Notas iniciais
Um velhinho muito simpático está prestes a dar as caras. :)

Acordando de um pesadelo, Cordelia viu que estava deitada numa cama simples, com um ventilador ao lado e uma persiana na janela. A primeira coisa que fez foi se levantar e se olhar no espelho. O grito agudo chamou a atenção de Lilith que foi correndo ao encontro dela.

Antes disso, o trio precisava de um lugar para descansar. Encontraram um motel de estrada e, com o poder da bruxa, o proprietário foi manipulado a dar os quartos. Duas horas depois, eles estavam descansando.

— Estou parecendo o Freddy Krueger! Essas queimaduras! Eu estou careca. Não é possível isso!

Lilith pegou-a pelo braço e a sentou na cama. Colocou uma cadeira ali e se sentou a fim de uma conversa franca.

— Lembra do que aconteceu antes de acharmos você? Aposto que sim. Eu te trouxe da morte, porque sou a única bruxa do mundo com essa capacidade natural. Agora escute: não posso reverter as suas queimaduras, porque você foi queimada na estaca — acendeu um cigarro, assustando a moça. — Puxa, você deve ter irritado muito a minha prima pra ela chegar a esse extremo.

As lembranças de tudo o que ocorreu nos últimos dias perturbou a cabeça dela. Pediu emprestado o cigarro para também fumar.

— Aquela Desirée maldita.

Lilith lançou um olhar de morte para Cordelia.

— Nem pense por um segundo tentar algo contra ela. Primeiro que ela te mataria de novo, segundo que eu mesma me encarregarei dela. O teu problema é o lobo que está naquela casa, não é?

— Younnan... Fiona!

— Você está no ciclo?

— Perdão?

— Até parece que sou uma bruxa qualquer. Estudei a sua raça e sei que as fêmeas ficam no ciclo uma vez por ano. As mulheres da sua raça têm algo parecido como cio, por isso o seu desejo de acasalar com o Younnan, não é? Você escolheu um parceiro sexual, mas ele a rejeitou pois estava vinculado com uma outra mulher e humana. Mesmo que você libere todo seu feromônio, ele nunca se interessará.

— Não fale isso. É desagradável.

— Você tem ódio da Fiona por ter tido a sorte de conhecer Younnan antes, não é? E eis o ponto aonde quero chegar — abriu as persianas e viu a noite. — Eu conquistei muitos poderes das trevas graças ao pacto que eu fiz com demônio. Ele agora insistiu que eu sacrificasse um bebê não humano. Vamos fazer um acordo, senhorita Cordelia. Eu te ajudo na vingança contra Younnan e Fiona, você é rica e dá a infraestrutura e no final das contas sacrificarei a sua arquiinimiga e seu filho ao demônio. A sua vingança, meu sacrifício, bem justo.

Lucie apareceu repentinamente no quarto e jogou uma muda de roupa para a gata. Ela viu a beleza indescritível dele e vestiu sem contestar.

— Ela está com dois meses. Acha que vale o sacrifício?

Lucie riu da tola pergunta da gata.

— As divindades acreditam na vida de uma pessoa após a concepção. Então não importa se for um velho de 99 anos ou um zigoto — respondeu Lilith.

O rapaz falou que a ajuda e o dinheiro de Cordelia era muito bem-vindo, e qualquer rebeldia por parte dela significaria sua partida só de ida ao inferno.

...

— E aí? Deu o que a sem vergonha merecia? — perguntou a súcubo ao ver a bruxa retornar.

— Que nada. Quando eu cheguei lá, já havia sumido. Agora o que me preocupa é a companhia dela. Você me disse que um menino loiro estava com ela e que provavelmente era um demônio. Encontrei um casulo dentro daquela casa. Era enorme.

— Será que a criança ficou adulta?

Depois da breve conversa, Desirée pediu à Afrodine para avisar a Younnan e sua esposa para irem à sala de jantar.

— Finalmente vai me curar?

— Tira a roupa e se deita na mesa.

— O quê? Mas...

— Cala a boca, bola de pelo. Até parece que eu nunca o vi pelado. Para o ritual dar certo, preciso que fique ao natural. Somente Fiona e eu ficaremos aqui, portanto vocês caiam fora.

Afrodine saiu resmungando. Algumas alunas também saíram.

