Salém
10 Dia de fúria
Notas iniciais
HORAS ANTES...
Starbucks, Algum lugar de Washington D.C
Um homem muito elegante entrou no estabelecimento. Ele vestia terno, casaco, cachecol e um chapéu preto. Seu rosto era verde, porém a boca era escondida por uma máscara preta. Ele caminhou até a atendente.
— Um café preto, por favor.
Prontamente ele recebeu o copo e foi se sentar à mesa. Mexia no celular enquanto com um binóculo via o motel do outro lado da rua.
Joanna e Luuk entraram na loja e ficaram sentados perto da sua mesa. Viu a filha adotiva da condessa se levantar e fazer o pedido. Na volta ele esbarrou nela.
— De-desculpa, moço... com licença.
Sniper saiu da cafeteria e caminhou metros de distância até um ponto seguro para não ser visto. Acendeu um cigarro e ficou fumando sob a neve que caía, logo viu o casal sair e atravessar a rua.
À noite, ele invadiu o quarto de Luuk na tentativa fracassada de matá-lo. Ligou para Abigail para contar que a sua filha estava viva e que Thanatos de fato era um traidor. A condessa mandou outra caçadora para se encontrar com o atirador no motel.
Vinte minutos depois, Górgona chegou ao quarto e viu Sniper fumando sentado no sofá.
— Eu vi um velho com a garganta cortada na recepção. Na boa, você já foi melhor do que isso.
Ele entregou a chave do carro e uma farda do serviço secreto.
— Vista isso — retirou a máscara, revelando dentes afiados e os caninos inferiores saindo da boca.
Górgona retirou o lenço da cabeça, revelando longos cabelos azuis cacheados que iam até a cintura. Ficou de sutiã para depois tirar na frente do colega. Ajoelhou-se entre as pernas, abriu o zíper de sua calça e fez um sexo oral nele.
— Isso não estava no plano — disse ainda fumando.
— Adoro transar contigo. Orcs são nojentos, mas você é limpo, educado e polido. Isso me deixa toda excitada — seus longos cabelos viraram cobras e envolveram Sniper. Ambos se beijaram.
Após transarem, eles voltaram para o plano.
Monumento de Washington
O obelisco era muito grande. Sniper chegou por volta das 19:30 e passou despercebido dos seguranças. Com uma luva aderente, cheia de pequenos espinhos, ele conseguiu escalar como uma lagartixa. Em suas costas havia um rifle de caça.
Acoplou a mira telescópica ao rifle e procurou a melhor posição. A distância era de mil metros até o seu alvo, o presidente. Assim que viu o presidente sair para o gramado, atirou. Sua mira era tão precisa que a bala atravessou a copa das árvores e atingiu o peito do presidente.

William Bates foi atingido por uma bala de uma arma de grosso calibre. O 1 segundo que ele teve ao cair no chão foi suficiente para ele se lembrar de toda a sua vida passada, mas era tarde demais. Joanna gritava ao lado dele, mas apenas deu um sorriso para a filha e adormeceu na morte. Foi tudo muito rápido, e isso provou do que a condessa era capaz. Nem mesmo Desirée, a bruxa mais poderosa, se atrevia a enfrentá-la. Condessa usou uma magia poderosa em William que fez com que ele perdesse a memória e só a recuperasse pouco antes de morrer.
— PAPAI!!! — abraçou, lambuzando-se com o sangue dele. Logo os paramédicos levaram o corpo numa tentativa ilusória de ressuscitá-lo.
As lágrimas de Joanna caiam no gramado. Os jornalistas foram expulsos do jardim pelos agentes do serviço secreto.
A notícia se espalhou. O país inteiro acompanhava nos jornais sobre o atentado ao presidente Bates. Em Washington e nas cidades vizinhas, aeroportos, portos, ferrovias e rodovias foram fechados. O FBI tomou conta da capital e da investigação.
Os paramédicos levaram o corpo do presidente ao hospital militar, mas o médico nada conseguiu fazer.
