Salvetion
3 Sobrevivência
Notas iniciais
a luta com a besta fico tao... -Q?
Salvetion acordou antes de todos os outros alunos que estavam no dormitório masculino do primeiro ano. Estava ansioso para a primeira aula. Queria conhecer todo o castelo do instituto. Instituto Fromreu não era algo mágico. O que mais chama a atenção é por ser um castelo em uma ilha. Mas os corredores, quartos, salas de aulas, e tudo, são como qualquer internato comum. Na verdade Fromreu é um internato, só que é um castelo em uma ilha. É constituído pelos dormitórios, que são separados por anos e sexo, o salão de entrada, o gabinete dos diretores, a sala branca, sala que os alunos passam os três anos procurando e nunca a acham. Sala comum, Sala de jantar e a sala de estudos e biblioteca. No exterior do instituto estão; um lago, o jardim, o bosque e o pequeno rio. Mas mesmo com um exterior tão lindo e cheio de coisas, Fromreu não deixou de sofrer com a guerra das raças. Como em todo mundo as flores quase não crescem mais, e as arvores não passam de coisas podres fincadas na terra.
Podem ter certeza que o mundo não é mais como era antigamente. Não somente os seres dos céus, vampiros, e os seres da crosta, demônios, se revelaram, mas também as plantas morreram, as pessoas adquiriram poderes. Mas novas criaturas surgiram, não só “monstros” como “espíritos.” O mundo se tornou outro. Os vampiros deixaram seu reino nos céus após serem atacados por uma besta, os demônios dizem a mesma coisa. Poucos reinados ainda prosperam no reino dos demônios. E todos sabem que se continuarem onde estão morrerão. Por isso eles mandam seus filhos para a terra. Como o pai de Amity o Grande Fallen. Ela era filha do rei em pessoa. Mas naquela época a guerra já estava acabando, o sangue sintético aliviava a sede dos vampiros. Agora os demônios, pobres seres, esses eram taxados pela igreja e mortos sem piedade.
Salvetion olhou no quarto para ter certeza que todos dormiam. Sua mão tocava seu ombro retirando a alça da regata. De peça por peça ele ia retirando sua roupa e colocando na cama. Retirou o uniforme de dentro do baú que estava aos pés de sua cama e o vestiu. Sapatos negros e meias escuras que ficavam escondidas dentro da calça também de cor negra. Era uma sobre-camisa escura e de mangas compridas, em seu punho dobrado havia apenas uma única listra branca. A sobre-camisa era aberta encima, exibindo uma camisa branca social de gravata negra. Haviam três pequenas correntes no uniforme do lado direito, e do lado esquerdo encima do coração havia o brasão do colégio, com seus respectivos animais.
Deixou as roupas que usara para dormir encima da cama e saiu do dormitório. O dormitório masculino do primeiro ano ficava na área norte e no terceiro andar do instituto. Ele estava faminto, quando chegou no dormitorio dormiu direto, enquanto os outros garotos foram pro salão de jantar comer. Bem a sua primeira parada no instituto seria a sala de jantar. A sala de Jantar é composta por diversas mesinhas com lugar pra 10 ou 12 pessoas, mas raramente tais mesinhas estão lotadas. No centro da Sala duas mesas compridas são abarrotadas de comida nos horários pré-estabelecidos e limpas no que todos estão satisfeitos. Quem cozinha, põe a mesa do Buffet ou limpa os pratos é um mistério, já que, em toda a escola, nunca se viu uma cozinha de verdade. Alguns alunos dizem que a inacessível sala branca é a cozinha, mas boatos são boatos. Chá, sucos, bolinhos e biscoitos podem ser encontrados nas mesinhas a qualquer hora do dia, afinal adolescentes em crescimento têm fome o tempo todo, não é?
Salvetion olhava a sala, aquilo era... normal. Ele esperava algo mais mágico. Eram apenas mesas com cadeiras e uma enorme mesa com comida. O jovem caminhou ate uma das duas grandes mesas e pegou um prato. Salvetion era um garoto um pouco viciado em doces, seu café da manha foi o mais doce possível. Quando virou se assustou com um garoto que o olhava.
— Novato. – seu uniforme era idêntico ao de Salvetion, mas sua roupa não tinha um punho a ser dobrada e sua gravata era uma fita azul. Estudante do segundo. – Que patético. – Ele era mais baixo que nosso protagonista, seus cabelos negros eram curtos, mas sua franja não. Usava um tapa olho em seu olho direito. Sua pele era pálida.
