Samantha Roberts - Guerra Fria

8 Nunca diga que o dia foi perfeito


Notas iniciais
I'M BACK, DUDES.

Jenny caiu com as costas no chão. Pela vigésima quarta vez. E, sim, eu estava contando.

Estávamos na praia, lutando corpo a corpo. Eu havia escolhido esse local porque sabia que Jenny iria... sofrer algumas quedas. Eu havia a arrastado ao local para melhorar na luta. Arco e flecha eram armas ótimas, porém praticamente inúteis a curta distância. Eu queria que ela soubesse se virar sem eles.

Ainda estava sol, mas o ar já estava começando a ficar fresco. Eu estava há, pelo menos, duas horas me atracando contra Jenny. No melhor sentido, claro. Minhas panturrilhas estavam começando a entrar no fase da palpitação, no entanto eu não estava cansada por inteiro. Apenas respirava rapidamente.

Este, obviamente, não era o mesmo quadro de Jenny. Ela estava estirada no chão, completamente coberta de areia. Seu cabelo estava todo bagunçado e algumas mechas escaparam do rabo de cavalo. Ela suava; e senti pena dela por ter que tirar do corpo toda aquela areia grudada. Acho que ofegante não se encaixaria ao seu estado: ela parecia estar tendo uma ataque de bronquite asmática crônica.

— Eu só senti a rasteira. — Jenny disse como aquelas pessoas que sofrem um acidente de carro e não conseguem explicar o que aconteceu direito: pausadamente e com o olhar longe. — Então eu vi o chão. Foi tudo tão rápido.

Eu dei risada.

— Você é péssima. — disparei. — Sério, horrível.

— Ah, fã. Sem assédios agora. — ela pediu entre suas respirações pesadas. — Estou morrendo.

Cheguei mais perto, agarrei seu braço, e a ajudei a se levantar. Ela bateu nas coxas e braços para tirar o excesso de areia e ajustou o top. Nem assim ela deixou de parecer um croquete ambulante.

— Agora, se vossa pessoa permitir — Jenny disse. —, Victor está me esperando.

— Eu aprovo o requerimento de vossa partida, minha adorável dama de companhia.

— E eu cordialmente agradeço.

Ela sorriu, fez uma reverência e saiu andando. Deixei ela dar alguns passos até dar a notícia a ela:

— Mas quem disse que você vai caminhar até seu príncipe? — perguntei.

Jenny parou e olhou para trás.

— O que quer dizer?

Tomei fôlego e comecei a correr na mesmo direção em que Jenny estava indo.

— Correndo. Agora. — eu disse enquanto passava por ela.

— Ah, não! — ouvi ela se queixar atrás de mim. — Nem ferrando!

Eu me virei e comecei a correr de costas.

— Quer mesmo ficar com essa barriguinha?

Ela olhou para baixo, desesperada.

— Ai... Meus deuses! SAM, ME ESPERA!

Então ela arrancou atrás de mim. Fiquei com um sorriso estampado no rosto até ela me alcançar. Então, comecei a regularizar minhas respirações e passadas. E assim fomos correndo até a área dos chalés — sem risadas, nem conversas. Apenas focadas em não perder o ritmo nem o ar nos pulmões.

Chegamos até a linha de chegada: o meio de nossos chalés, seis e sete. Ela disse, dando uma pausa para respirar algumas vezes, que, apesar de tudo, a tarde tinha sido ótima. Concordei e perguntei se a veria na fogueira. Ela riu do tipo “mas isso não é óbvio?” e me deu tchau. Fui para meu chalé. Ela fez o mesmo.

Dentro do chalé, encontrei Clarck brincando com Mia, a jogando no ar e fazendo ela dar piruetas. A garota gargalhava, e aquele som parecia preencher todo nosso quarto com vida. Sentada no beliche ao lado deles estava Mary, encarando a situação de braços cruzado.

— Você vai deixa-la cair. — Mary advertiu.

— Como? Assim? — Clarck perguntou e pegou a menina pelos tornozelos, a deixando de cabeça para baixo. Mia estava ficando vermelha de tanto rir. — Ou assim? — ele a puxou pelos tornozelos e a garota voo por alguns segundos. Clarck a agarrou pela cintura a começou a roda-la.

