Samantha Roberts - O Infiltrado

6 Nova integrante no grupo.


Notas iniciais
Desculpem a demora, sem inspiração ... Espero que gostem

Eu queria e não queria ir para essa missão. Confuso? Nem tanto. Eu não queria ter toda essa pressão. Se eu não encontrasse as Caçadoras a tempo e o acampamento perder essa batalha contra Sócrates, a culpa seria toda minha. Mas eu queria ir para lá, só para voltar e ver a cara de surpresa dele. Eu queria tentar voltar a tempo só para poder lutar contra ele de novo. Dessa vez não seria fraca. Se eu tiver chances, o matarei.

Quíron mandou fazerem uma reunião do Conselho de Guerra assim que Rachel apagou. Ajudei os garotos a levarem Rachel para seu quarto improvisado na Casa Grande, depois ela voltaria para sua gruta. Acho que ela só visitou a acampamento hoje porque sabia que iria recitar mais uma profecia.

Olhei seu quarto. Cheio de papeis de rascunhos de desenhos amassados, alguns CD’s de música e até uma tela ainda não acabada. Creio que sua gruta deve ter muito mais desenhos do que aqui.

Eu estava indo embora quando pisei em um bloco de desenhos dela. O peguei para dar uma olhadinha, amo os desenhos dela. Dei uma rápida folheada. No geral, eram desenhos de campistas. Da natureza do acampamento, as dríades, algumas pessoas, uma família – acho que devia ser a dela. Outros já eram desenhos de natureza-morta e tal. Nas folhas finais do bloco vi alguns desenhos que me chamaram atenção. Eram de uma garota. Uns ela estava sorrindo e com alguns campistas. Outros ela estava lutando com monstros com uma espada – seu semblante era totalmente sério e concentrado . E o ultimo desenho era de seu rosto, ela estava chorando. Olhei melhor para o desenho, a garota não me era estranha. Não dava para ver suas características físicas muito bem, pois e desenho era a lápis. Olhei para seu pescoço, ela tinha um colar... com um pingente de coruja. Deixei cair o bloco de Rachel no chão. A garota dos desenhos era eu.

Por que será que Rachel me desenhou? O que isso significa? Ela teve alguma visão comigo e desenhou aquilo? Foi por puro entretenimento? Eu fico boa de modelo? Eu ficava me perguntando isso enquanto descia as escadarias da Casa Grande.

Sentei em minha carteira do conselho. Fiquei esperando todos se sentarem também. Como de costume, fiquei observando o semblante e o comportamento de cada pessoa na mesa. Briana olhava para mim preocupada. O pouco tempo que eu ficava com minha mãe Briana compensava. Ela me amava por mamãe e por ela. E comigo o sentimento é igual. Nick olhava para mim meio aquele estilo bobo apaixonado, mas, quando ele percebeu que eu também estava olhando para ele, pulou de susto na cadeira e sentou ereto. Ri muito da cara dele. Jenny estava escutando música escondida em seu celular – já que temos uma politica sobre não usarmos celulares no acampamento. Alex estava com seu típico sorriso malicioso na boca. Acho que Queen vai adorar a nova decoração. Em falar em Queen, ela estava quieta na cadeira dela. A maioria estava tranquila, eles já sabiam quem seriam meus companheiros de viagem. Ou pensavam que sabiam.

– Bem, campistas, vamos primeiramente discutir sobre a profecia. Tentar pelo menos matar alguns versos agora. – Quíron disse.

– ‘’ Viajarás para o leste, para o lugar de suas origens.’’ – Gabriel lembrou.

– Hmm, não entendi. – Matt confessou.

Bufei e revirei os olhos. Lerdeza demais me irrita.

– Você não tem uma mínima noção do mapa-múndi? – Perguntei retoricamente. – De onde você descende? Dos deuses! Leste! Dã! Ártemis está caçando na Grécia. – Conclui.

– Como você sabe que ela está especificamente caçando? – Me perguntou Hailey, a filha de Zeus.

Hora de outra desculpa power da Sam, pensei.

– Err, é isso o que ela faz, não? É a deusa da caça, vive viajando. Ou simplesmente quis dar uma passadinha em casa ou sei lá. Não sou vidente. – Não foi uma desculpa tão power assim, pensei. Mas acho que engoliram.

Murmúrios de concordância.

– Certo. Os outros versos acho que são um pouco óbvios. – Quíron disse. – Mas os versos finais me incomodam, Sam. ‘’Quem você achava que não seria, será. E a linha de sucessão continuará. ‘’ – Quíron citou os versos da profecia. – O que você acha que isso significa?

Me ajeitei na cadeira e leve minha mãe ao queixo, para fazer aquele gesto pensativo.

