Sama no Te
2 Cap.II - Domínio.
Notas do autor: Hanyou (também romanizado Hanyō, Han\'you ou Hanyou,) são seres sobrenaturais, frutos da união de um ser humano com um youkai presentes na moderna cultura japonesa.
Mundo Espiritual.
A noite, apesar de calma, não estava como nos outros dias.
Após correr como nunca correra na vida, Kamachi se encontrava agora encurralado em uma pequena caverna próxima a cachoeira dos sete dragões.
Preciso fazer algo, pensou já quase ao desespero.
Olhou ao seu redor. Pedras. Somente pedras, em um espaço próximo de uma pequena barraca.
Seu perseguidor o havia encontrado.
- Não se aproxime! – Esbravejou Kamachi erguendo uma pedra a cima de sua cabeça ao observá-lo na penumbra da entrada da caverna. Seus olhos eram amarelos, grandes olhos amarelos.
O Youkai forçou um imenso grunhindo. Kamachi sentiu mais medo. Ele sabia que iria morrer ali.
Tolo, como pode ter falhado? Todos estavam acreditando em você!
- Desculpe-me Ayumi...
Ele fechou os olhos. Rezou para que morresse rápido. Pensou em seu amigo morto na missão e na promessa que o havia feito.
Não morra Kamachi, dissera ele antes de morrer em seus braços.
O hálito do youkai de perto era pior do que ele imaginava.
Soltou a pedra, e esperou pelo golpe.
Alguns segundos se passaram. Ao notar que nada ocorrera, Kamachi abriu os olhos já se perguntando o que havia acontecido.
Um youkai misericordioso. Iludiu-se.
- Não desista tão facilmente seu idiota! – Gritara uma voz conhecida atrás do Youkai paralisado.
Uma pitada de alegria tomou conta dele.
- Inuyasha!
O Youkai foi caindo lentamente.
Inuyasha puxou agilmente a Tessaiga das costas do Youkai.
- Não pense que vim até aqui para te salvar. Esses Youkais estão loucos! Não sei o que há de errado com todo esse lixo! – Ele fez uma pausa olhando Kamachi. – Você está com o remédio?
Não muito longe, velha Kaede olhava preocupada para os céus.
Os ventos estavam fortes. O céu estava mais escuro do que de costume; sem estrela alguma. Alguma coisa estava para acontecer.
O que seria? Imaginou. E logo agora, com a morte de Naraku.
- Velha Kaede – gritou uma voz eufórica de menino -, está chegando mais um
Youkai! Todos os camponeses estão cansados!O que vamos fazer? O que vamos fazer?
- Nada. – Disse, sem tirar os olhos do céu.
O menino não entendeu.
- Nossa vila será destruída!
- O que podemos fazer agora é rezar que Inuyasha não demore muito e que tenha achado Kamachi.
O pobre menino, que aparentava os quatorze anos, ficou mais apreensivo. Ia falar alguma coisa, mas desistiu. Olhou os camponeses correndo juntos gritando com instruções a alardes sem parar.
Todos os homens se concentravam juntos de frente ao portão principal da vila. Haviam morrido muitos. A vila ainda cheirava a sangue.
Tudo está diferente, cochivava um com outro em meio aos mais de setenta homens. Outro dizia que tudo se tratava de uma maldição pela morte de Naraku. Outro dizia que os Youkais estavam querendo dominar todo o mundo espiritual.
- Já é o sétimo Youkai. Sem o Inuyasha estamos mortos!
- Calem a boca! – Gritara Ozora, o chefe da vila. – Temos mulheres e crianças que dependem de nós. Que acreditam em nós. Vamos proteger a vila a qualquer custo!
Todos afirmaram encorajados.
A poucos metros do imenso portão de madeira, as arvores eram derrubadas como se fossem de papel. Uma após outra. Estava cada vez mais próximo...
Silêncio.
Todos prenderam a respiração juntos. Agarraram suas armas como mais força.
Os vaga-lumes voavam a cima da cabeça de todos em direções adversas. O silêncio era mortal.