— Você vai deixar a garota tonta! — eu falei, rindo.

Clarck parou as acrobacias e colocou Mia no chão, com cuidado. Ela deu passos trôpegos. Estava realmente tonta.

— Ela é tão irresistivelmente levinha! — Clarck disse.

Agachei-me e abri os braços. Mia veio correndo ao meu abraço, me desequilibrou e eu caí de bunda no chão. Os cabelos dela estavam cheirando à uva, o aroma de nosso shampoo.

— E aí, baixinha? — perguntei.

Ela me soltou, ainda sorrindo.

— Eu tava brincando de Perfil com o Clark e a Mary. — ela disse, apontando para o jogo de tabuleiro no chão cuja presença eu não havia percebido. — E numa carta tinha a Amelia E... Ear... — ela se virou para Clark. — Qual era o nome dela?

— Amelia Earhart.

— Isso! — ela disse, animada. Voltou a se virar para mim. — Mary disse que ela voava num avião. E que foi a pi-o-nei-ra. — ela disse pioneira dando uma pausa entre as sílabas, como se tivesse demorado a aprender a palavra e não quisesse errar novamente. — Ela tem o nome igualzinhozinho ao meu! Menos o Ear...

— Earhart. — eu falei.

— É. — ela disse, com o cenho franzido por não conseguir falar outra vez. —Ear...hart. Earhart.

— Então eu dei uma ajudinha para a Mia voar que nem a xará. — Clarck finalizou a história.

— É! — Mia disse, inquieta no lugar. — Foi divertido!

Dei um sorriso para ela, baguncei seus cabelos e me levantei, indo me jogar em meu beliche. Assim que eu o fiz, meus músculos disseram “ufa” em uníssono, e relaxaram.

— Tem alguém no chuveiro? — perguntei de olhos fechados.

— Não tem mais.

Olhei para o lado e encontrei o dono da voz, David, saindo do banheiro secando seu cabelo com uma toalha e com outra enrolada na cintura.

— Mas que pouca vergonha! — Mary disse ao tampar os olhos de Mia.

Clarck riu.

— Foi mal, esqueci a roupa aqui. — David se desculpou.

Eu me sentei na cama.

— Vá rápido. Quero as toalhas.

Ele pegou uma muda de roupas e voltou para o banheiro. Chegada a minha vez, tomei minha deliciosa e merecida ducha. Enquanto a água caía com pressão contra minhas costas, pensei no quanto o dia havia sido cansativo, mas produtivo. Um dia tão bom que, fazendo uma retrospectiva, não encontrei nenhum aborrecimento. Mas é claro que ele não poderia terminar assim.

Troquei-me e saí do banheiro. Clarck, David e a recém-chegada Lissa estavam debatendo, sentados no chão e com as costas apoiadas na lateral de um dos beliches, sobre qual era o melhor musical de todos os tempos. Pareciam estar bem longe de um acordo. Mia estava sentada no colo de Clarck, entediada.

— Todo mundo sabe que High School Musical é o melhor de todos, dã. — ela disse. — Vocês sãos uns bobões.

Os três pararam para lançar um olhar de censura à garotinha e depois voltaram a discutir. Ela revirou os olhos e bufou, irritada.

Calculei que aquilo iria demorar algum tempo, então decidi não espera-los. Enfiei as mãos nos bolsos traseiros de minha calça e saí do chalé. Lá fora avistei Ned conversando com umas garotas filhas de Deméter. Ele também me viu e sorriu para mim. Despediu-se das garotas e correu em minha direção.

— Uma volta antes da fogueira? — ele sugeriu.

— Seria legal.

Ele, então, começou a andar para longe da área dos chalés; e eu o segui. Enquanto caminhávamos, não pude deixar de notar em como Ned não conseguia olhar para um ponto fixo enquanto andava. Seus olhos subiam e desciam, iam de um lado para o outro, como se tirassem várias fotos da paisagem a sua frente. Senti vontade de perguntar a ele se aquilo era por que ele estava com medo que algo ou alguém aparecesse ou se era apenas por causa da hiperatividade. Obviamente, optei por ficar calada.

