Samantha Roberts - O Infiltrado
9 O que você prefere?
Notas iniciais
Não tínhamos tempo. O desespero subiu pelo meu corpo e, por um momento, fiquei arrependida de ter salvado a Kimberly. Enquanto eu pensava nisso, deixei Kimberly cair no chão sem querer, já que ela estava apoiada em mim. Contive a risada.
O operador do carrinho de bagagem percebeu pela minha feição que este era nosso voo. Ele pegou no bolso do colete um aparelho que mais parecia um tijolo, percebi que era um radio. Ele passou um rádio para alguém e só consegui ouvir alguém dizer ‘’ Positivo ‘’. O operador sorriu.
- Venham comigo, rápido. – Ele nos disse.
Não entendi muito bem a do cara, mas ele me parecia solidário. O que nos restou foi correr atrás dele e arrastar Kimberly, meio tonta, conosco. Ele passou mais um rádio enquanto o seguíamos. Kim demorou um pouco, mas já estava assimilando as coisas.
- Ei, por que vocês estão me puxando? — Kim perguntou.
- Quieta. – Falei. – Hmm, você bateu a cabeça e desmaiou. Agora eu te salvei e você me deve uma. Ah, para não ser presa, finja ser uma débil mental.
- O quê?
- É só ser você e cale a boca!
O operador parou na frente de um dos carrinhos vazios de bagagem e pulou na parte do motorista. Ele nos mandou subir na parte onde ficavam as malas e meteu o pé no acelerador. Pus meu dedo na frente do nariz para sinalizar a Kim que ela ficasse quieta, já que ela começou se manifestar.
- Fique tranquila, garota. – O cara falou para mim. – Acha mesmo que eu não vi aquele Grifo enorme? Sinceramente eu só não ataquei por que eu vi você e sua amiga.
- O que é Grifo? – Kim perguntou.
Jenny revirou os olhos. É nisso que dar fazer as unhas durante as aulas de história clássica, Jenny pensou. Segurei a risada, ainda estava inquieta pelo moço.
- Hã... o senhor viu o Grifo? – Perguntei. – E quis ataca-lo? O senhor é... um de nós?
- O que vocês são? – Kim perguntou.
- Um clã secreto que matam pessoas que não nos agradam. Você nem devia estar nessa reunião. Ou arrancamos sua língua ou calamos você de vez. – Jenny respondeu. Kim engoliu seco. Sério, a Jenny é demais. Dessa vez gargalhei mesmo.
O cara do carrinho também deu uma leve risada e tirou o boné. Vi pelo retrovisor o colar de contas que ele usava. Sorri. Sorri por saber que ele era amigo e nos compreendia e sorri também por saber que ele conseguiu chegar a essa idade. É como se ele representasse alguma esperança para mim. Um dia eu queria crescer, ficar adulta, aprender mais, mesmo as pessoas dizendo que isso era quase impossível. Me senti bem, muito bem.
Eu queria perguntar mil coisas para ele, queria perguntar tudo. Mas Kimberly estava aqui no lado. Não se pode ficar falando de sua vida de semideus para qualquer um.
- Meu nome é Jack. – Ele se apresentou. – E sei como é que é estar nessa situação em quem vocês sem encontram. E, pelo lugar que vocês vão, a situação não me parece boa. Vou ajudar. Passei rádio para o pessoal da sala de Check-In e da embaixada grega. Vocês vão daqui direto para o avião.
- Nossa, Jack. – Me admirei. — Eu nem sei como te agradecer. Não podemos perder nenhum minuto agora.
- Sei muito bem. – Jack disse. – Então, o que está acontecendo?
Jenny olhou para mim. Eu olhei para Kim. Kim olhou para todo mundo ainda com medo da ameaça da Jenny. Como explicar nas entrelinhas?
- Então, — Comecei. – Eu consegui uma vaga num acampamento de verão o mesmo que minha melhor amiga frequentava... e nunca me falou! – Reclamei. – E eu descobri ser especial, digamos. Mas no meio do verão eu tive que sair para achar um livro perdido de meu irmão mais velho, que é do mal.
- Novidade. – Kim me interrompeu. – Todo irmão mais velho é do mal. Mas por que você sai de ótimas férias para achar um livro? Argh. Que idiotice.
- Enfim, — Continuei a ignorando. – Esse livro era de Sócrates. Descobrimos que ele não era tão bom assim quanto a crítica dizia. Agora meu irmão me odeia profundamente e estou jurada de morte. E o acampamento está com problema por falta de pessoal para um provável evento difícil que irá acontecer vamos recrutar um grupo de ... amantes de caça que estão na Grécia agora.
- Não gosto das amantes de caça. – Jack falou. – Eu as odeio demais.
Fiquei surpresa com o rancor em sua voz.
- Digamos que... Como vocês jovens dizem? Afrodite adora me trollar.
