Saint Seiya: Uma Nova Era
2 Histórias do passado. Um novo aliado.
Notas iniciais
Era uma noite de terça-feira. Shiryu estava ferido da luta que havia tido contra os Forjadores de Hefesto e repousava no Hospital Graad. Zouye e Shunrei também estavam no quarto e preparavam-se para ouvir a história que o homem iria contar.
— Isso aconteceu há uns vinte anos atrás. – disse Shiryu observando as duas lindas mulheres a sua frente. – Assim que eu e sua mãe começamos a namorar...
— Shiryu... – disse Shunrei ficando vermelha.
— Calma, querida, não é nada demais. – o homem riu, mas assim que o fez sentiu sua barriga doer. Tinha que pegar leve. – Lembro que estava cego porque fui obrigado a machucar meus olhos para vencer Algol de Perseu e salvar Seiya e Shun. Mas isso acho que vocês já sabem, certo?
As duas fizeram que sim com a cabeça.
— Zou, sua mãe passava os dias cuidando de mim, em Rozan. – disse deslizando o polegar pela mão da esposa. – Era difícil ela sair do meu lado e vivia brigando comigo quando eu não queria sair da cama. Foi uma época bastante complicada... Mestre Ancião ficou observando tudo de longe. Certo dia me chamou para conversar na cachoeira e me disse que havia tido um sonho, talvez uma previsão do futuro.
— Sugoi! – disse Zouye.
— Mestre Ancião era um bom homem. – disse Shunrei.
— O que falar de alguém que conseguiu poupar energia e viver por mais de duzentos anos? – falou Shiryu agora sentindo saudade de seu velho mestre. – Mas, voltando ao sonho, segundo ele o mundo estava em perfeito caos: vulcões cuspiam lava para todos os cantos, tempestades elétricas, tsunamis, terremotos, tornados... Então surgiu um grupo de crianças que vieram a Terra para colocá-lo em ordem. Apesar de jovens tinham poderes extraordinários que superavam os próprios cavaleiros de ouro. Então...
Naquele momento a porta se abriu uma enfermeira entrou carregando uma bandeja com um copo descartável e um pratinho com dois comprimidos.
— Com licença. – disse educada. – Senhor Suiyama, hora do remédio.
Ficou um silêncio no quarto enquanto o homem tomava os dois comprimidos. Shunrei e Zouye o observavam bastante ansiosas para ouvir o resto da história.
— Obrigado. – disse Shiryu pondo o copo novamente sobre a bandeja.
— De nada. – falou com sorriso no rosto. – Desculpe atrapalhar qualquer coisa.
E na mesma velocidade que ela veio, se foi do quarto.
— Então, onde estávamos? – perguntou pensativo. – Ah, lembrei. Então perguntei ao meu mestre o porquê dele estar me contando isso e ele me respondeu que uma daquelas crianças seria filha minha e de Shunrei.
— Espera. – interrompeu Shunrei. – Então você sabia que iríamos nos casar e ter uma filha e nunca me disse nada?
— Desculpe, querida. – disse Shiryu. – Dohko pediu para que não contasse nada porque isso poderia mudar o curso da história. Imagina qual mãe gostaria de saber que seu futuro filho irá correr perigo de perder a vida para salvar o mundo? Talvez nem quisesse tê-lo...
— “Ufa, essa foi por pouco!” – pensou Zouye. – Mas pai, que perigo seria esse? E por que logo vocês?
— Eu também não sei, meu mestre não quis dizer. – ele se deitou novamente, agora as olhando com um olhar preocupado. – Mas creio que esse momento esteja cada vez mais próximo.
Naquele momento, no outro lado da cidade, os Forjadores de Hefesto estavam em seu esconderijo. Maya estava inquieta andando de um lado para o outro enquanto um rapaz alto, moreno e de cabelos escuros estava sentado no sofá de observando a cena.
— Não adianta nada ficar com raiva. – disse o homem com a sua voz grossa observando os cabelos da ruiva pegarem fogo.