Ele virou-se para mim.

— Por que tá me olhando assim? — ele perguntou com um sorriso malandro no rosto.

— Nada. — eu respondi rapidamente, encabulada por ter sido flagrada. — É que... Nada. Esquece.

Ned apenas soltou uma risada nasalada e deixou o assunto para lá.

— Sabe, procurei por você o dia inteiro. — ele contou. — Está meio difícil te achar.

— Hm, acho que tenho um seguidor. — falei convencida.

Ele olhou para mim e pôs a mão no peito, fingindo estar ofendido.

— Eu só gosto de sua companhia, está bem? — Ned se defendeu.

— Claro, como quiser.

A minha frente o Anfiteatro ia ficando maior a cada passo. Como Ned não esboçou nenhum desvio no curso, conclui que iríamos ficar por lá. Não falamos absolutamente nada até chegar lá e a falta de assunto não me ajudava a aliviar o clima. Entretanto, nem todo o assunto do mundo iria funcionar com o jeito introspectivo de Ned. Ele só falava quando achava que devia — bem diferente de sua irmã, Jenny. A criatura falava pelos cotovelos.

Ned andou até o centro do Anfiteatro e pulou para cima do tablado. Ele fechou os olhos, abriu os braços e inspirou fundo, como se aquele lugar tivesse o ar mais puro do planeta.

Eu assistia à cena de braços cruzados e com um inevitável sorriso. A felicidade que Ned transparecia por estar ali o fazia parecer com uma criancinha quando vai brincar no parque.

Ele abriu os olhos e me encarou por um pequeno período de tempo. Não piscou. Então estendeu uma mão para mim; eu a segurei e ele me ajudou a subir no tablado.

— Eu me sinto a pessoa mais especial do mundo quando estou aqui. — Ned confessou.

— O centro das atenções. — incrementei.

Ele negou com a cabeça.

— Para falar a verdade, nem gosto de palco. Ou de pessoas me olhando. É que... sinta esse lugar. Festas, espetáculos, pronunciamentos, premiações. As melhores histórias do acampamento aconteceram aqui. Algumas delas aconteceram, tipo, cinquenta anos atrás e ainda são contadas. Continuam vivas. E, sei lá, de alguma forma, quando estou aqui, é como se eu fizesse parte delas. Como se eu fosse...

— Eterno. — completei.

Ele assentiu e olhou para nossas mãos, que percebi que ainda estavam dadas. Desvencilhei minha mão da dele rapidamente, envergonhada. Ele não pareceu gostar muito disso.

— E você, Samantha? — Ned indagou. — Algum cantinho favorito no acampamento?

Meus pensamentos foram involuntariamente direcionados para a região da floresta que eu ia todas as noites com Nicholas. Nosso posto de observação. Nosso refúgio. Minhas melhores lembranças tinham aquele local como cenário. Era um dos poucos lugares em que eu me sentia totalmente à vontade para fazer o que quiser. As risadas, as conversas sinceras, as trocas de carinho — tudo isso voltou à tona.

As memórias voltaram, porém os momentos nunca mais voltarão. E pensar nisso foi como receber um tapa na cara.

— O píer. — menti. Não que eu não gostasse do píer: eu adorava o lugar. No entanto, ele nunca seria meu lugar favorito no acampamento. — Já viu o pôr do sol de lá? Absolutamente lindo.

— O nascer do sol é mais bonito. — Ned disse. — Sempre quando a enfermaria enche e é necessário fazer plantão, eu pego o turno da manhã para poder dar uma passada lá. Acordar meia hora mais cedo, definitivamente, vale a pena. E é melhor porque ninguém está acordado. É só você, o sol, os pássaros cantando e aqueles mosquitinhos insuportáveis.

Dei risada.

— SAM! — o grito de alguém ecoou perfeitamente por causa da acústica do local em que nos encontrávamos.

Era Queen. Ela vinha correndo em nossa direção.

— O que raios vocês estão fazendo aqui a uma hora dessas? — ela perguntou quando chegou até nós.

Ned limpou a garganta.

— Estávamos apenas...

— Não me interessa. — Queen interrompeu o coitado e agarrou meu braço. — Casa Grande. Agora.

