Same Mistake
12 You Don’t Know Me Anymore
Notas iniciais
Nova York nunca dormia, mas naquela noite Edward Masen desejava, pela primeira vez em anos, que o mundo inteiro simplesmente parasse. O barulho constante da cidade, as luzes que nunca se apagavam, o movimento incessante que sempre o alimentou agora pareciam apenas um reflexo do caos silencioso que crescia dentro dele, um tipo de desordem que ele não sabia nomear, mas que se recusava a ignorar. Ele estava de pé diante da janela do seu escritório, o copo de uísque repousando entre os dedos, enquanto observava a cidade como se estivesse tentando recuperar o controle apenas pelo olhar, como sempre fizera, como sempre funcionou… até agora. Porque, pela primeira vez, havia algo fora do seu alcance. Alguém fora do seu alcance. E esse alguém tinha nome, rosto e um passado que ele nunca conseguiu apagar completamente.
Isabella.
O nome não saía da cabeça dele.
Não como lembrança.
Mas como presença.
Era como se ela tivesse invadido cada espaço que ele construiu ao longo dos anos, não fisicamente, mas de uma forma muito mais perigosa — mentalmente. Ela estava nas pausas entre as reuniões, nos segundos de silêncio entre uma decisão e outra, no momento exato antes do sono chegar… ou não chegar. E isso o irritava profundamente, porque Edward Masen não perdia o controle. Nunca. E, ainda assim, bastou um reencontro para que algo dentro dele começasse a falhar.
— Você está diferente.— A voz de Rosalie cortou o silêncio atrás dele, firme, observadora, carregada de uma percepção que ela raramente expressava tão diretamente. Edward não se virou imediatamente, apenas levou o copo aos lábios e bebeu um pouco mais do que o necessário antes de responder.
— Estou ocupado.— disse seco sem desviar o olhar.
— Você sempre esteve — rebateu ela, se aproximando devagar — Mas não assim.
— Você quer dizer o quê com isso?—Ele finalmente se virou, apoiando o copo sobre a mesa com um movimento controlado.
— Eu quero dizer que você não está aqui.—Rosalie cruzou os braços, sustentando o olhar dele.
Silêncio.
Pesado.
Incômodo.
E verdadeiro.
Edward não respondeu.
Porque não tinha como negar.
—
Do outro lado da cidade, Isabella Higginbotham não estava perdida em pensamentos. Ela estava construindo algo. Cada movimento calculado, cada decisão tomada com precisão quase fria, como alguém que aprendeu da pior forma possível que emoção sem controle era fraqueza. Sentada à cabeceira da mesa de reunião, com Jasper e Emmett posicionados estrategicamente ao seu lado, ela analisava relatórios, números e projeções com uma atenção que não deixava espaço para distrações.
— Ele já começou a reagir — disse Jasper, colocando um dossiê sobre a mesa.
— Era esperado.—Isabella não demonstrou surpresa.
Emmett se inclinou na cadeira, observando-a com um meio sorriso.
— Você fala isso como se estivesse gostando.
Ela levantou o olhar lentamente.
— Eu estou.
Silêncio.
— Porque isso significa que ele está olhando na direção certa — continuou ela — mas ainda não sabe o que está vendo.
Alice, encostada mais ao fundo da sala, observava tudo em silêncio, reconhecendo cada nuance daquela nova versão de Isabella, uma versão que não pedia permissão, não hesitava e, principalmente, não sentia culpa.
—
Jacob Black não era um homem fácil de intimidar, mas também não era ingênuo o suficiente para ignorar quando a situação ao seu redor deixava de ser comum. O estacionamento estava vazio demais, silencioso demais, e a presença de Emmett e Jasper ali, esperando por ele como se já soubessem exatamente o momento em que ele sairia, deixava claro que aquilo não era coincidência.
— Isso é algum tipo de brincadeira? — perguntou ele, parando a alguns passos de distância.
— Não — respondeu Jasper, com calma — É uma conversa entre amigos...
— Eu não tenho nada pra conversar com vocês.—Jacob soltou uma risada curta, sem humor.
— Tem sim — disse Emmett — Você só ainda não percebeu...
O clima mudou.
O ar ficou mais pesado.
