Same Mistake

19 We Were Always Meant To Find Our Way Back


Notas iniciais
Essa história começou com dor. Com erros. Com escolhas erradas. Com amor no momento errado. Quando eu escrevi os primeiros capítulos, eu não imaginava até onde isso iria chegar. Não imaginava que ia doer tanto escrever algumas cenas, nem que eu ia me apegar tanto a personagens que começaram tão quebrados. Essa não é uma história sobre um amor perfeito. É sobre um amor que sobreviveu ao pior. Sobre duas pessoas que se destruíram…mas que, mesmo assim, nunca deixaram de se amar. Se você chegou até aqui comigo, obrigada. Porque esse capítulo não é só um final, é um recomeço e talvez… o mais importante de todos. 🤍

O som do portão se abrindo não foi alto.

Não houve impacto cinematográfico, nem trilha dramática, nem qualquer tipo de grandiosidade que marcasse aquele momento como algo extraordinário para o mundo. Para quem olhasse de fora, era apenas mais um homem deixando o presídio com uma sacola simples nas mãos e um olhar silencioso. Mas, para Edward Masen, aquele instante carregava o peso de anos inteiros condensados em um único passo. Porque não era apenas a liberdade física que estava diante dele… era a oportunidade de existir novamente sem as mentiras, sem o poder artificial, sem a máscara que ele sustentou por tanto tempo.


Ele demorou alguns segundos antes de atravessar completamente.

Não por medo, mas por consciência.


O ar do lado de fora tocou seu rosto de forma diferente. Não mais leve, não mais puro… apenas verdadeiro. Ele respirou fundo, sentindo o peito expandir lentamente, como se até aquele gesto simples tivesse sido reaprendido durante os anos em que tudo o que ele tinha eram pensamentos, memórias e arrependimentos que nunca o deixavam em paz. Seu corpo estava diferente. Mais magro. Mais rígido. Os traços do rosto mais marcados, o maxilar mais definido, o olhar mais profundo. Havia menos arrogância e muito mais presença.


E então… ele os viu.

Anthony estava ali.


Mas não era mais o menino que corria pelos corredores, nem o garoto que o abraçava com urgência nas visitas mensais. Era um adolescente. Alto, quase da mesma altura de Edward, os ombros mais largos, o cabelo levemente bagunçado caindo sobre a testa, os olhos atentos… os mesmos olhos. Os mesmos olhos verdes que Edward conhecia melhor do que qualquer coisa no mundo. Só que agora carregados de consciência, de entendimento, de maturidade construída cedo demais.


Anthony não correu.


Ele caminhou.


E isso disse tudo.


— Pai… — disse ele, com a voz firme, mais grave, mas carregando uma emoção que ele não tentou esconder.


Edward ficou parado por um segundo.


Observando.


Absorvendo.


Como se estivesse confirmando que aquele crescimento, que ele acompanhou mês após mês através de visitas, agora finalmente existia ali… sem barreiras, sem tempo contado, sem despedidas no final.

Ele deu um passo.

Depois outro.


E quando estavam próximos o suficiente, o abraço veio forte, mas não desesperado.

Era um abraço de reconhecimento, presença e escolha.


— Você cresceu… — disse Edward, a voz baixa, rouca, segurando os ombros do filho para observá-lo melhor, os olhos percorrendo cada detalhe como se estivesse memorizando.


— Eu tive tempo… — respondeu Anthony, com um leve sorriso — Você viu quase tudo.


E ele viu.


Cada fase.

Cada mudança.

Cada conquista.

Não do jeito que queria, mas suficiente para amar.


Foi então que Edward a viu e, naquele instante, todo o resto perdeu importância.


Isabella Swan.

Não Higginbotham.

Não a mulher construída pela dor e pela vingança, mas Isabella Swan.


E a primeira coisa que o atingiu não foi o olhar dela, nem a postura firme ou a distância calculada entre eles.


Foram os cabelos.

Castanhos , naturais e suaves.

Caindo sobre os ombros em ondas leves, exatamente como ele lembrava nos dias mais silenciosos da prisão, quando fechava os olhos e tentava reconstruir memórias que ainda eram suas. Aquilo não era apenas uma mudança estética. Era um retorno. Um reencontro com quem ela sempre foi… antes de tudo quebrar.


Edward parou.


O ar ficou mais pesado ou talvez fosse apenas o coração dele desacelerando para conseguir suportar.

Ela estava linda, mas não de uma forma superficial.


Era uma beleza construída pela força, pela dor superada, pela maturidade. Os traços mais definidos, o olhar mais seguro, a postura de quem já não precisava provar nada para ninguém. Ainda assim… ainda era ela.


Sempre foi.


— Você voltou… — disse ele, a voz baixa, carregada de algo que ele não tentou esconder.


Isabella sustentou o olhar dele.

Sem fugir ou endurecer.


— Eu nunca deixei de ser… — respondeu ela.


O silêncio que se seguiu não era vazio.

Era preenchido por tudo.

Memórias, erros, amor, perda e , acima de tudo…tempo.