Ela começou a me arrastar antes mesmo que eu pudesse protestar. Aos tropeços e reclamações fui obrigada a segui-la. Virei meu tronco para trás.

— Foi mal. — tentei me desculpar com Ned. — Depois a gente...

— Para de fazer corpo mole! — Queen mandou ao me dar outro puxão.

— Tá tudo bem! — Ned disse. — Vá salvar o mundo com uma reunião após a outra. Estarei na fogueira.

Assenti, como promessa de que sentaria com ele, depois comecei a acompanhar devidamente as rápidas passadas de Queen.

— Qual é o problema? — perguntei depois de alguns passos, já com medo da resposta.

Queen olhou para mim, austera.

— Acharam o último infiltrado.

________

Pude sentir a atmosfera de pressão assim que dei meu primeiro passo para dentro da Casa Grande. Estavam todos amontoados na sala de estar. Havia uma grande discussão se desenrolando. As vozes estavam ficando cada vez mais exaltadas.

Abri espaço entre os conselheiros-chefes e cheguei ao centro do cômodo. Reconheci o causador do tumulto imediatamente. Era Landon, filho de Ares. Ele estava com as mãos atadas nas costas e com os dois braços segurados por Victor e Gabriel. Matt estava bem a sua frente, enfurecido.

Matt lhe deu um belíssimo soco na cara.

— Fala, seu desgraçado! — ele ordenou. — Traidor miserável! Eu vou matar você!

Quando Matt ergueu seu punho novamente, Quíron segurou seu braço. Seus olhos repreendiam o conselheiro-chefe do chalé de Ares.

— Basta. — ele pôs um fim no que parecia uma sessão de tortura.

Eu não estava entendendo completamente nada.

— O que está acontecendo? — perguntei.

— Sócrates está a três passos na frente, como sempre. — Jenny saiu do meio de Hailey e Ally e me respondeu. — Liberou a circulação de falsas informações. Estávamos até agora atrás de um infiltrado no chalé 9, quando, na verdade, ele estava no 5. Zack foi pego por nada. — a última parte ela disse com culpa na voz.

E eu me sentia igualmente culpada. Eu deveria ter previsto isso, mas nunca seria tão boa para realizar tal feito. Meus planos pareciam coisa de criança comparados aos de Sócrates. E, mesmo sabendo disso, eu enfiei Zack naquele acampamento.

Todo mundo olhava para mim com expectativa. Eu estava realmente ficando cansada disso. Como se eu sempre soubesse o que fazer a seguir.

— Como o descobriram? — perguntei, irritada com toda aquela situação.

Alex se remexeu no lugar.

— Eu estava indo para o Arsenal porque... — ela deu um rápido sorriso, o que denunciou que ela estava querendo aprontar alguma coisa. — Bem, agora não vem ao caso. A questão é que eu encontrei Landon fazendo uma ligação para alguém, que ele recusa contar quem é, informando todos os nossos últimos preparativos.

Franzi o cenho.

— Ótimo. Então agora eles sabem que iremos atacar em breve.

Alex deu ombros, como se dissesse “O que eu posso fazer?”.

— Então eu pulei em cima dele e comecei a gritar. — ela concluiu a história. — Jenny e Victor estavam caminhando por ali e vieram me ajudar a terminar de imobilizar ele. Depois o arrastamos para cá.

— Você ao menos o deixou terminar a ligação? — indaguei.

— Não.

— Perfeito. Agora eles também sabem que descobrimos o último infiltrado deles aqui. Mas que bela desvantagem.

Alex ficou sem jeito.

— Desculpa, é que eu não sabia o que fazer, então...

— Deixa pra lá.

Olhei para nosso mais recente descoberto espião. Tinha a cabeça raspada e era meio carrancudo, parecia um soldado em pleno serviço. Sempre mantinha uma feição de bravo, mas eu não dava muito por ele. Desde que não o irritassem, era inofensivo. Procurei pela marca que Zack disse que ele provavelmente teria tatuada, no entanto não encontrei nada.

Respirei fundo.

— Quero esse cara bem longe daqui, Quíron. — eu me impus.

— O Spike adoraria dar uma voltinha com ele. — Queen sugeriu.

