Same Mistake
14 This Was Always Mine
Notas iniciais
Algumas quedas acontecem em silêncio.
Outras…
acontecem diante de todos.
Edward Masen nunca havia sido um homem acostumado a perder. Durante anos, ele construiu sua vida sobre controle absoluto, decisões frias e movimentos calculados que sempre o colocavam um passo à frente de qualquer adversário. Ele não reagia, ele antecipava. Não improvisava, ele dominava. E, por muito tempo, aquilo foi suficiente.
Até deixar de ser.
Naquela manhã, ainda dentro do apartamento que parecia grande demais para o silêncio que o preenchia, Edward percebeu que algo havia mudado de forma irreversível. Não era apenas a ausência de controle. Era a sensação incômoda de que, pela primeira vez, ele não sabia o que estava por vir.
E isso…era perigoso.
— Precisamos conversar.—A voz de Rosalie veio firme, direta, sem espaço para desvio. Edward ergueu o olhar, encontrando-a parada no meio da sala, completamente diferente da mulher que ele estava acostumado a ver. Não havia suavidade. Não havia jogo. Apenas decisão.
— Sobre o quê? — perguntou ele, mantendo o tom neutro.
Ela deu um passo à frente.
— Sobre tudo.
Silêncio.
Pesado.
Definitivo.
— Eu sei — continuou ela — eu sei de tudo.
Edward não respondeu de imediato. Apenas a observou, tentando medir o alcance daquela frase, tentando entender até onde aquela informação ia.
— Isso não é o que você está pensando...
— Não — interrompeu ela, firme — É exatamente o que eu estou pensando. — Os olhos dela não vacilaram e ela continou firme.— Você mentiu pra mim desde o começo.
Silêncio.
— E pior… — ela respirou fundo — você mentiu pra todo mundo.
— Isso não muda nada.—Edward apertou levemente o maxilar.
— Muda tudo.—Rosalie soltou uma risada curta, sem humor.
Ela se aproximou mais um passo.— Eu não sou mais sua vitrine, Edward.
A frase caiu como um golpe direto.
— Acabou.
Simples.
Limpo.
Irreversível.
E, pela primeira vez…ele não tentou impedir.
Porque alguma coisa dentro dele já sabia…que aquilo era só o começo.
—
A sala de reuniões do Swan Grand estava diferente naquele dia.
Mais silenciosa.
Mais tensa.
Mais… carregada.
Os principais acionistas estavam presentes, os olhares trocando informações sem palavras, enquanto a expectativa crescia de forma quase palpável no ar.
Edward estava sentado à cabeceira da mesa, a postura impecável como sempre, mas havia algo em seu olhar que não passava despercebido para quem soubesse observar.
Desconfiança, inquietação e pela primeira vez…insegurança.
As portas se abriram e Aro Volturi entrou primeiro.
Elegante, imponente e com a autoridade de quem não precisava levantar a voz para ser ouvido.
Logo atrás…Isabella Higginbotham.
O silêncio foi imediato.
Ela caminhou com calma, cada passo firme, cada movimento calculado, até ocupar seu lugar à mesa, sem sequer olhar diretamente para Edward.
Mas ele sentiu.
Sentiu como se todo o ambiente tivesse mudado de eixo no instante em que ela entrou.
— Vamos começar — disse Aro, com naturalidade.
E o mundo…mudou.
— Após uma análise cuidadosa… — começou ele, apoiando as mãos sobre a mesa — Tomei uma decisão estratégica.
Os olhares se voltaram para ele.
— Estou transferindo todas as minhas ações da Swan Grand…
Pausa.
Olhar direto.
— para Isabella Higginbotham.
O impacto foi imediato, silêncio absoluto e Edward congelou.
— Isso é uma piada… — murmurou ele, quase sem voz.
— Não — respondeu Aro — É um movimento necessário.
Mas não era só isso.
Nunca era só isso.
— A família Platt também decidiu seguir o mesmo caminho.—A voz veio de Rosalie, firme, segura e irreversível.
Edward virou-se lentamente para ela.
E, naquele momento…entendeu.
Os números foram apresentados.
As porcentagens, as transferências e não havia dúvida.
Isabella agora era a maior acionista da empresa.
— Isso é um golpe! — Edward se levantou abruptamente, a voz finalmente escapando do controle.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Mas não assustado, porque todos ali…já sabiam.
