Sama no Te

1 Cap.I - Despertar


Acorde. Vamos, Souuji. Acorde!

Souuji acordara de outro pesadelo naquela noite. Havia sido o terceiro.

O que há de errado?

Ele levantou-se e foi até a cozinha tomar um copo de leite.

Bem melhor, pensou em um alívio passageiro. Que noite Soouji.

O sono agora parecia algo distante que não vinha de maneira alguma. Fintou o relógio de parede acima do pingüim de geladeira.

Duas da manhã.

Seu destino o espera meu mestre.

O copo soltou-se de sua mão fazendo um imenso som estridente na deserta cozinha. Havia acordado de um pesadelo minutos atrás, agora, no entanto, tinha a impressão de estar em outro.

Não, não era outro.

A mesma voz. A mesma coisa sendo dita. Uma caverna com eco misterioso...

Sama no te, o Punho de Deus... Sama no te... Sama no te...

- O que aconteceu aqui Souuji?

Seu coração quase saíra pela boca. Ao abrir os olhos, seu medo fora embora de imediato.

- Mamãe...

- Escutei um barulho – disse olhando para o chão. – pensei que era a Era aprontando alguma e... Você está se sentindo bem? Está pálido.

Souuji agachou-se no chão começando a catar os cacos de vidro.

- Estava com fome, só isso.

- Não vá dormir muito tarde ou vai se atrasar para aula.

- Sim, mamãe.

O Colégio Hansai era enorme olhando se de fora. Já eram quase 7h. O sol estava quente no terceiro dia de primavera. O gramado estava mais verde do que de costume. Os alunos já se movimentavam ao soar da sirene.

Souuji andava a passos rápidos em direção ao imenso portão do Colégio. Nunca chegara atrasado. Nunca tinha pesadelos.

Ao cruzar o portão, deu de cara com algo macio. Pensara ser um travesseiro até olhar para cima e ver que era Kazume, o porteiro. Apesar de ter quase 1,80cm, Souuji tinha de fazer esforço para ver a imensa cara de Kazume Hantero. Porteiro há mais de vinte anos do Colégio.

Souuji fez cara feia.

Kazume olhou o moleque abaixo de sua barriga da cabeça aos pés. Cabelos negros nos olhos, óculos, olhos azuis. O uniforme azul marinho com camisa social de golas brancas só realçavam ainda mais seu estilo de Nerd.

- Você não sabe que aqui os horários são respeitados a vigor?

- Tive um imprevisto.

- Sem desculpas garoto. Vai ter de ir para a secretaria.

- Mas...

Kazume sentiu alguém atrás de si.

- Ei! Aonde pensa que vai?

O rapaz de cabelo ruivo parou.

- Querendo passar despercebido? Hoje todos perderam a noção do que é chegar atrasado aqui! Esqueceram que quem manda aqui no portão é eu? – Esbravejou o homem. Suas salivas voavam grosseiramente.

- Creio que isso não irá se repetir mais, porteiro – disse o ruivo. – Todos têm problemas, noites ruins. Não é mesmo Souuji?

Souuji sentiu um pequeno frio na barriga. Suas olheiras, apesarem de pequenas, eram notáveis.

- Então muleques, para a secretar...

Kazume sentiu um frio percorrer sua espinha ao olhar nos olhos verdes daquele menino ruivo. Menino? Não, não podia ser. Havia alguma coisa de estranho no ar.

Aquele olhar intimidador, chamativo, vingativo... Tudo junto em apenas um olhar. Deus do céu. De onde ele veio?

- Então, Kazume... Podemos ir? – Disse em tom quase debochado.

O homem não falou nada, abrindo caminho.

Os dois cruzaram o portão.

- Você perdeu sua primeira aula – disse o ruivo. Seus cabelos ia até pouco acima da cintura. Suas grandes costeletas eram sedosas e caiam nos ombros.

- Você também – retrucou Souuji sem tirar os olhos do chão.

- Tenho coisas mais importantes a resolver nessa manhã.

Souuji por um momento olhou Kurama. Na oitava série, quando estudaram juntos, nunca haviam trocado uma única palavra. Agora, no entanto, pareciam amigos de vários anos.