A vice-presidente e filha mais velha da Condessa, Belinda Jonhson, jurou à constituição e assim tornou-se a 46° presidente e primeira mulher a comandar o país mais poderoso do mundo. Ela estava num avião quando se tornou presidente.
Uma agente do serviço secreto pegou uma toalha e tentou acalmar a garota. Foi chocante ver o pai morrer praticamente em seus braços.
— Quem é você? Parece muito suspeito.
— Eu já te disse que não fui eu. Você já me revistou!
— Mãos para trás. Teremos uma conversinha.
— Mas eu não fiz nada! Isso é um erro.
A moça saiu do seu transe ao ver Luuk sendo carregado pelo FBI. Ficou na frente dos policiais e abraçou o loiro. Mentiu ao dizer que ele era o seu namorado e que fazia parte da família. O policial imediatamente retirou as algemas dele.
— Você me salvou... hã?
— Acho que só tenho você — chorava abraçada a ele. — Minha mãe adotiva me odeia, meu pai morreu, minha mãe biológica foi morta há muito tempo. Já não me importo mais se eu morro ou não.
— Não fala isso, porque está dando o que a condessa mais quer. Tudo o que a minha mãe está fazendo será em vão, e as mortes das pessoas que você gostou serão em vão.
Luuk finalmente abraçou Joanna. Ambos ficaram naquela posição sob os flocos de neve.
Boston
Eros foi convidado para entrar na mansão de Rutherford. O gêmeo de Afrodine vestia-se totalmente de preto, com seus cabelos loiros penteados para trás. Ajudou o anfitrião juntamente com um empregado a carregá-lo para o seu quarto.
— Pronto. Está tranquilo?
— Melhor do que nunca. Principalmente com a morte do William.
Eros também sabia da morte do presidente, mas não insistiu nisso. Pegou na mão de Rutherford e o beijou no rosto. O filho caçula da condessa se tremeu e quis beijar o outro.
— Que tal um tipo de terapia que só eu sei fazer?
O humano se deitou com a cabeça perto da cadeira que Eros estava sentando. Fechou os olhos, apesar de estar cego. O loiro se aproximou e pegou em sua cabeça com as pontas dos dedos. O homem cego teve uma sensação extraordinária como se tivesse caindo num poço sem fundo.
Abriu os olhos, estava enxergando. Percebeu que estava nu, dentro de uma termal. Tudo ao redor era preto, exceto pela cor vermelha do corpo musculoso do demônio.
— Doutor, é o senhor?
O demônio, pelado, caminhou para dentro da termal e logo abraçou o humano por trás. Seus dentes afiados roçavam em seu ombro. Logo Rutherford estava completamente dominado.
— Conte-me tudo sobre você e sua família. Se o fizer, deixarei que aproveite esse momento totalmente com o meu corpo — falou o demônio com a sua voz grave.
Entre beijos e carícias, Rutherford contava a verdade sobre as reais intenções da sua mãe e o que ela pretendia com a morte do presidente. Eros parou imediatamente o sonho.
— Fim da terapia. Estou satisfeito — disse o íncubo, lambendo os lábios depois de se alimentar da energia de Baron.
— Estou fraco — disse Rutherford na cama.
Eros sentiu pena do homem e o ajudou a ficar sentado na cama. Saiu do quarto para pedir algo a empregada. Nesse momento, Rutherford teve uma visão.
Na visão, ele testemunhou a aparição de um outro anticristo. Também viu que o mundo estava sofrendo com os efeitos da radiação nuclear. Ele gritou, chamando a atenção do loiro.
— Eu tive uma visão de oráculo!
— Calma, calma. Eu acredito em você, porque depois da cegueira adquiriu uma habilidade ímpar.
— Será porque eu sou filho da condessa que não sou totalmente humano?
A notícia da visão de Baron não foi nada boa. Ele poderá ver o futuro e avisar a mãe. Eros sentiu que precisava fazer algo antes que fosse tarde.