Mais denso.
Mais sério.
— Você confia nele? — perguntou Jasper, direto.
— Eu trabalho pra ele.—Jacob travou o maxilar.
— Isso não responde a pergunta.
Silêncio.
Longo demais.
— Ele nunca te contou tudo — continuou Jasper, com a mesma calma — Nunca te colocou no mesmo nível.
— E nunca vai colocar — completou Emmett.
Jacob desviou o olhar por um segundo e isso foi suficiente.
— Eu não preciso que você traia ele.—A voz de Isabella surgiu atrás deles, firme, controlada, carregada de uma autoridade que não precisava ser anunciada.
Jacob virou-se lentamente e a encarou.
— Eu só preciso que você enxergue — continuou ela, aproximando-se — e quando enxergar… você vai saber exatamente o que fazer.
O silêncio que se seguiu não foi de resistência.
Foi de dúvida.
E dúvida… era o primeiro passo.
—
Rosalie não estava acostumada a dividir espaço.
Muito menos atenção.
Mas havia algo que a incomodava, algo que não conseguia ignorar desde o momento em que Emmett se aproximou dela com aquela confiança irritantemente natural, como se já soubesse exatamente o efeito que causava.
— Um café entre amigos — disse ele, apoiando-se na mesa — só isso.
— E por que eu aceitaria? — rebateu ela, cruzando os braços.
— Porque você quer...Tanto quanto eu—Ele sorriu.
Silêncio e então ela aceitou.
A conversa foi fácil demais.
Natural demais.
Perigosa demais.
E quando o beijo aconteceu, não foi surpresa.
Foi consequência.
—
Mais tarde, no apartamento, Edward percebeu que Rosalie estava com a cabeça longe e muito quieta.
Não nos detalhes, mas na ausência deles.
— O que foi? — perguntou, puxando Rosalie pela cintura a trazendo para perto dele.
Ela hesitou.
E isso foi suficiente.
— Nada.— ela se desvencilhou dos braços dele.
— Não mente pra mim.— ele suspirou
Ela desviou o olhar.
E, naquele momento… ele entendeu.
Edward decidiu que não ficaria ali, ele precisava relaxar e ali com Rosalie só teria novos problemas. Entao pegou as chaves do seu Aston Martin e saiu.
Sem discutir.
Sem insistir.
Porque havia algo maior incomodando ele, algo maior do que as crises existenciais de Rosalie...
—
A boate estava cheia, pulsando com luzes, música e pessoas que pareciam viver sem pensar, sem calcular, sem carregar o peso de decisões que mudam vidas. Edward observava tudo do camarote, o copo de uísque na mão, tentando se desconectar, tentando silenciar aquilo dentro dele… mas não conseguia.
— Eu confio em você…
A voz veio.
Clara.
Como sempre vinha.
Ele fechou os olhos por um segundo.
E quando abriu…
ela estava ali.
Isabella.
Sentada.
Observando.
Esperando.
— Você sempre foi bom em fugir — disse ela, com calma.
Edward soltou um leve riso.
— E você sempre foi boa em voltar.
Ela se levantou.
Aproximando-se.
Devagar.
— Eu não voltei — disse ela, parando diante dele —Eu vim terminar o que você começou.
O ar entre eles mudou.
Ficou mais quente.
Mais pesado.
Mais perigoso...
O beijo não foi suave.
Não foi gentil.
Foi intenso.
Carregado.
E inevitável.
—
Na manhã seguinte, Edward acordou com a sensação de que algo havia mudado de forma irreversível. O quarto era luxuoso, amplo, silencioso… e vazio. Ele passou a mão pelo rosto, sentindo o peso da noite anterior ainda presente no corpo, nas lembranças fragmentadas, na sensação que não desaparecia.
Ele estava sozinho.
Sem roupas.
Na suíte presidencial do Swan Grand.
E ela…não estava mais lá.
Edward encarou o teto por alguns segundos, respirando fundo, tentando organizar os pensamentos, tentando recuperar o controle que sempre teve… mas algo dentro dele já sabia.
Aquilo não era o começo.
Era o início do fim.
Porque, dessa vez…
ele não estava no comando.
E Isabella Higginbotham…nunca mais seria Bella Swan.
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