— Patético... – Salvetion não sabia o que ele queria dizer com isso. Olhou para o lado com uma expressão triste. – Eu...
— O famoso Salvation. Já ouvi coisas ao seu respeito. – pelo visto a fama do jovem Golucki era grande e ele nem sabia disso. – Deve ser tão delicioso.
— Delicioso? – ele não tinha idéia do que o garoto falava. Seus olhos se arregalaram quando percebera que o mesmo olhava fixamente uma veia que pulsava em seu pescoço. – Desculpe, tenho que ir.
Salvetion saiu quase que correndo ate a mesa mais longe, o jovem secundário fitava-o com seu olho. Salvetion sentia um leve desconforto com aquilo, era como se o olhar dele o machucasse. Os pensamentos sobre aquele rapaz ser um vampiro atormentavam Salvetion. Não era possível, aquele instituto era restrito a humanos. O próprio diretor tinha uma conversa com os alunos. Salvetion sempre quis conhecer demônios e vampiros, mas isso não tirava seu medo deles.
Aos poucos a sala de jantar ia sendo invadida pelos alunos esfomeados que acordavam. Alunos do primeiro, segundo e terceiro, estavam todos reunidos. Salvetion não tinha muitos amigos, as pessoas não gostavam dele. Muitos que estavam fazendo o primeiro ele conhecia de vista mais nem um amigo.
— Oi – Amity se sentou a frente dele.
— Ah, Ola.
— Você vai... – seus olhos estavam voltados a torta do garoto, em seu prato ainda tinha a torta que nem tocara.
— Pode pegar.
— Animados para a primeira aula? – Altaire sentou do lado de Salvetion e começou a comer.
— Muito – os dois novatos falaram em coro.
Altaire soltou um pequeno sorriso enquanto olhava o jovem e continuou. – Vocês gostarão daqui, é um bom colégio. – Na verdade, o instituto Fromreu era o único colégio. – Salvetion qual os seus poderes?
— Completamente excluída da conversa. – Amity encarava os dois, e logo voltou a comer a torta.
— Bem, meu poder não é algo de se ver sabe?
— Telepatia? Teletransporte? Leitura de mentes?
— Er... não sei ainda. – ele falou totalmente sem graça
— Não? Que fofo. – Salvetion se corou ao ouvir tal frase. – Você é inocente ainda. Mas e você Amity?
— Nada de mais, coisa simples. – Ela levantou olhar e o encarou, Altaire sentiu uma mão esmagar seu coração. – Gostou?
— Ah... Gr... Pare... – suas feições de dores pararam seguidas de uma forte respiração.
— Ah? O que? Eu não vi nada. – Salvetion olhava pros dois sem entender nada.
— Ela... – respirou novamente – Controle de corpos, acho que é esse o nome.
— E poderes tem nomes?
— Claro, tem uma matéria super chata que nos ensina a origem dos poderes.
Os jovens continuaram conversando ate que Diego chegou.
— Salvetion, Amity. Allt
— Dii – Respondeu Altaire
— Dormiu bem Salvetion? – ele perguntou se sentando na cadeira ao lado dele que não estava ocupada.
— Uhum, dormi. – um sorriso sincero estava estampado em seu rosto.
— Que bom, não quero que algo de ruim aconteça com você, não pude te proteger essa noite, não sei o que faria se algo te machucasse...
— Diego. – Altaire encarava o rapaz como se fosse para ele não falar o que não deveria.
— Ah Allt, para de ser chato. – Diego abriu sua mão, e uma pequena bolinha amarela se formou, Diego bateu seu dedo jogando-a no prato de Altaire que logo explodiu fazendo a comida voar em seu rosto. – Animado para o primeiro dia de aula meu lindo?
— Ola!? Eu também existo sabiam?
Todos olharam para Amity por alguns segundos e logo voltaram a ignorá-la. Altaire com calma limpava a comida que havia estourado e ido em seu rosto.
— Merda. – ela se levantou e saiu caminhando sozinha.
— Melhor assim. – murmurava Diego apenas para Salvetion. – Agora só falta o Allt sair para ficarmos sozinhos. – Sua cabeça ia se aproximando aos poucos do jovem que se jogava para trás com vergonha. – Você é... VOCÊ NUNCA BEIJOU?!
O garotou ficou completamente corado. Mesmo que um pouco sem jeito ele se levantou e saiu do salão.
— Ah já vai? – Diego falava com um tom triste. – Eu fiz algo?
