da janela.
— Mentira — murmurou Alice, com um leve sorriso — Você sempre fica assim quando algo importante vai acontecer.
— Eu não fico nervosa… eu me preparo.—Isabella respirou fundo.
Do outro lado do corredor, Emmett observava a conversa com um meio sorriso, enquanto Jasper mantinha o olhar fixo à frente, silencioso, mas atento a cada detalhe, como sempre fazia. Anthony, sentado ao lado de Isabella, olhava pela janela com uma curiosidade inquieta, os olhos atentos absorvendo tudo como se estivesse montando um quebra-cabeça invisível.
— Mãe… — disse ele, sem tirar os olhos da cidade — Nova York parece um jogo.
— E o que você acha que é?— Isabella virou o rosto lentamente.
— Um lugar onde quem erra… perde.—Anthony inclinou levemente a cabeça.
O silêncio que se seguiu foi curto, mas suficiente para bons entendedores.
Isabella sustentou o olhar do filho por um segundo a mais.
E, pela primeira vez…não corrigiu.
(...)
A instalação foi rápida e eficiente.
O Higginbotham Group não chegava anunciando sua presença, ele se infiltrava. Escritórios alugados discretamente nos primeiros dias deram lugar, em menos de semanas, a um espaço imponente no centro financeiro da cidade, com estrutura suficiente para competir com qualquer gigante do mercado… mas sem chamar atenção desnecessária.
Era assim que Isabella queria.
Silencioso.
Preciso.
Inevitável.
— Já estamos com participação em três das subsidiárias da Swan Grand — disse Jasper, apoiando uma pasta sobre a mesa de reunião.
— Pouco.— Isabella folheou rapidamente.
— Você quer dominar a empresa ou comprar o prédio inteiro?—Emmett soltou uma risada baixa.
Ela levantou o olhar.
— Eu quero controle.
Silêncio.
— E vamos ter — completou ela.
Alice observava tudo em silêncio, encostada na parede, os braços cruzados, o olhar percorrendo Isabella com uma mistura de orgulho e preocupação.
— Você sabe que isso vai trazer ele até você… — disse ela, por fim.
Isabella não hesitou.
— É exatamente esse o plano.
(...)
A festa foi anunciada uma semana depois.
A Swan Grand Hotels, agora uma das maiores redes de hospitalidade do país, organizava um evento de alto padrão para celebrar novas parcerias estratégicas e atrair investidores internacionais. Era o tipo de evento que reunia poder, influência e dinheiro em um único espaço, exatamente o tipo de ambiente que Edward Masen dminava.
E, pela primeira vez em quase dez anos…Isabella pisaria no mesmo lugar que ele.
O salão principal do hotel estava impecável. Luzes douradas, decoração sofisticada, música suave ao fundo e uma circulação constante de pessoas vestidas com precisão calculada, cada detalhe pensado para impressionar, seduzir e consolidar poder.
Edward Masen estava no centro disso tudo.
Como sempre.
O terno azul escuro perfeitamente alinhado, o olhar atento, a postura impecável. Ele se movia pelo ambiente com naturalidade, cumprimentando investidores, trocando palavras estratégicas, consolidando relações… tudo como sempre fez.
E, ainda assim…havia algo diferente naquela noite.
Ele não sabia o quê, mas sentia.
— Você está distraído — comentou Rosalie, ao seu lado, apoiando a mão levemente no braço dele.
— Não estou.— respondeu seco.
— Está sim.—Ela arqueou uma sobrancelha.
Mas Edward não respondeu, ele continuou com aquele teatro de empresário incrível acompanhado de uma mulher perfeita que fazia ele fechar inúmeros negócios.
Tudo corria conforme o planejado, até as portas principais do salão se abrirem.
E, por um breve segundo…o ambiente mudou.
Não foi algo visível.
Não foi algo que todos perceberam, mas aqueles que sabiam observar…sentiram.
Emmett entrou primeiro. Seguro, imponente e com a mesma presença de sempre.
Logo atrás, Jasper e Alice , alinhados, elegantes, unidos de uma forma que deixava claro, sem palavras, que estavam do mesmo lado.
E então…ela.
Isabella Swan
A entrada não foi exagerada, não foi teatral.
Mas foi… definitiva.
O vestido vermelho desenhava sua silhueta com elegância, os cabelos loiros acobreados emoldurando um rosto que já não carregava fragilidade alguma, e o olhar, aquele olhar, atravessava o ambiente como se já conhecesse cada pessoa ali.