- Owns, história trágica de amor. – Jenny suspirou. — Adoro isso.
Dei uma cotovelada na barrigada dela. Jack estava nos ajudando de livre e espontânea vontade e ela lhe dava uma dessas. Eu não acredito.
- Ai! Você precisa passar mais tempo com o Victor!
- Cale a boca, Jenny! – Mandei.
- Não, tudo bem.... é, qual é seu nome? – Jack perguntou.
- Roberts. Samantha Roberts. Me chame de Sam, Jack. Estas são Kimberly e Jenny... Jennifer. Argh. – Virei para ela. – Por que eu não consigo te chamar de Jennifer? Você não tem cara de Jennifer.
- Ah, valeu. Liga para o 0800 da minha mãe. Quando ela atender, você reclama com a fábrica e pede para trocar de melhor amiga. – Jenny disse.
- Tosca. Mas, Jack, onde estávamos antes da Jenny soltar a gracinha?
- Na minha trágica história de amor. — Ele riu. – Ah, foi nada. Só... eu tinha uma amiga. Amiga não. Ela era minha melhor amiga em todo o mundo. E, acho que ela gostava de um garoto no acampamento de verão. Ah, eu não aprovei isso nem um pouco. Pode ser que eu gostasse dela um pouquinho a mais como ela pensava. Aí o filho de Apolo metido a besta quis esquentar a noite com ela nos fogos.
- O que você tem contra os filhos de Apolo? – Jenny perguntou.
Jack olhou pelo retrovisor. Balancei a mão na frente do pescoço, indicando para que ele não falasse nada.
- Ah, nada. Só esse em especial. – Jack disfarçou.
- Bom saber disso. – Jenny falou.
- Bom, continuando. Eu meio que gesticulei com ênfase na cara dele por isso. Minha amiga brigou comigo. O gostosão deu um fora dela. Ela ficou com o coração partido e pôs a culpa em mim. Depois de uma semana as amantes de caças deram um pulinho no acampamento a pedido do Sr. D. E... – Jack abaixou os olhos. – Catherine me deixou. Se juntou a elas e nem nos despedimos direito. A última coisa que eu disse a ela foi que eu a odiava por fazer isso, e com isso o que ela fez mesmo era se juntar as amantes de caça. Nunca mais a vi.
Parei um pouco. Nossa, que triste. Apenas três palavras podem mudar sua vida. São elas que demonstram tudo o que você sente. Elas fazem e desfazem laços. E, se ele tivesse dito as três palavras certas, talvez Catherine o estivesse esperando em casa com um belo almoço. Imagino o remorso que ele deve estar sentindo.
E pensei de novo na última vez em que vi Lady Ártemis. Ela me oferecera uma vaga na Caçada. E minha situação não era muito diferente. Eu estava com muita raiva de Nick, brigamos por isso também. E eu nunca fiquei tão grata na minha por ele ter feito alguma burrada e ter pedido desculpas depois. Pensei em como eu estaria agora. Eu seria uma caçadora, imortal, forte e sem meus amigos. Nunca eu iria conseguir fazer o que Catherine fez. Não me arrependo nada mesmo. Afinal, minha vida era muito boa. Bom, naquele momento me parecia.
Enquanto eu filosofava mentalmente, Jack parou o carrinho na frente de nosso avião. Ele desceu do carrinho e nos ajudou a descer da parte das malas. O que foi muito bom já que eu não conseguia enxergar nada com meus cabelos voando ao vento na minha cara.
Pedi para ele que levasse Kim para o salão principal. Olhei para trás e avistei Nick e Queen, ambos com suas mochilas e as nossas nas costas. Jenny se despediu do Jack e correu para a fila de pessoas para entrar no avião. Ficaram Jack e eu, Kim ainda no carrinho.
- Estamos no meio de uma guerra. Sócrates vai atacar e precisamos mesmo das Caçadoras. – Falei para ele.
- Não, tudo bem. – Ele pôs as mãos nos bolsos. – Queria poder ajudar.
- Você poderia voltar ao acampamento um dia desses. – Sorri. – Precisamos de semideuses bons. Semideuses assim como você, Jack. Muito obrigada pela ajuda. Se eu puder recompensa-lo de alguma maneira...
Ele assentiu e mordeu os lábios.
- Pode. Se vir Catherine, se mencionarem sobre ela... quero saber como ela está. Se ainda ela está viva. Se a vir, mande lembranças do velho Jack, ok? E, te imploro, diga a ela o que eu jamais tive coragem de falar enquanto eu podia: diga a ela que eu a amo. Sempre amei. E mesmo que ela não podendo corresponder a esse amor, ela sempre vai estar no meu coração.
- Eu... eu vou. Prometo, Jack.
Ele se despediu com um gesto da cabeça e virou as costas, voltando para o carrinho. Aí me lembrei de algo.