— Você ainda pergunta? – Altaire lhe respondia secamente
— É a vida, eu amo esse garoto. Mas é difícil ficar perto dele sem querer me deliciar com seu sangue. Aquele sangue é tão...
— Que nojo. –Altaire se levantou e partiu em retirada.
— COMO SE VOCÊ JÁ NÃO FOSSE NOJENTO O SUFICIENTE ALTAIRE!.
Salvetion caminhava pelos corredores do instituto murmurando besteiras sobre Diego. O garoto havia lhe passado vergonha na frente de todos, ele praticamente gritou que ele nunca havia beijado. Diego as vezes dava medo em Salvetion, a forma que ele o tratava não era uma forma que alguém deveria tratar alguém que ela mal conhece.
...
Era a primeira aula, a sala era como todas as salas normais de colégios. Cadeiras individuais divididas em quatro fileiras e um pequeno quadro na frente onde o mestre escreveria o que os alunos deveriam copiar. Salvetion fora o primeiro a chegar à sala. Sentou na penúltima cadeira que escorava na parede. A única iluminação da sala eram dois grandes vitrais que ficavam atrás do quadro. Havia anotações estranhas na parede em outras línguas, esferas negras caídas no chão, gaiolas que balançavam no teto, mas era impossível ver o que havia dentro por causa do pano que tampava.
Os alunos começaram a chegar e sentar. Diego sentou atrás de Salvetion e Altaire sentou-se a sua frente. Amity o olhou e sentou na primeira cadeira da fila, a que todos evitavam. A professora Megumi estava atrasada. Os alunos conversavam e brincavam ate que a porta da sala se abriu e todos se calaram. Uma mulher com um mini-vestido completamente decotado entrou na sala. Era a diretora. Logo atrás dela veio um homem que aparentava ter uns quarenta e cinco anos. Seus cabelos parcialmente grisalhos eram penteados para trás. Sua altura era realmente chamativa, 1,98.
— Bem alunos, para os novatos não fará diferença, mas para alguns repetentes que temos... Enfim, o professor Ricardo, de Ataque Prático, e a professora Megumi, de Defesa Prática, foram substituídos, agora vocês terão um professor para as duas matérias. Esse é o Apollyon.
Amity e Altaire se entreolharam e sorriram. O professor era um demônio como eles. O que era uma raridade, pois todos os professores do instituto eram humanos. A diretora saiu deixando o professor sozinho com os alunos.
— Agora vocês teriam aula de Defesa prática. Faça-me o favor, a melhor defesa é o ataque. Então vamos fazer uma pequena alteração no horário. Agora é aula de Ataque Prático. Por acaso aqui existe algum aluno que poderia me fazer feliz dizendo que sabe controlar seus poderes?
Muitos alunos levantaram as mãos entusiasmados para fazer a felicidade do professor.
— Nome e nos mostre suas habilidades.
— Claro. – era uma garota um pouco obesa e morena. – Elizabeth. – o corpo do professor começou a levitar.
— Estou esperando o seu poder. – sua cara era de empatia e seriedade.
— Eu já...
— Se você chama isso de poder, quem sou eu para provar o contrario. Mais alguém? Alguém que possua um poder descente. Vejamos, que tal você Amity Black.
— Quem? Eu?
— Seu pai já me falou dos seus poderes, realmente é um ótimo dom.
— Acho melhor não, como você sabe, esse colégio é para aprendermos a controlar nossos poderes. Então eu não estou aqui para exibi-los e sim para aprender a usar.
Amity tinha um pequeno problema com bipolaridade. Não algo grande, era uma coisa bem simples, seu humor e forma de tratar as pessoas mudava de horas e horas. Nada muito sério. Mas mesmo com isso uma coisa não mudava, sempre que alguém levantava o tom de voz com ela, ela obedecia.
— Você esta certa. Vamos à aula. Meu nome é Apollyon. Serei o professor de ataque e defesa prática. – ele estendeu seu braço em direção a Salvetion que o olhava. Um raio de fogo contornou seu ombro ate sua mão e voou em direção ao garoto. – Não sabem atacar e também não possuem reflexos, parece que terei um longo trabalho pela frente.
Salvetion estava de olhos arregalados, Altaire o abraçava enquanto uma parede de fogo os protegiam do golpe do professor.
— Brigado...
— Nada, sempre irei te proteger.
A aula continuava. Apollyon hora ou outra atacava um aluno de surpresa para testar os reflexos do mesmo. Apollyon poderia ser um professor um pouco diferente do normal, mas ele sabia que deveria ser assim com os alunos, tanto ele quando os diretores sabiam que uma guerra estava por perto. Não uma segunda guerra de raças, mas uma coisa pior que essa antiga guerra.