Souuji parou em frente à biblioteca, pouco depois da entrada.

- Kura...

Quando notou, estava prestes a falar consigo mesmo no imenso corredor. Olhou ao seu redor. Deserto.

Droga.

Retornou seus pensamentos ao que viera fazer naquele dia na escola. Planejara fazer na hora do intervalo, mas os acontecimentos do atraso vieram em má hora. Aliás, nem em tanta má hora, imaginou ao entrar na biblioteca. De manhã a biblioteca era vazia. Com no máximo quatro ou cinco alunos de fora que viam fazer pesquisas. Oportunidade boa que não podia ser desperdiçada, evitando olhares curiosos e incômodas leituras ruidosas.

Punho de Deus, pensou. Onde poderia começar?

Correu os olhos para a imensa biblioteca. Havia milhares de livros. As estantes se dividiam em quarenta fileiras de categorias a sua esquerda, pouco atrás das mesas de leitura. Onde se encaixaria Punho de Deus? Aventura, Drama, religião, terror?

- Com licença meu jovem, posso lhe ser útil? – A voz era cansada. De mulher.

Ele virou-se e disse:

- Bem... Procuro algum livro relacionado a Punho de Deus.

A mulher fez cara confusa. Parecia ter setenta anos, ou mais. Foi lentamente a sua mesa e sentou-se de frente ao seu notebok.

- Temos milhares de livros aqui. Procurar um por um seria um imenso castigo, não acha? Graças a Deus invetaram o computador. – Ela digitou o nome na imensa tela de busca do sistema. – Creio que demore uns dois minutos. Sente-se, quer tomar um chá?

Souuji fez que não. Imaginou se a diretora o pegasse ali, tomando chá com a bibliotecária. No mínimo, quinze dias de suspensão por estar matando aula.

Susanowo mestre dos mares, das tempestades. Senhor do grande poder, governador dos fortes, piedoso dos fracos e oprimidos.

- A senhora disse alguma coisa?

A Bibliotecária o olhou novamente confusa, balançando a cabeça negativamente.

Abrace seu destino. A história já está escrita.

Soouji engoliu seco. Estava acontecendo novamente. As vozes.

- Está se sentindo bem, meu filho?

- Sim... – Mentiu.

A mulher tirou os óculos pousando-os na mesa.

- Você está pálido. Sente-se, vou buscar...

- Já disse que estou bem! – Esbravejou. Seu eco correu por toda biblioteca. Uma cabeça aos fundos do local levantou-se olhando para frente. Souuji mal reconheceu sua voz.

A senhora ainda o olhava.

- Desculpe-me senhora... É que...

Um pequeno som eletrônico quebrou aquele momento incomodo. A senhora voltou os olhos ao seu computador. Olhou novamente para Souuji e disse sorridente:

- Estante 12, terceira coluna.

Souuji foi em direção as coordenadas. Estava cansado, sentia-se culpado por esbravejar com uma senhora de idade... sua visão estava turva – mesmo usando óculos — e suava frio como nunca suou na vida. Aquelas estantes estavam tão longes! Ele iria desmaiar.

Os homens! Sim, intolerantes e inúteis como sempre foram! Sama no te, espírito do mundo dos imortais, olhos dos anjos, O Punho de Deus! Deuses governam durante a eternidade. Homens mortos. A união do mundo espiritual e humano. Um só sentido para a glória!

Um imenso buraco negro se abriu no centro da biblioteca. Era como um buraco negro de espaço; frio e solitário. Distante, uma silhueta começara a aparecer entre as sombras. Não era humano. Sua forma era num tanto grotesca – lembrava a forma de um homem aleijado de uma perna com asas quebradas. Seus olhos eram vermelho sangue e não piscavam sequer um minuto.

- Souuji Kebari. Seu destino o espera – a voz soou fantasmagórica.

- Aqui está seu livro moço.

Souuji despertara como de um sonho.

Olhou ao seu redor. Tudo normal. Tudo, menos ele.

- Você ficou parado aí como uma estátua depois que falei onde o livro se encontrava... Você está com um aspecto péssimo, não quer tomar um chá?

