Notas iniciais
Miiil perdões pela demora. Estou com criatividade zero. Bom, esse capitulo é mais para enrolar, dar o número de caps q eu quero ao término da fic. Mas é um capítulo bem Samantholas, acho que irão gostar.

Eu não vi o tempo passar, eu não senti sono, eu não senti medo. Eu estava bem de novo. Eu praticamente passei o resto da noite tocando, e Queen ao meu lado, às vezes cantando, às vezes ouvindo ao piano. Ok, posso admitir que ela não é das piores cantando. Deve ser um talento hereditário, tal mãe, tal filha. Mas, como eu gosto de viver nesse mundo cheio de problemas, não ousei falar isso para ela.

Fomos pegas de surpresa por Jenny e Nick, que estavam preocupados com nosso sumiço. Tentamos disfarçar, fingindo que acabamos de chegar lá, mas nossos olhos vermelhos e as olheiras não ajudaram muito.

– Suas tontas! Por que sumiram sem nos avisar? – Jenny perguntou.

Queen estava formulando alguma resposta na cabeça, mas eu intervim.

– Culpa minha. Eu não consegui dormi então vim para cá tocar um pouco. Queen... acordou de madrugada e passou pelo nosso quarto e não me viu, então resolveu me procurar. Ficamos conversando e não vimos o tempo passar.

– Vocês? Juntas? Uma noite inteira? E ninguém está com hematomas para eu tratar? – Jenny perguntou.

Queen e eu reviramos os olhos ao mesmo tempo.

– Não devia ficar saindo por aí de madrugada. — Nick disse. — Fiquei assustado.- ele fez foi chegar ao meu lado e dar um beijo no topo da minha cabeça. — Você disse que não dormiu. Sonhos de novo? – Ele perguntou.

Suspirei a assenti. E lá vou eu, contar sobre meu sonho de novo. Mas eles ouviram com atenção, menos a Jenny, que pegou um violão e começou a dedilhar. Mas depois ela começou prestar atenção, quanto mais eu falava da menina, mais ela ficava nervosa.

– Então é isso. Ah, devo mencionar que Queen sabe quem é a infiltrada e não quer me contar? E a Jenny também, né?

Jenny olhou para Queen.

– Você não acha que é ela, não é? – Jenny perguntou.

– Eu pensei que, sim, mas é impossível. Depois de tudo, mesmo se ela conseguisse fazer isso, ela não faria isso com a gente.

– Nick – Jenny sussurrou, como se a ideia fosse absurda. – Me diga que não é ela.

– Não, não é ela. – Ele negou. – Não pode ser.

– Quem é essa maldita infiltrada? – Gritei.

– Ninguém que sabemos. – Jenny se convenceu. – Não pode ser ela. Como Queen disse, ela nunca faria isso com a gente.

– Gente, sejamos racionais. Quem você achava que não seria, será. – Repeti pela milésima vez. – Não podemos mais confiar em ninguém nessa altura do campeonato. Ninguém. Agora, por favor, me falem que é a infiltrado por que, a cada sonho que tenho, sinto que estou perdendo minha sanidade mental. Eu preciso saber quem é ela, tenho que saber com quem vou lutar. Por favor.

Eles se entreolharam e fizeram uma conversa silenciosa.

– Não. Esquece, Sam. – Nick mandou. – Isso só vai te deixar estressada ou com mais raiva de Sócrates, até mesmo confusa. Não. É. Ela.

– Ela quem? Preciso ouvir da boca de vocês, ou vou arrancar à força essa informação de vocês.

Nick pôs as mãos em meus ombros e me olhou bem nos olhos.

– Esquece, ok? E seria uma grande prova de respeito para conosco se você não usasse seus poderes sobre a gente. Não é quem pensamos. E mesmo se fosse ela, é nossa amiga. Fique tranquila.

Tirei seus braços de me ombro com tudo e franzi o cenho. Não era preciso dizer mais nada. Peguei meu casaco em cima do piano e o amarrei na cintura. Passei por tudo mundo irritada, naturalmente. Odeio quando escondem coisas de mim. Odeio quando essas coisas são a despeito de algo que me interesse e muito. Parei na porta e dei uma última olhada para trás.

– Na guerra não existe amigos. Somente inimigos.

Depois disso, sai da sala e deixe-os lá, debatendo algo que nem mortos queriam falar comigo. Humpf. Respeito. Para começar, se eles tivessem um pingo de respeito comigo eles falariam. Eu estou ficando louca! Será que eles não percebem? Sócrates estava nos caçando até agora, meu avião acabara de cair e eu matei centenas de pessoas, Kimberly está mais louca do que o normal e ele também me persegue em todos meus sonhos há meses. Não aguento mais! Essa guerra é loucura. Eu podia ter mata-lo no Monte Tamalpais antes, ele estava de joelhos na minha frente. Fui fraca. E se arrependimento matasse, juro pelo Estige que eu já estava morta e dura ali no chão. Mas eu preciso terminar o que comecei. Verei Sócrates nessa próxima batalha. Lutarei com ele. O matarei. E farei isso nem que custe minha própria vida.