Younnan ficou um pouco envergonhado, mas despiu-se e se deitou na mesa. Velas foram acesas, incensos e água santa pingada pelo corpo do lobo. Desirée falou baixinho enquanto tocava em partes vitais do corpo alheio. Pegou o líquido e derramou sobre o corte do braço.

— Ela conseguiu! — disse Fiona.

— Pronto. Pode se levantar. Como isso foi recente, havia uma facilidade de tirar a maldição.

Ele tocou no seu corpo e viu que estava na forma humana. Agradeceu à Desirée sem lembrar que ainda estava nu. Fiona pegou a bermuda dele e o deu para vestir.

— Eu não acredito que te machuquei. Que droga.

— Eu já te falei que não foi a sua culpa. Foi a maldição que você pegou. Por falar nisso, eu pensei que o ritual era demorado.

— Na verdade demora alguns minutos. Claro que depende de quanto tempo a pessoa foi amaldiçoada. Aprendi tudo isso graças àquele velhote no Tibet. Ah, sim. Mudando de assunto, amanhã mesmo vocês voltarão. Estamos numa crise e não quero que vocês fiquem aqui.

Enquanto isso, Joanna ficou deprimida, sentada numa cadeira perto da piscina. Descobriu que a sua mãe era uma farsante que havia matado a biológica, seu pai morreu e agora o rapaz que ela se apaixonou a tratava como irmã.

— Irmã... irmã... Ahhh eu tô com ódio dessa palavra. Se eu tivesse uma irmã eu dava na cara dela agora mesmo!

Luuk apareceu na frente dela, deixando-a vermelha de vergonha. Ofereceu uma tangerina e sentou-se ao seu lado.

— Posso fazer uma pergunta?

— Acho que sim. Só não me deixe constrangido.

— Qual o tipo de garota que você mais gosta?

Ele parou de descascar a fruta e sorriu tímido. Contou que achava bonito mulheres loiras. Pronto, Joanna chorou por dentro. Parecia que uma ponte Golden Gate havia sido construída no meio dos dois.

— E morenas?

— Melhor entrarmos. Aqui jantamos às dez da noite.

Ela saiu murmurando por não ter sido respondida... e também não acacreditou que jantavam tão tarde.

No dia seguinte, Younnan e Fiona se arrumaram para a partida de volta à ilha. Ambos cumprimentaram todas as estudantes e amigos de Desirée. A única que os levou ao porto de Salém, obviamente, foi a bruxa suprema.

E por falar na Desirée, enterrou Donzel num pequeno sepulcro no jardim de rosas. A ex-professora possuía mais de cem anos, portanto não tinha familiares próximos.

— Vamos, gente. Voltaremos para a ilha de vocês.

Ela assumiu como capitã da caravela. Alguns moradores do vilarejo se voluntariaram para serem os marujos. Antes do meio-dia, a caravela pegou o rumo para o sul do Atlântico.

— Chegamos.

— Younnan! — Peka correu para os braços do moreno.

As duas bruxas encarregadas de protegerem a ilha ficaram mais um pouco para a segurança. A explicação dada por Desirée tinha tudo a ver com a Condessa e Lilith.

...

Três dias se passaram desde a partida de Younnan para a sua ilha natal. Nesse ínterim, todos os jornais anunciaram o funeral de estado do presidente Bates em Washington. Muitas pessoas foram convidadas para a Catedral Nacional de Washington, incluindo Joanna que era a filha. O pior de tudo para ela era sentar-se ao lado de Abigail Constance.

— Filha, estava muito preocupada. Não compareceu na cerimônia fúnebre do Capitólio. Fiquei preocupada.

— Tem o seu dedo nisso, não é?

Antes de responder, Abigail se levantou para cumprimentar Belinda, a nova presidente. Depois os ex-presidentes Obama, Bush, Clinton, Bush pai e Carter apareceram para darem as condolências.

— Melhor não estragar a cerimônia do seu pai. Você está sendo desrespeitosa.

— Vindo de você espero tudo menos respeito. Prefiro respeitar outras pessoas como a Desirée, por exemplo.

Ambas murmuravam sentadas na primeira fileira enquanto o bispo fazia o funeral.

— Por falar nela, convidei alguém especial. Eu fiz questão — apontou para o lado direito e a condessa viu Luuk.

— Trouxe o namorado. Está namorando o meu ex-soldado? Agora que sei que ele é filho daquela bruxa, pude perceber o quanto é medíocre. Vai abrir as pernas para ele também tal como foi da outra vez com o Roy?

