Salém
11 A Suprema
Notas iniciais
Na ausência de Desirée, as coisas desandaram um pouco.
Minutos antes da desgraça.
Crisântemo lia uma enciclopédia sobre os três objetos mágicos: o Anel de Nibelungo, criado por vikings; o Bracelete do Nilo, formado a partir do trabalho dos magos egípcios; Cetro do Olimpo, forjado por bruxas na Grécia antiga. Os trio de objetos mágicos foi criado para combater a vinda do anticristo e proteção pessoal da Terra.
O planeta Terra, diferente de Gaia, não tinha nenhum protetor, exceto o Messias que foi o único anjo a tentar parar as maquinações do Diabo. Frustrado por ter sido selado no submundo pelo filho de Deus, o demônio permitiria que pelo menos um dos seus filhos saíssem para a superfície e terminasse o que começou. Os objetos mágicos são os únicos guardiões da Terra que poderiam evitar a ascenção do déspota mor.
O Anel de Nibelungo tem o poder ofensivo, o Bracelete do Nilo tem o defensivo e o Cetro pode controlar o tempo e o espaço.
Ela foi pesquisar no PC sobre La Cruz, uma vertente britânica da Hunter.
—----- INCIDENTE NO BRASIL ------
No final de 2017, uma explosão ocorreu no centro de Londres. A seita, Cruz, fora desfeita e vários dos empregados presos. Seu líder, Absalom, foi visto pela última.vez num avião jatinho para o Brasil. Fortaleza é uma das cidades do Brasil e fica no Norde...
Ela clicou mais abaixo:
Absalom não foi mais visto. Caso ainda em investigação. Moradores da região metropolitana de Fortaleza viram uma explosão estranha numa fábrica abandonada. Segundo um ex-capanga, Absalom e Sabrina, sua filha, foram engolidos por um vórtex. Ele disse que quando se deu conta havia passado duas horas em dez minutos. Surreal.
— Então quer dizer que o Cetro tem mais poder que os outros dois? Interessante.
Ela desligou o computador e saiu da biblioteca do andar superior. Viu o carro da funerária e a Desirée saírem. Minutos depois esperou Cordelia sair do quarto e descer. Para a sua sorte, ela deixou destrancada e avançou dentro.
— Que pancada foi essa?
— Meu Deus é uma briga!
— Todos para dentro dos seus quartos. Vamos, entrem! Tranquem-se.
Os gritos de Fiona foram ensurdecedores. Mesmo assim ela teve a frieza de pegar o Cetro e sair, mas viu Donzel.
— Droga, ela já chegou?
Disposta a fugir com o cetro, foi para a sala de chá, quebrou o vidro do armário clássico onde guardavam algumas armas de fogo. Pegou a pistola já carregada. Desceu as escadas, apontou e atirou em Donzel, e, sabendo que a colega era forte, descarregou todo o pente.
...
Do ponto de vista de Joanna.
Ela ficou observando a cidade Forthree depois de fazer uma ponte Washington-Forthree-Salém. Mesmo que já estivesse ali antes, não estava para conversa. Desde a morte do seu pai, tudo o que fazia não tinha mais sentido.
— Tome. É uma maçã.
Ela encarou Luuk. O sorriso dele era tão contagiante que de repente fez seu coração disparar. Como um cara podia ser tão legal?
— Obrigada — ela estava sentada num banco de concreto na frente de uma casa-cogumelo.
— Não precisa se preocupar. Pode dormir na minha casa a partir de agora. Não se esqueça que você tem a mim — a moça viu o sorriso de Luuk, os olhos azuis de Luuk, seus cabelos loiros, seu corpo...
— Ahhh!!! O que estou pensando?! — esbravejou vermelha.
Ele ficou confuso sobre o porquê dela gritar e estar avermelhada. Joanna se sentia péssima pensando em homem horas após a morte do seu pai.
— Vamos — disse Donzel.
Eles retornaram pela cozinha do restaurante do elfo de Salém e saíram. A rua principal estava alagada depois da tempestade da noite anterior.
— Algum problema? — pergunta ele.
— Nada. Está tudo normal — sorriso forçado.
