Same Mistake
15 We Were Never Over
O silêncio daquela noite não era confortável. Ele não trazia paz, não trazia descanso, não trazia alívio. Era um silêncio pesado, sufocante, daqueles que parecem pressionar o peito por dentro, como se cada pensamento tivesse peso próprio e insistisse em não ir embora. Isabella estava sentada na beira da cama, o corpo levemente inclinado para frente, os cotovelos apoiados nas coxas, enquanto os dedos se entrelaçavam com força suficiente para embranquecer a pele. O quarto estava escuro, iluminado apenas pela luz suave que entrava pela janela, mas ainda assim, era como se tudo estivesse claro demais… claro demais para esconder o que ela estava sentindo. Porque, por mais que tivesse vencido, por mais que tivesse recuperado tudo o que era seu, por mais que tivesse colocado Edward de joelhos diante dela… aquilo não tinha sido suficiente. E o pior não era isso. O pior era saber que uma parte dela ainda reagia a ele. Ainda sentia. Ainda lembrava. Ainda… queria.
— Isso não muda nada… — murmurou ela para si mesma, a voz baixa, quase inaudível, enquanto fechava os olhos por um segundo, como se aquilo fosse suficiente para apagar o que estava acontecendo dentro dela.
Mas não era.
A imagem dele voltava.
O toque.
O beijo.
A forma como ele a olhou.
E aquilo… a irritava.
A irritava porque a fazia sentir fraca.
A irritava porque a fazia lembrar de quem ela foi.
A irritava porque ainda existia.
— Você não vai voltar atrás… vai? — a voz de Alice surgiu na porta, suave, mas carregada de algo mais profundo, algo que misturava preocupação e medo.
Isabella não se virou imediatamente. Respirou fundo primeiro. Demorou alguns segundos. E quando finalmente virou o rosto, seus olhos já estavam diferentes. Mais frios. Mais controlados. Mais… distantes.
— Não.
Alice entrou devagar no quarto, seguida por Jasper, que mantinha a postura mais contida, mas não menos atento. Ele observava Isabella com cuidado, como se estivesse analisando cada microexpressão, cada respiração, cada pausa.
— Isso já foi longe demais, Bella… — disse Jasper, a voz firme, mas sem agressividade — você já ganhou.
Isabella soltou uma pequena risada sem humor, desviando o olhar por um instante.
— Ganhei? — repetiu ela, como se estivesse experimentando a palavra — não… eu recuperei o que era meu.
Silêncio.
Pesado.
— E ainda não acabou...
Ela se levantou lentamente, os movimentos controlados, calculados, como tudo que vinha fazendo nos últimos anos. Caminhou até a janela e cruzou os braços, olhando para fora, para a cidade que nunca parava… assim como ela.
— Continua o plano, Jasper.
A frase caiu no ar como uma ordem.
Sem espaço para discussão.
E ele entendeu.
Porque, naquele momento… ela já não estava mais reagindo.
Ela estava conduzindo.
—
Rosalie nunca foi uma mulher que aceitava pouco.
E talvez fosse exatamente por isso que, pela primeira vez em muito tempo, ela estava com medo.
Mas não um medo comum.
Era um medo de sentir.
De se permitir.
De perder o controle.
Ela estava parada no meio da sala quando Emmett entrou, os passos pesados contrastando com o silêncio do ambiente. Ele não disse nada de imediato, apenas a observou, como se estivesse tentando entender até onde podia ir, até onde ela permitiria.
— A gente precisa parar de fingir — disse ele, por fim, a voz mais baixa do que o habitual.
Rosalie ergueu o olhar lentamente, encontrando o dele com intensidade.
— Eu não estou fingindo.
— Está sim — ele rebateu, se aproximando — você está fingindo que isso não está acontecendo.
Ela não recuou.
Não desviou.
Não negou.
Porque não dava mais.
— E se estiver? — ela perguntou, desafiadora.
Emmett parou a poucos centímetros dela, perto demais, perto o suficiente para que o ar entre eles se tornasse quente, denso, carregado.
— Então para.
Silêncio.
Um segundo.
Dois.
Três.
E então… ela não parou.
O beijo aconteceu como uma ruptura. Como algo que estava prestes a acontecer há muito tempo e finalmente encontrou espaço. Não foi suave. Não foi lento. Foi intenso, urgente, carregado de tudo que estava sendo contido há tempo demais. As mãos dela se agarraram na camisa dele, puxando-o para mais perto, enquanto Emmett aprofundava o beijo sem hesitar, como se já não houvesse mais limites a serem respeitados.
Quando se afastaram, a respiração dos dois estava descompassada, os olhos ainda presos um no outro.
— Eu quero você — disse ele, a voz rouca.
Ela não respondeu.
Mas não precisou.
Porque estava ali.
Nos olhos.
Na respiração.
Na forma como ela não se afastava.
— Eu quero casar com você — ele continuou, sem quebrar o contato — e te fazer feliz… do jeito que você merece.
