Samantha Roberts - O Infiltrado
5 De novo não...
Notas iniciais
Passou uma semana no acampamento. Não, nenhum semideus mais chegou. Nenhum sátiro mandou notícias. Pelo contrário, sumiram-se mais cinco semideuses. Seja quem for esse maldito infiltrado, estava fazendo um ótimo trabalho. Sim, fiquei de olho em Queen. Mas aquela garota, literalmente, some nas sombras. Quando ela quer, ninguém a encontra. A não ser que Nick queira vê-la, aí ela aparece rapidinho. Ninguém merece...
Como de costume, sou a primeira a acordar do chalé. Troquei de roupa para o tradicional uniforme do acampamento. Dei um tapinha em meu rosto para me acordar. Como sempre, eu sonhei com Sócrates. Eu e ele, no Monte Tamalpais e eu querendo pular para a morte. Argh, que droga.
Sai pela porta do chalé enquanto ainda prendia meu cabelo. Nossa, eu acordei cedo demais hoje. O sol estava nascendo agora. O ar estava fresco. O vento que vinha do sudoeste trazia o cheiro dos morangos. Bateu uma fome, mas eu tinha que esperar o café da manhã.
Quando não tenho para fazer de manhã o que eu faço? Acertou! Eu já estava indo para o píer matar o tempo. Aí um arrepio percorreu meu corpo inteiro. Eu quero ir... não, mas eu tenho... píer... não quero. Algo me dizia para não ir para lá. Mas para onde? Olhei para o leste... a floresta. Eu queria ir para a floresta agora. Meus pés foram sem eu mandar para lá.
O Acampamento Meio-Sangue parecia ter recebido uma benção de Hipnos hoje. Muito estranho, mas ninguém tinha acordado. Só havia algum movimento aparente na Casa Grande. Não gostei disso, fiquei preocupada.
Entrei na floresta. Fiquei andando entre as árvores, os raios do Sol passavam entre a folhagem. Olhei para os lados e não havia ninguém. Por que diabos eu havia ido para lá? Olhei mais para frente da floresta. Lago após o Punho de Zeus ... parte escura da floresta. Algo me deu uma vontade descomunal de visitar o posto de observação secreto meu e de Nick. Fui mais adentro da floresta.
Eu já estava me forçando a voltar quando vi uma luz bem no posto de observação. Agora eu tinha ver o que está acontecendo. Andei cautelosamente entre as raízes grossas das árvores. Os raios de sol atingiam meu rosto com maior intensidade conforme a floresta ficava mais aberta. Esfreguei bem meus olhos para ter certeza de que não estava vendo coisas. Mas essa não seria a maior surpresa de meu dia.
Ela estava vestida como sempre: totalmente simples para uma deusa. Seu cinto, que embainhava sua pequena adaga, estava preso em seus clássicos jeans azuis escuros. Uma camisa básica verde e tênis de lona. Ela estava sentada numa rocha lendo algum livro, ao seu lado havia uma sacola rosa com alguma escrita em grego, que eu estava com muita preguiça para traduzir. Bom, como ela era uma deusa, havia uma aura de poder a sua volta.
— Mãe? – Perguntei. Bom, eu sabia que era ela. Mas vai ver que eu estou sonhando ou enlouqueci de vez.
Ela fechou o livro e olhou para mim, com um sorriso que geralmente ela não mostra para qualquer um. Só quando a situação não é séria ou está com algum filho dela. Ela se levantou e deu alguns passos em minha direção.
— O que a senhora está fazendo aqui? – Perguntei.
— Ora, vim te desejar feliz dezesseis anos. Um pouco atrasado, mas...
Muito atrasado, pensei.
— Esta ciente de que eu também leio seus pensamentos, certo? – Mamãe disse.
Agora me ferrei.
Mamãe apenas deu uma risada.
-Hãn, quer dizer, eu queria e senhora me desejando feliz aniversário... sabe? Realmente no dia de meu aniversário. – Confessei.
— Sinto muito se eu a deixei magoada. Mas creio que minha visita e meu presente sejam mais úteis nesse momento.
— Ah, mãe, mas eu não quero presen... – Mamãe fez um sinal para que eu parasse com o discurso.
— Eu sei que você precisa disso. Vá por mim.
Se a deusa da sabedoria é quem está dizendo isso, é melhor não discordar. Sorri para ela e mamãe retribuiu com outro sorriso.
Ela pegou a sacola e entregou para mim.
— Feliz aniversário, filha. Mas, shiu. Esse é nosso segredo, o.k. ?
