Same Mistake

10 Now I See Everything


Abril de 2025

Edward Masen construiu um império em cima de silêncio.

Não o silêncio confortável das noites tranquilas ou das pausas entre conversas, mas aquele silêncio pesado, carregado de coisas não ditas, de decisões que não podiam ser desfeitas e de lembranças que, por mais que ele tentasse enterrar, insistiam em voltar nos momentos mais inconvenientes. Durante anos, ele alimentou esse silêncio com trabalho, números, contratos, aquisições e vitórias públicas que o colocaram no topo de um mundo que ele aprendeu a dominar com precisão quase cirúrgica.

E, ainda assim… nunca foi suficiente.

A cidade de Nova York se estendia diante dele naquela noite, iluminada, pulsante, viva, um contraste quase irônico com a quietude do apartamento luxuoso onde ele estava. O copo de uísque repousava em sua mão, o líquido âmbar refletindo as luzes distantes enquanto ele observava tudo de cima, como alguém que havia conquistado exatamente aquilo que queria.

Ou pelo menos… o que achava que queria.

— Senhor Masen, a reunião com o conselho foi confirmada para amanhã às nove — disse a voz de sua assistente através do telefone.

— Reagenda para as oito — respondeu ele, sem desviar o olhar da janela.

— Já está lotado.- disse ela assustada

— Então desocupa.- disse ríspido.

Silêncio do outro lado.

— Sim, senhor.

Edward desligou.

Simples.

Rápido.

Controlado.

Era assim que tudo funcionava agora.

Sempre.

Dez anos.

O tempo havia passado rápido demais para ser ignorado… e lento demais para ser esquecido.

Ele lembrava de detalhes que não deveria lembrar.

Pequenos fragmentos que surgiam sem aviso.

Um olhar.

Um toque.

Uma voz.

"Eu confio em você…"

Edward apertou o maxilar, levando o copo à boca, bebendo mais do que o necessário, como se pudesse afogar aquilo antes que tomasse forma.

Não funcionava.

Nunca funcionava.


— Você precisa dormir.— A voz feminina veio atrás dele, suave, mas carregada de uma confiança que não pedia permissão.

Edward não se virou de imediato.

— Eu durmo.- respondeu ríspido.

— Não sem ajuda.

Ele soltou um leve suspiro antes de finalmente olhar por cima do ombro.

Rosalie Hale estava encostada na parede, impecável como sempre, o vestido perfeitamente ajustado ao corpo, os cabelos loiros caindo em ondas calculadas, cada detalhe pensado para transmitir exatamente o que ela era: poder, status e controle.

Filha de um senador influente de Nova York.

Uma mulher que estava acostumada a conseguir o que queria.

E, ainda assim…não tinha tudo dele.

— Você está aqui há quanto tempo? — perguntou Edward.

— Tempo suficiente — respondeu ela, aproximando-se devagar — Você não dorme sem esses remédios.

Ele não negou.

Não havia motivo.

— Funciona.

Rosalie parou diante dele, cruzando os braços.

— Funciona… ou evita?

Edward sustentou o olhar dela.

— Dá no mesmo.

Ela inclinou levemente a cabeça, estudando-o.

— Não — disse, com calma — não dá.

Silêncio.

— Você ainda pensa nela...

A frase caiu direta.

Sem rodeios.

Sem suavidade.

Edward não respondeu.

Mas também não negou.

E aquilo…

já era resposta suficiente.


As noites eram sempre iguais.

O silêncio, a tentativa de ignorar, o fracasso e, por fim…os comprimidos.

Pequenos.

Brancos.

Precisos.

Sem eles, o sono não vinha e quando vinha…ela vinha junto.

Sempre.

Na manhã seguinte, no prédio luxuoso e imponente na Times Square:

— Você conseguiu alguma coisa?

Edward não levantou o olhar quando Jacob Black entrou no escritório, jogando uma pasta sobre a mesa com um certo descuido.

— Depende do que você considera “alguma coisa”. —Jacob se sentou sem convite.— Nada.

Edward fechou o arquivo que estava lendo, apoiando as mãos sobre a mesa.

— Nada?- Questinou.

— Nada — repetiu Jacob — É como se ela nunca tivesse existido.

O silêncio que se seguiu foi curto.

Mas pesado.

— Isso não faz sentido.- disse passando a mão nervoso pelos cabelos.

— Eu sei.

— Você procurou direito?- perguntou sério.

Jacob soltou uma leve risada.

— Eu procurei em tudo que é lugar. Registros, contas, histórico… não tem nada.- disse ele ainda rindo.

Edward desviou o olhar por um segundo.

— Continua.- ordenou

— Por quê? — perguntou Jacob, inclinando-se para frente — Você já ganhou.

Edward voltou a encará-lo.

— Eu não gosto de coisas mal resolvidas.

Jacob o observou por um segundo a mais.

— Isso não é sobre negócios...Mas essa mulher não quer ser encontrada...

Edward não respondeu.


Do outro lado do país, algo crescia.

Silenciosamente.

Estrategicamente.

Perigosamente.

