Notas iniciais
Ok. Agradeçam a Sr. Luisa e Naiane por esse capítulo. Trato é trato. Bom, acho que não é nem de perto um dos meus melhores, mas eu só estou tentando dar continuidade. Ah, roubei uma ideia (que na vdd eu já tinha pensado, mas depois eu tive certeza que iria ficar daora) da Luisa. Todos os créditos do sonho e bla bla bla. Tomara que vocês curtam o cap. : )

Pensei rapidamente em três respostas esfarrapadas para enrolar o Sr. D.

Nenhuma delas iria dar certo.

– É.. Eu... N-Na verdade... – comecei a gaguejar. – Como você sabe disso?

Ele revirou os olhos.

– Por favor, Safira! Eu sou o deus das festas. Posso sentir uma há quilômetros de distância.

– Samantha. – corrigi.

Pude ver seus olhos ficarem em um tom mais escuro por causa da raiva.

– Desculpa. – abaixei a cabeça.

Ned segurou meu antebraço.

– Sr. D, a festa foi minha ideia. – ele disse.

– O que? Não, Sr. D, foi minha ideia!

Sr. D rolou os olhos e bufou, cansado.

– Ah, por favor. Eu não perguntei quem teve a maldita ideia. Perguntei? Eu não me lembro disso. Eu quero saber por que está tendo uma festa no Anfiteatro sem o meu consentimento.

Engoli seco.

– Bem, Sr. D, na verdade... – balancei a cabeça, afastando a ideia. Não há por que mentir. – Eu tive a ideia da festa junto Ally... – Sr. D transpareceu um pouco de surpresa – Sim, a Ally... Estávamos cansadas desse clima no acampamento. Aqui é nossa casa, tínhamos que estar à vontade aqui. Ninguém está. Eu queria, sei lá, quebrar essa tensão. O que só estamos fazendo é treinar e treinar. O senhor sabe o quanto diversão é importante.

Sr. D continuou me encarando enquanto eu silenciosamente torcia para que ele não me incinerasse. Ele olhou para mim, pensativo, e depois olhou em direção ao Anfiteatro.

– Tem Diet Coke na festa. – Ned tentou persuadi-lo.

Havia algo no rosto do Sr. D que eu acho que nunca havia visto antes. Aquilo era um... Sorriso?

– As festas mais perigosas são as melhores, sabiam? – ele perguntou. – Experiência própria. Eu vou pra festa beber uma latinha de Diet Coke. Faz tempo que eu não me divirto nesse Tártaro que vocês pirralhos chamam de acampamento.

Pisquei os olhos tentando entender.

– O senhor está autorizando a festa?

– Eu, definitivamente, não estou proibindo a festa.

– Obrigada, Sr. D! – Ned disse e deu um sorriso de orelha a orelha.

– Não me agradeça. E não se acostume. Só faltava uma bebida. – ele disse e foi andando na direção do Anfiteatro. – Maldito seja você, Zeus! E seus malditos sejam seus castigos também!

Ned se levantou do chão, colocou o violão nas costas e estendeu a mão para mim.

– Sei que isso parece tortura, mas eu vou te fazer dançar hoje. – ele disse.

Dei risada.

– Talvez não seja tão ruim assim.

Segurei sua mão e ele me ergueu do chão. Sua mão era bem macia, mas ele tinha uma pegada muito firme. Depois de um tempo com as mãos dadas, ele entrelaçou seus dedos nos meus. O ar escapou de meus pulmões. Era uma sensação estranha. Quando olhei para Ned de novo, vi que ele estava sorrindo. Eu queria e não queria soltar a sua mão.

– Você está bem? – ele indagou.

– Eu... Estou, sim.

– Então, vamos.

A mágica dos filhos de Hécate realmente funcionou. Mesmo perto do Anfiteatro, era impossível ouvir qualquer ruído ao seu redor. Parecia que eles subiram uma parede invisível que barrava todo o som vindo de fora.

Entramos no Anfiteatro e todos estavam dançando ao som de Tonight Tonight, do Hot Chelle Rae. As luzes – que eu não sei muito bem de onde vinham direito, pois tudo era um truque de mágica dos filhos de Hécate com os filhos de Íris — piscavam tanto que eu poderia ter um ataque epilético. Eu avistei Heitor balançando os braços de Mia e acho que aquilo era para ser uma dança. Mia gargalhava enquanto mexia o corpo inteiro. Peter, um filho de Apolo, estava bancando o DJ em cima do tablado que ficava no centro do anfiteatro com o resto dos instrumentos. Na arquibancada, campistas conversavam, relaxavam e riam.