Tentei me concentrar em nada no elevador. Sim, exatamente isso. Queria esvaziar minha cabeça de quaisquer preocupações. Esquecer. Bom, mente sã, corpo são.

Passei pelo corredor tentando lembrar que tenho pés, acho que sou eficiente demais em esquecer. Turistas me olhavam com desprezo, medo e outro correram para pegar seus celulares. Acho que me reconheceram da TV. Droga, daqui a pouco a polícia está no hotel para fazer um interrogatório que não vamos entender. Se formos pegos pela polícia, eles nos mandarão para casa à força e a missão já era.

Comecei a juntar minhas coisas pelo quarto, arrumar a cama, e ver se aparecia mais algo sobre a gente no noticiário. Encontraram mais corpos nessa manhã, totalmente desfigurados que nem mostraram na matéria. A perícia ainda não tinha conseguido reconhecer os donos dos corpos. Ótimo, matei aquelas pessoas e não posso permitir que suas famílias possam fazer um velório digno a elas.

Nesse momento de frustação Jenny entrou no quarto. Trocamos olhares, mas logo desviei meus olhos para outro lugar, qualquer outro lugar. Ela começou a juntar suas coisas também e também desvia o olhar, ela não estava bem por alguma coisa. Posso não usar meus poderes, mas eu li todos os livros de Sherlock Holmes e eu vou investigar.

Pegamos tudo e fomos em direção ao corredor. Eu olhava para Jenny enquanto ela olhava para o elevador e virava o rosto quando ela olhava para mim, bem assim. Não trocamos uma palavra sequer. Nick fez o check-out e saímos então do hotel. Nos salvamos pela mímica de Jenny, o que fez seu ego ficar maior ainda. Tivemos que andar umas cinco quadras a pé e gastar parte significativa de nosso dinheiro, mas alugamos o carro para vir até a cidade ao lado. O recepcionista disse para deixarmos o carro na filial deles na cidade e nos deu a chave.

Nick queria que eu me sentasse no banco de passageiro para ficar com ele. Mas não hesitei em sentar no banco de trás para dormir, eu precisava disso. Jenny sentou-se a frente com Nick e Queen fez o mesmo que eu. Dormi em picadinhos, a cada piscada de olho uma visão horrível. A guerra, irmãos e amigos morrendo. Mas os últimos são sempre os piores. Jenny pendurada pela mão num abismo, então eu tento pega-la, mas acabo piorando tudo. Minha mão está escorregadia devido ao sangue e a deixo cair e nunca mais volto a vê-la. Acordo desesperada querendo me jogar no abismo para buscar Jenny, mas ela está lá, pondo no máximo o volume do carro ouvindo Avril Lavigne. Suspiro em alívio e durmo de novo. Nesse sonho eu preferia morrer. Estava eu e Nick lá no píer, conversando sobre nosso dia, rindo e brincando. A trombeta de concha toca cinco vezes, o que significa batalha no acampamento. Corremos, vestimos nossas armaduras. Lutamos contra monstros e alguns semideuses, mas congelei a ver Sócrates em cima do Punho de Zeus. Quando me forcei a dar um passo à frente, comecei a correr em sua direção. Olho para minha direita, Nick arrancava e já estava ao meu lado. Perfeito, não poderia fazer isso com mais ninguém ao meu lado. Começamos a lutar, dois contra um, a batalha já era nossa. Mas Sócrates me da uma rasteira e caio no chão. Eu iria levantar, mas Jenny grita por meu nome desesperada então olho para ela. Quando volto minha visão a Sócrates, que está abaixando sua lâmina para finca-la em meu estômago. Fecho os olhos, esperando a morte certa, mas algo pior que a morta acontece. Minha morte em vida. Nick se joga em minha frente e recebe a lâmina de Sócrates em meu lugar. Não grito, e sim libero toda a raiva e dor pela garganta. De repente, tudo está preto. Só existe Nick e eu e ele morrendo a cada segundo. Não consigo dizer nada, porque choro demais. Seguro sua mão e imploro para que ele não vá embora, mas ele já se conformou. Ele faz seu último esforço para levantar a cabeça e me dá um beijo. Então sua mão solta a minha.

Abro os olhos em agonia. Levanto o meu corpo e fico totalmente ereta. A minha frente está Nick, dirigindo e sorrindo. Esse sonho pode se tornar realidade. Ele faria isso por mim e eu o mesmo. Penso na possibilidade de perdê-lo, não consigo imaginar nada. Levei minhas mãos à cabeça e desabei em choro.

– Sam? Sam! – Nick encosta o carro. Ele vira o corpo para trás. – Pelo amor dos deuses, o que houve?

Não falei nada. Abri a porta do carro e corri para fora, abri a porta dele. Assim que ele saiu do carro o abracei, o abracei para não soltar jamais. Ele não entendeu nada, mas me apertou mais forte e acariciou minhas costas.

– Não vá embora, não deixe eles tirarem você de mim. – Sussurrei

– Nunca.