Salém

5 Queimem, bruxas malditas. Queimem!


SÃO PETERSBURGO, IMPÉRIO RUSSO, 1916

Em plena Primeira Grande Guerra, o czar Nicolau II da Rússia resolveu dar um banquete para mais de duzentos convidados da elite russa. O homem recebeu a todos no hall juntamente com Alexandra, a última imperatriz.

Uma das convidadas chegou por volta das 18 horas local. Uma mulher deslumbrante, de cabelos pretos e olhos azuis. Seu vestido de festa era um dos mais adornados, portanto um dos mais bonitos. Nicolau deu as boas-vindas para a convidada.

Entre os comes e bebes, o imperador se ausentou da finíssima sala de jantar e foi para um dos quartos superiores. Lilith estava sentada numa cadeira, seu casaco de pele felpudo foi tirado pelas mãos do bigodudo. Tudo isso para uma fornicação com a sua amante. Sem desconfiar das traições do eu esposo, a imperatriz continuou com a festa.

O Império Russo caiu quando as forças bolcheviques realizaram uma revolução com um governo provisório. A monarquia daquele país deixou de existir em 1917. O imperador nunca foi perdoado pelo Domingo Sangrento de 1905, mas continuou no poder 12 anos depois.

Lilith saiu da Rússia e foi morar na Inglaterra com a suas duas filhas. Anjula era uma menina negra que nasceu da relação da bruxa com o líder Menelik II da Etiópia no século XIX. Madeleine tinha apenas dois anos quando sua mãe decidiu viajar.

Por mais de um século, as três se tornaram mais do que mãe e filhas, como também viraram parceiras. No entanto, essa parceria havia acabado quando um pacto com Belial foi feito.

A bruxa cortou os pulsos, derramou quase a metade do seu sangue para o demônio beber. Na sequência, ofereceu a vida das duas filhas. O porta-voz de Belial atendeu ao pedido e enviou uma criança, um anjo caído.

— Você é minha mamãe? — o rosto angelical daquele menino loiro fez a impiedosa Lilith relembrar o tempo que suas duas filhas eram crianças.

— Sim, querido. Meu filho, Lucie. — abraçou a criança, importando-se pouco com as ferida nos antebraços.

VANCOUVER, CANADÁ, 1995

A assistente social tocou a campainha do apartamento até ser atendida por uma Desirée ansiosa.

— E então? Eu fui aceita?

— Sim, senhora. O conselho tutelar dará uma checada na residência que a senhora mora, mas hoje mesmo já pode ver a criança.

A bruxa vestiu sua roupa de frio e saiu na baixa temperatura de inverno para o orfanato da cidade. Conversou com a diretora do local e foi levada para a creche.

— Essa criança é tão quieta. Tem dois anos, mas ainda assim não consegue fazer amiguinhos.

— Quando morar comigo, vai aprender a se socializar. Posso entrar na sala?

— Claro.

A loira passou pela porta e foi para a babá que cuidava das crianças. O menino que ficava no cantinho da sala, sentado numa mesinha, foi escolhido pela bruxa. Ela ficou de cócoras para ele e iniciou uma breve conversa.

Por volta da tarde daquele dia, Desirée chegou na sua escola com Cordelia, Younnan e Fiona. Depois de uma atitude horrorosa de Eros, todos subiram para os quartos superiores. A bruxa diretora pediu que o casal ficasse em sua suíte enquanto achava um quarto que serviria.

— E este aqui? — Fiona tentou forçar a maçaneta, mas a porta estava trancada. — Não abre.

— Ah não, querida. Esse quarto está ocupado. Se quiserem tomar banho, minha suíte tem banheiro. Só ir lá e tomarem uma ducha. Preciso voltar ao trabalho.

Ao passar pelo corredor, viu a porta do quarto ao lado do seu e se lembrou de alguém. As coisas em Gaia estavam loucas, mas tudo ia conforme ela havia planejado. Atravessou o corredor, passou pela escada, foi para o depósito do outro lado. Crisântemo e Donzel aguardavam a sua Suprema com o bracelete.

— Finalmente estou revendo essa coisa. Da última vez um cara quase mata a mim, Afrodine e o garoto brasileiro que ela protegia. E por falar nela, cadê ela?

