Notas iniciais
Bom, eu iria começar pedindo desculpas pela demora. Mas estava de greve e os culpados sabem por que. Bom, gostei bastante desse capítulo e espero que cause o mesmo efeito com vocês. Beijos

Depois de meu show fora do carro, Nick sentou-se atrás comigo e Queen assumiu o volante. Já havíamos andado vários quilômetros desde então, estávamos no subúrbio da cidade. Era um pouco mais movimentada que Menton, e tinha mais a aparência de uma cidade metropolitana do que uma vila.

Suas mãos acariciavam meu cabelo enquanto eu tentava dormir de novo. Mas, depois de ver aquilo, era impossível. Se sonhos de semideuses sempre significam algo, eu não sabia como não estava chorando ainda.

Então eu tenho que te fazer sofrer, era isso o que Sócrates me dissera. Ele iria me acertar onde doía mais. Meus sentimentos variavam entre raiva, dor e me sentia com a obrigação ainda maior de mata-lo. Mas depois de cair a ficha, o medo veio.

As pessoas que eu mais amava nesse mundo iriam morrer.

Apertei com mais força a cintura de Nick. Nada, nem ninguém poderia tira-lo de mim. Eu tinha que impedir isso de algum modo.

– Está melhor, Srta. Wikipédia? – Nick me perguntou.

Neguei com a cabeça.

– Foi horrível. – Sussurrei, não conseguia falar direito ainda.

Jenny virou-se para nós no banco da frente. Seus olhos estavam tão preocupados, até parecia que ela iria dizer algo para me confortar. Mas não se esqueça de que ela é a Jenny.

– Genial a ideia de fingir pesadelo pra ficar no colinho de Nick. – Ela riu.

– Idiota. – Respondi, forçando um pequeno sorriso. – Não falaria isso visse o que eu vi.

Queen me olhou pelo retrovisor.

– Então, por que não damos um jeito de calar a boca dela? Está em condições de contar? – Ela me perguntou.

– Eu... Eu acho que sim.

Contei então a eles sobre meus pesadelos, e deixei meus piores para o final. Queen parecia também não gostar com a ideia de perder Jenny, mas quando contei sobre Nick ela quase teve um treco assim como o meu. Mas ela tem um dom muito bom de saber esconder as emoções, no entanto, devido a meus poderes, de mim ela não conseguia esconder. Nick me abraçou mais forte e apoiei minha cabeça em seu ombro, a única coisa que me surpreendera nesse momento foi Jenny. Aquele idiota estava condenada a morte e ainda estava sorrindo?

– Que sorte. – Ela enfim comentou.

– Sorte? – Perguntei, indignada. – Vocês dois vão morrer! Por minha causa! Eu vou ficar sozinha nesse mundo infeliz, me culpando para sempre da morte de vocês dois e não vou conseguir vencer a guerra contra Sócrates devido a isso. E você acha que eu tenho sorte?

– Sim, fiquei tranquila.

Levantei e fui para frente, querendo dar loucamente socos nela. Mas, infelizmente, Nick me segurou.

– Ei, calma. — Queen pediu. – Eu vou bater o carro com vocês assim.

Nesse momento, ela entrou na loja de alugueis de carro. Nem vi o tempo passar. Descemos do carro e Nick teve de me segurar de novo para eu não dar aquela voadora que eu queria dar na Jenny antes.

Fomos em direção ao balcão do recepcionista, para entregar chaves e documentos. Eu esperava um velho gordo chamado Pierre com o uniforme da empresa, mas, quando ele se virou, me deparei com um garoto que devia ter uns dezessete anos. Um porte de atleta, bem esbelto diria também. Seus cabelos castanhos chegavam até em cima das sobrancelhas, seus olhos eram de um castanho escuro cativante.

– Uau. – Queen deixou escapar.

Ele olhou para mim e me deu um belo sorriso. Minhas bochechas arderam. Nick pigarreou e me abraçou pelo ombro.

– Então, garotas. Sabe, ele quer a chave. – Nick nos lembrou.

– Victor é mais bonito. Victor é mais bonito. Victor é mais bonito. – Jenny repetiu em seus pensamentos.

– Aham, sei. – Respondi para ela, ainda no pensamento.