Aro se levantou com calma.
— Não, Edward — disse ele, com uma serenidade quase cruel — isso é justiça.
A palavra ecoou e ficou, ate que Jacob entrou na sala sem pressa e sem hesitação. Colocando os documentos sobre a mesa diante de Edward.
— Assina.— disse ele firme.
Simples.
Direto.
Final.
Edward olhou para ele com ódio.
Traição.
Clara.
Inegável.
— Você também? — perguntou ele, baixo.
Jacob sustentou o olhar.
— Eu só escolhi o lado certo.
O silêncio se prolongou.
Pesado.
Insuportável.
Mas inevitável.
Edward pegou a caneta e suas mãos não tremiam.
Mas, por dentro…tudo desmoronava.
Ele assinou e naquele momento…perdeu tudo.
Isabella pegou os documentos com calma.
Leu, conferiu e então…assinou.
Sem pressa.
Sem hesitação.
Ela levantou o olhar direto para ele com um sorriso enorme em seu rosto.
— Levanta.— A voz saiu baixa.
Mas firme.
Edward não reagiu.
— Levanta — repetiu ela.— Essa cadeira nunca foi sua.
E então…ele se levantou.
Devagar.
Como alguém que já sabia que não havia mais nada a fazer.
Isabella se sentou na cadeira principal.
No lugar que sempre foi dela.
Aro observou a cena e pela primeira vez…sorriu de verdade.
— Finalmente… no lugar que sempre foi seu...Isabella Swan.— disse ele vitorioso enquanto todos, menos Edward, sorriam na sala.
—
Naquela noite, Edward não sabia para onde ir.
E foi por isso que acabou indo até ela.
A porta se abriu e não foi Isabella quem apareceu.
Foi Anthony.
O menino o encarou com curiosidade tranquila, os olhos atentos, inteligentes demais para a idade.
— Eu sei quem você é — disse ele.
Silêncio.
Edward não respondeu, não conseguiu.
— Você é meu pai.
A frase não foi um choque, foi uma confirmação.
Isabella apareceu atrás dele.
Imóvel.
Tensa.
— Anthony, vai para o seu quarto.— disse ela firme
— Eu já sei de tudo — respondeu ele, calmo — Eu pesquisei.
O silêncio que se seguiu foi diferente de todos os outros.
Mais íntimo.
Mais perigoso.
Anthony deu um passo à frente.
Parou diante de Edward.
— Você errou — disse ele — Muito.
Pausa.
— Mas eu te perdoo.
E então…o abraçou.
Edward não reagiu de imediato, mas quando reagiu…
já era tarde demais para segurar.
Anthony se afastou.
— Boa noite — disse ele, simplesmente.
E foi embora.
O silêncio que ficou…era outro.
— Você não devia ter vindo — disse Isabella.
Edward a encarou.
— Eu não tinha mais pra onde ir.
— Agora você sabe como é.— A resposta foi seca, precisa e cruel.
— Bella…
— Não me chama assim.— disse ela friamente.
Silêncio.
— Eu perdi tudo.— disse ele com os olhos marejados.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— Não...—Os olhos dela encontraram os dele.— Você está começando a pagar.
Ela se aproximou.
Devagar.
Controlada.
— E ainda não acabou.— A frase foi baixa, mas carregada.— Você ainda vai pagar por tudo o que fez comigo.
O ar entre eles mudou.
— Eu sei — disse ele —E eu aceito.
Ela riu.
Fraco.
Sem humor.
— Não… você não faz ideia do que isso significa.— disse ela cruelmente— Eu vou esmagar você...
O silêncio voltou.
Mas agora…carregado de algo diferente.
Algo antigo.
Algo perigoso.
Eles estavam próximos de mais um do outro, conseguiam sentir o calor das respirações. O movimento de edward a puxando pela cintura foi involuntário, como se fossem imãs e beijo aconteceu sem aviso, sem permissão e totalmente sem controle.
Foi intenso.
Desesperado.
Cheio de tudo que ainda existia e de tudo que já havia sido destruído.
Quando ela se afastou…a respiração dos dois estava descompassada.
— Isso não muda nada — disse ela.
Mas a forma como ela disse…não era totalmente verdade.
Edward a encarou.
E, pela primeira vez…não tentou negar.
Porque ele já tinha perdido tudo.
Menos ela.
E isso…ainda podia destruir os dois.
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