— Foi no pântano — respondeu Crisântemo.

— Como assim, pântano?

— Essa bobinha não entendeu a parte que aquela súcubo disse que ia "caçar sapões". Ela acha que é sapo de verdade?

— Não é?

— As duas... por favor... foco no bracelete. Vocês me disseram que a Condessa invocou um demônio para proteger o objeto. Ela tem alguma conexão com os caçadores de bruxas? Porque esses caras são filantropos humanos, ou seja, não tem nada a ver com aquela diaba.

— Sabe o que eu acho, Desirée...

— Fale, professora Lavínia.

— Ou você subestima demais a merda da Condessa ou sabe de algo que não sabemos. De toda a forma, a gente vê ela todo o dia nos noticiários, o modo como ela manipula aquele pobre homem... e tem a filha dele que foi perseguida pela Lilith.

— Isso é assunto para outra hora. Mais alguma coisa que eu deva saber?

— Sabe aquela suspeita da prostituta brasileira ser uma bruxa? Ela era. Um assassino a matou, era um dos mercenários da HUNTER. Ele se matou, porque um dos nossos contatos no Rio de Janeiro o denunciou. Infelizmente foi tarde demais.

Mortes de bruxas estavam acontecendo em vários cantos do mundo, e a luta para salvá-las da morte ficava cada vez mais difícil. Desirée era a única que sabia da conexão entre Abigail e Rutherford. Por trás daquela calmaria, a bruxa líder tinha um plano já em prática contra a líder de Gaia.

...

NETHERLAND

O navio com os prisioneiros partiu imediatamente para a ilha-capital mundial de Gaia. Pelo menos três prisioneiras tinham algo em comum: duas delas quase mataram uma. Anjula e Madeleine discutiram na cela enquanto Joanna tentava arrancar mais informação sobre a Condessa.

— Você quis falar comigo. Por favor, responde. Quem é essa Condessa? Por que ela tem esse nome?

— Garota, a Abigail é a maior cobra deste mundo. Não sei muito dela, porque quando eu nasci ela já tava por cima da carne seca. Só sei que ela controla uns 80% deste mundo. E por culpa dela que nossos poderes foram selados neste mundo.

A parte que a Condessa era má não lhe interessava muito. Joanna queria saber o porquê do nome da sua mãe ser a mesma que a da governante. Abigail Constance era o nome da primeira-dama dos EUA, mas pouca gente chamava-a pelo seu primeiro nome.

A chuva deu uma trégua algumas horas após a captura. O navio chegou ao porto da capital.

— Até que enfim chegamos. Não aguentava mais ter que navegar — reclamou Skywalker. — Ei, rapaz, tá tudo bem?

O cavaleiro viu Luuk com uma cara um pouco pálida, mas recebeu apenas desprezo do mais jovem.

Os prisioneiros saíram das celas e foram escoltados para fora. Joanna, algemada, foi levada separadamente. Olhou Luuk montado num cavalo. Aquela imponência nada lembrava do Luuk que ela conheceu.

— Espera. Ela não vai no mesmo ônibus? — indagou Anjula.

— Andando!

Exceto Joanna, os prisioneiros foram levados para um ônibus. A garota foi escoltada até um carro por dois soldados e levada ao castelo.

A ilha de Netherland tinha o tamanho de Manhattan de Nova Iorque. Os prédios altos ficavam no centro financeiro, mas a maioria das edificações eram baixas. O centro da ilha era privilegiado com um parque verde bastante arborizado. No lado oeste desse parque ficava a Ágora da Sentença, local emque servia de palco para penas capitais e para os civis e militantes assistirem as execuções. À frente da ágora estava o castelo imperial, um dos maiores do planeta Gaia, lar da Condessa Abigail. Esse era o destino de Joanna.

Passando pela avenida verde que cortava o parque para chegar até o castelo, Joanna observou a população de elfos fazendo coisas cotidianas como caminhar, passear e outros. Eram atitudes frívolas do povo da capital mundial. Mais à frente o castelo imponente era visto.

— Vamos, saia! — disse um soldado orc.