— CALA A BOCA, RAJ! EU NÃO TE PERGUNTEI NADA! – berrou a ruiva virando-se para ele. O fogo cresceu ainda mais. – Eu jamais vou aceitar ser derrotada por uma pirralha daquelas! JAMAIS!
A porta se abriu e Dajan entrou carregando duas sacolas de papel.
— Ei, o que tá acontecendo aqui? – perguntou indo até a mesa e pondo os pacotes. – Trouxe comida.
— Maya ainda está com raiva da filha daquele cavaleiro de Atena. – explicou Raj indo até a mesa. – Trouxe alguma coisa sem carne de boi?
— Putz! Sabia que estava esquecendo de alguma coisa. – disse Dajan dando um tapa na testa. – Pode comer a minha batata se quiser.
— Obrigado. – respondeu pegando as batatas.
— Como conseguem pensar em comida à uma hora dessas? – perguntou a mulher de braços cruzados agora já mais calma.
— Trouxe aquele sanduíche que você gosta, Maya.
— Com bastante ketchup? – os olhos dela brilharam.
— Sim!
— Passa isso pra cá! – disse puxando a sacola da mesa e atacando o sanduíche. – Hum... Bom!
Na manhã seguinte Zouye acordou em sua cama ao som do alarme do celular. Havia saído do hospital de madrugada e voltado para casa depois de muita insistência de seus pais. Yuzo foi a buscar já era mais de meia-noite e os dois voltaram juntos conversando sobre o que tinha acontecido. O rapaz ficou chocado e bastante preocupado principalmente com o pai adotivo, que se recuperava muito bem.
Uma espiada no relógio e já era seis e trinta e dois. Tinha dormido pouco, pois a noite não tinha sido nada fácil, mas parecia se ter mais energia do que nunca. Ela pulou da cama e olhou para a janela o céu azul. Queria saber o que mais poderia fazer com aqueles poderes, afinal, se eles eram tão extraordinários como disseram podia fazer muito mais.
— Vento... – cochichou a garota observando aquele infinito, agora já menos preocupada com o pai que estava fora de perigo.
— Zou? – ela ouviu a voz de criança dizer.
Zyra estava acordada em sua cama bastante sonolenta. A menina tinha acabado de acordar e foi então que a mais velha voltou a Terra. Era ela que teria que arrumar a irmã para ir a escola, fazer o café da manhã e tudo mais. Ou seja, estava completamente atrasada!
— Mau dia, mau dia, mau dia! — repetiu o bordão de um desenho do Jackie Chan que via quando criança. — Levanta, Zy! Estamos atrasadas!
E ela saiu correndo pelo quarto em busca de roupas para a irmã.
— Aqui, se veste! — disse pondo blusa, saia, legging e meias sobre a cama e já correndo para vestir o uniforme o mais rápido que podia.
Em seguida penteou os cabelos, escovou os dentes e voltou ao quarto para ver como a irmã estava. Não tinha passado nem da calça legging ainda.
— Zy, se arruma! Vou preparar o café da manhã! — e saiu dali novamente correndo.
Já era sete horas quando Zouye chegou a cozinha esbaforida. Mas quase caiu de queixo no chão quando viu Yuzo cozinhando.
— Eu tô sonhando. — disse não acreditando no que estava vendo.
— Bom dia, Zou. — disse Yuzo com um sorrisão enquanto colocava o arroz na tigela com muita habilidade.
— O mundo vai acabar! — disse se jogando no tatame, exausta. Tanto esforço à toa.
A duas quadras dali morava a família Yoshizawa. Eles tinham dois filhos gêmeos que eram totalmente o oposto um do outro, Kouji — só anda de preto, é calado e gosta de ficar sozinho. E Kotaro, o que ama cores, é agitado e ama ficar com amigos.
Kotaro saiu do banheiro sem camisa secando os cabelos negros e lisos de que tanto gostava. Kouji estava deitado em sua cama com roupas que cobriam todo o corpo e os cabelos um pouco grandes presos em um rabo de cavalo.