Salvetion anotava tudo o que o professor passava no quadro, aquela aula não teve nada de pratica apenas teorias e teorias. Invocação de poderes, Concentração, Meditação e muitos ‘ãos’.
Depois de umas duas horas a aula finalmente acabara.
— Srta Black, por favor, permaneça na sala de aula. – O professor a olhava como se fosse dar uma bronca pela forma que ela o havia tratado.
...
— Sim? – os alunos já haviam saído, só restavam os dois.
— Perdoe a minha rudeza. – ele se aproximou e lhe pegou a mão. – É uma honra poder conhecer a filha do Grande Fallen. – ajoelhou e lhe beijou a mão.
— Haviam muitos humanos, você tem que interpretar certo? Não se culpe.
— Se precisar de algo é só me pedir, será sempre uma honra satisfazer os seus caprichos.
...
— A briga foi feia? Aquele professor é demente, ele me atacou. – o refeitório no horário da tarde estava mais vazio.
— Nada, ele só falou que falaria com meu pai. Ele não é demente, só é um professor rígido.
— Concordo com ela, Salvetion. Ele parece ser bom. – Altaire comentou
— Como vocês podem falar isso? Meu Salvetion esta certo, ele é um mau professor. Agora bebê abra a boquinha. – Diego aos olhos de Salvetion era um pouco oferecido.
— Que? – ele abria sua boca bem devagar sem entender o que acontecia.
— Que dor de cabeça, droga. – Altair fechava os olhos com força enquanto resmungava.
— Aqui deve ter remédio para isso, na enfermaria.
— Não, sempre que tomo remédio me da diarréia.
— Da uma cagadinha antes que passa. Você se esvazia e toma. – todos que estavam sentados a mesa olharam para o jovem quando ele falou isso. – Que foi?
...
A noite finalmente chegara. Todos se preparavam para dormir, mas Salvetion não. Ele nem pode conhecer o colégio. Na verdade o interior do instituto para ele era algo muito sem mágica, em sua mente a possibilidade do exterior ter algo de bom o perturbava. Quando todos os jovens dormiram, ele saiu do dormitório. Aquilo era extremamente proibido, mas ele não ligava. Não só ele, mas Amity também estava andando pelo castelo. A primeira parada de Salvetion fora o jardim. Um jardim de um extenso gramado com banquinhos e árvores. As belas e ricas flores se negam a nascer nesse lugar. O solo sofreu com a guerra das raças. Mas mesmo assim os alunos e professores se empenham em plantá-las. O garoto ficou sentado em um dos bancos do jardim olhando as estrelas. O tempo estava fresco e calmo.
— Sabia que é proibido andar pelo colégio de noite? – Altair apontou pro banco. – Posso me sentar também?
— É proibido é? Então o que faz aqui? – ele ria um pouco sem graça enquanto afirmava que o rapaz poderia se sentar.
— É uma vista bonita não? As estrelas, uma das poucas coisas belas que ainda restam na realidade humana.
— São belas, gostaria de ter vivido antes para poder ver como são as flores.
— Realmente, não damos valor ao que temos, só quando perdemos, elas eram tão belas...
— Você fala como se já tivesse visto, minha mãe falou que foram extintas deste 2014.
— Quem sabe um dia ainda verei uma, e se eu ver, farei questão de dar ela a você. – estendeu seu braço e apoiou sua mão no ombro do rapaz puxando-o ao seu corpo. – darei a você tudo o que me pedir.
Salvetion deixou ele puxar seu corpo contra o dele, e aos poucos ele escorava sua cabeça em seu peitoral fechando os olhos. Por algum motivo ele se sentia feliz com Altaire.
— Quer conhecer o resto do castelo? – perguntou enquanto acariciava os cabelos do jovem.
— Claro!
