Sama no Te

3 Cap III - Poder.


CAPÍTULO III

Notas do autor: Diferente da série normal de Inu-yasha, o posso comedor de ossos não fora destruído.

*Goten: Céu.


Poder.

Estava frio. O fogo dançava maliciosamente perante os olhos da mulher. Não sabia quanto tempo havia se passado desde que encontrara algo aos arredores da floresta do poço comedor de ossos. Toda vez que contornava os olhos para o que achara sentia uma estranha sensação. Algo próximo de um frio, um pressentimento. Talvez seja.

O que há de pior em tudo isso, porém, era que sempre quando Anneke sentia um pressentimento algo bom não estava por vim.

Aprendiz de feiticeira desde seus doze anos, Anneke sempre costumava – costuma – botar apelidos nas coisas que achava. Era um passatempo que sua tia – e tutora – Lady Shigoku achava condenável. Pois para ela, acima de tudo, os aperfeiçoamentos das técnicas viam em primeiro lugar.

Anneke nunca escutara sua tia fora dos treinos.

Tem vinte e três anos e parece que ainda tem doze.

Ela pegou mais lenhas e pôs na fogueira. Olhou de esguelha sua enigmática coisa. O garoto era alto, apesar de seu rosto lhe entregar a juventude. Cabelos negros rentes aos olhos e uma estranha roupa azul que ela nunca vira na vida.

Ele se mexeu, o que fez com que largasse as madeiras e soutasse um suspiro de susto.

Que susto! Mais um desses e vou precisar meditar pelos próximos anos da minha vidinha!

- Água... ÁGUA... – Murmurou o jovem.

Anneke voltou a olhar para ele. Parecia estar delirando em seus sonhos.

Ela virou-se e pegou seu cantil de água.

- Aqui está a àg... – Não havia ninguém. – Onde ele se meteu?

- Quem é você humana? – A voz fantasmagórica cortou a escuridão ao centro da pequena clareira. O fogo, estático, envolvia-se em uma coloração azul misteriosa.

- Muito bom! – Gritou a feiticeira em pleno gozo batendo palmas alegremente. – Você também é mágico? Já sei, posso lhe chamar de Goten?

Silêncio.

- Ué... Vai me deixar falando sozinha aqui? – A bruxa olhou ao seu redor sem obter resposta alguma. Começava a ventar.Após alguns segundos, disse: – Por Amaterasu, onde você está?

- O que foi que disse humana? – A voz surgira de trás dela. Fria e cortante.

Anneke cambaleou para trás surpresa. Nunca tinha visto um mágico daqueles.

- Você é muito bom! Nunca tinha visto algo igual! Você me ensina? Não! Tenho uma idéia melhor! Posso ser sua serva? Pois prometo que vou treinar dia e noite sem par...

Susanoo a pegou pela garganta. Anneke mal conseguira respirar. Seus pés não alcançavam os chãos.

- Você fala demais. Diga-me onde está Amaterasu.

Anneke apenas afirmou desastrada que sim. Ele a soltou. A pobre moça caiu estabanada no chão em uma crise horrível de tosses. Sua mão contornava seu pescoço. Ela se recompôs e olhou novamente aquele estranho garoto. Pegou suas coisas e pediu a ele que a seguisse.

Haviam se passadas algumas horas desde o ultimo ataque. Os aldeãos procuravam seus pertences enquanto outros já se movimentavam para fugir da Vila.

Kagome enfaixava cuidadosamente Inu-yasha em uma das poucas casas que sobraram.

- Ainda bem que trouxe meus remédios – disse.

Seus pensamentos, no entanto andavam perdidos. Sentia que algo de ruim estava a acontecer, talvez, a louca que dera nos youkais seja uma prévia disso. Temia que a chegada de Souuji Kebari – um mero estudante com poderes espirituais – tenha uma forte influência nisso. E se tiver?

Percebera que apertara demais os curativos.

- Desculpe Inu-yasha...

Mas ele não disse nada. Estava cabisbaixo e Kagome percebeu. Havia muito tempo que ela não o via daquele jeito, talvez desde a morte de kikyou. Inu-yasha nunca deixava seus sentimentos à mostra. Mas agora, após três anos ao seu lado, sentia que conforme o tempo passava mais o meio-youkai mudava.

Inu-yasha.