— Tem certeza que não quer ir, Kouji? — perguntou enquanto vestia a blusa branca.
— Tenho. — disse virando-se para o outro lado.
— Você tem faltado demais, vai acabar reprovando desse jeito.
— Hum... — fez o rapaz encolhido na cama.
— Bem, eu estou indo. Caso mude de ideia... — disse pondo os óculos.
Não houve resposta. Kotaro sentiu um aperto no coração, mas teve que deixar o irmão ali ou chegaria atrasado. O fato era que de uns tempos para cá Kouji havia se tornado uma pessoa totalmente depressiva. E ninguém sabia o motivo daquilo exceto o próprio Kouji.
Toda noite de lua cheia ele sai de casa escondido sem que ninguém perceba. Por sua sorte sua família dormia cedo, o que não lhe causava problemas. Kouji fugia para o bosque onde seria mais difícil de ter uma vítima. Procurava uma lareira e retirava as roupas. E assim que chegava a meia-noite o uivo ecoava por toda a cidade. A partir de então ele começou a mentir, a faltar aulas e entrou em uma profunda depressão que só poderia ser curada por alguém que o entendesse. Enquanto essa pessoa não chegasse Kouji continuaria passando os dias trancado em seu quarto tocando sua guitarra.
Quando Zouye e Yuzo chegaram a escola naquela manhã o principal assunto era o ocorrido na noite anterior. Estranhamente as pessoas a olhavam de cara feia, como se ela fosse uma aberração. Então Yuzo se lembrou dos vídeos que estavam no Youtube na noite anterior onde apareceu claramente uma filmagem da luta de Zouye e Maya. Ou seja, agora todos sabiam que ela não era uma pessoa normal.
— Lá vai a aberração. – ouviu-se uma menina dizer.
— Estranha! Ninguém quer gente que nem você aqui! – disse um rapaz no corredor.
Yuzo ficou com raiva e já ia bater no garoto quando a Suiyama o puxou e fez que não com a cabeça. Não deveriam arrumar confusão, afinal, só ia piorar tudo. Então os dois foram direto para a sala de aula onde alguns grupinhos, como sempre, já conversavam. Hayato estava sentado nos fim da sala ouvindo música, o que fez Zouye desviar o olhar e se sentar em um lugar bem distante do mesmo. Como sua vida tinha virado de cabeça para baixo em apenas um dia?
Nishimura-sensei entrou na sala e todos voltaram a ficar em silêncio. O mesmo deu os avisos como sempre fazia todos os dias de manhã e avisou sobre uma tal prova “surpresa” de matemática que teriam antes do almoço e seria aplicada para as três turmas da primeira série. Isso fez com que os outros estudantes ficassem assustados e passassem as aulas de inglês e estudos sociais inteiras estudando matemática.
Finalmente chegou a hora da prova. As três turmas foram para o grande ginásio e se acomodaram. Hiroshima-sensei e Kamiya-sensei seriam as responsáveis por aplicar a prova. A primeira era professora de matemática e professora representante da turma 1C, já a primeira era professora de física e representante da turma 1B. Nishimura-sensei não pode estar presente, pois estava resolvendo alguns assuntos na sala dos professores.
As provas começaram a ser distribuídas pelo ginásio. Quando Zouye pegou a prova olhou imediatamente para Yuzo que parecia que ia ter um ataque cardíaco a qualquer instante. O fato era que ele nunca fora muito bom em matemática. Para completar ele não conseguiu estudar para a prova durante as aulas anteriores, já que sua mente só planejava como poderia fazer, sem querer, Hayato sofrer um acidente ao estilo “ops, caiu!”.
A prova não estava tão difícil e Zouye conseguiu fazer as dez questões em mais ou menos uma hora. Algumas pessoas já tinham deixado a quadra, mas muitos ainda quebravam a cabeça para tentar fazer as questões. A Suiyama entregou a prova a Hiroshima-sensei e deixou o lugar indo para o terraço da escola já que ficar perto dos outros alunos àquela altura não era bom nem saudável.