– Tem tantas coisas que eu acho que nunca irão acontecer. Esse verso pode se referir a qualquer coisa. Hmm, e essa linha de sucessão. – Arregalei os olhos ao pensar numa ideia absurda. – Se os deuses são nossos pais e se nós semideuses reinarmos, isso quer dizer que... ‘’ a linha de sucessão continuará ‘’. – Conclui.

Briana pigarreou.

– Ou pode ser uma coisa muito mais simples. – Ela disse e sorriu para mim.

– La vem você de novo. – Revirei os olhos. – Não!

Acho que ninguém entendia o motivo da discussão. Deuses, como ela é chata. Sr. D. fez um gesto de basta com as mãos.

– Parem. – Ele pediu e olhou para mim. – Sara, já que as palavras do Oraculo de Delfos fora dirigidas a você, blá blá blá. Você terá que liderar essa missão para a busca das Caçadoras, blá blá blá. Você aceita essa responsabilidade?

Todos olham para mim. Não tinha como dizer outra coisa. Me levantei de minha cadeira, só pra fazer uma cena dramática. Amo.

– Eu aceito a missão. – Falo mais firmemente possível, para disfarçar o medo que eu estava sentindo. O que não é legal, isso vindo de uma filha da deusa da coragem. Tentei disfarçar também a vergonha que eu tinha disso. Que coisa.

– Certo. Escolha seus acompanhantes de viajem. – Disse Quíron.

Olhei para Jenny.

– Você vem comigo? – Perguntei.

– Até na parte mais profunda do Tártaro. – Ela sorriu para mim, retribui com meu melhor e mais sincero sorriso. – Estamos juntas nessa.

Fiz minha carinha de cachorro para Nick. Ele piscou para mim.

– É lógico que eu vou com você, amor. – Ele disse. – Não vou te deixar a mercê dos monstros. E dos garotos europeus... – Ele disse a última parte baixinho. Bobo.

– Certo. – Quíron disse. – Então vocês saem em missão...

– Pera! – Quase gritei. Eu tinha que fazer isso, para eu para de ficar com a pulga atrás da orelha. – Eu quero que a Queen me acompanhe nessa missão.

Momento de choque do conselho. Principalmente de Queen e Nick.

– Err, ela vai ser útil na missão. – Tive que me esforçar muito para as palavras saírem de minha boca, e para eu não rir com elas. – Queen é corajosa e muito poderosa. Além disso, luta muito bem e... ah, vocês sabem. Acho que ela será importante na missão.

Quíron murmurou algo com Sr. D. Eles entraram a um acordo, o que não é muito normal. Sr. D. bufou e se ajeitou. Quíron olhou para mim com aqueles olhos experientes dele, pensando no que iria falar.

– Vejo dois problemas nesse seu plano de missão, Samantha. – Quíron falou. – O primeiro: você excedeu o número de companheiros de missão. O número três... é como se fosse de sorte, você sabe disso. E, se vocês vão para a Grécia, terão de ir de avião. E Nicholas é um filho de Poseidon, logo não será muito seguro para todos vocês irem de avião.

Nick ficou fora de área por um minuto tentando cair na real. Ele não poderia ir na missão comigo.

– Vamos por mar! — Ele levantou um pouco a voz, nem precisava entrar e seus pensamentos para ver no que ele estava pensando. Seus olhos suplicantes falavam tudo.

– Irão demorar muito! – Disse o Sr. D. – Talvez, não tenhamos esse tempo todo.

Jenny olhou para mim. Queen olhou para mim. Nick olhava para mim com aquela carinha de cachorro pedindo para eu resolver. Todos olhavam para mim. Já devo ter falado que odeio isso, certo?

– Sr. D. , o senhor não acha que poderia marcar uma audiência com Zeus? – Perguntei. – Afinal, estamos fazendo isso para salvar o Olimpo. Seria burrice ele matar o Nick.

Trovões passaram pelo céu. Todos olhavam para mim com medo.

– Eu disse que seria uma burrice! Não que ele é burro! – Gritei, para essas coisas os deuses estão sempre nos ouvindo, né. Ok, deixe quieto.

Quíron olhou para Sr. D., como se dissesse não é uma má ideia. Ele olhou para Nick, para Jenny e Queen e todos os outros que pareciam concordar com a ideia.

– Converso com ele ainda hoje. – Sr. D. anunciou. – Se ele aceitar esta reunião, te comunicarei amanhã de manhã. Se assim for aceito seu pedido, vocês quatro irão de avião para a Grécia procurar pelas Caçadoras. Isso se a Quiara aceitar ir à missão com você.

Queen revirou os olhos. O dia em que ele acertasse nossos nomes, Nick iria para de chupar do dedão enquanto dorme. Já estou trabalhando nisso. Em fala em Nick, ele olhava implorando para Queen aceitar. Jenny também pedia para ela aceitar. Ela olhou para mim, ela queria ouvir essas palavras de mim. Engoli seco, as palavras me custaram muito a sair.