- Onde está ele?
Uma imensa garra surgiu despedaçando o imenso portão em um terrível estrondo, pegando todos de surpresa. Ninguém sabia o que fazer, temerosos em quanto horripilante era o monstro. O Youkai era imenso: Cerca de seis metros e imensas garras. Seus chifres eram enormes, com aproximados três metros. Seu pelo era negro, como de um gato. Seus olhos eram sem sentido, como as nuvens de um dia cinzento.
Em meio à confusão dos camponeses, o Chefe da vila olhava para uma elevação montanhosa ali próxima a vila.
Agora.
- Podem atirar! – Gritou.
Na mesma hora, arqueiros portando arcos e flechas flamejantes ergueram-se da montanhosa elevação e atiraram suas flechas no monstro furioso.
O imenso Youkai parecia não sentir as flechadas em seu corpo peludo. Continuava a trucidar quem ficasse em seu caminho, mal notando as perfurações flamejantes em seu corpo. Suas babas formavam formas de teias em seus caninos repletos de sangue. A cada vez que abatia alguém, rugia como um urso.
Droga, não está fazendo efeito algum. Pensou o Chefe. Se continuar assim... Por onde diabos anda o Inuyasha!
Velha Kaede segurava firme a mão da jovem Ayumi dentro de uma caverna escondida, próxima à vila. A moça, de vinte anos, fora envenenada por um dos Youkais que atacara a vila mais cedo. Ela suava a todo instante e não parava de ter alucinações com seu noivo. Kamachi.
- Kamachi... Não... Kamachi... Não vá!
- Calma minha filha, tenho certeza que Inuyasha o achou e que está vindo com ele. – Kaede sabia que ela não a estava ouvindo. Mas de alguma maneira, aquilo parecia diminuir o sofrimento da pobre moça.
Inuyasha corria e pulava entre as arvores que encontrava pela frente. Carregando Kamachi em suas costas, não via a hora de chegar logo na vila e acabar com aquilo tudo. Ajudar humanos não era muito de sua praxe só fazia aquilo mesmo por uma promessa que fizera a Kagome há um tempo atrás.
Cuide da vila da Velha Kaede. Por favor, prometa-me que vai cumprir esse pedido.
Inuyasha na ocasião reclamara do pedido, mas obedeceu como sempre fizera por Kagome.
Kagome.
Não via a hora de poder vê-la novamente.
- Escute Inuyasha, falta muito para chegarmos?
- Você não acha que está muito confortável aí em cima?
- Não... Quer dizer, sim! Mas... Ayumi.
- Sim eu sei da sua namorada! Não reclame!
Kamachi parou de falar. Mal sabia como agradecer o meio-youkai por ter salvado sua vida. Aliás, Inuyasha não gostava de obrigados em público, sabia ele. Esperaria a oportunidade para agradecer-lo a sós. O que está esperando Kamachi? Indagou a si próprio.
- Inuyasha, eu...
O meio-Youkai foi parando de correr aos poucos.
- O que foi? Por que parou? – Kamachi voltara a ficar vistoso.
- Cale a boca! – Inuyasha parecia farejar alguma coisa no ar. Que cheiro é esse? Nunca o havia sentido antes. É um cheiro forte... Misterioso. É como a umidade de uma caverna escura com algo forte...
Ele olhou rapidamente para seu lado direito.
- O que foi Inuyasha? – Indagou Kamachi. Agora, mais soturno. Porém, não obteve resposta. Olhou em direção de onde o meio-youkai não tirava os olhos. As arvores escondiam-se no negror profundo da noite.
- Há! Não espere que eu ache que não esteja sendo seguido, não é mesmo? – Gritou. O aldeão não entendeu nada.
Uma risada abafada veio da frente deles.
- Confesso que você me surpreendeu Hanyou — A voz ainda saiu abafada, como se algo estivesse sufocando a boca.
Apesar de escuro, Inuyasha soube descrever o estranho homem à sua frente. Estranhas vestimentas negras, cabelos esvoaçados até a cintura e algo que parecia uma máscara, tampando sua boca.
