Samantha Roberts - O Infiltrado

16 Uma garrafa térmica muda meu futuro


Notas iniciais
Capítulo bem legal, eu acho. Mais Queen e Sam e mais Jenny e Sam! Tomara q gostem

Assim que passei a mão pela Mensagem de Íris, quase que me apago junto a ela. De todos os poderes que tenho, o de explodir cérebros é o mais desgastantes de todos. Poder de explodir cérebros. Não é um nome muito bom.

Enquanto eu esperava por eles, pensava em um nome para esse poder. Eu tinha telepatia, controle sobre funções motoras e.... Argh, isso é difícil. Vamos pensar nas palavras principais, Sam. Mente. Explodir. Cérebro. Tele, fragor, cerebrum. Telefragorium! Nossa, ficou pior que eu pensava. Mas já alguma palavra específica. Vou telefragoriar todo mundo agora.

Enquanto eu pensava em pessoas para telefragoriar e ria sozinha, acho que estava ficando louca mesmo, ouvi dois toques na porta. Cambaleei até ela e pus meu ouvido contra a porta. O legal foi que Jenny deu mais um soco na porta onde meu rosto estava. Ai, doeu.

— Estou aqui, gente. – Falei, massageando meu rosto.

Destravei todas aquelas trancas da porta e depois tirei a corrente. Como se uma grande gangue fosse ser assaltada. Abri a porta devagar e os deixei entrar.

Nick me deu um abraço muito gostoso, apertei ele mais forte que eu consegui.

— Bonito, hein? Pedir para eu não ir embora e depois me abandonar assim.

— Desculpa. Mas foi o que eu tinha que fazer.

— Da próxima vez eu vou junto com você.

Queen ajeitou o sofá e se sentou nele. Jenny pegou sua mochila e preparou o Kit de primeiro socorros. Ela vinha até a mim quando tropeçou no pé de Lumier. Ela se ajoelhou ao seu lado e conferiu seu pulso. Jenny olhou para mim em busca de alguma resposta.

— Sei que é errado, mas era ele ou eu. – Falei.

Queen também andou até ele, mas manteve distância. Ele fechou os olhos e suspirou.

— Sua alma já foi encaminhada ao reino de meu pai. Está em julgamento agora.

Jenny se sentou ao meu lado e fez um curativo em meu pulso, depois os outros que foram abertos novamente. Ela começou a cantarolar Safe and Sound, que era mais ou menos um ritual de cura quando cuidávamos uma da outra.

Escondemos Lumier dentro de um quarto, em cima da cama. Nick manipulou a névoa para que os capangas da gangue pensassem mesmo que eu era sobrinha dele. Ordenei-os que sumissem e voltassem quando meu tio desse uma segunda ordem a eles. Hm, nunca.

Me limpei e descansei um pouco. Encostei em Nick enquanto eu vasculhava os papéis. Nenhuma dica de onde iriamos. Bom, Itália já é um bom caminho. O jeito era esperar o carro. Pus uma roupa mais ajeitadinha, arrumei meu cabelo também por que ele estava uma coisa linda.

Uma hora se passou e então ouvimos uma buzina em frente à casa. Recolhemos todos os Kits de Primeiros Socorros e entocamos nas mochilas. Abri a porta e minha mão automaticamente se juntou com a de Nick; ele sorriu com o canto da boca. Esperei as garotas e só então fomos ver o carro que nos aguardava.

Uau. Nunca, mas nunca eu iria entrar num carro assim. Era uma limusine Chrysler enorme, branca, rodas bonitas e design perfeito. O motorista saiu do carro e nos cumprimentou.

— Boa noite, senhorita. Sou Chaves e creio que serei seu motorista daqui em diante. Queiram entrar, por favor. – Então ele abriu a porta traseira.

Uau. Uau. Uau. Uau. Uau.

Era tudo lindo. Sofá de couro preto, carpete macio, um bar iluminado com cores psicodélicas bem à frente. Havia uma pequena televisão mais ao canto para nos entreter e de fundo tocava Bon Jovi.

Jenny foi a primeira a jogar mochila lá dentro e se sentar, depois puxou Queen com tanta força que ela voou para dentro também. Não ousei largar a mão de Nick, entramos juntos.

— Bem, senhorita Fontaine, faremos uma primeira parada daqui três horas em Milão. – Disse Chaves. – Depois seguiremos para sua casa em Veneza.

— Veneza? E essa missão está cada vez melhor. – Disse Jenny.

Chaves sorriu e fechou a porta.

O tempo foi passando. Eu ficava olhando a janela, observando a paisagem rural da França. Em questão de minutos já estávamos na fronteira com a Itália. Uma sensação ruim tomou conta de meu corpo; ali não era minha casa.

A sensação de incomodo perdurou por grande parte da viagem. Nick me aninhou com os braços a fim de que descansasse um pouco, mas no fim foi ele quem dormiu primeiro. Dei um beijinho em sua testa e encostei minha cabeça com a dele. Quando Queen viu essa cena, fechou a cara e virou-se de lado para dormir.