SALÉM
Uma bruxa pegou o celular e colocou na televisão portátil. A morte do presidente Bates pegou todos de surpresa, inclusive a suprema. Os convidados comentavam sobre o fato extraordinário. Fiona se levantou e falou com Desirée.
— A filha dessa tal condessa é a presidente. Isso não é a mesma coisa que ter o marido?
— Muito diferente. Quando William virou presidente, Abigail se tornou primeira-dama e tchauzinho liberdade. Nesses dois anos ela praticamente não entrava em Gaia. Agora com o presidente morto...
—... ela terá muito tempo livre. Uma pena, priminha, mas o seu plano de apostar as fichas na filha da condessa está indo pelo ralo. Eu, sim, tenho meus planos bem estruturados para o meu futuro. Olhe só... mas você não é a Fiona?
— Conhece-me?
— Não fale com ela, Fiona.
— Calma, Desirée. Só queria ver a sua amiga Fiona. És muito bonita. Deixe eu adivinhar... canadense?
— Irlandesa.
— Passei perto.
— Fiona!
— Tá bom, prima. Deixa de ser chata. Estou indo — olhou para a barriga de Fiona e se despediu.
Desirée ficou muito perturbada não só com a presença de Lilith mas também com a presença de Abigail, sua informação sobre o fechamento da escola e a morte de Bates.
Por fim, a convenção que sempre ocorre no dia 31 de outubro a cada cinquenta anos terminou de uma maneira bem dramática.
A chuva caía torrencialmente por toda a cidade. No vilarejo, Lilith caminhava na calçada, mas não se molhava pois havia um tipo de escudo invisível ao redor do seu corpo; fruto da sua magia.
— Eu te achei, Fiona. Só preciso encontrar um jeito para fazê-la vir até mim.
A sombra de Papa Legba apareceu no chão. Seu tempo estava acabando. Algumas semanas, e será antes do Natal.
Um raio caiu no teto da igreja da cidade. Realmente era um grande temporal.
Dentro da escola, por volta da meia-noite do dia 1°, Crisântemo Witzel apareceu na sala de estar. Caminhou vagarosamente para as escadas, mas a luz foi acesa e Desirée apareceu no topo dos degraus.
— Ai que susto, Desi.
— Tá assustada, princesa?
— Não seja irônica.
— Eu só quero saber aonde você foi? Você perdeu a convenção das bruxas.
— Você está me repreendendo? Esqueceu que Donzel também se ausentou? E pelo que eu soube, o seu afilhado, a patricinha e seu filho também estão ausentes.
— Younnan, Cordelia e Linda foram buscar o cetro; Luuk e Joanna foram tentar salvar o presidente; Donzel mesmo com raiva de mim acatou o meu pedido para ir salvar os dois. Temo que a Hunter irá tentar matar Joanna também. Mas você simplesmente sumiu.
Crisântemo subiu os degraus e ficou ao lado da suprema.
— Digamos que eu me esqueci da reunião. Você me perdoa?
— Tudo bem.
Ela beijou o rosto de Desirée e subiu. A reação de Witzel era muito suspeita. Há tempos que ela havia se tornado a principal suspeita de ser a traidora, mas não havia prova disso. Assim Desirée sempre deixava passar.
...
Depois do choque inicial, Joanna ficou mais calma. Sempre ao lado do Luuk, a moça foi levada para um local seguro dentro da Casa Branca. Uma agente do serviço secreto apareceu com o nome de Agente Carter.
— Precisamos tirá-los daqui. Passar a noite neste local não deve ser muito confortável para você, querida.
A jovem assentiu e deixou que Carter a conduzisse para um veículo preto. Luuk entrou logo a seguir e os dois partiram com a mulher dirigindo o veículo.
— Pode levar para este endereço. É nossa casa pessoal aqui em Washington.
O carro desviou a rota por um momento. Os carros da polícia pediram para parar, mas a motorista não obedeceu. Joanna e Luuk tentaram abrir as portas, porém estavam trancadas.