Jenny estava dançando com Victor. Ela balançava seus cabelos e, mesmo despenteados, eles aparentavam bonitos. Ela deu uma risada quando olhou para a gente. Desesperada, larguei a mão de Ned quando percebi o motivo de sua risada. Ela rolou os olhos e foi até nos, puxando Victor pela mão.

– Qual é a do Sr. D dançando? – ela gritou para que eu pudesse a ouvir em meio a tanto barulho.

Não consigo contem a gargalhada quando eu olho para o lado e vejo o Sr. D dançando no meio de algumas filhas de Afrodite. Esse cara não precisava de álcool algum para ficar bêbado.

– Deixe ele ser feliz! – gritei de volta. – Talvez não o veremos assim de novo!

Ned pôs sua mão em meu ombro.

– Eu vou deixar meu violão ali com o Peter e já volto. – ele disse perto de meu ouvido e foi embora.

Jenny esperou seu meio-irmão dar as costas e me mandou um sorriso malicioso.

– Ridícula.

– É você. – ela retrucou.

– Hey – Victor pôs seus braços em volta de nossos ombros. Ele inspirou bem fundo e expirou. – Só eu consigo sentir o amor implorando uma nova chance no ar?

– Vocês dois estão me interpretando mal!

Eles riram da minha cara.

– Ok. – Jenny disse, ainda sorrindo — Só vamos curtir a noite com os amigos e dançar até nossos pés não aguentarem mais. Em falar nisso, cadê a Queen?

Corri meus olhos pela multidão tentando procurar por ela. Eu a avistei dançando com Clarck. Eles pareciam estar se divertindo muito. Num movimento súbito, Queen agarrou a gola da camisa de Clarck e o puxou para um beijo.

– O que... ? – cerrei os olhos. – Tem certeza que não tem bebida na festa? Eu ou estou bêbada, ou a Queen está. Ela está se agarrando com meu irmão?

– Pode ser que a Alex tenha batizado o ponche com uma substância-não-identificada. – Jenny coçou a parte de trás da cabeça. – Juro que tentei impedir.

Ned chegou ao meu lado.

– O que está acontecendo? – ele perguntou.

– Nada.

Ele pegou a minha mão, se curvou e a beijou.

– Será que a senhorita poderia me dar a honra de uma dança?

Jenny me empurrou para Ned, de forma que eu tive que me apoiar em seu peito para não cair.

– A honra? Ela é sua hoje. – Jenny disse enquanto jogava seus braços em volta do pescoço de Victor. – Vão se divertir.

Então, Ned me puxou para outro lado do Anfiteatro. A batida da música estava legal, o ar estava divertido. Eu cedi. Comecei a dançar. E eu não ligava. Não ligava para nada. Eu não ligava por eu estar dançando mal. Eu não ligava por não acordar disposta amanhã para treinar. Eu não ligava para o peso que foi jogado nas minhas costas. Eu não ligava para a guerra. Nada.

Pela primeira vez em seis meses, eu não ligava.

E aquela foi uma das noites mais felizes da minha vida.

Com os braços em volta dos ombros de Queen e Jenny e os delas em volta dos meus ombros, eu segui com as pernas dormentes em direção aos chalés. Estávamos cantarolando e dando passos largos. O mundo estava todo colorido.

Ok, talvez eu tenha provado do ponche.

– Acho que eu paro por aqui. – eu disse e me separei delas. – Esperem. Esse é o meu chalé?

– Só entra! – Queen gritou. – Boa noite!

Eu dei uma risada.

Quando entrei no chalé – que por sorte era o meu – todo mundo estava morto na cama. Heitor estava terminando de cobrir Mia. Clarck estava colocando a blusa de seu pijama.

– Eu estou acabado! – ele admitiu.

– Acho que – eu tirei meus tênis e joguei no canto. – precisamos fazer uma festa por semana. – eu me joguei no meu beliche.

Ele deu uma risada.

– Quem diria que iríamos conseguir fazer seu lado festeira aparecer.

– Eu tenho muitos lados obscuros que vocês não conhecem. – eu enfiei minha cara embaixo do travesseiro. – Apague as luzes, por favor.

E tudo foi ficando preto e silencioso.

Em meus sonhos eu estava numa montanha rochosa. Eu estava com bastante falta de ar, então a altitude devia ser enorme. Meus pés estavam sobre um mato molhado que fazia cosquinha ao contato com minha pele. Andei até a ponta do lugar onde me encontrava e olhei para baixo. Havia vários níveis de extensões de rocha que saiam da montanha.