Queen pegou as chaves e entregou ao garoto, e conseguiu ficar mais vermelha que eu quando suas mãos se tocaram e ele aproveitou-se do momento para segurar a dela.

– Mademoiselle, você tem mãos de uma princesse. O rostinho também, se me permite dizer.

Ela recolheu a mão, atipicamente acanhada. Tentei ler o nome dele no crachá, mas quanto mais eu tentava mais as letras se embaralharam.

– Meu nome é Michel. – Ele disse ao perceber meu esforço.

– Seu inglês é muito bom, Michel. – reparei.

– Ah, eu sou estadunidense. Mas minha mãe nasceu aqui na França e tal. Quando ela morreu, vim morar aqui com meus avós. Bom, lógico que eu gostava dos Estados Unidos, mas aqui é legal. Sabe... França... o país do amor e da paixão ardente...

– Acho que já deu, né garotas? – Nick disse nos empurrando para fora. Ele se virou e foi andando de costas. – Tchau, Michel. Foi um prazer. Fiquei feliz aqui na França. Estamos indo.

Se ele soubesse o quanto ficava bonitinho com ciúmes, provavelmente faria isso mais vezes.

– Ei, garota! – Michel gritou. – Eu não te dei o recibo! Meu patrão me mata por isso!

Ah, essa chance eu não perdia.

– Me chame de Sam! – Eu pedi e fui pegar o recibo.

Nick pareceu até ficar vermelho de tanta raiva, coisa que quase me arrancou uma risada. Fui para o balcão pegar o bendito recibo. Michel ficou me olhando de um jeito que me deixou até sem graça.

– Eu conheço você. – Ele disse.

– Ah, claro que não. – Tentei desviar o olhar.

– Sim, conheço sim. Sam... Samantha. Você é a menina do avião! Roberts! Você está viva! Ai me....

– Fiquei quieto, por favor! Olhe, estamos bem. Temos que seguir viagem custe o que custar. Eu não estive aqui.

– Ah, pode deixar. – Ele de um sorriso meio sinistro.

O recibo do aluguel foi impresso pela máquina e Michel arrancou o papel. Eu peguei a papel e o enfiei no bolso. Ela pegou minha mãe e a beijou.

– Encantado.

Não pude evitar de corar.

Algo brilhante me chamou a atenção, um anel em seu dedo. Era prateado e em forma de uma coruja. Levei minha mão ao meu colar, um arrepio percorreu meu corpo inteiro. A coruja era idêntica a minha.

– Você está bem? – Michel perguntou.

– Estou sim. Hã, anel bonito. Bom, vou indo. Até.

– Até algum dia. Quem sabe, quando eu for para Nova Iorque férias que vem, a gente não se encontra.

Parei para pensar.

– Eu nunca falei para você que morava em Nova Iorque.

– Ah, falaram no noticiário. – Ele respondeu rápido. – Bom, até mais, Sam.

E com isso dei as costas a ela, com medo por aquele anel. Só duas pessoas usavam aquela coruja como símbolo. Eu e.... Céus, estávamos mortos.

Corri até meus amigos desesperada.

– E aí, ficou conversando com seu novo amiguinho? – Nick perguntou com os braços cruzados.

Peguei a mão dele e o puxei até ele arrancar atrás de mim. Jenny e Queen me seguiram também. Parei para descansar um pouco somente seis quadras depois e eles se rastejando atrás de mim. Esperei eles chegarem e dobramos a esquina para entrar num beco.

Nick apoiou as mãos no joelho, ofegante.

– Do que estamos correndo? – Ele perguntou.

Não respondi. Fixei meus olhos na parede úmida do beco, tentando imaginar como Sócrates ficaria ao descobrir que estamos vivos. Ele mataria a infiltrada, até então indecisa em nos ajudar ou não? Com certeza mandaria seus piores monstros atrás de nós. Pior. Mandaria seus piores monstros ao acampamento, com nós aqui, um lugar desconhecido do outro lado do mundo.

Acordei quando Jenny me deu uma cotovelada nas costelas.

– Ai, sua ogra! – Reclamei.

– Estamos te chamando há um éon. Responda.

– O que foi? – Perguntei.

– Por que estamos correndo?!

Encostei minhas costas na parede e me agachei lentamente até o chão.