— Quem é você? — perguntou Luuk.
— Sinto ofendida por você não me reconhecer, Thanatos. Sou eu.
— Górgona?! Uma das assassinas da Hunter!
Um bloqueio mais à frente. Os olhos de Górgona brilharam, petrificando tudo na sua frente. Um caminhão apareceu numa esquina e bateu no carro, que virou.
Eles estavam perto do rio Potomac quando isso aconteceu. Górgona saiu do carro, mas Donzel ameaçou cortar o seu pescoço com um canivete.
— E agora, demônia, se se mexer um centímetro eu arranco a sua cabeça.
— Hum, não sabe do que eu sou capaz. Por acaso é uma bruxa?
As mechas dos cabelos viraram serpentes que tentavam a todo o custo picar Donzel. Esta se defendia com o canivete, mas logo passou a usar a telecinese para arrancar a tampa de um bueiro e lançar contra a vilã. Górgona transformou a tampa em pedra, desviando.
Luuk aproveitou a distração da demônio para dar um chute certeiro em suas costelas. Ela, porém, segurou o rapaz com suas serpentes. Preparava-se para transformá-lo em pedra quando donzel transformou seu canivete numa machete e degolar a assassina. A lâmina passou a poucos milímetros do pescoço do jovem. Um golpe perfeito.
— Essa foi por pouco — Donzel tinha o poder de transformar objetos em armas maiores.
A cabeça de Górgona rolou pela pista, assustando as pessoas. Do corte no pescoço saiu um chafariz de sangue e o corpo caiu de lado.
— Parada! — os policiais apontaram as armas. Donzel fez todos dormirem com um poder que aprendeu com a suprema.
— Vamos. Em dez minutos eles vão acordar.
— Que bom que veio, tia Lavínia.
— Tsc. Já disse pra não me chamar de tia. Agora vamos. E você engole o choro, porque seu pai morreu e não podemos fazer nada quanto a isso. A Condessa daqui a pouco vai pousar nesta cidade e precisamos estar longe daqui.
...
O portal da passagem de Gaia foi aberto e dele saíram Younnan e Cordelia. O corpo de Linda Locklear chocou Desirée.
— Como aconteceu?
— Uma das assassinas da Hunter matou-a com um punhal. Não pude fazer nada, ela era forte.
— Infelizmente eu estava lutando contra dois caras.
Desirée jogou o copo de vodca contra a parede e ficou ajoelhada ao lado do corpo de Linda. Nunca imaginou que isso aconteceria, pois a bruxa de fogo era tão jovem e alegre.
Um trovão ecoou na mansão. As alunas saíram de seus quartos para verem o corpo de Linda ser levado para ser limpado.
Enquanto isso, Cordelia pegou o cetro mágico e colocou sobre a cama. Ficou se olhando no espelho.
RIADE, ARÁBIA SAUDITA
— Até que enfim você atendeu ao meu telefonema. Tenho um serviço pra você e sua trupe vermelha, querida Loli.
— Fale o que quer e eu direi o meu preço.
— Há um cetro de ouro nas mãos de um sultão numa cidade costeira da Arábia Saudita. Quero que vá lá e pegue.
— Cobro 2 milhões de dólares por esse serviço. Não fique chateada, Cordelia-sama. Terei que dar o meu melhor. Levarei meu pessoal para lá e pegarei o objeto.
— Faça uma ponte em Gaia. Preciso disso hoje à noite.
Ela sentou na cama e ficou manuseando o objeto. Precisava fazer o pagamento imediatamente para Loli. Cordelia Schlesinger era filha de um estupro de Viktor Van Schlesinger com a empregada dele. O criminoso mais poderoso da Alemanha estuprou sua empregada e do fruto teve uma filha. Como nunca teve filhos, considerou a bastarda a sua única herdeira. Foi preso e morto, e assim Cordelia herdou os milhões dele. Saiu da Alemanha por volta dos quatorze anos e se estabeleceu nos Estados Unidos. Vestiu a máscara de patricinha para esquecer seu passado, seu pai morto e sua mãe internada num hospício em Frankfurt.