- Escute seu esquisito, o que você quer? – O tom saiu debochado.
- Eu quero algo que está com você.
- E o que seria?
- Ele – apontou em direção a Kamachi. O pobre camponês quase teve um ataque.
Inuyasha não deixou de rir de quão direto foi o misterioso homem.
- E você acha que irá levá-lo tão facilmente?
O homem tornou a rir. A risada saiu estranha.
- Não, por isso tomei as devidas providências, hanyou.
Esse cara já está perturbando demais, pensou. Droga, logo agora! Precisamos levar o remédio a tempo.
- Não me faça rir – Inuyasha deu um passo à frente. Algo a altura de seu tornozelo explodiu. Fazendo o se ajoelhar de imediato e se aponhar com sua perna esquerda. A dor era imensa.
- Mal... Maldito... O que você fez?
- Disse que havia tomado providências. Você está rodeado pela minha energia explosiva. Sei que não pode vê-la. E se quer minha opinião sobre o que eu estou vendo nesse exato momento, eu não me mexeria nem sequer um centímetro se estivesse em sua pele, Hanyou. – Ele tornou a rir. – Vamos, me entregue esse pobre camponês e eu o deixarei viver.
Kamachi estava nervoso com a situação. Estava servindo de peso e não podia fazer nada. Sabia que dentro de poucas horas sua noiva estaria condenada à morte. E o que mexia com ele além da situação alarmante, era pensar o que aquele homem estranho estava querendo com ele.
Será que ele era algum tipo de amigo daquele Youkai da caverna? Tolice!
- He! – Exclamou Inuyasha. – Juro que quando sair daqui, vou acabar com sua raça.
- Seu cachorro burro.
- O que foi que disse? – Inuyasha moveu se bruscamente para frente, fazendo com que a energia explodisse em seu peito.
O homem tornou a rir.
- É como atiçar um cachorro preso. Que perda de tempo.
Inuyasha ainda segurava firmemente Kamachi em suas costas. Estava ficando cada vez mais difícil não se mexer. A dor da queimadura era quase insuportável. Apesar de estar com sua capa de manto de rato de fogo, a pequena explosão lhe causara um dano entanto.
- Então, Hanyou, o que será feito?
Enquanto isso, na vila, os camponeses resistiam firmemente ao ataque do furioso Youkai.
- Chefe! – Gritara um. – Temos mais da metade de nossos homens feridos! Vamos abandonar a vila e nos salvarmos!
- Não é assim tão fácil, meu pobre homem! Já estamos condenados. Eu nunca vi um youkai com tamanha fúria – ele fez uma pausa. – Escute, pegue alguns homens e ajude a tirar os velhos, as mulheres e as crianças daqui...
- Chefe! Mas e você e os outros?
O homem o olhou nos olhos. Era óbvio demais.
- Esse youkai não vai descansar enquanto ver todos mortos. Daremos-lhe tempo para fugir com os outros. Não me decepcione.
O camponês ainda parecia não ter entendido a ordem direta.
- O que está esperando? – Esbravejou. – Vá logo!
O homem disse que sim e correu aos trancos.
Mas que droga, pensou, sabia que confiar em um meio-youkai não era a coisa certa a se fazer. Há muitas vidas em jogo!
- Homens! Escutem! Vamos atacar todos de uma vez só. Vamos cercar o youkai com nossas lanças e tentarmos fazer uma cerca humana por tempo suficiente até que todos fujam! – A ordem encorajou ainda mais os homens. Todos sabiam o que iria acontecer, afinal. Vamos dar nossas vidas por nossas mulheres e crianças! Vamos salvar nossa vila.
Todos afirmaram positivamente olhando para o Chefe.
- Acho que vou explodi-lo antes de você dar a resposta. Talvez esse camponês tenha a perna ou o braço perdido na explosão, no entanto, já que o que eu quero somente é sua língua.
Esse cara já ta torrando a paciência.