– Michel é do exército de Sócrates. Ele deve ter o mandado para cá para certificar se estávamos vivos ou não. Termos caído na costa da França deve ter sido calculado por Sócrates, então ele mandou alguns soldados deles para cá. Temos que adiantar essa missão para ontem! Onde é que está a rodoviária?

– Ei, ei, ei. Espere. – Queen pediu. – Como sabe que você que ele era um soldado? Ah, que droga. Por que ele tinha que ser tão lindo?

– Vem cá. Vocês duas vão me trocar por esse francesinho? – Nick perguntou.

– Eu tenho que desencanar um dia. – Ela respondeu.

– Cale a boca. – Eu mandei os dois. – Lembram da caixa onde O Livro de Sócrates estava guardado? Ele tinha uma chave especial, que era a coruja no punho da espada de Sócrates. Atena me deu esse colar por que já sabia disso, então nossas corujas são idênticas. O anel dele tinha uma coruja igual a minha, isso deve significar que ele é soldado de Sócrates.

– Deve ser uma coincidência. – Jenny falou.

– Não é. Precisamos sair daqui, hoje e agora. Temos que chegar na Grécia.... éramos já pra ter chego! Sócrates a qualquer momento vai atacar!

Acho que eu gritei alto demais. Das sombras do beco emergiram quatro figuras enormes, que deixariam Mike Tyson com medo. Vestiam roupas pretas, eram musculosos e se aproximavam a cada passo. Eles falavam francês, o que tornava difícil compreender o que eles queriam apesar de ser óbvio.

Um deles foi chegando mais perto de mim, mais perto. Ele pegou meu cabelo e o cheirou. Torci o pulso dele de um modo que aprendi no Taekwondo, ele gritou de dor. Depois dei uma joelhada em seu ponto sensível para fechar com chave de ouro. O cara pôs as mãos entre as pernas e se ajoelhou. Depois, totalmente louco depois de ver essa cena, Nick deu um chute em sua nuca e ele caiu desacordado.

Os outros de sua gangue não gostaram nada disso. Eles disseram algo. Hm, talvez passe a grana ou morra, deduzi.

Olhei para o lado. Nick já estava com o tridente na mão, irado. Queen já iria soltar a eletricidade no chicote, mas intervim.

– Calma, gente. São mortais. – Os lembrei.

– Mortais ou não merecem uma boa surra. – Nick falou.

Owns, era isso que deu vontade de falar. Mas é verdade, eles mereciam. Acontece que quando lutamos com monstros do Tártaro, enfrentamos os inimigos primordiais dos deuses, passamos por treinamentos rígidos no acampamento, nos esquecemos dos perigos que o mundo mortal nos oferece.

E me lembrei disso quando um deles colocou um Calibre 45 ao lado de minha cabeça.

Engoli seco. Tenho que manter o controle. O cara mandou meus amigos recuarem, assenti calmamente. Nick olhava para mim desesperado.

– Deixem com que eles pensam que eles conseguiram. – Eu disse em sua mente. – Deixe eles me sequestrarem, darei um jeito de fugir. Sócrates já irá saber que estamos vivos, mando um M.I assim que conseguir fugir.

– De jeito nenhum. Não vou deixar que te levem.

– Quer que ele puxe o gatilho?

­­– Vou te buscar.

Depois disso Nick olhou para as garotas e saiu correndo. Elas não entenderam, mas acenei com a cabeça para que elas o seguisse também. Jenny foi andando de costas e virou no último minuto então.

Tinha até esquecido da arma na altura na minha orelha quando eu olhei para o lado. A gangue caiu na gargalhada ao ver que meus amigos fugiram. Eu já esteva preparada para acabar com eles na arte marcial mesmo, mas dois deles prenderam meu braço antes que eu pudesse fazer algo. O outro colocou em frente meu nariz um pano com Éter. O mundo começou a rodar, a minha visão ficou turva. Resisti cinco minutos, então apaguei.

Bom, vamos tirar algo positivo em ser sequestrado por mortais. Eu consegui dormir, o que é algo que eu não conseguiria na situação em que nos encontrávamos. Mas, vá por mim, meu sonho foi mais perturbador do que o próprio sequestro.

Em meu sonho Sócrates estava sentado em seu trono, triunfante. Bebendo tanto vinho que deixaria Sr. D. com inveja. Parecia que ele estava comemorando, só faltava dançar.