— Esse é o poder que eu sempre quis ter. Agora vou ser imbatível e conseguir o Younnan só pra mim.
Fiona abraçou Younnan e pediu para ele nunca mais sair numa missão assim. Ele jurou que ficaria bem e que nunca mais iria sair para algum tipo de missão perigosa. Ao ser abraçado, o moreno sentiu dor por causa de um arranhão no ombro.
— O que foi isso?
— Nada. Foi só uma ferida da luta. Quando lutei contra o pirata, eu fiquei bem pior.
Os dois se deitaram na cama e fizeram amor. Cordelia ficou atrás da porta com pura inveja.
— O que faz aí? — indagou Crisântemo.
— Nada — saiu.
A bruxa escutou por trás da porta. Foi para o quarto de Cordelia, mas estava trancado.
Na manhã seguinte...
Younnan levantou cedo como de costume, pegou os pulsos da esposa e ficou por cima dela. Fiona acordou com o susto e com ele por cima.
— Que susto! Younnan, tá me assustando! YOUNNAN!
Os dentes afiados dele agora híbrido causaram temor. Era como se um lobo selvagem estivesse por cima dela e a qualquer momento devorá-la. Younnan segurou o braço da mulher e apertou com as suas unhas. Fiona gritou de dor e foi suficiente para ele acordar do transe e se afastar da cama.
— O que foi isso? — perguntou Desirée. Viu o braço esquerdo de Fiona sangrar e Younnan atordoado na forma híbrida.
A bruxa suprema estava no seu limite, mas arranjou um tempo para verificar o problema do seu afilhado. Juntou os dois no sofá da sala.
As alunas ficaram de tocaia vendo um lobo híbrido pela segunda vez. Era um novidade aos seus olhos.
Desirée enfaixou o braço da Fiona e pediu que ela também se sentasse.
— Eu... machuquei minha mulher. Não sei se consigo mais ser seu marido! — gritou ele.
Desirée deu um cascudo nele.
— Ai...
— Deixa de ser escandaloso, lobo estúpido. Minha amiga morreu e você com esse barulho?
— Querido, não foi a sua culpa.
— Eu nem ao menos consigo voltar a ser humano de novo. O que tá acontecendo?
A suprema fez uma cara bem intimidadora.
— Eu perguntei o que havia acontecido lá e você disse nada. Houve ou não?
— Houve.
Ela deu um peteleco no focinho dele.
— O que merda, o que porra, o que caralhos aconteceu lá? Com quem vocês lutaram?
Younnan revelou ter lutado contra dois licantropos e que havia sido arranhado por um. Desirée revelou que eles eram humanos amaldiçoados pela magia negra da licantropia e que qualquer mordida ou arranhão que porventura o adversário sofrer deles, positivamente também virará lobisomem.
— What fuck! Eu vou virar um monstro?
— Mas eu sei tirar a maldição e positivamente o farei isso hoje. Antes, porém, terei que levar o corpo de Linda para a família velar. Sorte que eles moram neste estado. Enquanto isso, os dois fiquem separados. Fiona fique no seu quarto e Younnan fique por aqui... O que está esperando, Fiona? O ano novo chinês?
— Certo. Querido, vai ficar bem. Não foi a sua culpa — ela beijou o seu focinho e subiu.
O corpo de Linda Locklear foi levado pelo carro fúnebre e Desirée foi atrás com seu carro.
Younnan ficou pensativo enquanto deitava no sofá. Seus pés com unhas grandes ficaram fora do braço do sofá.
...
Cordelia viu Fiona, esperou Fiona entrar no quarto, desceu e viu o homem lobo dormindo no sofá. Ela achava tão sexy um furry ali na sua frente. Ajoelhou-se e tocou no tórax dele. Passou a sua mão por debaixo da camisa pólo e sentiu músculos e pelos. Deslizou a sua mão para a bermuda dele, abriu o zíper e tentou pegar no pênis dele. Younnan acordou na hora e impediu que a moça fizesse isso.