Joanna levou um susto quando a mais velha falou alto. Olhou envergonhada para os lados e não viu ninguém incomodado.

— Perdeu a virgindade para aquele garoto na escola. Pensava que eu não sabia? Foi só ele pedir para fazer um sexo e você foi sem respeito alguma como uma cadelinha no cio! O rapaz ali vai te pegar e te largar como um copo descartável.

Joanna se tremia.

— Que foi? Eles não me escutam por causa do meu poder.

— Você é telepata?

— Pode ter certeza que esse rapaz ainda vai te decepcionar, e eu estarei perto para ver o espetáculo. Isso é uma praga de mãe e praga de mãe pega, sabia? Logo você quererá ter morrido quando teve a chance.

Foram horas aguentando a pressão da sua mãe adotiva. Joanna se tremia e suava frio. Não aguentava mais ficar ali.

Enquanto isso, Desirée com muita dor no coração fechou as portas da escola por tempo indefinido e mandou as alunas para as suas casas. Os únicos que lá moravam era Joanna, Luuk e Afrodine; Eros preferiu ficar mais um pouco na casa de Rutherford.

— Chegamos — disse Luuk.

— Queridos, como foram? Jo, por que essa cara?

— Ela se encontrou com a mãe dela e teve que passar muito tempo ao seu lado. Acho que a pressão foi demais.

— Querida, eu te disse que seria difícil. Mesmo assim concordou em ir. Foi por sua conta e risco.

— Sim, foi problema meu. Mas eu nunca havia pensado que seria tão difícil. Preciso tomar banho e dormir.

— Certo. Amanhã tenho que conversar com os dois. Bom descanso.

Os dois subiram para os quartos. Joanna pediu para ele a abraçar. Luuk fez isso.

— Promete que nunca vai me decepcionar?

— Prometo.

Eles se olharam e ocorreu um beijo. Por uns instantes ficaram tão próximos até que Desirée apareceu diante deles.

— Eu pensei que vocês fossem dormir? Até amanhã, Joanna.

Envergonhada, a moça caminhou rapidamente para dentro do seu quarto e fechou a porta. Desirée abraçou o filho e falou sobre o beijo na boca que ele deu na moça.

— Acho que vou ser castigado.

— Não vai. Se você gosta da Joanna, eu aprovo. Mas precisa manter a castidade até o casamento.

— O quê? Mas por quê?

— Quer sentir a fúria da suprema?

Luuk entrou no seu quarto. Desirée sorriu.

No dia seguinte, Desirée chamou os dois jovens para sentarem à mesa. Apenas os três ficaram sentados. Luuk estranhou os lugares vazios, pois com as alunas o café da manhã era bem movimentado.

— Eu precisava que os dois acordassem mais cedo hoje.

Ofereceu tudo o que tinha à mesa enquanto falava.

— Chegou o momento da Joanna se defender sozinha, e para isso precisa libertar os seus poderes bruxos adormecidos.

— Como?

— A magia que a Condessa fez em você é uma versão micro da magia do tratado de Netherland. É um selo que impede que a sua alma libere a magia necessária. Você é filha da Liù, portanto é uma bruxa híbrida e pode ter poderes. No entanto, eu não possuo poder pra desfazer.

— E como sabemos que ela está selada? — perguntou Luuk.

— Uma marca. Provavelmente um símbolo mágico. Deixe-me ver — ficou atrás da garota, levantou seus cabelos e tocou na sua nuca. Um pentagrama invertido surgiu e depois desapareceu. — Achei. Realmente você está impedida de usar os seus poderes.

— E como eu posso recuperar?

— Selar um poder é igual a deletar um arquivo do computador. Pra recuperar, um hacker ou o FBI são os únicos que restauram. Existe um "hacker" que consegue recuperar uma magia perdida. Ele foi o homem que me treinou.

— Agora que a senhora disse, tenho uma leve impressão que já me contou que nos séculos passados a senhora conseguia utilizar magia mesmo com a Terra ainda sob o tratado.

— Bingo, Luuk. Eu só consegui despertar meus poderes por causa desse homem. Quando eu fiz isso, ele estava com mais de 700 anos. Atualmente deve ter feito uns mil.

A garota ficou impressionada com a idade dessa pessoa.

— Dai Kaminari é o nome dele. Ele é um monge que vive no Tibet, portanto o acesso até lá é difícil pra caramba. Na época que eu fui, passei fome e sede, carreguei várias vezes baldes de água. Quando comecei o treinamento de luta foi depois que ele liberou os meus poderes.