"Sou um caso perdido! Como posso pensar nele momentos depois que papai morreu? Que tipo de filha ingrata eu sou? Mas... Luuk foi tão bom comigo... ele poderia namorar mesmo tendo uma diferença de sete anos a mais. Tenho dezoito e já sou adulta hahaha. Argh, sou uma desgraça! Meu pai morreu. Como posso pensar nesse homem? Como posso pensar que um dia estaremos ofegantes numa cama? AAAAHHHHH!"
— Joanna? Algum problema?
— Nada — disse numa expressão mais falsa que nota de R$3,00.
Caminharam algum tempo até chegarem no muro da mansão. O portão principal estava aberta. Donzel entrou, mas ambos ficaram do lado de fora.
— Sério, obrigada. Acho que você é o único que eu tenho.
Ele segurou em suas mãos e sussurrou. O coração dela palpitava.
— Eu te amo, Joanna.
— Luuk?
— Posso te beijar? Posso te esquentar, sabia? Quando seu pai morreu, você ficou sozinha. Portanto, eu virei o único homem da sua vida.
Ela acordou do transe. Luuk sussurrou no ouvido dela.
— Eu te amo, Joanna.
— Hihihihi... Luuk...
— Como irmã — ele passou a mão na cabeça dela.
— HEIN???
— Sempre fui filho único e meu sonho era sempre ter uma irmã mais nova. Joanna, vou sempre te proteger.
A brochada dela foi do céu ao inferno. Antes de continuarem aquele princípio de friendzone, ouviram um tiro. Entraram na propriedade, correram e ouviram muitos tiros. Luuk ficou completamente atordoado, pois nunca uma arma de fogo havia sido de fato usada.
O corpo de Donzel caiu depois da saraivada de tiros. A sua assassina viu Cordelia rastejando numa poça de sangue por causa do pulso sem a mão.
— Eu devia te matar também, mas te conheço. Filha do Viktor, aquele criminoso milionário da Alemanha. Vai me servir como peça de fuga.
Arrombou a porta da frente e viu os dois jovens. Sorriu e com seu poder, utilizou raízes de árvores para amarrar os dois. Enfaixou o braço de Cordelia e a levou para dentro do seu carro.
— Me leva para o hospital...
— Hospital o que, minha filha? Precisamos estar a milhas de distância daqui antes que a suprema volte. Deixa que eu cuido do seu ferimento.
As duas saíram em disparada.
...
Uma moto Harley Davidson estacionou na frente do portão da mansão e dela desceu a súcubo Afrodine. Escutou gritos vindos perto da entrada da casa.
— O que houve?
— Desamarre a gente — falou Luuk.
Ela arrancou facilmente as raízes. Descobriu que Crisântemo havia prendido os dois e levado a Cordelia. Ao entrarem, depararam-se com o cadáver de Donzel. As alunas estavam reunidas na sala vendo o corpo.
— Droga. Que aconteceu aqui? Ei, você! Lobo human... Hyuma? Como é o nome dele mesmo?
Sem perder tempo, Afrodine encostou sua mão na testa dele e entrou em seu sonho. Younnan acordou num jardim com uma mulher de vestido floral ao seu lado. No sonho, ela explicou a situação e ele revelou tudo por trás de Cordelia.
— Acho que Cordelia e Crisântemo tiveram alguma cumplicidade. O lobo está dormindo no sofá. Preciso avisar Desirée.
Durante o velório de Linda, a suprema soube por telefone da bagunça na mansão. Não quis acreditar que Donzel estava morta, afinal ela era muito boa nas lutas e bem forte. A súcubo implorou para que retornasse.
— Filho? Cadê a Donzel? — perguntou ao entrar em casa. Percebeu na hora sangue no chão e pedaços de madeira.
Afrodine levou a amiga para a área externa de trás. A bruxa estava embaixo de uma mortalha. Desirée desabou no chão em prantos. Raras as vezes que ela chorava.
— A pessoa que fez isso foi a Crisântemo. Joanna e o seu filho revelaram que ela havia amarrado os dois depois de atirar e matar Donzel. Ela também levou aquela estudante nova... a loira...