— Não devia ter feito isso. Eu tenho noiva, tenho filho. Fiona é a única mulher que eu me interesso.
Ele tentou sair dali, mas ela puxou o seu rabo de lobo e depois o abraçou por trás. Daí em diante, Cordelia virou a gata híbrida.
— Somos antropomórficos. Por que você prefere ficar com uma humana a ficar comigo?
Younnan se virou.
— Por que fidelidade vai muito além de questões de raça. Você não me conhece, portanto deveria ficar na tua! Fiona é a minha primeira e única mulher. Ponto final!
Cordelia explodiu. Fez suas garras crescerem e tentou arranhar o rosto do lobo, mas ele a segurou e rosnou, mostrando seus dentes afiados. Ele ameaçou mordê-la se não parasse. Cordelia ficou com medo e Younnan a largou.
— HY-AHHH! — ela pulou em suas costas, injetando morfina. Younnan caiu duro no chão por causa do tranquilizante. Com fúria, Cordelia subiu as escadas.
Crisântemo escutou um barulho alto de arrombamento de porta no quarto de Fiona. Esta pedia ajuda do marido, mas ninguém atendia. As alunas saíram dos seus quartos, mas Witzel pediu para todas entrarem e se trancarem.
— O que vai fazer comigo? — Fiona estava amarrada nos pés e nas mãos.
— O que você tem que eu não tenho? Younnan me rejeitou, mas a partir de agora você não será um obstáculo — suas unhas ficaram maiores e prontas para furar o corpo da humana.
Donzel, Joanna e Luuk finalmente chegaram. Os casal ficou conversando do lado de fora da mansão, mas a bruxa resolveu logo entrar. Chamou por Desirée, mas nada. Ela sequer sabia da morte de Linda.
— Temos um tapete de lobo agora? Oi? Levanta, rapaz — ela tentou levantá-lo, mas Younnan ainda estava drogado. Escutou um barulho intenso vindo de cima.
Crisântemo entrou no quarto de Cordelia e achou o cetro. Percebeu a presença de Donzel e se escondeu.
— Mas que porra é essa? — falou ao ver Cordelia prestes a furar Fiona.
— SOCORRO!!!
A gata híbrida pegou uma faca de cozinha que havia levado, arremessou contra Donzel, mas a bruxa desviou. A faca havia feito um corte em seu rosto.
— Ahhhh puta ruim! Eu te mato! — Donzel transformou seu canivete num machado e tentou rachar Cordelia em duas. A gata desviava dos golpes e logo arranhou as costas da morena. O machado caiu no chão.
— Pode vir. Eu vou matar as duas. Tenho o cetro, portanto sou invencível.
Donzel usou telecinese para empurrar Cordelia para fora do quarto. A parede quebrou e a gata caiu fora. As duas tiveram um pequeno confronto no corredor. A felina arranhava Donzel na luta. Foi quando a bruxa subiu o sangue na cabeça, pegou a faca que havia caído ali e decepou a mão esquerda de Cordelia.
— AAAAHHHHH!!! — gritou. Foi empurrada escada abaixo esvaindo em sangue.
— Vaquinha. Eu nunca gostei de você desde a primeira vez que te vi — pegou a loira e a esmurrou diversas vezes.
Banhada no próprio sangue, Cordelia se arrastou pelo hall da mansão. Donzel estava pronta para matar a moça quando levou um tiro nas costas.
— Cris...?
Crisântemo descarregou o pente da pistola no corpo de Donzel, matando-a ali mesmo.
...
Vamos voltar um pouco no tempo. Na noite anterior, após o fim da convenção.
Lilith retornou para a colina onde morava, mas não foi para a caverna. Preferiu voltar diretamente para casa.
— Voltei, querido Lucie. Lucie?
Ela abriu a porta do quarto e viu um homem adulto dormindo na cama. Lucie havia crescido.
Fale com o autor