Um garoto entrou na sala e se ajoelhou perante e Sócrates.

– Mestre, acabou de receber uma Mensagem de Íris de Michel, nosso soldado estrategicamente localizado.

Sócrates sentou ereto no trono, já pensando no pior.

– Michel teve contato direto com Samantha, mestre. Todos estão vivos, indo a toda para a Grécia.

Sócrates ficou vermelho escarlate. Seus olhos irradiavam ira e desejo voraz por sangue. Não qualquer sangue, mas sim meu sangue. Ele embainhou sua espada no cinto e saiu correndo. Dessa vez ele não estava usando sua toga. Usava calça social e camisa polo cinza, com sapa-tênis preto. Podia se passar por um vovô comum pela cidade.

Ele entrou em uma câmara a esquerda, empurrando vários soldados e até matou um monstro.

Era o aposento da infiltrada. Para minha total infelicidade e curiosidade, estava totalmente escuro lá dentro. A única luz era provinda da espada de Sócrates, preste a decapitar a garota. Só que aparentemente agarrou o pescoço da garota e começou a enforcar. Vi uma de suas mãos agarrarem o punho dele com tudo, ela pedindo aos engasgos que ele parasse. Ele a jogou no chão, pelo barulho.

– Desgraçada! Eles estão vivos, você sabia! Sabia que você omitia alguma coisa de mim!

– Eu não lhe devo satisfações! – Ela gritou.

– Sou seu mestre, infeliz! – Ele levantou e mão e deu outro tapa na cara dela.

Não sei se era por essa conexão que sempre senti com ela, mas pude sentir a raiva tomar conta de seu corpo. Ela levantou e desembainhou a espada dela. A infiltrada deu um chute no peito de Sócrates e ele caiu no chão.

– Como ousa...

– Escute você, velho bêbado. – Ela gritou e pude ver sua lâmina brilhante no pescoço de Sócrates. – Você precisou de mim. Se não fosse por mim ainda estaria no mundo inferior. Seja grato. Juro que a próxima vez que você levantar essa mão enrugada para mim eu a amputo, está ouvindo? Sou a general de suas tropas e a partir de agora dou tantas ordens como você.

– E quem garante que vou lhe dar essa dádiva? – Ele perguntou.

– Minha espada que atravessará sua goela.

– Está se juntando aos seus amiguinhos, semideusa? Vai trair a causa? Sabe o que isso significa, não sabe? Romperemos o acordo.

– Não. – Ela embainhou a espada. – As tropas estão prontas. Vou preparar os navios e barcas. Amanhã de manhã partiremos para a batalha contra o acampamento. Venceremos. Mas você terá de manter a sua parte no acordo.

Sócrates mantinha um sorriso insano em sua boca enquanto pensava na batalha.

– Certo. Agora saia de meus aposentos, imbecil. Preciso ter uma noite de sono descente.

– Como quiser.

Então Sócrates saiu dos aposentos da infiltrada e voltou para a bebedeira. Ela voltou para a cama e se encolheu. Tudo parece normal até quando ela sussurra:

– Não sei onde você está, mas sei que está aqui comigo todas as noites. Só um pedido. Prepare-se, Samantha.

Acordo com mãos tirando vendas de meus olhos. Ainda estou meio desorientada, mas com o tempo consigo distinguir onde estou. Parece uma casa de periferia. Paredes com infiltrações fortes e rachaduras, um ventilador de teto barulhento oscilando, móveis velhos e cheios de pó. Eu estava com as mãos e pés amarrados a uma cadeira, a boca amordaçada. Os homens estavam sentados na mesa, uns jogando pôquer e outros contando o dinheiro. O lugar fedia a cerveja e banheiro público, fiquei muito enjoada.

Ao verem que voltem a mim, os homens começaram a me cercar. Eles falaram muitas coisas, as quais poucas palavras reconheci. Televisão, chefe, dinheiro, garota, Estados Unidos, fugir, Itália. Vai ver que me reconheceram do noticiario e pensaram que a recompensa por mim seria boa, já que a embaixada estadunidense na França estava procurando desesperadamente sobreviventes. Acho que ela pagaria bastante por mim, pelo menos iria dar uma boa matéria no jornal.

