Same Mistake

18 We Learned How To Begin Again


O tempo não pede licença quando decide passar.

Ele não pergunta se você está pronto. Não espera você se reconstruir. Não diminui o ritmo para que você consiga acompanhar. Ele simplesmente segue… levando consigo o que precisa levar, deixando para trás o que ainda precisa ser entendido. E, em algum ponto desse caminho silencioso, quase imperceptível, as coisas começam a mudar. Não de forma brusca, não de forma óbvia, mas em pequenas rachaduras no que antes parecia definitivo.

Meses haviam se passado desde o dia em que Edward Masen atravessou os portões do presídio pela primeira vez.

E ele já não era o mesmo homem.

A rotina continuava dura, previsível e repetitiva, mas havia algo diferente na forma como ele existia dentro dela. O despertar já não vinha carregado de revolta, mas de aceitação. O café insosso já não era um castigo, apenas parte do dia. O trabalho, antes visto como insignificante, agora ocupava um espaço maior, quase necessário, como se manter as mãos ocupadas fosse uma forma de manter a mente em ordem.

Ele lia, todos os dias.

Livros que jamais teria tocado antes. Histórias sobre perda, redenção, escolhas erradas e segundas chances. E, em muitos momentos, ele não estava apenas lendo… estava se vendo. Em frases que doíam mais do que deveriam, em personagens que cometiam erros irreversíveis, em finais que não ofereciam garantias.

Edward Masen estava aprendendo algo que nunca precisou aprender antes: a viver sem controle.


O dia estava claro quando Isabella entrou no presídio acompanhada de Anthony.

O menino andava ao lado dela com passos rápidos, inquietos, os olhos curiosos percorrendo tudo ao redor, absorvendo cada detalhe como se estivesse montando uma memória que sabia que seria importante. Bella mantinha a postura firme, mas o coração… não acompanhava a mesma estabilidade. Havia algo diferente naquela visita.

Era a primeira vez que Anthony veria o pai ali dentro, de verdade, sem intermediários, sem histórias e sem proteção.

Quando chegaram ao pátio, Edward já estava lá.

Esperando e, por mais que tentasse manter a postura, por mais que tentasse parecer preparado… ele não estava.

Ninguém está.

O olhar dele encontrou o deles e naquele instante… tudo ao redor perdeu importância.

— Pai! — ele gritou correndo em direção ao pai.

Anthony não hesitou.

Não parou.

Não pensou e o impacto foi imediato.

Os braços pequenos envolvendo Edward com força, como se aquele gesto fosse suficiente para recuperar todos os anos perdidos. Edward travou por um segundo, apenas um, antes de corresponder, envolvendo o menino com um cuidado que não vinha de costume… vinha de algo novo.

Algo que ele ainda estava aprendendo a sentir.

— Ei… — murmurou, a voz baixa, falhando levemente — Você tá maior do que da última vez…

— Claro que tô! — respondeu Anthony, rindo — Você ficou muito tempo sem me ver!

Edward soltou um pequeno riso, mas os olhos… estavam marejados.

Isabella observava em silêncio, mas sentindo tudo.

Eles se sentaram juntos, os três, em um banco de concreto que, naquele momento, parecia menos frio do que deveria. Anthony falava sem parar, como se estivesse tentando recuperar em minutos tudo aquilo que nunca teve tempo de compartilhar.

— Eu tirei nota máxima em matemática! — disse ele animado — e a professora disse que eu sou muito inteligente!

Edward olhou para Bella.

— Você puxou a sua mãe — disse ele, com um leve sorriso.

— Eu puxei dos dois — corrigiu Anthony imediatamente, cruzando os braços.

Os dois riram e pela primeira vez…soou natural.

— Você gosta daqui? — perguntou Anthony, de repente, olhando ao redor.

O silêncio veio rápido.

Pesado.

Edward pensou antes de responder.

— Eu aprendi a aceitar — disse ele — Não é um lugar bom… mas é onde eu preciso estar agora.

Anthony inclinou levemente a cabeça.

— Porque você errou?

— Porque eu errei... eu fui muito ganancioso e quis o poder mais do que qualquer coisa.— disse Edward.

— Mas você não vai errar de novo, né? —A pergunta foi simples, mas devastadora.

Edward sustentou o olhar do filho.

— Não — respondeu ele, firme — não vou.