A garota ficou com calafrios. Pensou em desistir, mas Desirée fez uma cara de assassina e disse que isso não era uma opção.

— Que assustadora...

TEMPLO BUDISTA DE DAI KAMINARI

O templo ficava no topo de uma montanha à 6 mil metros de altitude. Os três chegaram de avião monomotor e subiram vários degraus. O cansaço, a altura e a neve desgastaram Joanna.

— Estou morrendo.

— Se quiser pode subir nas minhas costas.

— Não faça isso, Luuk! Ela precisa subir os degraus sozinha. Vamos, rápido.

1 hora depois...

A moça sentou num degrau completamente desgastada. Luuk já estava também no seu limite. A única em pé e com fôlego era Desirée.

— Olhem. Estamos perto do topo.

Os dois praticamente se arrastaram para o cume da montanha. O templo budista era grandioso e cheio de ouro.

— Caramba. Dois molengas. A altitude não deveria ser desculpa para se sentirem tontos.

As portas se abriram e assim puderam entrar. Os dois jovens desabaram no chão de madeira enquanto a bruxa caminhava entre os vários monges. Na parte central, num altar, havia um homem bem velho, vestido de monge, com uma barba branca que descia até abaixo da cintura e longos cabelos. Ele estava sentado num trono de ouro.

— (Falando em chinês) — disse Dai.

— O que ele disse? — perguntou Luuk.

— Está pedindo uma coisa muito importante que o deixa mais revigorado — Desirée vasculhou na mochila e entregou. Foi surpreendente o objeto que ele pediu.

— UMA PLAYBOY!!! — gritaram os dois atrás.

A cara de pervertido de Dai era impagável. As suas servas eram umas garotas modelos com bumbuns enormes. Os monges aplaudiram quando elas chegaram e deram um mingauzinho em sua boca.

— (Falando em chinês)

Desirée sentiu uma vergonha alheia, mas sabia que era necessário. Então ela conversou em chinês e pediu para ele recrutar Joanna por três meses, além do fato de retirar o selo que impedia dela usar os poderes.

Depois da cerimônia, eles foram ao jardim secreto do templo. Um lugar dentro de uma caverna em que havia muitas plantas e flores.

— Vou ficar com vocês por duas semanas. Preciso ajudar no processo de tirar o selo. Depois disso, Luuk ficará contigo até o ano que vem.

— Esse velho pervertido é mesmo um mestre? Ele vai tirar meu selo?

Ele soltou raios pelos cabelos. Seus olhos faiscavam.

— Ele me entendeu?

— Ele não sabe a nossa língua, mas sente as intenções das pessoas. Quando você o zombou, ele sentiu imediatamente. Dai Kaminari é muito poderoso mesmo com um milênio de idade.

O velho passava as páginas da revista enquanto andava. Chamou uma serva que foi de biquini entregar uma chave dourada. Ele abriu uma porta de ouro e pediu que os três entrassem. Dentro havia seu aposento pessoal que era tudo muito brilhante.

— Esse quarto deve valer um preço de uma casa — disse Luuk.

— (Falando em chinês)

— Ele vai ver a agenda dele como está. Às vezes ele fica ocupado quando precisa ensinar novos monges — traduziu a bruxa.

Dai Kaminari caminhou até a sua cama de seda de diamante e jogou a revista sobre ela. Trouxe um pergaminho daqueles bem velhos.

— Já vi muito isso em filme — falou Luuk.

Ele desenrolou o pergaminho, pegou um objeto dentro... um pendrive! Pegou um notebook e foi ver a agenda. Luuk e Joanna caíram no chão.

— MAS QUE PALHAÇADA É ESSA?! EU PENSEI QUE ESSE VELHO FOSSE MAIS SÉRIO!!!!

— Mas do que você tá falando, Joanna? Dai é velho, mas adora tecnologias. Vivemos no século XXI, lembra?

Dai confirmou que estaria disponível daqui a cinco anos para fazer um novo aluno. Desirée interviu e falou que a garota se tratava da filha da rainha Liùseidh. Na mesma hora o monge fechou o notebook e aceitou treiná-la.

2 Semanas se passaram e chegou o momento para Joanna ter o seu poder despertado. Vários monges ficaram rezando na sala enquanto a moça se deitava no meio de uma pedra na forma de circunferência.

— Senhor Dai, estamos prontos — disse uma das gosto... uma das servas dele.