- Ei, Jack! – Gritei.
Jack se virou, surpreso.
- Você não me disse de quem é filho! – Sorri.
- Do bom e doido Éolo. – Ele deu uma risada.
- Que tipo de nome é Éolo? – Kim perguntou. A ignoramos.
- E você? – Ele perguntou.
- Chalé seis. Quando quiser voltar para casa, me encontre no chalé seis.
Com isso acenei e me despedi. Entrei na fila do avião e fui atrás de meus amigos.
Um voo longo para Atenas não era o mais concorrido. A maioria dos assentos estava disponível, de modo que pudéssemos ter quase total liberdade para escolher nossos assentos. O problema era que a fileira era composta por três assentos, um ficaria sobrando. O jeito era sentar de dois em dois. Vamos analisar as opções. Por mais que seja o que eu mais queira, se eu sentar com Nick, Jenny ira reclamar a viagem inteira te estar no papel de vela. Se eu sentasse com Jenny, o que era uma boa, Queen passaria lindas quatorzes horas sentadinha ao lado do meu namorado. Conversando, se abraçando e beijos na bochecha. Nem ferrando! Tá louca? A Queen não vai sentar com o Nick! Sobrou para eu sentar ao lado de Queen, deixando Jenny com Nick, já que nela eu confiava. Ótimo.
Já que nossas coisas eram somente as mochilas, levamos como bagagem de mão mesmo. Eu estava pondo as nossas mochilas no compartimento superior enquanto Jenny e Queen trocavam empolgadas sobre nossas lutas. Choques, trilhas sonoras e tal. Fechei o compartimento e, quando olhei para o lado, Nick estava lá.
- Oi, Srta. Wikipédia.
- Oi.
Ele sorriu.
- Você está bem? Não se machucou né? – Ele perguntou, me rodeando para ver se achava algo fora do lugar.
- Não. Estranhamente, não.
Olhei para os olhos dele. Não consegui evitar em pensar na história de Jack.
- O que foi? – Nick perguntou.
Balancei a cabeça negativamente.
- Nada. – O abracei e encostei minha cabeça em seu ombro. – Só, muito, muito, muito, muito obrigada por ter pedido desculpas. Eu te amo.
- Hã, não sei o que eu fiz, mas de nada. – Ele riu e se aproveitou do momento para me dar um beijo.
Queen grunhiu alguma coisa e depois virou a cara para mim. Desse jeito não ia dar certo, eu tinha que quebrar essa barreira que existia entre mim e a gótica.
Nick já estava me puxando para eu me sentar com ele. Soltei sua mão e tomei coragem para falar.
- Hm, temos que sentar de dois e dois, Nick. E... quero me sentar com a Queen, para ver se eu consigo algo.
Eu nunca vi aquele garoto ficar tão feliz em não estar comigo, argh, que besta. Esse não era o pior dos planos. Mantinha o acampamento a salvo e deixava Nick feliz. Lógico que eu estaria fingindo e tal e tal, mas ele fica feliz em me ver tentando.
Empurrei Jenny para a fileira da frente com o Nick e me sentei ao lado de Queen, que bufou e pensou uma coisa ao meu respeito que nem vou comentar aqui. O avião decolou.
Haviam se passado algumas horas de viagem. A cada pequena turbulência ou curva, Nick se agarrava no assento e esperava o pior. Toda e qualquer tentativa de falar com Queen foi um pleno fracasso e Jenny estava na dela escutando música escondida, já que aparelhos eletrônicos com bleutooth deviam estar desligados. Mas ela me escuta? Não mesmo.
Eu já não estava aguentando. Eu queria conversar com alguém, queria andar, pular, dar cambalhota, sei lá. Mas só não queria ficar ali parada. Mas o que fazer? Uma coisa com que todos se divertissem, para descontrair um pouco. Uma brincadeira? Não, isso é infantil. Depende da brincadeira...
Levantei-me e me apoiei na fileira da frente. Arranquei os fones de ouvidos de Jenny.
- Ei, gente. – Chamei. – Vamos jogar o que você prefere?
- Que jogo é esse? – Queen perguntou.
- Ah, — Nick soltou o cinto e se ajoelhou no assento, se voltando para nossa direção. – É uma brincadeira que a Sam viu em um seriado. É assim: você dá duas opções horríveis para uma pessoa e ela tem que escolher uma, sem outra alternativa.
Jenny também se ajoelhou na poltrona.
- E qual é a graça nisso? – Queen perguntou.
– Deixar a pessoa sem graça, sem opção e sempre é engraçada a justificativa. – Jenny riu. – Vai, Queen. Tá todo mundo dormindo e é legal.
Queen pensou um pouco.
- Legal, eu começo! – Queen anunciou. – Hmm, Jenny, você prefere quebrar seu violão depois de um show na fogueira ou... viver no Polo Sul?