— Muito obrigada, mãe! – Falei com entusiasmo. Bom, pelo o que eu saiba, o último presente que ela me deu foi meu colar. E se esse presente fosse tão bom e tão útil quanto Sabedoria, eu nem saberia como agradecer.
Abri a sacola e vi um manto branco. O tirei da sacola e o abri, era um casaco. Seu zíper era cinza, assim como algum de seus detalhes. Na parte esquerda do casaco, bem em cima do coração, havia o símbolo de Atena: uma coruja prateada. Em seus selo estava escrito algo em grego... Butique Afrodite, traduzi. Clichê. Experimentei o casaco. Servia direitinho em mim. Pus as mãos no bolso. Era super quentinho e confortável, mas não vejo uso para ele em pleno verão.
— Será mais útil do que você pensa, Sam. – Minha mãe disse. – Isso irá te proteger. Use em suas próximas batalhas, apresar de que tudo, isso irá te ajudar.
— Próximas batalhas? – Perguntei, um tanto quanto triste. – A senhora não acha mesmo que Sócrates irá nos atacar, não é?
— Ele fará o que mais o deixar perto da vitória, filha. Você sabe o que ele irá fazer. Vocês precisam de ajuda. Tentei conversar com Ártemis, creio que ela poderá fornecer suas caçadoras para essa batalha. Mas não consegui falar com ela ainda, ela está caçando e talvez não queira ser incomodada. Ela ainda não está sabendo do estado de emergência do Acampamento Meio-Sangue. Seria bom que você falasse com Quíron sobre isso, pedir-lhe uma missão. Aumentaria as chances de vitória do acampamento. Talvez, não haja outra opção de ganhar.
— Farei de tudo para salvar o acampamento, mãe. Prometo.
— Sei que fara, Sam. Aliás, você é minha filha.
E ela fez uma coisa que eu nem imaginaria em meus melhores sonhos. Mamãe abriu os braços e me envolveu num abraço. Tenho que admitir, fiquei tão surpresa que acho que nem aproveitei nosso único momento mãe e filha direito. Depois de eu cair na real e descobrir que eu não estava sonhando, apertei minha mãe ainda mais. O abraço dela era gostoso e convidativo, você se sente completo e... feliz, muito feliz.
— Ma-mamãe, a senhora acabou de me...
— Feliz aniversário mais uma vez, filha. Mande lembranças para Briana e todos seus irmãos também. Nos falaremos em breve. Agora você tem de ir, estão te esperando lá embaixo. Creio que todos já devem estar acordados.
— Certo. – Falei. – Até algum dia.
Comecei a descer pela floresta. Olhei para trás mais uma vez. Mamãe acenou para mim, fiz o mesmo. Depois que me virei, uma luz se acendeu logo atrás, juntamente com um vento que passou por mim. Minha mãe se fora.
Quando cheguei ao meu chalé, já não havia mais ninguém lá. Corri para o Pavilhão de Refeitório para tomar café da manhã com meus irmãos. Me sentei a mesa do Chalé 6 bem quando estavam sendo servidos. Pegamos nossos pratos e fomos para o brasão em chamas fazer nossa oferenda. Peguei a panqueca com mais calda e joguei no fogo. Para Atena. Obrigada pelo presente, mãe. Por favor, me ajude nessa próxima batalha que está chegando. Me dê forças para que eu possa salvar o acampamento e o Olimpo. Não irá se decepcionar.
Voltamos para a mesa e começamos a comer.
— Samantha Roberts! Onde você se meteu essa manhã? – Briana perguntou. – Acordei muito cedo também e você deu outro típico sumiço.
— Fique tranquila, Bri. Só fui dar um passeio. Não conseguir dormir. Não sai do acampamento ou infligi alguma regra.
Ela não estava totalmente convencida, mas voltou a comer. Clarck apontou com o garfo para mim, depois de mastigar ele falou.
— E qual é a desse casaco? – Ele perguntou. – Está um calor do Mundo Inferior aqui.
— Ah, isso? – Ai, caramba! Esse é nosso segredo, o.k. ?, mamãe tinha dito. Esqueci de tirar o casaco quando estava no chalé. Vlacas! Arranje uma boa desculpa, Sam. – É que eu acordei bem cedo, estava ventando muito de manhã.
Só que diferente de Briana, quando Clarck não se convence de algo, ele vai até o fim.
— Mas eu nunca vi esse casaco. – Clarck percebeu. — Comprou ele quando?
— Hãn, agora. Esses dias.
— No verão?
— Eles ficam mais baratos no verão, o.k. ? – Essa foi a ultima desculpa que eu tinha em minha manga. Por sorte, Clarck engoliu essa.
. . .