E aquilo não era apenas uma promessa...


Meses depois, Jasper apareceu.

A presença dele carregava um tipo de silêncio diferente, um silêncio que não vinha de desconforto, mas de história. Os dois se encararam por alguns segundos, sem saber exatamente por onde começar.

— Você parece… em paz — disse Jasper, por fim.

— Eu tô tentando.— Edward soltou um leve suspiro.

Pausa.

— Eu devia ter te impedido — continuou Jasper — Antes de tudo.

Edward negou com a cabeça.

— Você tentou várias vezes — disse ele — Eu que não quis ouvir.

O silêncio que se seguiu não era pesado, era necessário.

— Eu tenho uma filha— disse Jasper, mudando o tom.

Edward ergueu o olhar.

— Uma filha?

— É — respondeu Jasper, um leve sorriso surgindo — A Mia mudou tudo.

— Eu entendo.— Edward assentiu devagar.

E ele entendia mesmo.

O abraço veio sem aviso, sem palavras.

E, naquele gesto, tudo o que ficou mal resolvido… finalmente encontrou um lugar.


As visitas se tornaram mais frequentes.

Mais leves.

Mais reais.

Bella já não chegava tão tensa.

Edward já não se sentia tão distante.

Anthony já não parecia estar preenchendo um vazio… ele estava construindo algo.

— Você ainda é péssimo contando piada — disse Bella, rindo.

— Eu tô melhorando — respondeu Edward, arqueando uma sobrancelha.

— Tá não — rebateu ela.

E então… riram de verdade.

Quando Edward percebeu ele já estava próximo de mais de Bella e o beijo aconteceu como algo inevitável.

Sem planejamento.

Sem aviso.

Eles estavam próximos.

Rindo.

E, de repente…não estavam mais.

Edward levou a mão até o rosto dela com cuidado, os dedos tocando a pele como se ainda pedisse permissão. Bella não recuou. Não desviou. Apenas respirou fundo.

E então…cedeu.

O beijo foi calmo.

Lento.

Cheio de tudo que ainda existia, mas sem desespero.

Sem dor.

Sem pressa.

Apenas…verdade.


Emmett e Rosalie apareceram algumas semanas depois.E, pela primeira vez…não havia tensão.

— Eu devia te odiar — disse Emmett.

— Eu sei.—Edward assentiu.

— Mas não odeio, bandidão— disse Emmett rindo e batendo no ombro de Edward.

Silêncio.

— Eu também não — disse Rosalie sorrindo.

— Obrigado.—Edward respirou fundo.

— Eu tô grávida — anunciou Rosalie.


Edward piscou e então… sorriu.


Um sorriso leve.

Real.


— Eu fico feliz por vocês.


E aquilo… não era educação.

Era sinceridade.


Quatro anos se passaram e o mundo continuou girando.

Isabella se tornou referência e muito respeitada.

Uma empresaria destaque e muito Premiada.

Mas, em casa… ainda era mãe.


O Natal foi cheio, risos, crianças gritando e correndo, uma família unida e quase completa.

Anthony mais velho, mais consciente e mais forte.


Edward assistia tudo através de páginas de revista. O rosto dela estampado, os olhos brilhando.

A mesma mulher e ainda assim… outra.


No presídio, o Natal era diferente, mas não vazio.

Edward já não estava sozinho.

Ele conversava.

Ajudava, ouvia e pela primeira vez…pertencia.


Ano novo.

Fogos no céu de Forks.

Luzes.

Promessas.

No presídio…ecos distantes, mas um coração diferente.


Na semana seguinte…J. JENKS o advogado que Bella havia contrato para o defender, apareceu.

— Edward ?— disse o advogado.

Edward que estava lendo um livro, desviou o olhar se deparando com o senhor moreno e baixinho em frente a grade. Ele levantou da cama e caminhou até a grade.

— Oi Jenks— disse Edward sorrindonpara ele.

O envelope foi entregue através da grade.

— Liberdade provisória, finalmente! — disse Jenks.— Você sai amanhã.

O mundo parou, mas não como antes.

Dessa vez…como um recomeço.

Edward segurou o papel respirou fundo e pela primeira vez em anos…sorriu.

Porque agora…ele não tinha mais nada a perder.

E, justamente por isso…tinha tudo para reconstruir.