Souuji pegou o livro e agradeceu com um olhar abatido à senhora, indo se sentar em uma das mesas de leitura. O suor frio ainda brotava, temia estar em um pesadelo infinito.

O que está acontecendo com você Souuji? Perguntava-se mais uma vez.

Ao sentar-se à mesa, o pouco ânimo que tinha fora embora na velocidade da luz ao olhar para a capa do livro que a bibliotecária lhe dera.

O PUNHO DE ZEUS

UMA OBRA INFANTIL DE CELIL OLOHAM

Tirou os óculos. Deixou que a cabeça caísse em cima do livro. Ao fundo, o relógio da escola badalava as 9h. Hora do intervalo. Não seria uma boa idéia sair agora.

Abriu o livro e começou a ler.

Após algumas horas de leitura, Souuji não achou ligação alguma com o que suspeitara. Pensou em encontrar algo relacionado a demônios ou a visões. No entato, o mais perto que chegou foi uma síntese da autora sobre os deuses Gregos.

Olhou que horas eram. O relógio da biblioteca estava para marcar 12h. A sirene ao fundo denunciou a hora do almoço. Uma ótima oportunidade para se ir embora, já que muitos alunos almoçavam em casa.

Ele se levantou.

- Escute senhora... – disse ao se aproximar – vou levar esse livro para lê-lo melhor em casa.

- Você já tem cadastro?

- Souuji Kebari.

A mulher digitou. Após alguns segundos, disse sem tirar os olhos de seu computador:

- Ei, escute... Não era para você está em aula?

Ele já havia ido.

Lá fora, os alunos conversavam em voz alta sobre o que haviam achado na internet no dia anterior, sobre o que estava na moda e o que ia ter na televisão na noite... Um grupo de meninas aos fundos do pátio davam risadas entre cochichos e segredos. Rapazes jogavam Rpg no gramado, casais trocavam beijos ao iluminar do sol enquanto outros corriam apressados para o portão de saída.

Souuji andava rumo a sua casa lendo alguns trechos do livro. Parou. Sentiu uma presença a sua frente. Uma não, algumas.

- Ora, ora... Olha só quem está matando aula para ler livros.

Mesmo sem levantar a cabeça Souuji sabia quem era.

- Aru.

- Esperava que fosse quem idiota? – Aru era um garoto encrenqueiro dono de uma pequena gangue de quatro garotos da escola. Muitos o odiavam, outros, aprendiam a gostar dele para não voltarem com a cara roxa para casa. Apesar de ser gordo e extremamente feio muitos o respeitavam. – Cara, não quero perder muito tempo. Então... Passa logo a grana que eu a galera estamos querendo ir pro Arcade!

Souuji nem sequer levantou a cabeça.

- Idiota – Aru deu um tapa no livro -, será que você está realmente surdo?

Um dos garotos – um magro com piercing nos lábios – aproximou-se. E com perfil de cochicho, lhe disse:

- Se eu fosse você eu o escutava, Aru está meio impaciente hoje!

Souuji levantou a cabeça. Não haveria hora mais importuna para aquilo?

- Sinto muito, mas não tenho sequer um trocado.

Todos caíram na gargalhada.

- Revistem-no – disse Aru.

Dois dos rapazes o pegaram pelo braço, enquanto os outros dois o revistava os bolsos da blusa e da calça.

- Nada chefe – disse um, depois os outros.

Aru se aproximou e lhe deu um belo murro. Souuji voou próximo a uma poça de lama.

- Idiota. Se na próxima vez não tiver um trocado sequer, vai precisar de algo para lhe ajudar a andar pelos próximos cinqüentas anos da sua vida.

Um trovão ouviu-se ao longe.

O sol escondeu-se como uma testemunha de assassinato.

O céu estava negro.

- Na próxima vez, tu não terás uma língua com que possa falar.

Todos olharam temerosos para o céu. Aru virou-se em uma impulsão:

- O que foi que disse?

- Ah... Desculpe-me – disse uma voz atrás deles. – É que eu estava falando com minha namorada no telefone!

Todos viraram.

- Quem diabos é você? De onde surgiu? – Indagou Aru.

- Me chamo Kurama... Desculpe-me se pensou se eu estava falando com você... É que...