Ela foi escoltada ainda algemada para a parte lateral do castelo. Passou por um longo corredor até chegar num quarto simples. Duas elfas entraram com produtos de higiene.

— Tire a roupa. A Condessa quer lhe ver, mas não dessa maneira imunda.

As duas ajudaram a garota a se lavar na banheira, jogaram a camisa e calça da moça e colocaram um vestido branco estilo século XIX. As duas levaram Bates até os dois seguranças quando Luuk parou perto deles.

— Tratem a moça bem. A minha senhora deu ordens para nenhum homem tocá-la de maneira inapropriada.

— Sim, chefe.

— Luuk?

— É senhor Thanatos, sua imbecil — ralhou um dos soldados.

Ela não conseguia acreditar que Luuk era um dos malvados. Algo de misterioso nele impedia de acreditar nisso. O loiro simplesmente ignorou e foi na frente.

Havia uma escadaria que dava para o andar imperial, onde ficava a casa da Condessa. Eles subiram as escadas de mármore, passaram por uma fileira de soldados e já estavam num corredor luxuosíssimo. Muitos quadros, estátuas e móveis da melhor madeira do país. O hall tinha um lustre de cristal de dois metros de diâmetro e móveis de ouro e diamante. A sala de visitas era outro cômodo imperial todo trabalhado em carmim, com três lareiras em fogo azul — um fogo raríssimo que esquenta o ambiente, mas não queima quando tocado —, móveis e tapeçarias da melhor qualidade. Ao lado de uma lareira havia a cabeça de um cervo chifrudo.

— Imagino que a pirralha esteja admirada com a riqueza. Melhor que a Casa Branca, não? — falou Skywalker ao entrar na sala.

Ela sentiu raiva quando viu Luuk entrar em seguida. Foi autorizada a se sentar no sofá enquanto aguardava a Condessa.

A porta grande que ficava bem em frente ao sofá abriu e uns oito empregados com seus cabelinhos brancos fizeram pose para a líder passar. Condessa vestia um vestido preto longo com um casaco felpudo de pele de tigre. Ostentava uma gargantilha de esmeraldas e brincos da mesma pedra preciosa. Seus belos cabelos vermelhos estavam soltos e, apesar da sua meia-idade, sua aparência ficou mais jovial.

— Não...

— Olá, filha.

— Mamãe? A senhora é a tal Condessa? — os olhos de Joanna lacrimejaram, mas Constance sequer mostrou empatia.

...

Lilith se recuperou depois de perder litros de sangue. Levantou-se da cama ainda fraca, abriu a porta do quarto da criança, porém não o achou. Dentro da casa ele não estava, por isso ela resolveu descer para a caverna. Viu barulho de mastigação e viu Lucie comendo um cervo ainda vivo.

— Mamãe, tô com fome — enfiou o braço no buraco na barriga do animal e puxou o intestino delgado com vísceras e sangue. Ele comia aquilo com gosto.

Nunca viu uma atitude tão animalesca vindo de uma criatura tão parecida com um humano. Belchior pelo menos tinha uma cabeça de bode, mas Lucie era apenas uma criança. Pensou se foi precipitado ter que trocar suas filhas biológicas por um demônio.

— Precisa se limpar, querido. Venha.

Lucie terminou de devorar as vísceras e foi com Lilith para tomar banho. Ele entrou numa banheira, a água esquentou a ponto de borbulhar. A bruxa deduziu que o garoto era puramente instável, talvez um perigo até mesmo para a sua vida.

ESCOLA PARA BRUXOS, SALÉM

— Younnan, Fiona, venham para o quarto que eu preparei para os dois — Desirée ajudou na bagagem. O quarto era espaçoso e tinha até cama de casal. A única que não gostou foi Donzel.

— Ei, Desirée, esse quarto é meu! Não pode dar o meu quarto.

— Calma, amiga. Os visitantes precisam de um lugar para dormir. Além disso, eles são quase casados e precisam de uma cama de casal.

— Tá, mas por que você não ofereceu a sua suíte?

— Sou a dona da casa e ofereço o que eu quiser.

— Eu pago aluguel e ajudo nas despesas!