A porta logo atrás de mim se fechou. Um homem com voz de narrador começou a berrar ordens e os capangas largam as cartas e fichas, desesperados. O homem apareceu em minha frente. Ele usava terno risca de giz, e sapatos tão engraxados que consiguia ver meu reflexo. O cabelo negro era penteado para trás com tanto gel que acho que se eu jogasse um copo nele, o copo quebrava. A barba bem feita e, em seu sorriso maquiavélico, havia um dente de ouro.

Ele puxou uma cadeira para a minha frente, virou ao contrario e sentou com seu peito voltado as costas da cadeira. O homem pediu para que tirassem minha mordaça. Cuspi no sapato deles.

– Ora, ora, ora. – O homem disse com sotaque, porém em minha língua. – Peço a meus ajudantes que batam carteiras e eles me vem com um tesouro nacional. Não são totalmente incompetentes. Vamos ver o quanto vale a garota que sobreviveu para os Estados Unidos.

Abaixei minha cabeça, tentando bolar algo.

– O gato comeu sua língua? – O homem perguntou. – Fale algo para o titio aqui. Vamos ouvir sua bela voz.

– Assim que me entregarem, eles vão conseguir te prender. A polícia é inteligente, vão te cercar. Não há escapatória, você vai preso.

– O que você pensa, garota. Dois de meus capangas te entregaram aos Estados Unidos. Se eles os prenderem, eu não acho que seja uma grande perda, mas se tentarem algo você morre. Eu ficarei rindo e observando.

Di Immortales, depois dessa minha mãe incinera ele. Ou sou esperta demais, ou ele é burro demais para ser cabeça de gangue.

– Boa sorte. – Foi o que eu disse e voltei a abaixar minha cabeça.

Depois disso ele ficou me perguntando de meus amigos. Não respondi, eu iria mantê-los seguros. Depois disso, eles foram jogar pôquer mais no fundo. Como vencê-los? Não posso usar minha espada neles, não diretamente. Meus poderes atingem os mortais?

– Sofía. – Sussurrei.

Tentei agarrar minha espada com as palmas de minhas mãos, que estavam presas as costas. Puxei meus pés amarrados para trás ao máximo que pude. Comecei a roçar minha espada na corda que amarrava meus pés. O esforço era grande, uma gota de suor surgiu em meu pescoço. Consegui deixar meus pés livres.

Olhei para a mesa de pôquer, bando de idiotas. Escolhi um alvo. Logo um dos capangas caiu de agonia com a dor de cabeça. Todos foram em seu auxílio enquanto o capanga rolava de dor. Acho que em mortais o efeito acaba sendo pior.

Enquanto eles estavam distraídos, tentei me levantar. Não consegui, mas fiquei com os pés apoiados no chão e com as costas totalmente curvadas. Não sei se era o momento, ou a adrenalina, mas baixou o Vin Diesel em mim. Corri na direção do cabeça da gangue e girei o corpo, a fim de que me cadeira se quebre ao bater nele. Aí me lembrei: eu não dou o Vin Diesel. Na verdade, consegui quebrar minhas costas e um pé da cadeira. Dor, muita dor. Caí de lado no chão, o que fez com que meu supercílio doesse mais ainda. Os sapatos brilhantes do homem apareceram na minha frente, então senti a arma contra minha cabeça de novo.

– Boa tentativa, americanazinha. Mas agora você já era. – Ele falou.

– Quando eu for para o Mundo Inferior, eu te visito nos Campos de Punição.

– Mas o que você...

Sei que não era o certo, mas também sabia que se eu não fizesse isso iria morrer tentando outra coisa. Entrei no sistema motor do Cabeça, mas para chegar lá descobrir o quanto sua mente é repugnante. Tinha nojo de estar perto dele. Fiz com que ele pusesse a arma em sua direção e apertasse o gatilho. Sangue pingou em minha bochecha e seu corpo caiu após cambalear para trás.

Com o pé, senti minha espada. A chutei em direção em minha costas e consegui a segurar com as pontas dos dedos. Consegui por fim cortar a corda e um pouquinho de meu pulso, mas nada que Ambrosia ou a Jenny não desse um jeito.

Quando me levantei me deparei com um homem ainda se debatendo de dor, e me deixando mais fraca a cada vez, e três armas apontadas para mim, prontas para atirar. Tudo aconteceu em milésimos dê segundos. Desamarrei meu casaco da cintura e me cobri com ele, pulei em cima do sofá pisando no encosto das costas, fazendo com que meu peso virasse o sofá. De combates com espadas para tiroteio, pensei. Odeio o mundo mortal.