- Trouxe mais daquelas batatas?- Indagou curvando o pescoço para que pudesse vê Kagome. Essa, quase caiu para trás com a pergunta.

E eu preocupada!

- Senta!

Em meio às bandagens e remédios espalhados, o confuso meio-youkai não via nada além da face enfurecida da jovem Higurashi.

Uma risada rouca surgiu na porta.

- Já havia me esquecido de como era engraçado. – Kagome a olhou em um tom preocupado. A vida da velha Kaede ultimamente não andava nada bem. Perdera a irmã há um tempo atrás, sofrendo em silêncio para que ninguém se importasse com uma velha com um pé na cova. Todos não percebiam aquele sofrer. Menos Kagome. E agora uma pitada a mais de dor ganhara um espaço naquele rosto cansado da anciã, com a morte de Ayumi. – Diga-me Kagome, o que a trouxe aqui hoje? Pensei que iria comemorar o aniversário de seu irmão mais novo. Não estou enganada?

Kagome se levantou olhando para os fundos do quarto. Sem tirar os olhos, disse:

- Eu e meu primo Kurama viemos atrás de uma pessoa.

- Uma pessoa? Aqui no mundo espiritual?

- É... Bem, um...

- Jovem rapaz com poderes espirituais – completou Kurama a penumbra do quarto. – Ele não soube controlar seus poderes e ao que parece veio parar aqui para arrumar confusão.

Velha Kaede tossiu por alguns segundos. Mal compreendendo a explicação de ambos os parentes, disse:

- Mas... Pensei que não existissem mais essas pessoas com poderes espirituais do seu mundo. Pensei isso depois da morte de Naraku.

Kurama surgiu entre as luzes dos lampiões ao lado da porta.

- Na verdade isso era apenas uma suposição errônea de nós mesmos. No decorrer dos três últimos anos, como vimos que não havia mais indícios de pessoas do outro mundo com poderes especiais deduzimos que após a morte de Naraku não existissem tais seres. Lutei contra essa falsa crença depois que senti o imenso poder de Souuji.

- Há! Quero lutar com esse Souuji. Vocês falam muitas besteiras mesmo sem ter certeza do que dizem! – Inu-yasha vestia-se. – Mas antes desse tal Souuji, quero acertar contas com aquele cara da máscara.

- O que vocês pretendem fazer? – Indagou Velha Kaede.

Todos esperavam que Kagome falasse mais ela não disse nada.

- Kagome?

Em vão. Ela não estava ali. Seus olhos estavam mergulhados em uma imensidão deserta ao centro de algum lugar desconhecido. Era como se estivesse em transe.

- Kagome? – Indagou mais uma vez Inu-yasha. Nada.

Em seu sonho, pois parecia com os seus, Kagome via em um pequeno templo com uma moça que lembrava-lhe muito Kikyou – pelas vestimentas.

Uma sacerdotisa? Deduziu.

- Kagome Higurashi. – Disse. Seu tom era ameno. – Preciso de sua ajuda.

Kagome finalmente a ouviu falar. No entanto, isso não a espantava de maneira alguma. Mas o simples fato de ela saber seu nome completo fez com que um leve arrepio tomasse seus braços.

- Quem é você? Por que quer minha ajuda?

- Os dois mundos estão em perigo. O mal ressuscitou. Preciso de sua ajuda, agora.

Kagome notara que conforme a estranha mulher falava, mais ela ia sumindo. Como um fantasma – ficando transparente. Ela escolheu bem suas palavras antes de falar. Sentia que a qualquer momento poderia perdê-la.

- Os dois mundos? De que perigo você está se referindo?

- Akari... –A moça foi sumindo aos poucos. Kagome a gritou a espera de mais respostas, mas quando se deu conta, estava de volta olhando para Velha Kaede.

- Kagome, você está bem?

Ela levou uma das mãos à cabeça como se estivesse acordado de um sonho.

- Acho que tive uma visão...

Todos se entreolharam.

- Que tipo de visão? – Indagou Velha Kaede.

- Havia uma moça... Uma sacerdotisa... Acho que era uma, pelas roupas. Disse que os dois mundos estão em perigo e que o mal ressuscitou... Pedia minha ajuda...

- O mal ressuscitou? Será que ela está se referindo a Naraku?!

- Não Kurama, se Naraku estivesse vivo ainda lhe garanto que eu sentiria seu horrível cheiro de miasma de longe!– Kagome, essa tal sacerdotisa disse onde podemos achá-la?