A loira sequer se importou com o esbravejo da professora. Pediu para que os noivos aproveitassem o quarto com cobertas novas. Donzel pegou seu edredom e travesseiro, sendo obrigada a sair do lugar. Arrastada para fora.

— Não estamos atrapalhando? — indagou Younnan.

— Imagina. A Donzel que sempre faz tempestade em copo d'água. Ela ficará dormindo comigo, vamos brincar de Romeu e Julieta. Tchau — empurrou a morena até dentro da sua suíte.

— Aí, sua puta, eu bati meu dedinho na quina do móvel!

— Boa noite! — fechou a porta.

Fiona arrumou os cabelos na frente do espelho a fim de descer à sala de jantar. Passava das oito da noite, jantaram, voltaram para o quarto e trancaram a porta.

— Ainda bem que aquele homem não apareceu, porque eu não jantaria. Que bizarrice... ele mexer comigo apenas com o poder da mente.

Younnan mexia no celular durante a conversa da noiva. Ela pegou o aparelho e pediu um pouco de atenção.

— Desculpe. Eu escutava, juro.

— Deixa pra lá. Quero muito fazer amor — ficou sentada sobre as pernas do moreno e passou a beijá-lo.

Caminhando pelos corredores, a loira patricinha parou na frente de onde o casal Russell ficou. Com o seu senso aguçado da aldição, escutou as respirações ofegantes. Ela sabia que uma transa acontecia naquele exato momento, estava excitada, queria Younnan a todo o custo.

Duas alunas passaram por ela. Cordelia, tentando disfarçar, saiu da frente do quarto e desceu para a sala no andar térreo. Viu apenas Eros lendo uma revista Playboy.

— O seu poder é esplêndido. Conseguir excitar a mulher do Younnan foi uma grande demonstração — falou perto da orelha do íncubo.

— Só agora percebeu?

— Posso me sentar ao seu lado? Cadê a sua irmã?

— Sim, pode. Ela foi caçar homem para trepar. Agora me fala, está querendo algo de mim? Um boquete ou uma transa? Já vou logo avisando que nã estou muito disposto hoje... apesar de eu ser gostoso por natureza.

Cordelia se aproximou de Eros e cochichou acerca do poder dele para manipular mulheres. Pediu para fazerem uma parceria, assim ele poderia manipular Fiona.

— A sua proposta é tentadora, mas se eu fizesse isso seria castigado pela Suprema. E no passado já dei um de vilão, não gostei muito.

— Você é chato.

Eros alisou o rosto de Cordelia.

— Menina, apesar do meu corpo ser de um cara de vinte, eu tenho oitenta e cinco anos.Tenho mentalidade de idoso, sabia? Sou muito experiente e sei o que é uma roubada de verdade. Meu instinto e minha experiência de vida dizem qua você é uma cilada. Se quiser roubar o marido da outra faça sozinha — saiu, deixando a patricinha só.

— Babaca.

...

Quando viu Constance surgir na sala do castelo, Joanna deduziu que ela era a famigerada Condessa. Queria não acreditar, queria que tudo aquilo fosse um sonho ou pesadelo e que acordará a qualquer momento. No entanto, o absurdo se tornou realidade.

— Mamãe, que brincadeira é essa de Condessa? Por que a senhora está aqui e com essas pessoas?

Abigail alisou os cabelos da filha e riu do jeito simplório da moça.

— Eu sou a governante deste mundo, filha. Simples assim. Seu pai não sabe desse meu lado oculto.

A filha segurou a mão de Constance e implorou para que ela voltasse ao normal. Segundo Joanna, a mãe estava sendo manipulada pelos inimigos.

— Algo que somos diferentes é que astúcia lhe falta. Resumindo, você é burra, filha — Skywalker riu. — Não consegue enxergar maldade nas pessoas por causa dessa sua visão politicamente correta. Nem todos os criminosos estão dispostos a uma redenção, querida.

— O que isso tem a ver conosco?

— Thanatos, o que acha da minha filha?

Luuk se aproximou das duas. A moça sentiu raiva com a aproximação dele.

— Uma tola ingênua. Acreditou em tudo o que eu disse e acreditará em tudo o que qualquer pessoa má-intencionada disser.