E, pela primeira vez…
Rosalie não teve uma resposta pronta.
—
Edward não dormia.
Não de verdade.
O corpo até descansava, às vezes, mas a mente… nunca parava. Era como se tudo estivesse acontecendo ao mesmo tempo dentro dele, como se cada erro, cada decisão, cada escolha voltasse para cobrar alguma coisa. E agora, mais do que nunca, havia algo que ele não conseguia ignorar.
Anthony.
O nome ecoava.
A imagem também.
E foi por isso que, quando viu o menino sendo barrado na entrada da empresa, algo dentro dele simplesmente… reagiu.
— Deixa ele entrar — disse, antes mesmo de pensar.
O segurança hesitou por um segundo.
Mas obedeceu.
Anthony entrou com passos firmes, o olhar curioso percorrendo o ambiente como se estivesse absorvendo cada detalhe, cada canto, cada coisa que fazia parte do mundo do homem que ele nunca teve.
— Eu queria te ver — disse ele, direto.
Edward ficou em silêncio por um momento.
Observando.
Tentando entender.
Sentindo.
— Eu também… — respondeu, baixo.
E aquilo já era mais do que ele imaginava que seria capaz de dizer.
Anthony se aproximou mais, tirando o celular do bolso.
— Eu trouxe umas coisas.
Ele abriu a galeria.
Fotos.
Vídeos.
Momentos.
Uma infância inteira.
— Esse foi meu primeiro dia de aula… — disse ele, mostrando a tela — Aqui foi quando eu ganhei um campeonato… esse foi meu aniversário…
Edward assistia.
Sem interromper.
Sem respirar direito.
— Eu perdi tudo isso… — murmurou, mais para si mesmo do que para o menino.
Anthony levantou o olhar e disse, simples:
— Ainda dá tempo.
E, naquele momento…pela primeira vez em muito tempo…
Edward acreditou.
—
O telefone tocou e o mundo de Isabella desmoronou.
— Senhora Higginbotham, o Anthony não está na escola.
O sangue gelou.
O corpo travou.
O ar faltou.
— O quê? — a voz dela saiu mais alta, mais rápida, mais desesperada do que ela gostaria de admitir.
E naquele instante… nada mais importava.
Nem vingança.
Nem plano.
Nem poder.
Só ele.
—
Bella andava de um lado para o outro com o celular na mão agurdando alguma notícia. Jasper, emmett e Jacob estavam a procura do nenino. Mas o coração da mãe estava inquieto quando a porta se abriu no fim da tarde, e ela encarou anthony e segurando a mão do menino: Edward.
Isabella não pensou, ela reagiu e foi rápido, violento e completamente descontrolado.
— VOCÊ FICOU MALUCO?! — gritou, avançando em Edward sem hesitar, as mãos empurrando, batendo, descarregando tudo que estava acumulado — VOCÊ SEQUESTROU MEU FILHO?!
— Mãe, para! — a voz de Anthony cortou o momento puxandonela de cima do pai.
Ela travou.
— Eu fui atrás dele, mãe...— disse o menino, firme.
Silêncio.
Pesado.
— Você… o quê?
— Eu quis ir.
A respiração dela falhou.
O corpo cedeu levemente.
Mas o controle… não voltou.
— Você está de castigo — disse ela, ainda alterada — Pro resto da vida!
Anthony revirou os olhos de leve.
Mas antes de subir…ele se virou e abraçou Edward com força.
De verdade.
— Obrigado pelo melhor dia da minha vida.—disse o menino sorrindo.
E aquilo…
quebrou tudo.
O silêncio que ficou depois que ele subiu era diferente.
Mais íntimo.
Mais perigoso.
— Ele é meu filho, Bella — disse Edward, firme.— Eu nunca iria machucá-lo...
Isabella virou devagar.
Os olhos carregados.
— Você não é pai dele.— Ela disse com raiva— Ele é só meu!
— Eu nunca tive a chance!— Edward explodiu.
— Teve sim!— ela rebateu — e jogou fora!
As palavras foram duras, mas verdadeiras.
E por isso… doeram mais.
Eles estavam perto.
De novo.
Sempre.
— Eu perdi vocês dois… — disse ele, mais baixo.
— Você escolheu isso.—Ela respirou fundo.
E então…o silêncio se quebrou.
De outra forma.
O movimento dele puxando-a pela cintura foi rápido, quase instintivo. O corpo dela não recuou. Não reagiu. Não impediu. E quando o beijo aconteceu… foi como se tudo que eles estavam tentando negar explodisse de uma vez só.
Intenso.
Desesperado.
Confuso.
Cheio de amor.
Cheio de ódio.
Cheio de passado.
E impossível de evitar.
No alto da escada…Anthony observava.
Em silêncio.
Com um pequeno sorriso no rosto, porque, mesmo sem entender tudo…ele sabia.
Eles nunca tinham acabado.
E talvez…nunca acabassem.
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