Alguns alegam já terem visto algo semelhante ao “Monstro do Lago Ness” no lago. É verdadeiro o mito que diz que vários animais já sumiram nas profundezas desse lago, mas ainda assim muitos dos jovens alunos gostam de mergulhar nessas águas que, ao contrário das águas do Rio, são escuras e mornas. Salvetion olhava aquelas águas escuras com um pouco de receio, aquilo dava um pouco de medo nele, era como se alguma coisa tivesse escondida lá dentro. Altaire ria do jovem que tinha medo e continuaram o seu tour, dessa vez em direção ao rio. Com certeza, o rio era a coisa mais viva do Instituto. Alguns peixes estranhos nadam por ali sem se deixar levar pela correnteza fraca, e é divertido lançar petiscos no ar apenas para vê-los saltarem da água e abocanharem a comida no ar. A água é límpida e geralmente muito fria, mas é sempre bom permitir que essa água que corre leve com ela todos os nossos arrependimentos ou mágoas. Salvetion olhava encantado pro pequeno rio. Como que em um mesmo lugar havia um lago daqueles e um rio tão mágico? Talvez a coisa mágica que Salvetion esperava encontrar no Instituto fosse aquele rio.
Os dois sentaram no chão e colocaram seus pés descalços dentro da água. Aquilo era relaxante. Algo que durou poucos minutos, logo voltaram a caminhar. E acabaram chegando à orla do bosque, local onde os alunos costumam se encontram para fazer piquenique ou simplesmente conversar e se conhecer melhor. Poderia ser um lugar inofensivo e sossegado, mas de noite dava medo.
— Agora devemos voltar, já é hora de você dormir.
— Ah já? Tudo bem. Vamos então?
— Vai na frente, eu vou logo atrás. – Altaire olhava para dentro do bosque com ansiedade.
— Aconteceu algo?
— Não, não, imagina. Vai na frente.
Um forte barulho vindo de dentro do bosque chamou a atenção dos dois garotos.
— Salvetion, amanha eu te explico. Vá dormir. Agora! – Ele nem se despediu e correu em direção ao bosque.
— Ve? – Amity estava atrás dele
— O que você faz aqui?
— Bem... insônia, é insônia, nada de mais, apenas uma bela e linda insônia. Ta bom não faça pressão. – Salvetion não havia falado nem feito nada. – Eu queria conhecer o resto do Instituto. Eu tava naquele lago escuro lá e ouvi um barulho vindo daqui.
— Não sei o que... – Salvetion viu o que parecia ser uma luz que vinha do castelo para o exterior. – Merda os diretores. Se eles nos pegam estamos fritos.
Os dois jovens correram para dentro do bosque. A parte interna do Bosque concentra mais árvores e esconde os mais diversos perigos: as raças que se criaram ali ainda não foram conhecidas ou exploradas, e podem oferecer perigos aos aventureiros que se arriscarem a avançar para o meio das árvores. Nesse caso, os aventureiros podem ser chamados de Amity e Salvetion.
— Amity...
— Sim?
— Estamos perdidos.
— O QUE!? – seu grito pode ser ouvido por toda a floresta.
As arvores da floresta os cercavam, sussurros e barulhos estranhos os amedrontavam. As folhas secas no chão faziam barulho que eles não sabiam se eram de seus pés tocando-as ou outra coisa. O medo ia aumentando de pouco a pouco neles, o frio da noite, a escuridão que o frio trazia e poeticamente a morte e a solidão.
— SALVETION! NÃO MANDEI VOCÊ IR DORMIR? – Altaire chegou correndo e com um pequeno corte na bochecha.
— Altaire! Seu rosto.
— Nada de mais, rápido, vocês dois, saiam daqui.
— Você nem me chama, desgraçado. – Diego vinha correndo ate Altaire. – Onde esta a besta? Merda, já é a segunda noite que essas bestas atacam. – demorou um pouco, mas finalmente percebera Salvetion. – Meu ukezinho. Espera, o que você esta fazendo aqui?
— Insônia? – agora ele usava a desculpa de Amity.
— Vácuo? Acho que ate a floresta me da mais atenção do que vocês. – Amity estava um pouco zangada. – Mas parem com isso, o que VOCÊS fazem aqui?
Os dois ficaram calados e não responderam nada. Alguma coisa, grande, se aproximava deles. Não tinha como levá-los de volta ao colégio. Eles teriam que ficar ali. Aos poucos eles ouviram o barulho de algo se aproximando. Do meio das arvores uma criatura saltou encima deles. Parecia um lobo de dois metros, mas seu corpo não possuía pelo e ele era bípede. Mas todas as suas expressões faciais eram de um canino.
— O que é isso?! – Salvetion exclamava e perguntava.
— Merda! – Amity quase caiu para trás.
— Salvetion fique atrás. – Diego o puxava para trás de seu corpo, como se ele mesmo fosse um escudo para defender o jovem.