- Esse lugar está tendo uma epidemia de idiotas. Escute, você tem dinheiro?

Kurama olhou sem jeito para eles. Botou as mãos nos bolsos.

- Isso é tudo que tenho... – sorriu sem graça.

Aru ponderou.

- Dez pratas... Acho que isso dá pro gasto! Vamos.

Espero que sim idiota, eis o preço de sua vida e de seus amigos.

O sol começava a surgir novamente. Souuji levantava-se com uma das mãos no rosto.

Kurama foi o ajudar.

- Você está bem?

- Você... Você novamente? Por acaso está me seguindo? – Souuji olhou para si; repleto de lama.

- Aqueles garotos não estavam para brincadeira. Você está bem sujo.

Souuji o olhou com cara feia. Eu acabei de cair em uma poça de lama!

- Vamos, eu moro aqui perto. Creio que minha tia tenha algumas roupas para você. Além do mais, está na hora do almoço e sua cara de fome te entrega.

Parecia uma boa oferta que Souuji não poderia recusar. Chegar em casa daquela maneira e naquela hora não seria uma boa idéia.

Já haviam se passado vinte minutos desde que começaram a caminhar. O sol ainda quente.

E o Kurama havia dito que era perto, só podia está sendo gentil mesmo. Aliás, bem gentil. Me ajudou a entrar na escola, ajudou-me com Aru e sua gangue e agora me convidando a ir a sua casa.

Souuji imaginava como iria explicar para a bibliotecária a queda do livro na lama.

Sabe, é que ele caiu quando eu estava destraído. – Péssima escolha.

Derramei chocolate enquanto tomava café! – Lama tem cheiro?

Não resisti! O livro era tão ruim, que tive de sujá-lo todo! – Bem convincente.

Ah...

- Que livro é esse?

A pergunta o pegou desprevenido.

- Estudo da... Grécia Antiga.

Kurama pareceu conter um riso.

- Este bem sujo também.

Deus do céu, o que há de errado com ele?

- É.

Kurama parou em um inicio de escadas.

- Chegamos Souuji.

- Ele deve está aqui em algum lugar...

- Vovô, esqueça isso. Que bagunça...

O velho suspirou. Arrependeu-se de imediato por não ter escutado sua neta e ter saído junto dela e comprar um presente de aniversário para seu neto. Ao invés disso, decidiu procurar um velho amuleto que jurava ser mágico no quarto onde há décadas guardava seus pertences. Deve está por aqui em algum lugar, eu sei que está!

- O almoço ta pronto, mamãe pediu para avisar – disse Souta ao chegar sorrateiro. – Ei, o que vocês estão procurando?

Kagome tomou um baita susto.

- Estamos fazendo uma... arrumação! Uma arrumação Souta... Nada de mais... – Mentiu grosseiramente. Kagome não conseguia enganar nem um gato.

O garoto os olhou com cara de desconfiado.

- Não estão pensando em me dar um daqueles amuletos de araque de presente de aniversário, estão?

Vovô Higurashi se levantou.

- Saiba que esses amuletos...

- Vejam — entreviu Kagome ao olhar para fora -, parece que o Kurama trouxe um convidado para o almoço.

Ao terminarem de subir as escadas, Souuji sentiu algo estranho. Um pressentimento, talvez. Não. Não era um pressentimento, uma vontade desconhecida. Algo lhe chamava. Ele nunca havia sentido aquilo. Temeu por ser as vozes e o demônio que vira na biblioteca, mas nada aconteceu. Olhou ao seu redor.

No centro do imenso local havia um templo; a esquerda havia um estranho quarto com uma porta fechada. Ali próximo, havia um local que parecia ser de orações; a poucos metros atrás do templo havia uma casa de dois andares onde ali perto, algumas pessoas viam em suas direções após saírem de um pequeno quarto.

O estranho era que ao olhar para o misterioso quarto de porta fechada ele sentira uma nostalgia de algo saudoso. Cada vez mais que olhava para o local, mais se sentia atraído.

- Escute Kurama, o que tem ali?

Kagome chegava com os outros.

- kurama, não vai nos apresentar seu amigo?

A fisionomia de kurama havia mudado. Ele parecia mais sério.