Ela arregalou os olhos ao pensar nas opções.
- Meu violão? Sua maligna! E viver seis meses ao ano sem sol? Quer me matar? Por que é só falar, me jogo do avião.
Ai, essa Jenny. Todos riram.
- Hmm, escolho o Polo Sul. Nem ferrando perco meu violão de novo.
- De novo? – Queen perguntou.
- Longa história. – Nick disse. – Minha vez. Queen, você prefere só ter Happy Rock na sua playlist e não poder mudar ou... pintar seu cabelo de verde?
- Com certeza o Happy Rock.
- Por quê? – Perguntei.
- Porque eu posso comprar outro computador ou IPod, já o cabelo não estou nem um pouco a fim de usar peruca. – Ela riu e eu também.
- Minha vez de perguntar! – Jenny anunciou. Ai que medo, já sabia para quem era. Ela pensou e depois deu uma risada. – Sam, você prefere mergulhar num tanque de aranhas ou terminar com o Nick.
- Aranhas não vale! – Quase gritei.
- Não tem um manual internacional do jogo O Que Você Prefere!– Jenny disse. – Escolha agora!
Ai caramba, pensei. Essa brincadeira é cruel.
- Eu prefiro terminar com o Nick.
Jenny e Queen caíram na gargalhada ao ver como a pose de Nick caiu.
- Como assim, Dona Samantha? – Nick perguntou. – Você vai me largar só para não ficar com as aranhas?
Gargalhei um pouco também, a cara dele era muito engraçada.
- Ora, se eu pulasse num tanque de aranhas eu teria um trauma eterno e iria só ficar trancada no quarto com medo. Se eu terminasse com você, ficaria deprimida pra caramba, mas dois dias depois você engoliria o orgulho e iria pedir para voltar comigo, né Seu Nicholas?
Primeiro seu semblante ficou meio preocupado, como se imaginasse como seria, mas depois ele sorriu com o canto da boca.
- É, Sam. Seria assim mesmo.
Ficamos brincando por mais meia hora. Depois disso veio o almoço, que, a propósito, estava muito bom. Nick já estava dormindo e depois Jenny cedeu, encostou nele e dormiu também. Ela eu permito, ok? Mas se fosse a Queen que estivesse fazendo isso, ah, ela iria morrer. Em falar nela, ela estava encostada na janela, observando a paisagem. Na verdade, era o mar mesmo, a sei lá quantos mil metros abaixo.
- Pensando em algo? – Perguntei para puxar assunto.
- Pode ser.
Ah, esquece a estratégia. Agora isso era meta pessoal. Eu conseguiria ser amiga de Queen.
- Por que você me odeia tanto assim? – Explodi.
Ela somente sorriu com o canto da boca incrédula e balançou a cabeça.
- Vamos pensar desse jeito. – Queen falou. – Se você fosse eu, você se odiaria?
Tá, filosofando desse jeito eu me elegi ao título a Garota Mais Idiota de Todas. Vamos pensar assim. Eu conheço Nick há éons. E, sem querer, acabo gostando de Nick... porque ele é o Nick, oras. Nunca tive coragem de falar isso para ele. Minha vida estava tranquila, eu andava pelas sombras, escondia tudo muito bem e tudo muda quando recebo uma M.I. com uma amiga pedindo ajuda para levar Nick desacordado para o acampamento. Lá me deparo com uma garota desconhecida, que é melhor amiga da minha amiga e que gosta do mesmo garoto que eu. Cuido de Nick por muito tempo e quando ele acorda sabe como ele me agradece? Sim, começa a namorar a garota que mal conhece. Queen conseguiu. A partir de agora, eu me odeio.
- Desculpas. – Pedi e abaixei a cabeça. – E que eu...
- Eu sei. E vou deixar claro que esse é o único motivo para você estar viva.
Ela encostou as costas com tudo na poltrona. Assim não iria dar certo. Pela primeira vez em toda minha vida, eu queria fazer Queen sorrir e conversar comigo.
Suspirei.
- Olhe, eu sei que foi muita sacanagem o que eu fiz com você. Também reconheço que fiz de sua vida um inferno, assim como você fez a minha... Mas não quero que fiquemos nesse pé de guerra. Não estou pedindo para você ser minha melhor amiga. Não estou pedindo para você se levantar e me dar um abraço e fingir que nada aconteceu. Só quero que recomecemos do zero. Hm, pazes?
Ela olhou para mim.
- Está fazendo isso por você ou por que Nick pediu? – Queen perguntou.
- Primeiro foi por causa dele. – Menti. – Mas você insistiu tanto que peguei birra. – Ela sorriu.
- Ok. Prometo não tentar te matar diretamente.
- O que você quer dizer com isso?
Tudo o que ela fez foi dar risada.
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