Decidi aplicar lições de alpinismo que Quíron me deu e comecei a descer aquele paredão. Cuidadosamente, eu coloquei meu pé entre as frestas ou extensões do paredão. Enquanto eu estava descendo, pisei numa rocha que deslizou. Perdi o apoio dos pés e fiquei pendurada apenas por uma mão. Por cima de meu ombro olhei para baixo e vi que tinha outra extensão de rocha bem abaixo de meus pés. Soltei minha mão e tentei dobrar os joelhos para absorver o impacto.

Dei um suspiro de alívio.

Continuo a descer a montanha até chegar ao chão.

Era um dia quente – muito quente. Isso me fez lembrar que eu estava em um sonho. Estávamos no começo de janeiro. Eu estava tentando entender o que era aquilo, mas nada me vinha à cabeça.

Um garoto passou correndo por mim. Ele estava inquieto, pulando de ansiedade. Ele usava um boné e tinha uma câmera fotográfica pendurada em seu pescoço.

– Vamos, vamos, papai! – ele gritou. – A cachoeira é por aqui!

Olhei para trás e vi uma família inteira de turista. E mais famílias atrás deles. Elas passavam por mim e mal me percebiam.

Prestando mais atenção, eu escutei um barulho de água corrente. Não sei por que, mas eu precisava ir para lá. Eu precisava entender o que era aquilo tudo.

Segui aquele menino até chegarmos a uma cachoeira. Era linda. As águas batiam nas pedras e caiam de forma majestosa. Mas era tão... Familiar. Não, eu não fui para lá pessoalmente. Eu apenas vi. Por fotos. Era Bridal Veil Falls. Provo.

Eu lembrava quando eu havia visto aquela foto pela primeira vez. Ele guardava essa foto debaixo do travesseiro, em seu chalé. Nós estávamos conversando sobre nosso cansativo dia. Nick tinha levado uma surra por ter pisado sem ver no arco favorito de um filho de Ares e o quebrado. Eu tinha dito sarcasticamente para Jenny pular de cima da parede de escalada e eu devo ter entrado no seu cérebro sem perceber, porque quando eu tinha passado em frente da parede de escalada de novo Jenny estava quase no topo indo se jogar. Depois de resgata-la, eu fiquei com dor de cabeça o dia inteiro.

Eu bocejei e me deitei em sua cama. Eu tinha a mania de colocar o braço debaixo do travesseiro, então eu o fiz. Senti a foto e a peguei.

Na foto Nick estava abraçando a cintura de Susana por trás. Eles estavam dando um sorriso radiante – os dois sorrisos eram praticamente iguais. Atrás deles, uma grande cachoeira se erguia.

– Onde é isso? – perguntei.

– Bridal Veil Falls. Lá em casa. Amávamos visitar a cachoeira. Caminhar pelas montanhas, ciclismo, trilhas... Fazíamos tudo juntos. Foi nosso último passeio com a mamãe antes de irmos para o acampamento. – Nick hesitou um pouco. – O último passeio com a mamãe da vida dela.

– Vocês saíram em missão para a Ilha de Polifemo naquele verão, então.

Ele assentiu.

– Sinto falta daqueles tempos. Só Susana, Jenny, Queen e eu... – mandei um olhar penetrante para ele. Ele deu risada e me abraçou pelo ombro. – Mas, sabe? Eu não tenho nada pra reclamar do agora.

Perder-me nessa lembrança me deu uma grande pontada no estômago. Meu peito também pesou um pouco. Logo em seguida, fiquei com raiva por isso. Eu não devia ficar assim. É sinal de fraqueza.

Então, eu o vi.

Ele estava embaixo da cachoeira, deixando a água cair em suas costas. Turistas também pareciam não nota-lo, porque tiravam fotos da cachoeira como se nada estivesse lá. Ele balançava sua cabeça que nem um cachorrinho. Depois de tirar a água dos olhos ele me viu. Ele também parecia não acreditar nisso. Ele veio correndo até mim. Eu tentei recuar, mas eu não sabia muito bem como usar minhas pernas novamente.

– Sam... – ele disse com a voz rouca. – O que você está fazendo aqui?

Tentei permanecer ereta e o mais instável possível.

– Nicholas.

Ele sorriu para mim, desacreditado.

– Não é um sonho-lembrança ou coisa assim? – ele perguntou. – Você está aqui? Está consciente?

– Estou. – olhei para o céu. Tudo parecia tão real. – Eu devo ter entrado no seu cérebro, mesmo estado tão longe... Mas, como?