— Cordelia.
— Quando cheguei, vi o rapaz lobo no chão da sala de estar. Entrei no sonho dele e me contou que Cordelia havia dado algo para dormir. Será que as duas trabalhavam juntas?
Nesse momento Desirée foi com a cara fechada para o seu quarto. Nem mesmo Luuk foi capaz de pará-la.
"Existe um traidor nesta escola"
"Não vou aceitar"
"Oh Deus... Violet"
Naquele momento ela pensou na estudante Violet, morta pelo monstro de Lilith. Quem teria facilitado o acesso da mansão a ele? Crisântemo Witzel.
Decidida a se vingar, Montgomery trocou de roupa. Vestiu calça de couro, botas, jaqueta, prendeu o cabelo e não estava com maquiagem. Saiu imediatamente.
— Aonde vai? — perguntou Afrodine.
— Pescar traíra. Amiga, dê uma olhadinha no Younnan e na Fiona. Ele foi arranhado por um licantropo e atacou a esposa hoje cedo. Quando eu chegar, farei a magia branca pra tirar a maldição. Enquanto isso, olho neles.
Younnan começava a recobrar a consciência. Fiona ajudava-o a se sentar.
Do lado de fora, a suprema fez um portal para Gaia a fim de se encontrar com Cris. Ela conseguia sentir qualquer bruxa em todo o planeta, mas Cris não estava em qualquer parte. O único jeito era procurá-la por Gaia. Mergulhou na piscina, passou por um pequeno redemoinho e foi expelida por um rio.
— Está doendo?
— Não, parou. Droga, o que eu fiz? Maldito Younnan! Por que aquele macho é tão teimoso?
— Por que insistiu nele? Por acaso a tua espécie entra no cio como os animais?
— Claro que não! Quanta falácia. O meu cetro... dê pra mim.
Crisântemo passou uma poção anestésica no pulso da jovem e enfaixou bem. As duas já estavam em Gaia e numa das cidades de Goa. A bruxa pediu que ela fosse embora antes de ser encontrada por Desirée.
— Meu cetro. Sua...!
— Posso matá-la, sabia? Pare de choramingar, eu salvei a sua vida. Agora volte para a Terra e suma das minhas vistas.
Pegou o cetro, fechou a porta do quarto e foi embora.
Cidade Smoker
Uma cidade poluída pela fumaça das chaminés das casas e dos carros a vapor. Ficava em Goa e era onde Crisântemo nascera — apesar de seus pais serem originalmente de Winchester. Num bar, a bruxa se encontrou com negociadores para negociar a venda do artefato.
— Cinquenta milhões de dólares? Esse preço é surreal.
— É pegar ou largar. A Condessa está muito interessada nisso. Vocês são opositores, querem mesmo que ela obtenha mais poder?
O bar era simples. O dono era um orc gordo que trabalhava sozinho.
— Aceitamos. Onde está?
— Guardadinho. Tenho uma foto.
— Parece ser mesmo o cetro lendário.
Os negociadores saíram do bar. A única que permaneceu foi Crisântemo. Bebeu um gole de licor e se despediu do dono. Assim que abriu a porta dupla vai-e-vem, foi surpreendida por uma voadora no peito que a fez voltar e cair sobre o dono do bar. Ela se levantou e viu Desirée correr na sua direção.
Instintivamente pegou as garrafas da prateleira e as jogou contra a outra que era atingida por vidro e bebida. Mesmo assim Desirée não parou, subiu no balcão e chutou a cara da ex-amiga. O dono se encolheu no canto, temendo ser vítima das duas. Num chute, a suprema empurrou Cris contra uma mesa que despedaçou. Esta pegou um pedaço da perna da mesa e bateu contra o pé da outra bruxa e a chutou longe.
Crisântemo tentou correr para fora do bar, mas Desi jogou o dono do bar em cima dela. Retirou uma faquinha da cintura e tentou matar a ex-colega.
Os moradores que passavam na rua ficaram curiosos sobre o motivo de tanto barulho vindo do bar.