Eu e Jenny ficamos nos encarando, sem falar nada. Ela estava estranha. Algo tinha acontecido com Jenny e ela não me contou, para variar.

— Veneza... Victor sempre quis me levar para lá. – Jenny disse por fim, saudosa. – Tem sorte por Nick está aqui. Poderão aproveitar a viagem juntos.

— Estamos em missão, Jenny. Bem que eu queria umas férias, mas não podemos. Sócrates irá nos atacar em breve e temos que chegar logo as Caçadoras.

— Ah, Sam. Que droga. Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates e Sócrates. Há quanto tempos não conversamos sobre algo sem ser a revolução?

Ponderei um pouco. Era verdade.

— Muito, mas me responda algo primeiro. Por que tenho tanta sorte? Di Immortales, Jenny. Eu te vi morrer, vi Nick morrer. Vocês não vão estar ao meu lado e por minha causa. E você está tão... tranquila com isso. Por quê?

Jenny apenas sorriu. Ajeitou a mochila no sofá e se deitou, pondo seus pés em cima do colo de Queen.

— Muitas vezes sonhos são algo que está acontecendo simultaneamente, algo que influenciará sua vida, alguém pode manipular seu sono e te fazer ter pesadelos – como Sócrates fez com você. E, como esse que você teve agora, também são visões do futuro. Sabe quando brincamos falando que você é filha de Apolo?

— Bem que poderíamos ser meio irmãs. – Eu ri

— Verdade. Bem, acho mesmo que meu pai meio que gosta de você. Te deu como presente esse sonhos, já que provavelmente ele mesmo tenha tido essa visão.

— Então...

— Então ele te deu um jeito de se prevenir contra o que esta por vir. Sam, o futuro é uma coisa curiosa. Nunca podemos saber exatamente o que vai acontecer. Qualquer coisa que você faça agora, por mais que pequena, pode mudar algo grande no futuro.

— Exemplos.

Ela sorriu como se a ideia a agradasse. Ela se levantou e pegou algo dentro da mochila. Quando percebo o que está acontecendo, Jenny joga sua garrafa térmica em minha cabeça.

— Ai, doeu! – Reclamei e joguei a garrafa com tudo nela.

— Está vendo? Foi uma pequena ação que mudou totalmente o rumo da conversa.

— Pequena? Você fez um hematoma na minha cabeça!

— Que seja. Com essa minha pequena ação instiguei uma ação sua que não estava programada, a qual seria outra agressão ou vontade de me matar.

— Muita.

— O importante é que você entendeu. Bom, agora sabemos que você não tem que ajudar quando eu estiver em perigo e também que eu não tenho que gritar feito desesperada quando você estiver lutando com Sócrates. Certo?

— Ok, evitaremos esses eventos. Mas e aí? Vamos parar em Milão. Onde pretende passear comigo, hein?

Sorrimos uma para outra. E assim pudemos variar um pouco o assunto.

O tempo foi passando e eu me rendi ao sono. Encaixei meu corpo ao de Nick e apaguei. Não tive pesadelos ou sonhos absurdos. Foi até gostoso, pena não ter dormido mais.

Sonhei que eu estava no acampamento, cantando na fogueira. Todos meus amigos lá, sorrindo e cantando alegremente. As labaredas da fogueira balançavam numa dança linda. Jenny tocava violão e puxava a cantoria com seus irmãos e eu tentava acompanhar. Ela começou a cantar Crazier e ainda fez dedicação para me deixar sem graça. E deu muito certo. Mas Nick pegou minha mão e pediu para eu cantar junto, fazer o que, não resisti. O foi assim o sonho inteiro.

Acordei com monstros atacando a gente. Quase gritei para minha espada aparecer.

— Calma, só estou assistindo Supernatural. – Queen disse.

Sorte, não queria estragar meu estado zen. Me sentei direito e peguei um pouco de Coca-Cola para beber.

— Dormiu bem? – Perguntei.

— Hm, sim. Não venho tendo tantos pesadelos. E você?

— Sim, consegui dormir direito também.

Não sei o que mata mais: ela ficar me encarando com aqueles olhos fúnebres ou o silencio mortal, como se ela estivesse pensando em algo que eu não me atreveria a entrar no seu cérebro para descobrir.

— Está bem? – Queen perguntou.

— Sim, só preocupada. – Menti.

— Ah, fique tranquila. A missão não é das piores.

— Você já deve ter ido a muitas missões, né? – Perguntei.

Queen assentiu.

— Você me podia falar sobre elas...

— Por quê?

— É bom ouvir gente que tem mais experiência em você em certo assunto. As histórias que eu ouço de vocês são tão legais. Ah, sei lá. Me conta como foi o dia em que você foi reclamada. Deve ter sido legal descobrir quem é seu pai.