O desenho da nuca de Joanna estava quase desaparecendo. Mais um ritual e já estará retirado completamente.

SALÉM, 23 DE NOVEMBRO DE 2018

Afrodine deu as boas-vindas à Desirée mais uma vez. Eros também estava na mansão. Os dois pareceram estranhos.

— Parece que no Tibet não corre as notícias do mundo, não é?

— Fala logo, mulher.

— A Condessa morreu — respondeu Eros sem rodeios. — Apareceu um novo anticristo e se autointitulou o novo imperador de Gaia.

A expressão de Desirée foi de descrença até surpresa. Precisava saber mais sobre o assunto. A mídia falava do desaparecimento da ex-primeira-dama.

— O que aconteceu?!

...

Lucie olhou pela janela do palácio. Trajando a vestes do rei, ele percebeu uma movimentação do lado de fora com pessoas pró-condessa se manifestarem.

— Vodu King.

— Sim, mestre Lucie?

— Quero que essas pessoas morram de uma vez só.

— Mandarei os soldados para atacá-las.

— Soldados? Vocês servos da Abigail são ingênuos — os olhos dele ficaram vermelhos como fogo.

Lilith viu Lucie pular da janela e se transformar num dragão preto enorme. Começou a incinerar todas as pessoas ao redor.

— Sua bruxa nojenta. Por que está rindo? Acha mesmo que nosso novo mestre vai continuar se subordinando a ti?

— Meu filho está indo muito bem. Ele está sendo bem mais severo do que aquela velha da condessa. Agora tenho que ir.

Ainda em Salém.

— Conversei com os elfos daquela cidade das árvores. Eles me disseram que o tal Lucie estava acompanhado da Lilith. Adivinha onde nosso garoto está? Outra coisa, testemunhas viram um duelo dentro o salão do trono. Ambos fizeram uma competição de poder e o Lucie venceu a Abigail. Inclusive ele a mandou de volta para o inferno.

— Quer dizer que todos os meus planos foram ultrapassados pela Lilith e seu capetinha? O que está acontecendo naquele mundo?

— Sem falar que o filho da mãe é forte pra caralho. Se conseguiu matar a quase imortal Condessa, imagine o que faria conosco — presumiu Eros.

O fato era que a morte da Condessa era inacreditável demais. Antes de falar mais alguma coisa, o celular de Desirée tocou.

— Alô? Não estou entendendo. Peka? Que diabo é isso? Seu nome é Peka? Sim, o que quer? QUÊ?!!!

Eros e Afrodine levaram um susto com o grito.

...

Na manhã daquele dia.

Ilha Tristão da Cunha

Younnan vestiu um avental e varreu o chão da pousada enquanto a esposa descansava um pouco. Cuidava do avô dela, enfermo numa cadeira de rodas.

— Senhor Cory, ajudo o senhor — levou o idoso para um passeio matinal. Foram acompanhados pelo Dofy, o labrador dele.

Fiona se levantou da cama mais tarde com um pouco de enjoo. O mais curioso era que na noite anterior estava sadia, sem enjoo algum. A única coisa que não botava para fora era o leite.

— Não tem leite.

Ela se vestiu, pegou as chaves do jipe e saiu para Edimburgo. Younnan viu o carro sair e presumiu ser a esposa.

— O que foi, Dofy?

— WOF! WOF!

— Não sei por que está tão agitad... — nesse momento, Younnan sentiu algo estranho. Era uma ameaça muito mais poderosa que os piratas.

Na sua ida para a cidade da ilha, Fiona viu a garota anfíbia Peka que carregava um cesto cheio de peixes.

— Vai pra onde?

— Eu vou vender os peixes na cidade.

— Entra. Eu dou carona.

As duas dirigiram pelo trajeto até Edimburgo. No mercadinho, as duas foram às compras. A dona Russell pediu ajuda da guria e prometeu que a pagaria por isso.

— Um ataque! — gritou um homem girafa.

As pessoas que estavam no mercado saíram para ver. De fato no céu apareceu muitas pessoas em paraquedas vindo na direção da ilha.

— O que significa tudo isso? — indagou uma mulher lontra.

— São piratas outra vez — respondeu o dono do mercado assustando todo mundo.

O padre gorila bateu o sino da igreja. Todos os antropomórficos voltaram a ser humanos.

No céu, um avião sobrevoou sobre a ilha, e quem estava dentro pulou com paraquedas.