O caminho até o carro foi tranquilo, mas carregado de pequenas percepções silenciosas. Anthony falava sobre coisas simples,escola, amigos, planos, mas, entre uma frase e outra, observava os dois pelo reflexo do vidro, atento, como se estivesse assistindo algo que sempre soube que aconteceria.


Edward ouvia.


De verdade.

Sem distrações.

Sem dividir atenção.


Cada palavra do filho parecia ter peso, importância, significado e Isabella dirigia, mas o olhar escapava e sempre encontrava ele.

Presente, diferente e humano.


A casa surgiu diante deles com a mesma aparência de sempre, mas, para Edward, ela parecia maior. Não em tamanho, mas em significado. Era ali que a vida aconteceu sem ele. Era ali que Isabella se reergueu. Era ali que Anthony cresceu. E agora… ele estava voltando.


Mas não como dono, como alguém que precisava merecer.

Ele parou na porta por alguns segundos, observando o ambiente, respirando fundo, até que a voz dela veio, suave, mas firme.


— Você pode entrar… — disse Isabella, encostada no corredor — você nunca deixou de ter esse direito.


Ele olhou para ela e , pela primeira vez acreditou.



Anthony subiu depois de alguns minutos, deixando os dois sozinhos na sala.


O silêncio voltou, mas não era desconfortável.

Era… íntimo.


Edward caminhou lentamente pelo ambiente, observando fotos, objetos, detalhes que contavam uma história que ele conhecia apenas em partes. Cada canto carregava um pedaço do que ele perdeu… e do que ainda podia reconstruir.


— Eu vi você crescer… — disse ele, parando diante de uma foto de Anthony — Não do jeito que eu queria… mas eu vi.


Isabella se aproximou lentamente.


— Você nunca esteve ausente… — respondeu ela — Você só não estava aqui.


Ele assentiu, porque havia diferença e ele finalmente entendia.

Ele se virou para ela, se aproximou, devagar e sem invadir.


— Eu pensei em você todos os dias… — disse ele — Não no que a gente perdeu… mas no que ainda podia existir.


Ela sustentou o olhar, com os olhos levemente marejados, mas firmes.


— Eu também… — respondeu ela.


Silêncio.


— Eu não quero voltar pro passado… — continuou Edward — eu quero fazer certo.


Ela deu um passo à frente.


— Então faz… — disse ela — mas faz comigo.


A frase caiu entre eles como uma decisão.

Não um pedido, não uma dúvida, uma escolha.

Edward levou a mão ao rosto dela, com cuidado.

Como se ainda tivesse medo de perder aquele direito.


Os dedos tocaram a pele quente, suave, e ele fechou os olhos por um segundo, absorvendo aquilo como algo que não queria esquecer nunca mais.


— Eu nunca parei de amar você… — disse ele, baixo.


Isabella respirou fundo.


— Eu sei… — respondeu — porque eu também nunca parei.

E então…o beijo aconteceu.

Lento e profundo.

Sem urgência, sem dor, sem necessidade de provar nada, apenas verdade.

Os lábios se encontraram como se já soubessem o caminho, como se nunca tivessem esquecido, como se o tempo tivesse apenas pausado… e agora retomado exatamente de onde pararam. As mãos dele seguraram o rosto dela com firmeza, mas sem força, enquanto ela se aproximava mais, envolvendo-o de uma forma que não existia mais medo ali.

Quando se afastaram, as respirações estavam descompassadas, mas os olho tranquilos.


— Isso não apaga o passado… — disse ela, ainda próxima.


— Eu não quero apagar… — respondeu ele — eu quero aprender com ele.


Ela assentiu e aquilo foi suficiente.

Mais tarde, os três estavam juntos na sala.

Anthony jogado no sofá, falando animado sobre qualquer coisa, Isabella encostada na cozinha observando aquela cena com um leve sorriso, e Edward sentado ali, apenas olhando.

Absorvendo, vivendo.


— Você vai ficar, né? — perguntou Anthony de repente, olhando direto para ele.


Edward olhou para Isabella, depois para o filho e respondeu:


— Dessa vez… eu não vou a lugar nenhum.


Anthony sorriu e Isabella… também.

Algumas histórias não terminam quando tudo dá errado.Elas terminam quando, mesmo depois de tudo, as pessoas escolhem recomeçar.

Não porque é fácil. Mas porque é verdadeiro e , pela primeira vez, eles não estavam tentando vencer.

Eles estavam tentando viver e isso…era tudo.

Notas finais
Eu não queria que essa história terminasse, mas eu sabia que ela precisava terminar assim. Não com vingança. Não com dor. Não com perda... Mas com escolha. Escolher ficar. Escolher perdoar. Escolher recomeçar. Edward não saiu da prisão como o mesmo homem e a Bella também não é mais a mesma garota. E é exatamente por isso que agora… pode dar certo, porque eles não voltaram para o que eram. Eles construíram algo novo, mais forte, mais consciente e verdadeiro. E o Anthony…ele sempre foi o elo entre os dois. A prova de que, mesmo quando tudo parecia perdido, ainda existia amor. Obrigada por viver essa história comigo. E se tem uma coisa que essa fanfic ensinou, é que alguns amores não acabam. Eles só esperam o momento certo de voltar.🤍