Pude ver pelo seu semblante que realmente não foi um bom dia em sua vida. Me arrependi na hora. Eu e essa minha curiosidade aguda sempre estragamos tudo. Não insisti mais no assunto, mas por fim Queen começou a falar.

— Eu tinha treze anos. – Ela suspirou e fez uma longa pausa. – Bom dia para ser reclamada como filha de Hades: um dia que eu queria morrer. Eu estava na escola de manhã brigando com a Kimberly quando a diretora me chamou. Ótimo. Outra expulsão, pensei. Mas era uma ligação de Jerry, nosso mordomo. Mamãe... Quer dizer, Lilliam foi atropelada e estava em estado grave no hospital. Depois ela morreu.

Depois disso eu já iria começar a pedir para ela parar de contar sobre esse dia. Queen fez outra pausa, como se estivesse vendo um flashback.

— Tentaram ligar para minha mãe de verdade, mas ela não pode voltar para Seattle. Jerry cuidou do velório e enterro, eu ajudei. Assim que entramos no cemitério Lake View, me senti diferente. Uma sensação, um sussurro ao meu ouvido, falava que tudo estava bem. Falou que Lilliam iria para um lugar melhor que a terra e todos esses problemas. E foi pensando nisso que eu comecei a ter... Como os sátiros dizem? Cheiro de meio-sangue. Poucos amigos foram e alguns que eu nem conhecia também estavam lá. Entre eles dois garotos, um menino e uma menina. Eles conversavam entre si e olhavam direto para mim. Achei estranho, mas não fui falar com eles. O enterro seguiu, mas não ficaram muito tempo por que começou a chover. Jerry me mandou ir para a casa, mas pedi para ele ir sozinho que eu iria a pé. Ele primeiro protestou, mas acabou cedendo. Fiquei sentada na grama molhada, embaixo do salgueiro, e fiquei olhando para aquela lápide.

Seus olhos começaram a ficar vermelhos, mas Queen segurou o choro.

— Eu estava com muita raiva de minha mãe. Ela nos abandonou naquele dia. Ela sempre me abandonou. Queria que ela estivesse naquele túmulo, não a Lilliam. Queria ficar sozinha, mas aqueles garotos que eu tinha visto no enterro se aproximaram de mim. Eu estava prestes a manda-los ver se eu estava na esquina e expulsa-los de minha presença, mas eu mal conseguia falar. A garota se apresentou: Olá, sou Susana. Esse é meu irmão, Nicholas. Podemos conversar um pouco? E assim começou aquela conversinha que os deuses vivem hoje em dia, você é filho de um, existe um acampamento e tal. Todo mundo é um amor nessa parte.

— A não ser que Jenny te conte isso. – Pensei alto demais.

— O que?

— Ah, nada não. Continue.

— Certo. Bom, depois descobri que essa era a primeira missão de Nick acompanhado por Susana: resgatar um semideus em potencial. Eles dois sozinhos já atraiam muitos monstros, e ainda tinha eu. A chuva engrossou e ouvimos alguns ruídos. Eu já estava em choque, mas fiquei muito desesperada quando vi uma mão sair de um túmulo perto da gente. Depois de outro túmulo, e de outro e outro. Cerca de segundos estávamos cercados por um tipo de exército de zumbis. Parecia uma cena de The Walking Dead, isso sim. Susana e Nick já estavam armados e prontos para atacar, eles me protegiam. Mas nenhum dos zumbis me atacou, queriam somente a eles dois. Chutei um na perna, que saiu voando. Ele olhou para mim de um jeito estranho, e depois se desintegrou em cinzas. A luta seguiu. Só que o número de zumbis aumentou. Encurralaram Nick, uma espada contra seu peito e outra contra suas costas. Seu tridente estava longe e Susana muito ocupada com mais três monstros. Eu queria ajudar, mas eu era só... eu. Não era ninguém, pelo menos ninguém que poderia ajuda-los. Eles iriam matar Nick naquele momento quando aconteceu. De repente, todos os monstros zumbis se ajoelharam para mim. Nick e Susana se entreolharam como se dissessem ‘’ Agora ferrou ‘’. Olhei para cima a tempo de ver um tipo de holograma cinza de uma caveira acima de minha cabeça. Hades tinha feito isso para salvar seus sobrinhos de seus servos rebeldes. Ele me reconheceu com sua legítima filha naquele dia.

— Uau. Isso deixa o meu primeiro ataque e eu dando uma de cara da carrocinha no chinelo. – Nós rimos.

Para cortar o momento, Chaves freia o carro com tudo. Jenny caiu do sofá e Nick bateu sua cabeça na minha. E Queen ficou só rindo.

— Meu Deus! O que essas senhoras pensam que estão fazendo? Saiam de meu capô! – Chaves gritou lá da frente.

Nos entreolhamos. Isso não é muito normal. Corremos para fora do carro para ver quem estava nos atacando dessa vez.