Younnan viu o perigo da invasão e pediu que o velho Cory ficasse em casa enquanto ia na cidade. Antes dele sair, porém, uma explosão o assustou. Havia um farol perto da pousada que foi destruído.

— O que foi isso?

No mar, um navio se aproximava da ilha. Os capangas de vermelho eram os tripulantes desse navio. Loli era a líder.

— Passaram-se tantos anos na minha vida e nunca conheci esse local. Desirée é muito inteligente e sempre esteve um passo na minha frente — disse Lilith bebendo chá.

Enquanto isso, Skywalker desceu de paraquedas até o centro da cidade. Ordenou que seus capangas destruíssem tudo.

As duas bruxas, Zoe e Nina, pediram para que eles buscassem algum abrigo antes de serem atacados. Younnan deixou o avô de Fiona com as duas e saiu.

— Vai para algum lugar? — perguntou Loli na frente da pousada. Junto com ela estavam uns vinte homens armados.

— O que vieram fazer aqui, desgraçados?

— Eu sou apenas paga para fazer o meu serviço... Oh, um senhorzinho idoso. Adoro velhinhos.

A situação ficou ainda mais tensa quando os capangas resolveram entrar para destruirem a pousada. Zoe usou um hipervoice para causar ondas de som e afastar os invasores. Nina criou um vento que foi capaz de arrastá-los. Loli se defendeu.

— Não vai ser fácil conosco aqui.

— Sim, nós as bruxas de Salém somos fortes — disse Nina.

Logo uma força endureceu os seus corpos. Ambas estavam paralisadas como se uma corda invisível as segurassem. Lilith apareceu diante deles.

— Concordo que as bruxas são fortes, mas eu sou a única que se iguala a suprema. Duas ralés sequer conseguem lutar contra mim — disse Lilith.

Ambas não podiam fazer nada contra a prima mais velha da suprema. Os poderes mágicos de Lilith era inimagináveis.

— Saiam daqui — ela levitou as duas e as jogou para bem longe até caírem no oceano.

Younnan ficou nervoso, mas preferiu não se transformar ainda. Segurou Dofy pela coleira, impedindo-o de atacar os invasores.

— O que querem?

— Eu só vim para pegar a vida do seu filho. Papa Legba vai ficar alegre quando eu puser as mãos na Fiona.

— Se fizer isso eu te mato!

— Se enxerga, garoto. Seu problema é com outra pessoa.

Os capangas se afastaram e uma figura feminina apareceu. Estava vestida de roupa de couro preta, uma peruca ruiva e óculos escuro. No lugar da sua mão esquerda havia um gancho.

— Olá, Younnan.

— Co-Cordelia? Eu pensei que havia morrido?

Ela começou a rir da cara dele, mas logo ficou séria.

— Eu te amo, Younnan. Tudo isso eu faço por amor.

— Maluca! Isso não é amor!

— Tentei de tudo para ficarmos juntos, mas você preferiu me ignorar e ficar com a Fiona...

— Ela é minha esposa, louca! Como pensou que alguma vez eu teria algo contigo? Nunca vamos ficar juntos.

Na cidade, os habitantes que ousavam lutar contra os invasores eram derrotados. Fiona pegou o seu celular e entregou à Peka.

— Por que tá me dando isso?

— Vá e se esconda. Quando se esconder, procure nos contatos o nome Desirée e ligue para ela. Avise-a sobre a invasão. Agora vá.

Ela saiu de fininho sem ser notada pelos homens. Skywalker se aproximou de Fiona.

— Você é como na foto. É bem mais bonita pessoalmente.

— Vá pro inferno.

— Aham! Ela é arisca. Adoro vadias agressivas... Algemem-na. Lilith quer muito bater um papo contigo.

Peka correu para perto de uma praia quando um dos guardas a segurou por trás. Ela se debatia, mas o homem era forte demais pra ela. Ela se lembrou que também era híbrida e assim liberou a barbatana dorsal, perfurando o abdome do capanga. A aparência dela era a de uma garotinha com corpo de tubarão branco.

Longe da cidade, Peka ligou para Desirée.

Notas finais
É isso aí bola de pelo, mostra pra puta da Cordelia que tu ama a Fiona. É isso aí. Fidelidade acima de tudo, transar com a Keyra Knightley acima de todos. Achei um tempo durante as postagens de Salém pra fazer uma comédia yaoi. https://fanfiction.com.br/historia/774346/Brothers/