Kagome olhou para o chão como se estivesse a ponto de se lembrar de algo.

- Akari... Ela disse isso antes de sumir. O que isso pode significar?

- A velha vila Akari. A vila da luz. – Entreviu Kaede – Há um tempo atrás estive lá para fazer uma purificação. Posso pedir que um dos nossos aldeões que foi comigo na ocasião os mostre.

- Há! Não subestime meu faro sua Velha! Vamos achar essa vila tão rápido que estaremos lá antes que essa mulher perceba!

Kagome fintou o meio-youkai com reprovação.

- Inu-yasha?

Ele a olhou.

- Senta!

O meio-youkai caiu na rodinha que havia se formado para a conversa. As intenções de sua amada naquela noite estavam-lhe dando um nó na cabeça.Kagome olhou para velha Kaede em um tom de desculpas e disse que aceitaria com prazer que um dos aldeões os guiasse até a Vila da luz. A vila misteriosa de sua intrigante visão. Eles partiriam ao extremo da noite.

- É aqui. – Disse Anneke exausta ao sentar-se na pedra no início da caverna.

Souuji contornava seus olhos vermelhos para a caverna, intrigado. Havia caminhado algumas horas com aquela humana desagradável que não parava de falar de feitiços e de tolas aventuras que havia passado. Não interessava. Não a ele. Havia a usado para um propósito. Suas lembranças viam tão rápidas como uma flecha. Infestavam-lhe a cabeça como uma febre.

Ah, minha irmã. Quantas memórias. Quantas saudades. Quanto ódio.

Agora iria achá-la e finalmente saberia onde encontrar o destino de seu poder. Sim, iria! Pois somente ela, sua irmã, sabia onde encontrar o esconderijo do poder infinito. O poder que nunca deveria sair de suas mãos!

Olhando para imensa silhueta azulada a sua frente, suas pretensões iniciais antes de entrar na estrutura rochosa foram embora na mesma velocidade quando suas lembranças o possuíam. O que isso significa?!

Anneke arrumava sua bolsa após tomar um belo gole d’água de seu cantil. Olhou para a caverna e viu seu acompanhante chegando.

- O que isso significa? – Esbravejou o homem com brasas nos olhos.

A jovem bruxa prendeu a respiração afogando-se desastrosamente. Ela fintou a mão do homem e afobou-se ainda mais ao ver o que continha nela.

- Você... arrancou... a cabeça da Deusa Amaterasu... – Seus olhos estavam prestes a saltar. Nunca vira alguém com tamanho atrevimento!

- Responda-me mortal! – Ele a pegou novamente pelo pescoço. Dessa vez, ela sabia que iria morrer. O que aquele homem queria? Havia a pedido para que o levasse até A Deusa Amaterasu. E ela o fez. Havia errado em alguma coisa ou o templo era aquele mesmo? Logo uma imagem da estátua de sua querida devoção passou pela sua mente novamente. Não havia se enganado.

Uma risada brevemente insana brotou de trás deles.

Os dois olharam para a caverna.

- Já faz mais de mil anos Mestre. – A voz pareceu falhar um pouco, dando lugar a uma crise de tosses.

Souuji soltou Anneka dando atenção ao misterioso eco da caverna. Não havia dúvidas sobre quem era.

- Aproxime-se, servo dos tempos perdidos.

Um ponto vermelho flamejante brotou em altura mediana. Logo, dois pontos maiores surgiram acima desse ponto menor, idênticos aos que apareceram na biblioteca, na visão de Souuji.

Souuji abriu um pequeno sorriso ao canto da boca.

- Você está lastimável.

Anneke olhou a estranha figura que saíra da caverna. Já vira piores em suas aventuras. Mas algo nela lhe chamara atenção.

Ele aproximou-se mais de Souuji. Sua estatura era mediana, sendo um pouco mais baixo que seu mestre. Era magro e manco; seu rosto era um mistério, escondendo-o em seu cabelo esvoaçado junto de uma enigmática máscara. Possuía asas, apesar de nunca tê-las usado a mais de mil anos.

- Essa belezinha aqui do mundo dos mortais é um vício ao qual não me desgarro por nada nesse mundo... – Disse ao levantar o pontinho vermelho flamejante do qual Anneke; curiosa, não tirava os olhos.