Num momento da luta, as duas se agarraram e a faquinha foi jogada de lado. Desirée tentou estrangular a outra e ambas destruíram a parede do bar e foram ao banheiro. A loira pegou Cris pelos cabelos e tentou afogá-la dentro do vaso sanitário. O momento ficou tenso quando a antiga professora estava para ser afogada, até lembrar que Desirée perdia os poderes em Gaia. Chutou a virilha dela e se livrou de morrer afogada.
— O que está havendo?
— Esses barulhos...
Soldados do governo de Netherland apareceram. A maioria eram orcs que manejavam espadas, mas havia também elfos usando uniformes da guarda da capital mundial.
A parede externa do bar explodiu e de lá saíram Cris e Desi. As duas rolaram pela rua. A suprema estava com arranhões, mas Crisântemo sangrava. Desirée mesmo sem poderes era muito forte e era especialista em luta.
— É a suprema da Terra! Peguem-na — falou um soldado.
— Mas ela não é forte?
— Idiota! Estamos em Gaia. Ela fica sem os poderes.
Por causa da interferência dos soldados, Crisântemo conseguiu se afastar.
— Saim do caminho.
Um dos guardas tentou acertá-la com a espada, mas ela desviou de todos os golpes. Com uma técnica especial, a mulher de 162 centímetros perfurou o peito do orc de 190 centímetros. Sangue espirrou nela e ele morreu quando seu coração foi esmagado. Segurando a espada, Desirée fatiou todos os quinze soldados que a interferiram. A rua ficou completamente vermelha, com pedaços de membros e órgãos espalhados pelo chão. A suprema estava banhada em sangue e seus olhos era a de uma assassina voraz.

Crisântemo foi surpreendida ao ter sua perna cortada repentinamente; caiu no chão.
— Vai me matar hehe... vai mostrar a sua verdadeira face assassina? Ficar igual a sua prima?
— Não entendo o motivo que levou você a nos trair. Por que deixou Violet morrer? Por que matou Donzel?
— Tenho uma gratidão por Lilith. Eu a conheço antes de você... cof cof! Nosso plano é enganar tanto você quanto a condessa, e ela está conseguindo. Sabe que o filho dela foi cegado por Lilith se passando por ti? Por isso que... a condessa está furiosa contigo.
— Por quê? Pensei que todos esses anos fôssemos amigas!
— Não... seja melodramática. Você é ingênua mesmo sendo a bruxa mais forte. Por exemplo, a assassina da Linda é a Cordelia hahahaha.
— Não pode ser...
— E se vai perguntar sobre o cetro... eu o escondi e não vou contar.
Crisântemo sorriu da cara de Desirée. A suprema se levantou e saiu, minutos depois vinha trazendo uma garrafa de licor do bar.
— O que vai fazer? Não. Tudo menos isso!
Derramou o licor sobre a bruxa, acendou um fósforo e ateou fogo. Ela ficou queimando viva no chão enquanto Desirée voltava para a Terra.
...
— Alô, Eros?
— Afrodine, o que quer? Estou no meio do trabalho — disse ele com roupão na piscina de Baron.
— Desirée vai te recompensar muito. Ela quer que você traga a patricinha mor. Aquela que queria te pagar pra separar Younnan da Fiona.
— Meu preço não é barato. Mas como Desirée é rica e vingativa é melhor eu aceitar.
Afrodine finalizou a ligação. Desirée, banhada e limpa, agradeceu a amiga.
Quatro horas depois...
As bruxas de Salém prepararam a estaca para queimar a traidora. Cordelia vestia-se toda de branco e estava com os braços amarrados em cordas. As alunas ficaram assistindo o ritual pela primeira vez. Um terreno descampado fora do vilarejo foi escolhido. Quem via eram Desirée, Afrodine, Eros, e alguns bruxos da escola e magos anciãos.
A estaca ficava sobre uma parte alta de terra. Cordelia foi colocada amarrada lá e jogaram gasolina em seu corpo. Atordoada, pediu clemência.
— Eros — pediu o cigarro que o íncubo fumava. — Quais são as suas últimas palavras?
— Vão para o inferno.