– Queen, eu quero que você vá com a gente. Por favor. – Pedi.

Ela balançou a cabeça em concordância.

– Estou nessa. – Ela disse meio desconfiada. – Vou com vocês.

Expirei de alívio. Nick abriu o sorriso mais lindo que só ele tem. Pisquei para ele e ele entendeu o recado. Jenny estava surpresa com a ação de Queen, assim como todo mundo na mesa estava. Somos as inimigas declaradas do acampamento, todo mundo sabia disso. Eu a odiava por um dia ela querer o Nick só para ela, isso se ela ainda não desencanou, o que eu ainda desconfiava. Mas se eu queria me certificar de algo, para deixar o acampamento a salvo. Terei de ser ótima atriz.

– Certo. Todos dispensados. – Anunciou Sr. D.

Depois disso todos se levantaram e foram para nossos chalés. Dei um abraço em Jenny, Briana e Victor e fui para fora. E já iria dar outros de meus perdidos quando Queen me barra no meio do caminho.

– Por que você fez isso? – Ela perguntou. – Você está estranha demais. Um dia você me jura de morte, outro dia você me pede para andar com você. Eu te odeio! Você me odeia! Ou não odeia?

– Estou me esforçando, ok? E eu quero salvar minha casa. Se eu fosse você, também quereria.

Depois disso e dei as costas para ela, acho que eu não conseguiria mais me manter no sério com ela. Ela gritou alguma coisa para mim, acho que, finalmente, ela não me xingou. Deveria estar querendo falar. Mas agora eu iria tirar um tempo para mim.

Depois que eu conseguir distrair as harpias e me certifiquei de que tudo estava segura, fui passear. Na verdade, não era um passeio. Era mais um encontro, já que Nick estaria me esperando em nosso posto de observação.

Fiz o mesmo caminho que eu tinha feito de manhã. Passeando pela floresta. Passei pelo riacho, o Punho de Zeus, a parte mais escura da floresta, aí cheguei lá. Nick estava sentando em uma rocha ouvindo música. Bom, pelo jeito que ele se mexia devia ser aqueles rock da vida que ele ouve.

Cheguei sem fazer barulho atrás dele. Tirei seus fones de ouvido e cobri seus olhos com a minhas mãos.

– Adivinha quem é. – Eu disse.

– Eu não sou adivinho e nem a Rachel. – Ele disse.

Encostei minha cabeça na dele e sussurrei em seu ouvido.

– Faz um esforço.

Ele riu e pôs suas mãos sobre as minhas. Ele ficou acariciando meus dedos delicadamente e foi descendo para a mão. Ele parou quando sentiu meu anel de compromisso na mão direita.

– É a minha Srta. Wikipédia.

– Nossa, como você é um garoto esperto! – Nós rimos.

Ele se virou e me deu um abraço apertado. Depois disso colamos nossas testas uma na outra e nos beijamos. Depois Nick deitou na grama e me puxou para deitar no ombro dele.

Fizemos o de sempre quando ficávamos lá. Conversamos sobre nosso dia. Ficamos observando as estrelas, que pareciam estar brilhando mais essa noite. Mas tinha algo que estava me incomodando.

– Nick ... posso te contar uma coisa um tanto quanto embaraçosa?

Ele olhou para mim surpreso.

– Lógico que sim. – Ele disse.

Limpei minha garganta.

– Estou com medo. – Confessei. — Medo da missão. Medo do que está para vir. Dessa batalha. Dessa guerra. De perder meus amigos, meus irmãos. – Olhei para ele. – De te perder.

Ele se levantou com tudo.

– Que coisa mais estúpida! – Ele disse.

Também me levantei.

– Eu sei! Me desculpa. É que nesses momentos em que eu fico pensando...

– Eu não acredito que você acha que ter medo é embaraçoso!

Vacilei um pouco.

– Eu... não... como disse?

– Sam, está tudo bem e você ter medo. Significa que você... não é perfeita. – Ele riu. – Sério, você tinha que ter algum defeito.

– Não é a hora para passar cantada, Nick. – Reclamei.

Ele apenas riu mais uma vez e me deu um abraço.

– Vai ficar tudo bem, Srta. Wikipédia. Eu te amo. – Ele sussurrou ao meu ouvido.

– Eu sei. – Eu ri.

– Ser convencido é uma exclusividade minha nessa relação.

Dei um beijo em sua bochecha.

– Eu sei por que a emoção é um estado mental no sistema límbico de cérebro. Então já que meus poderes são...

Ele revirou os olhos e então ele calou minha boca do melhor jeito: me beijando.

– Vamos, Srta. Wikipédia. As harpias estão soltas e não quero causar problemas para você.

Ele foi descendo pela floresta e eu o segui. Eu tinha de me preparar para a missão. Mal eu sabia que essa iria ser minha ultima noite tranquila nesse verão.