– Eu não sei. Me diga você. Como você está... — ele tocou em meu braço. Assustei-me ao sentir seu toque de verdade. — aqui?

Recuei em um movimento brusco.

– Eu não quero. Eu não quero estar aqui.

Nick olhou-me de tal forma que eu não pude identificar o que ele estava sentindo.

– Sam, preciso te fazer uma pergunta.

– Não! – o cortei – Alguém me acorda, por favor! – eu gritei – Mary! Clarck! Heitor! Por favor! Me acordem!

O mundo ao nosso redor se desfocou e depois voltou ao normal. Eu conseguia sentir meus olhos tentando se abrir.

– Sam, pare, por favor. É sério! Eu preciso...

– Pare você! — eu não podia acreditar que ele podia falar comigo daquele jeito como se tudo realmente estivesse bem, como se nada tivesse acontecido. Como se ele não estivesse no acampamento inimigo. — Sai daqui!

– Sam, eu só...

– Eu quero acordar! – olhei para o céu e gritei. Eu consegui fazer essa conexão, eu iria conseguir desfazê-la. – Eu quero acordar!

Tudo foi ficando preto aos poucos. O rosto de Nick foi desaparecendo e tudo foi se dissipou.

– Sam, Sam! Acorda! – Mia estava em cima de mim, balançando minha cabeça.

Eu me levantei bem devagar. Meus olhos estavam ardendo muito, mas por sorte eu não acordei chorando.

– Você estava se balançando assim. – Mia se chacoalhou inteira. – Aí você me acordou. Foi muito bom, porque eu estava tendo um sonho ruim. Você também teve um sonho ruim?

Esfreguei meu rosto para tentar abrir os olhos direito.

– É, também tive um sonho ruim. Sabe que horas são?

– O relógio disse que eram quatro e meia.

– Ainda? Ok. Acho que podemos voltar a dormir.

Mia se encolheu na minha cama.

– Sam, eu estou com muito medo.

Seus olhos eram irresistíveis. E a puxei para mim e a coloquei no meu colo.

– Por causa dos sonhos ruins? – perguntei.

Ela assentiu e me abraçou bem forte.

– Sobre o que foram seus sonhos?

– Pessoas se batendo. Muita neve. Monstros. E meu papai... – ela olhou para mim. – Onde será que ele está?

– Você não sabe o que aconteceu com ele?

Ele balançou a cabeça.

– Eu lembro dos monstros, do fogo , aí... Eu acordei aqui. Acha que ele vai vir me buscar aqui?

Respirei fundo.

Comecei a acariciar os cabelos de Mia. Meu pai sempre fazia isso quando ficava ao meu lado até eu adormecer. Isso me fazia com que eu me sentisse segura.

– Olha, Mia... Seu pai tentou salvar você naquele dia do incêndio e ele está num lugar muito legal por causa disso. Eu acho que ele não virá ver você tão cedo. Talvez não volte. Mas você pode sempre contar comigo, ok? E com todos seus outros irmãos. E não precisa ter medo desses sonhos. – deu um beijinho no topo de sua cabeça. – Vai passar.

– Você acha que meu papai está feliz nesse lugar?

– Eu... Eu acho que sim.

– Sam.

– Pode falar.

– Posso dormir com você?

– Pode sim.

Então nos acomodamos na cama. Ele se deitou no meu ombro e eu pus meu braço em volta de seu corpo.

Foi bom lembrar que eu não era a única que tinha sonhos ruins. Que eu não era a única a me sentir assim. Isso fez com que eu me sentisse egoísta. Até que ponto eu deixei de ver o quão os outros estavam ruins? Eu podia sentir que os outros estavam para baixa, mas só quando isso afetava a minha esfera. Talvez a festa tenha sido mais para mim do que para os outros.

Uma das primeiras coisas que você se aprende aqui é que para você alcançar a excelência da sabedoria você tem que observar e ouvir.

Depois daquela noite eu estava determinada a observar mais os outros. Talvez seja isso que poderia nos levar a vitória. Talvez isso poderia vencer a guerra.

Notas finais
Bom, eu prometi. Aqui vai a dedicatória: Esse capítulo vai para a Luisa porque ela é uma chata e sempre fica me enchendo sobre eu continuar Guerra Fria. Sem ela eu não escreveria metade do que eu escrevo, pois com suas críticas sinceras eu sei como melhorar. Sempre me ajudou desde o começo. Samantha Roberts deve muito à ela. Leeh, eu amo você demais ♥