— Não antes de eu arrancar dele tudo o que ele já passou para o acampamento inimigo! — Matt se opôs.

Uma nova discussão se iniciou.

Sr. D. revirou os olhos e se retirou do cômodo, visivelmente exausto. Quíron, Victor e Austin tentavam acalmar os ânimos.

Landon olhava para mim, vitorioso.

— Seu irmão mandou lembranças. — ele me disse.

E, com um movimento do maxilar, ele encerrou sua última e fracassada missão. Mordeu alguma coisa. Seu rosto ficou vermelho e ele começou a tremer.

— Vocês não podem parar a revolução. — ele avisou quando começou a espumar pela boca.

E aquelas foram suas últimas palavras.

Sua cabeça pendeu no tronco e Victor e Gabriel, assustados, largaram seu corpo. Queen se ajoelhou ao seu lado rapidamente e abriu sua boca. Tirou algo de lá de dentro.

— Filho da mãe. — ela resmungou. — Uma pílula. — ela mostrou o pequeno objeto azul e branco para todo mundo.

— Pílula de cianeto de potássio. — eu disse ao recordar o nome da tão famosa pílula suicida. Chutei o sofá. — Droga!

Um longo silêncio dominou a sala de estar da Casa Grande. Todos escaravam o cadáver estirado no chão. Ninguém se movia. Até parecia que todos estavam prendendo a respiração.

Torci para que, de algum modo, ele voltasse a viver. O suicídio só mostrava o quanto os traidores eram aplicados à causa. Isso, devo admitir, me causou um frio na barriga.

— Gente — Jenny quebrou o silêncio depois de mais um minuto. —, o que vamos fazer com o corpo?

— O que fazemos com os outros. — alguém que não prestei muita atenção respondeu.

— Ele não merece o mesmo tratamento que um dos nossos. — Matt disse, enojado.

Percebi o quanto Matt tentava disfarçar sua mágoa com o falso desprezo. Ele e Landon viviam juntos. Senti vontade de abraça-lo ao pensar no quanto ele estaria arrasado por dentri. Eu sabia como era perder um irmão. Mas eu não iria fazer isso em público, ou nessa vida.

— Vou me encarregar disso. — Quíron disse. Uma onda de alívio percorreu todo o grupo. — Vão lá fora e voltem a fogueira normalmente. Não vamos querer preocupar os demais. Vamos dar a notícia depois, de uma maneira mais delicada. Estamos todos muito chateados agora, não vamos saber lidar com isso direito.

Apesar de discordar totalmente de Quíron, acarretei suas ordens. Deixei algumas pessoas passarem pela porta antes de mim, depois apenas segui o fluxo humano até a fogueira. Os conselheiros-chefes falaram muito pouco no caminho. Afinal, todos nós havíamos acabado de presenciar um suicídio. Estávamos com uma mistura de medo e luto.

Ned acenou para mim quando me avistou. Eu apenas fiz que não com a cabeça e passei reto, indo direto para meu chalé. Meu dia havia acabado ali. Eu não estava mais em condições de fazer nada.

Entrei em meu chalé praticamente arrastando meus pés. A cada passo eu sentia como se todo o cansaço do dia voltasse mais forte. Parei em frente ao antigo beliche de Briana.

— Você saberia exatamente o que fazer agora. — joguei as palavras ao ar com uma secreta esperança de que ela me respondesse.

Fui em direção ao meu beliche e chutei meus chinelos para baixo da cama. Joguei-me no colchão com a roupa que estava mesmo. Não fazia a menor questão de colocar um pijama. Fechei os olhos e respirei fundo, convidando o sono a vir. Mas eu sabia que, naquele noite, eu não iria conseguir dormir tão cedo.

Notas finais
Então, galerinha. Fiz esse capítulo porque estava realmente com remorso por ter colocado GF em status de hiatus. Vocês são maravilhosos e cada comentário que eu leio me incentiva a continuar. Posso não ter saco para responder (hehe), mas eu juro que leio a todos. Não prometo que vou postar regularmente agora, mas prometo que nunca vou abandonar a fic por completo. Aos poucos vou postando os caps. Quem sabe um dia termino? Espero que tenham gostado. Até a próxima.