— Cala a boca, cretino! Luuk, você vai me pagar! — tentou partir pra cima dele, mas Constance a segurou.

— Quem é Luuk?

— O nome dele! Quando estávamos sozinhos, ele me revelou esse nome.

— Nome falso, desculpa. E a senhorita continua tola, com todo o respeito à Condessa. Senhora, posso me ausentar um pouco?

— Claro, rapaz. Parece pálido, que houve?

— Nada de relevante. Apenas que não me alimentei hoje. Com licença — passou por Skywalker e saiu do recinto.

O cavaleiro estranhou a breve conversa de que o nome de Thanatos era na verdade Luuk. No seu um ano como assassino profissional, ele jamais mencionou esse nome. Poderia ser um pseudônimo para enganar Joanna, mas algo lhe dizia que o rapaz de olhos azuis escondia algo.

Luuk praticamente estava com as pernas fracas. Ficou escorado na parede, observando a sua espada. Lembrou de quando a obteve e a consequência de manejá-la. A espada era a sua maldição.

Constance pediu para a filha parar de chorar e acompanhá-la para a varanda exclusiva da imperadora de Gaia.

— Não quero ir para lugar algum. Quero que me explique o que está acontecendo e voltar para a Terra.

— Filha, eu vou explicar tudo, mas antes preciso que veja do que sou capaz. E há dias seu pai anda preocupado, mas logo isso termina.

— Oi? Dias? Mas eu vim pra cá ontem.

— O tempo daqui passa mais devagar que na Terra. Agora venha.

Uma multidão se reuniu ao redor da ágora para uma execução. Dois postes foram colocados no meio.

— Não quero ver — envergonhou-se quando chegou na varanda e viu centenas na praça.

— O meu poder é maior que o do seu pai como presidente — fez sinal como dedo. Duas mulheres foram levadas para o centro da ágora.

Havia dois postes. As duas foram amarradas e encharcadas de álcool.

— Mamãe, o que pensa que está fazendo?

— Caros cidadãos de Gaia, eis aqui um acontecimento fortuito que meus soldados passaram — disse no microfone do púlpito. — Sabem que em nossas leis é proibida a presença das bruxas remanescentes de Winchester. Pois bem, hoje cedo duas dessas malditas invadiram meu reino a fim de desestabilizarem a ordem do império, graças aos soldados que elas foram capturadas. Pois bem, isso é gravíssimo. Por esse crime, eu as setencio à morte pela fogueira!

O carrasco retirou os sacos pretos dos rostos das duas bruxas, revelando Anjula e Madeleine. Joanna reconheceu as irmãs e tentou pedir clemência a elas.

— Não te entendo. Aquelas duas queriam te matar. Foram elas que causaram o desabamento do teto daquela escola.

— Você pode prendê-las. Por favor, não faça isso.

— Queimem, bruxas malditas. Queimem! — exclamou a Condessa.

As pessoas ficaram num misto de êxtase e pavor. O carrasco acendeu a tocha e incendiou ambas irmãs. As filhas de Lilith gritaram e queimaram até a morte. Elas nunca saberiam que foi a própria mãe quem ofereceu suas vidas ao demônio.

A jovem Bates desabou. Quase desmaiou ao ver aquela demonstração de crueldade. Constance a segurou pelo braço e a arrastou para dentro.

— Sabe o que eu acho, Joanna? Thanatos tem razão. Você é uma tola, uma burra, uma estúpida. Pensei que poderia passar para o meu lado de bom grado, mas você é fraca e sempre será fraca.

— Não... mãe... — Joanna chorava enquanto Abigail a agarrava com mais força. Foi jogada no chão pela ruiva.

— Patética igual a sua mãe!

— O que disse?

— Oh, meu bem. Quer saber de uma novidade? Eu não sou a sua mãe biológica. A sua verdadeira progenitora morreu, porque fui eu quem a matei.

A informação deixou Joanna em estado de choque. Testemunhar Constance, a mulher que ela lembra desde sempre ser a sua mãe, dizer que havia matado a sua mãe biológica era a pior coisa a se ouvir. Dali em diante a sua vida não fazia mais sentido.