Diego estendeu suas mãos e bolinhas amarelas se formaram nelas, jogou todas encima da besta bípede que corria delas. A medida que as bolinhas acertavam o chão elas se explodiam. A besta havia esquivado de todas e corria em direção a Amity. A garota saiu correndo enquanto a fera lhe perseguia. Altaire estava de olhos fechados enquanto sua boca processava palavras em uma velocidade fora do comum. Aos poucos foram surgindo chamas no chão que crepitavam, uma explosão na frente da besta causada por Diego fez com que ele parasse de perseguir a garota, e rapidamente o fogo que queimava o chão circulou a fera. Um uivo agudo foi emitido pela boca da fera.
— Merda, ele esta chamando outro. – Diego reclamava
— Eles são rápidos demais para suas “bolinhas” vá proteger os dois.
Quando Diego se virou, outra besta, idêntica a primeira, lhe jogou longe com o que parecia ser um murro feito por sua pata. A besta caminhou em direção a Altaire que prendia a primeira em um circulo de fogo. Ele estendeu sua mão fazendo o circulo sumir e uma bola vermelha voar contra a fera. Salvetion estava em pé tremendo e Amity também, o medo de ambos chamou a atenção das bestas.
— Sai daqui! – Amity encarou a fera que vinha em sua direção. A criatura parou e caiu no chão fazendo alguns gemidos. – ALTAIRE!
O rapaz correu na direção da garota que usava seus poderes para causar dores na criatura. Em sua mão direita uma grande espada de fogo surgiu e logo a fincou nas costas da criatura.
— NÃÃÃO! – Salvetion deu um berro enquanto a outra fera corria em sua direção.
O local inteiro ficou em silêncio, só se ouviu rapidamente o barulho do que parecia ser água caindo na terra. Diego olhava espantado para o que havia acabado de acontecer, Altaire e Amity não acreditavam que aquilo era verdade. A besta havia sido completamente mutilada. Alguma coisa a cortara em pedaços. O sangue que escorria em seu corpo caiu no chão junto com os pedaços do corpo. Salvetion estava pálido, seus olhos estavam quase cerrados, sua expressão era de um extremo vazio.
— Salvetion! – Altaire correu e abraçou o jovem que desmaiou em seus braços.
...
Salvetion acordou em uma cama que não era a do dormitório, uma cortina branca escondia sua cama do resto do local onde estava. Era a enfermaria.
— Como vocês dois puderam deixar isso acontecer? – A voz parecia ser a do diretor Sath, havia cinco vultos atrás da cortina.
— Desculpe. O Salvetion estava caminhando pelo colégio ai fui acompanhá-lo, e quando percebi havia uma besta no colégio. A culpa é minha. – Era a voz de Altair.
— Garotos... – A voz de Diah era de tristeza.
— Ele matou a besta. – Diego comentou ainda mais triste.
— Ele? Mas seus poderes ainda nem começaram a nascer. – Sath estava preocupado. – A marca ira aparecer no corpo dele, é inevitável. Ele será um caçador que nem vocês dois.
— Não tem uma outra saída? Se ele for um caçador ele pode se machucar, eu não quero que ele se machuque.
— Altair, não deixe seus sentimentos interferirem no assunto. – Diah sempre era brincalhona, essa era uma das poucas vezes em que ela falava algo serio. – Ele terá que caçar com vocês ate o pacto da morte ser desfeito.
— Mas ele pode se machucar... Morrer.
— Morrer? Não, eu cuido pra que ele não morra, alias, eu desejo aqueles lábios há muito tempo. E o sangue que corre em suas veias há mais tempo ainda.
— Encoste seus lábios nele Diego, que eu acabo com sua vida pós morte.
— Ta apaixonado é? Saiba que eu farei o que precisar pra ele me amar.
— Vocês dois, parem agora. Vocês sabem que não podem tocá-lo. Voltem aos seus dormitórios, e você senhorita Amity Black. Teremos uma conversa seria com seu pai e ele puxara sua orelha. Onde já se viu? Uma princesa como você que assumira o trono do inferno se comportar de uma forma dessas. Por acaso quer receber o titulo de princesa rebelde?
— Mas...
— Sem mas. Vá para o seu dormitório.
— Sath, esse colégio não é seguro como antes.
— Eu sei Diah, são tempos difíceis, mas pense bem, agora são quatro caçadores. Os males vão diminuir.
Salvetion não entendia nada do que estava acontecendo. Amity era um demônio? Diego um vampiro? E que diabos era caçadores? A cabeça do rapaz começou a girar e girar, seu corpo foi ficando pesado e logo ele adormecera novamente. Seu corpo estava exausto.
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