Essa energia. Por que não posso vê-la? – Inuyasha fintava seu redor – Se ao menos pudesse sacar a Tessaiga... Mas, com Kamachi, será impossível!
- Inuyasha, eu tenho algo a lhe falar antes que as coisas piorem de vez.
- Idiota! Isso não é hora para conversas bob...
Inuyasha sentiu Kamachi por algo dentro de sua roupa.
- Leve isso até Ayumi, ela não tem muito tempo.
- Ei, o que você vai...
Na mesma hora, Kamachi pegou impulso nas costas de inuyasha e pulou para traz, com os braços abertos. Esse idiota vai se explodir para eliminar o campo com a energia! – Não faça isso! – Inuyasha sentiu um vento passar por cima de sua cabeça. Ao olhar, viu que o homem estranho pegara Kamachi no ar e já aterrisava com o camponês mais a frente.
Uma idéia tola, mas ainda sim uma boa idéia, imaginou o meio-youkai ao começar a correr em direção a vila. No entanto, entrara em conflito consigo mesmo. Parte dele falava para ir atrás daquele estranho e acabar com a raça do desgraçado, já que o campo de energia se fora junto com ele. A outra, porém, falava para correr o mais rápido que já correu em sua vida, pois tinha de salvar outra vida naquele dia.
Os camponeses iam caindo um após outro. A frustosa cerca humana que tentaram criar ao redor do youkai, não dera certo e todos viam a morte mais de perto.
Se pensa que ganhou está muito enganado, pensou o chefe caído no chão, olhando o Youkai de baixo e rindo consigo.
O youkai pareceu ler o pensamento do corajoso homem e levantou sua grande pata em sua direção.
Ele fechou os olhos. Antes de fechá-los, jurou ter visto uma estrela cadente a cima do youkai.
Alucinações de uma “pré-morte”.
Havia gritos. Esse será o inferno?
Comemorações.
Conseguimos! Alguém gritou longe. Chefe! Chefe! – Chamava-o um outro.
Ele abriu os olhos lentamente. Não estava morto. Não estava no inferno, como imaginara estar.
A visão que teve foi a de uma menina com roupas estranhas portando arco e flecha dando-lhe a mão.
Estrela cadente.
Kagome.
Kagome e Kurama ajudavam todos a se recompor entre os destroços da batalha. Kurama portava uma blusa social branca e uma calça preta, motivo de olhares curiosos por parte dos camponeses. Por um minuto, sentiu-se na pele de Kagome. Há tempos que não vinha ao mundo espiritual, depois da despedida de Yusuke e os outros. Todos seguiram seus rumos.
Menos ele.
Kagome usava seu tradicional uniforme escolar.
- Você disse sete youkais? Só em um dia? – Exclamou Kagome. Nunca tinha visto nada igual em vila alguma.
Kurama, com uma faixa de curativo na testa, ponderava consigo mesmo as possíveis causas daquele estranho evento.
- Alguma coisa está os alarmando.
Todos o olharam.
- É um fato. Mas, levando-se em conta que isso nunca acontecera, nem na época de Naraku, é algo que tenhamos que avaliar com cuidado. É muito perigoso que vocês continuem aqui.
O chefe da vila, apoiando-se em uma lança quebrada, afirmou que sim.
- Mandei um mensageiro avisar a todos para que voltem e busquem seus pertences. Assim que prontos, sairemos daqui o mais rápido possível.
Um barulho no mato. Alguém – ou algo – havia vindo em direção a eles.
Todos olharam juntos para a mesma direção temendo ser mais um youkai.
E não era.
Era Inuyasha.
- Inuyasha! – Kagome correu e o abraçou. – Você está ferido! Você está...
O meio-youkai mal conseguia ficar se de pé.
- Onde está... Ayumi? – Estava ensopado e sangue.
- Você chegou tarde... Inuyasha – Uma voz rouca surgiu próxima ao redor dos camponeses. Velha kaede segurava entre seus braços Ayumi. Morta.
CONTINUA...
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