O dia estava lindo e o sol bastante quente. Zouye sentou-se em um dos banquinhos que tinham ali e começou a almoçar sozinha pensando em tudo o que havia acontecido desde o dia anterior. Tudo começou com a chegada de Hayato, depois o caso dos tais “Forjadores de Hefesto” ou seja lá como se chamassem, seu pai ferido no hospital, a história toda que ele contou e agora essa situação na escola. As últimas horas de sua vida dariam um bom livro.
De repente, o terraço até então vazio, foi invadido por um grupo de cinco garotas da turma 1C que vieram em sua direção como se fossem leoas prontas para abocanhar suas presas. Não tinha como fugir.
— Ei, você! – disse uma delas, aparentando ser a líder do grupinho.
Zouye ficou o mais natural possível.
— Hum?
— Você é a garota do vídeo, não é? A estranha que fez a mulher voar.
— Talvez. – disse fechando a caixinha do obento com a tampa.
— Não se faça de idiota! – disse a mesma a pegando pela gola da camisa. – Você é uma aberração! Não queremos gente que nem você nessa escola!
A garota bateu a cabeça de Zouye nas grades. Aquilo havia doído.
— O prego que se destaca é martelado para baixo! – e a jogou no chão.
— Cadê os seus poderes agora, hein? Por que não usa!? – perguntou outra garota.
E uma sessão de chutes começou sobre a Suiyama, que se encolhia no chão. Não iria revidar, não podia usar os seus poderes se não para a justiça. Ela só podia fechar os olhos e chorar.
— Estranha!
— Diferentona!
— EI, VOCÊS! – ouviu-se uma voz masculina.
Zouye abriu os olhos e viu um rapaz de cabelos negros, óculos e fones de ouvido. Era Kotaro, da turma 1B.
— Cala a boca, Kotaro! – disse a líder. – Vai ler um mangá!
— Não posso! Não enquanto vocês estão dando tanto rage nessa garota! Covardes! – o rapaz levantou os braços para o ar e uma aura negra apareceu entorno de seu corpo.
— “Aquilo é...!?” – pensou Zouye assustada.
De repente, da aura surgiu um grande ser com um capuz negro e foice afiada em mãos.
— Que merda é essa!?
— Akane, estou com medo...
O ser ergueu a foice e quando ameaçou lançar sobre elas as garotas saíram correndo assustadas. Kotaro começou a rir e toda a cena se desfez.
— GG easy! – disse alegre. Em seguida foi até Zouye, se agachando ao lado da mesma. – Ei, você está bem?
— E-Estou. – disse Zouye se sentando. – Como conseguiu fazer aquilo?
— Sei lá. Quando era criança aprendi a fazer coisas estranhas, só fiz mais uma delas.
— “Acho que já ouvi essa história antes.” – pensou a garota. – Muito obrigada por me ajudar, Kotaro.
— Wow! Você sabe meu nome? Não sabia que estava tão conhecido na escola.
— Takashi me falou sobre você. – disse tentando se levantar, mas seu corpo doía muito. – Vocês estudaram juntos muitos anos, certo?
— Ah, o Takashi? Foi sim. – disse o rapaz pondo o braço dela sobre seus ombros e a ajudando a se levantar. – Consegue andar?
— Acho que sim.
— Vamos, eu te levo na enfermaria.
A partir daquele dia Zouye e Kotaro se tornaram grandes amigos. Takashi e Junpei, após perceber que era confiável, confessaram também ter poderes desde pequenos. Porém seus pais achavam melhor não contar a ninguém, já que poderia ser perigoso. Akane e as outras meninas foram denunciadas a direção da escola e vistas como loucas por falar que Kotaro invocou um ser com uma foice gigante que queria assassinar elas. Quanto ao vídeo Zouye e seus amigos conseguiram convencer a todos que era somente uma montagem através de um novo vídeo que foi estrelado Yuzo e Takashi. Ayeka prometeu guardar segredo do que realmente tinha acontecido. E aos poucos a vida de Zouye Suiyama foi voltando ao normal, graças ao seu novo grupo de amigos.
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