Não iria conseguir viver com mais uma morte as minhas costas, não iria matar os quatro. Mas tentei fazer com ele ficassem com tanta dor de cabeça até que ficassem desacordados, por mais que isso me deixasse sem forças. Um por um, foram caindo de joelhos com as mãos na cabeça, chorando e me xingando. Bruxa e desgraçada foram as mais leves, vá por mim.

Cinco minutos se passaram e eu achei que iria desmaiar, mas a gangue foi primeiro.

Levantei, tonta, e cambaleei até o Cabeça da Gangue. A bala tinha atingido seu peito, um palmo ao lado do coração. Não sou a Jenny, mas acho que a bala deve ter perfurado a pulmão. Vasculhei seus bolsos e nada achei. Então desabotoei seu terno e mexi nos bolsos internos, achei muito dinheiro, um Blackberry e papéis. Um deles era um cartão de visita de uma loja de alugueis de limusine grampeado a outro papel, com coisas escritas. Chaves, 20 6 às 20h. 0800-555-0125. Vai ver que era a hora marcada para a limusine busca-los aqui. Peguei o celular dele e disquei para o número. Primeiro um atendente francês falou, mas com se tratava de um estadunidense passou para um que sabia falar minha língua.

– Olá, aqui é a sobrinha do.... – Corri para a caixa de mensagens e depois voltei para a ligação – Lumier Fontaine. Ele teve que viajar com urgência, mas mandou-me ir em seu lugar a viajem para aproveitar. Irei eu e mais três amigos para compensar. Só que queremos um carro para daqui uma hora e meia, pode ser? No mesmo endereço.

– Vou verificar se temos algum carro para essa hora, senhorita. Ah, certo. Temos um carro sim. Então no mesmo endereço, daqui uma hora e meia. Boa viajem!

– Obrigada.

Desliguei o telefone e sentei com tudo no chão, sem forças. Mas pensei em Nick e Jenny e como eles estariam sabendo que eu poderia estar correndo perigo. Tinha que fazer algo, mesmo que custasse revelar nossa posição para Sócrates.

Pus a mão em meu bolso, onde eu sabia que tinha um dracma por que guardo sempre para emergências. Peguei uma garrafa de cerveja e a quebrei na mesa, fazendo com que os cacos voem. O que sobrou dela foi o suficiente para eu colocar no parapeita da janela e conseguir fazer um arco-íris com a luz do sol.

– Ó Íris, Deusa do Arco-Íris. Por favor, aceite essa minha humilde oferenda. – Joguei um dracma.

Estava demorando demais, até pensei que Íris estava totalmente incapacitada e não somente raptada para Sócrates monitorar as MI’s. Mas o círculo rosa começou a rodar.

– Mostre-me Nicholas Johnson, onde quer que ele esteja.

A imagem mudou. Avistei Nick andando de um lado para o outro com as mãos no bolso. Jenny estava com os olhos lacrimejantes, sentada ao lado de Queen.

Nick chuta uma pedra longe.

– Duas horas! Ela sumiu há duas horas! Fizeram algo com ela! Vou mata-los, despedaça-los, decapita-los e mandar o que restar para o Tártaro!

– Calma, Nick. – Jenny pediu. – Se algo acontecesse com Sam eu teria previsto, não?

Nesse momento todos me veem. Queen dá um pulo e corre em minha direção, Jenny faz o mesmo. Só Nick vem devagar, como se eu não gostasse do que via.

– Sam... você está branca. – Ele disse. – Seus ferimentos pioraram. O que fizeram com você, Srta. Wikipédia? Onde você está? Fale agora que eu vou até aí te buscar!

– Ei, calma. – Pedi. – Estou bem, bom, pelo menos estou viva. Escuta, não temos muito tempo.

Contei a eles mais ou menos tudo o que passei. Na parte de meu sonho, pulei a parte onde a infiltrada falou comigo. Falei a eles onde eu estava e para ele viram correndo para cá.

– Por que correndo? – Jenny perguntou.

Sorri.

– Já andaram de limusine na vida?

Notas finais
Reviews? Ultimamente ando precisando mesmo