— Ele é igual ao pai.— A frase veio com uma leve provocação na voz de Emmett, que observava o menino atravessar a sala com passos firmes demais para alguém daquela idade.

— Não — respondeu Isabella, sem desviar o olhar — Ele é só meu filho.

Anthony Higginbotham parou diante da mesa, os olhos atentos, observando os papéis com uma curiosidade que não era comum para uma criança.

— Isso aqui está errado — disse ele, apontando para um gráfico.

Emmett soltou uma risada.

— Errado? Por quê?

— Porque vocês estão perdendo dinheiro aqui — respondeu o menino, com naturalidade — Essa estratégia não faz sentido.

Silêncio.

Jasper cruzou os braços, observando.

— Ele não está errado.

Isabella permaneceu imóvel por um segundo.

Observando.

Analisando.

Reconhecendo.

E odiando o quanto aquilo parecia familiar.


O cabelo dela agora era mais curto, repicado em uma tonalidade loira acobreada que suavizava seus traços e, ao mesmo tempo, escondia quem ela havia sido.

Não havia mais Bella Swan.

Aquela mulher havia sido enterrada e o mundo acreditava nisso.

— O crescimento do Higginbotham Group está chamando atenção — disse Jasper, colocando um relatório sobre a mesa.

Isabella folheou rapidamente.

— Ainda não o suficiente.- disse séria.

— Já estamos no nível da Swan Grand.- Jasper respondeu arqueando a sobrancelha.

— Não é sobre nível — respondeu ela — É sobre controle.

— Você nunca pensa em parar?— Emmett se inclinou para trás na cadeira.

Ela levantou o olhar.

Frio.

Direto.

— Não.

Silêncio.

— E quando tudo isso acabar? — insistiu ele.

Ela não hesitou.

— Não vai acabar... Eu vou recuperar tudo, colocar o Edward na cadeia e quando ele sair vai ser pior ainda...

(...)

— Você deveria sair mais.

Alice se apoiou no batente da porta, observando Isabella trabalhar.

— Eu saio.

— Não… você trabalha em outro lugar.

Isabella não respondeu.

— Você não precisa fazer tudo sozinha.

— Eu não estou sozinha. — disse ela sem tirar os olhos do computador- Trabalho com Jasper e Emmett.

Alice sorriu de leve.

— Eu sei.

Pausa.

— Mas você também não precisa ser de pedra.

Isabella levantou o olhar.

— Pedra não quebra.

Alice e Jasper estavam casados.

E, apesar de tudo que havia acontecido, havia algo na relação deles que permanecia firme, sólido, quase como uma prova de que nem tudo era destruição.

Jasper havia escolhido e continuava escolhendo.

Todos os dias.

Já Emmett tentou, mais de uma vez.

— Isso não precisa ser só negócios, Bella…

Ela levantou a mão antes que ele terminasse.

— Não faz isso.- ela o repreendeu.

— Eu só...

— Não — interrompeu ela, firme — Não existe espaço pra isso.

Ele assentiu devagar.

— Tudo bem.

Mas não era tudo bem, nunca era.


De volta a Nova York, Edward observava outro relatório.

Outro crescimento.

Outro nome.

Higginbotham Group.

Ele passou os olhos pelos números.

Rápido.

Preciso.

— Quero tudo sobre essa empresa — disse, sem levantar o olhar.

— Já estou em cima.-Jacob assentiu.

— Não é o suficiente.- ele respondeu seco.

— Eu sei.

Edward fechou o arquivo.

— Tem alguma coisa errada.

E tinha, mas não do jeito que ele imaginava.


Em Seattle, o planejado estava acontecendo...

— Ele está perto.— A frase de Jasper veio baixa, quase um aviso.

Isabella não reagiu imediatamente.

— Quanto? perguntou arqueando a sobrancelha.

— Mais do que antes.

Silêncio.

Ela assentiu.

— Então está funcionando.- ela sorriu vitoriosa.


Naquela noite, Edward tentou dormir sem os comprimidos.

Ele sabia que era uma má ideia.

Mas tentou.

E, como sempre…ela veio.

— Eu confio em você…

A voz.

Clara.

Próxima.

Real demais.

Edward abriu os olhos abruptamente, a respiração pesada, o coração acelerado.

O quarto estava escuro.

Silencioso.

Vazio.

Ele passou a mão pelo rosto, irritado.

— Droga…

Levantou-se, caminhando até a cozinha, pegando o frasco, abrindo, tomando dois comprimidos de uma vez.

Sem pensar.

Sem hesitar.

Porque algumas coisas…ele não conseguia controlar.


Do outro lado do país, Isabella observava a cidade pela janela, Anthony dormindo tranquilamente no quarto ao lado.

O reflexo dela no vidro não era o mesmo de anos atrás.

Era mais duro.

Mais frio.

Mais… perigoso.

— Ele achou que tinha acabado comigo… — murmurou, a voz baixa, mas firme.

Ela cruzou os braços.

— Mas agora…- seus olhos não vacilaram.— Eu vejo tudo...


E, pela primeira vez em quase dez anos…

Edward Masen estava prestes a encontrar algo que não poderia controlar.

Mesmo sem saber.

Ainda.