Depois disso o dia de treinamento continua. Hoje eu não estraguei nenhum boneco-alvo. Olhe que milagre! No arco e flecha eu até consegui acertar uma ou duas flechas no centro do alvo. Jenny nem conseguiu rir de mim hoje. Na escala foi tudo normal, não era minha melhor modalidade, mas eu até me saia bem. No geral, foi um ótimo dia de treinamentos, não irei ficar detalhando.
Tomei um bom banho, para ver se me esfriava mais. Já era hora da fogueira. Todos estavam se reunindo, cheio de brincadeiras. Hoje eu não estava a fim de fogueira, não sei por quê. Fiquei sentada na varanda de meu chalé, observando. Fiquei vendo Queen. Ela deu uma olhada séria para mim e depois foi se juntar a fogueira. Acho que ela não engolia muito bem esse negócio de eu estar tentando uma ‘’ amizade ‘’ com ela. Ela não é minha irmã, mas não é burra. Ela estava um tanto quanto desconfiada ainda. Queen se sentou em uma tora perto de nosso grupo.
Alex chegou ao meu lado rindo e correndo. Deve ter pregado mais uma peça, pensei. Ela chegou e se escondeu ao meu lado. Depois disso umas garotas do chalé de Afrodite passaram. Ei, Afrodite não! Eram filha de Ares, com roupas totalmente... na moda? Bonitas? De Patricinhas, essa era a melhor definição.
Olhei surpresa para Alex.
— O que você fez? – Perguntei.
— Já estava mais do que na hora delas trocarem o guarda-roupa, não? – Ela disse limpando as mãos.
Eu ri e continuei a olhar a Queen.
— Você tem uma antipatia com a Queen que até me comove. – Ela reparou.
— Ah, eu não...
— Você tem sim. Mas fique tranquila, eu também não gosto dela. Somos duas.
— Por quê? – Perguntei.
— Ela é vingativa! Não sabe receber uma peça sem ficar quieta. Foi o maior mico que eu já paguei! – Nós rimos, mas logo voltei meus olhos à fogueira. – Por cinco dracmas eu dou uma nova decoração de Hello Kitty para o chalé dela. Com direito até a pintura rosa. – Alex me ofereceu.
Pensei direito no assunto. Hmm, não custa nada.
— Certo. – Aceitei a oferta. – Mas, foi a Alex que vai fazer isso, o.k. ?
— Claro que sim, tudo por conta da Alex. É ela que quer, só que terá um incentivo de um anônimo por aí. – Ela riu e eu também.
— Mas os dracmas só dou depois da reforma, hein!
Ela deu mais de uns de seus sorrisos maliciosos.
— Você é esperta. Agora vou para a fogueira, não fique aqui fazendo nada sozinha. Que coisa chata. Vamos, essa é hora de nos divertimos e você não vai ficar aí.
Antes que eu negasse ou fizesse qualquer tipo de movimento, Alex me agarrou pela mão e me levantou. Depois eu meio que dei uma gargalhada com essa situação e pedi para ela me soltar, eu iria de livre e espontânea vontade agora.
Me sentei entre Nick e Jenny. Nick pôs seu braço em volta de meus ombros e me deu um beijo na bochecha. Deitei minha cabeça em seu ombro e fui no embalo das canções. Vez da Jenny escolher a música, essa sempre é umas das melhores horas da fogueira. É obvio que ela iria escolher uma música de sua cantora favorita...
— Avril Lavigne! Vamos de Avril Lavigne agora. – Jenny anunciou. – Hmm, eu quero cantar I Will Be agora, gente. Bom, vai ser essa.
Jenny dedilhou no violão antes de lembrar os acordes da música, como ela sempre faz. A música começou.
Para a infelicidade de Jenny, a música não durou nem um minuto sequer. Rachel se levantou, com aqueles seus olhos que estavam prestes a lançar uma profecia. Não vem em minha direção, não em minha direção. Sai, Rachel! Ai, droga, pensei. Rachel estava bem na minha frente agora. Nick se levantou e deu sua mão para eu me levantar também. Jenny também encostou seu violão na tora e se levantou ao meu lado.
Rachel configurou seu rosto, está na hora. Dei um passo à frente dos dois. Ela recitou a profecia.
‘’ Viajarás para o leste, para o lugar de suas origens.
Procurará as servas de Ártemis, a única esperança que ainda tens.
Na casa da deusa as encontra.
Quem você achava que não seria, será.
E a linha de sucessão continuará. ‘’
Com isso eu tinha três certezas. A primeira: o trio sairia em missão de novo. Segunda: a batalha contra Sócrates está muito perto. A terceira: que Zack e Apolo tinham razão, tudo dependia de mim agora.
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