- Onde encontro minha irmã? – Indagou Souuji mais ameno.

A criatura carrancuda gargalhou liberando fumaça pelo orifício nasal de sua misteriosa mascara.

- As perguntas serão respondidas antes do final dessa noite mestre. Tu despertaras na hora exata. Tenho muito a lhe falar e... A lhe mostrar. – O monstro olhou em direção a caverna.

Souuji olhou desconfiado em direção ao cume da caverna. Lá, estáticos, pairavam entre a penumbra do anoitecer três sombras lhe devolvendo o mesmo olhar.

- Meus guerreiros divinos? Eles ainda vivem?

O estranho monstro chegou mais perto. Em perfil de revelação, disse:

- Não, meu senhor... Como sabe, não é pelas brisas do vento que sou chamado de Senhor dos tempos perdidos. Tenho muito a zelar por esse título. Por isso – riu, virando-se para as sombras -, trouxe os guerreiros mais fortes das brexas do tempo para lhe servirem.

As três sombras moveram-se rapidamente, parando de frente a Souuji.

- Gaara do Deserto — Começou ele, da esquerda para direita — é um shinobi muito forte da Vila Oculta da Areia. Tem Quinze anos e está disposto a lhe servir, meu mestre. – A criatura deu uma boa tragada em seu cigarro, liberando novamente uma imensa nuvem de fumaça pelo o buraco nasal de seu disfarce.

Gaara olhava fixamente para Souuji com os braços cruzados. Portava uma imensa cabaça presa nas costas. Suas roupas eram negras; seus olhos davam medo a Anneke.

O monstro chamado Mestre dos tempos perdidos, limpou a garganta e prosseguiu.

- Soujirou Seta, O Espada Celestial, tamanha sua habilidade no manejo da espada. Era membro do antigo grupo de assassinos Juppongatana.

O jovem, que aparentava ter a mesma idade de Gaara deu um passo a frente. Em perfil simpático, aproximou de Souuji sem tirar a mão direita de sua espada. Possuía um quimono azul claro.

- Será um prazer servir ao senhor – sorriu.

Souuji olhava com entusiasmo para o último. Sentia a força que há tempos não sentia em um inimigo. Mas agora aquela força estava ao seu lado. Ao seu poder.

- Uchiha Sasuke. – Disse o estranho – Não tenho muitas informações sobre esse... – o monstro coçou a cabeça como se estivesse esquecido de algo.

Sasuke mantinha o olhar sério para seu novo mestre. Vestia-se com um quimono igualmente a Soujirou, diferenciando-se em manter a parte superior mais folgada mostrando seu peito. Possuía uma espada, ao qual Souuji não tirava os olhos.

- Souuji... Certo? – Indagou em tom desafiador Uchiha. – Se o que me falaram a seu respeito for verdade, quero que lute comigo quando a vitória já estiver em suas mãos.

O pedido pegou todos de surpresa. Senhor dos tempos tossiu, pedindo desculpas a seu Mestre.

- Coragem e poder. Habilidades dignas.

Sasuke riu.

- Se isso foi um sim, conte com minha espada.

Um trovão soou longe... Contornando os olhos vermelhos de Souuji.

Seus guerreiros divinos estavam vivos.

As arvores eram saltadas uma após outra. A habilidade era muito significativa, sabia. Mesmo treinando sem parar há exatos três anos, a jovem moça sabia que tinha muito a aprender ainda com seu mestre. A velocidade e a destreza estavam afiadas como uma navalha e o corte é tão profundo que seus inimigos mal notam.

Ela havia chegado.

O Youkai lagarto antecipou-se e anunciou afobadamente.

- Sssenhor Sssesshoumaru a Sssenhorita Rin já essstá aqui!

Rin sabia que ele não a olhava mesmo não o olhando. Ajoelhou-se, como sempre fizera quando vinha com notícias e disse:

- Seshoumaru-Sama... A Lenda é verdadeira. – Disse ela olhando o chão com mato surrado.

Sesshoumaru continuava próximo a uma pequena elevação montanhosa olhando para o céu. Suspeitara desde o início, mas agora é verdade. Sabia ele. Aquilo, acima de tudo, precisava de sua extrema atenção.

O punho de Deus havia despertado.

CONTINUA...

Notas finais
Aguardem... No próximo capítulo, lutas e novas revelações! ^^