Edward parou, não de forma visível.
Mas internamente…tudo parou.
O ar pareceu mais pesado.
O som mais distante.
E, por um instante que durou mais do que deveria… ele não conseguiu se mover.
— Edward… — chamou Rosalie, mais baixa agora.
Mas ele não ouviu porque, naquele momento…só existia ela.
— Não pode ser… — murmurou ele, quase sem voz.
Mas era verdade aquilo. Ele piscou 3 vezes, acreditando que o fantasma sumiria como em todas as noites desde de a última vez que ele a viu.
Isabella manteve o olhar firme, caminhando com calma, cada passo calculado, cada movimento controlado. Ela sabia exatamente o que estava fazendo.
Sabia exatamente quem estava ali e, principalmente…sabia exatamente quem estava olhando para ela.
Edward se moveu, antes mesmo de perceber.
Os passos rápidos demais para alguém que sempre foi tão controlado, a respiração levemente alterada, o olhar fixo.
— Bella… — disse ele, ao parar diante dela.
O nome saiu automático.
Errado.
E perigosamente revelador.
Isabella o encarou, sem pressa e sem emoção.
— Isabella Higginbotham — corrigiu ela, com a voz calma, precisa.
Silêncio.
Edward sustentou o olhar dela, procurando , reconhecendo e sentindo.
— A gente precisa conversar.— disse ele hipnotizado.
Ela inclinou levemente a cabeça com um sorriso discreto, educado e distante.
— Não… nós não precisamos.— ela murmurou.
A resposta foi leve, mas definitiva.
— Você não pode simplesmente...— começou ele.
— Posso — interrompeu ela, ainda calma — E acabei de fazer isso.
Edward respirou fundo, tentando recuperar o controle.
— Depois de tudo...
— Depois de tudo — repetiu ela, agora com um leve brilho frio no olhar — Não existe mais “nós”, na verdade nunca existiu, não é mesmo?
O silêncio entre eles era denso, carregado e perigoso.
— Edward… — a voz de Rosalie surgiu ao lado dele, quebrando o momento.
Ela se aproximou, pousando a mão no braço dele de forma sutil, mas claramente territorial.
— Você não vai me apresentar?
Isabella desviou o olhar para ela e sorriu. Agora… de verdade.
— Rosalie Hale — disse ela, estendendo a mão — Já ouvi falar.
Rosalie apertou a mão dela com firmeza.
— Espero que só coisas boas.— ela sorriu
— Apenas… interessantes.— respondeu.
— Edward! — chamou uma nova voz.
O senador Platt se aproximava, acompanhado de outros investidores, o olhar atento imediatamente capturado por Isabella.
— E quem é essa bela dama?— perguntou sorrindo.
Edward abriu a boca para responder, mas foi interrompido.
— Isabella Higginbotham — disse ela, com naturalidade.
O senador sorriu.
— Um prazer… ouvi falar muito bem do seu grupo.— disse pegando a mão da jovem e levando aos lábios para depositar um beijo.
— Espero que continue ouvindo — respondeu ela, com elegância.
Mais tarde naquela noite, Edward estava sozinho do outro lado, Emmett se aproximava, o sorriso largo, mas os olhos atentos.
— Olá, bandidão… — disse ele, parando ao lado de Edward — Ainda dando muitos golpes?
O silêncio caiu como um peso.
Edward travou o maxilar.
— Emmett...
— Relaxa, cara...— continuou ele — Só estou acompanhando seu histórico.
— Prazer, sou Rosalie.—Rosalie interveio rapidamente, surgindo entre os dois homens.
Ali próximo Alice observava tudo, silenciosa mas presente e Jasper não disse nada.
E isso…dizia tudo.
Edward olhou novamente para Isabella conversando animadamente com o Senador Platt.
E, naquele momento…soube.
Ela não tinha voltado, ela tinha chegado e dessa vez…não como alguém que ele podia controlar.
Mas como alguém que veio para destruir tudo o que ele construiu.
Isabella manteve o olhar firme, sereno e dominante. Porque, pela primeira vez…ela não estava reagindo.
Ela estava conduzindo e Edward Masen…pela primeira vez em muito tempo…
não sabia qual seria o próximo movimento.
Porque ela estava certa, eles não tinham nada para conversar.
Mas tinham…tudo para resolver.
E aquilo…estava apenas começando.
Fale com o autor