Desirée jogou o cigarro em cima dela. Cordelia Melissines Schlesinger, filha do mafioso Viktor Schlesinger, queimou viva até a morte.
À noite, Desirée chegou na colina onde Lilith morava. Usou seu poder para arrancar a porta. Estava disposta a enfrentar a segunda bruxa mais forte. Foi o cúmulo e aguentou o suficiente. Assim que entrou, percebeu que a casa estava vazia. Subiu as escadas, entrou no quarto e viu um casulo gigante na parede. Lilith não morava mais lá.
Depois de deixar a casa, Desirée a destruiu completamente com seu poder telecinético.
...
Na noite anterior...
Após a convenção das bruxas, Lilith voltou para casa e encontrou um homem pelado na sua casa. Sentiu a energia vital de Lucie, o que a fez adivinhar certamente que era ele. Dentro do seu quarto, no canto da parede, havia um casulo gigante.
— Então foi assim que ficou adulto? Também foi assim que a Condessa cresceu?
Lucie estava totalmente diferente. Apesar de continuar loiro, seus cabelos ficaram grandes e lisos, batiam até perto da cintura. Sua pele era meio pálida e seus olhos de um azul cintilante.
— Mamãe... o curso natural precisa seguir o seu caminho. Tenho que ascender ao topo...
— Do que está falando?
— Sou o próximo... anticristo. Preciso destituir a atual.
Os olhos de Lilith ficaram paralisados. Abigail era muito poderosa. Por causa da sua condição pré-humana, seus poderes beiram à imortalidade, exceto que poderá viver até os mil anos. Não morrerá assassinada, porque nem balas, armas pontiagudas ou venenos a matam. Além disso, possui poderes bruxos mais potentes que das próprias bruxas.
Segundo a história, numa talmude de Samaria, uma incrível força maligna viria ao mundo e desencaminharia o mesmo. Se derrotado, pelo nascimento do escolhido — lembrando que a religião judaica não acredita que Jesus foi o Messias — e suas ações pós-batismo, um período de paz se intalaria. No entanto, os dois mundos estariam sujeitos ao retorno de outro iníquo para voltar a desencaminhar. Com a derrota de Lúcifer, sua filha, Constance, encarnou e foi adotada pelo Conde. Depois de quase quinhentos anos, e com uma série de fracassos para controlar a Terra, um novo herdeiro do trono dos dois mundos encarnou. Lucie.
Horas depois, no dia seguinte, Lilith se viu obrigada a tratar o filho do Diabo com todo o cuidado. Mesmo sendo um belo rapaz com longos cabelos loiros, seu verdadeiro ser poderia despertar contra ela.
— Vista isso. Era de um ex-amante camponês. Tá fora de moda, mas acho que serve.
— Precisamos ir embora daqui. O quanto antes.
— Lucie, querido, quando conquistar os dois mundos, lembre-se de mim.
O rapaz sorriu e acariciou o rosto da bruxa delicadamente.
— Uma execução.
— O quê?
— Uma pessoa está ardendo no fogo agora. É perto.
— Espera.
Os dois caminharam pela floresta. Na estrada, um carro parou para dar carona. Ambos foram com o motorista do caminhão até chegarem perto de onde Lucie queria. Desceram e entraram num lugar descampado. Viram a estaca de madeira totalmente carbonizada e com restos mortais cremados na sua base.
— Essa pessoa pode nos ajudar. Consegue ressuscitá-la?
— Sim, mas vai levar um tempinho.
— Sou paciente.
A bruxa que curava feridas e ressuscitava os mortos, Lilith Montserrat, enterrou as cinzas da pessoa dentro da terra e regou com água e utilizou adubos naturais. Era como plantar uma árvore.
O local de terra começou a se mexer. A vítima havia se restaurado aos poucos até colocar um braço para fora.
— A pessoa ressuscitou! — disse Lilith eufórica.
De dentro do chão saiu uma mulher com a pele toda queimada, careca e sem a mão esquerda.
— Onde estou? — indagou Cordelia.
— Sob meus desígnios — respondeu Lucie.
Os milhões da mulher, gata e agora zumbi servirão para financiar a ascenção do próximo anticristo.
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