- Quem é você? – Ele olhava com determinação para Souuji.

Todos ficaram sem entender.

- Só irei perguntar mais uma vez – uma rosa havia surgido em sua mão.

- O que esta havendo kurama? – Souuji sentia-se presente de outra pessoa.

Um rápido pensamento passou pela sua cabeça.

Seria... possível?

O atraso na escola, o socorro contra a gangue de Aru... o convite. Ele realmente estava me espionando.

- Rose Whip!

Kurama fez surgir seu chicote de espinhos.

- kurama? – Indagou Kagome apreensiva.

Os olhos de Souta não piscavam nem sequer um minuto. Parece que ele já havia encontrado seu presente de aniversário. Vovô Higurashi observava tudo muito cauteloso.

- Esta bem, acho melhor eu ir embora. Se isso é alguma brincadeira de mal gosto eu...

- Você assassinou sua mãe na manhã de hoje.

A pouco Souuji não soube interpretar as palavras de Kurama. Ele havia dito aquilo mesmo? Só podia estar ouvindo mais coisas estranhas naquele insólito dia.

- Kurama você está indo longe demais – disse ele pela primeira vez o olhando nos olhos.

- Eu senti uma energia muito poderosa nessa madrugada e decidi investigar. Após algumas horas, essa energia ficou fraca a ponto de sumir. Estava quase desistindo, quando novamente eu a senti. Estava perto. Estava na sua casa. Eu vi você com sua mãe... Decidi segui-lo e assim que eu tivesse a oportunidade...

- BASTA!

Souuji sentiu uma apunhalada no peito — um grande peso -, seu coração estava acelerado. Nada fazia mais sentido.

Quem é ele para falar isso? Sua mãe? Morta?

Aceite seu destino!

Mate-o.

kagome sentiu um frio percorrer sua espinha. Uma energia estava no ar. Pesada. Maléfica. Uma energia tão maléfica e poderosa quanto à de Naraku.

Não.

Essa era muito mais poderosa. Isso lhe deu medo.

Como alguém pode ter energia mais poderosa do que a de Naraku? Pensou.

Um ligeiro suor correu sobre sua testa.

Inu yasha, ordenou sua mente. Inu yasha, vá chamá-lo!

No entanto, suas pernas não obedeciam.

Aquele garoto...

- Irei revelar sua verdadeira face! – esbravejou Kurama ao dar um salto para cima de Souuji erguendo sua Rose Whip.

A face de Souuji escondia-se entre as mechas de seu cabelo. Ninguém viu, mas estava sorrindo.

Aceite seu Destino!

Estava feito.

- Kurama não faça isso! – Gritou Kagome.

Tarde demais.

Um imenso globo de energia com uma aura roxa surgiu ao redor de Souuji, fazendo com que Kurama batesse e voltasse em seu salto.

Kurama voou em direção as escadas como um avião de guerra abatido.

Todos prenderam a respiração juntos.

Kagome olhava Souuji incrédula do que acabara de presenciar. Os olhos do jovem estudante já não eram mais os mesmos. Uma estranha energia emanava de seu corpo. Aquela mesma energia pesada e maléfica.

- Quem é você? – A voz de Kagome saiu embargada.

Souuji virou lentamente seu rosto em direção a Kagome. Os olhos vermelhos o sorriso no canto da boca.

- Amaterasu? – A mesma voz fantasmagórica de antes.

Souta já não tinha o mesmo sorriso de antes. Agarrou-se na cintura da irmã escondendo-se atrás dela.

- Quem? – Indagou Kagome.

Souuji olhou novamente em direção ao estranho quarto fechado.

Mundo espiritual.

Ele abriu os braços como se pedisse um abraço. Seu corpo se dividiu em dezenas de luzes roxas. As luzes contornavam tudo que encontrava pela frente. Depois, uniram-se em um ponto estratégico ali perto.

O quarto.

- O poço comedor de ossos! – Exclamou tardiamente vovô Higurashi.

As luzes formaram novamente o corpo de Souuji. Ele abriu a porta e sumiu penumbra adentro.

Todos correram para o local.

Kagome mal acreditava no que havia acontecido.

Nada, além do poço, havia dentro do quarto.

Continua...